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Rev. adm. empres. vol.32 número5

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Academic year: 2018

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RESENHAS

THE WORLD WE HAVE LOST

PETER IASLETT Cambridge, University Press, 1971.

• Por Roberto Venosa, Engenheiro, Mestre em Administração Pública pela Universidade de Pittsburgh, Doutor

em Sociologia peta EHESS, Paris, Professor Titular do Departamenfo de Administração Geral e Recursos Humanos da EAESP/FGV e Professor Visitante da University of SI. Andrews, Escócia.

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D

uas questões deveriam ser res-pondidas antes de se escrever uma resenha de um livro sobre demografia histórica para ser publicada em urna revista de Administração de Empresas: por que um livro datado (sua primeira versão é de 1%5) deve ser lido?, e por que um livro sobre demografia his-tórica deve ser lido por administradores de empresa? Essas questões são ainda mais importantes se considerarmos que a demografia empírica ainda está procu-rando um referencial coerente que reúna as conflituosas tendências nas pesquisas mais recentes (Seccombe, Wally., 1992 A

Millenium of Family Clumge, London, Ver-so). Em primeiro lugar, e respondendo a ambas questões conjuntamente, quando estudamos organizações, esquecemos de incluir processos, tais corno nascimento ... migração e morte, que estão,

paradoxal-mente, sempre presentes nas

organiza-ções. Fertilidade e núgração, assim como família e reprodução, são opjetos típicos dos estudos demográficos. Em segundo lugar, o livro do Professor Peter Laslett é um clássico e, só por isto, mereceria ser lido e relido várias vezes. Para que o lei-tor não abandone a leitura desta resenha, seria prudente justificar melhor as razões que estimulam a abordagem demográfi-ca no estudo das organizações. Observe-mos um evento moderno: nas organiza-ções, se examinarmos dados demográfi-cos desagregados verificaremos que a idade média está diminuindo. Em outras palavras, as populações organizacionais estão se tornando mais jovens. Desta ob-servação decorrem várias implicações; pelo menos uma delas merece ser desta-cada: se a tendência à manutenção de uma população jovem deve ser

estimula-da, as empresas devem se preparar para porem em prática planos de aposentado-ria que mantenham estes fluxos. Há um infindável número de razões para se con-tinuar a especular sobre a convergência e a determinação entre estudos demográfi-cos e estudos organizacionais, porém, es-sas razões estão além dos limites de

uma

resenha bibliográfica. Se o leitor estiver parcialmente convencido, creio que seria útil citar os principais focos de atenção de The World We Have Lost. O livro explo-ra questões, taís como o tamanho e a es-trutura das famílias na Inglaterra pré-in-dustrial, o número e a posição dos agre-gados em diferentes famílias, as taxas de migração, o grau de alfabetização, o ta-manho e a composição das aldeias, cida-des e classes sociais, as condições de tra-balho e de mobilidade sociaL Na edição de 1971, foram adicionados capítulos so-bre a condição dos bastardos e as rela-ções possíveis entre fome e população, sob a ótica malthuso-cambridgeana. Para começar, podemos salientar que a propo-sição de a passagem das famílias exten-sas para as familias nucleares, com o ad-vento da revolução industrial, não se sustenta à luz dos estudos histórico-de-mográficos. As famílias nucleares antece-deram a revolução industrial e podem mesmo terem contribuído para seu ad-vento. Um outro aspecto importante é o que as diferenças entre as famílias do Leste e do Oeste Europeus se acentuam quando examinamos: diferença etária en-tre maridos e esposas; período de aleita-mento; número de empregados que inte-gram núcleos familiares e, por derivação, tendências à exogomia. Uma dimensão também pouco considerada em estudos organizacionais, já mencionada acima, é

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a tendência à emergência de uma cada vez mais importante faixa de terceira ida-de. O número crescente de mulheres que trabalham fora do lar deverá tambêm re-definir a divisão sexual do trabalho, a di-visão sexual das emoções e a divisão se-xual do trabalho emocional (Venosa, Ro-berto. "Divisão Sexual do Trabalho, Divi-são Sexual das Emoções, DiviDivi-são Sexual do Trabalho Emocional", artigo a ser pu-blicado em breve). Uma derradeira nota para aqueles que, embora tenham achado "interessante", acreditem que já não te-nham tempo para investir em outros ti-pos de leitura: Peter Laslett iniciou sua vida acadêmica em Cambridge como Professor de História e Teoria Política.

Depois de vinte anos ensinando Política e História, fundou o Centro para a História das Populações e das Estruturas Sociais e, embora aposentado formalmente, não deixa de comparecer aos co,Ffee-breaks das sextas-feiras. Sempre às 11 horas, algu-mas vezes usando sua cambridgeana gra-vata borboleta. Quando The Wortd We Have

l.ost

foi publicado pela primeira vez, Peter já estava beirando os 50 anos.

The World We Have Lost é um livro es-crito por um erudito Professor do Trinity College, em Cambridge, e de leitura mui-to agradável, talvez mesmo agradável s6 para confrontar com a tradição histórico-demográfica na França, na qual se escre-ve difícil para não ser entendido. O

IN THE AGE OF THE SMART

MACHINE-THE FUTURE OF WORK ANO POWER

SHOSHANA ZUBOFF New York, Editora Basic Books, Inc., Publishers, 1988.

• Por Edlth Seligmann Silva, Professora Adjunta do Departamento de Fundamentos Sociais e Jurídicos da Administração da EAESP/FGV e Professora Adjunta do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da Universidade da São Paulo.

a

uais, exatamente, as transforma-ções que a informatização acarre-ta para a administração? De que modo se alteram as relações de poder e as relações interpessoais dentro da em-presa quando a tecnologia coloca ao al-cance de todos informações que, antes da introdução do computador, s6 eram aces-sadas pelos administradores? Por que o aproveitamento pleno dos potenciais ofe-recidos pela tecnologia de informação exigem uma nova sociabilidade e no que consistem as novas aptidões psicossociais essenciais à intercompreensão e à intera-tividade? E, finalmente, quais os cenários futuros que se descortinam diante do ad-ministrador?

A autora esclarece, no limiar de seu li-vro, a posição que decidiu adotar como

ponto

de partida para seu estudo: "As

op-t;IJe$ pRWHI

frlturo

não

podem ser

deduzidas a

partir

de

dtli/.of

ecom1micos ou de medições

abstratas do funcionamento organizacional.

El/1$ estão inseridas nos iletathes vivas do

co-tidúmo

da vida no trabalho em que as pessoas

comuns confrontam

os

dilemas levantados pe-las

características

transformadoras da nova

tecnologia de

ínfammtização.

Por esta

razão a pesquisa aqui

apresentada

ilumina

a textura

da experil'ncia humana o que as pessoas di-zem, senttw e

fazem -

ao lídar com as

mu-danças tecnológicas que impregnam seu

am-biente

imediato."

Propondo-se estudar os desafios e as alternativas que a informatização coloca para

os

administradores, a autora pesqui-sou longitudinalmente oito grandes orga-nizações. A investigação incluiu indús-trias e escritórios. Dentre as empresas es-tudadas, figurou um banco de grande porte. Foi possível realízar estudo com-parativo entre três indústrias do ramo de papel e celulose que se diferenciavam en-tre si, tanto pelas lógicas administrativas

Referências

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