E S C R I T O P O R
P E . T A R C I Z I O P A U L O O D E L L I
SÃO FRANCISCO DE SALES
S Ã O F R A N C I S C O D E S A L E S : I N S P I R A D O R E P A T R O N O
E S C R I T O P O R
P E . T A R C I Z I O P A U L O O D E L L I R E V I S Ã O
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I M A G E N S
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SÃO FRANCISCO DE SALES
S Ã O F R A N C I S C O D E S A L E S : I N S P I R A D O R E P A T R O N O
Por que Dom Bosco inspirou-se em São Francisco de Sales e o escolheu como patrono? Saiba mais sobre a história e as
razões desse “encontro”.
Francisco de Sales nasceu no Ducado da Sabóia (atualmente uma parte é território da França e outro da Itália) no dia 21 de agosto de 1567, no Castelo de Sales, próximo da cidade de Annecy. Era o primogênito de Francisco e Francisca, senhores de Boisy. Teve 13 irmãos, dos quais seis morreram ainda crianças. Como o pai
almejava que o filho desse continuidade a família, proporcionou longos estudos, dos seis aos 24 anos, em Paris e em Pádua, onde se formou em direito. Logo em seguida, sentindo-se chamado para a vida religiosa, deixou tudo e tornou-se padre. Durante cinco anos trabalhou como missionário do Chablais, uma região do ducado, próxima a Genebra, que estava nas mãos dos protestantes
calvinistas. Sua fama nesta empresa fez com que fosse conhecido pelo Papa, bispos e reis. Foi eleito bispo Príncipe de Genebra em 1598, assumindo o cargo em 1602. Foi um prelado exemplar na época, destacando-se como reformador, fundador (Ordem da Visitação) e escritor. Morreu em Lião no dia 28 de dezembro de 1622. Foi proclamado santo no dia 19 de abril de 1664. Pio IX declara-o “Doutor da Igreja” (Doctor Amoris) em 1877, o 1º de língua francesa. Mais tarde o proclama protetor do jornalismo e Pio XI em 25 de janeiro de 1933 o proclamou “celeste patrono de todos os escritores católicos”. Dom Bosco o escolheu como
padroeiro da Sociedade que leva o seu nome.
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Biografia
No dia 26 de janeiro de 1854, Dom Bosco reuniu quatro jovens no seu quarto e propôs que eles fizessem, com o auxílio de Deus e de São Francisco de Sales, uma experiência de exercício prático de caridade para com o próximo. Eram eles Rocchietti, Artiglia, Cagliero e Rua. Dom Bosco, em certo momento disse: "Nossa Senhora quer que fundemos uma sociedade. Pensei longamente que nome lhe dar. Decidi chamar-nos Salesianos." Depois, ao fundar a congregação, em 18 de dezembro de 1859, Dom Bosco manteve o nome de Sociedade de São Francisco de Sales.
Por que São Francisco de Sales?
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Introdução
Bosco cultivou uma grande devoção e amor para com o Bispo de Genebra, São Francisco de Sales. Não temos dados precisos de como foi o "encontro" de João Bosco com Francisco de Sales. Deve ter acontecido no Seminário, em Chieri. Na época, Francisco era um santo de veneração nacional. É interessante notar que Bosco (1815-1888) e Sales (1567-1622) são conterrâneos, pois
nasceram no mesmo "país", ou seja, no Ducado, depois Reino da Saboia, que tinha como capital a cidade de Turim. No processo de unificação da Itália, pelo Tratado de Turim, de 1860, a parte onde estava o castelo do Sales passou para a França.
Com certeza João Bosco ainda seminarista leu dois livros: a Introdução à vida devota – Filoteia, de Francisco de Sales, e O espírito de São Francisco de Sales, do bispo João Pedro Camus.
Foi deste último livro que ele copiou a frase: Da mihi animas caetera tolle.
Na Igreja de São Filipe, próxima ao Seminário, havia uma capela com um
quadro de São Francisco de Sales. Foi diante deste quadro que João Bosco rezou, quando estava em dúvida sobre o caminho a seguir.
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Na vigília da sua ordenação sacerdotal, 5 de junho de 1841, toma como quarto propósito: “A caridade e a doçura de São Francisco de Sales guiar-me-ão em tudo.” Isso constituirá a chave do seu sistema educativo. Nos inícios de sua vida
sacerdotal, Dom Bosco foi muito influenciado pelo padre José Cafasso, que era um dos diretores do Convito Eclesiástico, uma espécie de escola que formava os neossacerdotes para a vida pastoral.
Cafasso vivia segundo os princípios de que a santidade não consiste em fazer “coisas extraordinárias, mas fazer as coisas ordinárias com perfeição extraordinária” e que “nunca se deve pedir nada nem recusar nada”. Ora, estas expressões foram vividas e escritas por São Francisco de Sales. Através de uma contínua direção espiritual, Cafasso orienta Dom Bosco a
superar uma espiritualidade centrada em práticas ascéticas e na devoção ou temor por uma espiritualidade baseada no amor de Deus e na caridade pastoral pelo próximo. Diríamos hoje, uma
"espiritualidade salesiana!".
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“A caridade e a doçura de São Francisco de Sales guiar-me-ão em tudo.”
Dom Bosco
Nos inícios de sua obra com os Oratórios, Dom Bosco aponta os motivos pelos quais escolheu como patrono São Francisco de Sales: “Havíamo-nos colocado sob a proteção desse santo para que nos alcançasse de Deus a graça de imitá-lo em sua
extraordinária mansidão e na conquista das almas. Outra razão era a de colocar-nos sob sua proteção a fim de que do céu nos ajudasse a imitá-lo no combate aos erros contra a religião,
especialmente do protestantismo, que começavam a se insinuar insidiosamente nos nossos povoados, sobretudo na cidade de Turim”.
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Dom Bosco não se limita a tomar emprestado o nome de
Francisco de Sales. Fixa-se no essencial do Bispo de Genebra: o Amor que ele vive e propõe desde a amabilidade, a doçura, a compreensão, a paciência, a simplicidade na entrega e no
sacrifício, o perdão, a confiança. Dom Bosco assimila e faz sua esta mensagem, tendo em vista seu apostolado entre os jovens.
Recentemente o padre Pascual Chávez escreveu que "Dom Bosco inspirou-se em São Francisco de Sales reconhecendo-o como mestre de uma espiritualidade simples porque essencial, popular porque aberta a todos, simpática porque carregada de valores humanos e, por isso, particularmente disponível à ação
educativa."
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Espiritualidade baseada
no Amor
São Francisco de Sales tem como grande mérito "relembrar" a todos os cristãos o chamado à santidade. Dom Bosco o seguiu neste aspecto. Porque sua pedagogia é uma pedagogia da
santidade. E propõe, como seu santo patrono: a santidade não é complicada, é fácil. Não consiste em jejuns, cilícios e dolorosas penitências. Não é tristeza e recusa da felicidade A santidade é um processo que é feito na vida cotidiana, no dever cumprido, na piedade e na alegria.
Tudo isso leva a confiança no ser humano, a uma visão otimista da vida e do mundo. Esta é a imagem de São Francisco de Sales que Dom Bosco contempla. Transmite este humanismo que
começa a respirar-se em suas casas. André Ravier conclui sua biografia de São Francisco de Sales dizendo que "por ter ido direito ao essencial da vida cristã, e, sobretudo, ao essencial da vida religiosa, ele insuflou um novo ar na espiritualidade, um ar vindo diretamente dos cumes do Evangelho". Este foi o ar que Dom Bosco também respirou e transmitiu para nós!
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