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Bol. da PM n.º 012 16AGO Nota de Instrução n.º 004 da CGIPM

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Aj G – Bol da PM n.º 012 - 16 Ago 2004

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23. NOTA DE INSTRUÇÃO Nº 004/2004

Este Comando transcreve, para conhecimento da Corporação, a Nota de Instrução CGIPM nº 004/2004, de 17 de agosto de 2004.

PMERJ

CGIPM 17 Ago 04

1. FINALIDADE

Regular procedimento administrativo no tocante a representação pela decretação judicial da pri-são preventiva de indiciado, observadas as disposições legais do CPPM.

2. OBJETIVO

Propiciar aos Comandantes, Chefes ou Diretores, bem como aos Encarregados, informações in-dispensáveis para a representação pela decretação da prisão preventiva de policial militar indiciado, ampliando o conhecimento profissional específico sobre a adoção desta modalidade de custódia judi-cial ainda em sede polijudi-cial militar, com apoio nas disposições dos arts. 254 a 261 do CPPM.

3. EXECUÇÃO

a. A cargo dos Encarregados de IPM

Representar ao Juiz-Auditor da AJMERJ pela prisão preventiva de policial militar indiciado em IPM, quando presentes os requisitos legais mencionados nos arts. 254 e 255 do CPPM.

b. A cargo dos Comandantes, Chefes ou Diretores

Fiscalizar a atuação dos Encarregados no caso de haver necessidade de representação pela decretação da prisão preventiva de indiciado sob a sua subordinação.

Verificar a regularidade do procedimento quando venha a se observar a sua necessidade nos casos concretos.

4. PRISÃO PREVENTIVA

A prisão preventiva, em sentido estrito, é a medida cautelar, constituída da privação de liberda-de do acusado, liberda-decretada pelo Juiz-Auditor durante o IPM ou instrução criminal, diante da existência dos pressupostos legais, visando assegurar os interesses sociais de segurança.

É medida excepcional de cerceamento da liberdade, motivo pelo qual o Encarregado do IPM só deve representar ao Juiz-Auditor por sua necessidade quando estiver plenamente demonstrada sua imprescindibilidade e satisfeitos os requisitos legais.

De se ver que a autoridade policial judiciária militar não pode determinar a prisão preventiva, devendo, no entanto representar em qualquer fase do inquérito, ao Juiz-Auditor requerendo a de-cretação da medida extrema.

Na representação, o Encarregado do IPM deverá: “fazer uma análise do cabimento da prisão preventiva, além de ligeiro histórico sobre a ocorrência e conveniência da decretação, pois será servi-ço inútil o pedido sem que existam pressupostos que autorizem a medida” (GARCIA, Ismar Estula-no.Procedimento policial:inquérito. 7ª ed. Goiânia: AB. 1998. p. 162).

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5. REQUISITOS LEGAIS

Em primeiro lugar, é indispensável que hajaprova do fato delituosoeindícios suficientes de autoria.

A prova do fato delituoso é a demonstração da existência material do crime, não se confor-mando o legislador com meras suspeitas ou indícios de sua ocorrência.

“Assim, comprovar a materialidade do crime, docorpus delicti, é comprovar a existência do

fa-to punível, o que é feifa-to pelo aufa-tor de corpo de delifa-to, pela prova testemunhal, pela documental” (MOSSIN, Heráclito Antônio.Curso de processo penal.São Paulo: Atlas, 1997. p. 405).

São necessários também “indícios suficientes de autoria”, que não se confundem com provas conclusivas de que o indiciado tenha praticado o fato típico, sendo bastante que o acervo probatório indique a probabilidade suficiente da autoria.

“A suficiência dos indícios é deixada à verificação do juiz, que deve se haver com prudente ar-bítrio” (MIRABETE, Julio Fabbrini.Código de processo penal interpretado. 5ª ed. São Paulo: Atlas,

1997. p. 413).

Porém, não é bastante para a decretação da prisão preventiva prova da materialidade delitiva e indícios de autoria, sendo necessário, ainda, que a medida seja fundamentada em uma das situações arroladas no art. 255 do Código de Processo Penal Militar, a saber: garantia da ordem pública, conveniência da instrução criminal, periculosidade do indiciado, segurança da aplicação da lei penal militar e exigência de manutenção das normas de hierarquia e disciplina militares.

5.1. Necessidade de garantia da ordem pública:

Ordem pública é o estado de paz e de tranqüilidade social necessário para que as autoridades públicas exerçam o normal controle do ambiente coletivo, contando com a pacífica aceitação e cola-boração dos particulares.

Portanto, desde que a permanência do indiciado livre “possa dar motivo a novos crimes, ou cause repercussão danosa e prejudicial ao meio social, cabe ao juiz a prisão preventiva como garantia da ordem pública” (MARQUES, José Frederico. Elementos de direito processual penal. Rio de

Ja-neiro: Forense, 1965. p. 50).

Busca-se, com a medida, evitar a reiteração da prática criminosa, quer porque o agente a ela se-ja propenso, quer porque, em liberdade, encontrará os mesmos estímulos que o levaram ao delito, bem como visa acautelar a sociedade e restaurar a confiança nas instituições em face do crime e de sua repercussão.

5.2. Conveniência da instrução criminal:

O IPM, por sua destinação, deve colher a prova demonstrativa da verdade que circunda o fato típico.

Portanto, a prisão preventiva torna-se necessária quando o indiciado interfere na atividade in-vestigatória na tentativa de prejudicá-la, total ou parcialmente, por meio de destruição de vestígios, ocultação do instrumento com que foi praticado o delito ou de objeto com ele relacionado, sumiço de provas, coação de testemunhas, vítimas, peritos etc.

O que o legislador pretende é que haja a coleta normal da prova, sempre conduzida no sentido de demonstrar a verdade real dos fatos, por meio da escorreita apuração da infração penal militar e de sua autoria no correr do inquérito.

5.3. Periculosidade do indiciado:

Diversamente da lei processual penal comum (CPP), o CPPM enumera como causa justificativa para a decretação da prisão preventiva a periculosidade demonstrada do indiciado, que pode ser en-tendida como o “complexo de circunstâncias que indicam a probabilidade de um indivíduo cometer ou tornar a cometer crime” (NÁUFEL, José.Novo dicionário jurídico brasileiro. 5ª ed. Rio de

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É a partir do comportamento global do indiciado (agressividade, frieza, falta de arrependimen-to, perversidade, premeditação etc.) que se conclui pela presença de periculosidade autorizadora do cerceamento cautelar de sua liberdade: “(...) a bem da verdade, o que justifica, em última análise, a custódia do agente perigoso é também a necessidade de manutenção da ordem pública, uma vez que, do agente perigoso, pode-se esperar desrespeito à lei” (FREYESLEBEN, Márcio Luís Chila.A prisão provisória no CPPM.Belo Horizonte: Del Rey, 1997. p. 117).

5.4. Segurança da aplicação da lei penal militar:

O exaustivo trabalho policial judiciário é a primeira providência estatal para aplicar a sanctio poenalis(sanção penal) àqueles que desobedeceram ao mandamento da lei.

Daí ser dever da autoridade policial zelar para que a aplicação do direito, mediante a sentença, não se frustre desde o início da persecução penal pela fuga do indiciado: “a segurança da aplicação da pena significa necessidade da prisão para que, posteriormente, possa ser eficaz a punição” (GRECO FILHO, Vicente.Manual de processo penal.São Paulo: Saraiva, 1991. p. 243).

Por conseguinte, nas oportunidades em que a situação pessoal do indiciado induzir à suposição de que ele empreenderá fuga, como, por exemplo, quando estiver se desfazendo de seus bens, não possuir endereço certo etc., a autoridade policial judiciária militar deverá representar pela decretação da prisão preventiva.

De igual sorte deverá agir quando o crime for de tal gravidade que a defesa se torne insustentá-vel e que, em face desta perspectiva, seja razoáinsustentá-vel concluir-se que ao indiciado só resta fugir para não se submeter à privação de sua liberdade.

5.5. Necessidade de manutenção da hierarquia e da disciplina militares:

É de sabença que o regime a que estão submetidos os integrantes das forças militares estaduais e do Distrito Federal é especial e, excepcionalmente, mais rigoroso, tendo em vista as peculiaridades da carreira policial d’armas e o indispensável comprometimento absoluto de seus integrantes com a vocação constitucional das Polícias Militares e dos Corpos de Bombeiros Militares.

Por conseqüência, há preocupação específica do legislador em tutelar os princípios da hierar-quia e da disciplina militares.

Tal preocupação estende-se à segregação do indiciado em IPM, desde que com sua liberdade restem por atingidos os conceitos de obediência, respeito, subordinação e ética militares.

Tenta-se, destarte, evitar que a sugestiva e perniciosa idéia de impunidade dissemine no seio da tropa sentimentos, tendências e incentivos às práticas criminosas.

6. MODO DE ATUAÇÃO

A representação pela prisão preventiva, constituindo procedimento administrativo inquisitivo cautelar, poderá ocorrer, como já dito,em qualquer fase do IPM, desde que presentes os seus requi-sitos legais. Quando necessária esta medida no curso do inquérito, deverá o Encarregado representar ao Juiz-Auditor através de Ofício circunstanciado, que será imediatamente encaminhado ao cartório da AJMERJ. Na hipótese, não se aguardará a solução do inquérito, porém, é de bom alvitre que o Comandante, Chefe ou Diretor examine antes a regularidade do pedido e o homologue.

Também poderá ocorrer de representar-se pela prisão preventiva no RELATÓRIO. Neste caso, o Comandante, Chefe ou Diretor, autoridade de polícia judiciária militar, HOMOLOGARÁ OU NÃO, na SOLUÇÃO, a representação constante do Relatório do Encarregado.

7. MODELO DE REPRESENTAÇÃO

A representação, por Ofício (IPM em curso) ou no Relatório, deverá conter os seguintes ele-mentos informadores:

(Ofício) Do: Encarregado do IPM nº (...).

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Assunto: Prisão preventiva – REPRESENTAÇÃO.

Solicito a V. Exª, de acordo com o art. 254 do CPPM, determinar a prisão preventiva do ... (qualificação completa do indiciado), indiciado no IPM nº (...), instaurado pela Portaria nº ..., de ... de ... de 2003, da ... (autoridade nomeante), contra quem pesa a prática, em tese, do crime de ... que é punido com pena de reclusão de ... a ... anos, conforme o art. ... do CPM.

Há veementes provas da existência do ilícito e da autoria. A esse respeito, vejam-se as seguin-tes provas: ... (mencionar as provas já existenseguin-tes nos autos).

(*) (Somente no caso de concurso de crimes e/ou agentes) Trata-se de concurso de crimes de ... e ... por policial(is) militar(es), em concurso de ações e desígnios, empregando armamento da Corpo-ração (se for o caso), ilícito grave e que causa alarme social.

A garantia da ordem pública e a proteção da sociedade estão ameaçadas com a liberdade do implicado em razão do dever de se impedir que pratique novos crimes da espécie.

A periculosidade do investigado resta evidenciada pela conduta imputada, pois ... (narrar o fun-damento de periculosidade).

A custódia preventiva também se respalda na conveniência da instrução criminal, de molde a propiciar, inclusive, reconhecimentos em Juízo. A liberdade do indigitado pode embaraçar a colheita da prova, bem como a efetiva aplicação da lei penal militar, pelo quê a custódia cautelar evitará que o investigado ponha-se em fuga.

O inculpado praticou o crime em serviço, aproveitando-se de sua condição de Policial Militar, utilizando-se de viatura oficial e arma da Polícia Militar para coarctar a liberdade do ofendido, o que demonstra total vontade de subverter os valores que lhe foram ministrados, especialmente os princí-pios basilares da hierarquia e da disciplina.

Pelo exposto, representa o Encarregado pela decretação daprisão preventiva do(s) investiga-do(s), forte nos arts. 254 a 261 do CPPM.

Ao ensejo, expressa manifestação de respeito e apreço.

8. PRESCRIÇÕES DIVERSAS

As dúvidas poderão ser sanadas através da CGIPM/REL, pessoalmente ou através do tel. 3399-2141 e 3399-2307.

(Nota nº 1802 – 16 ago 04 – CGIPM/SJD)

24. AVERIGUAÇÃO – SOLUÇÃO – ARQUIVAMENTO DOS AUTOS Ref: CGIPM nº 24.412/02 – 1ª DPJM - Portaria nº 855/2558/02

AVERIGUADOR: TEN CEL PM RG 1/15.128 IGNÁCIO MAGNO DA SILVA, da DGP. AVERIGUADOS: Policiais Militares

Analisando os autos do procedimento em epígrafe, verifica-se que o fato não constitui transgressão disciplinar, tampouco indícios de infração penal de qualquer natureza, capituladas no RDPM, no CP e no CPM, eis que 16-06-02, através de denúncia anônima, protocolo (nº 667/02) da OUVIDORIA da Polícia, o (a) denunciante acusa os averiguados de fazerem segurança de contraven-tor e andarem fortemente armados. Apurou-se através de diligências que na rua Figueiredo Magalhães, próximo a rua L, bairro Ponto Chique, em Padre Miguel, não ter sido observado a existência de uma banca de “jogo de bicho” e conforme informação de moradores, funcionava na parte da manhã e era local de grande freqüência de pessoas em finais de semana. Quanto ao fato de existir freqüentadores policiais militares, não pode ser confirmado durante as diligências realizadas pelo averiguador.

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