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Rara . são as tintas para cabellos que satis- íazem quem as emprega. Nem sempre são inof- fensivas.
Outra tintura fica esverdeada no fim de pou- cos dias, tal outra loma
no cabello a côr de vi- nho tinto, bastante desagradável aos, olhos; esta é preta demais, resecca o cabello, alisa o que é ondeado, faz mais velha a pessoa que a emprega, dft á physionòmia um ar severo e triste ao mes- mo tempo.
Trfnta annos de experiência, de estudos, de applicação áeram-me uma certa autoridade para falar nisso.
Nenhuma casa de cabelleireiro, em qualquer paiz que fosse, quer na Europa ou na America, attingiu o grão de perfeição ao da cas,a Doret;
tenho no meu estabelecimento clientes de todas as nacionalidades que attestariam a superioridade de
meus methodos de tingir os cabellos, garantindo a innocuidade absoluta de meus produetos. A's ]>essoas que nào pos- sam vir ao meu estabelecimento, ás pessoas longe do Rio dc Janeiro, recommendo nunca tingirem os cabellos de pre- to; é melhor acastanhal-os que colorir o branco de preto. Isso, além d'e ser mais natural, mais fácil será, mais hy- gienio.
Recommendo a todos o fluido Doret para acastanhar ou alourar o cabello, este produeto é dez vezes menos forte que a água oxygenada, não queima 09 cabellos e é um excellenta desinfectante.
Para recoloração do cabello branco empregae o meu Henné, purê Doret, para obter o louro bastará apenas 5 a 10 minutos de applicação, para o bronzeado M hora, para acajou escuro, uma hora e meia.
As posoas que querem escurecer os cabellos para castanho escuro devem empregar o Tônico Déesse n. 12.
Para qualquer caso particvlar é boti consultar A. Doret e seguir seus conselhs é uma garantia de bom êxito.
A Casa A. Doret recommenda suas manicures, seus produetos imeomparaveis para u belleza da pelle e cabel- los, seus, modelos de penteados, estudados para cada pessoa, os cafoelleireiros dfc casa Doret são verdadeiros artistas.
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_/f_i^Ãi__
O 12° anniversario de "O
Camizeiro"
A nossa mui leal e heróica cidade
do Rio de Janeiro despertou no dia \3 30 do mez passado como que em
plena revolução: tiros, foguetes, mu- sica, flores. . .
Onde era tudo isto? Em plena Rua da Assembléa, onde os bondes nem au- tomoveis mais passavam, o povo se apinhava e comprimia.
•Por
que? Simplesmente porque
"O
Camizeiro", conhecida casa de ca- misas e outros artigos completou o seu ir," anniversario e, festejando essa m.igna data, foram remarcados (para menos) todos os preços, haven- do, por esse regosijo, tiros, foguetes,
musica e flores.
Os senhores Agostinho & Co., di- zem que são "loucuras de Maio". Nós dizemos que sào loucuras de todo <
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Ha t r -f .
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Verdadeira multidão aguardando u abertura d'"0 Camizeiro".
Casamento do Sr. F. N. Sutherland com Mme Na- runa Corder
Foi um evento social de elevado destaoue e distinc- çào, repercutindo amplamente na nossa melhor sociedade o casamento do Sr. Frederick Neil Sutherland, B. A., A.
M. I. E. E., com Mme Naruna d'Amorim Corder, reali- ndo no dia 25 de Abril p. p , as 5 p. rn., na Capella de N. S. da Piedade.
Mine Naruna é conhecida".*ima pelos seus dotes ar- tisticos e relações sociaes como educadora, gosando muito justamente o previlegio de haver despertado o gosto pelas danças clássicas e educação physica na sociedade carioca
O Sr. Sutherland é Gerente Geral da English Ele- ctric Co. Ltd. no Brasil e Presidente actual da Legião Britannica, muito relacionado no nosso alto commercio e membro proeminente da Colônia Britannica em cujo seio gosa o prestigio de seus predicados pessoaes. O facto de a egreja ter ficado repleta até á rua é bem significativo da popularidade dos noivos.
A cerimonia foi conduzida pelo Rev. Fr. Albert Nicholson e abrilhantada na parte musical com o concur- so da Sta. Helena Barreto (vio'ino). Sr. Ibêrô Gomes
(violoncello), Sr. Arnaldo Estrella (órgão) e S*« *"
Abreu que cantou com admirável inspiração a "
Ave Ma- ria" de Schubert.
Serviram de testemunhas por parte da noiva a St?i.
Luiza Cezar e Sr. Charles E. Sanceau e por parte do noivo o Sr. W. M. K. Dunn. conduzindo as almofada:.
as meninas Edelvira Barroso e E-sa Oliveira.
Após a cerimonia os convidados foram cumulados de gentilezas em uma elegante recepção nos salóes do Coun- try Club onde o Sr. e Sra. Reidar Birkeland, cunhado e irmã da noiva, fizeram as honras da oceasião. Ao termi nar a reunião os noivos foram acclamados em enthusias- tica despedida partindo em viagem de nupeias até Buenos Aires a bordo do "Alman^ov-."
d« onde regressarão no mesmo vapor para sua residência á Rua Bolivar, 105, Co pacabana.
Grande foi o numero de lindos e valiosos presentes r»fferiados aos noivos pelos seus innumeros amigos.
•
Os vinhoôi
sào ú ôlmódePortugdl
,. 14*.) ... ¦ .
iLr.
'.,£.
—
PARA todo:
Uma Descoberta Maravilhosa
Tubo FIALA radioemanogeno L. PAGLIANI para o preparo,
\~r ¦ ¦ '¦¦'
¦ em casa, da agua radioactiva z==
yue ua doses moderadas de ema- nação uo Kadium na agua sejam effi- cazes tem-se uma prova no pouer das águas de fontes naturaes radioactiva*, cujas virtudes curativas dependem muito mais da sua moderada radio- actividade do que do seu conteúdo em substancias chimicas. O uso prolon- gado destas águas íadioactivas tem acçao curativa certa. Para poder pra- ticar taes curas, porém, longe das ton- tes e em todo o tempo, na própria ca- sa, faltava até hoje um apparelho que produzisse emanações de Radium, de uso fácil e de pouca despesa. Pois foi peia dedicação ao estudo desse pro- blema, muito sério para o bem-estar da humanidade, que o professor L.
Pagliani, medico e scientista notável conseguiu um apparelho que denomi- nou "TUBO
(FIALA) RAOlOtíMA- NOGENO "L. PAGLIANI". Esse tubo contém sal de radium, cuja emanaçã"
dá á agua commum uma radio-acti- vidade muito superior a todas as águas mineraes conhecidas. O radium.
sendo por assim dizer, eterno, estes tubos não perdem sua e,fficacia senão depois de muitos annos. Seu pequeno volume, numa grade de prata finissi- ma, permitle leval-o e utilizal-o em toda parte, e produz, om 24 horas um litro de agua radioactiva.
A descoberta do professor "
L. Pa- gliani" foi approvada e controlada pela grande scientista Mme Curie, e aqui,
depois de analysada especialmente pe- Io Instituto Oswaldo Cruz, foi igual- mente approvada em minucioso laudo, assignado pelos Drs. Carlos Chagas e José Carneiro Felippe.
Como se vê, trata-se de uma desço- 1 erta importantíssima, que facilitará a cura das mais graves moléstias, co- mo sejam:
a) Diathesis uricimicas e gottosas com manifestações de: cálculos renaes, aieias urinadas, tumefacções doloro- sas das articulações, nevralgias, mial- gias, dores sciaticas, diabetes, etc.
b) Deficiências no renovamento ge- ral do organismo, por qualquer causa:
esgotamento nutritivo e funccional.
c) Alterações funecionaes das glan- d ula» das vias digestivas, das endocri- nas e intersticiaes, das generativas e mammarias. Alterações funecionaes da pelle e do couro cabelludo .
d) Moléstias varias e debilidade, que acompanham a menopausa das senhora?', a incipiente e accentuada velhice precoce ou moral, nos dois se-
\os, com perturbações uremicas e arterio-escleroticas.
e) Conseqüências de uma vida de- masiado sedentária, especialmente com excessivo cansaço cerebral.
f) Em todos os casos, em que seja útil favorecer a actividade funccional de alguns órgãos especiaes ou de todo o organismo em geral.
O "TUBO
(FIALA) RADIOEMA- NOGENO "L.
PAGLANI", para esse fim, contém, encerrado em suas pare- des permeáveis á agua, mas inataca- veis por ella, uma quantidade de sal insoluvel de radium, que, sem consu- mir-se sensivelmente, produz, como nas rochas radiferas, uma quantidade sempre constante de radio-emanação;
para 'sío, collocando-se o "Tubo" na agua, esta recebe a solução ao nascer e justamente no momento em que a sua potência radio-activa está no mais alto grau. Por este processo, determi- nadas quantidades de agua, renovan- do-se em uma unidade de tempo, den- tro de um recipiente que contenha um
"TUBO
RADIOEMANOGENO "L.
PA- GLIANI" adquirem suecessivamente.
sem limite de vezes, um grau de radio- actividade superior ao dos mais ricos mananciaes hydricos, que se radio-ac- tivam na natureza, ao atravessar as ''hamadas rochas radiferas.
A descoberta do prof. Pagliani me- rece, pois, o maior carinho dos nossos rcientistas e dos nossos numerosos do- entes.
Qualquer pedido que se queira fa- zer, deve endereçar-se ao Sr. V. Mar- chese, no Rio de Janeiro, á rua da Quitanda, 79, sobrado, ou em Petro- polis, á Avenida 15 de Novembro, 964, devendo a importância vir em vale postal, cheque ou carta registra- da com valor.
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Victoria (Pernambuco), 31 de Março de 1917
Dr. José' de Barros Andrade Lima (Senador Estadoal)
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Por isso exijam sempre fazendas tintas com )
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romano
OBATO
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PÉ-GALLO... A cabecinha da Ruth vive po- voada de seres phantasticos, um dos quaes curió- sissimo — o pé-gallo. Haverá naturalista que adivinhe que animal é este? Ella. entretanto, dis- sertará meia hora, na sua encantadora lingua- Tem cheia de movimentos de mãozinhas explica- tivas, sobre a familia dos pé-gallo», maridos das pé-gallinhas, as quaes botam pé'ovos donde sa- hem pé-pint08.
Tudo vem dum annuncio americano fle re- piedio para callos, cuja marca de fabrica figu- ra pé humano encimado de gallinacea cabeça.
Tinha o habito de abrir os jornaes no chão e, es- tendida sobre elles de barriga, examinar, com- mentando uma por uma. todas as gravuras ou vinhetas — as cruzes das missas, o humem de picareta ás costas do Biotonico o peixe da Emulsão de Scott, os naviozinhos da Royal Mail.
Certo dia deu com o pé cristudo do Gets-It.
o tal remédio para callos.
"Franziu
a testa e
•eio
incontinenti saber que era aquillo.
Expliquei-lh'o, pachorrentamente:
— E' o pé-gallo. uma ave que existo nos Es- tados Unidos.
Ruth ficou a scismar longo tempo, de olhos presos no estranho bicho.
Mais tarde, em véspera de seu dia de an- nos, perguntei-lhe o que queria. Não vacillou:
Quero um pé-gallo!
Para quê?
Para criar aqui no quintal. Uan pé- gallo e uma pé-gallinha tambem. Ha pé-galli- nha?
Como não? E ha ainda pé-ovo e pé-pinto.
Quero!
Quero! Quero tudo! e batia pai- mas, radiante, a imaginar a linda creaçáo que se desenvolveria no quintal.
A eneommends foi feita; está .custando a chegar; emquanto isso, Ruth derrama-se em projectos.
Dou um para vovô, um pé-pinto. Outro1, para Martha, você quer. Martha, um pé-pinti- nho?
E começa o sonho, na rede, aos balanços, cada vez mais fortes.
Sabe? Calço uma botina velha no pé-
gallo. Coitado! Tem tanto caco de vidro no quintal. .. E todoa os sabbados corto a unha delle. E*..
E não acaba mais a encantadora improvi- sação daquelle mundinho phantastico...
JTJ& 1
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UANDO a mulher fu- giu para Pernambuco, com uma praça do 49, o velho Manuel Lucas, pobre jangadeiro que a idade não deixava ir mais á pesca, foi morar com a Wha pequena, a Rosa, num casebre abandonado, além de Mucunpe, quasi ao pé do pharol.
Em torno da eabana, estendia-se uma costa alva e deserta, onde alguns muricizeiros vicejavam a custo; e um par de coqueiros, mesmo ao oitão da cho- ça, abria no ar sereno os flabellos das fo- lhas amarellas
Logo adeante, erguia-se o morro li- to e íngreme, de uma brancura cegante, correndo parallelo ao oceano, de tal mo- do que o caminho para o povoado ficava entre o cómoro e o mar, com pequena distancia entre um e outro.
Ao meio deste trecho augusto, quan- do o morro mais avançava para as águas, negrejavam brutos arrecifes recobertos de limo verde, escorregadio, abertos em poças de agua, onde fervilhavam maris- cos e siris
Na maré cheia, investindo contra a rocha, as ondas bloqueavam as penedias, cc ^varr todo caminho, de fôrma que, muiu.. v es, tendo sahido para o ar- raiai pela manhã, o velho á noite não po- dia voltar á casa.
E a filha lá ficava, sozinha, ouvindo.
apenas, em torno, eterna, a voz solemne mar. a bramir, a bramir, dentro da
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Noutros dias, ao verificar que a ma- enchia. el\e apressava-se em regres- choça, quando já ?.s ondas attingi- am fraguedo. Todos, então, lhe abri- am os olhos, mostravam-lhe o perigo a que se expunha: — "Olhe
que o mar não é brinquedo seu Manuel !" — Elle, po- rém, em sua teimosia de velho, fazia um momo. resmungava: — "Ora,
eu conhe- ço o mar, e elle me conhece." — E se- guia Os outros davam de hombros, prenunciavam desgraças: — "Diabo de velho teimoso ! Qualquer dia as ondas o levavam !"
E esse augurio nefasto foi crescen- do, avultava já como uma sentença irre-
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vogavel. Mais dias, me- nos dias, contavam já deixar de vel-o na praia certos de ter sido arre batado pelo mar. Assim, quando elle tardava em apparecer no bairro, não faltava quem o procuras- se, mirando, curiosamen- te, o trecho de terra on- de o mar estourava, es-
pumarando.
Afinal, elle surgia, apoiado ao cacete gros- so, ia por todas as casas, dando um dedo de prosa a um e a outro, pedindo sempre "um
vintenzi- nho pVo gas, um rabo de peixe p'r'a ceia," — ao que todos attendiam.
pois os pescadores são generosos e francos, francos e generosos co- mo o mar millionario que lhes abre sem cessar o seio fecundo
A' tarde, após correr todo o arraial, Manuel endireitava para a praia, quando aportavam as jangadas
O crespusculo de ouro e sangue resplendorava ao poente. O mar glau- co e agitado erguia on- das rugidoras. que reben- tavam, num espumejo branco e estrondoso.
Pela redondeza, havia um tumulto arvoroçado, um grupo envolvia os pescadores desembarca- dos. Um delles, as rou- pas tintas de murici, ver- melhas e grossas como talhadas em couro de ca- poeiro, o chapéo de pa- lha sobre os olhos, anar- tava o peixe em lotes, conforme os "signaes"
Em seguida o dizimeiro avaliava a carga, anno- tando cifras a lápis, num papel dobrado sobre a coxa. Meninos maltra- pilhos e sujos andavam em roda, viramexendo, ás risotas. O velho Ma- nuel, então, achegava- se difficilmente, pedia lamuriento: — "João, me dá um peixinho pVa janta. . ." — E, toman- do nas mãos as biquáras ou os cangúlos que o ou- tro lhe jogava, guardava tudo, pressuroso, no urú, num geito de avaro. a tossir um — "Deus
lhe pague."
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Emtanto, outras jangadas acos- tavam ainda, a vela panda e molha- da, abicando ao sabor do vento Chegavam assim, vencendo a onda empolada, a Milagrosa, de "seu"
Lúcio, a Santa Maria, do Raymun- do Marinheiro, a Flor dó Mar, do Gonçalo Alves, a do José Baptista, que tinha por emblema o sol. A pouca distancia da praia, um dos tri- pulantes saltava abaixo, Com agua pelas coxas, puxava o barco por um cabo reteso, preso aos caçadores. A vaga investia furente, entrava pelo samburá fornido de peixes, alagava
o bote, punha-o de lado sobre a areia, emquanto o homem, aos arrancos, auxiliado pelos outros, que impelliam o paquete pela popa, arrastava-o pa- ra o secco, onde então o empurravam sobre rolos, num poderoso esforço de músculos.
Por fim, a noite cahia rápida- mente, quando o velho endireitava para a casa. O céo tomava agora um tom de pérola, no oceaso broslado linda de ouro. O mar azulescia, opa- lescente, espalmava sempre na praia ondas escumeas. Longe, na cidade, defronte, brilhavam luzes. A alme-
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não lhe enchiam então a mente escandecida, — a sonhar, a so- nhar com veleiros rápidos, que a levassem assim, docemente, por sobre a esteira verde do mar, por sob a chuva de ouro do sol, para as longes terras encantadas ! Mas, em breve, bem via a triste inutilidade de seus desvaneios.
Nada era mais do que uma po- bre de Christo, perdida por este mundo. Então, atirava-se de bruços na areia, enterrava o ros- ,to entre as mãos e desatava a chorar, de mansinho, como uma onda rasteira, que se espraia de leve, num queixume. Mas, de repente, esse pranto crês- cia, alteava-se e já espou- cava em gemidos e brados dos de dôr, — fúria viva de vagalhões ferventes e revoltos, que se des- mancham do alto, em
gonfalões de espu- ma estrondejante.
Do mar, seu compa- nheiro eterno, ha tantos annos, vie- ra-lhe, certo, esse anseio de amplidão e desconhecido,
sa revolta sem 1 i m i tes, essa
angustia incomporta-^
vel.
O sol da praia, brunindo-1 lhe as carnes, dera-lhe ás fa-j ces um rosado vivaz de jam-;^
bo maduro. A bocca sadia,|
acostumada a beber a argos*;
sorvos o ar lavado e forte do oceano, tinha o rubor e ••
frescura de um caju escarla- te. Os cabellos negros, luzi- dios e fartos, desnastrados pelos ventos do largo, fazi- am uma juba de azeviche aquella ferazinha das dunas.
A espuma das maretas mo-j rava-lhe dentro da bocca. nl
fieira de dentes magnificosifl • E os olhos de onix, esses, fwP nham o fulgor duro das re-|
fracções da lua, quando o^
plenilúnio accende relampa-, gos de prata na face torváj dos penedos, ou dansa, atôjfl perdido, no reverbero dasjl vagas.
Quando ella nadava, afoi.
tava-se como uma nereida, indo até muito além do pon- to em que as ondas arreben- tavam, a roncar. Não temia as traições do abysmo,
os tubarões famintos que na- vegam pela costa, as pene- dias submersas, os assomos das resacas, os remoinhos furiosos como maelstrons \ mortíferos. Seus braços ri-
jos de ondina os não trocara pelos de qual-
quer marujo. E as I pernas ágeis, que se- ,|
5uiam de perto os si-
| ris ariscos, eram velo-1|
zes como as 4 dos maçari-
| cos.
— Assim»!
açoitado pe- ; los ventos li- I vres, mordi-
do pelo sol ( Termina no fim d numero )
nara rubra do pharol, no outrc lado, fulgia a intercadencias, ris- cando um listão de fogo nas va- gas. De cócoras na areia, janga- deiros salgavam a pescaria. O rumor da gentalha esmorecia, aos poucos. Porcos fossavam a a terra, á cata de guelras de pei- xe, abandonadas. E os casebres do logarejo, pequenos e baixos, cheios de luz, tinham um ar pin-
turesco de presepe.
Entretanto, corriam os me- zes, correram os annos, a filha do pescador ia crescendo, fez-se mo- ça, por fim, uma caboclinha linda a valer.
Sozinha, como vivia, na- quelle deserto fulvo, sob amplos céos infinitos, ao pé do mar infi- nito, a vida passava para ella
eternamente egual.
Cheia de seiva e desejos, era com ódio que! via os dias se ar- rastarem assim, sempre os mes- mos, sempre mortos. Seu único prazer era andar de corrida so- bre as rochas da praia, em cabe- ção, os braços roliços de fora, o collo trigueiro á vista, armando arapucas aos pássaros pela aba do morro, perseguindo maçari- cos á beira da água, pescando si-
ris entre as pedras.
De pé, ás vezes, sobre as du- nas moveis, quedava-se, hirta, os braços cruzados sobre os seios rijos, o olhar perdido ao longe, na linha do horizonte, onde pas- sava, lento, o perfil negro de um paquete, a golfar do bojo penna- chos densos de fumo.
Outras vezes, eram as velas brancas das jangadas ou das bar- caças costeiras, que a prendiam assim, horas sem conta, a mirai- as, o sentido, alheio, a pervagar, além, — até que se apagassem na distancia, como asas de aves marinhas, que eram.
Que desejos de aventuras
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PAia TODOS..
R Tronia de
Covarrubias
OVARRUBIAS é o cartaz
amargo, a advertência poli-
da da Europa. Irônico, me-
iancolico, prudente, lllstrador de thermas e dancings, copista diabólico de deuses e vagabundos, Covarrubias
deslisa para a fortuna. Soube vencer a natureza, abando-
nando-a, e soube se afastar da socieda-
de humana, revolvendo, com o seu la-
pis ágil e a sua fina sabedoria, o que ha
de inglório e desinteressante no fundo
mesmo do nosso espirito. Esse pagão,
sahido de harmonias celestiaes, trou-
xe a missão voltaireana de revelar o
mundo atravez um traço delicado e ra-
pido. Covarrubias conhece o sorriso
das multidões. E sabe que desappareceu do secu
ions milagrosos aquelle leite da bondade humana, con-
structor de rythmos e cathedraes, sons e claridades, li-
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AAtAtMtmmmmmh
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dos os traços latinos: a graça, a paixão, a galanteria, at- .ingindo algumas vezes a ingenuidade. Os doentes do artificio, os potentados imaginários, os ridiculos, as
aventureiras internacionaes, são
os clientes dóceis desse pri\at-
docent de bons costumes.
Gentil- homem moderno,
Covarrubias é o illustrador des- sas attitudes.
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os
Por
BEZERRA E FREITAS
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vros e jardins. Como os poetas são expressões das raças, os illustrado-
res são as antennas das grandes cida- des. Uma galeria de Covarrubias é
uma clinica de nervosos. Ha physio nomias que pedem cerros azues,
águas tranquillas, doçuras agra-
rias. Outras vivem do movi-
mento, nutrem-se da vertigem.
A ironia de Covarrubias accende t
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PARA TODOS...
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Dlrectorla do Annamen- to Naval, na ponta da Armação em Xictheroy.
onde se deu, no ultimo dia de Abril, uma ex-
plosão horrível. Muitos operários morre ram.
Muitos ii< aram grave- mente feridos.
O Chefe do Governo Provisório e a Se- nhora Getulio Var-
gas, no Arsenal de Marinha, á sahida do enterro das victimas.
Destroços no interior de uma officina Autoridades da Marinha no local Parte exterior de um dos prédios
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