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Desafios no Brasil do século XXI

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Academic year: 2021

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I ntelIgêncIa

a rtIfIcIal e D emocracIa

D esafIos no B rasIl Do século XXI

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I ntelIgêncIa

a rtIfIcIal e D emocracIa

D esafIos no B rasIl Do século XXI

RUBENS BEÇAK

CRISTINA GODOY BERNARDO DE OLIVEIRA (Coordenadores)

GUILHERME DE SIQUEIRA CASTRO (organizador)

Belo Horizonte

2021

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006.3 Inteligência artificial e democracia: desafios no Brasil do século XXI / [Coordenado I61 por] Rubens Beçak [e] Cristina Godoy Bernardo de Oliveira; [Organizado por] Guilherme de 2021 Siqueira Castro Belo Horizonte: Arraes Editores, 2021.

226 p.

ISBN: 978-65-5929-087-1 ISBN: 978-65-5929-084-0 (E-book) Vários autores.

1. Inteligência artificial. 2. Democracia. 3. Estado democrático de direito. I. Beçak, Rubens.

II. de Oliveira, Cristina Godoy Bernardo III. Castro, Guilherme de Siqueira (Org.). IV. Título.

CDD(22.ed.)– 006.3 CDU – 004.89

Belo Horizonte 2021

CONSELHO EDITORIAL

Elaborada por: Fátima Falci CRB/6-700

É proibida a reprodução total ou parcial desta obra, por qualquer meio eletrônico, inclusive por processos reprográficos, sem autorização expressa da editora.

Impresso no Brasil | Printed in Brazil Arraes Editores Ltda., 2021.

matrIz

Av. Nossa Senhora do Carmo, 1650/loja 29 - Bairro Sion Belo Horizonte/MG - CEP 30330-000

Tel: (31) 3031-2330

fIlIal

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Tel: (11) 3105-6370 www.arraeseditores.com.br

[email protected]

Álvaro Ricardo de Souza Cruz André Cordeiro Leal André Lipp Pinto Basto Lupi Antônio Márcio da Cunha Guimarães Antônio Rodrigues de Freitas Junior Bernardo G. B. Nogueira Carlos Augusto Canedo G. da Silva Carlos Bruno Ferreira da Silva Carlos Henrique Soares Claudia Rosane Roesler Clèmerson Merlin Clève David França Ribeiro de Carvalho Dhenis Cruz Madeira Dircêo Torrecillas Ramos Edson Ricardo Saleme Eliane M. Octaviano Martins Emerson Garcia Felipe Chiarello de Souza Pinto Florisbal de Souza Del’Olmo Frederico Barbosa Gomes Gilberto Bercovici Gregório Assagra de Almeida Gustavo Corgosinho Gustavo Silveira Siqueira Jamile Bergamaschine Mata Diz Janaína Rigo Santin Jean Carlos Fernandes

Jorge Bacelar Gouveia – Portugal Jorge M. Lasmar

Jose Antonio Moreno Molina – Espanha José Luiz Quadros de Magalhães Kiwonghi Bizawu

Leandro Eustáquio de Matos Monteiro Luciano Stoller de Faria

Luiz Henrique Sormani Barbugiani Luiz Manoel Gomes Júnior Luiz Moreira

Márcio Luís de Oliveira Maria de Fátima Freire Sá Mário Lúcio Quintão Soares Martonio Mont’Alverne Barreto Lima Nelson Rosenvald

Renato Caram

Roberto Correia da Silva Gomes Caldas Rodolfo Viana Pereira

Rodrigo Almeida Magalhães Rogério Filippetto de Oliveira Rubens Beçak

Sergio André Rocha Sidney Guerra

Vladmir Oliveira da Silveira Wagner Menezes William Eduardo Freire

Coordenação Editorial:

Produção Editorial e Capa:

Imagem de Capa:

Revisão:

Fabiana Carvalho Danilo Jorge da Silva Inkoly - iStockphoto LP Raquel Rezende

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V

a utores

AGOSTINHO OLI KOPPE PEREIRA

Doutor em Direito pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos – UNISI- NOS. Pós-Doutorado em Direito pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos – UNISINOS. Mestre em Direito pela Universidade Federal de Per- nambuco UFPE. Professor colaborador do Mestrado em Direito na Univer- sidade de Passo Fundo – UPF. CV: http://lattes.cnpq.br/5863337218571012.

E-mail: [email protected].

ANA MARIA PEDREIRA

Pós-doutoranda em Antropologia pela PUC-SP. Doutora em regime de dupla titulação na área de Direito de Estado pela Universidade de São Paulo (USP) e Universidade de Salamanca (USAL) ES. Mestre em Direito Administrativo pela Universidade de São Paulo – USP, MBA em Direito e Gestão Educacional pela Escola Paulista de Direito (2008), especialista em Direito do Trabalho pela PUC-SP (2006), especialista em Direito Empresarial pelo INSTITUTO MAC- KENZIE (1995), graduação em LETRAS (1988) e DIREITO (1994), Professora Colaboradora do Programa de Pós-Graduação Strito Sensu da Faculdade de Di- reito da Universidade de São Paulo-USP na disciplina Direito Administrativo e Palestrante, autora de diversos artigos e livros na área jurídica e educacional.

ANDRÉ LUÍS VEDOVATO AMATO

Advogado, Bacharel e Mestre em Direito pela Faculdade de Direito de Ribei- rão Preto da Universidade de São Paulo. Especialista em Direito Internacional e Estudos Diplomáticos – CEDIN.

BRUNA BASTOS

Mestra em Direito pela Universidade Federal de Santa Maria/UFSM. Douto-

randa em Direito pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos/UNISINOS.

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VI

Advogada. Pesquisadora do Centro de Estudos e Pesquisas em Direito e In- ternet/CEPEDI. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/4588534886687945.

E-mail: [email protected].

CÍNTIA ROSA PEREIRA DE LIMA

Professora de Direito Civil da Faculdade de Direito de Ribeirão Preto da Uni- versidade de São Paulo (FDR/USP). Doutora em Direito Civil pela Faculdade de Direito da USP com estágio na Ottawa University (Canadá) com bolsa CAPES.

Livre-docente em Direito Civil Existencial e Patrimonial pela FDRP (USP). Pós Doutora em Direito Civil na Fordham Law School e Università degli Studi di Cameri- no (Itália) com fomento FAPESP e CAPES. Líder e Coordenadora dos Grupos de Pesquisa “Observatório da LGPD” e “Observatório do Marco Civil da Internet”, cadastrados no Diretório de Grupos de Pesquisa do CNPq. Associada Titular do IBERC - Instituto Brasileiro de Responsabilidade Civil. Associada Fundadora e Presidente do IAPD – Instituto Avançado de Proteção de Dados. Pesquisadora Ano Sabático do IEA/USP – Polo Ribeirão Preto (2020). Advogada.

CLEIDE CALGARO

Pós-Doutora em Filosofia e em Direito ambos pela Pontifícia Universidade Cató- lica do Rio Grande do Sul - PUCRS. Doutora em Ciências Sociais na Universida- de do Vale do Rio dos Sinos - UNISINOS. Doutora em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul - PUCRS. Doutora em Direito pela Universidade de Santa Cruz do Sul – UNISC. Atualmente é Professora da Gra- duação e Pós-Graduação - Mestrado e Doutorado - em Direito na Universidade de Caxias do Sul. É Líder do Grupo de Pesquisa “Metamorfose Jurídica” da Uni- versidade de Caxias do Sul-UCS. Orcid: https://orcid.org/0000-0002-1840-9598.

CV: http://lattes.cnpq.br/8547639191475261. E-mail: [email protected].

CRISTINA GODOY BERNARDO DE OLIVEIRA

Professora Doutora da Faculdade de Direito de Ribeirão Preto da Universida- de de São Paulo. Academic Visitor da University of Oxford. Pós-doutora pela Université Paris I Panthéon-Sorbonne. Graduada e Doutora pela Faculdade de Direito da USP. Líder do Grupo de Pesquisa “ Direito, Ética e Inteligên- cia Artificial” USP-CNPq. Coordenadora do Grupo de Estudos TechLaw do IEA-USP. Pesquisadora em Ano Sabático 2021 junto ao Instituto de Estudos Avançados (IEA-USP) com a pesquisa em Ética e Inteligência Artificial.

DANIEL FALCÃO

Advogado e Cientista Social. Doutor e Mestre em Direito do Estado pela Fa-

culdade de Direito da USP. Pós-Graduado em Marketing Político e Propagan-

da Eleitoral pela ECA-USP. Graduado em Direito pela FDUSP e em Ciências

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VII

Sociais pela FFPCH-USP. Professor do IDP – Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa. Controlador Geral do Município de São Paulo.

E-mail: [email protected].

DEILTON RIBEIRO BRASIL

Pós-Doutor em Direito pela Università degli Studi di Messina, Itália. Doutor em Direito pela UGF/RJ. Professor da Graduação e do PPGD – Mestrado e Doutorado em Proteção dos Direitos Fundamentais da Universidade de Itaúna (UIT), Faculdades Santo Agostinho (FASASETE-AFYA) e Faculdade de Conselheiro Lafaiete (FDCL). Professor visitante do PPGD da Universidade de Caxias do Sul (UCS). E-mail: [email protected]

EVANDRO EDUARDO SERON RUIZ

Evandro Eduardo Seron Ruiz é professor Associado do Departamento de Compu- tação e Matemática, FFCLRP - USP, onde é docente em dedicação exclusiva. Atua também como orientador no Programa de Pós-graduação em Computação Apli- cada do DCM-USP. Bacharel em Ciências de Computação pela USP, mestre pela Faculdade de Engenharia Elétrica da UNICAMP, Ph.D. em Electronic Engineering pela University of Kent at Canterbury, Grã-Bretanha, professor Livre-docente pela USP e estágios sabáticos na Columbia University, NYC e no Instituto de Estudos Avançados da USP (IEA-USP). Coordenador do Grupo de Pesquisa “Tech Law” do IEA-USP. Membro fundador do Instituto Avançado de Proteção de Dados - IAPD.

GUILHERME DE SIQUEIRA CASTRO

Mestre em Direito pela da Faculdade de Direito de Ribeirão Preto da Universi- dade de São Paulo – FDRP / USP. Especialista em Processo Civil pela FDRP / USP. Bacharel em Direito pela Universidade Presbiteriana Mackenzie – UPM.

Contato: [email protected].

GUSTAVO SILVEIRA BORGES

Doutor em Direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Pós- -Doutorado em Direito pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos. Mestre em Ciências Criminais pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Professor Permanente do Programa de Pós-Graduação em Direito na Universidade do Extremo Sul Catarinense (PPGD/UNESC). Contato eletrôni- co: [email protected].

JOÃO VICTOR ROZATTI LONGHI

Pós-Doutorando no International Post-doctoral Programme in New Technolo-

gies and Law do Mediterranea International Centre for Human Rights Research

(MICHR) - Itália. Pós-Doutor em Direito pela Direito da Universidade Estadual

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VIII

do Norte do Paraná (UENP). Doutor em Direito do Estado na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP). Mestre em Direito Civil pela Uni- versidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Bacharel em Direito pela Univer- sidade Estadual Paulista (UNESP), com intercâmbio na Universidade de Santiago de Compostela - Espanha. Professor Substituto da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE) e Professor Visitante do Programa de Pós-Graduação em Direito UENP, mestrado e doutorado. Defensor Público do Estado do Paraná.

JOSÉ LUIZ DE MOURA FALEIROS JÚNIOR

Doutorando em Direito Civil pela Universidade de São Paulo. Mestre em Di- reito pela Universidade Federal de Uberlândia. Especialista em Direito Digital e Compliance. Associado do Instituto Avançado de Proteção de Dados e do Instituto Brasileiro de Estudos de Responsabilidade Civil. Advogado. Contato eletrônico: [email protected].

JOSÉ MAURÍCIO LINHARES

É sócio fundador da Cardoso, Siqueira & Linhares; Pós-graduado em Direito Pe- nal Empresarial e Criminalidade Complexa no IBMEC (Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais); Pós-graduando em Direito Público, Gov. Tech e Reg. Tech pelo Instituo New Law; Membro do Grupo de Pesquisa “Direito e Novas Perspec- tivas Regulatórias”, coordenando a Linha “Democracia, Eleições e Inovação” do LEDH.uff – Laboratório Empresa e Direitos Humanos da Universidade Federal Fluminense; Foi Delegado da Comissão Especial de Direito Eleitoral e Reforma Política da OAB; Especializado em Direito Imobiliário; formado em Direito pela Universidade Federal Fluminense/UFF. E-mail: [email protected].

KELVIN PEROLI

Bacharel em Direito pela Faculdade de Direito de Ribeirão Preto da Universi- dade de São Paulo (FDRP/USP), com experiência acadêmica na Seconda Uni- versità degli Studi di Napoli (Itália). Membro dos Grupos de Pesquisa “Observa- tório da LGPD” e “Observatório do Marco Civil da Internet”, cadastrados no Diretório de Pesquisa do CNPq. Integrante do Grupo de Estudos “Tech Law”, do Instituto de Estudos Avançados (IEA/USP) – Polo Ribeirão Preto. Associa- do Fundador do Instituto Avançado de Proteção de Dados – IAPD. Membro do IBDCONT – Instituto Brasileiro de Direito Contratual. Autor de livro e artigos sobre Direito Digital.

MARCELO FIGUEIREDO

Advogado. Consultor Jurídico em São Paulo. Professor Associado de Direito Cons-

titucional na Faculdade de Direito da PUC-SP. Vice-Presidente da IACL-AIDC -

Associação Internacional de Direito Constitucional. [email protected]

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IX

RAFAEL MEIRA SILVA

Advogado, Founder da Codex Data e Diretor Pedagógico do Instituto Avan- çado de Proteção de Dados(IAPD). Doutor pela Faculdade de Direito da USP e doutorado-sanduíche na Université Paris I Panthéon-Sorbonne. Graduado pela Faculdade de Direito da USP. Integrante do Grupo de Estudos TechLaw junto ao IEA-USP. Pesquisador do Grupo de Pesquisa “Direito, Ética e Inteli- gência Artificial” da USP-CNPq.

RAFAEL SANTOS DE OLIVEIRA

Doutor em Direito pela Universidade Federal de Santa Catarina. Professor As- sociado I no Departamento de Direito da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), em regime de dedicação exclusiva e no Programa de Pós-Graduação em Direito da UFSM (Mestrado). Coordenador do CEPEDI (Centro de Estudos e Pesquisas em Direito e Internet). Endereço eletrônico: [email protected].

RAFAELA CÂNDIDA TAVARES COSTA

Doutoranda e Mestre em Proteção dos Direitos Fundamentais pela Fundação Universidade de Itaúna (FUIT). Especialização, lato sensu, pela Faculdade Da- másio/Ibmec em Direito Registral, Notarial, Civil e Empresarial. Professora Titular de Direito Tributário na Fundação Educacional de Oliveira - FEOL.

Advogada e Contabilista. E-mail: [email protected] RUBENS BEÇAK

Mestre e Doutor em Direito Constitucional e Livre-docente em Teoria Ge- ral do Estado pela Universidade de São Paulo (USP). Professor Associado da Universidade de São Paulo (USP). Professor no Programa de Pós-graduação da UNESP – Franca. Professor visitante da Universidad d Salamanca (USAL).

E-mail: [email protected].

VIVIAN DE ALMEIDA GREGORI TORRES

Advogada e docente. Docente do Programa de Pós-Graduação de Mestrado e

Doutorado em Direito e Administração da Universidade Metodista de Pira-

cicaba- UNIMEP. Pós-Doutora pela Universidade de Salamanca (2020). Dou-

tora pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (2016). Mestre

em Direito Político e Econômico pela Universidade Presbiteriana Mackenzie

(2007). Especialista em Direito Empresarial pela Universidade Presbiteriana

Mackenzie (1999). Graduada pela Faculdade de Direito de São Bernardo do

Campo (1993).

(10)
(11)

XI

s umárIo

INTRODUÇÃO ... 1

Capítulo 1

SOBRE A REGULAÇÃO DAS TECNOLOGIAS EM LETHAL AUTONOMOUS WEAPONS SYSTEMS – LAWS

Rubens Beçak; Guilherme de Siqueira Castro ... 5

Capítulo 2

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E DATACOLONIALISMO

José Luiz de Moura Faleiros Júnior; Gustavo Silveira Borges ... 23

Capítulo 3

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E PROFILING: RISCOS À DEMOCRACIA

Cristina Godoy Bernardo de Oliveira; Rafael Meira Silva ... 41

Capítulo 4

AS POTENCIALIDADES DE UMA DEMOCRACIA COSMOPOLITA DIANTE DOS IMPACTOS DA INTERNET DAS COISAS

Bruna Bastos; Rafael Santos de Oliveira ... 55

Capítulo 5

SISTEMA JUDICIÁRIO BRASILEIRO E AS INOVAÇÕES PROMETIDAS PELA IA

Evandro Eduardo Seron Ruiz ... 71

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XII

Capítulo 6

TÉCNICAS (I)LÍCITAS DE MARKETING DIGITAL ELEITORAL:

UMA NOVA FORMA DE FAZER POLÍTICA E SEUS IMPACTOS NAS ESCOLHAS DEMOCRÁTICAS

Rafaela Cândida Tavares Costa; Deilton Ribeiro Brasil ... 85

Capítulo 7

A JUSTIÇA ELEITORAL E OS NOVOS DESAFIOS DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

Daniel Falcão; José Maurício Linhares ... 99

Capítulo 8

A APLICAÇÃO DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA ÁREA EDUCACIONAL – O EXERCÍCIO DA CIDADANIA

Ana Maria Pedreira; Vivian de Almeida Gregori Torres ... 117

Capítulo 9

DEMOCRACY BY DESIGN COMO PRINCÍPIO: UMA APLICAÇÃO SOCIOTÉCNICA NA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

Cíntia Rosa Pereira de Lima; Kelvin Peroli ... 133

Capítulo 10

EXÉRCITOS DE BOTS: O RECURSO À INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E OS RISCOS DO CONSTITUCIONALISMO ABUSIVO NO BRASIL

Rubens Beçak; João Victor Rozatti Longhi ... 147

Capítulo 11

A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E SEU ENORME POTENCIAL PARA A MELHORIA DA PRESTAÇÃO JURISDICIONAL

Marcelo Figueiredo ... 167

Capítulo 12

A EMERGÊNCIA DO CONCEITO DE SOBERANIA DIGITAL NA CONSTRUÇÃO INSTITUCIONAL – NORMATIVA DO ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO

Rubens Beçak; André Luís Vedovato Amato ... 179

Capítulo 13

DEMOCRACIA E INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL EM TEMPOS ATUAIS

Agostinho Oli Koppe Pereira; Cleide Calgaro ... 197

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I ntroDução

A denominada “Inteligência Artificial” (AI (Artificial Intelligence), na sua sigla em inglês) já não é algo que se percebe inserido na ótica da futurologia; ao contrário, é realidade desde várias décadas, tendo se espessado não somente na existência de nossas vidas como também na nossa vivência cultural e coletiva.

A existência de robôs, assistentes pessoais etc. passou a dar-se, paralela- mente, com aquela decorrente da existência da internet e de suas aplicações todas, mormente, espraiando-se com a cada vez mais larga utilização dos celu- lares e o fenômeno da portabilidade.

Também, o desenvolvimento de toda uma gama de aplicações voltadas à nos- sa comodidade e fruição diária obriga à especificação de uma “internet das coisas”.

Concomitantemente, a cada vez maior diversificação de aplicativos (os famosos apps) possibilitando a realização de uma gama enorme de atividades antes impossíveis de realização não presencial, bem como, não se olvide, a popularização das “redes de comunicação”, faz surgir no Direito o desafio de lidar com essa atualidade e seus reflexos em nossas existências, exigindo um olhar diferenciado que obriga a verificação de uma área autônoma totalmente identificada e nova: o “Direito Digital”.

A essa novel área cabe o estudo de tudo aquilo ligado com o cenário ex- posto bem como, por óbvio, os desafios decorrentes da existência de todo um plantel de novidades sem o suporte, ainda em formação, do Direito. Também, não se esqueça de toda a temática dos desafios para a democracia advindos do uso da AI em diversas áreas do setor público, bem como da sociedade civil.

Nesse sentido, é importante mencionar que as aplicações da inteligência

artificial são relevantes para que as tarefas repetitivas, não executadas com

maestria pelos seres humanos, possam ser delegadas para as máquinas. No

entanto, delegar a capacidade de decisão para as máquinas em diversos cam-

pos de nossas vidas afeta, diretamente, a nossa liberdade e a forma como nos

relacionamos com os outros indivíduos.

(14)

Rubens beçak / CRistina Godoy beRnaRdode oliveiRa (CooRds.)

2

Destarte, o objetivo desta obra não é explanar sobre a AI em si ou mesmo negar a importância de sua utilização em tarefas específicas, mas sim, na defi- nição do eixo da obra, indicar os eventuais riscos decorrentes do seu emprego sem uma regulação jurídica adequada e sem uma preocupação quanto às ques- tões éticas suscitadas no âmbito da automatização das decisões.

Adicionalmente, deve-se ressaltar que a Inteligência Artificial pautada em redes neurais artificiais apresentou diversos desafios e questionamentos quan- to à capacidade de se efetivar o princípio da transparência e da explicabilidade em aplicações de AI.

Assim, cumpre-se ressaltar que as denominadas “redes neurais artifi- ciais” (RNA), como método de deep learning, são estruturas matemáticas complexas que buscam reproduzir o funcionamento dos neurônios dos seres humanos. Diante do exposto, a máquina de aprendizado (machine learning) pode ser treinada e aprender cada vez mais à medida que é exposta a um elevado volume de dados.

Nesse sentido, é importante mencionar que deep learning é um tipo da denominada “machine learning”, que se baseia no treinamento das máquinas para executarem as tarefas como seres humanos. Para realizar as tarefas, são estabelecidos parâmetros sobre os dados e o treino da máquina é voltado para que ela aprenda sozinha por meio da identificação de padrões entre os dados à medida que são formadas as camadas neurais.

Além disso, deve-se ressaltar que a inteligência artificial não é uma inteli- gência propriamente dita; todavia, o emprego da RNA faz com que sejam for- madas diversas camadas ocultas que saem do controle de seus desenvolvedores, não permitindo o conhecimento quanto à forma como a máquina decidiu.

Essa dificuldade em compreender e explicar as diversas camadas formadas por meio de uma máquina de aprendizado (machine learning) são denominadas de “black boxes” (caixas pretas), dificultando a construção de uma inteligência artificial de confiança.

Adicionalmente, ao se falar em máquina de aprendizado (machine learning), deve-se ressaltar a imprescindibilidade de um elevado volume de dados para efetuar o treinamento de máquinas para que seja possí- vel identificar padrões, realizar novas conexões e decidir. Assim, surgem questionamentos quanto aos limites relevantes para a coleta dos dados dos indivíduos com o intuito precípuo de proteger os dados pessoais e a privacidade das pessoas.

Por outro lado, há os que são contrários à proteção dos dados pessoais,

pois estariam a inviabilizar o desenvolvimento de aplicações de inteligência

artificial, o que faria com que os países que eventualmente preferissem limitar

a coleta dos dados de seus cidadãos, não conseguissem se inserir no cenário

competitivo de comercialização de novas soluções por meio de seu uso.

(15)

inteliGênCia aRtifiCiale demoCRaCia: desafiosno bRasildoséCulo XXi 3

Esse debate conecta-se com questões concernentes ao futuro da democra- cia, pois a inexistência de uma legislação de proteção de dados pode facilitar a edificação de um Estado vigilante que monitora os seus cidadãos, insere os indivíduos em categorias, persegue grupos os quais se configuram como um risco ao Estado, etc.

Desse modo, surge o pseudoconflito entre o desenvolvimento econô- mico decorrente da comercialização de aplicações de inteligência artificial e a proteção da democracia e do direito fundamental à proteção de dados e à privacidade. Assim o classificamos porque uma vez que a instauração de um Estado autoritário impede o desenvolvimento da ciência e da ino- vação, aí sim adviria o obstáculo para um contínuo progresso tecnológico e econômico.

Nota-se, desse modo, a importância de se refletir os problemas decorren- tes do emprego de aplicações de AI e de buscar alternativas para enfrentar os desafios impostos pelo uso das novas tecnologias. O direito possui um papel basilar para se regular a utilização da inteligência artificial sem violar os direi- tos fundamentais dos cidadãos.

Diante do exposto, pode-se asseverar que reunimos diversos estudos de pesquisadores do direito e das ciências da computação para enfrentar múltiplas questões advindas do uso de aplicações de inteligência artificial, como: regulação de sistemas de armas autônomas letais (Lethal Autonomous Weapons Systems), questionamentos acerca de um datacolonialismo, aponta- mentos acerca dos riscos do profiling para a automatização de decisões, os perigos para a democracia decorrentes do uso da Internet das Coisas (IoT), reflexões acerca da utilização da inteligência artificial no Poder Judiciário, debates sobre os impactos do marketing digital na democracia, análise dos desafios impostos pela inteligência artificial à Justiça Eleitoral, investiga- ções acerca de aplicações de inteligência artificial na área educacional para o exercício da cidadania, exame sobre o emprego do Democracy by Design como princípio a ser utilizado, apreciação acerca das ameaças à democra- cia decorrentes do uso dos bots, reflexões sobre a emergência do conceito de soberania digital e a relação entre democracia e inteligência artificial em tempos atuais.

Percebe-se assim que nos encontramos em um momento que muito preci- sa ser feito no campo do direito e da ética, devendo-se identificar os principais perigos decorrentes das aplicações de AI para a democracia para, em um segun- do instante, encontrarmos as respostas para superar as ameaças sem impedir o desenvolvimento tecnológico.

Acreditamos que as perguntas certas podem nos levar às melhores respos-

tas e, assim, a necessidade de se realizar uma abordagem séria sobre os diversos

temas relativos à inteligência artificial e à democracia foi também motivo de

(16)

Rubens beçak / CRistina Godoy beRnaRdode oliveiRa (CooRds.)

4

organizarmos esta obra, permitindo a construção do conhecimento acadêmico de escol na área.

Por fim, gostaríamos de mencionar que este livro possui como público destinatário estudantes, pesquisadores e profissionais do direito, ciências po- líticas, ciências da computação etc. Por isso tudo, desejamos uma excelente leitura e esperamos que o debate apenas se inicie com esta obra, sendo um convite à imersão nesse novo denso campo.

São Paulo, 21 de abril de 2021.

OS COORDENADORES

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