Plano Distrital de Defesa
da Floresta Contra Incêndios
Leiria
Plano de Acção
Março 2010
CDDF – Leiria Plano Distrital de Defesa da Floresta Contra Incêndios
1 Índice Geral
Acrónimos 6
Notas prévias 8
1. Metas e objectivos nacionais, regionais e distritais de defesa da floresta contra incêndios 9
1.1) Metas nacionais de defesa da floresta contra incêndios 10
1.2) Metas e objectivos regionais de defesa da floresta contra incêndios 12 1.3) Metas e objectivos distritais de defesa da floresta contra incêndios 17 2. Aumento da resiliência do território aos incêndios florestais – 1º eixo estratégico 20 2.1) Rede primária de faixas de gestão de combustível e mosaico de parcelas de gestão de
combustível 21
2.2) Rede viária florestal fundamental 25
2.3) Rede de pontos de água 27
2.4) Planeamento de acções referentes ao 1º eixo estratégico 29
3. Redução da incidência dos incêndios – 2º eixo estratégico 35
3.1) Comportamento de risco e causas 35
3.2) Fiscalização 44
3.3) Campanhas de sensibilização 50
3.4) Áreas ardidas e pontos de início 52
3.5) Planeamento de acções referentes ao 2º eixo estratégico 53
4. Melhoria da eficácia do ataque e da gestão dos incêndios – 3º eixo estratégico 67 4.1) Vigilância e detecção, 1ª intervenção, rescaldo e vigilância pós-incêndio 67
4.2) Planeamento das acções referentes ao 3º eixo estratégico 82
5. Recuperar e reabilitar os ecossistemas – 4º eixo estratégico 84
5.1) Acções de emergência e reabilitação pós-incêndio 84
5.2) Planeamento das acções referentes ao 4º eixo estratégico 86
6. Adopção de uma estrutura orgânica funcional e eficaz – 5º eixo estratégico 90
6.1) Planeamento das acções referentes ao 5º eixo estratégico 91
7. Considerações finais 93
ANEXO I 94
ANEXO II 103
ANEXO III 105
CDDF – Leiria Plano Distrital de Defesa da Floresta Contra Incêndios
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Índice de Quadros
Quadro 1 - Metas Nacionais de Defesa da floresta contra incêndios de ordem qualitativa, instituídas
pelo Plano Nacional de Defesa da Floresta Contra Incêndios ... 10
Quadro 2 - Metas Nacionais de Defesa da floresta contra incêndios de ordem quantitativa, instituídas pelo Plano Nacional de Defesa da Floresta Contra Incêndios ... 11
Quadro 3 - Objectivos e metas de DFCI preconizadas no PROF de Centro Litoral ... 13
Quadro 4 - Objectivos e metas de DFCI preconizadas no PROF de Pinhal Interior Norte ... 16
Quadro 5 - Metas e objectivos distritais de Defesa da Floresta contra Incêndios ... 19
Quadro 6 – Comprimento da Rede Viária Florestal Fundamental existente/a manter por município ... 26
Quadro 7 – Comprimento da rede viária florestal fundamental a construir no distrito de Leiria ... 26
Quadro 8 – Quantificação e distinção quanto ao tipo de ponto de água por concelhos do distrito de Leiria ... 28
Quadro 9 – Principais comportamentos de risco expressos em grandes incêndios florestais por concelhos do distrito de Leiria, entre 2001 e 2008 ... 37
Quadro 10 – Avaliação da situação dos últimos anos (desde 2001) no distrito, relativamente a recursos humanos especializados na investigação de causas e sua distribuição por cada 25000 ha de espaços florestais, ocorrências investigadas, ocorrências com causas determinadas e % de causas determinadas relativamente às ocorrências investigadas e às ocorrências totais ... 37
Quadro 11 - Localização dos GIPS, número de elementos e concelhos de actuação, em 2010 ... 38
Quadro 12 - Categorias de Causalidade de incêndio florestal no distrito de Leiria ... 39
Quadro 13 – Distribuição de ocorrências de incêndio florestal por categorias gerais de causalidade e actividades, por concelhos no distrito de Leiria ... 41
Quadro 14 - Distribuição mensal de ocorrências por causas (actividades) de incêndio florestal, no distrito de Leiria em 2008 ... 42
Quadro 15 - Distribuição semanal de ocorrências por causas (actividades) de incêndio florestal em 2008 no distrito de Leiria ... 43
Quadro 16 - Avaliação da situação do ano transacto no distrito por tipologia, relativamente ao número de autos levantados, processos instruídos, não enquadrados, de contra-ordenação e % do número de processos de contra-ordenação relativamente ao número de processos instruídos ... 44
Quadro 17 – Identificação das situações previstas no actual quadro legal, passíveis de fiscalização na área da DFCI e sua adequada aplicação. Organizado pela ordem mencionada no Artigo 38º do Decreto-Lei 124/2006, de 28 de Junho com redacção conferida pelo Decreto-Lei 17/2009, de 14 de Janeiro ... 49
CDDF – Leiria Plano Distrital de Defesa da Floresta Contra Incêndios
3 Quadro 18 – Proposta de acções, calendarização e orçamentos por categorias de actividades de sensibilização ... 51 Quadro 19 – Identificação das acções e definição de metas e indicadores por período de vigência para o 2º eixo estratégico, no distrito de Leiria ... 58 Quadro 20 – Definição das entidades responsáveis e participantes e estimativa do orçamento, para cada acção e cada um dos parâmetros que integram o 2º eixo estratégico ... 66 Quadro 21 – Valores de visibilidade de PV e LEE constantes no mapa 8 ... 69 Quadro 22 – Valores de visibilidade de PV e LEE localizados no interior do distrito de Leiria ... 69 Quadro 23 – Capacidade de Vigilância e Detecção por concelho nas fases de perigo – Alfa, Bravo, Charlie, Delta, Echo, equipas e número de efectivos ... 74 Quadro 24 - Capacidade de 1ª Intervenção por concelho (entidade, equipas, nº de viaturas e nº de elementos) nas fases de perigo – Alfa, Bravo, Charlie, Delta e Echo ... 78 Quadro 25 – Identificação do número de reacendimentos por concelhos do distrito de Leiria e por ano, desde 2002 ... 80 Quadro 26 - Identificação das acções e definição das metas e indicadores por ano (período de vigência) para cada fase de perigo ... 82 Quadro 27 – Entidades responsáveis e participantes e estimativa do orçamento para cada acção e para cada um dos parâmetros que integram o 3º eixo estratégico ... 83 Quadro 28 – Área ardida total entre 2006 e 2008 e áreas a reabilitar no Distrito de Leiria... 85 Quadro 29 – Identificação das acções e definição das metas e indicadores por ano (período de vigência) para cada um dos parâmetros que integram o 4º eixo estratégico ... 88 Quadro 30 – Definição das entidades responsáveis e participantes e estimativa do orçamento, para cada acção e para cada um dos parâmetros que integram o 4º eixo estratégico ... 89 Quadro 31 - Enumeração das entidades intervenientes no SDFCI e identificação das competências de coordenação ... 91 Quadro 32 - Calendarização das reuniões da Comissão Distrital de Defesa da Floresta, no decorrer do período de vigência do Plano ... 92
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Índice de Mapas
Mapa 1 – Prioridades de Protecção para Delimitação Futura da RPFGC do Distrito de Leiria ... 23 Mapa 2 - Rede Viária Florestal Fundamental Existente do Distrito de Leiria (nas classes 1A, 1B e 2).. 25 Mapa 3 – Rede de Pontos de Água existente no Distrito de Leiria ... 27 Mapa 4 – Representação da Rede Viária Florestal Fundamental considerada estratégica para a DFCI (Existente - sem intervenção/manutenção), ao nível distrital ... 30 Mapa 5 – Representação da Rede de Pontos de Água de 1ª ordem seleccionada, considerada estratégica para a DFCI, ao nível distrital ... 32 Mapa 6 – Representação dos pontos de início dos incêndios no distrito de Leiria ... 35 Mapa 7 – Representação de Áreas Críticas e Prioritárias de Dissuasão e Fiscalização do distrito de Leiria ... 53 Mapa 8 – Localização dos postos de vigia, locais estratégicos de estacionamento e representação das intervisibilidades do distrito de Leiria ... 67 Mapa 9 - Localização das câmaras de vigilância que visionam o distrito de Leiria ... 70 Mapa 10 – Representação do potencial tempo de chegada, 1ª Intervenção e representação dos LEE do distrito de Leiria ... 79 Mapa 11 – Áreas Prioritárias de Reabilitação de Emergência do distrito de Leiria ... 84
Índice de Gráficos
Gráfico 1 – Proporção de causas de incêndio florestal por categorias gerais ... 40 Gráfico 2 – Proporção de actividades por causas de incêndio florestal ... 40 Gráfico 3 - Distribuição semanal de ocorrências por causas (actividades) de incêndio florestal em 2008 no distrito de Leiria ... 43 Gráfico 4 – Representação gráfica do número de reacendimentos por concelhos no distrito de Leiria, de 2002 a 2008 ... 81
Índice de Figuras
Figura 1 - Organização hierárquica dos Instrumentos de Planeamento Florestal ... 8 Figura 2 - Conjuntos estruturantes para o cumprimento do 2º eixo estratégico ... 54
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Acrónimos
ADSAICA Associação de Desenvolvimento das Serras de Aire e Candeeiros AFN Autoridade Florestal Nacional
AHBV Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários ANPC Autoridade Nacional de Protecção Civil
APFCA Associação dos Produtores Florestais do Concelho de Arganil APFOE Associação dos Produtores Florestais do Oeste e Estremadura
BV Bombeiros Voluntários
CAOP Carta Administrativa Oficial de Portugal CDDF Comissão Distrital de Defesa da Floresta CGC Centro de Gestão e Controlo
CLC Corine Land Cover
CM Câmara Municipal
CMDFCI Comissão Municipal de Defesa da Floresta Contra Incêndios CNAF Corpo Nacional de Agentes Florestais
DFCI Defesa da Floresta Contra Incêndios DGRF Direcção-Geral dos Recursos Florestais DRE Direcção Regional de Educação
ECIN Equipas de Combate a Incêndios ELAC Equipa Logística de Apoio ao Combate
EPNA Equipas de Protecção da Natureza e do Ambiente Ficape Cooperativa Agrícola do Norte do Distrito de Leiria GIPS Grupo de Intervenção de Protecção e Socorro GNR Guarda Nacional Republicana
GTF Gabinete Técnico Florestal
ICNB Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade IPJ Instituto Português da Juventude
LEE Locais Estratégicos de Estacionamento OPF Organização de Produtores Florestais
PDDFCI Plano Distrital de Defesa da Floresta Contra Incêndios PEIF Planos Específicos de Intervenção Florestal
PGF Planos de Gestão Florestal
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7 PMDFCI Plano Municipal de Defesa da Floresta Contra Incêndios
PNDFCI Plano Nacional de Defesa da Floresta Contra Incêndios PNSAC Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros POD Plano Operacional Distrital
POM Plano Operacional Municipal
PROF Planos Regionais de Ordenamento Florestal PSP Polícia de Segurança Pública
PV Postos de Vigia
RDFCI Redes de Defesa da Floresta Contra Incêndios RPFGC Rede Primária de Faixas de Gestão de Combustível RVF Rede Viária Florestal
SEPNA Serviço de Protecção da Natureza e do Ambiente SIG Sistemas de Informação Geográfica
SNDFCI Sistema Nacional de Defesa da Floresta Contra Incêndios TVAD Torres de Vigilância e Aquisição de Dados
ZIF Zonas de Intervenção Florestal
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Notas prévias
O Plano de Acção que agora se apresenta, parte integrante do Plano Distrital de Defesa da Floresta Contra Incêndios, pretende antes de mais concretizar a avaliação e planeamento de acções que visem suportar a estratégia distrital de Defesa da Floresta Contra Incêndios, sustentando-se nas características próprias e intrínsecas do território distrital, tal como avaliadas no documento que o antecede (Diagnóstico Síntese), dado que, de acordo com a legislação em vigor (Decreto-Lei 124/2006 de 28 de Junho com redacção conferida pelo Decreto-Lei 17/2009 de 14 de Janeiro) “O planeamento distrital de defesa da floresta contra incêndios desenvolve as orientações nacionais decorrentes do planeamento nacional em matéria florestal e do PNDFCI, estabelecendo a estratégia distrital de defesa da floresta contra incêndios”.
Tratando-se de um Plano de Acção procura-se, sempre que possível, apontar metas, indicadores, entidades responsáveis e estimativas orçamentais, que dêem seguimento aos eixos estratégicos que o orientam – aqueles definidos em âmbito do Plano Nacional de Defesa da Floresta Contra Incêndios.
Dessa forma, e tendo por base o enquadramento legal e
organizacional espelhado na figura 1, o
presente Plano de Acção configura um desígnio fundamental: o
planeamento florestal (sentido lato) eficaz com
vista a promover a defesa da floresta distrital contra incêndios.
Figura 1 - Organização hierárquica dos Instrumentos
de Planeamento Florestal
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1. Metas e objectivos nacionais, regionais e distritais de defesa
da floresta contra incêndios
O PDDFCI visa definir os eixos estratégicos de defesa da floresta contra incêndios (DFCI) à escala distrital, segundo um conjunto de metas e objectivos específicos a esta escala de intervenção. O seu Plano de Acção deverá ter em consideração os objectivos e metas para cumprimento temporal enunciados pelas figuras de planeamento a nível nacional (PNDFCI) e regional (PROF), conforme instituído pelo Decreto – Lei nº 124/2006 de 28 de Junho, revisto pelo Decreto – Lei nº 17/2009 de 14 de Janeiro.
Contudo, verifica-se difícil a transposição directa das medidas instituídas a pequena escala (planos nacional e regional), para um nível de análise mais localizado, muitas vezes de maior heterogeneidade e padrões diversos em presença, como são exemplo os distritos. Neste sentido serão abordados os principais objectivos e metas gerais que configuram a estratégia nacional e regional (segundo as circunscrições nas quais o distrito se reparte) para posteriormente referir quais deverão ser as medidas a privilegiar na esfera de acção do distrito de Leiria.
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1.1) Metas nacionais de defesa da floresta contra incêndios
O Plano Nacional de Defesa da Floresta Contra Incêndios considera para a execução das políticas sectoriais e das metas estratégicas assumidas a vigência de 2 períodos temporais: 2006 a 2012 e 2012 a 2018. A leitura da figura legislativa que institui o Plano Nacional de Defesa da Floresta contra Incêndios (resolução do Conselho de Ministros nº 65/2006 de 26 de Maio) permite assinalar um conjunto de metas e finalidades a nível nacional, patentes de uma forma resumida no quadro seguinte:
Capacitação dos municípios para a definição de políticas interventivas nos espaços florestais Diminuição do número de incêndios com área superior a 1 hectare, por intermédio do aumento das áreas
de gestão activa, criação de redes de gestão de combustível, alargamento do uso de técnicas de fogo controlado e criação de faixas de protecção
Reforço da política de sensibilização, em particular nas comunidades, na escola e no espaço de debate público
Maior coordenação e operacionalização do sistema de vigilância e detecção, assente na Rede Nacional de Postos de Vigia e complementado por sistemas de videovigilância, vigilância móvel terrestre e de vigilância
aérea armada
Reforço da cooperação entre a AFN e o Instituto de Meteorologia para a determinação das orientações de pré-posicionamento de meios e de gestão da 1ª intervenção
Incremento do número de elementos de Sapadores Florestais, a importância dos GIPS da GNR Melhoria da capacidade de resposta dos bombeiros voluntários que integram as equipas de combate a
incêndios e incorporação de grupos de intervenção permanente no âmbito das AHBV Valorização das competências das unidades de intervenção, com destaque para a da formação dos
comandantes, dos chefes de grupo de combate e dos chefes de equipa Incremento dos sistemas de comunicações e de georreferenciação
Reforço das estruturas de combate aéreo
Responsabilização mais intensa dos vários patamares de poder político
Cooperação entre o Estado, entidades gestoras de ZIF´s, com OPF´s e demais entidades responsáveis pela gestão de patrimónios florestais organizados
Quadro 1 - Metas Nacionais de Defesa da floresta contra incêndios de ordem qualitativa, instituídas pelo Plano Nacional de Defesa da Floresta Contra Incêndios
| Fonte: Resolução do Conselho de Ministros nº 65/2006 de 26 de Maio
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11 Podem ser referenciadas no PNDFCI algumas metas quantificadas quanto aos dois períodos temporais considerados (até 2012 e até 2018), conforme apresentado no quadro seguinte:
Eliminação dos incêndios com áreas superiores a 1000 hectares 1ª intervenção inferior a 20 minutos em 90% das ocorrências
Diminuição do número de reacendimentos para menos de 1% das ocorrências totais até 2012 e para 0,5% até 2018
Redução para menos de 150 do número de incêndios activos por mais de 24 horas até 2012 e para menos de 75 em 2018
Diminuição da área ardida para menos de 100 mil hectares por ano, até 2012
Redução da área ardida em povoamentos florestais, para menos 0,8 % em relação ao total de povoamentos florestais
Quadro 2 - Metas Nacionais de Defesa da floresta contra incêndios de ordem quantitativa, instituídas pelo Plano Nacional de Defesa da Floresta Contra Incêndios
| Fonte: Resolução do Conselho de Ministros nº 65/2006 de 26 de Maio| Plano Nacional de Defesa da Floresta Contra Incêndios
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1.2) Metas e objectivos regionais de defesa da floresta contra
incêndios
O distrito de Leiria está repartido em três unidades de gestão florestal, sendo elas o Centro Litoral, Oeste e Pinhal Interior Norte, cada uma abrangida por um Plano Regional de Ordenamento Florestal (PROF), designadamente "instrumentos sectoriais de gestão territorial" que estabelecem as normas de intervenção sobre a ocupação e a utilização dos espaços florestais, conforme estipulado na Lei de Bases da Política Florestal (Lei n.º 33/96 de 17 de Agosto) e regulados pelo Decreto-Lei n.º 204/99 de 9 de Junho.
Serão apresentados de seguida as metas e objectivos regionais definidos para cada um dos PROF que compreendem os concelhos do distrito de Leiria.
Objectivos e metas de DFCI preconizadas no PROF de Centro Litoral: Objectivos
estratégicos
gerais Objectivos Actividades / Metas
Protecção de Aglomerados populacionais
Assegurar a eficaz defesa dos usos não - florestais (edificação e classes de uso urbano) ao risco de incêndio florestal
Garantir a segurança dos cidadãos e das forças de combate aos incêndios
cumprimento das restrições à construção humana em áreas de elevado risco de incêndio, conforme implícito nos instrumentos municipais de ordenamento do território
aplicação de materiais e técnicas de construção de edifícios para garantir maior resistência ao fogo
implementação de acções de silvicultura preventiva e gestão de combustíveis para a redução do perigo de incêndio na envolvente dos aglomerados e infra-estruturas
delimitação, identificação e sinalização da rede viária de acesso
a disposição de pontos de água funcionais em caso de emergência com sinalização da sua localização e funcionamento autónomo
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13 Estrutura da
propriedade e melhoria da
gestão
Cadastro dos prédios rústicos
Apoio ao associativismo e o emparcelamento da propriedade em superfícies que permitam a sua gestão
Aumentar o conhecimento sobre a silvicultura das espécies florestais
gestão concertada dos povoamentos florestais
Realização do cadastro das propriedades florestais em 100% até 2025
Redução das áreas abandonadas em 10% até 2010 e até 50% em 2025
Incremento da área abrangida por explorações com dimensão adequada à gestão florestal para 20% em 2010 e 100% em 2025
Instalação de ensaios para 10 espécies de árvores florestais da região até 2010 e para 20 até 2025
Desenvolvimento de modelos de crescimento e produção para 10 espécies de árvores florestais da região até 2010 e para 20 até 2025
Utilização de sistemas de apoio à decisão para a gestão de 10% dos espaços florestais até 2010 e para 40% até 2025
Redução do risco de incêndio
florestal
Redução da superfície de área queimada
Eliminação dos incêndios com mais de 1.000 ha
aumento da eficácia de detecção e da primeira intervenção em caso de incêndios florestais;
dotação de faixas de gestão de combustível, rede viária e rede de pontos de água no território
Reduzir e manter a área ardida a valores inferiores a 0,8% da superfície florestal a partir de 2010
Reduzir e manter o número de incêndios com mais de 1.000 ha para valores nulos a partir de 2010
Campanhas de sensibilização e
informação pública
Realização de acções de
sensibilização próximo da população para a prevenção de incêndios florestais
Valorização das competências do público - alvo mediante a divulgação de conhecimentos técnico-científicos relevantes
Publicação e disponibilização ao público de informação relevante para o desenvolvimento da gestão florestal
Selecção do público-alvo de acordo com as causas de ocorrências e áreas mais afectadas
Reforço da sinalética de avisos de perigo de incêndio, determinante nas acções de prevenção
Quadro 3 - Objectivos e metas de DFCI preconizadas no PROF de Centro Litoral
| Fonte: Plano Regional de Ordenamento Florestal de Centro Litoral (AFN)
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14 Objectivos e metas de DFCI preconizadas no PROF de Oeste:
Objectivos estratégicos
gerais Objectivos Actividades / Metas
Ordenamento da área territorial
Gestão conjunta das áreas de maior fragmentação da propriedade
reabilitação de espaços florestais degradados e gestão florestal sustentável, em concertação com os diversos usos da floresta
conciliar os diferentes usos dos espaços florestais em presença
recuperação das galerias ripícolas
Criação de zonas de intervenção florestal (ZIF´s) para a gestão das propriedades mais fragmentadas
reforço da área florestal sujeita a gestão florestal profissional
Criação de programas de apoio técnico ao produtor florestal
Redução do risco de incêndio florestal
redução do número de incêndios e diminuição da área ardida por uma prevenção mais eficaz
diversificação das espécies da composição florestal
Recuperação de espaços florestais degradados
Aumento do número de brigadas de sapadores florestais
Redução da área ardida a valores inferiores a 0,1% da superfície florestal até 2025
Reduzir e manter o número de incêndios florestais por 1.000 ha para 5 até 2025
Aumento das medidas de dissuasão através da vigilância móvel das áreas mais vulneráveis, principalmente nas áreas críticas e nas áreas não cobertas pelo sistema de vigilância fixo
Delimitação das redes primária e secundária de faixas de Gestão de Combustível nos espaços florestais
Incentivo à produção de biomassa florestal residual como forma de redução do perigo de incêndio
Promoção e divulgação da utilização do fogo controlado para a diminuição das cargas de combustível nos espaços florestais
Beneficiação da rede viária, para acesso efectivo aos espaços florestais
Campanhas de sensibilização
e Informação pública
divulgação sobre a utilização do fogo controlado para a redução das cargas de combustível nos espaços florestais
Controlo e gestão de lixos e entulhos na floresta
Criação de um plano anual de formação dos sapadores florestais
Sensibilização da população a propósito do correcto encaminhamento dos seus lixos.
Realização de campanhas de educação ambiental
Quadro 4 - Objectivos e metas de DFCI preconizadas no PROF de Oeste
| Fonte: Plano Regional de Ordenamento Florestal de Oeste (AFN)
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15 Objectivos e metas de DFCI preconizadas no PROF de Pinhal Interior Norte:
Objectivos estratégicos
gerais Objectivos Actividades / Metas
Protecção de Aglomerados populacionais
Assegurar a eficaz defesa dos usos não - florestais (edificação e classes de uso urbano) ao risco de incêndio florestal
Garantir a segurança dos cidadãos e das forças de combate aos incêndios
cumprimento das restrições à construção humana em áreas de elevado risco de incêndio, conforme implícito nos instrumentos municipais de ordenamento do território;
aplicação de materiais e técnicas de construção de edifícios para garantir maior resistência ao fogo;
implementação de acções de silvicultura preventiva e gestão de combustíveis para a redução do perigo de incêndio na envolvente dos aglomerados e infra- estruturas;
delimitação, identificação e sinalização da rede viária de acesso e a sua ligação à rede de pontos de água
a disposição de pontos de água funcionais em caso de emergência com sinalização da sua localização e funcionamento autónomo
Estrutura da propriedade e
melhoria da gestão
Cadastro dos prédios rústicos
Apoio ao associativismo e o emparcelamento da propriedade em superfícies que permitam a sua gestão
gestão concertada dos povoamentos florestais
Aumentar o conhecimento sobre a silvicultura das espécies florestais
Realização do cadastro das propriedades florestais em 100% até 2025
Redução das áreas abandonadas em 10% até 2010 e até 50% em 2025
Incremento da área abrangida por explorações com dimensão adequada à gestão florestal para 20% em 2010 e para 100% em 2025
Instalação de ensaios para 10 espécies de árvores florestais da região até 2010 e para 20 até 2025
Desenvolvimento de modelos de crescimento e produção para 10 espécies de árvores florestais da região até 2010 e para 20 até 2025
Utilização de sistemas de apoio à decisão para a gestão de 10% dos espaços florestais até 2010 e para 40% até 2025
Redução do risco de incêndio florestal
Redução da proporção de área queimada
Eliminar os incêndios com mais de 1.000 ha
Reduzir e manter a área ardida a valores inferiores a 0,8% da superfície florestal a partir de 2010
Reduzir e manter o número de incêndios com mais de 1.000 ha para valores nulos a partir de 2010
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16 Campanhas de
sensibilização e Informação
pública
Realização de acções de sensibilização próximo da população para a prevenção de incêndios florestais
Valorização das
competências do público - alvo mediante a divulgação de conhecimentos técnico- científicos relevantes
Publicação e disponibilização ao público de informação relevante para o
desenvolvimento da gestão florestal
Selecção do público-alvo de acordo com as causas de ocorrências e áreas mais afectadas
Reforço da sinalética de avisos de perigo de incêndio, determinante nas acções de prevenção
Quadro 4 - Objectivos e metas de DFCI preconizadas no PROF de Pinhal Interior Norte
| Fonte: Plano Regional de Ordenamento Florestal do Pinhal Interior Norte (AFN)
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1.3) Metas e objectivos distritais de defesa da floresta contra
incêndios
O PDDFCI visa estabelecer a estratégia distrital de defesa da floresta contra incêndios (DFCI), através da definição de medidas adequadas para o efeito e do planeamento integrado das intervenções das diferentes entidades, de acordo com os objectivos estratégicos decorrentes do PNDFCI e em consonância com os PROF, conforme estabelecido no n.º 1 do art. 3º-B do DL 17/2009 de 14 de Janeiro.
Objectivos Estratégicos
Objectivos
Operacionais Acções a Desenvolver Metas e Indicadores Responsável Entidade 1º EIXO ESTRATÉGICO - Aumento da Resiliência aos incêndios florestais
Promover a Gestão Florestal
e Intervir previamente em
áreas estratégicas
Criar e aplicar orientações estratégicas para a
gestão das áreas florestais
Promover a uniformização distrital da informação sobre combustíveis e ocupação de
áreas florestais
Realizar, durante o primeiro ano de vigência do plano, uma reunião técnica da CDDF com o objectivo de definir uma metodologia uniforme de
elaboração e actualização de informações sobre combustíveis e ocupação das áreas florestais
CDDF Elaborar um documento cartográfico que agrupe as
informações relativas a modelos de combustível provenientes dos diferentes municípios Garantir a permanente
actualização da informação sobre combustíveis e ocupação
das áreas florestais
Incorporar anualmente (POD) as actualizações relativas a combustíveis e ocupação das áreas florestais num ficheiro único de nível distrital com
legenda uniformizada
Definir as prioridades de planeamento e execução das infra- estruturas de DFCI de
nível distrital, face à perigosidade
Promover a articulação entre as CMDFCI de municípios vizinhos com vista ao planeamento e execução de infra-estruturas de
DFCI
Estabelecer as CMDFCI do Distrito de Leiria que devem promover reuniões inter-municipais para a promoção da articulação com vista ao planeamento
e execução de infra-estruturas DFCI Promover a uniformização da
articulação entre os conteúdos dos PMDFCI e dos PEIF (prioritariamente ZIF) no que se
refere a planeamento, construção e manutenção de
infra-estruturas DFCI
Promover reuniões técnicas entre as entidades gestoras das ZIF e as CMDFCI de forma a promover a correcta articulação entre os conteúdos
dos PMDFCI e dos PEIF
Entidades Gestoras das ZIF + CMDFCI
Garantir a participação das diferentes entidades com responsabilidades no âmbito do
SNDFCI na definição das prioridades de planeamento de
infra-estruturas DFCI e sua monitorização
Estabelecer períodos para a recepção de contributos das diferentes entidades com vista à definição de prioridades de planeamento de infra-
estruturas CDDF +
CMDFCI Promover reuniões técnicas entre as diferentes
entidades com responsabilidade no âmbito do SNDFCI e as entidades com responsabilidade no
planeamento de infra-estruturas DFCI
CDDF – Leiria Plano Distrital de Defesa da Floresta Contra Incêndios
18 Implementar
programas de redução de combustíveis
Promover a criação de planos de execução e manutenção da rede distrital de gestão de
combustível
Avaliar anualmente a evolução do Plano de execução e manutenção da rede distrital de gestão de combustível prevista no PDDFCI e promover os
ajustamentos necessários
CDDF + CMDFCI
Promover a identificação das áreas prioritárias para aplicação
de acções de fogo controlado
Realizar uma reunião técnica com participação de técnicos da região credenciados em fogo controlado, com vista à definição de critérios para a identificação de áreas para aplicação de acções de
fogo controlado
CDDF + CMDFCI + GNR + ANPC Promover visitas de campo tendo em vista a
identificação in loco das áreas prioritárias para a aplicação de acções de fogo controlado 2º EIXO ESTRATÉGICO - Redução da incidência dos incêndios
Estudar e sensibilizar as
populações
Sensibilização da população
Inventariar os meios e recursos existentes para defesa do património florestal a nível
distrital
Promover reuniões periódicas entre os proprietários florestais, associações de produtores,
comissões municipais de DFCI e AFN
CDDF Incrementar a produção cartográfica e a
actualização de bases de dados relativas aos espaços florestais
Promover a criação de um programa distrital de sensibilização, definindo estratégias e garantindo a participação das diferentes entidades do SNDFCI
Promover, anualmente, uma reunião com as diferentes entidades com responsabilidades no SNDFCI com vista à discussão das actividades de
sensibilização a desenvolver nos municípios do distrito
CDDF + CMDFCI + GNR + PSP +
ANPC
Sensibilização da população escolar
Consciencialização do papel da floresta nas vivências humanas
e da importância da sua protecção na população jovem
Incorporação de conteúdos de teor ambiental no âmbito dos programas lectivos escolares para
sensibilização da população jovem
CDDF + DRE + PSP + GNR Alertar a comunidade escolar para o
funcionamento e competências do Sistema Nacional de Defesa da Floresta contra Incêndios,
promovendo actividades lúdico-pedagógicas e sessões temáticas
Melhorar o conhecimento das causas dos incêndios e das
suas motivações
Reforçar a capacidade de intervenção na investigação dos
incêndios
Aumento da interacção entre as forças de DFCI e as comunidades a nível local
Definição conjunta de iniciativas de sensibilização e consciencialização para prevenção do risco de
incêndio florestal
CDDF + AFN + GNR + ANPC
Estudar os comportamentos de
risco e causas dos incêndios
Avaliar anualmente a capacidade de investigação no
distrito das causas dos incêndios, em termos de recursos especializados e
capacidade de actuação
Adequar a capacidade e investigação de incêndios ao nível distrital de forma a diminuir o número de
ocorrências de causa desconhecida AFN + GNR Anualmente, identificar os
comportamentos de risco dos grupos alvo que lhe estão na
origem
Aumentar a capacidade de
dissuasão e fiscalização
Identificação de áreas críticas e prioritárias
de dissuasão e fiscalização, de acordo com o historial passado de incêndios
florestais
Assegurar em antecipação as medidas preventivas de DFCI nas áreas consideradas críticas
do ponto de vista de incêndio florestal
Intervenção em tempo útil ao nível dos factores propícios à ocorrência de incêndios nas áreas
consideradas críticas
CDDF + AFN + GNR
CDDF – Leiria Plano Distrital de Defesa da Floresta Contra Incêndios
19 3º EIXO ESTRATÉGICO - Melhoria da eficácia do ataque e da gestão dos incêndios
Articulação dos sistemas de
vigilância e detecção com os meios de 1ª intervenção
Estruturar e gerir a vigilância e a detecção como um
sistema integrado (dispositivo de vigilância e detecção)
de cariz distrital
Garantir a uniformidade de critérios na definição de LEE
Estabelecer critérios de localização dos LEE
GNR + ANPC + CDDF + CMDFCI + AFN Avaliar anualmente a eficácia da localização dos
LEE Promover a articulação das
diferentes entidades com responsabilidade no dispositivo
de vigilância e detecção
Promover, sempre que necessário, reuniões técnicas para uniformização de procedimentos com
vista à articulação das diferentes entidades participantes no dispositivo de vigilância e
detecção
Reforço da eficácia de combate terrestre ao
nível distrital
Promover o levantamento e caracterização uniforme dos meios complementares de apoio
ao combate do distrito
Garantir a actualização das informações relativas a meios complementares de apoio ao combate
Promover o estabelecimento de uma rede básica distrital de meios complementares de apoio
ao combate
Estabelecer as necessidades básicas distritais relativamente a meios complementares de apoio
ao combate 4º EIXO ESTRATÉGICO - Recuperar e reabilitar ecossistemas
Recuperar e reabilitar ecossistemas
Avaliação e mitigação dos impactos causados pelos
incêndios e implementação de
estratégias de reabilitação a longo
prazo
Promover a aplicação de acções imediatas de minimização de
impactos
Estabelecer as acções imediatas de minimização de impactos provocados por incêndios florestais e garantir a sua aplicação aquando da existência de
áreas ardidas de grande dimensão na região
CDDF + AFN + OPF + CMDFCI
5º EIXO ESTRATÉGICO - Adopção de uma estrutura orgânica funcional e eficaz
Avaliação do PDDFCI
Incrementar a articulação entre as diversas entidades de
DFCI
Avaliar e monitorizar as acções e metas constantes no Plano
Desenvolver um relatório sintético de avaliação do cumprimento do Plano, nos 5 eixos estratégicos
fundamentais CDDF + AFN
Quadro 5 - Metas e objectivos distritais de Defesa da Floresta contra Incêndios
Os objectivos e as metas definidos neste plano pretendem orientar o desenvolvimento de todas as acções de defesa da floresta contra incêndios no Distrito durante um período de 5 anos (2010 - 2014).
Embora este plano seja elaborado para 5 anos, tem um carácter dinâmico, que exige a sua actualização sempre que a CDDF assim o entenda.
As acções que sustentam o PDDFCI incluem a previsão e a programação integrada das intervenções relativas às diferentes entidades envolvidas na DFCI.
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2. Aumento da resiliência do território aos incêndios florestais – 1º
eixo estratégico
Em âmbito de um ordenamento florestal eficaz e transversal, e na prossecução da dotação do território distrital de capacidade de fazer frente a crescentes níveis de risco de incêndio florestal, abordam-se agora os vectores que, de acordo com o Plano Nacional de Defesa da Floresta Contra Incêndios (PNDFCI), deverão ser tidos em conta.
Ao nível da resiliência do território distrital aos incêndios florestais, que se espera e perspectiva, aumente por via de um ordenamento florestal cada vez mais relevante, enquadram-se claramente as Redes de Defesa da Floresta Contra Incêndios (RDFCI), cujo principal objectivo visa dar continuidade aos objectivos estratégicos do próprio PNDFCI.
De acordo com a legislação em vigor (Decreto-Lei 17/2009 de 14 de Janeiro), as RDFCI são
“instrumentos que concretizam territorialmente e de forma coordenada, a infra-estruturação dos espaços rurais decorrente da estratégia do planeamento de defesa da floresta contra incêndios”. As RDFCI são constituídas por 6 tipos distintos de redes, que releva enumerar:
► Redes de Faixas de gestão de combustível (primária, secundária e terciária);
► Mosaicos de Parcelas de gestão de combustível;
► Rede viária florestal;
► Rede de pontos de água;
► Rede de Vigilância e detecção de incêndios;
► Rede de infra-estruturas de apoio ao combate.
Em âmbito do Plano de Acção, e de acordo com o Regulamento e Guia Técnico do Plano Distrital de Defesa da Floresta Contra Incêndios, serão abordados de seguida: as redes de faixas de gestão de combustível; os mosaicos de parcelas de gestão de combustível; a rede viária florestal; a rede de pontos de água, considerando estes 4 tipos de redes, instrumentos fundamentais para o planeamento florestal distrital, bem como para o aumento da resiliência do território distrital aos incêndios florestais.
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21
2.1) Rede primária de faixas de gestão de combustível e
mosaico de parcelas de gestão de combustível
De acordo com o PNDFCI “o estabelecimento de estruturas de DFCI, em concreto, as intervenções nos espaços florestais, com o objectivo de diminuir o volume de biomassa existente, promoverá uma maior capacidade de defesa de vidas e bens, e também proporcionará um maior apoio às acções de combate”. Nestas estruturas de DFCI enquadram-se as faixas de gestão de combustível e mosaico de parcelas de gestão de combustível, que visam sobretudo diminuir o volume de biomassa existente, por via de: uso de fogo controlado, recolha da biomassa para fins energéticos, silvo pastorícia e outras actividades agrícolas.
Acerca de faixas e de parcelas de gestão de combustível pode ler-se no nº1 do Artigo 13º do DL 17/2009 que “a gestão dos combustíveis existentes nos espaços rurais é realizada através de faixas e de parcelas, situadas em locais estratégicos para a prossecução de determinadas funções, onde se procede à modificação e à remoção total ou parcial da biomassa presente”.
De acordo com a legislação vigente (Decreto-Lei 17/2009 de 14 de Janeiro), que enquadra a rede primária de faixas de gestão de combustível, estas deverão desenvolver-se em espaços rurais e possuem diversas funções, que englobam também funções primordiais das redes secundária e terciária de faixas de gestão de combustível, como sejam:
a) Função de diminuição da superfície percorrida por grandes incêndios, permitindo e facilitando uma intervenção directa de combate ao fogo;
b) Função de redução dos efeitos da passagem de incêndios, protegendo de forma passiva vias de comunicação, infra-estruturas e equipamentos sociais, zonas edificadas e povoamentos florestais de valor especial;
c) Função de isolamento de potenciais focos de ignição de incêndios.
Sendo a delimitação das faixas de gestão de combustível e das parcelas de gestão de combustível, a nível distrital, incumbência do Governo Civil, com o apoio técnico prestado pela Autoridade Florestal Nacional, tal como é referido na legislação actual, seria expectável que neste Plano de Acção fosse apresentada cartografia quer de faixas quer de parcelas de gestão de combustível no território do Distrito. Tal não é de todo possível à data da elaboração do presente Plano por motivos externos à equipa de trabalho.
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22 Não sendo possível apresentar a cartografia de faixas e parcelas de gestão de combustível, tal como esta é definida e perspectivada pela Autoridade Florestal Nacional, optou-se no presente Plano por incluir um mapa (mapa 1) que visa aplicar uma metodologia concebida e cedida pela Autoridade Florestal Nacional, no sentido de caracterizar o território distrital quanto às prioridades de protecção para delimitação futura da rede primária de faixas de gestão de combustível do Distrito de Leiria. Esta demarcação de prioridades visa caracterizar o território distrital quanto às áreas críticas do ponto de vista da necessidade de protecção, podendo vir a servir de base para a futura demarcação distrital de faixas e parcelas de gestão de combustível.
Note-se que o mapa 1 (apresentado de seguida) não constitui uma demarcação da rede primária de faixas e parcelas de gestão de combustível, mas sim a aplicação de uma metodologia considerada basilar para a sua futura demarcação.
A este nível a equipa aponta para a necessidade da futura marcação da rede primária de faixas e parcelas de gestão de combustível, que deverá ser efectivada pelo Elo Técnico Distrital (Governo Civil do Distrito de Leiria), com os contributos dos Municípios (por via dos seus Gabinetes Técnicos Florestais ou por via dos técnicos designados para o efeito), bem como com os contributos de todas as entidades com assento na Comissão Distrital de Defesa da Floresta. Na opinião da equipa que elaborou este Plano, apenas desta forma será possível delimitar uma rede primária de faixas e parcelas de gestão de combustível com real aplicação futura, promovida com base em metodologias indicadas superiormente e em conhecimento efectivo do território a um nível municipal, e servindo o seu primordial propósito: a defesa da floresta contra incêndios.
Deixa-se aqui a indicação/sugestão que a delimitação da rede primária de faixas e parcelas de gestão de combustível deverá ser terminada num prazo temporal reduzido, e que uma vez terminada deverá dar lugar a uma revisão do Plano agora apresentado, por indicação da CDDF (consultar a este propósito o ponto 6.1 deste Plano - Planeamento das Acções Referentes ao 5º Eixo Estratégico), se esta assim o entender útil, possibilitando-se a inclusão da cartografia de delimitação da rede primária de faixas e parcelas de gestão de combustível no PDDFCI.
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23 Apresenta-se de seguida o mapa 1, que materializa a metodologia indicada pela Autoridade Florestal Nacional, no que concerne a delimitação de prioridades de protecção para delimitação futura da rede primária de faixas de gestão de combustível do Distrito de Leiria.
Mapa 1 – Prioridades de Protecção para Delimitação Futura da RPFGC do Distrito de Leiria
Entende-se nesta fase oportuno resumir a metodologia indicada pela Autoridade Florestal Nacional para elaboração do mapa 1:
Definição da área de trabalho
- Definição da área de trabalho (Distrito) utilizando os dados da CAOP 2009; Preparação da informação
- Extracção das áreas ardidas entre 2006 e 2008 da cartografia das áreas percorridas por incêndios florestais
- Extracção da área de trabalho (Distrito) da carta de perigosidade de incêndio
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24 Definição da área de Valor Económico
- Isolamento das áreas de folhosas, resinosas e florestas mistas da cartografia Corine Land Cover 2006, excluindo as áreas percorridas por incêndios florestais,
- Reclassificação dos resultados obtidos em valores 0 e 200; Definição da área de Valor Ambiental
- Unificação da informação geográfica de Áreas Protegidas, Sítios e Zonas de Protecção Especial; - Unificação da informação do CLC06 sem folhosas, resinosas e florestas mistas, com os Incêndios Florestais;
- Obtenção, como resultado intermédio, das áreas arborizadas em zonas protegidas; - Reclassificação dos resultados obtidos em valores 0 e 100;
Resultado Final
- Com base em processos de álgebra matricial, soma dos 3 temas obtidos: Perigosidade, Valor Económico e Valor Ambiental;
- Reclassificação do resultado com base na legenda de “prioridade tipo”: 305 (1, vermelho); 205 (2, laranja); 304 e 204 (3, amarelo); 301,302,303, 201, 202 e 203 (4, verde); outras (5, cinza)
Note-se que no mapa 1 foram já incluídas legendas de excepção (neste caso da autoria da Autoridade Florestal Nacional) que visam afinar o modelo de priorização definido. Chama-se a atenção que na delimitação futura da rede primária de faixas e parcelas de gestão de combustível, poderão/deverão ser consideradas outras legendas de excepção indicadas pelos próprios membros da CDDF, com base em conhecimento efectivo do território distrital.
Analisando o mapa 1 (e não considerando as legendas de excepção fornecidas pela AFN e incluídas no próprio mapa), verifica-se que a prioridade de protecção “Muito Alta” se configura fundamentalmente em três áreas principais: Serra da Lousã, Serra de Sicó e Serra de Aire e Candeeiros, muito embora também se concentrem áreas extensas de prioridade de protecção “Alta” e “Média” em concelhos como: Pombal, Leiria, Batalha, Alcobaça, Caldas da Rainha e Óbidos.
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2.2) Rede viária florestal fundamental
Mapa 2 - Rede Viária Florestal Fundamental Existente do Distrito de Leiria (nas classes 1A, 1B e 2)
O mapa 2 que representa a Rede Viária Florestal Fundamental que existe no Distrito de Leiria (no que se refere às classes 1A, 1B e 2), foi elaborado na condição de apresentar a informação geográfica mais recente e actualizada possível, sendo que para esse efeito foi elaborado com base em informação proveniente dos Planos Operacionais Municipais (2009).
A extensão total da Rede Viária Florestal Fundamental do Distrito é de aproximadamente 15033 km.
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26 De acordo com o quadro 6, que indica o comprimento da rede
viária florestal existente/a manter por município, tal como é apresentada nas peças escritas dos PMDFCI, existe no Distrito um total de 1.775,5 km de troços de rede viária florestal fundamental a manter.
Quadro 6 – Comprimento da Rede Viária Florestal Fundamental existente/a manter por município
| Fonte: peças escritas dos PMDFCI
De acordo com o quadro 7, que indica o comprimento da rede viária florestal fundamental a construir no Distrito, de acordo com a informação geográfica cedida pelos Municípios, esta apresenta um total de 1
km no Concelho de Castanheira de Pêra.
Quadro 7 – Comprimento da rede viária florestal fundamental a construir no distrito de Leiria
| Fonte: informação geográfica dos POM
Concelhos / RV existente - manutenção
Comprimento (km)
Alcobaça 24,3
Alvaiázere 75,3
Ansião 231,9
Batalha 20,9
Bombarral 89,7
Caldas Rainha _ _ _
Castanheira Pêra 300,0
Figueiró Vinhos 355,0
Leiria 303,9
Marinha Grande 1,6
Nazaré _ _ _
Óbidos _ _ _
Pedrógão Grande _ _ _
Peniche _ _ _
Pombal 233,2
Porto Mós 139,7
Total para o Distrito 1775,5
Concelhos Comprimento (km) da RVF a construir
Alcobaça _ _ _
Alvaiázere _ _ _
Ansião _ _ _
Batalha _ _ _
Bombarral _ _ _
Caldas Rainha _ _ _
Castanheira Pêra 1,0
Figueiró Vinhos _ _ _
Leiria _ _ _
Marinha Grande _ _ _
Nazaré _ _ _
Óbidos _ _ _
Pedrógão Grande _ _ _
Peniche _ _ _
Pombal _ _ _
Porto Mós _ _ _
Total para o Distrito 1,0
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2.3) Rede de pontos de água
O abastecimento de água nas áreas florestais é uma condição fundamental para a eficaz protecção destas áreas contra os incêndios. É também um garante da biodiversidade pelo seu importante papel para o equilíbrio dos ecossistemas.
De acordo com informação cedida pelos Municípios é possível identificar 1189 pontos de água no distrito de Leiria, classificados de acordo com a tipologia de abastecimento, e representados no mapa 3.
Mapa 3 – Rede de Pontos de Água existente no Distrito de Leiria
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28 Concelhos/
Tipo Ponto Água
Reservatório
DFCI Piscina Tanque de rega Outros Albufeira de açude Charca Rio especificado Não
Total para o Concelho
Alcobaça 4 C 1 C 5 C
Alvaiázere 7 C 7 C
Ansião 22 M 22 M
Batalha 2 C 2 C
Bombarral 3 C 1 C 4 C
Caldas Rainha 2 C 2 C
Castanheira Pêra
Figueiró Vinhos 5 C/ 23 M 5 C/ 23 M
Leiria 1 M 2 C/ 2 M 2 C/ 3 M
Marinha Grande 1 C 2 M 1 M 1 M 1 C / 4 M
Nazaré 1 C 1 M 1 C / 1 M
Óbidos
Pedrógão Grande 4 C/ 12 M 4 C/ 12 M
Peniche
Pombal 7 M 1 M 2 M 1 M 3 M 35 M 3 M 52 M
Porto Mós 1 M 2 M 3 M
Total para o
Distrito 20 C/ 30 M 1 M 5 C/ 27 M 3 M 5 M 4 C/ 39 M 3 M 4 C/ 12 M Legenda: M – Manutenção | C - construção
Quadro 8 – Quantificação e distinção quanto ao tipo de ponto de água por concelhos do distrito de Leiria |Fonte: peças escritas dos Planos Municipais de Defesa da Floresta Contra Incêndios
De acordo com informação dos Municípios foi elaborado o quadro 8 de forma a verificar as necessidades ao nível da manutenção/construção de pontos de água. A análise do quadro permite observar que Castanheira de Pêra e Peniche não têm previsto qualquer melhoramento de pontos de água, por sua vez os Municípios de Pombal e Ansião destacam-se, propondo respectivamente a manutenção de 52 e 22 pontos de água existentes.