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Simulação de reações quimicas e consumo de calor em risers

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Academic year: 2021

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(1)

UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS

FACULDADE DE ENGENHARIA QU´IMICA

´

AREA DE CONCENTRAC¸ ˜AO

DESENVOLVIMENTO DE PROCESSOS QU´IMICOS

Simula¸c˜ao de Rea¸c˜oes Qu´ımicas e Consumo

de Calor em Risers

Autor: Leonardo Machado da Rosa Orientador: prof. Dr. Milton Mori

Disserta¸c˜ao de Mestrado apresentada `a Faculdade de Engenharia Qu´ımica como parte dos requisitos exigidos para a obten¸c˜ao do t´ıtulo de Mestre em Engenharia Qu´ımica.

Campinas – S˜ao Paulo Maio de 2002

(2)

FICHA CATALOGR ´AFICA ELABORADA PELA

BIBLIOTECA DA ´AREA DE ENGENHARIA – BAE – UNICAMP

R71s

Rosa, Leonardo Machado da

Simula¸c˜ao de rea¸c˜oes qu´ımicas e consumo de calor em risers / Leonardo Machado da Rosa. – Campinas, SP: [s.n.], 2002.

Orientador: Milton Mori

Disserta¸c˜ao (mestrado) – Universidade Estadual de Campinas, Faculdade de Engenharia Qu´ımica.

1. Craqueamento catal´ıtico. 2. Reatores fluidizados. 3. Escoamento Multif´asico. 4. Modelos matem´aticos. 5. M´etodos de simula¸c˜ao. 6. M´etodo dos volumes finitos. I. Mori, Milton. II. Universidade Estadual de Campinas. Faculdade de Engenharia Qu´ımica. III. T´ıtulo.

(3)

Disserta¸c˜ao de Mestrado defendida por Leonardo Machado da Rosa e aprovada em 13 de maio de 2002 pela banca examinadora constitu´ıda pelos doutores:

Prof. Dr. Milton Mori – Orientador

Prof. Dr. Reginaldo Guirardello

(4)

Este exemplar corresponde `a vers˜ao final da Disserta¸c˜ao de Mestrado em Engenharia Qu´ımica.

(5)

Dedicat´

oria

Dedico este trabalho a todas as pessoas que empenham-se em trazer `a luz da raz˜ao os mist´erios da natureza, pois somente com a colabora¸c˜ao de todos em resolver os desafios tecnol´ogicos que nos s˜ao apresentados, desvendando os segredos mais profundos que a f´ısica nos apresenta, seremos capazes de tornar este um mundo mais iluminado.

Agradecimentos

Gostaria de agradecer a todos os que me apoiaram durante a elabora¸c˜ao deste trabalho, em especial aos colegas do LMSPQ1, parceiros de pesquisa que deram-me os

conheci-mentos b´asicos acerca da fluidodinˆamica computacional, e ao pessoal do setor de pes-quisa da SIX2, que acolheu-me com carinho durante a minha estada l´a, permitindo-me

expandir em muito o meu entendimento do processo de craqueamento catal´ıtico.

Ep´ıgrafe

Nunca ande pelo caminho tra¸cado, pois ele conduz somente at´e onde os outros foram. — Alexandre Graham Bell

1Laborat´orio de Modelagem e Simula¸c˜ao de Processos Qu´ımicos 2Superintendˆencia da Industrializa¸c˜ao do Xisto

(6)

Resumo

A principal fun¸c˜ao de uma unidade FCC ´e prover um meio para que ocorram as rea¸c˜oes de craqueamento catal´ıtico, transformando hidrocarbonetos em produtos de maior valor comercial. As rea¸c˜oes freq¨uentemente ocorrem nos reatores ‘riser’, onde o gas´oleo ´e alimentado na parte inferior e, ao entrar em contato com o catalisador quente (proveniente do regenerador), come¸ca a ser craqueado. Mesmo sendo equipamentos amplamente utilizados, os risers s˜ao unidades que apresentam fenˆomenos ainda n˜ao muito bem explicados pela literatura. A aplica¸c˜ao destes reatores no craqueamento de petr´oleo, ainda que sem o completo dom´ınio de sua tecnologia, explica-se pela lucratividade envolvida na otimiza¸c˜ao das plantas de refino. O objetivo deste trabalho ´e obter resultados coerentes com os reais, atrav´es de simula¸c˜oes sobre um escoamento multif´asico, no qual ocorrem rea¸c˜oes qu´ımicas e transferˆencia de energia entre as fases. A malha gerada para os c´alculos foi constru´ıda sobre um sistema de coordenadas cartesiana tridimensional, na qual a geometria do riser foi discretizada sem a aplica¸c˜ao de planos axissim´etricos comumente empregados. O modelo fluidodinˆamico simulado foi baseado no modelo de dois fluidos. Utilizou-se o modelo de turbulˆencia k−. Para a solu¸c˜ao do sistema de equa¸c˜oes, contou-se com o algoritmo STONE. A modelagem da cin´etica das rea¸c˜oes de craqueamento foi feita empregando-se um esquema de 4 pseudo-componentes. O acoplamento destas equa¸c˜oes (que simulam os efeitos das rea¸c˜oes qu´ımicas) foi feita atrav´es do uso de ‘subrotinas’ escritas na linguagem de programa¸c˜ao FORTRAN, compiladas junto com o programa principal na hora da simula¸c˜ao. Analisa-se a quantidade de gasolina obtida com esses modelos, e o consumo de energia ao longo do reator. Os resultados mostram que, mesmo com a aplica¸c˜ao apenas da for¸ca de arraste para a transferˆencia de momento entre as fases, ocorre a segrega¸c˜ao de part´ıculas pr´oximo `as paredes do reator.

(7)

Abstract

The main purpose of a FCC unit is to provide an environment for the cracking reactions to occur, converting hydrocarbons into more valuable products. The reactions are usually done in the ‘riser’ reactors, where the gasoil is fed at the bottom and, contacting the hot catalyst (coming from the regenerator), begins to be cracked. Even being widely used devices, the risers are units that show phenomena that are not yet fully explained in the literature. The application of these reactors in the cracking of petroleum, even without the complete understanding of its technology, are explained by the profits involved in the optimization of the refining plants. The purpose of this work is to get results agreeing with the real ones, through simulations of a multiphase flow, in which chemical reactions and energy transfer between the phases are present. The generated grid for the calculations was built over a tridimensional cartesian coordinate system, in which the geometry of the riser was discretized without the application of any symmetry plan, as usually applied. The simulated fluidodynamic model was based on the two-fluids model. The k− turbulence model was used. For the solution of the equation system, the STONE algorithm was considered. The modeling of the cracking reactions kinetic was done applying a 4 lumps scheme. The coupling of these equations (that simulate the effects of the chemical reactions) was done through the use of ‘subroutines’ written in FORTRAN programming language, compiled with the main program at the time of simulating. The gasoline yielded with these models, and the energy wasted along the reactor were analyzed. The results show that, even with only the application of the drag force to the momentum transfer between the phases, the segregation of particles near to the reactor walls occur.

(8)

Sum´

ario

1 Introdu¸c˜ao 1

1.1 Hist´orico . . . 1

1.2 Fluidodinˆamica Computacional . . . 2

1.3 Apresenta¸c˜ao . . . 3

2 Revis˜ao Bibliogr´afica 5 2.1 Descri¸c˜ao do Processo FCC . . . 6 2.2 Simula¸c˜ao do Riser . . . 8 2.3 Revis˜ao . . . 11 2.4 Estado da Arte . . . 19 3 Simula¸c˜oes 20 3.1 Modelos Matem´aticos . . . 20 3.1.1 Equa¸c˜oes de Transporte . . . 20 3.1.2 Turbulˆencia . . . 24

3.1.3 Cin´etica de Rea¸c˜oes Qu´ımicas . . . 27

3.1.4 Vaporiza¸c˜ao da Carga L´ıquida . . . 31

3.1.5 Altera¸c˜ao de Propriedades F´ısicas . . . 32

3.1.6 Equa¸c˜oes de Fechamento . . . 33

3.2 M´etodos Num´ericos . . . 34

3.2.1 M´etodo dos Volumes Finitos . . . 35

(9)

3.2.3 Acoplamento Press˜ao–Velocidade . . . 37

3.2.4 Algoritmos de Resolu¸c˜ao de Sistemas Lineares . . . 39

3.3 Geometrias . . . 41

3.4 Condi¸c˜oes de Contorno . . . 50

4 Resultados e Discuss˜oes 53 4.1 Resultados . . . 53

4.1.1 Perfis de Velocidade . . . 53

4.1.2 Fra¸c˜ao Volum´etrica de Part´ıculas . . . 58

4.1.3 Press˜ao . . . 58

4.1.4 Temperatura . . . 60

4.1.5 Concentra¸c˜oes . . . 64

4.2 Discuss˜oes . . . 68

5 Conclus˜oes e Recomenda¸c˜oes 70 5.1 Conclus˜oes Principais . . . 70

5.2 Sugest˜oes para Futuros Trabalhos . . . 71

(10)

Lista de Figuras

2.1 unidade de craqueamento catal´ıtico . . . 7

2.2 detalhes da entrada do riser . . . 8

2.3 transferˆencias entre as fases particulada, vapor e got´ıcula . . . 9

3.1 cin´etica de 4 lumps . . . 28

3.2 esquema de entradas e sa´ıdas no riser . . . 42

3.3 entradas de gas´oleo e catalisador . . . 43

3.4 sa´ıda de produtos . . . 43

3.5 malha cil´ındrica . . . 44

3.6 malha retangular uniforme . . . 45

3.7 discretiza¸c˜ao de um cilindro . . . 46

3.8 corte transversal . . . 46

3.9 malha utilizada . . . 47

3.10 cortes transversais . . . 47

3.11 malha retangular tridimensional, sem axissimetria . . . 49

3.12 detalhe da se¸c˜ao transversal . . . 49

4.1 fluxos no interior do riser – fase gasosa . . . 54

4.2 fluxos no interior do riser – fase s´olida . . . 55

4.3 perfis de velocidade na metade da altura do riser . . . 57

4.4 perfil do fluxo de part´ıculas . . . 57

(11)

4.6 varia¸c˜ao da concentra¸c˜ao m´assica com a distˆancia do centro . . . 60

4.7 queda de press˜ao no riser . . . 61

4.8 queda de press˜ao ao longo da altura . . . 62

4.9 temperatura da fase gasosa na entrada do reator . . . 63

4.10 varia¸c˜ao da temperatura com a altura do riser . . . 64

4.11 concentra¸c˜ao de gas´oleo . . . 66

4.12 concentra¸c˜ao de gasolina . . . 66

4.13 concentra¸c˜ao de esp´ecies . . . 67

4.14 concentra¸c˜ao de esp´ecies . . . 68

(12)

Lista de Tabelas

2.1 condi¸c˜oes t´ıpicas de opera¸c˜ao . . . 10

2.2 classifica¸c˜ao de regimes para escoamentos duas-fases . . . 16

3.1 parˆametros cin´eticos . . . 29

3.2 calores t´ıpicos de rea¸c˜ao . . . 29

3.3 desativa¸c˜ao do catalisador . . . 31

3.4 altera¸c˜ao da viscosidade do vapor com a temperatura . . . 33

(13)

Nomenclatura

Letras Latinas

a ´area, m2

B coeficiente ajust´avel

c concentra¸c˜ao de esp´ecie qu´ımica, kgmol/m3

cp calor espec´ıfico, J.kg−1.K−1

C termo de transferˆencia interfase Cd coeficiente de arraste, kg.m3/s

Cµ, C1, C2 constantes

d diˆametro da part´ıcula, m e coeficiente de restitui¸c˜ao g acelera¸c˜ao gravitacional, m/s2

G m´odulo de elasticidade, adimensional

H entalpia, J/kg

~ı tensor unit´ario

k energia cin´etica turbulenta, m2/s2

` escala de comprimento turbulento, m

~n vetor normal

(14)

p press˜ao, P a

Q calor gerado na rea¸c˜ao qu´ımica, J

S termo fonte das equa¸c˜oes de transporte [φ]m−3s−1 R constante universal dos gases ideais, J.kgmol−1.K−1

Re n´umero de Reynolds

t tempo, s

T temperatura, K

~v velocidade, m/s

x distˆancia ao longo da altura ou do raio do riser, m w vaz˜ao m´assica, kg/s

W vaz˜ao volum´etrica, m3/s

M fluxo de momento

A, Q, E, R, M, N , L, U matrizes utilizadas nos m´etodos iterativos de solu¸c˜ao

Letras Gregas

α fator de decaimento da atividade do catalisador  taxa de dissipa¸c˜ao de k, m2/s3

ε fra¸c˜ao volum´etrica

γ condutividade t´ermica, W.m−1.K−1

λ fator de interpola¸c˜ao linear µ viscosidade, kg.m−1.s−1 φ vari´avel gen´erica

ϕ fun¸c˜ao de desativa¸c˜ao do catalisador ρ massa espec´ıfica, kg/m3

(15)

Superescritos

0 tempo inicial

corr valor de corre¸c˜ao para a vari´avel l, t laminar, turbulento

h entalpia

k energia cin´etica turbulenta

m momento ρ massa ~v velocidade φ vari´avel conservativa i, n ´ındices de itera¸c˜ao

Subscritos

αβ transferˆencia da fase α para a fase β

α, β fase:

g, f, s fase gasosa, l´ıquida, s´olida esp esp´ecie qu´ımica

ξ, ζ dire¸c˜ao num sistema de coordenadas ortogonais x, y, z dire¸c˜oes no eixo cartesiano

P ponto central do volume de controle

l ponto localizado no centro das faces vizinhas: L ponto localizado no centro dos volumes vizinhos:

w, e, s, n, b, t centros das faces oeste, leste, sul, norte, abaixo e acima

W, E, S, N, B, T centros dos volumes oeste, leste, sul, norte, abaixo e acima

(16)

S´ımbolos e Operadores

∇() operador gradiente ∇ · () operador divergente ()∗ valor aproximado ()T transposi¸c˜ao de matriz ()0 grandeza flutuante () grandeza m´edia

δ equa¸c˜ao diferencial discretizada ∆ diferen¸ca de uma vari´avel

Siglas

const. constante

CFB circulating fluid bed

CFD computational fluid dynamics FCC fluid catalytic craking

FVM finite volume method IPSA InterPhase Slip Algorithm IPSA-C IPSA-Coupled

LMSPQ Laborat´orio de Modelagem e Simula¸c˜ao de Processos Qu´ımicos PEA Partial Elimination Algorithm

PISO Pressure Implicit with Splitting of Operators

SIMPLE Semi-Implicit Method for Pressure-Linked Equations SIMPLEC SIMPLE-Consistent

SINCE Simultaneous solution of Non-linearly Coupled Equations UDS Upwind Differencing Scheme

(17)

Cap´ıtulo 1

Introdu¸c˜

ao

1.1

Hist´

orico

O petr´oleo foi usado por muitos s´eculos na Mesopotˆamia, Egito, P´ersia, China e outros locais para aquecimento, ilumina¸c˜ao, estradas e constru¸c˜ao.

N˜ao por menos, at´e a metade do s´eculo XIX, quase todo o ´oleo para ilumina¸c˜ao usado no mundo vinha de fontes animais ou vegetais, e as primeiras m´aquinas eram lubrificadas com ´oleo de castor ou de baleia. Em 1850, James Young de Glasgow introduziu um processo para a produ¸c˜ao lˆampadas a ´oleo pela destila¸c˜ao de carv˜ao, e este foi implantado nos EUA onde em 1855 muitas f´abricas estavam fazendo “´oleo de carv˜ao” para uso em lˆampadas.

Naqueles dias o querosene, utilizado como ´oleo de ilumina¸c˜ao, era um produto importante e o objetivo principal da refinaria era extrair o m´aximo poss´ıvel dele a partir do cru. Lubrificantes e alguns ´oleos combust´ıveis tamb´em eram vendidos. A gasolina era queimada como produto indesej´avel, e betume tamb´em era inutilizado.

Ap´os 1900 a expans˜ao foi mais r´apida: o M´exico tornou-se um pa´ıs de produ¸c˜ao em 1901, seguido pela Argentina em 1907 e Trinidad em 1908. Um com´ercio internaci-onal foi desenvolvido, tomado pelas companhias norte-americanas, britˆanicas e alem˜as, e os nomes Rockfeller (da Standard Oil), Deterding (da Royal Dutch) e Samuel (da Shell) tornaram-se conhecidos.

Em 1910, a produ¸c˜ao mundial cresceu para algo em torno de 900000 barris di´arios (SHELL, 1983). O motor de combust˜ao interna deu um uso para a gasolina, agora tornando-se o principal produto, e a Primeira Guerra Mundial causou um grande

(18)

aumento na demanda por todos os tipos de ´oleo, incluindo combust´ıvel para navega¸c˜ao. Durante a Primeira Guerra Mundial, o lado qu´ımico da ind´ustria tamb´em come¸cou a ser desenvolvido nos EUA.

Atrav´es das d´ecadas de 1920 e 1930 a demanda continuou a aumentar, es-pecialmente para gasolina, que esteve dif´ıcil de suprir nas quantidades requeridas; melhorias nos m´etodos de refino, e a introdu¸c˜ao do craqueamento, aumentaram a propor¸c˜ao de gasolina dispon´ıvel em um ´oleo cru. Houve tamb´em uma demanda para o betume, necess´ario na constru¸c˜ao de estradas, em conjunto com a crescente demanda dos motoristas.

O processo de craqueamento catal´ıtico come¸cou a ser desenvolvido h´a mais de 50 anos atr´as. Desde ent˜ao, o processo tˆem sofrido um desenvolvimento quase cont´ınuo – resultando no maior processo de convers˜ao no refino do petr´oleo.

Dentre os esfor¸cos bem sucedidos est´a o desenvolvimento de novos catalisado-res zeol´ıticos, muito ativos, que tornaram as rea¸c˜oes de craqueamento cada vez mais r´apidas. Isto tˆem permitido que o craqueamento do gas´oleo ocorra em unidades FCC compactas, que contam com reatores (risers) de curto tempo de contato.

1.2

Fluidodinˆ

amica Computacional

O uso da fluidodinˆamica computacional (CFD) para predizer fluxos tˆem crescido muito nos ´ultimos anos. A disponibilidade atual de computadores relativamente poderosos (se comparados com os dispon´ıveis h´a algumas d´ecadas), aliado `a distribui¸c˜ao de algoritmos robustos para a solu¸c˜ao destes problemas permitem aos engenheiros responder `a de-manda industrial por pesquisa e desenvolvimento (VERSTEEG e MALALASEKERA, 1995).

A Fluidodinˆamica Computacional ´e a an´alise de sistemas envolvendo escoa-mento fluido, troca de calor e fenˆomenos associados (como rea¸c˜oes qu´ımicas) por meio de simula¸c˜oes computacionais. Essa t´ecnica ´e muito poderosa e abrange ´areas de aplica¸c˜ao industrial e n˜ao industrial.

Nos anos 60, a ind´ustria aeroespacial integrou t´ecnicas de CFD ao projeto, pesquisa e desenvolvimento, e manufatura de aeroplanos. Mais recentemente, estes m´etodos foram aplicados ao projeto de m´aquinas de combust˜ao interna, trocadores de calor de turbinas a g´as e fornos. Cada vez mais a fluidodinˆamica computacional tˆem tornado-se um componente vital no projeto de produtos e processos industriais.

(19)

Algumas das vantagens da CFD sobre m´etodos experimentais para o projeto de sistemas fluidos incluem:

• redu¸c˜ao substancial do tempo e dos custos de novos projetos;

• capacidade de estudar sistemas onde experimentos controlados s˜ao muito dif´ıceis, sen˜ao imposs´ıveis;

• obten¸c˜ao de resultados com detalhamento quase ilimitado;

Deve-se salientar que, embora os m´etodos computacionais ofere¸cam diversas vantagens, o uso de t´ecnicas experimentais ´e de extrema importˆancia na an´alise de problemas. Isto porque, mesmo que um caso simulado resulte em dados coerentes do ponto de vista num´erico, pode-se facilmente tratar de um resultado inconsistente com a realidade; ou ent˜ao, mesmo que estando fisicamente correto, pode apresentar alguma distor¸c˜ao dos resultados reais, e divergˆencias como esta s´o podem ser percebidas quando comparando com experimentos reais.

1.3

Apresenta¸

ao

O presente trabalho apresenta simula¸c˜oes realizadas para os fenˆomenos encontrados nos risers, dentre estes as rea¸c˜oes de craqueamento catal´ıtico. Diferentes modelos foram testados ao longo da pesquisa, visando encontrar o que apresentasse resultados mais realistas. Uma vez que m´etodos anal´ıticos s˜ao inadequados para a simula¸c˜ao de escoamentos complexos, ferramentas de simula¸c˜ao s˜ao indispens´aveis, j´a que facilitam em muito a altera¸c˜ao dos algoritmos utilizados.

A obten¸c˜ao de um modelo capaz de validar as principais caracter´ısticas expe-rimentais encontradas num reator riser permite que, com o seu uso, sejam estudadas diversas geometrias diferentes – visando a otimiza¸c˜ao do processo – a um baixo custo. No Cap´ıtulo 2, ´e apresentada uma breve descri¸c˜ao do processo FCC e de sua modelagem, na tentativa de apresentar os fenˆomenos envolvidos nestas unidades, princi-palmente nos Risers, reatores onde ocorrem as rea¸c˜oes de craqueamento catal´ıtico. Em seguida, ´e feita uma revis˜ao da literatura sobre o desenvolvimento dos diversos modelos utilizados na predi¸c˜ao das caracter´ısticas do escoamento no interior destes reatores. Apresenta-se ainda nesse cap´ıtulo uma listagem contendo os modelos considerados mais importantes na simula¸c˜ao de um riser.

(20)

No Cap´ıtulo 3 s˜ao exibidas as equa¸c˜oes utilizadas pelo programa nas simula¸c˜oes: conserva¸c˜ao de massa, momento, de energia e de esp´ecies qu´ımicas, para ambas as fases presentes. Mostram-se tamb´em os modelos utilizados para a previs˜ao do efeito da turbulˆencia sobre o escoamento, e para o c´alculo da gera¸c˜ao e consumo de esp´ecies qu´ımicas e energia no craqueamento catal´ıtico. S˜ao mostradas tamb´em as equa¸c˜oes para o c´alculo da vaporiza¸c˜ao da carga l´ıquida, e para a altera¸c˜ao da viscosidade da fase gasosa, bem como as demais express˜oes necess´arias para o fechamento das equa¸c˜oes de transporte. Tamb´em ´e apresentado o M´etodo dos Volumes Finitos, com respectivos esquemas de interpola¸c˜ao, acoplamento press˜ao-velocidade e m´etodos para solu¸c˜ao de matrizes considerados no trabalho. O tratamento utilizado na gera¸c˜ao da malha para a simula¸c˜ao do riser tamb´em ´e mostrado em detalhes, seguido das condi¸c˜oes de contorno utilizadas para a obten¸c˜ao dos resultados.

Estes resultados s˜ao mostrados no Cap´ıtulo 4, juntamente com discuss˜oes pertinentes aos mesmos: mostram-se os dados calculados para o campo de velocidades, concentra¸c˜ao de part´ıculas, press˜ao, temperatura e concentra¸c˜ao de esp´ecies qu´ımicas no reator.

No Cap´ıtulo 5, apresentam-se as conclus˜oes obtidas com este trabalho, desde o resultado dos c´alculos at´e os procedimentos utilizados para chegar na solu¸c˜ao final; h´a tamb´em uma breve listagem de id´eias e sugest˜oes para serem observadas em trabalhos futuros.

(21)

Cap´ıtulo 2

Revis˜

ao Bibliogr´

afica

Em plantas de refino de petr´oleo, os risers s˜ao amplamente utilizados na convers˜ao de fra¸c˜oes pesadas em produtos de menor peso molecular. O aprimoramento dessas plantas ´e uma constante nas refinarias, impulsionado em parte pela necessidade de uma maior eficiˆencia no processo de extra¸c˜ao de produtos valiosos a partir do ´oleo bruto, e em parte pelo desenvolvimento de catalisadores cada vez mais seletivos. Devido a estes ´ultimos, os risers podem ser hoje caracterizados como reatores de curto tempo de rea¸c˜ao, onde todas as rea¸c˜oes de craqueamento ocorrem em poucos segundos.

A opera¸c˜ao de risers em unidades de FCC ´e comum, mesmo sem haver um completo dom´ınio da tecnologia utilizada; este fato ´e plenamente justificado por motivos econˆomicos. A compreens˜ao sucinta dos fenˆomenos inerentes a esses equipamentos, por´em, ´e algo que ainda hoje se busca, vindo a somar-se ao conhecimento emp´ırico mantido pelas refinarias.

Dentre as diversas pesquisas mantidas nesse sentido, podem-se destacar duas linhas distintas, nas quais os trabalhos podem ser caracterizados ora por dar ˆenfase ao ajuste de dados experimentais isoladamente (como a varia¸c˜ao da atividade das part´ıculas de catalisador, ou o impacto da altera¸c˜ao/ajuste de alguma outra vari´avel so-bre o sistema) fazendo uso tanto de modelos emp´ıricos quanto semi-emp´ıricos, ou ent˜ao por tentar explicar as caracter´ısticas da fluidodinˆamica que o escoamento apresenta nos risers. Ultimamente, entretanto, gra¸cas ao poder de processamento exponencialmente maior dos computadores dispon´ıveis, tˆem se tornado poss´ıvel a uni˜ao destes esfor¸cos, com surgimento de trabalhos que consideram a modelagem tanto da f´ısica da fluido-dinˆamica do escoamento quanto de outros fenˆomenos a princ´ıpio isolados desta. Isto torna o tratamento deste problema mais adequado, uma vez que ´e necess´ario um n´umero

(22)

menor de hip´oteses simplificadoras para a obten¸c˜ao de solu¸c˜oes significativas.

Na progress˜ao dos trabalhos realizados, salienta-se que, no princ´ıpio dos ajustes de experimentos atrav´es de modelos emp´ıricos, eram (e ainda hoje s˜ao) utilizados sistemas unidimensionais. A justificativa se dava, primeiro, pela capacidade de proces-samento reduzida dos computadores da ´epoca. Em segundo lugar, esta t´ecnica torna o sistema de equa¸c˜oes diferenciais muito mais simples, uma vez que n˜ao requer a aplica¸c˜ao de um procedimento extremamente trabalhoso para poder ser resolvido; isso permite que diversas simula¸c˜oes sejam realizadas em um espa¸co de tempo relativamente curto.

2.1

Descri¸

ao do Processo FCC

Uma unidade de craqueamento catal´ıtico fluidizado – FCC – consiste, basicamente, de um reator, onde ocorrem as rea¸c˜oes de craqueamento, e de um regenerador, no qual o catalisador ´e recuperado (Figura 2.1).

O ´oleo pr´e aquecido a cerca de 300oC ´e alimentado na parte inferior do riser,

onde mistura-se ao catalisador quente regenerado. A vaporiza¸c˜ao e craqueamento do ´oleo causa uma expans˜ao dos gases que, somada com a adi¸c˜ao de vapor, gera um fluxo de g´as transportando o catalisador em dire¸c˜ao `a sa´ıda do riser, numa mistura de ´oleo/gasolina/gases e catalisador/coque.

Na sa´ıda, na parte superior do riser, uma s´erie de ciclones (aliados ao ‘stripper’) ajuda a separar as part´ıculas de catalisador do produto. Vapor puro ´e adicionado, para completar a dessor¸c˜ao dos hidrocarbonetos que permanecem junto ao catalisador.

Ap´os isto, o catalisador ´e transportado ao regenerador, onde o coque (que ´e formado junto aos produtos, e permanece na superf´ıcie do catalisador) ´e queimado. A combust˜ao do coque ´e uma rea¸c˜ao muito exot´ermica, elevando a temperatura do catalisador at´e cerca de 700oC. Esta ´e a principal fonte da energia consumida na

vaporiza¸c˜ao da carga de gas´oleo e nas rea¸c˜oes de craqueamento (endot´ermicas) no riser. Ambas as rea¸c˜oes, de craqueamento e de queima, ocorrem em leitos fluidizados. O riser e o regenerador operam normalmente em balan¸co t´ermico, n˜ao precisando de uma fonte externa de calor. Se muito coque ´e formado no riser, sua combust˜ao no regenerador pode elevar demais a temperatura do catalisador, e a alimenta¸c˜ao de catalisador regenerado no riser deve ser reduzida. Isto restringe a capacidade produtiva da unidade; por isso, espera-se que um bom catalisador gere uma quantidade ´otima de coque sem sacrificar a produ¸c˜ao dos demais produtos.

(23)
(24)

2.2

Simula¸

ao do Riser

Esfor¸cos consider´aveis tˆem sido devotados para melhor entender a complexidade dos reatores riser, incluindo estudos experimentais e te´oricos.

O modelo simulado consiste, basicamente, de um escoamento turbulento, onde trˆes fases (uma fase gasosa formada por vapor d’´agua e hidrocarbonetos, uma fase particulada composta de catalisador, e uma fase l´ıquida – got´ıculas de gas´oleo, na fase cont´ınua) entram em contato e, devido `a diferen¸ca entre suas temperaturas, trocam cargas t´ermicas entre si. Al´em da altera¸c˜ao dos perfis de temperatura, o contato entre o catalisador com os hidrocarbonetos vaporizados d´a in´ıcio a rea¸c˜oes de craqueamento, que ocorrem ao longo do riser.

O riser ´e um reator qu´ımico, na forma cil´ındrica, que possui uma altura muito grande em rela¸c˜ao ao seu diˆametro. Possui duas entradas distintas: uma para a alimenta¸c˜ao de hidrocarbonetos, na base, e outra para a entrada de catalisador, na parte lateral do tubo. A Figura 2.2b ´e uma representa¸c˜ao discretizada da se¸c˜ao de entrada do riser representada na Figura 2.2a. Nesta, observam-se as ´areas de entrada. A sa´ıda tamb´em situa-se na superf´ıcie lateral do riser, por´em na sua extremidade superior (2.2).

Figura 2.2: detalhes da entrada do riser

Na entrada principal, a mais inferior, entra a fase gasosa, composta por vapor d’´agua, carregando got´ıculas de gas´oleo ainda na fase l´ıquida. Como a temperatura do gas´oleo nesta regi˜ao n˜ao ´e suficiente para haver a vaporiza¸c˜ao das got´ıculas, elas permanecem no estado l´ıquido, e nenhuma rea¸c˜ao de craqueamento ocorre.

Na outra entrada, que conecta-se ao “corpo” do riser pela lateral, entram part´ıculas s´olidas de catalisador quente, provenientes do regenerador, carregadas por

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va-por d’´agua. Este recebe, nesta se¸c˜ao, calor do catalisador quente, enquanto transva-porta-o at´e o interior do reator.

A corrente de vapor carregando gas´oleo eleva-se at´e encontrar a entrada de catalisadores quentes e vapor aquecido. Esta regi˜ao, onde as duas correntes entram em contato, ´e crucial para o resto do reator: os fluxos s˜ao perpendiculares entre si (a princ´ıpio, com o objetivo de melhorar a mistura entre as fases), apresentando assim grandes diferen¸cas de press˜ao e momento entre si; os maiores gradientes de temperatura e concentra¸c˜ao tamb´em s˜ao encontrados nesta parte (GAO et al., 1999).

Ao longo do riser, as part´ıculas quentes de catalisador cedem parte de seu calor ao vapor da fase gasosa e `as got´ıculas de gas´oleo, ambos numa temperatura menor; a fase l´ıquida acaba trocando calor com ambas as fases, s´olida e gasosa. Quando as got´ıculas de gas´oleo atingem a temperatura de ebuli¸c˜ao, s˜ao ent˜ao vaporizadas – o que significa que (i) as got´ıculas cedem parte de sua entalpia na forma de “calor latente”, e (ii) a fase gasosa “recebe massa”, acrescentando a quantidade de gas´oleo vaporizado (quantidade essa descontada da fase l´ıquida).

Este esquema de troca de calor e massa, entre as fases particulada (α), l´ıquida (γ) e vapor (β), ´e ilustrado na Figura 2.3.

      -  - @@R α H β γ H H W H = calor W = massa

Figura 2.3: transferˆencias entre as fases particulada, vapor e got´ıcula

Enquanto o gas´oleo ´e vaporizado, o contato com as part´ıculas de catalisador favorece o seu craqueamento, gerando diversas mol´eculas de menor peso molecular. Segundo a cin´etica de 4 lumps, o gas´oleo consumido gera gasolina, g´as e coque, e parte da gasolina tamb´em gera g´as e coque. A presen¸ca de novas esp´ecies qu´ımicas na corrente gasosa, por outro lado, altera a sua composi¸c˜ao, mudando tamb´em as suas propriedades f´ısicas: densidade, viscosidade, calor espec´ıfico, no. de mols (e assim o volume). A forma¸c˜ao de coque (que ´e carregado junto `a superf´ıcie das part´ıculas s´olidas) age como um inibidor, diminuindo a atividade do catalisador.

A temperatura do catalisador ´e um fator importante a ser controlado no pro-cesso: se estiver muito elevada, o aquecimento excessivo dos hidrocarbonetos pode dar

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origem ao craqueamento t´ermico, indesej´avel devido `a grande forma¸c˜ao de coque. Al´em de gerar novos hidrocarbonetos, as rea¸c˜oes de craqueamento tamb´em consumem parte do calor da fase vapor, pois algumas das rea¸c˜oes s˜ao endot´ermicas e outras exot´ermicas – e no balan¸co final, h´a um d´eficit de energia.

Experimentalmente, nota-se que as part´ıculas de catalisador, ao longo do riser, podem concentrar-se pr´oximo `as paredes, e formar pequenos aglomerados que podem ‘escorregar’ em refluxo de volta `a se¸c˜ao de entrada. Isto ´e caracter´ıstico de escoamentos n˜ao-estacion´arios, uma vez que a fluidodinˆamica nunca atinge um estado de equil´ıbrio. Segundo DASGUPTA et al. (1994), as condi¸c˜oes t´ıpicas de opera¸c˜ao em um reator de FCC s˜ao as mostradas na Tabela 2.1.

Tabela 2.1: condi¸c˜oes t´ıpicas de opera¸c˜ao densidade das part´ıculas 1100-1500 kg/m3

diˆametro m´edio 50-100 µm

diˆametro do tubo 0,2-2,0 m

velocidade de carregamento 5-20 cm/s velocidade superficial do g´as 8-18 m/s fluxo l´ıquido de s´olidos 400-1400 kg/m2.s

densidade aparente da suspens˜ao 160-650 kg/m3 no fundo

50-80 kg/m3 no topo

Dentre as principais dificuldades em modelar adequadamente os risers atrav´es de CFD, podem-se destacar:

• a geometria do riser (que pode ser interpretado como um ‘tubo muito comprido’), necessita de um grande n´umero de c´elulas em apenas uma das dire¸c˜oes – ou ent˜ao alguns dos volumes criados entre a entrada e a sa´ıda do reator podem ficar muito alongados (quando comparados com um cubo);

• na regi˜ao de entrada, onde o fluxo de catalisador em acelera¸c˜ao encontra-se com o fluxo de gas´oleo, h´a intensa turbulˆencia e as n˜ao homogeneidades resultam em fortes gradientes de concentra¸c˜ao e temperatura, dificultando a convergˆencia da solu¸c˜ao num´erica;

• por ser um tipo de reator qu´ımico, a sa´ıda do riser pode ainda apresentar a forma¸c˜ao de produtos; se todo o gas´oleo for consumido antes da sa´ıda do riser, este

(27)

provavelmente estar´a super-dimensionado para as condi¸c˜oes simuladas, havendo um desperd´ıcio no comprimento do reator.

2.3

Revis˜

ao

Dentre as vari´aveis mais importantes que devem ser previstas na modelagem de unidades de FCC est´a a concentra¸c˜ao dos produtos ao longo do reator: estudos de viabilidade econˆomica s˜ao baseados nesta informa¸c˜ao, e dela tamb´em depende o projeto dos reatores (volume, altura ´otima para a inje¸c˜ao de carga e coleta de produtos). Entretanto as rea¸c˜oes de craqueamento envolvem um n´umero grande de esp´ecies qu´ımicas, e tanto a determina¸c˜ao experimental do modelo cin´etico exato para todos os componentes ´e impratic´avel, quanto a sua posterior solu¸c˜ao tornar-se-ia demasiadamente custosa.

Como demonstrado por FARKAS (1999), ´e poss´ıvel utilizar a t´ecnica de lum-ping para reduzir o n´umero de vari´aveis que descrevem a evolu¸c˜ao da concentra¸c˜ao de esp´ecies ao longo do tempo. Nela, as vari´aveis – concentra¸c˜oes de esp´ecies qu´ımicas – s˜ao agrupadas atrav´es de uma fun¸c˜ao linear ou n˜ao linear, preservando a estrutura cin´etica do sistema de equa¸c˜oes diferenciais original. Quando consideradas as concentra¸c˜oes de esp´ecies qu´ımicas, os grupos (ou lumps) s˜ao compostos pelas esp´ecies qu´ımicas, que s˜ao agrupadas conforme a semelhan¸ca de suas propriedades. Assim, as equa¸c˜oes de transporte s˜ao aplicadas somente sobre estes lumps.

No trabalho de ALI e ROHANI (1997), ´e apresentado um sistema bif´asico (catalisador e fase gasosa) unidimensional, usando um esquema de 4 lumps para modelar o craqueamento de hidrocarbonetos. Com um sistema de equa¸c˜oes unidimensionais, foi poss´ıvel a simula¸c˜ao do reator e do regenerador simultaneamente. E prevista´ a desativa¸c˜ao do catalisador, e a gera¸c˜ao/consumo de calor ao longo do riser e do regenerador. Observaram que o sistema atinge estado estacion´ario ap´os 2 horas, obtendo resultados desviando-se entre 2,31% e 14,46% dos dados experimentais, no que se refere ao rendimento de gasolina. N˜ao se observou, no entanto, um rendimento m´aximo no rendimento de gasolina ao longo do riser, como notado experimentalmente – e este fato foi atribu´ıdo ao comprimento do reator, 33 metros (reduzido, segundo os autores).

Devido `a rapidez dos c´alculos efetuados (j´a que ´e calculado um modelo unidi-mensional, simplificado), apresentando resultados das simula¸c˜oes para at´e 500 minutos, (ALI et al., 1997) estudou a dinˆamica, para fins de controle, de um sistema contendo um reator, um vaso separador e um regenerador, observando a altera¸c˜ao nas taxas de

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esco-amento quando s˜ao variadas condi¸c˜oes de abertura de algumas v´alvulas. Notou-se uma forte intera¸c˜ao entre a temperatura do riser e o n´ıvel de catalisador no vaso separador, enquanto que a queda de press˜ao no regenerador ficou praticamente independente.

Fazendo uso de uma geometria tridimensional, que abrangia uma se¸c˜ao radial do riser, GAO et al. (1999) simulam as rea¸c˜oes de craqueamento para um bico injetor de gas´oleo atrav´es de um modelo cin´etico de 13 lumps. A escolha de uma geometria no formato de cunha deveu-se `a “perda da simetria devido ao modo de inje¸c˜ao da carga”, com bicos injetores distribu´ıdos uniformemente ao longo da circunferˆencia (estes, assim, dificilmente poderiam ser modelados adequadamente em uma geometria bidimensional). Foi observado que o padr˜ao de escoamento do catalisador e da fase fluida eram parecidos, mas mesmo assim o regime de escoamento reativo turbulento (usando o modelo k−) era extremamente complexo; as distribui¸c˜oes de velocidade, temperatura e concentra¸c˜ao n˜ao se mostraram homogˆeneas.

Essa mesma t´ecnica foi tamb´em utilizada por THEOLOGOS e MARKATOS (1993), onde estuda-se um riser com 8 bicos injetores de carga distribu´ıdos ao longo de sua circunferˆencia, inclinados 60o. Foi empregado um esquema de 3 lumps para as

rea¸c˜oes de craqueamento catal´ıtico, prevendo o decaimento da atividade do catalisador. THEOLOGOS et al. (1997) aprofundaram este trabalho com o estudo de entradas com 3 e 12 bicos injetores, modelagem da vaporiza¸c˜ao da carga de gas´oleo alimentada e o uso de um esquema de rea¸c˜ao de 10 lumps. Segundo eles, balan¸cos unidimensionais n˜ao podem ser aplicados na ´area de entrada, porque nesta parte do reator a turbulˆencia intensa e n˜ao-homogeneidades do escoamento resultam em altos gradientes de tem-peratura e concentra¸c˜ao. Nota-se que a aplica¸c˜ao de planos de simetria radial e axial limitam o escoamento, anulando-se as componentes normais da velocidade nestas ´areas. Mesmo assim, resultados obtidos mostram solu¸c˜oes realistas, predizendo os aspectos mais importantes de um reator de craqueamento catal´ıtico (perfis de concentra¸c˜ao de esp´ecies, velocidade, etc.).

Ainda no contexto das rea¸c˜oes qu´ımicas, ´e observado que a atividade do ca-talisador decresce com o andamento das rea¸c˜oes de craqueamento. Em modelos uni-dimensionais, esta varia¸c˜ao pode ser ajustada em fun¸c˜ao do tempo de residˆencia das part´ıculas de catalisador no reator. Este procedimento ´e implementado de maneira relativamente simples, uma vez que o fluxo de part´ıculas, e o volume do reator, est˜ao intimamente ligados a esse tempo (´e de pr´atica comum, em modelos unidimensionais, considerar as derivadas temporais como varia¸c˜oes ao longo da altura do riser, uma vez que esta representaria o ‘tempo de residˆencia’ no reator).

(29)

VAN LANDEGHEM et al. (1996), por´em, consideram que este procedimento pode estar errado, porque o tempo n˜ao ´e a causa f´ısica da desativa¸c˜ao, sendo ent˜ao imposs´ıvel usar a mesma fun¸c˜ao para reatores com diferentes tempos de contato. O coque seria a principal causa para a desativa¸c˜ao, j´a que as mol´eculas de hidrocarboneto acumuladas sobre a superf´ıcie das part´ıculas de catalisador diminuem a quantidade de s´ıtios ativos dispon´ıveis para futuras rea¸c˜oes. O conte´udo de coque no catalisador, de acordo com esta explica¸c˜ao, ´e usado como a vari´avel para a desativa¸c˜ao.

Avaliando equa¸c˜oes que descrevem a desativa¸c˜ao do catalisador, CERQUEIRA et al. (1997) testaram trˆes fun¸c˜oes distintas, para diferentes condi¸c˜oes de alimenta¸c˜ao de gas´oleo. Os resultados obtidos, utilizando nesse trabalho um modelo cin´etico de 12 lumps, indicaram que uma fun¸c˜ao de desativa¸c˜ao com um parˆametro exponencial ´e satisfat´oria; independentemente do tipo de alimenta¸c˜ao empregada, o rendimento total de coque manteve-se praticamente o mesmo, e era mais influenciado, com uma maior taxa de catalisador/gas´oleo, pelo tempo de inje¸c˜ao da alimenta¸c˜ao. O modelo unidimensional foi resolvido utilizando-se algoritmos de elementos finitos, para um tempo de inje¸c˜ao de at´e 90 segundos.

A adsor¸c˜ao de esp´ecies qu´ımicas tamb´em parece influenciar a eficiˆencia de risers. MARTIGNONI e DE LASA (2001) descrevem um modelo matem´atico que emprega, em conjunto com a cin´etica de 4 lumps, o fenˆomeno da adsor¸c˜ao de hidrocarbonetos nos poros superficiais do catalisador. Uma geometria unidimensional foi considerada adequada, como primeira aproxima¸c˜ao, para ilustrar os efeitos desse fenˆomeno. Obser-varam que as fra¸c˜oes de hidrocarbonetos que s˜ao adsorvidas representam uma fra¸c˜ao consider´avel de mol´eculas, alterando a convers˜ao de gas´oleo e a seletividade de gasolina, gases e coque, se comparadas com os resultados obtidos desconsiderando a adsor¸c˜ao. Notou-se tamb´em a influˆencia sobre a pr´opria fluidodinˆamica do escoamento no riser, alterando condi¸c˜oes de opera¸c˜ao como press˜ao e temperatura. A velocidade de sa´ıda de vapor, desconsiderando a adsor¸c˜ao, ficou aproximadamente o dobro da encontrada considerando esse fenˆomeno. Os autores conclu´ıram que a inclus˜ao do fenˆomeno de adsor¸c˜ao de hidrocarbonetos na modelagem de risers de FCC ´e importante para a an´alise correta de sua cin´etica e fluidodinˆamica.

O modo de entrada da alimenta¸c˜ao no reator ´e outra caracter´ıstica que deve ser cuidadosamente considerada em uma simula¸c˜ao. Em alguns reatores, a entrada da carga de fra¸c˜oes pesadas (gas´oleo) no riser faz-se pela inje¸c˜ao de hidrocarbonetos, no estado l´ıquido, atrav´es de bicos injetores. Estes tˆem a fun¸c˜ao de tornar o fluido, escoando de forma cont´ınua, em uma fase aproximadamente dispersa, composta por in´umeras

(30)

got´ıculas – estas, retirando calor das outras fases, passam para o estado gasoso.

Na modelagem empregada por BUCHANAN (1994), a transferˆencia de calor entre o catalisador e os gases foi considerada muito r´apida, e a temperatura no interior das gotas pˆode ser tratada como se fosse praticamente uniforme (igual `a temperatura de bulbo ´umido baseada na composi¸c˜ao da superf´ıcie da gota). Seus resultados sugerem que a distribui¸c˜ao do tamanho das got´ıculas ´e especialmente importante na avalia¸c˜ao de injetores de carga de FCC, pois poucas got´ıculas maiores podem compreender uma grande fra¸c˜ao volum´etrica da alimenta¸c˜ao, e estas got´ıculas s˜ao vaporizadas muito mais lentamente.

Com o objetivo de compreender melhor os diversos fenˆomenos que gover-nam a vaporiza¸c˜ao de gas´oleo alimentado em unidades FCC, MIRGAIN et al. (2000) apresentam diversos modelos de vaporiza¸c˜ao. Em uma vaporiza¸c˜ao homogˆenea ideal, as got´ıculas seriam vaporizadas completamente antes de entrar em contato com as part´ıculas de catalisador; em contraste, a vaporiza¸c˜ao heterogˆenea ocorre quando as got´ıculas aproximam-se o suficiente das part´ıculas de catalisador para permitir que o calor tamb´em seja transferido por condu¸c˜ao direta. Nas simula¸c˜oes, foi observado que a vaporiza¸c˜ao homogˆenea ´e insuficiente para vaporizar completamente a alimenta¸c˜ao, sendo respons´avel pela vaporiza¸c˜ao de muito menos da metade das part´ıculas (antes que elas entrassem em contato com as part´ıculas de catalisador). Na vaporiza¸c˜ao heterogˆenea, o tempo requerido para vaporizar completamente a alimenta¸c˜ao foi sempre menor que o per´ıodo de impacto das got´ıculas.

NERI e GIDASPOW (2000) simularam o escoamento transiente bidimensional de part´ıculas de FCC no riser. O modelo foi usado para predizer experimentos de escoamentos bif´asicos, dando ˆenfase na an´alise ao sistema de coordenadas adotado e `a geometria de entrada, entre outros. Foram comparados os resultados obtidos usando geometrias baseadas em sistemas de coordenadas cil´ındrico e retangular, com e sem axissimetria, com malhas uniformes e n˜ao-uniformes. Enquanto que algumas vari´aveis mantiveram-se uniformes ao longo do sentido radial (como a press˜ao dos s´olidos, viscosi-dade de cisalhamento dos s´olidos), na representa¸c˜ao axissim´etrica os resultados diferem muito dos resultados obtidos na simula¸c˜ao do riser inteiro. Concluiu-se, neste trabalho, que a melhor malha aplicada foi a bidimensional em coordenadas retangulares, sem imposi¸c˜ao de simetria em torno do eixo.

Dentre as pesquisas que visam uma melhor compreens˜ao da fluidodinˆamica presente em risers, especificamente escoamentos bif´asicos, vale destacar o trabalho apresentado por ENWALD et al. (1996). Nele, ´e feita uma classifica¸c˜ao de

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escoa-mentos (Tabela 2.2) e dos modelos de duas fases em geral. Um n´umero de poss´ıveis caminhos para a sua formula¸c˜ao ´e discutido, desenvolvendo as equa¸c˜oes e condi¸c˜oes de transferˆencia instantˆaneas locais para um modelo de dois-fluidos derivado de um procedimento de m´edia geral.

Este tipo de modelagem apresenta dificuldades tanto matem´aticas, pela for-mula¸c˜ao de um escoamento bif´asico como duas fases simples com limites m´oveis, quanto f´ısicas, na modelagem das intera¸c˜oes entre as fases na sua interface. S˜ao necess´arios modelos emp´ıricos para fechar o conjunto de equa¸c˜oes; conseq¨uentemente, o sucesso da modelagem depende tamb´em de dados experimentais precisos.

DASGUPTA et al. (1994) realizaram estudos sobre o papel das equa¸c˜oes de movimento na segrega¸c˜ao. Estudos sobre a distribui¸c˜ao de part´ıculas em risers re-velam que h´a agrega¸c˜ao, em regi˜oes de baixa energia cin´etica. O escoamento n˜ao ´e estacion´ario, havendo grandes flutua¸c˜oes na densidade da suspens˜ao. Segundo os autores, “a performance de risers pode ser predita com confian¸ca somente se o meca-nismo f´ısico que determina a distribui¸c˜ao radial de catalisador puder ser identificado e modelado”. Em seu trabalho, procuraram estender um modelo de escoamento g´as laminar–part´ıcula laminar para um modelo do tipo g´as turbulento–part´ıcula turbulento, aplicado ao escoamento de part´ıculas pequenas (como as de catalisadores de FCC), com alta carga de s´olidos. Foram utilizadas t´ecnicas de Elementos Finitos (m´etodo de Galerkin), para resolver o sistema de equa¸c˜oes em coordenadas cil´ındricas. A origem f´ısica da turbulˆencia foi atribu´ıda `a instabilidade inercial da fase gasosa; entretanto, quando a concentra¸c˜ao de part´ıculas ´e alta, elas interagem entre si por colis˜oes e tanto os efeitos inerciais quanto viscosos s˜ao completamente dominados por contribui¸c˜oes da fase particulada. O g´as, ent˜ao, responde a estas flutua¸c˜oes como um participante passivo na turbulˆencia; enquanto o gradiente de press˜ao gasoso ´e o agente propelente do escoamento, e em ´ultima an´alise a fonte de energia para as flutua¸c˜oes turbulentas, o papel do g´as na gera¸c˜ao destas flutua¸c˜oes ´e de forma indireta. Com o estabelecimento da turbulˆencia, h´a um ‘espalhamento’ das part´ıculas pr´oximas ao eixo e correspondente aumento na concentra¸c˜ao junto `as paredes para manter o balan¸co de for¸cas no sentido axial.

Utilizando uma geometria bidimensional cil´ındrica, com axissimetria, NIEUWLAND et al. (1996) desenvolveram um modelo baseado no conceito de escoamento dois-fluidos,

con-siderando um escoamento turbulento e acoplando a este a “Teoria Cin´etica do Esco-amento Granular”. Devido `a complexidade do sistema de equa¸c˜oes diferenciais n˜ao-lineares resultante, um procedimento adequado para a solu¸c˜ao num´erica foi necess´ario,

(32)

Tabela 2.2: classifica¸c˜ao de regimes para escoamentos duas-fases (ENWALD et al., 1996) classe regimes t´ıpicos configura¸c˜ao exemplos escoamentos separados escoamento filme

filme l´ıquido em g´as resfriamento de filmes

filme gasoso em l´ıquido aquecimento de filmes escoamentos

anelares

n´ucleo l´ıquido e filme gasoso aquecimento de filmes

n´ucleo gasoso e filme l´ıquido condensadores escoamentos

em jatos

jato l´ıquido em g´as atomiza¸c˜ao

jato gasoso em l´ıquido condensador a jato escoamentos

misto ou de transi¸c˜ao

slug ou plug flow

g´as em l´ıquido vaporiza¸c˜ao de s´odio em convec¸c˜ao for¸cada

escoamento anelar de bolhas

bolhas gasosas em l´ıquido evaporadores com nu-clea¸c˜ao nas paredes

filme com n´ucleo gasoso escoamento

anelar de got´ıculas

n´ucleo gasoso com got´ıculas e filme l´ıquido gerador a vapor escoamento anelar de bolhas e got´ıculas

n´ucleo gasoso com got´ıculas e filme l´ıquido com bolhas de g´as canal evaporador de reator nuclear escoamentos dispersos escoamentos em bolhas

bolhas de g´as em l´ıquido reatores qu´ımicos

escoamentos de gotas

gotas l´ıquidas em g´as resfriadores em sprays

escoamentos particulados

part´ıculas s´olidas em g´as ou l´ıquido

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ao inv´es do uso das rotinas de integra¸c˜ao num´erica empregadas para geometrias uni-dimensionais. Assim, resolvendo atrav´es de Diferen¸cas Finitas (sobre uma malha de-sencontrada), encontraram nos perfis de concentra¸c˜ao de s´olidos uma segrega¸c˜ao radial marcada – caracter´ıstica da fluidodinˆamica que ´e corroborada experimentalmente, e que n˜ao poderia ser prevista com modelos unidimensionais. Foi observado tamb´em que c´alculos efetuados sem a considera¸c˜ao da Teoria Cin´etica falhavam em descrever essa segrega¸c˜ao lateral de s´olidos.

Aplicando a Teoria Cin´etica, SAMUELSBERG e HJERTAGER (1996) obtive-ram um modelo capaz de predizer o escoamento “core-annulus” em v´arias condi¸c˜oes, e a forma¸c˜ao de aglomera¸c˜oes de part´ıculas (ou “clusters”) no escoamento de part´ıculas no riser. Perfis radiais na entrada, meio e sa´ıda do reator, ap´os 50 segundos, mostraram uma boa concordˆancia entre as velocidades e fra¸c˜oes volum´etricas calculadas e as obtidas experimentalmente em escala piloto. Comparando os valores encontrados para a concentra¸c˜ao de s´olidos em diferentes se¸c˜oes, conclu´ıram que as diferen¸cas entre os valores devia-se ao escoamento simulado ainda n˜ao estar desenvolvido, mesmo para uma raz˜ao ‘comprimento/diˆametro’ do riser relativamente alta.

No trabalho de BENYHAIA et al. (2000), onde a Teoria Cin´etica era apli-cada usando uma geometria bidimensional retangular, novamente a complexidade das equa¸c˜oes dificultou a solu¸c˜ao anal´ıtica do sistema. Considerando um riser de 14,2 metros de altura por 20 cent´ımetros de diˆametro, com uma entrada lateral de s´olidos com 45ode

inclina¸c˜ao, a malha simulada continha 2 entradas desse tipo, para que os resultados se aproximassem dos dados experimentais. Foi observado que, ap´os 40 segundos, o perfil de velocidades mostrava um perfil “core-annulus” assim´etrico. Com apenas uma entrada, os s´olidos concentravam excessivamente em uma das paredes do reator; no entanto, as condi¸c˜oes reais de entrada e sa´ıda poderiam ser implementadas apenas usando uma geometria tridimensional complexa. Conclu´ıram que a Teoria Cin´etica prevˆe bem as tendˆencias observadas experimentalmente.

A implementa¸c˜ao de um c´odigo computacional para solucionar as equa¸c˜oes de conserva¸c˜ao para trˆes fases (esp´ecies gasosas, gotas l´ıquidas e part´ıculas s´olidas de catalisador), com a formula¸c˜ao da fase l´ıquida seguindo uma modelagem Euleriana com um modelo 2 fluidos do fluxo foi discutida por CHANG et al. (1997). O modelo empregado caracterizava-se principalmente por empregar, nas equa¸c˜oes de transporte, rea¸c˜oes de craqueamento que seguiam um modelo cin´etico de 4 lumps; ap´os a de-termina¸c˜ao do campo de escoamento com estes quatro grupos de esp´ecies qu´ımicas, as concentra¸c˜oes dos outros hidrocarbonetos eram obtidas a partir dos lumps j´a calculados.

(34)

Na fase gasosa, a densidade ´e alterada com o desenvolvimento das rea¸c˜oes qu´ımicas, e o modelo de 4 lumps empregado ´e considerado satisfat´orio para esta finalidade. Outras caracter´ısticas fenomenol´ogicas consideradas s˜ao o arraste entre as fases, evapora¸c˜ao das got´ıculas, desativa¸c˜ao do catalisador com o tempo e turbulˆencia (k−) multif´asica. Conforme enfatizado pelos autores, para as condi¸c˜oes de contorno do problema, uma condi¸c˜ao de press˜ao na sa´ıda do dom´ınio (quando usando um esquema SIMPLE) implica numa aproxima¸c˜ao razo´avel para quando o fluxo est´a aproximadamente desenvolvido na sa´ıda; entretanto, para um escoamento reativo, as rea¸c˜oes continuam at´e muito pr´oximo a esse plano (do contr´ario, o reator estaria superdimensionado). No trabalho apresentado, uma convergˆencia melhor (10−10, contra o anterior de 10−6) foi atingida, estimando um gradiente de velocidade fixo na sa´ıda.

A eficiˆencia de diferentes algoritmos para a solu¸c˜ao de sistemas multif´asicos foi estudada por KAREMA e LO (1999), onde ´e demonstrada a necessidade de um tratamento especial para o acoplamento interfase, para garantir a convergˆencia dos algoritmos de solu¸c˜ao iterativos. Ap´os expor as dificuldades para a convergˆencia dos problemas de escoamento com mais de uma fase envolvida (devido `a forte dependˆencia das fases entre si), foi conclu´ıdo que, quando o passo de tempo utilizado foi mantido abaixo da escala de tempo caracter´ıstica dos processos de transferˆencia interfaciais, o tratamento parcialmente impl´ıcito dos termos de acoplamento, em conjunto com o algoritmo IPSA, tornou-se o m´etodo mais eficiente. O m´etodo PEA, para escoamentos do tipo 2 fluidos, apresentou a melhor eficiˆencia quando um passo de tempo maior foi requerido. O uso do algoritmo IPSA-C foi justificado para condi¸c˜oes onde o acoplamento interfacial era mais problem´atico que o escoamento em estudo, como fluxo de bolhas de ar em ´agua.

YIN et al. (2001) descreveram a implementa¸c˜ao de um m´etodo “acoplado” para a solu¸c˜ao de escoamentos multif´asicos (Euleriano-Euleriano), uma vez que a predi¸c˜ao acurada de diversas opera¸c˜oes unit´arias em ind´ustrias de manufatura e processamento qu´ımico exige esse tipo de procedimento. M´etodos do tipo “segregados”, como utilizados em alguns softwares atualmente, apresentaram deficiˆencias, como a necessidade de uma subrelaxa¸c˜ao conservativa e de muitas itera¸c˜oes para resolver a n˜ao-linearidade de um sistema. O m´etodo acoplado, segundo eles, foi capaz de resolver grandes sistemas de equa¸c˜oes lineares simultˆaneas que eram fortemente acopladas (momento e continuidade, modelos de turbulˆencia, e concentra¸c˜ao de esp´ecies), atingindo a convergˆencia em um n´umero de itera¸c˜oes substancialmente menor.

(35)

2.4

Estado da Arte

O emprego de risers no processo de craqueamento catal´ıtico ´e um bom exemplo de processo onde a tecnologia n˜ao pˆode esperar pelo desenvolvimento te´orico da f´ısica envolvida. At´e os dias de hoje, os modelos que descrevem a sua opera¸c˜ao ainda sofrem altera¸c˜oes dr´asticas, no sentido de prever com maior exatid˜ao os fenˆomenos qu´ımicos e fluidodinˆamicos. De uma maneira geral, os escoamentos multif´asicos (que englobam a maioria dos processos em engenharia qu´ımica) apresentam uma f´ısica muito complexa, principalmente devido `as transferˆencias entre as fases e a sua influˆencia em todo o sistema de equa¸c˜oes a ser resolvido. Estes fenˆomenos s˜ao governados por muitos processos f´ısicos distintos, que s˜ao apenas parcialmente entendidos, embora muitas simula¸c˜oes de CFD bem sucedidas tenham sido relatadas na literatura (BURNS et al., 2001).

Dentre as caracter´ısticas que devem ser previstas num modelo completo para a simula¸c˜ao de risers est˜ao:

• queda de press˜ao;

• ac´umulo de catalisador pr´oximo `as paredes; • velocidade de escorregamento entre as fases; • zona de acelera¸c˜ao de part´ıculas;

• efeito de ‘choking’ sobre o escoamento;

• troca de calor e transferˆencia de massa entre as fases;

• distribui¸c˜ao de concentra¸c˜ao das esp´ecies ao longo do reator; • efeitos de geometria.

(36)

Cap´ıtulo 3

Simula¸c˜

oes

3.1

Modelos Matem´

aticos

A princ´ıpio, o problema do escoamento g´as/s´olido denso poderia ser resolvido utilizando-se as equa¸c˜oes de movimento de Newton para cada part´ıcula suspensa, e as equa¸c˜oes e Navier-Stokes para a fase gasosa. Entretanto, devido ao grande n´umero de part´ıculas, a quantidade de equa¸c˜oes resultante seria muito grande para permitir uma solu¸c˜ao direta, ao menos nos computadores dispon´ıveis atualmente (NIEUWLAND et al., 1996); assim, a fase particulada ´e tratada como um meio cont´ınuo tamb´em, sujeito `as equa¸c˜oes de conserva¸c˜ao an´alogas ao meio fluido.

As equa¸c˜oes apresentadas a seguir referem-se ao modelo simulado neste tra-balho; mais especificamente, tratam de um escoamento g´as-s´olido, incompress´ıvel1

e turbulento, e com o transporte de energia e de esp´ecies qu´ımicas. As equa¸c˜oes diferenciais foram obtidas para um sistema de coordenadas cartesiano, tridimensional.

3.1.1

Equa¸

oes de Transporte

Quando as equa¸c˜oes de conserva¸c˜ao s˜ao arranjadas para a solu¸c˜ao num´erica, a pr´atica comum ´e dividi-las em trˆes partes: um termo transiente, um termo de fluxo total (incluindo convec¸c˜ao e difus˜ao), e um termo fonte linearizado.

As equa¸c˜oes n˜ao-estacion´arias da continuidade, de momento e de energia para cada uma das fases, gasosa e particulada, s˜ao dadas pelas seguintes express˜oes:

(37)

• equa¸c˜ao da continuidade, para a fase gasosa ∂ ∂t(εgρg) + ∂ ∂x(εgρgvg,x) + ∂ ∂y(εgρgvg,y) + ∂ ∂z(εgρgvg,z) = S ρ g (3.1)

• equa¸c˜ao da continuidade, para a fase particulada ∂ ∂t(εsρs) + ∂ ∂x(εsρsvs,x) + ∂ ∂y(εsρsvs,y) + ∂ ∂z(εsρsvs,z) = S ρ s (3.2)

onde εg ´e a fra¸c˜ao volum´etrica da fase gasosa e εs a da fase particulada; ρ ´e massa

espec´ıfica (em kg/m3), ~v ´e o vetor velocidade (m/s), e Sαρ representa o termo fonte de

massa para cada fase. Esse termo fonte normalmente est´a presente em sistemas nos quais ocorre a transferˆencia de massa entre as fases; mas, como no caso simulado n˜ao foi prevista troca de massa entre a fase gasosa e a fase particulada, estes termos s˜ao nulos:

Sgρ = Ssρ = 0 (3.3)

• equa¸c˜ao de momento na dire¸c˜ao x, para a fase gasosa ∂ ∂t(εgρgvg,x) + X ξ=x,y,z ∂ ∂ξ εgρgvg,xvg,ξ− εgµg ∂vx ∂ξ + ∂vξ ∂x !! = Sg,xm (3.4) Sg,xm = Cgsm(vs,x− vg,x) + εgρggx− ∂pg ∂x (3.5)

• equa¸c˜ao de momento na dire¸c˜ao y, para a fase gasosa ∂ ∂t(εgρgvg,y) + X ξ=x,y,z ∂ ∂ξ εgρgvg,yvg,ξ− εgµg ∂vy ∂ξ + ∂vξ ∂y !! = Sg,ym (3.6)

Sg,ym = Cgsm(vs,y− vg,y) + εgρggy−

∂pg

∂y (3.7)

• equa¸c˜ao de momento na dire¸c˜ao z, para a fase gasosa ∂ ∂t(εgρgvg,z) + X ξ=x,y,z ∂ ∂ξ εgρgvg,zvg,ξ− εgµg ∂vz ∂ξ + ∂vξ ∂z !! = Sg,zm (3.8) Sg,zm = Cgsm(vs,z − vg,z) + εgρggz− ∂pg ∂z (3.9)

(38)

onde µg ´e a viscosidade da fase gasosa, e Sgm representa a gera¸c˜ao de momento na fase

gasosa. No termo fonte s˜ao previstas a transferˆencia de momento entre as fases gasosa e particulada (primeiro termo do lado direito das Equa¸c˜oes 3.5, 3.7 e 3.9), o ‘empuxo’ que incide sobre a fase (segundo termo), e o efeito da press˜ao (´ultimo termo).

O coeficiente Cm

gs, presente no grupo referente `a transferˆencia de momento entre

as fases, ´e o termo de arraste entre as fases gasosa e particulada (ajustado conforme os modelos da Se¸c˜ao 3.1.6). A resolu¸c˜ao num´erica destas equa¸c˜oes ´e feita com a maior cautela, usando rotinas num´ericas pr´oprias para isto (IPSA-C, SINCE, PEA), pois vari´aveis de fases diferentes ficam fortemente acopladas entre si – como a velocidades, onde o campo de uma fase depende da outra fase, e vice versa, influenciando no resultado dos c´alculos seguintes.

Equa¸c˜oes an´alogas podem ser escritas para a fase particulada; por´em, a press˜ao para a fase s´olida ´e ajustada de forma diferente:

• equa¸c˜ao de momento na dire¸c˜ao x, para a fase particulada ∂ ∂t(εsρsvs,x) + X ξ=x,y,z ∂ ∂ξ εsρsvs,xvs,ξ − εsµs ∂vx ∂ξ + ∂vξ ∂x !! = Ss,xm (3.10) Ss,xm = Cgsm(vg,x− vs,x) + εsρsgx− G ∂εs ∂x (3.11)

onde o terceiro termo do lado direito da Equa¸c˜ao 3.11 ´e um modelo simples para o ajuste da press˜ao de s´olidos, pr´opria para o caso de leitos fluidizados; G, o m´odulo de elasticidade, ´e dado por

G = exp(24, 18(ε− 0, 50)) (3.12)

• equa¸c˜ao de momento na dire¸c˜ao y, para a fase particulada ∂ ∂t(εsρsvs,y) + X ξ=x,y,z ∂ ∂ξ εsρsvs,yvs,ξ− εsµs ∂vy ∂ξ + ∂vξ ∂y !! = Ss,ym (3.13) Sm

s,y = Cgsm(vg,y− vs,y) + εsρsgy− G

∂εs

∂y (3.14)

(39)

∂ ∂t(εsρsvs,z) + X ξ=x,y,z ∂ ∂ξ εsρsvs,zvs,ξ− εsµs ∂vz ∂ξ + ∂vξ ∂z !! = Ss,zm (3.15) Ss,zm = Cgsm(vg,z− vs,z) + εsρsgz− G ∂εs ∂z (3.16) com Sm

s sendo a fonte de momento na fase particulada.

As equa¸c˜oes de conserva¸c˜ao das esp´ecies qu´ımicas tˆem a seguinte forma: • equa¸c˜ao de conserva¸c˜ao de esp´ecie qu´ımica para a fase gasosa

∂ ∂t(εgρgcg,i) + X ξ=x,y,z ∂ ∂ξ εgρgcg,ivg,ξ− εgΓg ∂cg,i ∂ξ !! = Sgi (3.17)

onde o ´ındice i representa as esp´ecies gas´oleo, gasolina, g´as e coque; por´em, o coque, diferentemente das demais esp´ecies formadas na fase gasosa, ´e formado exclusivamente sobre as part´ıculas s´olidas de catalisador:

• equa¸c˜ao de conserva¸c˜ao de coque, na fase particulada ∂ ∂t(εsρscs,coque) + X ξ=x,y,z ∂ ∂ξ εsρscs,coquevs,ξ − εsΓs ∂cs,coque ∂ξ !! = Sscoque (3.18)

A quantidade de cada esp´ecie qu´ımica gerada ou consumida ´e prevista segundo um modelo cin´etico de 4 lumps, apresentado na Se¸c˜ao 3.1.3. O termo fonte Si,

Si g = εgρg X r ∂cr ∂t (3.19)

sendo que estas diferenciais s˜ao definidas nas Equa¸c˜oes 3.40 e 3.41.

J´a as equa¸c˜oes de conserva¸c˜ao de energia (calor) s˜ao escritas como: • equa¸c˜ao de conserva¸c˜ao de energia para a fase gasosa

∂ ∂t(εgρgHg) + X ξ=x,y,z ∂ ∂ξ εgρgHgvg,ξ− εg γg cp ∂Tg ∂ξ !! = SgH (3.20)

(40)

∂ ∂t(εsρsHs) + X ξ=x,y,z ∂ ∂ξ εsρsHsvs,ξ− εs γs cp ∂Ts ∂ξ !! = SsH (3.21)

onde H ´e a entalpia, T a temperatura da fase, e γ a sua condutividade t´ermica. No modelo simulado, ocorre gera¸c˜ao e consumo de calor conforme as mol´eculas de gas´oleo s˜ao craqueadas, e h´a a transferˆencia de energia de uma fase de temperatura mais elevada para outra: SgH = εgρg X r ∆Hr ∂cr ∂t + C h gs(Ts− Tg) (3.22) onde Ch

gs ´e o termo de transferˆencia de energia entre as fases gasosa e particulada; o

calor gerado devido `as rea¸c˜oes qu´ımicas (primeiro termo da Equa¸c˜ao 3.22) ´e a soma do calor de rea¸c˜ao (∆Hr) de cada uma das rea¸c˜oes.

3.1.2

Turbulˆ

encia

Na pr´atica, como o riser permanece sob condi¸c˜oes de fluxo turbulentas, ´e necess´ario usar modelos turbulentos apropriados para descrever os efeitos da flutua¸c˜ao turbulenta. A modelagem da turbulˆencia em escoamentos, atualmente, ainda demanda muita pesquisa para o aprimoramento dos modelos existentes; a pr´atica comum para obter equa¸c˜oes de conserva¸c˜ao v´alidas para escoamentos turbulentos tˆem sido a aplica¸c˜ao de uma m´edia de Reynolds sobre as equa¸c˜oes de transporte b´asicas.

O procedimento de m´edia de Reynolds pode ser ilustrado tomando-se a equa¸c˜ao de transporte para uma quantidade conservativa φ:

∂ ∂t(εgρgφg) + X ξ=x,y,z ∂ ∂ξ εgρgφgvg,ξ− εgΓ φ g ∂φg ∂ξ !! = Sgφ (3.23) onde Γφ

g representa a difusividade da quantidade φ na fase gasosa. Decompondo o valor

de φ num escoamento turbulento na soma de um valor m´edio φ com uma parte flutuante φ0:

φ = φ + φ0 (3.24)

e aplicando esta defini¸c˜ao2 na Equa¸c˜ao 3.23 resulta em:

∂ ∂t(εgρgφg) + X ξ=x,y,z ∂ ∂ξ εg(ρgφgvg,ξ+ ρgφ0gvg,ξ0 )− εgΓ φ g ∂φg ∂ξ !! = Sgφ (3.25)

2as propriedades alg´ebricas para φ, quando uma m´edia ´e aplicada, s˜ao:

(41)

onde vg,ξ´e a velocidade m´edia, e vg,ξ0 ´e a diferen¸ca entre a velocidade m´edia e a velocidade

real, numa dire¸c˜ao ξ (sendo que ξ representa dire¸c˜oes ao longo dos eixos x, y ou z). Quando resolve-se uma equa¸c˜ao como a Equa¸c˜ao 3.23, normalmente s˜ao uti-lizados valores m´edios para a vari´avel φ. Isto ´e v´alido para escoamentos laminares, mas n˜ao se aplica a escoamentos turbulentos, uma vez que h´a um termo presente na Equa¸c˜ao 3.25 que n˜ao possui equivalˆencia na Equa¸c˜ao 3.25; este termo ´e chamado de fluxo turbulento escalar:

ρgvg,ξ0 φ0g (ξ = x, y, z) (3.26)

onde v0

ξ ´e a diferen¸ca entre a velocidade m´edia e a real em uma dire¸c˜ao ξ.

Utilizando-se estes conceitos sobre as equa¸c˜oes de transporte de momento (Equa¸c˜oes 3.4, 3.6, 3.8, 3.10, 3.13 e 3.15), encontra-se que estas diferem das equa¸c˜oes de transporte de momento turbulento por um termo, chamado de tensor de Reynolds:

ρgvg,ξ0 vg,ζ0 (ξ = x, y, z; ζ = x, y, z) (3.27)

Nestes termos encontra-se o problema fundamental para a modelagem da tur-bulˆencia: para calcular todas as propriedades m´edias do escoamento turbulento em considera¸c˜ao, precisa-se de uma f´ormula para obter ~v0

g~vg0.

Assumindo que o efeito da turbulˆencia possa ser representado como um au-mento na difusividade, esta resultaria da soma de uma difusividade laminar (Γl) e uma

difusividade turbulenta (Γt):

Γ = Γl+ Γt (3.28)

e

µ = µl+ µt (3.29)

onde µl ´e a viscosidade laminar e µt ´e a viscosidade turbulenta. Os termos turbulentos

podem ser ent˜ao modelados, definindo − ρv0 g,ξφ0 = Γt ∂φ ∂ξ (ξ = x, y, z) (3.30) const.φ = const.φ φφ = φφ + φ0φ0 ∂φ ∂x = ∂φ ∂x

(42)

−ρv0 ξvζ0 = µt ∂vξ ∂ζ + ∂vζ ∂ξ ! (ξ = x, y, z; ζ = x, y, z) (3.31)

Se a energia cin´etica turbulenta k ´e dada por k = 1

2(v0xvx0 + vy0v0y+ vz0vz0) (3.32) por an´alise dimensional, chega-se a uma express˜ao para a viscosidade turbulenta:

µt = const.ρ√2k` (3.33)

onde uma escala de velocidade (√k) e outra de comprimento (`) s˜ao necess´arias; assim, um modelo baseado em duas equa¸c˜oes ´e utilizado.

Uma equa¸c˜ao para a energia cin´etica turbulenta determina a escala de veloci-dade: ∂ ∂t(εgρgk) + X ξ=x,y,z ∂ ∂ξ εgρgvg,ξk− µ l+ µt σk ! ∂ ∂ξ(εgρgk) ! = ρPk− εgρg (3.34)

onde σk ´e uma constante, e

Pk = µt X ξ=x,y,z ∂vg,ζ ∂ξ + ∂vg,ξ ∂ζ ! ∂vg,ξ ∂ξ (ζ = x, y, z) (3.35)

Assumindo que a produ¸c˜ao (Pk) e a dissipa¸c˜ao () de turbulˆencia est˜ao pr´oximos

do equil´ıbrio, ent˜ao , k e ` est˜ao relacionados por

 = k

2/3

` (3.36)

e a equa¸c˜ao para a dissipa¸c˜ao ´e escrita como ∂ ∂t(εgρg) + X ξ=x,y,z ∂ ∂ξ εgρgvg,ξ− µt σ ∂ ∂ξ(εgρg) ! = C1Pk  k − εgρgC2 2 k (3.37) onde σ, C1 e C2 s˜ao constantes. A viscosidade turbulenta ´e expressa como

µt = Cµρ

k` = ρCµ

k2

 (3.38)

(43)

Este ´e o chamado modelo k-, e os valores mais usados para os seus cinco parˆametros s˜ao:

Cµ= 0, 09; C1= 1, 44; C2= 1, 92; σk= 1, 0; σ = 1, 3 (3.39)

Note que o modelo k−, embora seja muito usado, cont´em certas limita¸c˜oes importantes (WILCOX, 1993). Elas s˜ao devidas, principalmente, ao fato de que a Equa¸c˜ao 3.31 ´e apenas uma suposi¸c˜ao, e que a opera¸c˜ao de m´edia de Reynolds ´e uma forte simplifica¸c˜ao que perde muitas das informa¸c˜oes contidas na equa¸c˜ao de Navier-Stokes.

3.1.3

Cin´

etica de Rea¸

oes Qu´ımicas

No craqueamento catal´ıtico de ´oleos pesados, diversas rea¸c˜oes ocorrem simultaneamente para cada esp´ecie qu´ımica presente.

Os modelos matem´aticos para estas rea¸c˜oes qu´ımicas cont´em muitas vari´aveis, que descrevem a evolu¸c˜ao da concentra¸c˜ao das esp´ecies qu´ımicas ao longo do tempo. Um caminho poss´ıvel para reduzir o n´umero de vari´aveis ´e chamado de “lumping”. Esta t´ecnica consiste em agrupar vari´aveis segundo uma fun¸c˜ao linear ou n˜ao linear.

O uso de lumps na descri¸c˜ao das rea¸c˜oes de craqueamento representa um meio ´

util para rastrear as principais caracter´ısticas do sistema. Muitas das tentativas de modelagem de FCC usavam um esquema de 3 lumps (ALI e ROHANI, 1997); o esquema aqui utilizado tem a vantagem de tratar o coque e os gases em grupos separados.

O modelo cin´etico de “4 lumps” (ALI e ROHANI, 1997) classifica as fra¸c˜oes de hidrocarbonetos em quatro grupo distintos, conforme ilustrado na Figura 3.1, com apenas dois destes grupos sofrendo craqueamento. Os compostos s˜ao divididos em:

• ´oleo de alimenta¸c˜ao (gas´oleo), com alto ponto de ebuli¸c˜ao;

• compostos com ponto de ebuli¸c˜ao mais baixo, designados como gasolina; • gases, que incluem vapores de ´oleo com n´umero de carbonos C5 e menos;

• coque, que ´e um subproduto das rea¸c˜oes.

As rea¸c˜oes de craqueamento incluem as que convertem o ´oleo alimentado em gasolina, gases e coque, e as que convertem gasolina em g´as seco e coque. As taxas de

(44)

gas´oleo coque gasolina gas  3 -Q QQs ? Q QQs

Figura 3.1: cin´etica de 4 lumps

rea¸c˜ao para o craqueamento de gas´oleo s˜ao ajustadas como rea¸c˜oes de segunda ordem, devido a uma mudan¸ca consider´avel na reatividade quando a composi¸c˜ao do ´oleo ´e alterada (resultando num aparente aumento da ordem das rea¸c˜oes):

∂cr

∂t =−krεsc

2

gasoleoϕ (3.40)

onde o ´ındice r refere-se `as rea¸c˜oes gasoleo → gasolina, gasoleo → gas e gasoleo → coque; as rea¸c˜oes de craqueamento de mol´eculas de gasolina s˜ao modeladas como de primeira ordem (CHANG et al., 1997):

∂cr

∂t =−krεscgasolinaϕ (3.41)

e, nestas, o ´ındice r indica as rea¸c˜oes gasolina→ gas e gasolina → coque.

Nas Equa¸c˜oes 3.40 e 3.41, o coeficiente ϕ representa uma fun¸c˜ao de decaimento da atividade do catalisador. O parˆametro kreacao ´e a constante da taxa de rea¸c˜ao, e ´e

uma fun¸c˜ao da temperatura segundo uma equa¸c˜ao de Ahrrenius k = k0exp(−E/(RT ))

onde E ´e a energia de ativa¸c˜ao da rea¸c˜ao. Estas constantes cin´eticas s˜ao dadas na Tabela 3.1. A presen¸ca de εs na avalia¸c˜ao das taxas de rea¸c˜ao justifica-se para a

consi-dera¸c˜ao da influˆencia do catalisador dispon´ıvel sobre a velocidade de gera¸c˜ao/consumo de esp´ecies qu´ımicas (com pouca quantidade de catalisador, o craqueamento seria invi´avel).

Associadas a estas rea¸c˜oes, h´a a gera¸c˜ao ou o consumo de energia, devido `as rea¸c˜oes serem exot´ermicas ou endot´ermicas. Calores t´ıpicos para algumas rea¸c˜oes gerais, que s˜ao utilizados em alguns modelos cin´eticos, s˜ao dados na Tabela 3.2. No balan¸co global de energia para o riser, tˆem-se que o craqueamento ´e predominantemente endot´ermico, com a diminui¸c˜ao da entalpia dos fluidos em parte devido ao avan¸co das

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