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Estudo de sistemas magnéticos desordenados via modelos clássicos de spins por meio de técnicas analíticas

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Academic year: 2021

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(1)UFS. Centro de Ciˆencias Exatas e da Terra Departamento de F´ısica N´ucleo de P´os-Graduac¸a˜ o em F´ısica (NPGFI). Estudo de sistemas magn´eticos desordenados via modelos cl´assicos de spins por meio de t´ecnicas anal´ıticas Augusto dos Santos Freitas Orientador: Prof. Douglas Ferreira de Albuquerque. S˜ao Crist´ov˜ao, Sergipe, Brasil. 2014..

(2) Augusto dos Santos Freitas. Estudo de sistemas magn´eticos desordenados via modelos cl´assicos de spins por meio de t´ecnicas anal´ıticas Tese apresentada ao N´ucleo de P´os-graduac¸a˜ o em F´ısica da Universidade Federal de Sergipe como requisito parcial para a obtenc¸a˜ o do t´ıtulo de doutor em F´ısica.. Orientador: Prof. Douglas F. de Albuquerque. 2014.

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(4) Agradecimentos. Ao suporte financeiro parcial fornecido pela Capes. Ao professor Douglas pela orientac¸a˜ o. Aos membros da banca examinadora pela an´alise cr´ıtica e sugest˜oes que melhoraram significativamente este trabalho. Aos diversos professores, colegas e amigos que, de alguma forma, ajudaram nas discuss˜oes sobre diversos temas relevantes associados a este trabalho, al´em da secretaria do NPGFI na ´ figura do Alvaro. ` H´estia, pelo apoio, companheirismo e incentivo. A Aos meus familiares, em especial a` minha m˜ae, Maria de Fatima, e a` minha av´o materna, Helena, por terem feito muito mais do que poderiam para que eu viesse a ter oportunidades que muitos em nosso pa´ıs n˜ao conseguem alcanc¸ar..

(5) Resumo Neste trabalho, s˜ao estudadas as propriedades magn´eticas de modelos cl´assicos de spins, a saber os modelos de Ising de spin 2 com diluic¸a˜ o por s´ıtios e de spin 1/2 com interac¸o˜ es mistas, por meio da Teoria de Campo Efetivo (EFT), com aplicac¸o˜ es a` descric¸a˜ o das propriedades magn´eticas de ligas Fe-Al, Fe-Mn e Fe-Mn-Al. Para tanto, foi obtida a identidade de Van der Waerden para um valor gen´erico de spin S, para ser utilizada na descric¸a˜ o do modelo de Ising de spin 2, e foram utilizadas express˜oes fenomenol´ogicas para a descric¸a˜ o da dependˆencia da interac¸a˜ o de troca, relativamente a` concentrac¸a˜ o de a´ tomos de alum´ınio e manganˆes, para o estudo das propriedades das ligas consideradas. Os resultados obtidos indicam que os modelos cl´assicos utilizados, aliados a` EFT, s˜ao alternativas vi´aveis para a descric¸a˜ o f´ısica de sistemas magn´eticos reais. S˜ao descritos os comportamentos da magnetizac¸a˜ o versus temperatura, temperatura cr´ıtica como func¸a˜ o da concentrac¸a˜ o de a´ tomos de alum´ınio e interac¸a˜ o de troca como func¸a˜ o da concentrac¸a˜ o de a´ tomos de alum´ınio, para as ligas Fe-Al. No caso do comportamento da magnetizac¸a˜ o, os resultados para o modelo de spin 2 com diluic¸a˜ o por s´ıtios s˜ao qualitativamente idˆenticos aos do modelo de Ising de spin 1/2, com a diferenc¸a de que os valores obtidos para a magnetizac¸a˜ o por s´ıtio no estado fundamental diferem daqueles obtidos para o modelo de Ising de dois estados. Al´em disso, tal modelo permite uma determinac¸a˜ o mais precisa dos valores da concentrac¸a˜ o cr´ıtica, qc , e da temperatura cr´ıtica, Tc , para q = 0. Para as ligas Fe-Mn, foram descritos os comportamentos da magnetizac¸a˜ o, susceptibilidade a campo nulo como func¸a˜ o da temperatura, temperatura cr´ıtica versus concentrac¸a˜ o de a´ tomos de manganˆes e campo hiperfino m´edio como func¸a˜ o da concentrac¸a˜ o de a´ tomos de manganˆes. No caso das ligas Fe-Mn-Al, foram estudadas a magnetizac¸a˜ o como func¸a˜ o da temperatura, magnetizac¸a˜ o como func¸a˜ o da concentrac¸a˜ o de a´ tomos de manganˆes, temperatura cr´ıtica versus concentrac¸a˜ o de a´ tomos de ferro e campo hiperfino m´edio como func¸a˜ o da concentrac¸a˜ o de a´ tomos de alum´ınio. Neste trabalho, mostra-se que a EFT, aliada a` T´ecnica do Operador Diferencial, n˜ao e´ somente uma t´ecnica robusta para a descric¸a˜ o das propriedades termodinˆamicas de modelos cl´assicos de spins como tamb´em pode ser amplamente aplicada para obtenc¸a˜ o de diagramas de fase de sistemas magn´eticos reais, com grande vantagem de custo computacional em comparac¸a˜ o com outras t´ecnicas. Todos os diagramas de fase aqui descritos foram obtidos por meio da resoluc¸a˜ o num´erica das equac¸o˜ es oriundas das aproximac¸o˜ es feitas por meio da EFT. Ao final, s˜ao descritas perspectivas de utilizac¸a˜ o de outros modelos, bem como de outras t´ecnicas anal´ıticas, para a descric¸a˜ o de sistemas magn´eticos desordenados..

(6) Abstract In this work, we study the magnetic properties of classical spin models, namely spin-2 Ising model with site dilution and mixed-bond spin 1/2 Ising model by means of the Effective Field Theory (EFT), with applications to describe of the magnetic properties of Fe-Al, Fe-Mn and Fe-Mn-Al alloys. In here, we obtain the van der Waerden identity for a generic spin value S, for example, to be used in the description of spin-2 Ising model and expressions were used to phenomenological description of the dependence of exchange interaction on the concentration of aluminum and manganese atoms. Behavior of magnetization versus temperature, critical temperature as a function of the concentration of aluminum atoms and exchange interaction as a function of the concentration of aluminum atoms to the Fe-Al alloys were studied. Furthermore, this model allows for a more accurate determination of the critical values qc and Tc for q = 0. For the Fe-Mn alloys were described the M (T ), zero field susceptibility as a function of temperature, critical temperature versus manganese concentration and average hyperfine field as a function of the manganese concentration. For the Fe-Mn-Al alloys, the magnetization as a function of temperature, magnetization as a function of the manganese concentration, critical temperature versus iron concentration and average hyperfine field as a function of the aluminum concentration were studied. It is shown that the EFT technique is not only a robust technique for the description of the thermodynamic properties of classical spin models and can also be widely applied to obtain phase diagrams of real magnetic systems, with the advantage of reduced computational cost compared to the other techniques. All phase diagrams described in this work were obtained through the numerical solution of the equations arising from the approximations made by the EFT approach. Finally, prospects of use of the other models are described, as well as other analytical techniques to the description of frustrated magnetic systems..

(7) Sum´ario. Lista de Tabelas. p. ix. Lista de Figuras. p. x. 1. 2. Introduc¸a˜ o. p. 2. 1.1. Proposta de trabalho . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. p. 2. 1.2. Objetivos gerais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. p. 3. 1.3. Estrutura e organizac¸a˜ o do texto . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. p. 4. Fundamentac¸a˜ o te´orica. p. 6. 2.1. Transic¸o˜ es de fase: Considerac¸o˜ es preliminares . . . . . . . . . . . . . . . .. p. 6. 2.2. Transic¸a˜ o l´ıquido-g´as . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. p. 6. 2.2.1. Escala de Widom . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. p. 11. 2.3. Teoria de Landau das transic¸o˜ es de fase . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. p. 13. 2.4. Grupo de Renormalizac¸a˜ o . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. p. 18. 2.4.1. Transformac¸a˜ o de grupo de renormalizac¸a˜ o: definic¸a˜ o . . . . . . . .. p. 20. 2.4.2. Teoria de Grupo de Renormalizac¸a˜ o aplicada ao modelo de Ising uni-. 2.5. dimensional . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. p. 21. Modelo de Ising . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. p. 23. Soluc¸a˜ o para o modelo de Ising em uma dimens˜ao . . . . . . . . . .. p. 26. Teoria de Campo Efetivo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. p. 29. 2.6.1. Considerac¸o˜ es Gerais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. p. 29. 2.6.2. T´ecnica do Operador Diferencial e EFT para aglomerados com 1 spin. p. 31. 2.5.1 2.6.

(8) 2.6.3 2.7. EFT para aglomerados com dois spins . . . . . . . . . . . . . . . . .. p. 36. Desordem magn´etica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. p. 38. 3. Estado da arte. p. 43. 4. Metodologia. p. 47. 5. Modelo de Ising de spin 2 com aplicac¸o˜ es. p. 48. 5.1. Modelo de Ising de spin 2 com diluic¸a˜ o por s´ıtios . . . . . . . . . . . . . . .. 5.2. Identidade de Van der Waerden para sistemas envolvendo um valor de spin S. 5.3. 5.4 6. gen´erico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. p. 51. Diagramas de magnetizac¸a˜ o . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. p. 53. 5.3.1. C´alculo da magnetizac¸a˜ o por s´ıtio . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. p. 54. 5.3.2. Diagrama M -T . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. p. 58. Aplicac¸a˜ o do modelo ao estudo do diagrama T -q de ligas Fe(1−q) Alq . . . . .. p. 59. Modelo de Ising com ligac¸o˜ es mistas e aplicac¸o˜ es. p. 65. 6.1. Modelo de Ising de spin 1/2 com ligac¸o˜ es mistas . . . . . . . . . . . . . . .. p. 65. 6.2. Aplicac¸a˜ o do modelo ao estudo das ligas Fe-Mn . . . . . . . . . . . . . . . .. p. 69. 6.2.1. Introduc¸a˜ o . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. p. 69. 6.2.2. Resultados . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. p. 70. Aplicac¸a˜ o do modelo ao estudo das ligas Fe-Mn-Al . . . . . . . . . . . . . .. p. 76. 6.3.1. Introduc¸a˜ o . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. p. 76. 6.3.2. Resultados . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. p. 77. 6.3. 7. p. 48. Considerac¸o˜ es finais e perspectivas futuras. p. 83. Referˆencias. p. 86. Apˆendice A -- Artigos publicados. p. 91.

(9) Apˆendice B -- Alguns coeficientes para o modelo de Ising de spin 2 puro em uma rede bcc. p. 92. Apˆendice C -- Alguns coeficientes para o modelo de Ising de spin 2 com diluic¸a˜ o por s´ıtios em uma rede bcc. p. 94. Apˆendice D -- Coeficientes para o modelo de Ising de spin 1/2 com ligac¸o˜ es mistas aplicado a uma rede bcc. p. 96.

(10) Lista de Tabelas 2.1. Expoentes cr´ıticos de grandezas tais como o calor espec´ıfico (C), susceptibilidade (χ), magnetizac¸a˜ o (m) e comprimento de correlac¸a˜ o (ξ), todas func¸o˜ es da temperatura reduzida τ = |T − Tc |/Tc . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 2.2. Valores experimentais de expoentes cr´ıticos para algumas substˆancias puras. Fonte: (OLIVEIRA, 2005). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 2.3. p. 9. p. 9. Valores experimentais de expoentes cr´ıticos para algumas substˆancias puras (Fonte: (OLIVEIRA, 2005)) em comparac¸a˜ o com aqueles obtidos por meio da Teoria de Landau. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 2.4. p. 17. Comparac¸a˜ o entre os valores da temperatura cr´ıtica reduzida, kB Tc /J, obtidos para redes diversas via EFT-2. Fonte dos dados (FITTIPALDI, 1994; ALBUQUERQUE; FITTIPALDI,. 1994; DIAS, 2009) e referˆencias dentro desses. textos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2.5. p. 38. Concentrac¸a˜ o cr´ıtica para sistemas dilu´ıdos por s´ıtios, psc , e ligac¸o˜ es, plc , para variadas estruturas de redes. Fonte: (ALBUQUERQUE, 1996; STAUFFER; AHARONY,. 5.1. 1985). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. p. 42. Comparac¸a˜ o entre os valores da temperatura cr´ıtica, Tc , para Ising com spin S = 2, obtidos para redes diversas atrav´es da soluc¸a˜ o expl´ıcita das equac¸o˜ es envolvendo os momentos hh(Siz )n ii por duas t´ecnicas, a saber, a utilizada neste trabalho (FREITAS et al., 2013; ERTAS¸; DEVIREN; KESKIN, 2012), a utilizada por Kaneyoshi, Tucker e Jascur (1992) e campo m´edio (MFA) (BAHMAD L. AND. BENYOUSSEF; KENZ,. 2007; YGIT; ALBAYRAK, 2012). *N˜ao foram. encontradas referˆencias para spin S = 2, via MFA, com esse n´umero de coordenac¸a˜ o. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. p. 57.

(11) Lista de Figuras 2.1. Diagrama p-v mostrando o comportamento de um g´as real para valores fixos da temperatura T (isotermas). Percebe-se comportamentos distintos da curva p-v em temperaturas maiores, iguais ou menores que a temperatura cr´ıtica, Tc .. p. 7. 2.2. Diagrama p-v para valores baixos de T , a saber T, Tc . . . . . . . . . . . . . .. p. 8. 2.3. Diagrama p-v que ilustra a chamada Construc¸a˜ o de Maxwell. . . . . . . . . .. p. 11. 2.4. Energia livre (densidade de energia livre) como func¸a˜ o do parˆametro de ordem, no caso do ferromagneto de Ising. A quebra espontˆanea de simetria caracteriza-se pela existˆencia de um parˆametro de ordem n˜ao nulo abaixo de certa temperatura Tc . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. p. 17. 2.5. Representac¸a˜ o dos blocos de spins numa rede quadrada. . . . . . . . . . . . .. p. 18. 2.6. Representac¸a˜ o em duas dimens˜oes de N spins interagentes. As propriedades f´ısicas dos spins do aglomerado Ω s˜ao descritas por meio da hamiltoniana HΩ . p. 29. 2.7. clusters com dois spins para quatro tipos diferentes de redes: a) rede kagom´e, z = 4; a’) rede quadrada, z = 4; b) rede triangular, z = 6; b’) rede c´ubica simples, z = 6. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 2.8. Representac¸a˜ o idealizada de duas configurac¸o˜ es ordenadas de spins numa rede regular, na qual os mesmos assumem uma s´o direc¸a˜ o espacial. . . . . . .. 2.9. p. 37. p. 39. Variac¸a˜ o da magnetizac¸a˜ o reduzida como func¸a˜ o da temperatura a campo magn´etico nulo. Observa-se que a magnetizac¸a˜ o mant´em-se aproximadamente constante, caindo abruptamente a zero nas proximidades da temperatura cr´ıtica, Tc . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 5.1. p. 41. Variac¸a˜ o da magnetizac¸a˜ o em func¸a˜ o da temperatura a campo magn´etico nulo. Pode-se observar comportamento qualitativamente an´alogo ao modelo de Ising de spin 1/2 e o fato de que M → 2 quando kB T /J → 0 como e´ de se esperar para um modelo de spin 2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. p. 58.

(12) 5.2. Diagrama T -q convencional para o modelo de Ising de spin S = 2 com diluic¸a˜ o por s´ıtios trac¸ado para redes quadrada e c´ubica simples. Observa-se do gr´afico da figura acima a variac¸a˜ o praticamente linear de T com q para q < 0.2, resultado esse em clara discordˆancia com o obtido experimentalmente para ligas Fe-Al (ver Figura 5.4). O procedimento para elaborac¸a˜ o desses diagramas e´ idˆentico ao realizado na Sec¸a˜ o 5.3.1: a u´ nica diferenc¸a e´ o n´umero de vizinhos mais pr´oximos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 5.3. p. 61. Gr´afico da interac¸a˜ o de troca como func¸a˜ o da concentrac¸a˜ o de a´ tomos de alum´ınio (vacˆancias na rede de spins). Nota-se que, na regi˜ao anˆomala, 0 < q < 0.2, h´a um aumento de J/J0 com relac¸a˜ o a` concentrac¸a˜ o q. . . . . . . .. 5.4. p. 63. Diagrama T -q a campo nulo das liga Fe-Al desordenadas. A linha cheia resulta no ajuste feito via EFT-1, Equac¸o˜ es (5.27) e (5.32), e separa as fases ferromagn´etica e paramagn´etica. Os dados experimentais s˜ao do trabalho de Yelsukov, Voronina e Barinov (1992). As linhas pontilhada e tracejada resultam de ajustes feitos pelos trabalhos de Alc´azar, Plascak e Silva (1986) e Dias, Sousa e Plascak (2009), respectivamente. . . . . . . . . . . . . . . .. 6.1. p. 64. Magnetizac¸a˜ o por s´ıtio em func¸a˜ o da temperatura, para v´arias concentrac¸o˜ es de Mn em ligas Fe-Mn. Pode-se observar que, no intervalo considerado, 0 ≤ q ≤ 0.2, a magnetizac¸a˜ o em tais ligas e´ praticamente constante (e m´axima) em temperatura ambiente. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. p. 72. 6.2. Susceptibilidade em func¸a˜ o da temperatura na abordagem da EFT 1. . . . . .. p. 73. 6.3. Diagrama de fases das ligas α-Fe-Mn. a) Ajuste feito no presente trabalho, Equac¸a˜ o (6.14). d) Representa a Equac¸a˜ o (6.14) com γ = λ. c) Linha Tc (q) com γ  λ (γ/λ = 0.01). b) S˜ao os dados experimentais. . . . . . . . . . .. 6.4. p. 74. Campo hiperfino como func¸a˜ o da concentrac¸a˜ o de a´ tomos de Mn em ligas α-Fe-Mn, em T ambiente. Pode-se ver um comportamento um pouco diferente da magnetizac¸a˜ o, pois h´a um decr´escimo praticamente linear de H at´e q ≈ 0.15 (15 % Mn), o que indica que a presenc¸a de a´ tomos de Mn afeta o ordenamento ferromagn´etico da liga. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. p. 75.

(13) 6.5. Magnetizac¸a˜ o por s´ıtio em func¸a˜ o da temperatura, para v´arias concentrac¸o˜ es de Fe em ligas Fep Mnx Alq , com x = 0, 7 − p e q = 0, 3. Observa-se que, acima de 45 % de a´ tomo de Fe na liga, h´a ordenamento em temperatura ambiente. O comportamento da curva M − T , para p = 0.4, distoa das demais e indica a possibilidade de existˆencia de uma fase v´ıtrea em baixas temperaturas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 6.6. p. 78. Magnetizac¸a˜ o por s´ıtio como func¸a˜ o da concentrac¸a˜ o de a´ tomos de Mn. Percebese que n˜ao h´a grande variac¸a˜ o da concentrac¸a˜ o xc acima da qual M vai a zero, mesmo em um relativamente grande intervalo de T (15 K < T < 300 K), resultado que concorda com os trabalhos de Zamora et al. (1997). . . . . . . .. 6.7. p. 79. Diagrama de fases temperatura cr´ıtica versus concentrac¸a˜ o p em ligas Fep Mnx Alq , com q = 0, 3 e x = 0, 7−p. Observa-se boa concordˆancia teoria-experimento em todo o intervalo de p considerado. O comportamento da curva T − p dessas ligas tern´arias e´ convencional e n˜ao apresenta anomalias como no caso das ligas Fe-Al. Fonte dos dados experimentais: (ZAMORA et al., 1997). . . . .. 6.8. p. 80. Campo hiperfino m´edio como func¸a˜ o da concentrac¸a˜ o de a´ tomos de Al, em temperatura ambiente e com x = 0.1. A variac¸a˜ o de H se assemelha muito a` da magnetizac¸a˜ o. Dados experimentais: (ALCAZAR; PLASCAK; SILVA, 1988). .. p. 81.

(14) 2. 1. Introduc¸a˜ o. 1.1. Proposta de trabalho H´a um n´umero n˜ao muito extenso de trabalhos relacionados a modelos cl´assicos de. spins, com vari´aveis discretas (spins) que assumam mais que dois estados, sendo escassos aqueles em que h´a aplicac¸a˜ o de tais modelos ao estudo de sistemas f´ısicos reais (LARA; DIOSA; LOZANO,. 2013; LARA et al., 2009). Um dos motivos para a escassez de estudos sobre tais sistemas. e´ a dificuldade matem´atica e computacional de lidar com o grande n´umero de equac¸o˜ es resultantes desses modelos (KANEYOSHI; TUCKER; JASCUR, 1992; COSTABILE et al., 2014), problema que, com o avanc¸o computacional surgido nas u´ ltimas d´ecadas, vˆem estimulando os te´oricos da a´ rea a estudar as diversas propriedades e possibilidades de aplicac¸o˜ es. Um dos modelos cujo potencial de aplicac¸a˜ o a diversos tipos de sistemas f´ısicos, com ampla possibilidade de explorac¸a˜ o das suas mais diversas caracter´ısticas, e´ o de Ising com spin S > 1/2 (KANEYOSHI; JASCUR; FITTIPALDI, 1993; FREITAS et al., 2013). H´a alguns trabalhos te´oricos envolvendo o estudo de algumas propriedades termodinˆamicas desses modelos (KANEYOSHI; TUCKER; JASCUR, 1992; KANEYOSHI; JASCUR; FITTIPALDI, 1993; MIR; SABER; TUCKER,. 1994; KANEYOSHI; NAKAMURA; SHIN, 1998; NAKAMURA, 2000), por´em n˜ao havia. aplicac¸a˜ o do mesmo a nenhum sistema f´ısico real at´e a descoberta de seu potencial para a descric¸a˜ o do diagrama de fases das ligas Fe-Al desordenadas (ver, por exemplo, Freitas et al. (2013)). A descric¸a˜ o do diagrama de fases das ligas Fe1−q Alq e´ problem´atica por duas quest˜oes principais: 1. Os diversos modelos de spins utilizados para descrever os dados experimentais na regi˜ao cuja concentrac¸a˜ o q de a´ tomos de alum´ınio e´ inferior a 25 % (q < 0.25) prevˆeem um decr´escimo aproximadamente linear da curva Tc (q), quando o que se obt´em experimentalmente e´ que Tc (q) praticamente n˜ao varia nessa regi˜ao. 2. A concentrac¸a˜ o cr´ıtica, qc , acima da qual n˜ao h´a ordamento para qualquer valor finito de.

(15) 3. temperatura, obtida experimentalmente, e´ diferente daquela prevista teoricamente para uma rede c´ubica de corpo centrado, bcc (do inglˆes, body centered cubic) (STAUFFER; AHARONY,. 1985) e n˜ao h´a uma explicac¸a˜ o te´orica para isso nem concordˆancia entre os. modelos utilizados e os dados experimentais. Al´em de tais quest˜oes relativas ao estudo e descric¸a˜ o das propriedades de modelos de spins mais altos e do diagrama de fases das ligas Fe-Al, existem quest˜oes sobre a aplicabilidade de outros tipos de modelos cl´assicos, tais como o Ising de spin 1/2 com ligac¸o˜ es mistas, ao estudo das propriedades magn´eticas de sistemas reais, bem como a capacidade de t´ecnicas anal´ıticas de fornecerem resultados quantitivos aceit´aveis para uma precisa descric¸a˜ o, por exemplo, de diagramas de fases e valores de temperatura cr´ıtica relativos a tais sistemas. Com isso, para demonstrar a viabilidade tanto desses modelos quanto do emprego da Teoria de Campo Efetivo (HONMURA; KANEYOSHI, 1979), diversos diagramas de fase de ligas Fe-Mn e Fe-Mn-Al s˜ao tamb´em objetos de descric¸a˜ o neste trabalho e os resultados indicam que tal t´ecnica ainda pode ser utilizada como alternaiva, quando comparada a outros procedimentos, a exemplo da simulac¸a˜ o Monte Carlo. A partir dessas e de outras quest˜oes, que ser˜ao postas ao longo deste texto, e´ que a utilizac¸a˜ o desses modelos surgiu como possibilidade de, al´em de descrever todo o diagrama de fases das ligas Fe-Al, Fe-Mn e Fe-Mn-Al, responder ao que foi acima levantado. Al´em disso, o estudo de modelos cl´assicos de Ising com S > 1/2, por exemplo, pode trazer luz para o surgimento de diversas outras propriedades e caracter´ısticas antes n˜ao descobertas nos modelos de spins tradicionalmente estudados.. 1.2. Objetivos gerais. Aplicar modelos cl´assicos de spins, tais como o modelo de Ising de spin 2 com diluic¸a˜ o por s´ıtios e de Ising de spin 1/2 com ligac¸o˜ es mistas, ao estudo das propriedades f´ısicas de sistemas magn´eticos reais, tais como as ligas Fe-Al, Fe-Mn e Fe-Mn-Al, utilizando-se a Teoria de Campo Efetivo, por meio da an´alise tanto das equac¸o˜ es resultantes das aproximac¸o˜ es feitas quanto dos diagramas de fase obtidos. Em paralelo, an´alises cr´ıticas s˜ao desenvolvidas no que diz respeito a` s limitac¸o˜ es tanto dos modelos quanto da t´ecnica utilizada. A introduc¸a˜ o do termo de anisotropia de campo cristalino no modelo de Ising de spin S = 2 n˜ao foi feita pois, em trabalho anterior, Dias e Plascak (2011) utilizou o modelo de Ising de spin S > 1/2 com termo de campo cristalino e n˜ao obteve boa concordˆancia com os dados experi-.

(16) 4. mentais do diagrama T -q das ligas Fe-Al, como evidencia o trabalho de Lara, Diosa e Lozano (2013). Esse resultado, a princ´ıpio, desencoraja a utilizac¸a˜ o de tal termo na hamiltoniana do modelo, deixando como proposta de utilizac¸a˜ o em trabalhos futuros para a descric¸a˜ o de outros sistemas magn´eticos.. 1.3. Estrutura e organizac¸a˜ o do texto. No Cap´ıtulo 2, ser´a descrita toda a fundamentac¸a˜ o te´orica necess´aria para a abordagem dos sistemas que ser˜ao objetos da tese, desde uma breve introduc¸a˜ o a` desordem magn´etica, escala de Widom, passando por uma breve descric¸a˜ o da Teoria de Landau para as transic¸o˜ es de fase, breve descric¸a˜ o da Teoria de Grupo de Renormalizac¸a˜ o, do modelo de Ising e sua soluc¸a˜ o em uma dimens˜ao, a descric¸a˜ o da Teoria de Campo Efetivo em seus pormenores e comparac¸o˜ es entre valores obtidos para a temperatura cr´ıtica via Teoria de Campo Efetivo com aglomerados de um e dois spins. No Cap´ıtulo 3 ser´a descrito o estado da arte, com os principais trabalhos publicados sobre o tema, desde os artigos ditos “cl´assicos” at´e trabalhos mais recentes envolvendo o estudo e aplicac¸a˜ o da Teoria de Campo Efetivo a` descric¸a˜ o das propriedades magn´eticas de sistemas f´ısicos. No Cap´ıtulo 4 ser´a descrita toda a metodologia aqui empregada tanto para a obtenc¸a˜ o e resoluc¸a˜ o das equac¸o˜ es resultantes do modelo, quanto para o esboc¸o dos diagramas de fase que foram analisados. No Cap´ıtulo 5, os resultados obtidos por meio do modelo de Ising de spin 2 ser˜ao apresentados: obtenc¸a˜ o da identidade de Van der Waerden para um valor arbitr´ario de spin, equac¸a˜ o exata envolvendo os spins que e´ de fundamental importˆancia para a soluc¸a˜ o aproximada do modelo de Ising via Teoria de Campo Efetivo; descric¸a˜ o das equac¸o˜ es utilizadas para c´alculo da temperatura cr´ıtica como func¸a˜ o da substituic¸a˜ o de ´ıons magn´eticos por ´ıons n˜ao magn´eticos no modelo com diluic¸a˜ o por s´ıtios, e an´alise dos diagramas de fase do modelo aplicado a uma rede c´ubica de corpo centrado e aplicac¸a˜ o do modelo ao estudo do diagrama T − q de ligas Fe-Al. No Cap´ıtulo 6 ser˜ao descritas as propriedades do modelo de Ising de spin 1/2 com ligac¸o˜ es mistas e todas as equac¸o˜ es obtidas ser˜ao aplicadas para o estudo de alguns diagramas de fase das ligas Fe-Mn e Fe-Mn-Al, a exemplo do diagrama de magnetizac¸a˜ o como func¸a˜ o de temperatura, campo hiperfino m´edio como func¸a˜ o da concentrac¸a˜ o de a´ tomos de alum´ınio e transic¸a˜ o ferroparamagn´etica. No Cap´ıtulo 7 ser˜ao apresentadas as considerac¸o˜ es finais e perspectivas para a confecc¸a˜ o de trabalhos futuros, espcialmente visando a utilizac¸a˜ o de outros modelos cl´assicos bem como.

(17) 5. a descric¸a˜ o de outros tipos de sistemas magn´eticos..

(18) 6. 2. Fundamentac¸a˜ o te´orica. 2.1. Transic¸o˜ es de fase: Considerac¸o˜ es preliminares Uma transic¸a˜ o de fase e´ uma mudanc¸a repentina do comportamento das proprieda-. des termodinˆamicas de um sistema f´ısico. Um cl´assico exemplo de transic¸a˜ o de fase e´ a condensac¸a˜ o da a´ gua ou sua mudanc¸a para o estado s´olido (congelamento). V´arios s˜ao os modelos e/ou teorias que podem ser, com maior ou menor precis˜ao, utilizadas para a descric¸a˜ o das transic¸o˜ es de fases em sistemas f´ısicos. Exemplos s˜ao a transic¸a˜ o l´ıquido/g´as em um g´as real, descrita por meio da an´alise da equac¸a˜ o de van der Waals; a teoria de Weiss para a transic¸a˜ o ferro-paramgn´etica; o estudo das propriedades cr´ıticas de modelos como o de Ising; a teoria de Landau para an´alise de transic¸o˜ es cont´ınuas, a Teoria de Grupo de Renormalizac¸a˜ o para descrever os fenˆomenos cr´ıticos e transic¸o˜ es de fase em sistemas f´ısicos em geral, dentre outras. Neste cap´ıtulo, ser˜ao descritas, em linhas gerais, algumas das hip´oteses destinadas a descrever o que acontece num sistema que passa por uma transic¸a˜ o de fase, seja ela cont´ınua (dita de segunda ordem) ou de primeira ordem, em altas ou baixas temperaturas. Tal abordagem ser´a de extrema importˆancia para a descric¸a˜ o das propriedades de sistemas magn´eticos desordenados e, apesar de seu car´ater geral e introdut´orio, n˜ao deixar´a de lado quest˜oes mais profundas relacionadas ao tema em quest˜ao.. 2.2. Transic¸a˜ o l´ıquido-g´as Um g´as real (part´ıculas interagindo) tem um comportamento diferente de um g´as ideal. (part´ıculas livres) e pode ser decrito por meio da equac¸a˜ o de Van der Waals, na forma: p=. a kB T − 2, v−b v. (2.1). em que p (= P/N ) e´ a press˜ao, kB a constante de Boltzmann, T e´ a temperatura absoluta do g´as, v = V /N e´ o volume por part´ıcula, a , b s˜ao constantes e N e´ o n´umero de part´ıculas no.

(19) 7. g´as. A Equac¸a˜ o (2.1) tamb´em, se necess´ario, pode ser escrita em termos da densidade reduzida, ρ = 1/v do g´as em quest˜ao.. Figura 2.1: Diagrama p-v mostrando o comportamento de um g´as real para valores fixos da temperatura T (isotermas). Percebe-se comportamentos distintos da curva p-v em temperaturas maiores, iguais ou menores que a temperatura cr´ıtica, Tc .. A Figura 2.1 mostra um esboc¸o do gr´afico de p versus v para v´arios valores fixos da temperatura T , curvas essas determinadas pela equac¸a˜ o de van der Waals, sendo que tais curvas s˜ao chamadas de isotermas, ou seja s˜ao curvas obtidas para valores fixos de T . A forma de tais isotermas depende do valor da temperatura, de forma que, para valores altos de T , o segundo termo −a/v 2 na Equac¸a˜ o (2.1) pode ser desprezado (REICHL, 1998). Quando T e´ muita baixa, o segundo termo na Equac¸a˜ o (2.1) n˜ao pode ser desprezado, quando comparado ao primeiro, e contribui para determinar a forma da curva p-v e, nesse caso, em certo valor de v, p tem um m´ınimo local. Em valores intermedi´arios de T , o m´ınimo local deixa de existir e a curva torna-se mais plana em determinada regi˜ao de v, como se pode notar no gr´afico da Figura 2.1, sendo que tal ponto pode ser considerado como ponto de inflex˜ao. Nesse ponto deve-se ter: d3 p dp d2 p = 2 = 0, com 6= 0, dv dv dv 3. (2.2). ou seja, o valor de T que satisfaz a Equac¸a˜ o (2.2) e´ a temperatura cr´ıtica T = Tc . Abaixo dessa temperatura, algumas propriedades termodinˆamicas, tais como a densidade, ρ, assumem certo valor diferente de zero, ρ(T ≥ Tc ) = 0, enquanto que em temperaturas T ≥ Tc , a densidade se anula, ρ(T < Tc ) 6= 0. Tal vari´avel, que caracteriza a ordem (ρ 6= 0 ou ρ = 0), e´ conhecida como parˆametro de ordem (STANLEY, 1971; HUANG, 1987; REICHL, 1998), como ser´a visto mais adiante, e o estudo de seu comportamento a` medida em que a temperatura varia pode determinar n˜ao somente o valor da temperatura cr´ıtica bem como o tipo de transic¸a˜ o de fase associada a determinado sistema..

(20) 8. Figura 2.2: Diagrama p-v para valores baixos de T , a saber T, Tc . A curva p-v, quando T < Tc , pode trazer algumas informac¸o˜ es adicionais sobre as propriedades termodinˆamicas do sistema sob considerac¸a˜ o. Do gr´afico da Figura 2.2, entre os pontos B e C, pode-se ver que a derivada dp/dv > 0, sendo esse um ind´ıcio de que ao aplicar uma forc¸a no recipiente que cont´em o g´as (supondo pelo menos uma parede m´ovel) a press˜ao ir´a diminuir. Isso significa, na pr´atica, uma situac¸a˜ o n˜ao observada na natureza: quanto mais se pressiona o g´as no interior do recipiente, mais f´acil se torna pression´a-lo (menor ser´a o gasto de energia), da mesma forma, quanto mais se expande o g´as, mais dif´ıcil ser´a fazˆe-lo retornar ao volume inicial, j´a que, nesse caso, a press˜ao ir´a aumentar. Nesses casos, o g´as ser´a altamente inst´avel e qualquer perturbac¸a˜ o em seu estado de equil´ıbrio poder´a provocar mudanc¸as muito grandes em sua densidade, ou seja, a regi˜ao compreendida entre os pontos B e C no gr´afico da Figura 2.2 e´ inst´avel. O pr´oximo passo e´ estudar o comportamento do g´as na regi˜ao a` esquerda do ponto B, no gr´afico da Figura 2.2. Nesse caso, o valor de |dp/dv| e´ muito grande, o que significa que a compress˜ao do g´as e´ bem mais dif´ıcil, ou seja, necessita-se que uma significativa press˜ao adicional para provocar uma pequena mudanc¸a no volume do sistema: na pr´atica, a substˆancia encontra-se no estado l´ıquido. J´a na regi˜ao a` direita do ponto C, tem-se que v  b e |dp/dv|  1, ou seja pequena variac¸a˜ o de press˜ao provoca uma relativamente grande mudanc¸a no volume do sistema. Este e´ o estado gasoso. O grande problema e´ entender o que acontece quando o sistema encontra-se entre os estados l´ıquido e gasoso, regi˜ao A - B do diagrama, que e´ a regi˜ao de instabilidade do sistema. Um crit´erio para classificac¸a˜ o das transic¸o˜ es envolve a descontinuidade das derivadas da energia livre que, em geral, representam grandezas termodinˆamicas tais como a magnetizac¸a˜ o ou calor espec´ıfico. Este tema ser´a abordado mais adiante quando da descric¸a˜ o da formulac¸a˜ o de Landau para descric¸a˜ o das transic¸o˜ es de fase. A princ´ıpio, se uma transic¸a˜ o envolve calor latente, diz-se que e´ de primeira ordem; caso contr´ario, tem-se uma transic¸a˜ o cont´ınua (ou.

(21) 9. Tabela 2.1: Expoentes cr´ıticos de grandezas tais como o calor espec´ıfico (C), susceptibilidade (χ), magnetizac¸a˜ o (m) e comprimento de correlac¸a˜ o (ξ), todas func¸o˜ es da temperatura reduzida τ = |T − Tc |/Tc . Relac¸a˜ o de escala ∝ τ −α ∝ τ −γ ∝ τβ ∝ τ −ν. Grandeza f´ısica C χ m ξ. Expoente α γ β ν. Tabela 2.2: Valores experimentais de expoentes cr´ıticos para algumas substˆancias puras. Fonte: (OLIVEIRA, 2005). Substˆancia 3 He 4 He Ar O2. α 0,11 0,13 0,13 0,12. β 0,36 0,36 0,34 0,35. γ 1,19 1,18 1,21 1,25. anteriormente chamada de segunda ordem) (HUANG, 1987; REICHL, 1998). As transic¸o˜ es cont´ınuas envolvem a existˆencia de uma temperatura cr´ıtica, Tc , na qual algumas grandezas f´ısicas variam conforme leis de potˆencia ou com base em expoentes cr´ıticos, como consta na Tabela 2.1. Os valores de tais expoentes, em uma determinada dimens˜ao espacial, independem da substˆancia sob considerac¸a˜ o, sendo universais. A Tabela 2.2 mostra valores dos expoentes cr´ıticos para algumas substˆancias. Essa caracter´ıstica permite, inclusive, determinar a que classe de universalidade ou modelo tal sistema f´ısico pertence a depender dos valores dos expoentes cr´ıticos obtidos (STANLEY, 1971). A partir do gr´afico da Figura 2.2, vˆe-se que o sistema em quest˜ao (devido a` presenc¸a de duas soluc¸o˜ es) pode, em uma determinada temperatura, encontrar-se no estado l´ıquido ou no estado gasoso. Essa possibilidade n˜ao implica, entretanto, que a substˆancia sob considerac¸a˜ o, necessariamente, coexista nos dois estados: um pode representar a configurac¸a˜ o mais est´avel (matematicamente, um pode representar um m´ınimo local enquanto que o estado mais est´avel representaria um m´ınimo global). Se dois sistemas est˜ao em equil´ıbrio, isso significa que tˆem a mesma temperatura e press˜ao (REICHL, 1998), por exemplo. Al´em disso, uma condic¸a˜ o que garante o equil´ıbrio de um sistema e´ aquela que relaciona os potenciais qu´ımicos nos estados gasoso e l´ıquido, de forma que: µliq = µgas .. (2.3). Para encontrar, a partir da Equac¸a˜ o (2.3) uma express˜ao para µ = µ(p, T ) pode-se, a.

(22) 10. princ´ıpio, tentar resolvˆe-la a partir de um valor fixo da temperatura e encontrar µ = µ(p) (REICHL, 1998). A energia livre de Gibbs pode ser escrita em termos do potencial qu´ımico da seguinte forma: G(T, p, N ) = µ N.. (2.4). No isoterma, tal como mostrado na Figura 2.2, tem-se que a mudanc¸a infinitesimal do potencial qu´ımico e´ dada pela equac¸a˜ o: dµ =. ∂µ ∂p. ! dp. T. Substituindo-se a Equac¸a˜ o (2.4) na Equac¸a˜ o (2.5), tem-se: ! ! ∂µ ∂G = N. ∂p ∂p N,T. (2.5). (2.6). T. Por´em, utilizando-se as relac¸o˜ es de Maxwell (REICHL, 1998): ! ∂G = V ∂p N,T ! ∂µ N = V. ∂p. (2.7). T. Integrando os dois lados da Equac¸a˜ o (2.7), do valor da press˜ao no estado l´ıquido, pliq , at´e um valor p qualquer, tem-se: p. V (p0 , T ) 0 dp , N pliq Z p V (p0 , T ) 0 µ(p, T ) = µliq + dp , N pliq Z. µ(p, T ) − µliq =. (2.8). em que µliq = µ(pliq , T ). No estado em que coexistem as fases l´ıquida e gasosa, deve-se ter pliq = pgas = p e a integral do lado direito da Equac¸a˜ o (2.8) se anula, pois: Z p Z pliq V (p0 , T ) 0 V (p0 , T ) 0 dp = dp = 0. N N pliq pliq Dessa forma, a Equac¸a˜ o (2.8) leva a` Equac¸a˜ o (2.3), fazendo com que o sistema satisfac¸a a condic¸a˜ o de equil´ıbrio. No diagrama p − v, tal situac¸a˜ o e´ descrita como segue: as duas a´ reas hachuradas, como mostra a Figura 2.3, s˜ao iguais, fazendo com que a press˜ao na linha.

(23) 11. de coexistˆencia entre as fases l´ıquida e gasosa seja a mesma. Essa e´ a chamada Construc¸a˜ o de Maxwell.. Figura 2.3: Diagrama p-v que ilustra a chamada Construc¸a˜ o de Maxwell.. E´ importante salientar que todas as condic¸o˜ es de equil´ıbrio envolvem quantidades intensivas, a saber p, T e µ. Isto significa que em uma situac¸a˜ o em que l´ıquido e g´as est˜ao em equil´ıbrio, ent˜ao deve-se ter um n´umero qualquer Nliq de a´ tomos no estado l´ıquido e um n´umero qualquer Ngas de a´ tomos no estado gasoso. Algumas dessas principais caracter´ısticas das transic¸o˜ es de fase podem ser muito bem explicadas por meio da teoria de Landau para descrever as transic¸o˜ es de fase, como ser´a visto mais adiante. O principal artif´ıcio ou “ingrediente” de tal formulac¸a˜ o e´ a suposic¸a˜ o de que a energia livre do sistema pode ser expandida em s´eries de Taylor como func¸a˜ o de um dado parˆametro de ordem. Esse tipo de expans˜ao permite, como ser´a visto, descrever muito bem transic¸o˜ es cont´ınuas, por´em apresentam limitac¸o˜ es e, por meio dessa teoria, n˜ao se obt´em valores corretos para os expoentes cr´ıticos. Antes ser´a apresentada uma hip´otese, conhecida como Hip´otese da Escala de Widom, que permite que se obtenha expoentes cr´ıticos a partir do comportamento singular de grandezas termodinˆamicas. Grandezas tais como a magnetizac¸a˜ o, na vizinhanc¸a de Tc , obedecem a relac¸o˜ es de escala.. 2.2.1. Escala de Widom Quando ocorre uma transic¸a˜ o de fase, algumas grandezas termodinˆamicas apresentam. comportamento singular, ou seja, tais grandezas, a exemplo da susceptibilidade, divergem em T = Tc , obedecendo a leis de potˆencia que s˜ao caracterizadas por meio de expoentes cr´ıticos, a exemplo dos mostrados na Tabela 2.1. Resultados experimentais sugerem que os v´arios expoentes cr´ıticos n˜ao s˜ao independentes, mas obedecem a certos v´ınculos, tal como o que relaciona.

(24) 12. os expoentes da susceptibilidade, γ, magnetizac¸a˜ o, β, e calor espec´ıfico, α. Esse v´ınculo e´ chamado de Identidade de Rushbrooke (REICHL, 1998): γ + 2β = 2 − α.. (2.9). Uma proposta fenomenol´ogica para explicar tais v´ınculos foi feita por Ben Widom (vencedor da Medalha Boltzmann em 1998) em 1965. Sua hip´otese consiste em admitir que a energia livre por unidade de volume, f , pode ser escrita em forma de escala: f (, H) = ||2−α f (H/∆ ),. (2.10). em que  ≡ (T − Tc )/Tc , H e´ o campo magn´etico e ∆ e´ um expoente a ser determinado. A partir da Equac¸a˜ o (2.10), pode-se obter o calor espec´ıfico, a campo nulo, da seguinte forma: C=. ∂ ∂ f (, 0) = 2 ||2−α f (0) ∼ ||−α . 2 ∂T ∂. (2.11). Da mesma forma, a magnetizac¸a˜ o e´ obtida como: m(, H) =. ∂f ∼ ||2−α−∆ f 0 (H/||∆ ). ∂H. (2.12). Dessa forma, o expoente β da magnetizac¸a˜ o, de acordo com a Equac¸a˜ o (2.12), e comporandose com a express˜ao para m dada pela Tabela 2.1, e´ : β = 2 − α − ∆.. (2.13). A partir da Equac¸a˜ o (2.12), obt´em-se a susceptibilidade a campo nulo da seguinte maneira:

(25) ∂m

(26)

(27) χ∼ ∼ ||2−α−2∆ f 00 (0), (2.14)

(28) ∂H

(29) H=0. e o expoente da susceptibilidade, γ, e´ , de acordo com a Equac¸a˜ o (2.14) e com a Tabela 2.1, dado por: γ = −2 + α + 2∆.. (2.15). Somando os dois lados das Equac¸o˜ es (2.13) e (2.15), encontra-se a express˜ao para o expoente ∆: ∆ = β + γ.. (2.16).

(30) 13. Substituindo a Equac¸a˜ o (2.16) na Equac¸a˜ o (2.13), encontra-se a relac¸a˜ o de Rushbrooke, Equac¸a˜ o (2.9). Outra relac¸a˜ o que pode ser extra´ıda da hip´otese de escala de Widom envolve o expoente ν do comprimento de correlac¸a˜ o, ξ. O comprimento de correlac¸a˜ o e´ a medida da distˆancia na qual as flutuac¸o˜ es das grandezas termodinˆamicas em uma regi˜ao do espac¸o influenciam aquelas em outra regi˜ao do espac¸o. Se dois spins, por exemplo, s˜ao separados por distˆancias maiores que o comprimento de correlac¸a˜ o, ent˜ao as as flutuac¸o˜ es de grandezas medidas relativamente a cada um ser˜ao indenpendentes. Na vizinhanc¸a do ponto cr´ıtico, o comprimento de correlac¸a˜ o diverge de acordo com relac¸a˜ o descrita na Tabela 2.1, ou seja, ξ ∼ ||−ν . Suponha que um sistema f´ısico possa ser dividido em regi˜oes de tamanho igual ao do comprimento de correlac¸a˜ o, ξ. Os spins alinhados no interior de cada uma dessas regi˜oes comportam-se como um grau de liberdade. Num sistema f´ısico cujo tamanho e´ L, o mesmo pode ser dividido em regi˜oes da ordem de (L/ξ)d , em que d e´ a dimens˜ao de tal sistema. Dessa forma, a energia livre por unidade de volume pode ser escrita como: f ∼ ξ −d ∼ ||d ν ,. (2.17). em que foi utilizada a express˜ao para o comprimento de correlac¸a˜ o, ξ ∼ ||−ν . Comparando a Equac¸a˜ o (2.17) com a Equac¸a˜ o (2.10), tem-se mais uma relac¸a˜ o entre os expoentes cr´ıticos: d ν = 2 − α.. (2.18). Outras relac¸o˜ es podem ser obtidas por meio da hip´otese de Widom (ver Reichl (1998)). O mais importante a se notar e´ que tal hip´otese n˜ao somente confirma os resultados experimentais, de que os expoentes guardam v´ınculos entre si, como tamb´em mostra que os mesmos n˜ao s˜ao todos independentes. Na pr´oxima sec¸a˜ o ser´a brevemente descrita a Teoria de Landau das transic¸o˜ es de fase. Esta teoria surgiu de um esforc¸o para se tentar explicar o comportamento cr´ıtico dos sistemas que passam por transic¸o˜ es de fase bem como para tentar encontrar valores e relac¸o˜ es entre expoentes cr´ıticos.. 2.3. Teoria de Landau das transic¸o˜ es de fase. Transic¸o˜ es de fase cont´ınuas ocorrem quando um novo estado sim´etrico evolui continuamente de um estado desordenado em altas temperaturas. Tal mudanc¸a de um estado sim´etrico,.

(31) 14. em baixas temperaturas, para um estado desordenado, em altas temperaturas, e´ denominada de quebra espontˆanea de simetria (STANLEY, 1971; HUANG, 1987). Tais estados s˜ao macroscopicamente diferentes, dessa forma flutuac¸o˜ es n˜ao estar˜ao conectadas umas a` s outras no limite termodinˆamico. Para descrever tais estados ordenados e´ necess´ario introduzir uma grandeza macrosc´opica denominada parˆametro de ordem que descreve n˜ao somente o car´ater, mas qual a “intensidade” da quebra de simetria. Tais parˆametros de ordem s˜ao grandezas que, numa transic¸a˜ o cont´ınua, assumem um valor n˜ao nulo abaixo de certa temperatura, Tc , e se anulam para T ≥ Tc . Exemplos de parˆametros de ordem s˜ao listados abaixo: • Ferromagneto de Ising: a hamiltoniana e´ invariante sob uma invers˜ao de spin do tipo σi → −σi . A fase ordenada apresenta magnetizac¸a˜ o espontˆanea, enquanto a fase desordenada (em altas temperaturas) n˜ao apresenta. Dessa forma, a magnetizac¸a˜ o e´ um parˆametro de ordem conveniente para descrever tal transic¸a˜ o, a saber M = µS, em que P S = i hσi i e µ e´ o momento magn´etico. M vai a zero continuamente em Tc . • Antiferromagneto de Ising: o parˆametro de ordem e´ a magnetizac¸a˜ o staggered, definida P como Ms = n (−1)n hσi i. • Ferromagneto de Heisenberg: a hamiltoniana e´ invariante sob qualquer rotac¸a˜ o dos spins. O ordenamento e´ caracterizado por um parˆametro de ordem vetorial. Tal parˆametro pode ~ = P h~ σi i, ou a magnetizac¸a˜ o que ser convinientemente escolhido como o spin total, S i. e´ proporcional ao mesmo. • S´olido cristalino: tem simetria de rotac¸a˜ o e translac¸a˜ o. Um parˆametro de ordem conveniente e´ sua densidade, que se altera continuamente acima do ponto cr´ıtico. Em trˆes dimens˜oes, a transic¸a˜ o s´olido-l´ıquido, em geral, e´ de primeira ordem (envolve calor latente). Como, numa transic¸a˜ o cont´ınua, o parˆametro de ordem vai continuamente a zero na temperatura de transic¸a˜ o, Landau sugeriu uma expans˜ao da energia livre 1 em s´eries de Taylor em termos do parˆametro de ordem e, a partir de tal func¸a˜ o, seria poss´ıvel obter as propriedades termodinˆamicas do sistema f´ısico sob considerac¸a˜ o, pr´oximo ao ponto cr´ıtico (STANLEY, 1971; PARISI,. 1988; CHIMOWITZ, 2005). Para tal expans˜ao, a energia livre deve ter a mesma simetria. que a hamiltoniana sob considerac¸a˜ o, por exemplo no caso da hamiltoniana de Heisenberg, a 1. Na verdade, e´ feita a expans˜ao da Energia Livre de Landau, que e´ uma aproximac¸a˜ o da energia livre do sistema e n˜ao a “pr´opria”. A partir dessa aproximac¸a˜ o e´ que se obt´em as grandezas termodinˆamicas de interesse, tamb´em, obviamente, grandezas f´ısicas aproximadas. Para maiores detalhes ver Parisi (1988)..

(32) 15. energia livre deve ter simetria de rotac¸a˜ o de spins, ou no caso da hamiltoniana de Ising, a energia livre deve ter simetria de invers˜ao de spins, isso na ausˆencia de campo magn´etico externo, que seria um fator de quebra dessa simetria apresentada pelas hamiltonianas citadas. Em termos de um parˆametro de ordem ψ, a energia livre do sistema (energia livre de Landau) pode ser expandida em s´eries como: f (ψ, T ) = f0 (T ) + f1 ψ + f2 ψ 2 + f3 ψ 3 + f4 ψ 4 + · · · ,. (2.19). em que fn s˜ao func¸o˜ es de T proporcionais a` s derivadas de f de ordem n. Um caso particular de tal expans˜ao se d´a para o ferromagneto de Ising, em que ψ = m(~r), com m(~r) sendo a magnetizac¸a˜ o por s´ıtio da rede. Como a hamiltoniana de Ising (na ausˆencia de campo magn´etico externo ou termos de anisotropia) e´ invariante sob uma invers˜ao de spin, a expans˜ao da energia livre deve conter somente termos pares das potˆencias de m, para preservar tal simetria de invers˜ao. Dessa forma, a energia livre e´ escrita como ~ · ∇m. ~ f (m, T ) = f0 (T ) + α(T )m2 + β(T )m4 + γ(T )∇m. (2.20). O u´ ltimo termo da Equac¸a˜ o (2.20) fornece o custo energ´etico para o caso de uma magnetizac¸a˜ o n˜ao uniforme. Valores positivos de γ asseguram que estados espacialmente uniformes minimizam a energia livre, enquanto que termos de ordem mais alta n˜ao s˜ao necessariamente importantes para a determinac¸a˜ o do comportamento do sistema nas vizinhanc¸as de Tc . O termo de quarta ordem e´ mantido porque, em T = Tc , o coeficiente do termo de segunda ordem, α(T ), vai a zero, muito embora γ(Tc ) 6= 0. A Teoria de Landau para as transic¸o˜ es de fase e´ uma teoria de campo m´edio no sentido de que ignora por completo as flutuac¸o˜ es em torno de valores m´edios de grandezas termodinˆamicas. Para o ferromagneto de Ising, truncando a s´erie no termo de quarta ordem, a condic¸a˜ o de extremo da energia livre, ∂ f /∂ m = 0 implica que α m0 + 2β m30 = 0,. (2.21). As soluc¸o˜ es da Equac¸a˜ o (2.21) que correspondem a uma minimizac¸a˜ o da energia livre s˜ao m0. p = ± −α/2β. para α < 0, (2.22). m0. =. 0 para α > 0,.

(33) 16. Ao redor da temperatura cr´ıtica, os coeficientes α(T ), β(T ) e γ(T ) podem ser expandidos em s´eries de potˆencias na forma: ≈. α. a(T − Tc ) + · · · ,. β(T ) ≈. b + ··· ,. γ(T ) ≈. γ + ··· ,. (2.23). de forma que ~ 2. f ' f0 (T ) + a(T − Tc )m2 + bm4 + γ(∇m). (2.24). A partir dos coeficientes dados pelas Equac¸o˜ es (2.24), da Equac¸a˜ o (2.23), com α < 0, pode-se escrever a magnetizac¸a˜ o da seguinte forma: m0 '.  a 1/2 b. (Tc − T )1/2 para T < Tc .. (2.25). Um diagrama da energia livre relativamente ao parˆametro de ordem, m, para o caso do ferromagneto de Ising, e´ mostrado no gr´afico da Figura 2.4. Para T > Tc , a energia livre tem um m´ınimo apenas em m = 0, ou seja, o estado de minimizac¸a˜ o de energia e´ aquele em que os spins da rede encontram-se numa configurac¸a˜ o desordenada. Abaixo de Tc , h´a duas configurac¸o˜ es est´aveis, a saber em m = ±m0 , que s˜ao os valores de m que o ferromagneto de Ising assume na fase mais est´avel. Nas vizinhanc¸as de Tc , a curva e´ plana em m = 0, o que caracteriza um ponto de inflex˜ao: flutuac¸o˜ es em torno do estado de equil´ıbrio s˜ao importantes neste ponto. No caso da presenc¸a de campo magn´etico externo, a Equac¸a˜ o (2.24) pode ser reescrita como: ~ 2 − mH. f ' f0 (T ) + a(T − Tc )m2 + bm4 + γ(∇m). (2.26). Tal campo quebra a simetria do sistema de forma que a hamiltoniana n˜ao mais ser´a invariante por uma invers˜ao de spin. Dessa forma, a energia livre tem um m´ınimo em um valor n˜ao nulo do parˆametro de ordem, m. Por meio da minimizac¸a˜ o de f , na Equac¸a˜ o (2.26), relativamente a m, obt´em-se a susceptibilidade, acima de Tc , que diverge em T = Tc :

(34) 1 m

(35)

(36) χ = = (T − Tc )−1 ,

(37) H

(38) a H=0. (2.27).

(39) 17. Figura 2.4: Energia livre (densidade de energia livre) como func¸a˜ o do parˆametro de ordem, no caso do ferromagneto de Ising. A quebra espontˆanea de simetria caracteriza-se pela existˆencia de um parˆametro de ordem n˜ao nulo abaixo de certa temperatura Tc . Tabela 2.3: Valores experimentais de expoentes cr´ıticos para algumas substˆancias puras (Fonte: (OLIVEIRA, 2005)) em comparac¸a˜ o com aqueles obtidos por meio da Teoria de Landau. Substˆancia/teoria 3 He 4 He Ar O2 Teoria de Landau. α 0,11 0,13 0,13 0,12 0. β 0,36 0,36 0,34 0,35 0,5. γ 1,19 1,18 1,21 1,25 1. em que, para T ≈ Tc , com H  1 m =. 1 b. !1/3 H 1/3 ,. (2.28). sendo que os expoentes obtidos por meio das Equac¸o˜ es (2.27) e (2.28) s˜ao os mesmos obtidos pela aproximac¸a˜ o de campo m´edio. Vˆe-se claramente, a partir dos dados fornecidos pela Tabela 2.3, que os valores obtidos pela Teoria de Landau est˜ao distantes daqueles experimentalmente obtidos. Desprezar as correlac¸o˜ es e´ uma das causas dessa discordˆancia. A teoria que efetivamente viria a descrever corretamente os valores dos expoentes cr´ıticos e justificar hip´oteses tais como a de escala de Widom e´ a Teoria de Grupo de Renormalizac¸a˜ o, que ser´a brevemente descrita na pr´oxima sec¸a˜ o..

(40) 18. 2.4. Grupo de Renormalizac¸a˜ o O entendimento fenomenol´ogico relacionado a` s transic¸o˜ es de fase e´ de fundamental. importˆancia para o estudo de diversos sistemas, por´em existe um sistema unificado que trata da descric¸a˜ o de transic¸o˜ es de fase e fenˆomenos cr´ıticos: e´ a Teoria de Grupo de Renormalizac¸a˜ o (RG, do inglˆes Renormalization Group). As transic¸o˜ es cont´ınuas s˜ao caracterizadas por expoentes cr´ıticos, como foi mostrado na Tabela 2.1 e a classe de universalidade de um sistema f´ısico e´ determinada por tais expoentes. Em um certo valor de dimens˜ao, denominada dimens˜ao cr´ıtica superior, os expoentes encontrados s˜ao os mesmos obtidos pela Teoria de Campo M´edio (STINCHCOMBE, 1983; YEOMANS, 1992). Para descrever tais fenˆomenos, K. G. Wilson desenvolveu, no in´ıcio dos anos de 1970 (WILSON, 1971a; WILSON, 1971b), a RG, trabalho que lhe daria o Prˆemio Nobel de F´ısica em 1982. O grupo de renormalizac¸a˜ o consiste em mudar a escala de comprimento de um sistema removendo graus de liberdade, sendo que, na criticalidade, as propriedades do sistema sob considerac¸a˜ o n˜ao mudam por uma transformac¸a˜ o de escala e tal comportamento e´ descrito por pontos denominados pontos cr´ıticos da transformac¸a˜ o. Numa dada rede regular de spins, a t´ecnica de renormalizac¸a˜ o consiste na ideia dos blocos de spins. Divide-se a rede considerada em blocos, a depender de sua simetria. Um exemplo cl´assico e´ o da rede quadrada, como mostra a Figura 2.5, que pode ser divida em blocos de quatro spins, de forma sucessiva, diminuindo-se assim o n´umero de graus de liberdade do sistema e o n´umero de necess´ario de informac¸o˜ es que devem ser obtidas para descrevˆe-lo.. Figura 2.5: Representac¸a˜ o dos blocos de spins numa rede quadrada.. Vˆe-se claramente na Figura 2.5 que a reduc¸a˜ o nos graus de liberdade de tal rede regular de spins n˜ao altera sua simetria: os blocos continuam formando uma rede quadrada. O valor do spin de cada s´ıtio na nova rede reescalada pode ser escolhido como igual ao da maioria: por exemplo, se h´a, num bloco com quatro spins, trˆes no estado up e um no estado down, escolhe-se.

(41) 19. como valor para o spin da rede escalada o valor up. Se h´a um igual n´umero de spins up e down, a escolha e´ aleat´oria. Fazendo tal procedimento para a rede quadrada em duas dimens˜oes (d = 2), como no exemplo escolhido, a nova rede e´ reduzida por um fator n = 2 em cada direc¸a˜ o, para que a rede renormalizada seja similar a` original. Dessa forma, o n´umero de graus de liberdade do sistema e´ reduzido por um fator nd = 4. Sucessivas transformac¸o˜ es de escala seguem-se at´e que se encontra um ponto fixo. Tais pontos s˜ao definidos pelo comportamento singular de grandezas tais como o comprimento de correlac¸a˜ o (ALBUQUERQUE, 1996). Sucessivas transformac¸o˜ es fatisfazem propriedades de um grupo fechado, dessa forma o termo Grupo de Renormalizac¸a˜ o. Para exemplificar o conceito de pontos fixos ser´a utilizado como exemplo um ferromagneto. Os spins da rede podem apontar em qualquer direc¸a˜ o do espac¸o, mas por simplicidade, tal discuss˜ao se restringir´a a uma rede bidimensional, a exemplo da rede quadrada. Trˆes situac¸o˜ es f´ısicas podem ser listadas para esse tipo de sistema f´ısico: 1. T = 0: Todos os spins da rede est˜ao alinhados e, portanto, todas as renormalizac¸o˜ es da rede devem fornecer os mesmos resultados, devido a` simetria do problema. 2. T → ∞: Todos os spins da rede est˜ao aleatoriamente orientados, dessa forma, todas as renormalizac¸a˜ o tamb´em devem fornecer os mesmos resultados, em qualquer escala. 3. T ≈ Tc , em que Tc e´ a temperatura cr´ıtica do sistema. Quando as transformac¸o˜ es de grupo de renormalizac¸a˜ o alcanc¸am tais pontos, tamb´em chamados de pontos fixos cr´ıticos, grandezas como o comprimento de correlac¸a˜ o divergem. Os pontos fixos em altas e baixas temperaturas s˜ao conhecidos como pontos fixos triviais (HUANG, 1987), sendo que os pontos fixos cr´ıticos s˜ao os que apresentam interesse f´ısico. A universalidade pode ser explicada em termos de tais pontos fixos. Em Mecˆanica Estat´ıstica, no ponto cr´ıtico, diversas substˆancias diferentes s˜ao descritas por grandezas termodinˆamicas (ver Tabela 2.1) que variam de acordo com leis de potˆencia que s˜ao descritas pelos mesmos expoentes cr´ıticos. Isso e´ denominado universalidade (REICHL, 1998). A possibilidade de descrever, de forma unificada, o comportamento de tais grandezas nas vizinhanc¸as do ponto cr´ıtico foi um dos grandes achados da Teoria de Grupo de Renormalizac¸a˜ o (RG). Na pr´oxima sec¸a˜ o ser´a descrita a transformac¸a˜ o de RG e, em seguida, a RG ser´a aplicada ao estudo do modelo de Ising unidimensional..

(42) 20. 2.4.1. Transformac¸a˜ o de grupo de renormalizac¸a˜ o: definic¸a˜ o. ¯ ≡ Seja um modelo de spins, por exemplo, descrito por uma hamiltoniana reduzida, H H/kB T , sendo kB a constante de Boltzmann e T a temperatura. Tal hamiltoniana e´ renormalizada da seguinte forma: ¯ 0 = RH. ¯ H. (2.29). O operador R reduz os graus de liberdade do sistema original, tal como exemplificado na Figura 2.5, de N para N 0 . No espac¸o real isso pode ser feito ao se remover ou reagrupar spins numa rede regular. O fator de transformac¸a˜ o de escala, b, e´ definido por: bd = N/N 0 ,. (2.30). em que d e´ a dimens˜ao do sistema considerado. A condic¸a˜ o essencial a ser satisfeita por qualquer transformac¸a˜ o RG e´ manter a func¸a˜ o de partic¸a˜ o inalterada, ou seja: ¯ 0 ) = ZN (H). ¯ ZN 0 (H. (2.31). A Eq. (2.31) faz com que a energia livre do sistema permanec¸a a mesma e, devido ao fato de a energia livre ser extensiva, a energia livre reduzida por spin, f¯ = f /kB T , se transforma como: ¯ 0 ) = bd f¯(H), ¯ f¯(H. (2.32). ou seja, a energia livre do sistema obedece a uma relac¸a˜ o de escala. Distˆancias, que s˜ao medidas, numa rede regular, em termos do espac¸amento de rede, s˜ao reduzidas por um fator b. O objetivo agora e´ encontrar pontos fixos, K 0 = K = K ∗ tais que fac¸am com que: ¯0 = H ¯ = H ¯ ∗, H. (2.33). em que o sistema e´ invariante sob uma transformac¸a˜ o de escala do tipo b = N/N 0 . A invariˆancia de escala e´ uma das principais caracter´ısticas de sistemas na vizinhanc¸a da criticalidade. Na pr´oxima sec¸a˜ o, as transformac¸o˜ es RG ser˜ao exemplificadas utilizando-se um modelo did´atico: o Ising unidimensional..

(43) 21. 2.4.2. Teoria de Grupo de Renormalizac¸a˜ o aplicada ao modelo de Ising unidimensional. O modelo de Ising 1D, na ausˆencia de campo magn´etico externo, e´ descrito pela hamiltoniana: H = −J. N X. σi σj ,. (2.34). hi,ji. em que a soma hi, ji e´ feita para os vizinhos mais pr´oximos, J e´ a interac¸a˜ o de troca entre o spin i e seus vizinhos mais pr´oximos e σi = ± 1. A func¸a˜ o de partic¸a˜ o e´ dada por: Z =. X. N h X i exp J σi σj /kB T ,. X. ···. σ1 =±1. σN =±1. (2.35). hi,ji. em que kB e´ a constante de Boltzmann e T e´ a temperatura. Reescrevendo-se a Eq. (2.35) em termos da constante de acoplamente K ≡ J/kB T , tem-se: Z =. X. ···. σ1 =±1. =. X σ1 =±1. X. h. exp K. σN =±1. σi σj. i. hi,ji. X Y. ···. N X. h i exp K σi σj ,. (2.36). σN =±1 hi,ji. sendo que, na equac¸a˜ o acima, foi utilizada a seguinte propriedade das func¸o˜ es exponenciais: exp (a + b + c + · · · ) = ea × eb × ec × · · · . De forma mais compacta, pode-se escrever a Eq. (2.36): Z =. XY S. h i exp K σi σj ,. (2.37). hi,ji. sendo S uma representac¸a˜ o de todos os estados poss´ıveis para cada uma das vari´aveis de spins σi . Para o modelo unidimensional, a func¸a˜ o de partic¸a˜ o, Eq.(2.37) pode ser simplificada, em sua escrita, ainda mais, de forma que: Z =. XY S. hi,ji. h i h i XY exp K σi σj = exp K σi σi+1 , S. (2.38). i. em que o segundo termo do lado direito da equac¸a˜ o e´ s´o uma outra forma de representar a interac¸a˜ o entre o spin σi e seus vizinhos mais pr´oximos (nesse caso, dois). Continuando, pode-.

(44) 22. se reescrever a Eq. (2.38) da seguinte forma: Z =. X. Y. S. i=2,4,6,···. h i exp K σi (σi−1 + σi+1 ) ,. (2.39). ou seja, toda a soma e´ agora expressa em termos de spin pares agora, sendo que os vizinhos mais pr´oximos assumem os valores ´ımpares. Levando-se em conta que os spins pares (ou n˜ao) assumem dois estados, ou seja, considerando-se, para cada um dos i = 2, 4, 6, · · · spins pares, σi = ± 1, a Eq. (2.39) pode ser simplificada ainda mais ao ser escrita em termos de cada um desses dois poss´ıveis estados da vari´avel σ: # " h i h i X Y Z0 = exp K (σi−1 + σi+1 ) + exp − K (σi−1 + σi+1 ) .. (2.40). σ1 ,σ3 ,σ5 ,··· i=2,4,6,···. A Eq. (2.40) representa agora uma nova func¸a˜ o de partic¸a˜ o, Z 0 , escrita para a rede renormalizada que tem, agora, N/2 spins, cuja func¸a˜ o de partic¸a˜ o, para i = 1, 2, 3, · · · , N/2, pode agora ser reescrita como: " Z0 =. XY. =. XY. S. S. h. i h i exp K (σi−1 + σi+1 ) + exp − K (σi−1 + σi+1 ). #. i. h i 0 f (K) exp K σi σi+1 .. (2.41). i. A Eq. (2.41) e´ an´aloga a` Eq. (2.35), s´o que com a diferenc¸a que a constante de acoplamento K foi substitu´ıda pela constante K 0 e h´a agora N/2 spins ao inv´es de N . Igualando-se as duas func¸o˜ es de partic¸a˜ o, Z = Z 0 , tem-se: h i h i h i exp K (σi−1 + σi+1 ) + exp − K (σi−1 + σi+1 ) = f (K) exp K 0 σi σi+1 .. (2.42). O que se deseja agora e´ encontrar uma relac¸a˜ o entre as constantes de acoplamento no sistema original, K, e no renormalizado, K 0 , da mesma forma que se quer encontrar uma express˜ao para f (K). Para tal, no modelo de Ising de dois estados, tem-se dois casos poss´ıveis: 1. σi = σi+1 = ± 1: dessa forma a Eq. (2.42) torna-se: exp (2K) + exp (−2K) = 2 cosh (2K) = f (K) exp (K 0 ).. (2.43). 2. σi = −σi+1 = ± 1: dessa forma a Eq. (2.42) torna-se: 2 = f (K) exp (−K 0 ).. (2.44).

(45) 23. Dividindo-se os dois lados das Eqs. (2.43) e (2.44), tem-se: e2K. 0. K0. = cosh (2K) 1 = ln cosh (2K). 2. (2.45). Substituindo-se a Eq. (2.45) na Eq. (2.44), tem-se: f (K) = 2 cosh1/2 (2K),. (2.46). ou seja, a Eq. (2.46) fornece uma express˜ao para se conhecer a forma da func¸a˜ o f (K) com base na qual a func¸a˜ o de partic¸a˜ o Z 0 do sistema renormalizado (agora s´o com metade dos spins) e´ escrita. O mesmo procedimento pode ser adotado para reduzir ainda mais os graus de liberdade do sistema com o objetivo de se ter uma express˜ao para a func¸a˜ o de partic¸a˜ o com base na qual se escrever´a a energia livre do sistema e ser˜ao obtidas as express˜oes para grandezas termodin˜amicas. Tais procedimentos contribuem para a mplificac¸a˜ o das equac¸o˜ es envolvidas e surge como ferramental de extrema utilidade para a obtenc¸a˜ o de soluc¸o˜ es, mesmo que aproximadas, de modelos tais como o de Ising.. 2.5. Modelo de Ising Com o objetivo de interpretar a origem do campo molecular em sistemas magn´eticos. (HEISENBERG, 1928) propˆos uma explicac¸a˜ o para o surgimento do mesmo atrav´es da introduc¸a˜ o do conceito de interac¸a˜ o de troca. A base para tal descric¸a˜ o e´ a aplicac¸a˜ o da mecˆanica quˆantica a um sistema com dois el´etrons, por exemplo (BUSCHOW; BOER, 2003). A func¸a˜ o de onda que descreve o par de el´etrons (os resultados podem ser generalizado para um sistema com N part´ıculas) e´ composta por uma parte espacial e outra referente ao spin de cada el´etron. Ao se calcular os autovalores de energia do par, encontra-se que os mesmos dependem do potencial coulombiano, que descreve a interac¸a˜ o eletromagn´etica dos mesmos. Adicionado aos termos referentes a` energia do sistema em seu estado fundamental e a` energia referente a` interac¸a˜ o coulombiana est´a um termo associado a` interac¸a˜ o de troca, referente ao spin de cada el´etron. O sinal dessa interac¸a˜ o, se positiva ou negativa, depender´a da simetria/assimetria da func¸a˜ o de onda associada ao sistema. Tal interac¸a˜ o e´ definida a partir da.

(46) 24. hamiltoniana de Heisenberg: H = −J. X. Si · Sj. hi,ji. X = −J (Six Sjx + Siy Sjy + Siz Sjz ),. (2.47). hi,ji. em que J e´ a interac¸a˜ o de troca entre os spins Si e Sj , Sn s˜ao as componentes dos spins nas direc¸o˜ es x, y, z, e a soma e´ feita sobre os vizinhos mais pr´oximos. O modelo de Heisenberg, definido pela Equac¸a˜ o (2.47) e´ isotr´opico. Para descrever um sistema com spins que apontam para uma direc¸a˜ o privilegiada, direc¸a˜ o z por exemplo, ou que apresentam uma forte anisotropia, a Equac¸a˜ o (2.47) reduz-se a: H = −J. X. Siz Sjz ,. (2.48). hi,ji. que e´ chamada de hamiltoniana Ising e e´ utilizada para descrever um grande n´umero de sistemas f´ısicos. Essa hamiltoniana foi proposta por Wilhelm Lenz (1888-1957) ao seu aluno de doutorado, Ernst Ising (1900-1998), no in´ıcio dos anos de 1920 (HUANG, 1987; SALINAS, 1997). Em 1925 (ISING, 1925), Ising publicou a soluc¸a˜ o exata para este modelo um uma dimens˜ao, chegando a` conclus˜ao de que o mesmo n˜ao apresenta transic¸a˜ o de fase para T > 0. Posteriormente, Lars Onsager (1903-1976, laureado com o Prˆemio Nobel de Qu´ımica, em 1968) demonstrou n˜ao somente que tal modelo apresenta transic¸a˜ o de fase um duas dimens˜oes como resolveu exatamente o modelo de Ising 2D na ausˆencia de campo magn´etico externo numa rede quadrada (ONSAGER, 1944). De forma simplificada, para explicar o comportamento f´ısico de um sistema que passa de um estado ferromagn´etico (ou antiferromagn´etico) para um estado paramagn´etico, uma transic¸a˜ o ordem-desordem, respectivamente, tal modelo lanc¸a m˜ao de vari´aveis estat´ısticas denominadas genericamente de spins, que podem ser interpretadas como vetores cl´assicos unit´arios na mesma direc¸a˜ o do momento magn´etico de a´ tomos que comp˜oem uma rede regular, e que s˜ao colineares, podendo assumir apenas dois estados, por exemplo, +z ou −z, adotando, dessa forma, a direc¸a˜ o z como a de orientac¸a˜ o dos momentos magn´eticos. Nesta abordagem simples, o estado ordenado, ou como discutido na Sec¸a˜ o 2.7, o estado “mais sim´etrico”, e´ aquele no qual os spins alinham-se todos numa mesma direc¸a˜ o, da´ı tem-se o ferromagnetismo; ou quando os spins alinham-se todos em direc¸o˜ es antiparalelas, da´ı temse o antiferromagnetismo. S´o que sabia-se, da experiˆencia, que, sob certas condic¸o˜ es, como.

Referências

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