Universidade Federal de Sergipe
Centro de Ciˆencias Exatas e Tecnologia Programa de P´os–Gradua¸c˜ao em Matem´aticaMestrado em Matem´atica
M´
etodos Variacionais, Desigualdade do Tipo
Trudinger-Moser e Aplica¸
c˜
oes
Izabela Andrade dos Santos
S˜ao Crist´ov˜ao – SE Fevereiro de 2017
Universidade Federal de Sergipe Centro de Ciˆencias Exatas e Tecnologia Programa de P´os–Gradua¸c˜ao em Matem´atica
Mestrado em Matem´atica
M´
etodos Variacionais, Desigualdade do Tipo
Trudinger-Moser e Aplica¸
c˜
oes
por
Izabela Andrade dos Santos
sob a orienta¸c˜ao do
Prof. Dr. Wilberclay Gon¸calves Melo
S˜ao Crist´ov˜ao – SE Fevereiro de 2017
Cataloga¸c˜ao na publica¸c˜ao Universidade Federal de Sergipe
Biblioteca da UFS
XXXX dos Santos, Izabela Andrade.
M´etodos Variacionais, Desigualdade do Tipo Trudinger-Moser e Aplica¸c˜oes
xxxxxxxxxxxxxxxx / xxxx xxx xx xxxxx
xxxxxxxxxx.
Orientador: Wilberclay Gon¸calves Melo xxxxx.
xxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxx.
M´
etodos Variacionais, Desigualdade do Tipo Trudinger-Moser e
Aplica¸
c˜
oes
por
Izabela Andrade dos Santos1
Disserta¸c˜ao apresentada ao Corpo Docente do Programa de P´os–Gradua¸c˜ao em Matem´atica da Universidade Federal de Sergipe como requisito parcial para a obten¸c˜ao do t´ıtulo de Mestre em Matem´atica.
´
Area de Concentra¸c˜ao: An´alise/Equa¸c˜oes Diferenciais Parciais
Aprovada em 16 de Fevereiro de 2017.
Banca Examinadora:
Prof. Dr. Wilberclay Gon¸calves Melo – UFS (Orientador)
Prof. Dr. Uberlandio Batista Severo (Examinador Externo)
Profa. Dra. Crislene Santos da Paix˜ao (Examinadora Externa)
1
Agradecimentos
A realiza¸c˜ao desta disserta¸c˜ao foi poss´ıvel gra¸cas `a participa¸c˜ao e apoio de pessoas especiais. E com gratid˜ao, expresso os meus sinceros agradecimentos:
• A DEUS, o qual me deu o Dom da vida e pelo seu infinito amor. Agrade¸co por todas as
vezes que a minha f´e foi renovada e pela for¸ca que me deste para concluir esse trabalho. E `a Virgem MARIA, por passar `a frente das minhas afli¸c˜oes, me amparando no seu colo de m˜ae.
• A minha Fam´ılia, meus pais Lourdes e Liberato, pela oportunidade que me deram de estudar.
Serei eternamente grata pelo amor de vocˆes. Agrade¸co ainda aos meus irm˜aos, cunhados e Primo (Anderson), pelo carinho, aten¸c˜ao e cuidado. Sei o quanto torceram por mim. E meus sobrinhos lindos, que amo tanto. Em especial a Rafael (meu bebˆe, minha mangabinha, meu homem aranha), por alegrar os meus dias com sua inocˆencia e sabedoria de “gente grande”.
• Ao meu esposo, Diego, pelo carinho e compreens˜ao.
• Aos meus eternos amigos da infˆancia e do grupo de Ora¸c˜ao Ruah Iav´e, pelo carinho e por
compreender a minha ausˆencia em algumas convivˆencias durante esse processo. Em especial, a minha amiga/irm˜a Andreza, sou grata a Deus por nossa amizade.
• Ao meu orientador, Wilberclay, pela orienta¸c˜ao, paciˆencia e disponibilidade durante todo o
per´ıodo de Mestrado e pela amizade. Agrade¸co por contribuir na minha forma¸c˜ao acadˆemica.
• Aos professores Paulo Rabelo e Ivanete, por serem profissionais e pessoas incr´ıveis que me
ensinaram, incentivaram desde a gradua¸c˜ao e permaneceram comigo at´e aqui. E a todos os professores que contribu´ıram, direta ou indiretamente, com o meu aprendizado.
• Aos meus colegas de turma, em especial Danilo, Diego, Jonisson e Rafael, pela amizade
que foi constru´ıda durante o mestrado e por todos os conhecimentos partilhados. Agrade¸co tamb´em aos colegas que conheci na gradua¸c˜ao e que tamb´em me ajudaram quando ingressei no mestrado Alan Gois, Suelen, Taynara, Nat˜a, Geivison e Franciele.
• Ao secret´ario da P´os-Gradua¸c˜ao Igor, por ser um excelente profissional.
• A CAPES, pelo apoio financeiro, importante durante esses per´ıodos de especializa¸c˜ao. • Aos professores Uberlandio Batista Severo e Crislene Santos da Paix˜ao, por aceitarem
Resumo
Neste trabalho, estamos interessados em apresentar alguns M´etodos Variacionais, juntamente com aplica¸c˜oes que determinam existˆencia e n˜ao unicidade de solu¸c˜oes fracas para a Equa¸c˜ao Diferencial Parcial El´ıptica n˜ao linear
−div (K(x)∇u) = K(x)f(u) + h, x ∈ R2,
onde K ´e um peso exponencial, h ´e um funcional linear e f ´e a n˜ao linearidade que apresenta crescimento exponencial cr´ıtico.
Em um primeiro momento, para uma maior comodidade do leitor, estabelecemos provas de-talhadas de alguns resultados cl´assicos da teoria que cont´em esses m´etodos como, por exemplo, os Teoremas da Deforma¸c˜ao e do Passo da Montanha; e o Princ´ıpio Variacional de Ekeland. Em seguida, trabalhamos com uma Desigualdade do tipo Trudinger-Moser em um Espa¸co de Sobolev com peso K com o objetivo de alcan¸carmos nossa meta.
Abstract
In this work, we are interested in establishing some variational methods, together with applica-tions, that determine the existence and non uniqueness of weak solutions for the nonlinear elliptic partial differential equation
−div (K(x)∇u) = K(x)f(u) + h, x ∈ R2,
where K is an exponential weight, h is a linear functional and f is the nonlinearity that presents critical exponential growth.
First of all, for the sake of convenience of the reader, this study shows detailed proofs of some classic results of the theory that involves these methods as, for example, the deformation and mountain pass theorems; and Ekeland’s variational principle. Second of all, we work with a Trudinger-Moser inequality that is related to a Sobolev space with weight K in order to achieve our aim.
Sum´
ario
Lista de Nota¸c˜oes 1
Introdu¸c˜ao 4
1 Defini¸c˜oes e Resultados B´asicos 10
2 Alguns M´etodos Variacionais 13
2.1 Teorema da Deforma¸c˜ao . . . 13
2.2 Teorema do Passo da Montanha . . . 27
2.3 Princ´ıpio Variacional de Ekeland . . . 29
3 Desigualdade de Trudinger-Moser e Aplica¸c˜oes 36 3.1 Desigualdade de Trudinger-Moser em Espa¸cos de Sobolev com Peso . . . 38
3.2 Existˆencia de Solu¸c˜ao Fraca para o Problema (3.1) . . . 57
3.3 N˜ao Unicidade para Solu¸c˜oes Fracas do Problema (3.1) . . . 70
3.4 Compacidade Local . . . 74
3.5 Estimativa do Tipo Minimax . . . 95
Lista de Nota¸
c˜
oes
Permita-nos apresentar uma lista com os significados das nota¸c˜oes mais importantes utilizadas neste trabalho.
• ∥·∥ representa a norma do espa¸co discutido no cap´ıtulo correspondente. Em alguns momentos, ∥ · ∥ tamb´em diz respeito `a norma usual do espa¸co dual em quest˜ao;
• ⟨·, ·⟩ denota o produto interno do espa¸co discutido no cap´ıtulo correspondente; • BR(u) ={x : ∥x − u∥ < R} ´e a bola aberta de centro u e raio R > 0;
• BR(u) ={x : ∥x − u∥ ≤ R} ´e a bola fechada de centro u e raio R > 0;
• ∂BR(u) ={x : ∥x − u∥ = R} ´e a esfera de centro u e raio R > 0;
• ⇀ significa convergˆencia fraca; • → denota a convergˆencia forte;
• |A| ´e medida de Lebesgue de um conjunto mensur´avel A; • q.t.p. significa quase toda parte;
• supp (u) = {x : u(x) ̸= 0} denota o suporte da fun¸c˜ao u, onde a barra indica fecho do conjunto
em quest˜ao;
• ∂
∂xi
´
e a derivada parcial em rela¸c˜ao a xi;
• div f = 2 ∑ i=1 ∂fi ∂xi
representa o divergente da aplica¸c˜ao f , onde fi´e a i-´esima componente de f ;
• ∇ =( ∂ ∂x1,
∂ ∂x2
)
• ∆ = 2 ∑ i=1 ∂2 ∂xi2 ´ e o operador Laplaciano; • C∞
c (Ω) denota o espa¸co das fun¸c˜oes, definidas sobre Ω, infinitamente diferenci´aveis com
su-porte compacto;
• | · | diz respeito `a norma (proveniente do produto escalar, denotado por ·) Euclidiana ou ao
m´odulo de um n´umero real;
• X′ ´e o dual do espa¸co X;
• Lp
K(Ω) = {u : Ω → R mensur´avel :
∫
Ω
K(x)|u(x)|pdx < ∞} denota o espa¸co de Lebesgue
com peso K, munido da norma∥u∥Lp K(Ω) = (∫ Ω K(x)|u(x)|pdx )1 p , onde 1≤ p < ∞. ∥ · ∥p,K representa ∥ · ∥Lp K(R2);
• Lp(Ω) denota o espa¸co de Lebesgue {u : Ω → R mensur´avel :
∫
Ω
|u(x)|pdx < ∞}, com
1≤ p < ∞, munido da norma ∥u∥Lp(Ω)=
(∫ Ω |u(x)|pdx )1 p ;
• L∞(Ω) representa o espa¸co de Lebesgue{u : Ω → R mensur´avel : |u| ´e limitada q.t.p. em Ω}, munido da norma
∥u∥L∞(Ω) = supessx∈Ω{|u(x)|} := inf{C > 0 : |u(x)| ≤ C q.t.p. em Ω};
• W1,p(Ω) ´e o espa¸co de Sobolev {u ∈ Lp(Ω) : Dαu ∈ Lp(Ω),∀ |α| ≤ 1}, com 1 ≤ p ≤ ∞,
α multi-´ındice, munido da norma ∥u∥W1,p(Ω) =
∑ |α|≤1 ∥Dαu∥p Lp(Ω) 1 p , se 1 ≤ p < ∞; e ∥u∥W1,∞(Ω)= supess{∥Dαu∥L∞(Ω)}; • H1(Ω) = W1,2(Ω); • H1 0(Ω) = W 1,2
0 (Ω) = Cc∞(Ω), onde o fecho ´e tomado com respeito `a norma∥ · ∥H1(Ω); • L1
loc(Ω) ´e contitu´ıdo de todas as aplica¸c˜oes em L1(U ), onde U ⊆ Ω ´e compacto.
• ,→ representa um mergulho cont´ınuo ou compacto;
• Cp ou C(p) respresentam constantes que dependem de p, estas podem ser modificadas linha
• C1(X,R) ´e o conjunto de todas as aplica¸c˜oes reais, definidas sobre X, que possuem derivada
de Fr´echet cont´ınua.
• C(A, B) denota o conjunto de todas as fun¸c˜oes cont´ınuas de A em B; • C∞
c,rad(Ω) ´e o conjunto das aplica¸c˜oes, definidas sobre Ω, reais, radiais, infinitamente
dife-renci´aveis e que possuem suporte compacto;
• Xrad= Cc,rad∞ (R2), onde o fecho ´e tomado com rela¸c˜ao `a norma do espa¸co X;
• χAdenota a fun¸c˜ao caracter´ıtica definida sobre o conjunto A, isto ´e, χA(x) =
{
1, se x∈ A; 0, se x /∈ A.
Introdu¸
c˜
ao
Neste trabalho, apresentamos um estudo detalhado que tem como finalidade a garantia de que a Equa¸c˜ao Diferencial Parcial El´ıptica n˜ao linear
−div (K(x)∇u) = K(x)f(u) + h, x ∈ R2, (1)
possui pelo menos duas solu¸c˜oes fracas; onde, h ´e um funcional linear e K(x) = e|x|24 (x ∈ R2).
Para este fim, assumimos que a n˜ao linearidade f exibe crescimento exponencial cr´ıtico, isto ´e, (f0) Existe α0> 0 tal que lim
|s|→+∞
f (s)
eαs2 = 0, para todo α > α0;
e ´e suposta satisfazer as seguintes condi¸c˜oes:
(f1) O limite lim
s→0
f (s)
s = 0 ´e v´alido;
(f2) Existe θ0> 2 tal que
0≤ θ0F (s) := θ0
∫ s
0
f (t) dt≤ sf(s), ∀ s ∈ R;
(f3) Dado θ > 2, existe Rθ > 0 tal que
0 < θF (s)≤ sf(s), ∀ |s| ≥ Rθ;
(f4) Existe β0 > 0 tal que
lim inf s→∞ { f (s)s eα0s2 } ≥ β0 > 4 α0 min r>0 { 1 r2exp ( r2 4 + r2 256 )} .
que todo o trabalho tem seu desenvolvimento solidificado em uma teoria b´asica de M´etodos Vari-acionais. Sendo assim, precisamos de um espa¸co normado sobre o qual o funcional, cujos pontos cr´ıticos ser˜ao as solu¸c˜oes desejadas para (1), esteja bem definido. Tal espa¸co ser´a denotado por X e representar´a o fecho de Cc∞(R2) com rela¸c˜ao `a norma
∥u∥ := (∫ R2K(x)|∇u(x)| 2dx )1 2 .
Esse funcional ´e dado precisamente pela seguinte defini¸c˜ao:
I(u) := 1 2∥u∥ 2− ∫ R2 K(x)F (u(x)) dx− h(u), ∀ u ∈ X.
Salientamos que toda a estrutura necess´aria para encontrarmos os pontos cr´ıticos de I prov´em do Teorema do Passo da Montanha e do Princ´ıpio Variacional de Ekeland. Dessa forma, para a comodidade do leitor, decidimos estabelecer provas detalhadas destes teoremas, a partir de um resultado conhecido como o Teorema da Deforma¸c˜ao (o qual tamb´em ser´a demonstrado).
Relembrando os teoremas, referenciados acima, e a defini¸c˜ao do funcional I, notamos que ´e imprescind´ıvel fazermos uso de uma Desigualdade do tipo Trudinger-Moser (ver [15, 20, 22] e referˆencias inclusas), e das condi¸c˜oes satisfeitas por f , para garantirmos que I verifica as hip´oteses do Passo da Montanha e do Princ´ıpio de Ekeland. Sendo assim, apresentamos e provamos essa desigualdade, envolvendo o espa¸co X, a qual est´a inserida no resultado a seguir.
Teorema 0.1. Para todo u ∈ X e β > 0 temos que K|u|2(eβu2 − 1) ∈ L1(R2). Al´em disso, se ∥u∥ ≤ M e βM2 < 4π, ent˜ao existe uma constante positiva C = C(M, β) tal que
∫
R2K(x)|u(x)|
2(eβ[u(x)]2
− 1) dx ≤ C.
Gostar´ıamos de enfatizar que o teorema, enunciado acima, acarreta informa¸c˜oes tais como:
Teorema 0.2. Sejam u∈ X, β > 0, q > 0 tais que ∥u∥ ≤ M, com βM2 < 4π. Ent˜ao, existe uma constante C = C(β, M, q) > 0 tal que
∫
R2
K(x)|u(x)|2+q(eβ[u(x)]2− 1) dx ≤ C∥u∥q+2.
para todo 0 < p < 4π(1− ∥v∥2)−1, a menos de subsequˆencia, temos que sup n∈N {∫ R2 K(x)[vn(x)]2(ep[vn(x)] 2 − 1) dx } <∞.
Considerando que o funcional I obedece as hip´oteses do Princ´ıpio de Ekeland, estamos prontos para obter o resultado de existˆencia de solu¸c˜ao fraca para o problema (1). Este ´e apresentado como segue.
Teorema 0.4. Suponha que f satisfaz (f0)− (f2). Ent˜ao, existe δ1 > 0 tal que, se 0 <∥h∥ < δ1,
o problema (1) tem solu¸c˜ao fraca uh ∈ X. Al´em disso, temos que ∥uh∥ → 0 quando ∥h∥ → 0.
´
E importante ressaltar que, (f3) e (f4) n˜ao s˜ao citadas no resultado acima; por´em, se desejarmos
encontrar uma outra solu¸c˜ao para o problema (1), precisamos supor que essas condi¸c˜oes sejam satisfeitas pela n˜ao linearidade f com a finalidade de que o funcional I verifique a estrutura requerida pelo Passo da Montanha. Mais especificamente, o resultado de multiplicidade de solu¸c˜oes, o qual ´e a garantia da existˆencia de no m´ınimo duas solu¸c˜oes para o problema (1), est´a descrito no seguinte teorema:
Teorema 0.5. Suponha que f satisfaz (f0)− (f4). Ent˜ao, existe δ2 > 0 tal que, se 0 <∥h∥ < δ2,
ent˜ao o problema (1) tem no m´ınimo duas solu¸c˜oes fracas.
Portanto, descrevemos sucintamente como os nossos resultados principais de existˆencia, e n˜ao unicidade, de solu¸c˜oes para o problema (1) s˜ao obtidos nesta disserta¸c˜ao.
Permita-nos, agora, citar alguns artigos que nos motivaram a estudar [17]. Estes trabalhos nos inspiraram por uma raz˜ao ´obvia, os problemas estudados pelos respectivos autores tˆem algo em comum com os termos descritos na equa¸c˜ao (1): condi¸c˜oes semelhantes sobre a n˜ao linearidade, presen¸ca de um peso ou, at´e mesmo, generaliza¸c˜ao do Laplaciano para o p-Laplaciano.
F. Catrina, M. Furtado e M. Montenegro [9] apresentaram um estudo da existˆencia de solu¸c˜ao para o problema
−div (K(x)∇u) = K(x)u2∗−1+ λK(x)|x|α−2u, u > 0∈ Rn, (2)
onde n≥ 3, K(x) = e|x|24 , α≥ 2, 2∗ = 2n
n−2 e λ ´e um parˆametro.
´
e λ1 = 14α(n− 2 + α), o artigo [9] apresenta como principais resultados os seguintes teoremas:
Teorema 0.6. Se 2 < α≤ n − 2, o problema (2) tem solu¸c˜ao se, e somente se, λ ∈ (12λ1, λ1).
Teorema 0.7. Se n− 2 < α e λ ∈ (α42, λ1), o problema (2) tem uma solu¸c˜ao. Al´em disso, se
λ≤ 12λ1 ou λ≥ λ1, ent˜ao (2) n˜ao tem solu¸c˜ao.
´
E importante destacar que, o artigo [9] tem nos inspirado devido `a presen¸ca do peso K em (2) (ver tamb´em [16] e referˆencias inclusas).
Buscamos incentivo com respeito `a multiplicidade de solu¸c˜oes fracas, para uma Equa¸c˜ao Di-ferencial Parcial El´ıptica, atrav´es do artigo [10] (ver tamb´em [24] e referˆencias inclusas). Neste trabalho, J. M. do O, E. Medeiros e U. B. Severo [10] estudam o problema
−∆u + V (x)u = f(u) + h(x), x ∈ R2, (3)
onde V satisfaz as seguintes hip´oteses:
(V1) V :R2 → R ´e cont´ınua e V (x) ≥ V0> 0, para todo x∈ R2;
(V2) V−1∈ L1(R2),
e f , que tem crescimento exponencial cr´ıtico ou subcr´ıtico, satisfaz as seguintes condi¸c˜oes:
(g0) f ∈ C(R, R) e f(0) = 0;
(g1) Existe θ > 2 e s1> 0 tais que
0 < θF (s) = θ ∫ s
0
f (t) dt≤ s, ∀ |s| ≥ s1;
(g2) Existem constantes R0, M0> 0 tais que
0 < F (s)≤ f(s), ∀ |s| ≥ R0;
(g3) lim
s→02F (s)s −2< λ
1,
onde λ1 ≥ V0 (para mais detalhes ver [10]). Os resultados encontrados em [10] est˜ao descritos a
seguir.
Teorema 0.8. Se f tem crescimento subcr´ıtico e (V1)− (V2), (g0), (g1), (g3) s˜ao satisfeitas, ent˜ao
existe δ1> 0 tal que se 0 <∥h∥ < δ1, o problema (3) tem ao menos duas solu¸c˜oes fracas, uma com
O teorema acima diz respeito `a multiplicidade das solu¸c˜oes fracas de (3) no caso subcr´ıtico. Abaixo, J. M. do ´O, E. Medeiros e U. B. Severo estabelecem informa¸c˜oes sobre o sinal de tais solu¸c˜oes.
Teorema 0.9. Sob as hip´oteses do Teorema 0.8, se h≥ 0 (h ≤ 0) q.t.p. em R2, ent˜ao as solu¸c˜oes obtidas no Teorema 0.8 s˜ao n˜ao negativas (n˜ao positivas).
Os seguintes dois resultados relatam o caso cr´ıtico para o problema (3). O primeiro deles garante a existˆencia de solu¸c˜ao fraca para este mesmo problema.
Teorema 0.10. Se f tem crescimento cr´ıtico e (V1)− (V2), (g0), (g2), (g3) s˜ao satisfeitas, ent˜ao
existe δ1> 0 tal que, se 0 <∥h∥ < δ1, o problema (3) tem uma solu¸c˜ao fraca com energia negativa.
Quanto a multiplicidade de solu¸c˜oes para o caso cr´ıtico, temos o seguinte resultado.
Teorema 0.11. Sob as hip´oteses do Teorema 0.10, considere que existe β0 > 0 tal que
(f4+) lim
s→∞sf (s)e
−α0s2 ≥ β
0,
ent˜ao, existe δ2> 0 tal que, se 0 <∥h∥ < δ2, ent˜ao o problema (3) tem uma segunda solu¸c˜ao fraca.
Com respeito ao sinal das solu¸c˜oes fracas no caso cr´ıtico, o artigo [10] estabelece o teorema a seguir.
Teorema 0.12. Sob as hip´oteses do Teorema 0.11, se h≥ 0 q.t.p. em R2, ent˜ao as solu¸c˜oes obtidas no Teorema 0.11 s˜ao n˜ao negativas. Al´em disso, se h≤ 0 q.t.p. em R2 e f satisfaz
(f4−) lim
s→−∞sf (s)e
−α0s2 ≥ β
0 > 0,
ent˜ao estas solu¸c˜oes s˜ao n˜ao positivas.
Gostar´ıamos de salientar que ´e poss´ıvel encontrar na literatura alguns artigos que apresentam resultados que envolvem o p-Laplaciano (ver, por exemplo, [3, 24] e referˆencias inclusas). Sendo assim, permita-nos discorrer sobre um trabalho em especial que serviu de inspira¸c˜ao para o estudo desta disserta¸c˜ao. Este artigo ´e atribu´ıdo a Adimurthi [3] e estuda o problema
{
∆pu = f (x, u)|u|p−2 em Ω;
u≥ 0,
todo t ≥ 0; e f apresenta crescimento cr´ıtico. Mais precisamente, considerando que f(x, t) =
h(x, t) exp(b|t|n−1n ) ´e uma fun¸c˜ao com crescimento cr´ıtico e F (x, t) sua primitiva, Adimurthi [3]
demonstrou o seguinte resultado:
Teorema 0.13. Assuma que as afirma¸c˜oes abaixo s˜ao v´alidas:
i) J : W01,n(Ω)→ R satisfaz a condi¸c˜ao (P S) no intervalo (−∞,1n(αn
b ) n−1);
ii) Seja f′(x, t) = ∂
∂tf (x, t) e assuma que supx∈Ωf
′(x, 0) < λ 1(Ω) e lim sup t→∞ inf x∈Ω{h(x, t)t n−1} = ∞.
Ent˜ao, existe u0∈ W01,n(Ω) tal que
∆nu0 = f (x, u0)u0p−2, em Ω; u0 ≥ 0, u0 = 0, em ∂Ω. (4) Aqui J (u) = 1 n ∫ Ω |∇u(x)|ndx− ∫ Ω F (x, u(x)) dx, λ1(u) = inf {∫ Ω |∇u(x)|ndx : ∫ Ω |u(x)|ndx = 1 } , ∀ u ∈ W01,n(Ω), e tamb´em αn = nw 1 n−1
n , onde wn ´e o volume de ∂B1(0). ´E importante ressaltar que o teorema
obt´em solu¸c˜ao para o problema (4).
Por fim, um esbo¸co deste trabalho ´e dado como segue: no Cap´ıtulo 1, apresentamos as defini¸c˜oes mais importantes e os resultados elementares (sem provas) que ser˜ao utilizados no decorrer da disserta¸c˜ao. No Cap´ıtulo 2, enunciamos e demonstramos os Teoremas da Deforma¸c˜ao, do Passo da Montanha e do Princ´ıpio Variacional de Ekeland. No Cap´ıtulo 3, provamos os resultados principais.
Cap´ıtulo 1
Defini¸
c˜
oes e Resultados B´
asicos
Neste cap´ıtulo, apresentaremos as defini¸c˜oes e os resultados elementares estreitamente ligados ao nosso trabalho. ´E importante enfatizar que, as referˆencias [1, 5, 6, 7, 12] contˆem as informa¸c˜oes dadas logo a seguir.
Comecemos com o conceito de derivada de Fr´echet de um funcional real.
Defini¸c˜ao 1.1. Seja I : X −→ R um funcional, onde X ´e um espa¸co normado. Dizemos que I ´e
Fr´echet diferenci´avel em u∈ X, se existir Tu ∈ X
′
(dual de X) tal que lim ||h||→0 |I(u + h) − I(u) − Tu(h)| ||h|| = 0. Neste caso, I′(u)· h = Tu(h), ∀ h ∈ X.
Escrevemos, I ∈ C1(X,R) se I′: X → X′ existir e for cont´ınua.
Existe uma uma outra forma de garantir que um funcional real ´e diferenci´avel.
Defini¸c˜ao 1.2. Seja I : X → R um funcional, onde X ´e um espa¸co normado. Dizemos que I ´e
Gˆateaux diferenci´avel em u∈ X se existir Tu∈ X
′ tal que Tu(h) = lim t→0 I(u + th)− I(u) t , ∀ h ∈ X.
Abaixo adicionamos a defini¸c˜ao de ponto cr´ıtico para um funcional real. Al´em disso, aprovei-tamos o momento para esclarecer o significado de valor cr´ıtico.
Defini¸c˜ao 1.3. Sejam X um espa¸co de Banach e I ∈ C1(X,R). Dizemos que c ∈ R ´e um valor cr´ıtico de I se existe u∈ X com I′(u) = 0 e I(u) = c. Neste caso, a igualdade I′(u) = 0 caracteriza
u∈ X como ponto cr´ıtico de I.
Possibilite-nos esclarecer o significado da express˜ao “o funcional I satisfaz a condi¸c˜ao (P S)”.
Defini¸c˜ao 1.4. Seja I : X → R um funcional (Fr´echet) diferenci´avel, onde X ´e um espa¸co de
Banach. Dizemos que I satisfaz a condi¸c˜ao de Palais- Smale (P S) se qualquer sequˆencia (un)⊆ X
tal que
|I(un)| ≤ C, e lim n→∞I
′(u
n) = 0, ∀ n ∈ N,
onde C > 0 ´e uma constante, possui uma subsequˆencia que converge fortemente em X.
Vejamos como conceituar a afirma¸c˜ao “o funcional I satisfaz (P S)c”.
Defini¸c˜ao 1.5. Seja I : X → R um funcional (Fr´echet) diferenci´avel, onde X ´e um espa¸co de
Banach. Dizemos que I satisfaz a condi¸c˜ao (P S)c se para qualquer sequˆencia (un) ⊆ X que goza
das propriedades
lim
n→∞I(un) = c e nlim→∞I ′(u
n) = 0,
podemos concluir que c ´e um valor cr´ıtico de I.
A seguir, apresentamos uma lista que fornece alguns resultados elementares que s˜ao aplicados neste trabalho.
• Mergulho cont´ınuo e compacto: Sejam X, Y espa¸cos normados, onde X ⊆ Y . Dizemos
que X est´a mergulhado continuamente (compactamente) em Y , e escrevemos X ,→ Y con-tinuamente (compactamente), se a inclus˜ao i : X ,→ Y (dada por i(x) = x), ´e um operador cont´ınuo (compacto);
• Desigualdade de H¨older: Seja 1 ≤ p ≤ ∞ e denote por q o expoente conjugado de p (isto
´
e, 1p +1q = 1). Se u∈ Lp(Ω) e v∈ Lq(Ω), ent˜ao uv∈ L1(Ω), e ∫
Ω
• Desigualdade de H¨older Generalizada: Suponha que u = u1· ... · uN, onde uj ∈ Lpj(Ω)
(1≤ j ≤ N) com 0 < pj <∞. Se 1q = p11 + ... +p1N, ent˜ao u∈ Lq(Ω) e
∥u∥Lq(Ω) ≤ ∥u∥Lp1(Ω)· ... · ∥u∥LpN(Ω); • Desigualdade de Interpola¸c˜ao: Seja 1 ≤ p < q < r ≤ ∞ tais que 1
q = θ p+ 1−θ r , para algum θ∈ (0, 1). Se u ∈ Lp(Ω)∩ Lr(Ω), ent˜ao u∈ Lq(Ω) e
∥u∥Lq(Ω) ≤ ∥u∥θLp(Ω)∥u∥1L−θr(Ω);
• Desigualdade de Young: Dados dois n´umeros reais positivos a e b, tem-se ab≤ 1
pa
p+1
qb
q,
onde p e q s˜ao expoentes conjugados;
• Teorema da Convergˆencia Dominada: Seja (fn) uma sequˆencia de fun¸c˜oes mensur´aveis
sobre Ω tal que lim
n→∞fn = f q.t.p. em Ω. Se existe g ∈ L 1(Ω) tal que |f n| ≤ g, para todo n∈ N e q.t.p. em Ω, ent˜ao lim n→∞ ∫ Ω fn(x) dx = ∫ Ω f (x) dx;
• Teorema da Convergˆencia Mon´otona: Seja (fn) uma sequˆencia de fun¸c˜oes mensur´aveis
sobre Ω tais que
0≤ f1 ≤ f2 ≤ ... ≤ fn≤ ..., em Ω
e tamb´em lim
n→∞fn= f q.t.p. em Ω. Ent˜ao, podemos inferir que
lim n→∞ ∫ Ω fn(x) dx = ∫ Ω f (x) dx;
• Teorema de Egoroff: Suponha que µ(Ω) < +∞ e que (fn) ´e uma sequˆencia de fun¸c˜oes reais
mensur´aveis que converge quase toda parte em Ω para a fun¸c˜ao real mensur´avel f. Ent˜ao, a sequˆencia (fn) converge quase uniformemente para f, isto ´e, para todo δ > 0 existe um
conjunto Eδ ⊆ Ω com µ(Eδ) < δ e (fn) converge uniformemente para f em Ω\Eδ.
• Teorema da Representa¸c˜ao de Riesz para Espa¸cos de Hilbert: Sejam X um espa¸co
de Hilbert e f : X → R um funcional linear e limitado. Ent˜ao, existe um ´unico v ∈ X tal que
Cap´ıtulo 2
Alguns M´
etodos Variacionais
Neste cap´ıtulo, apresentaremos alguns resultados que ser˜ao aplicados nesta disserta¸c˜ao e que desempenham um papel imprescind´ıvel em um curso introdut´orio de M´etodos Variacionais; entre estes, citamos: o Teorema da Deforma¸c˜ao, o Teorema do Passo da Montanha e o Princ´ıpio Vari-acional de Ekeland. ´E importante ressaltar aqui que, a utiliza¸c˜ao mais relevante destes teoremas, para este trabalho, ser´a exposta com mais detalhes no pr´oximo cap´ıtulo.
Permita-nos esclarecer que este cap´ıtulo apresenta em detalhes algumas informa¸c˜oes contidas em [7, 23].
2.1
Teorema da Deforma¸
c˜
ao
Nesta se¸c˜ao, estamos interessados em provar o Teorema da Deforma¸c˜ao e apresentar uma con-sequˆencia que ser´a utilizada no problema principal desta disserta¸c˜ao. Esse, por sua vez, tamb´em desempenhar´a um papel relevante na prova do Teorema do Passo da Montanha (ver Teorema 2.3 abaixo).
Com a finalidade de estabelecer uma prova para o Teorema da Deforma¸c˜ao, permita-nos garantir a existˆencia de uma campo pseudo-gradiente associado a um funcional.
Lema 2.1. Sejam X um espa¸co de Banach e φ ∈ C1(X,R). Ent˜ao, existe um campo
pseudo-gradiente para φ em Y = {u ∈ X : φ′(u)̸= 0}, isto ´e, existe V : Y → X localmente Lipschitziana
tal que
onde 0 < β < α.
Demonstra¸c˜ao. Seja eu ∈ Y, ent˜ao eu ∈ X e φ′(eu) ̸= 0. Pela defini¸c˜ao de norma de um funcional linear, temos que existe w∈ X tal que ∥w∥ = 1 e
2β
α + β∥φ
′(eu)∥ < φ′(eu) · w < ∥φ′(eu)∥, (2.2)
pois α+β2β < 1. Afirmamos que, o campo eV : Y → X dado por
e
V (eu) := α + β
2 ∥φ
′(eu)∥w,
satisfaz as desigualdades descritas em (2.1). Com efeito, note que
∥eV (eu)∥ = α + β
2 ∥φ
′(eu)∥∥w∥ = α + β
2 ∥φ
′(eu)∥ < α∥φ′(eu)∥, (2.3)
pois β < α, e tamb´em, por (2.2), encontramos
φ′(eu) · [eV (eu)] = α + β
2 ∥φ
′(eu)∥[φ′(eu) · w] > β∥φ′(eu)∥2. (2.4)
Afirmamos tamb´em que, para cada eu ∈ Y, existe Veu ⊆ Y , vizinhan¸ca aberta de eu, tal que
∥eV (eu)∥ < α∥φ′(u)∥ e φ′(u)· [eV (eu)] > β∥φ′(u)∥2, ∀ u ∈ Veu. (2.5) De fato, como φ∈ C1(X,R), ent˜ao φ′: X → X′´e cont´ınua. Assim, dado ϵ > 0, existe δ = δ(ϵ,eu) > 0 tal que ∥φ′(u)− φ′(eu)∥ < ϵ, sempre que ∥u − eu∥ < δ. Sendo assim, assuma que Veu= Bδ(eu) para
obter
|∥φ′(u)∥ − ∥φ′(eu)∥| ≤ ∥φ′(u)− φ′(eu)∥ < ϵ, ∀ u ∈ V
eu.
Logo, chegamos a
∥φ′(eu)∥ − ϵ < ∥φ′(u)∥ < ∥φ′(eu)∥ + ϵ, ∀ u ∈ V
eu.
Com isso, para
0 < ϵ≤ min ∥φ′(eu)∥ − ∥eV (eu)∥ α , [ φ′(eu) · [eV (eu)] β ]1 2 − ∥φ′(eu)∥ ,
ver (2.3) e (3.19), deduzimos que
α∥φ′(u)∥ > α(∥φ′(eu)∥ − ϵ)≥ α [
∥φ′(eu)∥ − ∥φ′(eu)∥ +∥eV (eu)∥
α ] =∥eV (eu)∥, e tamb´em β∥φ′(u)∥2 < β[∥φ′(eu)∥ + ϵ]2 ≤ β ∥φ′(eu)∥ + [ φ′(eu) · [eV (eu)] β ]1 2 − ∥φ′(eu)∥ 2 = φ′(eu) · [eV (eu)],
para todo u∈ Veu. Isto prova (2.5).
´
E f´acil ver que Y ⊆∪eu∈Y Veu. Logo, eY ={Veu:eu ∈ Y } ´e uma cobertura aberta de Y.
Como Y ´e metriz´avel (X ´e Banach), ent˜ao Y ´e paracompacto (ver [19]), isto ´e, existe um refinamento localmente finito para eY , ou seja, existe {Ueui : eui ∈ Y }i∈I ⊆ eY , cobertura aberta de
Y tal que para cada z∈ Y , existe Vz vizinhan¸ca aberta de Y de forma que
Fz ={i ∈ I : Ueui∩ Vz ̸= ∅} ´e finito.
Agora, defina ρi : Y → R (i ∈ I) por
ρi(x) = d(x,{Ueui), ∀ x ∈ Y. (2.6)
Note que,
ρi(x) = 0, ∀ x /∈ Ueui.
Dessa forma, podemos estabelecer uma aplica¸c˜ao φi : Y → R (i ∈ I), pondo
φi(x) =
ρi(x)
∑
j∈Iρj(x)
, ∀ x ∈ Y. (2.7)
Observe que a soma colocada no denominador acima ´e finita e positiva para cada x∈ Y. De fato, se
x∈ Y, ent˜ao existe Vxvizinhan¸ca de x tal que Ueui∩Vx̸= ∅, para todo i ∈ Fx(finito). Logo, x̸∈ Ueui,
para todo i /∈ Fx. Assim, ρj(x) = 0, para qualquer j ̸∈ Fx. Ent˜ao,
∑
j∈Iρj(x) =
∑
i∈Fxρi(x) (Fx ´e
finito). Al´em disso, ∑i∈F
xρi(x) > 0, pois x∈ Ueui para algum i∈ Fx (ver (2.6)).
´
• 0 ≤ φi≤ 1, ∀ i ∈ I;
• φi ´e cont´ınua, para todo i∈ I;
• ∑
i∈I
φi(x) = 1, para cada x∈ Y .
Agora defina V : Y → X por
V (u) =∑
i∈I
φi(u) eV (eui), ∀ u ∈ Y.
Afirmamos que V ´e a aplica¸c˜ao procurada neste lema. Vamos verificar, primeiramente, que V ´e localmente Lipschitziana. Sendo assim, seja x∈ Y, ent˜ao existe Vx uma vizinhan¸ca aberta de x tal
que Ueui∩ Vx ̸= ∅, para todo i ∈ Fx (finito). Da´ı, para todo y, z∈ Vx, obtemos
∥V (y) − V (x)∥ = ∑ i∈I φi(y) eV (eui)− ∑ i∈I φi(z) eV (eui) ≤ ∑ i∈Fx |φi(y)− φi(z)∥eV (eui)∥ ≤ Mx ∑ i∈Fx ρi(y) ∑ j∈Fxρj(y) −∑ ρi(z) j∈Fxρj(z) = Mx ∑ i∈Fx ρi(y) ∑ j∈Fxρj(y) −∑ ρi(y) j∈Fxρj(z) +∑ ρi(y) j∈Fxρj(z) −∑ ρi(z) j∈Fxρj(z) , onde Mx = max i∈Fx
{∥eV (eui)∥}. Consequentemente, usando (2.6), chegamos a
∥V (y) − V (x)∥ ≤ Mx [ (∑i∈Fxρi(y))( ∑ j∈Fx|ρj(z)− ρj(y)|) [∑j∈F xρj(y)][ ∑ j∈Fxρj(z)] + ∑ i∈F∑x|ρi(y)− ρi(z)| j∈Fxρj(z) ] = 2Mx ∑ i∈F∑x|ρi(y)− ρi(z)| i∈Fxρi(z) ≤ 2Mx ∑ i∈Fx∥y − z∥ ∑ i∈Fxρi(z) = 2MxNx∑∥y − z∥ i∈Fxρi(z) ,
para todo y, z ∈ Vx; onde, Nx ´e uma constante (Fx ´e finito). Mas,
∑
i∈Fxρi(x) > 0. Logo, por
continuidade, existe ax> 0 e Wx uma vizinhan¸ca aberta de x tal que
∑
Seja Zx = Vx∩ Wx (vizinhan¸ca aberta de x). Ent˜ao, ∥V (y) − V (x)∥ ≤ ( 2MxNx ax ) ∥y − z∥, ∀ y, z ∈ Zx.
Portanto, conclu´ımos que V ´e localmente Lipschitziana.
Resta provar que V verifica (2.1). Com efeito, aplicando (2.5), resulta que
∥V (u)∥ = ∑ i∈I φi(u) eV (eui) = ∑ i∈Fu φi(u) eV (eui) ≤ ∑ i∈Fu
φi(u)∥eV (eui)∥ < α∥φ′(u)∥
∑ i∈Fu φi(u) ≤ α∥φ′(u)∥∑ i∈I φi(u)≤ α∥φ′(u)∥ e tamb´em
φ′(u)· [V (u)] = φ′(u)· [ ∑ i∈Fu φi(u) eV (eui) ] = ∑ i∈Fu φi(u)φ′(u)· [eV (eui)] > ∑ i∈Fu φi(u) ( β∥φ′(u)∥2) = β∥φ′(u)∥2 ∑ i∈Fu φi(u) ≤ β∥φ′(u)∥2,
para todo u∈ Y . Como quer´ıamos demonstrar.
Permita-nos enunciar e demonstrar o resultado que d´a nome a esta se¸c˜ao.
Teorema 2.1. Sejam X um espa¸co de Banach e φ ∈ C1(X,R). Considere que S ⊆ X, c ∈ R, 0 < α≤ 2β < 2α, ϵ > 0 pequeno e δ > 0 s˜ao tais que
∥φ′(u)∥ ≥ 4ϵ δ , ∀ u ∈ φ −1([c− 2ϵ(4β α − 1 ) , c + 2ϵ ( 4β α − 1 )]) ∩ S2δ. (2.8)
Ent˜ao, existe uma aplica¸c˜ao η∈ C([0, 1] × X, X) tal que
i) η(0, u) = u, ∀ u ∈ X; ii) η(t, u) = u, ∀ u ̸∈ φ−1 ([ c− 2ϵ ( 4β α − 1 ) , c + 2ϵ ( 4β α − 1 )]) ∩ S2δ, t∈ [0, 1];
iii) η(1, φc+ϵ(4βα−1)∩ S) ⊆ φc−ϵ∩ Sδ;
iv) η(1,·) : X → X ´e um homeomorfismo.
Aqui φc={u ∈ X : φ(u) ≤ c} e Sδ={u ∈ X : d(u, S) ≤ δ}, onde d(u, S) = inf
v∈S{∥u − v∥}.
Demonstra¸c˜ao. Primeiramente, sejam A = φ−1 ([ c− 2ϵ ( 4β α − 1 ) , c + 2ϵ ( 4β α − 1 )]) ∩ S2δ, B = φ−1 ([ c− ϵ ( 4β α − 1 ) , c + ϵ ( 4β α − 1 )]) ∩ Sδ e tamb´em Y ={u ∈ X : φ′(u)̸= 0}. ´
E f´acil ver que B⊆ int A ⊆ A ⊆ Y. A primeira inclus˜ao segue das defini¸c˜oes dos conjuntos A e B, e do fato de φ ser cont´ınua. Por outro lado, a inclus˜ao A ⊆ Y segue de (2.8). Por conseguinte, podemos escrever B∩ {A = ∅. Com isso,
d(u,{A) + d(u, B) > 0, ∀ u ∈ X,
pois{A e B s˜ao fechados. Dessa forma, podemos definir ρ : X → R por
ρ(u) = d(u,{A)
d(u,{A) + d(u, B), ∀ u ∈ X.
Note que
0≤ ρ(u) ≤ 1 e ρ(u) = {
1, se u∈ B = B;
0, se u∈ {A,
Al´em disso, temos que ρ ´e localmente Lipschitziana. Com efeito, assuma u0 ∈ X. Ent˜ao, por
continuidade, existem Cu0 > 0 e Vu0(vizinhan¸ca aberta de u0)⊆ X tais que
0 < Cu0 ≤ d(u, {A) + d(u, B), ∀ u ∈ Vu0. (2.9)
Assim, para quaisquer u, v∈ Vu0, temos que
ρ(u)− ρ(v) = d(u,{A)
d(u,{A) + d(u, B)−
d(v,{A) d(v,{A) + d(v, B)
= d(u,{A) − d(v, {A) {A) + d(u, B) +
d(v,{A)[d(v, {A) + d(v, B)] − d(v, {A)[d(u, {A) + d(u, B)]
Consequentemente, chegamos a
|ρ(u) − ρ(v)| ≤ ∥u − v∥
d(u,{A) + d(u, B)+
d(v,{A)[d(v, {A) − d(u, {A) + [d(v, B) − d(u, B)]
[d(v,{A) + d(v, B)][d(u, {A) + d(u, B)]
≤ ∥u − v∥
d(u,{A) + d(u, B)+
∥u − v∥ + ∥u − v∥ d(u,{A) + d(u, B).
Por fim, por (2.9), conclu´ımos
|ρ(u) − ρ(v)| ≤ 3∥u − v∥
d(u,{A) + d(u, B) ≤
3
Cu0
∥u − v∥, ∀ u, v ∈ Vu0.
Isto prova que ρ ´e localmente Lipschitziana.
Agora, considere que f : X→ X ´e uma fun¸c˜ao dada por
f (u) =
{ −ρ(u)V (u)
∥V (u)∥ , se u∈ A;
0, se u∈ {A,
onde V foi dado no Lema 2.1. Note que, a fun¸c˜ao acima est´a bem definida, pois aplicando o Lema 2.1, chegamos a
φ′(u)· [V (u)] ≥ γ2∥φ′(u)∥2, ∀ u ∈ Y,
e, consequentemente,
∥V (u)∥ ≥ γ2∥φ′(u)∥ > 0, ∀ u ∈ Y. (2.10)
onde γ2> 0 (´e representado por β no Lema 2.1).
Afirmamos que f ´e localmente Lipschitziana. Provaremos este fato, seguindo alguns passos. Primeiramente, vimos acima que, para cada u0 ∈ X, existe Vu0 (vizinhan¸ca aberta de u0) ⊆ X tal
que ρ ´e Lipschitziana em Vu0.
• u0 ∈ Y :
Neste caso, podemos tomar Vu0 ⊆ Y (diminuindo, se necess´ario), pois Y ´e aberto, de forma
encontramos
∥f(u) − f(v)∥ = ρ(u)V (u) ∥V (u)∥ − ρ(v)V (v) ∥V (v)∥ = ρ(u)V (u) ∥V (u)∥ − ρ(v)V (u) ∥V (u)∥ + ρ(v)V (u) ∥V (u)∥ − ρ(v)V (v) ∥V (v)∥
≤ |ρ(u) − ρ(v)| + ρ(v)∥∥V (v)∥V (u) − ∥V (u)∥V (v)∥
∥V (u)∥∥V (v)∥ .
Por conseguinte, por (2.10) e (2.8), segue que
∥f(u) − f(v)∥ ≤ |ρ(u) − ρ(v)| + ∥∥V (v)∥V (u) − ∥V (u)∥V (u) + ∥V (u)∥V (u) − ∥V (u)∥V (v)∥∥V (u)∥∥V (v)∥ ≤ |ρ(u) − ρ(v)| + |∥V (v)∥ − ∥V (u)∥| + ∥V (u) − V (v)∥∥V (v)∥
≤ |ρ(u) − ρ(v)| + 2∥V (u) − V (v)∥ ∥V (v)∥ ≤ |ρ(u) − ρ(v)| + δ∥V (u) − V (v)∥
2ϵγ2
.
Como ρ e V s˜ao Lipschitzianas em Vu0, inferimos que existe Cu0 > 0 tal que ∥f(u) − f(v)∥ ≤ Cu0∥u − v∥.
Por outro lado, se u∈ Vu0 ∩ A e v ∈ Vu0 ∩ {A, inferimos
∥f(u) − f(v)∥ = ∥f(u)∥ = −ρ(u)V (u)∥V (u)∥ = |ρ(u)| ∥V (u)∥V (u) = |ρ(u)| = |ρ(u) − ρ(v)|.
Como ρ ´e Lipschitziana em Vu0, conclu´ımos que existe Cu0 > 0 tal que ∥f(u) − f(v)∥ ≤ Cu0∥u − v∥.
Analogamente, se u∈ Vu0 ∩ {A e v ∈ Vu0∩ A, chegamos a ∥f(u) − f(v)∥ ≤ Cu0∥u − v∥,
onde Cu0 ´e uma constante positiva. Por fim, se u, v∈ Vu0 ∩ {A, obtemos ∥f(u) − f(v)∥ = 0 ≤ ∥u − v∥.
• u0 ∈ Y :/
Neste caso, u0∈ {A. Como {A ´e aberto, ent˜ao podemos assumir que Vu0 ⊆ {A (diminuindo,
se necess´ario). Dessa forma, se u, v∈ Vu0, obtemos
∥f(u) − f(v)∥ = 0 ≤ ∥u − v∥.
Isto nos diz que f ´e Lipschitziana em Vu0.
Outra informa¸c˜ao importante sobre f ´e a seguinte:
∥f(u)∥ ≤ 1, ∀ u ∈ X. (2.11)
De fato, as desigualdades abaixo s˜ao v´alidas:
∥f(u)∥ = −ρ(u)V (u)∥V (u)∥ = |ρ(u)| = ρ(u) ≤ 1, ∀u ∈ A,
e tamb´em ´e verdade que
∥f(u)∥ = 0 ≤ 1, ∀ u ∈ {A.
Considerando todas as propriedade que a aplica¸c˜ao f satisfaz, podemos concluir que o problema
de Cauchy dw dt(t) = f (w(t)); w(0) = u, (2.12)
onde u∈ X est´a fixo, tem ´unica solu¸c˜ao definida em R (ver Proposi¸c˜ao B.1 em [13]). Seja w(·, u) : R → X tal solu¸c˜ao e defina η : [0, 1] × X → X por
η(t, u) = w(δt, u), ∀(t, u) ∈ [0, 1] × X.
Vamos provar que η ´e a aplica¸c˜ao desejada. Com efeito, podemos escrever
i) η(0, u) = w(δ· 0, u) = w(0, u) = u, ∀ u ∈ X.
Isto prova i), por (2.12);
ii) Seja u∈ {A. Ent˜ao, f(u) = 0. Da´ı, o problema de Cauchy (2.12) tem como solu¸c˜ao constante
a aplica¸c˜ao
pois
dw
dt(t, u) = d(u)
dt = 0 = f (u) = f (w(t, u))
e tamb´em w(0, u) = u. Como tal solu¸c˜ao ´e ´unica, temos que
η(t, u) = w(δt, u) = u, ∀ t ∈ [0, 1] e u ̸∈ A.
A prova de ii) est´a completa.
iii) Note que, pelo Teorema Fundamental do C´alculo, temos que
w(t, u)− w(0, u) =
∫ t
0
dw
dτ(τ, u) dτ.
Assim, por (2.11) e (2.12), podemos deduzir
∥w(t, u) − u∥ ≤
∫ t
0
∥f(w(τ, u))∥ dτ ≤ t ≤ δ, ∀ t ∈ [0, δ]. (2.13) Portanto, obt´em-se, por (2.13), que
d(w(t, u), S) = inf
v∈S{∥w(t, u) − v∥} ≤ ∥w(t, u) − u∥ ≤ δ, ∀ t ∈ [0, δ] e u ∈ S.
Logo, inferimos que
w(t, u)∈ Sδ, ∀ t ∈ [0, δ] e u ∈ S. (2.14)
Consequentemente,
η(t, u) = w(δt, u)∈ Sδ, ∀ t ∈ [0, 1] e u ∈ S. (2.15)
Agora, estamos interessados em provar que a aplica¸c˜ao g = φ◦w(·, u) : R → R ´e n˜ao crescente. Para este fim, primeiramente, observe que, por (2.12), deduzimos que
g′(t) = φ′(w(t, u))· [ dw(t, u) dt ] = φ′(w(t, u))· [f(w(t, u))] , isto ´e, g′(t) = { 0, se w(t, u)∈ {A; − ρ(w(t,u))
Consequentemente, pelo Lema 2.1, encontramos g′(t)≤ { 0, se w(t, u)∈ {A; − ρ(w(t,u)) ∥V (w(t,u))∥γ2∥φ′(w(t, u))∥2, se w(t, u)∈ A.
Por conseguinte, g′(t)≤ 0, para todo t ∈ R. Logo, g ´e n˜ao crescente. Vamos, agora, checar a veracidade de iii) deste teorema.
Seja, u∈ φc+ϵ(4βα−1)∩ S. Consequentemente, podemos supor que g(et) = φ(w(et, u)) < c− ϵ, para algum et∈ [0, δ],
para obter
φ(η(1, u)) := φ(w(δ· 1, u)) = φ(w(δ, u)) = g(δ) ≤ g(˜t) = φ(w(et, u)) < c − ϵ.
Logo, η(1, u)∈ φc−ϵ. Por (2.15), temos que η(1, u)∈ S
δ, pois u∈ S. Consequentemente,
η(1, u)∈ φc−ϵ∩ Sδ.
Isto verifica iii), neste caso espec´ıfico. Assuma, agora, que
φ(w(t, u))≥ c − ϵ, ∀ t ∈ [0, δ]. (2.16)
Primeiramente, lembre que u∈ φc+ϵ(4βα−1). Ent˜ao, φ(u)≤ c + ϵ ( 4β α − 1 ) . (2.17)
Logo, pela monotonicidade de g e pelo problema (2.12), temos que
φ(w(t, u)) = g(t)≤ g(0) = φ(w(0, u)) = φ(u) ≤ c + ϵ
( 4β
α − 1
)
, ∀ t ≥ 0.
Portanto, por (2.16), chegamos a
c− ϵ ( 4β α − 1 ) ≤ φ(w(t, u)) ≤ c + ϵ ( 4β α − 1 ) , ∀ t ∈ [0, δ],
desde que 2β≥ α, isto ´e,
w(t, u)∈ φ−1 ([ c− ϵ ( 4β α − 1 ) , c + ϵ ( 4β α − 1 )]) , ∀ t ∈ [0, δ].
Por, (2.14), obtemos w(t, u)∈ φ−1 ([ c− ϵ ( 4β α − 1 ) , c + ϵ ( 4β α − 1 )]) ∩ Sδ= B, ∀ t ∈ [0, δ], (2.18)
pois u∈ S. Por conseguinte, pelo Teorema Fundamental do C´alculo, (2.12) e (2.18), resulta que φ(η(1, u)) = φ(w(δ, u)) = φ(w(0, u)) + ∫ δ 0 d dtφ(w(t, u)) dt = φ(u) + ∫ δ 0 φ′(w(t, u))· [ d dtw(t, u) ] dt = φ(u) + ∫ δ 0 φ′(w(t, u))· [f(w(t, u))] dt = φ(u)− ∫ δ 0 ρ(w(t, u))
∥V (w(t, u))∥φ′(w(t, u))· [V (w(t, u))] dt.
Consequentemente, por (2.17) e (2.18), chegamos a
φ(η(1, u)) = φ(u)−
∫ δ
0
1
∥V (w(t, u))∥φ′(w(t, u))· [V (w(t, u))] dt ≤ c + ϵ(4β α − 1) − γ2 γ1 ∫ δ 0 ∥φ′(w(t, u))∥2 ∥φ′(w(t, u))∥ dt ≤ c + ϵ(4β α − 1) − γ2 γ1 4ϵ δ ∫ δ 0 dt = c + ϵ(4β α − 1) − 4γ2ϵ γ1 = c− ϵ + 4ϵ [ β α − γ2 γ1 ] ,
onde γ1 > γ2 (aqui γ1 representa α no Lema 2.1) foram encontrados no Lema 2.1. Considere
que γ2 = β e γ1= α (β < α). Da´ı, φ(η(1, u))≤ c − ϵ + 4ϵ [ β α − β α ] = c− ϵ.
Com isso, η(1, u) ∈ φc−ϵ. Deste modo, por (2.15), deduzimos η(1, u) ∈ Sδ (u ∈ S). Por
conseguinte,
Por fim,
η(1, φc+ϵ(4βα−1)∩ S) ⊆ φc−ϵ∩ Sδ.
Isto prova o item iii).
iv) Defina ξδ2 : X→ X por
ξ2δ(u) = w(−δ, u), ∀ u ∈ X. Da´ı, pelo problema (2.12), temos que
[η(1,·) ◦ ξδ2](u) = η(1,·)(ξδ2(u)) = η(1, ξ2δ(u)) = w(δ, w(−δ, u)) = w(δ − δ, u) = w(0, u) = u, e tamb´em [ξ2δ◦ η(1, ·)](u) = ξ2δ(η(1,·)) = ξ2δ(w(δ, u)) = w(−δ, w(δ, u))) = w(−δ + δ, u) = w(0, u) = u,
para todo u∈ X (ver [13]). Logo, ξ2δ = w(−δ, ·) ´e a inversa de η(1, ·) = w(δ, ·). Logo, η(1, ·) ´
e cont´ınua pela dependˆencia cont´ınua com rela¸c˜ao aos dados iniciais (ver Proposi¸c˜ao B.1 em [13]). O mesmo ocorre com ξ2δ. Dessa forma, η(1,·) ´e um homeomorfismo.
Como quer´ıamos demonstrar.
A seguir, apresentaremos um resultado que ser´a utilizado no desenvolvimento da teoria que comprova todas as afirma¸c˜oes, j´a realizadas, sobre o problema principal desta disserta¸c˜ao.
Corol´ario 2.2. Sejam X um espa¸co de Banach e φ ∈ C1(X,R). Suponha que φ satisfaz (P S).
Se c ∈ R n˜ao ´e um valor cr´ıtico de φ, ent˜ao dado ϵ > 0 pequeno, existe uma aplica¸c˜ao η ∈ C([0, 1]× X, X) tal que
i) η(0, u) = u, ∀ u ∈ X;
ii) η(t, u) = u, ∀ u ̸∈ φ−1([c− 2ϵ, c + 2ϵ]) , t ∈ [0, 1];
iv) η(1,·) : X → X ´e um homeomorfismo.
Demonstra¸c˜ao. Primeiramente, vamos provar que existem θ, γ > 0 tais que
∥φ′(u)∥ ≥ γ, ∀ u ∈ φ−1([c− 2θ, c + 2θ]) . (2.19)
Suponha, por absurdo, que a desigualdade acima ´e falsa. Assim, ter´ıamos (un)⊆ φ−1
(
[c−n2, c + 2n]) satisfazendo ∥φ′(u)∥ < 1n. Dessa forma,
c− 2 n ≤ φ(un)≤ c + 2 n e ∥φ ′(u n)∥ < 1 n, ∀ n ∈ N. Logo, obtemos φ(un)→ c e ∥φ′(un)∥ → 0.
Como φ satisfaz (P S), ent˜ao existe (unk) ⊆ (un) tal que unk → u, para algum u ∈ X. Por outro
lado, como φ∈ C1(X,R), deduzimos
φ(unk)→ φ(u) e φ
′(u
nk)→ φ
′(u).
Logo, por unicidade de limite, φ(u) = c e φ′(u) = 0. Da´ı, c ´e valor cr´ıtico de φ. Isto ´e um absurdo (c n˜ao ´e valor cr´ıtico de φ).
Sejam S = X, ϵ ∈ (0, θ], δ = 4ϵγ, α = 2 e β = 1 no Teorema 2.1. Como Sδ = S2δ = X e
φ−1([c− 2ϵ, c + 2ϵ]) ⊆ φ−1([c− 2θ, c + 2θ]), ent˜ao, aplicando (2.19), encontramos
∥φ′(u)∥ ≥ γ = 4ϵ
δ , ∀ u ∈ φ
−1([c− 2ϵ, c + 2ϵ]) .
Portanto, existe uma aplica¸c˜ao η∈ C([0, 1] × X, X) tal que
i) η(0, u) = u, ∀ u ∈ X;
ii) η(t, u) = u, ∀ u ̸∈ φ−1([c− 2ϵ, c + 2ϵ]) e t ∈ [0, 1];
iii) η(1, φc+ϵ∩ S) ⊆ φc−ϵ;
iv) η(1,·) : X → X ´e um homeomorfismo.
2.2
Teorema do Passo da Montanha
Esta se¸c˜ao ser´a desenvolvida em torno do conhecido Teorema do Passo da Montanha. Este resultado ser´a aplicado em nosso estudo das Equa¸c˜oes Diferenciais Parciais.
Teorema 2.3. Sejam X um espa¸co de Banach e φ ∈ C1(X,R) um funcional satisfazendo a
condi¸c˜ao (P S) (ou (P S)c). Se e∈ X e 0 < r < ∥e∥ s˜ao tais que
a := max{φ(0), φ(e)} < inf
u∈∂Br(0) {φ(u)} =: b, ent˜ao c = inf γ∈Γ { sup t∈[0,1] {φ(γ(t))} } ´
e valor cr´ıtico de φ, com c≥ b, onde
Γ ={γ ∈ C([0, 1], X) : γ(0) = 0 e γ(1) = e}.
Demonstra¸c˜ao. Primeiramente, vamos provar que
γ([0, 1])∩ ∂Br(0)̸= ∅, ∀ γ ∈ Γ. (2.20)
Como γ ∈ C([0, 1]), X) e [0, 1] ´e conexo, ent˜ao γ([0, 1]) ´e conexo. Al´em disso, tamb´em temos que 0 = γ(0) ∈ γ([0, 1]) e e = γ(1) ∈ γ([0, 1]). Assim sendo, 0 ∈ γ([0, 1]) ∩ Br(0) e e ∈ γ([0, 1]) ∩
(X\Br(0)), j´a que∥e∥ > r.
Agora defina f : γ([0, 1])→ R por
f (x) = d(x, Br(0))− d(x, (X\Br(0))), ∀ x ∈ γ([0, 1]).
Note que,
f (0) = d(0, Br(0))− d(0, (X\Br(0))) =−d(0, X\Br(0))) < 0
e tamb´em
f (e) = d(e, Br(0))− d(e, (X\Br(0))) = d(e, Br(0)) > 0.
Da´ı, chegamos a f (0) < 0 < f (e). Como f ´e a subtra¸c˜ao de aplica¸c˜oes cont´ınuas, ent˜ao existe
x0 ∈ γ([0, 1]) (i.e., x0 = γ(t0), para algum t0 ∈ [0, 1]) tal que f(γ(t0)) = f (x0) = 0. Com isso,
d(x0, Br(0)) = d(x0, (X\Br(0))). Logo, x0 ∈ ∂Br[0]. Por fim, x0 ∈ γ([0, 1]) ∩ ∂Br(0), ou seja, a
A partir de (2.20), podemos concluir b := inf u∈∂Br(0) {φ(u)} ≤ φ(x0) = φ(γ(t0))≤ sup t∈[0,1] {φ(γ(t))}, ∀ γ ∈ Γ.
Por conseguinte, pela defini¸c˜ao de ´ınfimo, temos que
b≤ inf γ∈Γ { sup t∈[0,1] {φ(γ(t))} } =: c.
Agora vamos provar, por absudo, que c ´e valor cr´ıtico de φ. Sendo assim, assuma que c n˜ao ´e valor cr´ıtico de φ. Usando o Corol´ario 2.2, com 0 < ϵ < b−a2 , temos que existe η∈ C([0, 1] × X, X)
tal que
i) η(t, u) = u, se u̸∈ φ−1([c− 2ϵ, c + 2ϵ]), ∀ t ∈ [0, 1];
ii) η(1, φc+ϵ)⊆ φc−ε.
Por outro lado, pela defini¸c˜ao de ´ınfimo, obtemos, γ0∈ Γ tal que
φ(γ0(t))≤ sup
t∈[0,1]
{φ(γ0(t))} < c + ϵ, ∀ t ∈ [0, 1].
Da´ı, inferimos que
γ0(t)∈ φc+ϵ, ∀ t ∈ [0, 1]. (2.21)
Agora, defina bγ : [0, 1] → X pondo
bγ(t) = η(1, γ0(t)), ∀ t ∈ [0, 1].
Afirmamos quebγ ∈ Γ.
Primeiramente, ´e f´acil ver que bγ ´e cont´ınua, pois η e γ0 o s˜ao.
Agora, observe que
0̸∈ φ−1([c− 2ϵ, c + 2ϵ]) ⇔ φ(0) ̸∈ [c − 2ϵ, c + 2ϵ] ⇔ φ(0) > c + 2ϵ ou φ(0) < c − 2ϵ. Por outro lado, sabemos que
Consequentemente,
φ(0)≤ c − (b − a) < c − 2ϵ.
Dessa forma, deduzimos que 0̸∈ φ−1([c− 2ϵ, c + 2ϵ]). Por conseguinte, pelo item i) acima, encon-tramos
bγ(0) = η(1, γ0(0)) = η(1, 0) = 0.
Analogamente, ´e simples verificar que
e̸∈ φ−1([c− 2ϵ, c + 2ϵ]) ⇔ φ(e) > c + 2ϵ ou φ(e) < c − 2ϵ. Mas, as desigualdades
φ(e)≤ max{φ(0), φ(e)} =: a < b ≤ c,
implicam que φ(e) < c− (b − a) < c − 2ϵ. Com isso, podemos escrever e ̸∈ φ−1([c− 2ϵ, c + 2ϵ]). Deste modo, chegamos a
bγ(1) = η(1, γ0(1)) = η(1, e) = e,
ver item i) acima. Dessa forma, bγ ∈ Γ.
Agora, usando o item ii) acima e (2.21), conclu´ımos que
bγ(t) = η(1, γ0(t))∈ φc−ϵ, ∀ t ∈ [0, 1].
Portanto,
φ(bγ(t)) ≤ c − ϵ, ∀ t ∈ [0, 1].
Da´ı, pela defini¸c˜ao de supremo, chegamos a sup
t∈[0,1]
{φ(bγ(t))} ≤ c − ϵ < c.
Isto ´e um absurdo, pois c := inf
γ∈Γ{ supt∈[0,1]{φ(γ(t))}}. Por fim, c ´e um valor cr´ıtico de φ. Como
quer´ıamos demonstrar.
2.3
Princ´ıpio Variacional de Ekeland
Nesta se¸c˜ao, apresentaremos outro teorema de extrema relevˆancia na teoria dos M´etodos Va-riacionais. Este ´e conhecido como o Princ´ıpio Variacional de Ekeland. Enfatizamos que este de-sempenhar´a um papel importante na prova dos nossos resultados principais. Mais especificamente,
temos o seguinte teorema.
Teorema 2.4. Sejam X um espa¸co m´etrico completo e ϕ : X → R um funcional semicont´ınuo e limitado inferiormente. Dados ϵ > 0 e x∈ X tais que
ϕ(x)≤ inf
u∈X{ϕ(u)} + ϵ, (2.22)
temos, para qualquer δ > 0, que existe y∈ X tal que
i) ϕ(y)≤ ϕ(x); ii) d(x, y)≤ δ;
iii) ϕ(y) < ϕ(u) + ϵδd(u, y), ∀ u ∈ X\{y}.
Demonstra¸c˜ao. Defina, sobre X, a seguinte rela¸c˜ao:
u≺ v ⇔ ϕ(u) ≤ ϕ(v) − ϵ
δd(u, v).
´
E f´acil ver que ≺ ´e uma rela¸c˜ao de ordem parcial em X. Com efeito,
• v ≺ v, pois ϕ(v) ≤ ϕ(v) −ϵ δd(v, v); • Se u ≺ v e v ≺ u, ent˜ao ϕ(u)≤ ϕ(v) − ϵ δd(u, v) e ϕ(v)≤ ϕ(u) − ϵ δd(v, u). Logo, inferimos ϕ(u)≤ ϕ(u) − ϵ δd(u, v)− ϵ δd(u, v).
Isto nos diz que d(u, v) = 0, ou seja, u = v.
• Se u ≺ v e v ≺ w, ent˜ao
ϕ(u)≤ ϕ(v) −ϵ
δd(u, v) e ϕ(v)≤ ϕ(w) − ϵ
Logo, podemos escrever ϕ(u)≤ ϕ(w) − ϵ δd(v, w)− ϵ δd(u, v) = ϕ(w)− ϵ δ[d(u, v) + d(v, w)] ≤ ϕ(w) − ϵ δd(u, w). Portanto, u≺ w.
Vamos em busca de uma sequˆencia decrescente de conjuntos fechados n˜ao vazios (Sn)n∈N∪{0}⊆
X tal que diam (Sn)→ 0. Seja u0 = x dado em (2.22). Defina, S0 ={w ∈ X : w ≺ u0}. Note que
u0 ∈ S0, pois u0 ≺ u0. Portanto, S0 ̸= ∅. Por outro lado, pela defini¸c˜ao de ´ınfimo, existe u1 ∈ S0
tal que
ϕ(u1)≤ inf
u∈S0
{ϕ(u)} + ϵ
2. Defina S1={w ∈ X : w ≺ u1}. Note que, S1̸= ∅, pois u1 ≺ u1.
Indutivamente, defina Sn={w ∈ X : w ≺ un}, onde un∈ Sn−1 e
ϕ(un)≤ inf
u∈Sn−1{ϕ(u)} + ϵ
n + 1, ∀ n ∈ N. (2.23)
Note que, Sn̸= ∅, pois un∈ Sn. Al´em disso, como un∈ Sn−1, temos que un≺ un−1. Da´ı,
ϕ(un)≤ ϕ(un−1)−
ϵ
δd(un, un−1).
Tamb´em temos que Sn+1 ⊆ Sn. pois
w∈ Sn+1⇒ w ≺ un+1⇒ w ≺ un⇒ w ∈ Sn.
Com isso, chegamos a
S0 ⊇ S1 ⊇ ... ⊇ Sn⊇ Sn+1⊇ ...,
isto ´e, (Sn)n∈N∪{0} ´e decrescente.
Vamos agora verificar que diam (Sn)→ 0.
Com efeito,
w∈ Sn⇒ inf
u∈Sn−1{ϕ(u)} ≤ infu∈Sn
Al´em disso, w≺ un(w∈ Sn), ou seja, ϕ(w)≤ ϕ(un)−δϵd(w, un). Portanto, por (2.23), chegamos a
ϵ
δd(w, un)≤ ϕ(un)− ϕ(w) ≤ infu∈Sn−1{ϕ(u)} + ϵ n + 1 − infu∈Sn−1{ϕ(u)} = ϵ n + 1. Assim, deduzimos d(w, un)≤ δ n + 1, ∀ n ∈ N ∪ {0}.
Por conseguinte, para w1, w2 ∈ Sn, obtemos
d(w1, w2)≤ d(w1, un) + d(un, w2)≤ δ n + 1+ δ n + 1 = 2δ n + 1, ∀ n ∈ N ∪ {0}.
Deste modo, podemos concluir diam (Sn) ≤ n+12δ , para todo n ∈ N ∪ {0}. Consequentemente,
diam (Sn)→ 0.
Agora vamos mostrar que Sn ´e fechado, para todo n∈ N ∪ {0}.
De fato, seja n∈ N∪{0} fixo e considere que (vm)⊆ Sn´e tal que lim
m→∞vm= w. Como vm ∈ Sn,
para todo m∈ N, ent˜ao vm ≺ un, para qualquer m∈ N. Logo,
ϕ(vm)≤ ϕ(un)−
ϵ
δd(vm, un), ∀ m ∈ N. (2.24)
Como ϕ ´e semicont´ınua inferiormente e lim
m→∞vm= w, ent˜ao
ϕ(w)≤ lim inf
m→∞ ϕ(vm).
Al´em disso, d(·, un) ´e cont´ınua. Ent˜ao, d(vm, un)−→ d(w, un), quando m→ ∞. Da´ı, passando ao
limite inferior, quando m→ ∞, em (2.24), obtemos
ϕ(w)≤ lim inf
m→∞ ϕ(vm)≤ ϕ(un)−
ϵ
δd(w, un).
Logo, w≺ un, ou seja, w∈ Sn. Por isso, Sn´e fechado, para cada n∈ N ∪ {0}.
Resumindo, (Sn)n∈N∪{0}´e uma sequˆencia decrescente de fechados n˜ao vazios tais que diam Sn→
0. Isto nos garante que existe um ´unico y∈∩n∈N∪{0}Sn.
Vamos verificar que y∈ X ´e o ponto procurado.
a) Primeiramente, note que
Isto prova i).
b) Al´em disso, atrav´es das desigualdades acima e (2.22), conclu´ımos que
ϵ
δd(x, y)≤ ϕ(x) − ϕ(y) ≤ infu∈X{ϕ(u)} + ϵ − ϕ(y) ≤ ϕ(y) + ϵ − ϕ(y).
Logo, d(x, y)≤ δ. Isto completa a prova de ii).
c) Seja u∈ X\{y}. Afirmamos que u ̸≺ y
Suponha por absurdo que u ≺ y. Sabemos que, y ∈ ∩n∈N∪{0}Sn. Logo, y ∈ Sn, para todo
n∈ N ∪ {0}. Da´ı, y ≺ un, para qualquer n∈ N ∪ {0}. Consequentemente, u ≺ un, para todo
n ∈ N ∪ {0}. Portanto, u ∈ ∩n∈N∪{0}Sn. Pela unicidade de y, temos que u = y. Isto ´e um
absurdo, pois u̸= y. Portanto, deduzimos que
u̸≺ y ⇒ ϕ(u) > ϕ(y) − ϵ
δd(u, y)⇒ ϕ(y) < ϕ(u) + ϵ
δd(u, y).
Isto completa a prova de c). Como quer´ıamos demonstrar.
Uma consequˆencia do Princ´ıpio Variacional de Ekeland, que ser´a aplicada neste trabalho, est´a precisamente enunciada abaixo.
Corol´ario 2.5. Sejam X um espa¸co de Banach e φ ∈ C1(X,R). Suponha que φ ´e um funcional
limitado inferiormente numa bola fechada Br(0) que satisfaz:
inf
u∈Br(0)
{φ(u)} < 0 e φ(u) ≥ δ, (2.25)
para todo u∈ ∂Br(0) e algum δ > 0. Ent˜ao, existe uma sequˆencia (vn)⊆ Br(0) tal que
lim n→∞φ(vn) =u∈Binf r(0) {φ(u)} e lim n→∞∥φ ′(v n)∥ = 0.
Demonstra¸c˜ao. Seja Br(u) uma bola qualquer. Afirmamos que Br(u) ´e um espa¸co m´etrico
com-pleto. Com efeito, seja (un)⊆ Br(u) uma sequˆencia de Cauchy. Como X ´e um espa¸co de Banach,
temos que un→ v em X (com v ∈ X). Note que, ∥un− u∥ ≤ r. Logo, passando ao limite, quando
n→ ∞, tem-se ∥v − u∥ ≤ r. Portanto, v ∈ Br(u).
´ınfimo, existe (un)⊆ Br(0) tal que inf x∈Br(0) {φ(x)} ≤ φ(un) < inf x∈Br(0) {φ(x)} + 1 n, ∀ n ∈ N.
Consequentemente, φ(un)→ inf
x∈Br(0)
{φ(x)}, quando n → ∞. Como φ ∈ C1(X,R), conclu´ımos que
esta aplica¸c˜ao ´e cont´ınua (logo, semicont´ınua inferiormente). Por conseguinte, pelo Teorema 2.4 i), conclu´ımos que existe (vn)⊆ Br(0) tal que
inf
x∈Br(0)
{φ(x)} ≤ φ(vn)≤ φ(un), ∀ n ∈ N.
Da´ı, passando ao limite, quando n→ ∞, inferimos que lim
n→∞φ(vn) =x∈Binfr(0){φ(x)}. (2.26)
Por outro lado, afirmamos que∥vn∥ < r para n suficientemente grande. Caso contr´ario, passando
a uma subsequˆencia, se necess´ario, ∥vn∥ = r para todo n ∈ N. Neste caso, ter´ıamos, por (2.25),
que φ(vn)≥ δ para todo n ∈ N. Consequentemente, por (2.26) e (2.25), concluir´ıamos que
δ≤ lim
n→∞φ(vn) =x∈Binfr(0)
{φ(x)} < 0.
Isto ´e uma contradi¸c˜ao (δ > 0). Portanto, temos que ∥vn∥ < r para n suficientemente grande.
Dessa forma, considere w ∈ X com ∥w∥ = 1 e, para cada n ∈ N (grande), assuma que t > 0 ´e suficientemente pequeno de forma que vn+ tw∈ Br(0) (i.e., 0 < t≤ r − ∥vn∥). Deste modo, pelo
Teorema 2.4 iii), deduzimos que
ϕ(vn)− ϕ(vn+ tw) < √ 1 n∥vn− (vn+ tw)∥ = √ 1 nt, pois vn+ tw̸= vn(t > 0 e w ̸= 0), ou equivalentemente, ϕ(vn)− ϕ(vn+ tw) t < √ 1 n.
Passando ao limite, quando t→ 0, chegamos a
φ′(vn)· (−w) ≤
√ 1
Dessa forma, conclu´ımos que ∥φ′(v n)∥ ≤ √ 1 n, ∀ n ∈ N (grande).
Agora, passando ao limite, quando n→ ∞, inferimos que lim
n→∞∥ϕ ′(v
n)∥ = 0. (2.27)