16 de novembro de 2016
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Trump ajuda os metais, mas não gera um novo boom
• Elevamos as projeções para o fim de 2017 de minério de ferro (de US$ 48/t para US$ 55/t) e de alguns metais básicos,
tendo em vista a melhor expectativa da demanda (tanto na China quanto nos EUA) e a maior disciplina dos produtores.
• As perspectivas quanto à capacidade da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) de fechar um acordo
para limitar a produção da commodity ficam mais nebulosas com a incerteza sobre a política externa sob a administração
Trump. Ainda assim, mantemos o cenário que considera que a Opep implemente o acordo, levando os preços do petróleo
para entre US$ 50 e US$ 55 por barril.
• Os preços de milho e soja subiram devido à força das contratações para exportação, mesmo com avanços normais da
colheita nos EUA e do plantio na América do Sul. O fenômeno climático La Niña continua representando um risco.
O Índice de Commodities Itaú (ICI) subiu 1% desde
o fim de setembro, conforme um rally nas
commodities metálicas (19%) e estabilidade nas
agrícolas foram parcialmente compensados por
declínio em commodities ligadas ao petróleo
(ICI-energia: -9%). Os metais já estavam em alta antes da
surpresa nas eleições dos EUA, e o resultado
surpreendente gerou outra rodada de alta. Os preços
das demais commodities foram relativamente pouco
afetados. O petróleo caiu com expectativas menores
de um acordo da Opep.
Metais compensam queda do petróleo
70
80
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jan-16
mar-16
mai-16
jul-16
set-16
nov-16
ICI
ICI Agrícola
ICI Energia
ICI Metais
Índice de Commodities Itaú* (Jan. 2016 = 100)
Fonte: Itaú.
Elevamos as projeções de preços de metais. O
ICI-metais subiu 41% em 2016 até agora, uma grande
surpresa para um ano que começou com temores de
uma recessão global oriunda da China. Há, de fato,
fundamentos que explicam a alta recente. No mercado
de minério de ferro, estimamos que a absorção da
China acelerou no ano (avanço de 3% no ano, contra
recuo de 1,5% em 2015), e os estoques de ferro na
cadeia produtiva já parecem ajustados após
recomposição no primeiro semestre. Nos metais
básicos, o rally dos preços é consistente com a
recuperação da manufatura global. Além disso, uma
maior disciplina no lado da produção está evitando um
excesso de oferta. Finalmente, a perspectiva de mais
gastos com infraestrutura nos EUA é positiva para os
preços. Desse modo, estamos revisando nossa
projeção para o minério de ferro para US$ 55/ton., de
US$ 48/ton., no fim de 2017. Combinado a outros
pequenos ajustes em metais básicos, o efeito líquido é
uma alta de 7,1% no ICI-metais projetada para o fim
do próximo ano.
2017: estabilidade com preços mais altos
de petróleo e queda moderada dos metais
45
55
65
75
85
95
105
115
125
dez-11 dez-12 dez-13 dez-14 dez-15 dez-16 dez-17
Anterior
Atual
Índice de commodities Itaú* (2010=100)
Apesar da revisão, ainda projetamos uma queda
modesta dos metais em 2017. O cenário se baseia
em uma desaceleração da demanda da China
conforme o mercado imobiliário desacelera em
meados de 2017, além de reação de oferta dos
produtores marginais. Por fim, os gastos de
infraestrutura prometidos pelos EUA estão longe de
serem suficientes para o país substituir a China como
principal fonte de demanda marginal, e de qualquer
modo o impacto mais provável é a partir de 2018.
As perspectivas quanto ao acordo da Opep ficam
mais nebulosas com a incerteza sobre a política
externa da administração Trump. Ainda assim,
mantemos o cenário de petróleo do tipo Brent em US$
54 por barril, ao fim de 2017, assumindo que o cartel
vá oficializar o acordo. A justificativa é que
considerações fiscais devem incentivar sauditas e
iranianos a elevar os preços ao topo do intervalo
(entre US$ 40/bbl e US$ 60/bbl), o que não leva a
uma resposta considerável dos produtores dos EUA.
Colocando de outra forma, preços inferiores a esse
intervalo são fiscalmente ineficientes para esses
produtores estratégicos.
O ICI-Agricultura ficou de lado desde o fim de
setembro. Elevamos nossas projeções para o café,
reconhecendo que o balanço global em 2017 pode
suportar os preços nos níveis atuais. Ao mesmo
tempo, o cenário geral de excesso de oferta para
grãos/soja foi reforçado pelo plantio sob condições
climáticas favoráveis na América do Sul, enquanto
riscos de um La Niña intenso permanecem para as
regiões de plantio mais ao sul.
Nosso cenário é consistente com o ICI avançando
3% até o fim de 2016, em relação ao nível atual
(puxado pela volta do petróleo), e estável ao longo
de 2017.
Petróleo: Trump aumenta incerteza sobre
acordo
Os preços do petróleo (Brent) recuaram de US$ 53
para US$ 44 por barril. O recuo reflete a expectativa
do mercado de que o acordo preliminar apresentado
pela Opep entre 26 e 28 de setembro será ainda mais
difícil de ser implementado após as eleições nos EUA.
Acreditamos, no entanto, que a probabilidade de
sucesso implícita nos preços está abaixo do que seria
razoável.
Nosso cenário base assume que a Opep chegará a
um acordo no fim de novembro. Sauditas e
iranianos seguem com restrições fiscais que os
incentivam a garantir o cumprimento do acordo, de
modo a elevar suas receitas. O racional sugere que
tais restrições devem predominar sobre eventuais
incertezas geopolíticas. Além disso, o acordo pode
levar os preços de US$ 45-US$ 50 para US$ 50-US$
55, sem uma reação relevante da oferta. A
implementação do ajuste mínimo prometido em
setembro (limitando a produção do cartel a 33,0 mb/d)
já é suficiente para eliminar o excesso de oferta antes
do fim de 2016. Sem o acordo, o equilíbrio do
mercado levaria muito tempo para ser atingido
(segundo semestre de 2017).
Petróleo volta a US$ 45 com o ceticismo
quanto ao acordo
25
30
35
40
45
50
55
jan-16
mar-16
mai-16
jul-16
set-16
nov-16
Preços correspondem ao
primeiro contrato futuro da
ICE Futures do petróleo
Brent
Fonte: Itaú e Bloomberg.
Mantemos o cenário de preço para o petróleo do
tipo Brent em US$ 54/barril (WTI em US$ 52/barril)
para o fim de 2017. Avaliamos que preços entre US$
50 e US$ 55 são suficientes para provocar alguma
reação da produção nos EUA, que é a fonte de oferta
marginal no mercado internacional contendo maiores
avanços no médio prazo.
O corte da produção em nosso cenário base de
preços reduz os riscos de queda, ao passo que
aumenta os riscos de overshooting na medida em
que a reação de produção dos EUA pode demorar a
ocorrer.
Uma desregulamentação do setor do petróleo em uma
administração pode aumentar a oferta no médio prazo,
o que representa um risco de baixa para os preços
que precisa ser monitorado.
Grãos: demanda forte compensa
condições climáticas favoráveis
Os preços de milho, soja e trigo mostram
desempenho misto desde o fim de setembro
(estável, alta de 3%, queda de 2%, respectivamente).
Os preços resistiram à pressão baixista das condições
climáticas favoráveis, tanto na colheita dos EUA
quanto no começo do plantio da América do Sul.
Grãos/soja: desempenho misto em outubro
800
850
900
950
1000
1050
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300
350
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550
600
jan-16
mar-16
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set-16
nov-16
Milho
Trigo
Soja (dir)
Preços do futuro do CBOT com vencimento no fim
de 2016
Fonte: Itaú e Bloomberg.
Uma das causas pode ser o ritmo anormalmente
forte de contratação da safra dos EUA para
exportação de milho e soja. O total contratado para
a safra 2016/17 até o momento está acima dos
mesmos períodos no passado. A alta do milho tende a
influenciar também os contratos de trigo.
A perspectiva do La Niña na virada do ano é um
risco para a oferta, dado que o fenômeno aumenta a
probabilidade de quebras de safra na Região Sul do
Brasil e na Argentina. Contudo, o fenômeno melhora a
perspectiva para o Matopiba (região formada por
partes do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), o que
pode compensar parte de eventual quebra no Sul.
Projetamos que os preços internacionais das três
commodities continuem ao redor do patamar atual
até o fim do ano. Para o fim de 2017, projetamos
(preços em US$ por bushel):
Milho: 3,6;
Soja: 10;
Trigo: 4,7.
Nosso cenário considera uma transição para o
fenômeno La Niña no fim do ano, afetando a
próxima safra do Hemisfério Sul, mas terminando
antes de afetar a próxima safra do Hemisfério Norte.
Açúcar/café: preços altos de café e açúcar
devem continuar em 2017
Os contratos internacionais de açúcar bruto
recuaram ligeiramente, para US$ 0,216 por
libra-peso (primeiro contrato futuro de NY), com alguma
redução da posição líquida comprada dos hedge funds
e também com o fortalecimento do dólar e a queda do
preço de gasolina no Brasil.
Alta consolidada dos preços em 2016
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14
16
18
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jan-16
mar-16
mai-16
jul-16
set-16
nov-16
Café
Açúcar (dir.)
Centavos de dólar / libra-peso
Centavos de dólar / libra-peso
Fonte: Itaú e Bloomberg.
Os contratos internacionais de café voltaram a
subir, com o primeiro contrato futuro ficando
acima de US$ 1,60 por libra-peso.
As duas commodities acumulam alta no ano
(açúcar, 42%; café, 28%) devido à oferta menor. A
queda da oferta foi causada tanto por choques
climáticos quanto por redução de investimento com
margens de lucro desfavoráveis.
Café: preços mais altos e balanço global
apertado em 2017
0
2
4
6
8
10
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200
220
240
260
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2010-11
2012-13
2014-15
2016-17
2018-19
Preço
Excesso de oferta (dir.)
Centavos de dólar por libra
peso
milhões de
tonaladas
Fonte: Itaú, Bloomberg e USDA.
Mantemos as projeções de preços médios de
açúcar em 2017 em US$ 0,215 por libra-peso.
Projetamos déficit de 3,6 milhões de toneladas no
ano-safra 2016/17 (após déficit de 10 milhões no ano-
safra 2015/16), seguido por dois anos consecutivos de
superávit, que vão levar a preços mais baixos em
2018.
Elevamos as projeções de preços do café de US$
1,50 para US$ 1,70 por libra-peso ao fim de 2017,
reconhecendo que os preços mais altos são
consistentes com um balanço apertado no ano que
vem.
Artur Manoel Passos, CFA
Tomas Davidowicz
Projeções:
dez-10
dez-11
dez-12
dez-13
dez-14
dez-15
dez-16
dez-17
35
55
75
95
115
135
155
Índice de Commodities Itaú (ICI) *– por grupo
Fonte: Itaú
Agrícola
Metais
Atual Atual Anterior Atual Anterior
a/a - % -15,1 6,9 6,9 3,7 3,7
var. média anual - % -14,0 -1,8 -1,8 2,5 2,5
a/a - % -28,4 21,2 16,9 0,6 2,7
var. média anual - % -32,7 -6,7 -7,6 9,6 7,9
a/a - % -12,5 4,3 2,2 2,6 4,0
var. média anual - % -16,0 0,1 -0,5 3,7 2,6
fim de período 880 982 952 1000 1000 média anual 943 980 973 992 978 fim de período 371 355 334 360 360 média anual 378 360 355 358 348 fim de período 480 415 404 470 470 média anual 508 440 438 445 440 fim de período 15,0 21,6 23,0 20,0 20,0 média anual 13,1 18,4 18,7 21,1 21,4 fim de período 122 165 150 170 150 média anual 133 139 136 171 150 a/a - % -39,1 32,4 35,5 6,0 4,3
var. média anual - % -44,7 -14,9 -15,3 17,5 19,7
fim de período 39 51 52 54 54
média anual 54 45 45 53 53
a/a - % -33,6 36,0 16,9 -9,7 -2,0
var. média anual - % -29,7 -3,8 -6,3 8,0 -0,6
fim de período 38 64 48 55 48
média anual 53 54 51 59 48
fim de período 4640 5354 4814 4800 4655 média anual 5501 4839 4754 5054 4728
a/a - % -22,2 12,3 10,7 -0,3 0,3
var. média anual - % -25,0 -4,7 -5,2 5,8 4,8
Commodities
2015 2016P 2017P
ICI - Agrícolas
Soja - US$/bu
Índice de Commodities Itaú (ICI)* Índice CRB Milho - US$/bu ICI - Energia Trigo - US$/bu Açúcar - US$/lb Café - US$/lb
Petróleo Brent - US$/bbl
ICI - Metais
Minério de ferro - US$/mt
Cobre - US$/mt
ICI - Inflação **
Pesquisa macroeconômica – Itaú
Mario Mesquita – Economista-Chefe
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