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SISTEMA CARDIOVASCULAR I SUMÁRIO

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SISTEMA CARDIOVASCULAR I

SUMÁRIO

1 – Importância e constituição geral do sistema circulatório. A dupla circulação

2 – Os vasos sanguíneos

2.1 - Classificação funcional: vasos de condução e distribuição, vasos de resistência, vasos de troca e vasos de capacitância.

2.2 - Histologia dos vasos sanguíneos: túnica íntima, túnica média, túnica adventícia, limitantes elásticas interna e externa.

2.3 - Classificação histológica dos vasos sanguíneos: grandes artérias do tipo elástico, artérias médias e pequenas do tipo muscular, arteríolas musculares, arteríolas terminais, meta-arteríolas e esfíncteres pré-capilares, capilares capilares contínuos, capilares fenestrados e sinusóides, vénulas e veias.

2.4 - Formas de divisão vascular: anastomoses arteriais e shunts vasculares

3 – O coração

3.1 - Forma, características anatómicas e localização topográfica. O mediastino. 3.2 - O pericárdio fibroso e o pericárdio seroso.

3.3 - Aurícula direita: seio venoso e músculos pectíneos. 3.4 - Ventrículo direito: infundíbulo arterial e músculos papilares.

3.5 - Aurícula esquerda: desembocadura das veias pulmonares e músculos pectíneos. 3.6 - Ventrículo esquerdo: vestíbulo aórtico e músculos papilares.

3.7 - Os complexos das válvulas tricúspide e mitral: orifícios auriculo-ventriculares, folíolos valvulares ou cúspides, cordas tendíneas e músculos papilares.

3.8 - Válvulas aórtica e pulmonar.

Bibliografia

1 - Williams PL, Warwick R. Gray’s Anatomy. 38th Edition. Edinburgh: Churchill Livingstone; 1995. p. 1452 – 1503. 2 - Berne RM, Levy MN. Physiology. 4th Edition. St Louis: Mosby;1998. p. 325 – 512.

3 - Guyton AC, Hall JE. Textbook of Medical Physiology. 10th Edition. Philadelphia: WB Saunders Company; 2000. p. 96-252. 4 - Junqueira LC, Carneiro J. Histologia Básica. 10ª Edição. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2004. p. 206-222.

5 – Kumar V, Cotran RS, Robbins SL. Robbins Basic Pathology. 7th Edition. Philadelphia: Saunders; 2003. p. 325-360. 6 – Natham L, Chaudhuri G. Estrogens and Atherosclerosis. Annu. Rev. Pharmacol. Toxicol. 1997. 37:477-515. 7 - Netter FH. Atlas de Anatomia Humana. Segunda Edición. East Hanover. Novartis.

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SISTEMA CARDIOVASCULAR I

I - INTRODUÇÃO

A sobrevivência de um organismo complexo de grandes dimensões, como o organismo humano, requer um sistema com elevada capacidade de transporte de várias substâncias para e de todas as células do organismo1, 2, 3. Esta é a principal função do sistema circulatório. Neste sistema, o sangue é o veículo aquoso responsável pelo transporte de nutrientes, oxigénio, mediadores químicos, anticorpos, células de defesa e substâncias tóxicas1, mantendo o ambiente ideal para a sobrevivência e função de todas as células do organismo3.

O sistema circulatório engloba o coração, o principal motor deste sistema. Além disso engloba uma série de estruturas tubulares, os vasos sanguíneos, densamente ramificadas que transportam o sangue do coração para a periferia e que permitem o seu retorno ao coração1, 2. Os vasos sanguíneos que transportam o sangue do do coração para a periferia, designam-se artérias, vasos que se ramificam intensamente à medida que se afastam do coração,

aumentando em número e diminuindo em diâmetro resultando em cerca de 4x106 arteríolas cuja ramificação origina um

número quádruplo de capilares, os vasos de menores dimensões. O sangue dos capilares drena para vénulas, vasos sanguíneos em número similar aos capilares. As vénulas convergem para vasos sanguíneos responsáveis pelo retorno de sangue ao coração, designados veias que progressivamente diminuem em número e aumentam em diâmetro à medida que se aproximam do coração1.

II – A DUPLA CIRCULAÇÃO

O sistema circulatório engloba dois circuitos centrados no coração que, por sua vez se comporta como um par de bombas musculares, uma responsável por bombear sangue para a pequena circulação e a outra responsável por bombear o sangue para a grande circulação1.

A pequena circulação ou circulação pulmonar engloba vasos sanguíneos responsáveis por transportar o sangue do coração para os pulmões e permitir o seu retorno ao coração. Este circuito tem como objectivo a oxigenação do sangue. A grande circulação ou circulação sistémica engloba os vasos sanguíneos que transportam o sangue do coração para todas as partes do corpo e permitem o seu retorno ao coração1, 3.

III - OS VASOS SANGUÍNEOS:

1 – Classificação Anatómica dos Vasos Sanguíneos

Os vasos sanguíneos são classificados anatomicamente de acordo com a sua dimensão e a estrutura histológica

da sua parede. As artérias que emergem do coração e os seus principais ramos são designadas grandes artérias do

tipo elástico, pelo seu grande diâmetro e pela predominância de fibras elásticas na sua parede. À medida que estas

artérias se ramificam, o seu diâmetro diminui e aumenta a quantidade de fibras musculares lisas nas suas paredes, característica que as permite classificar como artérias musculares. A contínua ramificação destas artérias origina vasos sanguíneos de pequeno diâmetro mas com uma espessura considerável de fibras musculares nas suas paredes, estes vasos são classificados como arteríolas. A ramificação das arteríolas dá origem a vasos com parede muito fina que permite a difusão de substãncias entre o sangue e o fluído intersticial, estes vasos são designados capilares. Os capilares convergem para vénulas que convergem para veias que são vasos que se caracterizam por terem uma pequena espessura de parede e grande diâmetro1.

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2 – Constituição Histológica dos Vasos Sanguíneos

Na parede de todos os vasos sanguíneos, independentemente da sua dimensão e com excepção dos capilares e vénulas, reconhecem-se três camadas concêntricas: a túnica íntima, a mais interna, a túnica média e a túnica

adventícia, a mais externa1, 4, 5.

A túnica íntima é constituída pelo endotélio e uma camada mínima de tecido sub-endotelial1, 4, 5. O endotélio fica voltado para o lúmen estendendo-se ao longo de toda a face luminal da árvore vascular. É um epitélio simples constituído por uma camada de células poligonais, achatadas, firmemente aderidas umas às outras, excepto nos capilares sinusóides, através de zónulas de adesão e zónulas de oclusão. O tecido sub-endotelial é tecido conjuntivo frouxo com escassas células identificadas como fibras musculares mergulhadas matriz extracelular onde se encontram, também, elementos próprios da matriz extracelular, nomeadamente fibras elásticas e de colagénio1, 4 organizadas em forma de rede tridimensional fibrilar6. A camada mais externa da túnica íntima constitui a lâmina elástica interna, constituída essencialmente por elastina organizada em lamelas circunferenciais, apresentando inúmeros orifícios1, 4, 5.

A túnica média varia consoante o tipo de vaso sanguíneo. Pode ser constituída por um número variável de camadas concêntricas de fibras musculares lisas1, 4 organizadas circunferencialmente1 ou helicoidalmente4 em torno da túnica íntima. Entre as células musculares lisas estão colocados componentes da matriz extracelular, nomeadamente fibras de colagénio e fibras elásticas,1, 4 bem como proteoglicanos1, 6. No entanto, nas grandes artérias do tipo elástico, ao contrário do que sucede nos outros vasos sanguíneos, as fibras musculares são escassas, predominando a

componente elástica organizada sob a forma de lamelas concêntricas de elastina. À medida que estes grandes

vasos se ramificam diminui a quantidade de componente elástica e aumenta a quantidade de fibras musculares lisas. A predominância variável de fibras musculares lisas ou de fibras elásticas consoante o tipo de vaso sanguíneo, confere características fisiológicas distintas aos diferentes vasos sanguíneos1, 4, 5. Independentemente do tipo de vaso sanguíneo, a camada mais externa da túnica média constitui a lâmina elástica externa, em tudo semelhante à lâmina elástica interna, mas menos desenvolvida1, 4.

A túnica adventícia é uma camada de tecido conjuntivo, eventualmente com fibroblastos, caracteristicamente rico em fibras de colagénio. A sua função é aprisionar o vaso sanguíneo às estruturas que o vaso atravessa1, 4.

Em vasos sanguíneos de maiores dimensões, a sobrevivência das células das camadas mais internas da parede é assegurada por difusão de substâncias a partir do lúmen do vaso. As células das camadas periféricas recebem nutrientes e oxigénio a partir de vasos existentes na adventícia, designados vasa vasorum1, 5.

Com excepção dos capilares e vénulas, todos os vasos sanguíneos são constituídos pelas três túnicas íntima, média e adventícia. As túnicas íntima e adventícia são constitucionalmente idênticas em todos os vasos sanguíneos, embora a espessura seja variável consoante a dimensão do vaso. O que marca a diferença entre diferentes vãos sanguíneos é a constituição histológica da túnica média, conferindo características fisiológicas distintas aos diferentes tipos de vaso sanguíneo1, 4, 5.

2.1 – Grandes Artérias do Tipo Elástico

Na túnica íntima das grandes artérias do tipo elástico há uma camada sub-endotelial bem desenvolvida1, 4, com fibras musculares lisas, que provavelmente migraram da túnica média1, 6, além disso, é evidente a abundância de fibras de colagénio e fibras elásticas1, 4. A limitante elástica interna fenestrada, embora existente1, 4, dificilmente se distingue da componente elástica da túnica média4. Na túnica média predomina o componente elástico da matriz extracelular1, 4, 5. É constituída predominantemente por lamelas elásticas concêntricas, entre as quais aparecem algumas fibras musculares lisas e fibras de colagénio, nas zonas interlamelares1, 4.

2.2 – Artérias do Tipo Muscular

Na túnica média predominam as células musculares lisas colocadas circunferencialmente1 organizadas em várias camadas4. Cerca de três quartos da túnica média destas artérias são constituídos por fibras musculares1. O

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restante da túnica média é constituído por componentes da matriz extracelular produzidos pela fibras musculares, nomeadamente fibras elásticas, mas também colagénio e proteoglicanos1, 4.

2.3 – Arteríolas, Meta-arteríolas e Esfíncteres Pré-Capilares

As arteríolas são vasos sanguíneos com diâmetro inferior a 0,5 milímetros e lúmen relativamente estreito4. A túnica média é constituída por algumas camadas de células musculares lisas colocadas circunferencialmente, cada camada com a espessura de uma célula muscular1. À medida que as arteríolas se ramificam dão origem a vasos de menor diâmetro com menor número de camadas musculares na túnica média. As arteríolas de menor diâmetro ramificam-se para dar origem à rede capilar e são designadas meta-arteríolas4 ou arteríolas pré-capilares1

apresentando apenas uma camada descontínua de células musculares lisas na túnica média4. Nas meta-arteríolas, as

células musculares mais distais circundam o orifício de passagem para cada capilar, constituindo o esfíncter

pré-capilar1.

2.4 – Capilares

Os capilares são ramificações de arteríolas de menor diâmetro. De uma forma geral, os capilares consistem de uma só camada de células endoteliais rodeada por uma lâmina basal1, 4, 5, aparecendo em alguns pontos, células designadas pericitos que são células que dão origem a novas células endoteliais1, 4. O diâmetro dos capilares oscila entre 7 a 9 micrómetros, exceptuam-se os capilares sinusóides cujo diâmetro atinge 30 a 40 micrómetros4.

Consoante as características do endotélio, os capilares podem ser classificados em três grupos distintos: capilares

contínuos, capilares fenestrados e capilares sinusóides1, 4. Os capilares contínuos e fenestrados apresentam células endoteliais bem unidas entre si, no entanto as células endoteliais dos capilares fenestrados são perfuradas por poros. Os poros são circulares com um diâmetro que varia entre 50 a 100 nanómetros e na sua margem, as membranas da face basal e luminal ficam em contacto1. Os capilares sinusóides apresentam grandes espaços entre as células endoteliais, para além de sistemas de poros que atravessam as células endoteliais1, 4.

2.5 – Vénulas

A confluência de dois ou mais capilares resulta num vaso designado vénula pós-capilar1. As vénulas pós-capilares são histologicamente idênticas aos pós-capilares, constituídas por endotélio e lâmina basal, apresentando pericitos. As junções intercelulares são sensíveis a alguns mediadores químicos o que permite aumentar a permeabilidade destes vasos sanguíneos, facilitando a saída de fluidos e células de defesa1, 4. À medida que convergem, formam-se vasos sanguíneos com diâmetro cada vez maior e que obedecem ao padrão geral da parede de um vaso sanguíneo, apresentando as três túnicas. Estas vénulas são designadas vénulas musculares por apresentarem fibras musculares, embora escassas, na túnica média1, 4.

2.6 – Veias

As veias caracterizam-se por apresentarem pequena espessura de parede e lúmen com diâmetro considerável1.

A túnica média é pouco desenvolvida, constituída por escassas camadas de células musculares lisas e matriz extracelular que é predominante. Na matriz extracelular destacam-se as fibras de colagénio, embora também haja fibras elásticas1, 4.

Nas veias de menor diâmetro a camada subendotelial da túnica íntima tem espessura mínima, no entanto esta camada torna-se desenvolvida nas veias de maior diâmetro, mais próximas do coração4. Nestas veias de maior diâmetro aparecem projecções da túnica íntima para o interior do lúmen constituindo as válvulas venosas1, 4.

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3 – Classificação Funcional dos Vasos Sanguíneos

Os termos artéria, arteríola, capilar, vénula e veia são essencialmente termos anatómicos para vasos de determinadas dimensões, características estruturais e posições topográficas. No entanto, pde ser utilizada uma classificação com base nos aspectos funcionais, obviamente, relacionados com as suas características estruturais.

Consideram-se vasos de condução as grandes artérias que emergem do coração e os seus principais ramos, caracterizadas pelas propriedades predominantemente elásticas das suas paredes1.

Os vasos de distribuição são as artérias de menor diâmetro que alcançam órgãos individualizados e se ramificam no seu interior. A parede destas artérias caracteriza-se pela predominância de fibras musculares lisas1.

Os vasos de resistência são principalmente as arteríolas porque apresentam lúmen de pequeno diâmetro com considerável espessura de fibras musculares nas suas paredes. O grau variável de contracção das fibras musculares permite uma resistência variável à passagem do sangue, controlando o fluxo sanguíneo através da rede capilar1, 2.

Os capilares, os sinusóides e as vénulas pós-capilares são designados vasos de troca1 porque, através das suas paredes, ocorre a troca de substâncias entre o sangue e o fluído intersticial que banha as células, o que cosntitui a função essencial do sistema circulatório1, 2, 3.

As vénulas de maior calibre e as veias constituem um sistema de grande volume e baixa pressão, por isso, consideram-se vasos de capacitância, através dos quais se faz o retorno sanguíneo ao coração.

5 – Modelos de Divisão Vascular. Anastomoses. Shunts Vasculares

As grandes artérias que emergem do coração, aorta e tronco pulmonar dão origem a sucessivos ramos progressivamente de menor diâmetro. Quando uma artéria se divide em dois ramos de diâmetros similares, os ramos que se originam designam-se ramos terminais, dado que a artéria deixou de existir no ponto de bifurcação. Os ramos que emergem ao longo do percurso de uma artéria são designados ramos colaterais. De qualquer forma, o somatório das áreas da secção transversal dos ramos que se originam de uma artéria é sempre superior à área de secção transversal da artéria que deu origem aos ramos1.

Eventualmente, as artérias podem unir-se por anastomose o que permite que cada uma das artérias irrigue outros territórios, funcionando como canais alternativos para irrigar territórios particulares. A anastomose por convergência ocorre quando duas artérias confluem uma para a outra emergindo uma só artéria desta confluência. Noutros casos duas grandes artérias ficam ligadas por um pequeno ramo colateral, uma forma de anastomose designada anastomose transversal1.

Em muitos casos a passagem do sangue do sistema arterial para o sistema venoso não se faz obrigatoriamente

através da rede capilar, mas sim através de canais que ligam artérias a veias ou arteríolas a vénulas, constituindo os

shunts vasculares. Tem sido demonstrado que em muitos tecidos a rede de capilares origina-se não só de ramos de

arteríolas terminais, mas também de ramos de um canal de passagem preferencial que liga a arteríola à vénula. Cada canal de passagem preferencial e seus capilares associados formam uma unidade microcirculatória funcional. Cada capilar está rodeado na sua origem por um esfíncter pré-capilar. Em alturas de baixa actividade funcional dos tecidos, os esfíncteres pré-capilares estão contraídos restringindo a passagem do sangue na rede capilar, a maior parte do sangue passa da arteríola para a vénula, através do canal de passagem preferencial, sem passar pela rede capilar. O inverso sucede se os esfícteres pré-capilares estiverem relaxados. Em alguns locais do corpo há conexões directas entre pequenas artérias e as veias correspondentes, estas conexões são designadas anastomoses arteriovenosas. Os vasos que fazem estas conexões têm uma espessa camada de células musculares lisas nas suas paredes. Quando a camada muscular destas conexões se contrai, o canal oclui e o sangue faz o trajecto através da rede capilar. Se o canal de conexão estiver desobstruído, o sangue passa da pequena artéria para a veia correspondente, sem passar pela rede capilar1.

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III - O CORAÇÃO1, 7

1 – Introdução

O coração do corpo humano consiste de um par de bombas musculares valvuladas, esquerda e direita, topograficamente combinadas num só órgão. Por um lado, as redes fibromusculares e tecidos de condução nervosa de ambas as bombas estão interligadas funcionando como um complexo unitário. Por outro lado, cada bomba está fisiologicamente separada da outra, originando uma dupla circulação: a pequena circulação ou circulação pulmonar e a grande circulação ou circulação sistémica.

Internamente o coração está dividido em quatro compartimentos, dois compartimentos, aurícula e ventrículo, em cada bomba muscular. Os compartimentos do lado direito estão separados dos compartimentos do lado esquerdo por um septo, no entanto de cada lado, em cada bomba, a aurícula e o ventrículo comunicam-se pelo orifício

aurículo-ventricular, guardado por um complexo valvular que constitui a válvula tricúspide no lado direito e a válvula mitral do

lado esquerdo. Tanto no lado direito como no lado esquerdo, as aurículas recebem sangue, são reservatórios com fraca capacidade contráctil, pelo contrário, ambos os ventrículos têm força contráctil suficiente para bombear o sangue para as principais artérias.

No lado direito do coração (bomba do lado direito), a aurícula, ou aurícula direita, recebe o sangue proveniente das diversas partes do corpo, através das veias cavas superior e inferior. Da aurícula direita o sangue passa para o

ventrículo direito, através do orifício auriculoventricular direito, guardado pela válvula tricuspide. Com o aumento da

pressão dentro do ventrículo direito, como consequência da contracção das suas paredes, ocorrerá o encerramento do orifício auriculoventricular pela válvula tricúspide e o sangue é ejectado no tronco arterial pulmonar para alcançar a rede de capilares pulmonares. Sendo assim, a bomba cardíaca do lado direito está implicada na ejecção do sangue para a pequena circulação ou circulação pulmonar.

No lado esquerdo do coração (bomba do lado esquerdo), a aurícula ou aurícula esquerda, recebe o sangue oxigenado, proveniente dos pulmões, através das quatro veias pulmonares. Da aurícula esquerda o sangue passa para o ventrículo esquerdo, através do orifício auriculoventricular esquerdo, guardado pela válvula mitral. Com o aumento da pressão dentro do ventrículo esquerdo, como consequência da contracção das suas paredes, ocorrerá o encerramento do orifício auriculoventricular pela válvula mitral e o sangue é ejectado na artéria aorta para alcançar a rede de capilares sistémicos, espalhados por todo o corpo. Sendo assim, a bomba cardíaca do lado esquerdo está implicada na ejecção do sangue para a grande circulação ou circulação sistémica.

3 – Localização. Forma e Características do Coração. O Pericárdio. Anatomia de Superfície

O coração ocupa o mediastino médio envolvido por um envólucro designado pericárdio. O mediastino é a região da cavidade torácica que se situa entre os pulmões esquerdo e direito, desde a face interna do esterno até à coluna vertebral e da abertura superior da cavidade torácica até ao diafragma. Cada pulmão está revestido por um membrana serosa, a pleura, que forma os limites laterais do mediastino. O mediastino pode ser dividido em porções superior e inferior através de um plano oblíquo que passa na margem inferior do manúbrio do esterno e no bordo inferior da 4ª vértebra torácica. A porção inferior pode ser subdividida numa porção anterior, entre o pericárdio e a face interna do esterno, numa porção posterior, entre o pericárdio e a coluna vertebral e numa porção média entre as outras duas porções, constituindo o mediastino médio, o local onde está colocado o coração envolvido pelo pericárdio.

O pericárdio é um saco fibroseroso que envolve o coração e os segmentos proximais dos grandes vasos. O pericárdio é constituído por um saco externo de tecido conjuntivo fibroso que constitui o pericárdio fibroso. O pericárdio fibroso está inserido na face interna do esterno e no tendão central do diafragma, permitindo manter a posição do coração na cavidade torácica. Internamente ao pericárdio fibroso há uma dupla camada serosa que envolve

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coração, é designada camada ou lâmina visceral ou epicárdio. Esta camada dobra sobre ela mesma para formar a

lâmina ou camada parietal, mais externa, que fica em contacto com a face interna do pericárdio fibroso. Entre a

camada parietal e a camada visceral do pericárdio seroso há um espaço muito estreito, a cavidade pericárdica, onde se situa uma película de fluído. A cavidade pericárdica permite separar o coração dos tecidos envolventes, permitindo ao coração, movimento e alteração da sua forma.

O coração tem forma cónica ou piramidal, com base, ápice e uma série de faces e bordos. Está colocado obliquamente no mediastino médio, posteriormente ao esterno e cartilagens costais. Cerca de um terço do coração coloca-se à direita da linha média e dois terços à esquerda. Devido ao posicionamento oblíquo, a face posterior, também designada base do coração está voltada para trás e para a direita e o ápice está dirigido para diante, para a esquerda e para baixo, colocado ao nível do 5º espaço intercostal esquerdo, ligeiramente medial à linha vertical que passa a meio da clavícula. O lado direito do coração está colocado anteriormente e à direita do lado esquerdo. A face anterior é também designada face esternocostal e a inferior é deignada face diafragmática.

Em média, o coração de um adulto tem cerca de 12 centímetros da base ao ápice, 8 a 9 centímetros no diâmetro transverso maior e pesa cerca de 300 gramas no homem e 250 gramas na mulher.

Internamente os compartimentos cardíacos estão revestidos pelo endocárdio, uma camada de tecido idêntica ao endotélio dos vasos sanguíneos. As aurículas estão separadas entre si pelo septo inter-auricular e os ventrículos pelo

septo interventricularque no conjunto constituem o septo que separa o lado direito do lado esquerdo do coração.

As divisões internas do coração são marcadas externamente por sulcos. O sulco auriculo-ventricular ou

coronário separa as aurículas dos ventrículos e contem os principais ramos das artérias coronárias. O septo

interventricular que separa o ventrículo direito do esquerdo está marcado externamente por dois sulcos

interventriculares: o anterior na face esternocostal e o inferior na face diafragmática.

A aurícula direita é grosseiramente quadrangular. Internamente apresenta uma porção posterior designada seio

venoso e uma porção que constitui a aurícula propriamente dita. O seio venoso tem paredes lisas, é o local onde as

veias cavas libertam o sangue proveniente da circulação sistémica, a veia cava inferior em baixo e a veia cava superior em cima. Um pequeno orifício abre-se próximo da veia cava inferior, este orifício constitui o seio coronário e descarrega no seio venoso da aurícula direita, o sangue proveniente da irrigação cardíaca. A aurícula propriamente dita tem paredes com cristas musculares paralelas entre si, os músculos pectíneos, que se inclinam em direcção ao orifício auriculoventricular direito.

O ventrículo direito estende-se desde o orifício auriculo-ventricular direito até próximo do ápice do coração e, daqui, dirige-se para cima e para a esquerda, formando um saco cónico, o infundíbulo arterial que alcança o orifício pulmonar de onde se origina o tronco arterial pulmonar. O trajecto de entrada do sangue a partir da aurícula direita tem paredes internas com projecções ou saliências musculares para o interior do compartimento, as trabéculas cardíacas. Estas trabéculas rodeadas por vales, depressões ou sulcos apresentam morfologia de três tipos: ou são cristas musculares redondas, ou colunas musculares fixas nas extremidades mas livres entre as extremidades, ou são projecções cónicas, os músculos papilares, com a base fixa à face interna da parede do ventrículo e o ápice projectado no interior do compartimento. O trajecto de saída do sangue do ventrículo direito constitui o infundíbulo arterial e tem paredes internas lisas, dirigindo-se para cima e para a esquerda em direcção ao orifício pulmonar guardado pela válvula pulmonar.

A aurícula esquerda estende-se atrás da aurícula direita e está dirigida para baixo e para a esquerda terminando no início do ventrículo esquerdo. É menor do que a aurícula direita, mas as suas paredes são mais espessas. As suas paredes são formadas, numa grande extensão, pelas porções proximais das veias pulmonares que nela libertam o sangue proveniente da pequena circulação. As veias pulmonares são quatro, duas de cada lado e abrem-se na porção superior das paredes póstero-laterais da aurícula esquerda. Algumas veias cardíacas minúsculas abrem-se na aurícula esquerda libertando no seu interior sangue proveniente do miocárdio.

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O ventrículo esquerdo tem forma de cone com base no orifício aurículo-ventricular prolongando-se até ao ápice do coração. Está estruturado para funcionar como bomba expulsiva, capaz de manter um fluxo pulsátil com elevada pressão, ao longo da árvore arterial sistémica, por isso com a parede consideravelmente mais espessa que a do ventrículo direito. O orifício de entrada do sangue a partir da aurícula esquerda ou orifício auriculoventricular esquerdo, está guardado pela válvula mitral. O orifício de saída dá passagem para o interior da artéria aorta e está guardado pela válvula aórtica. Há um trajecto de entrada do sangue em direcção ao ápice cardíaco com paredes que apresentam projecções, as trabéculas cardíacas, com estrutura idêntica às do ventrículo direito, entre as quais há projecções cónicas que constituem os músculos papilares do ventrículo esquerdo. O trajecto de saída do sangue do ventrículo esquerdo, ou vestíbulo aórtico, termina no orifício aórtico, guardado pela válvula aórtica.

4 – As Válvulas do Coração

Os complexos valvulares ventriculares compreendem os seguintes elementos: o orifício aurículo-ventricular e respectivo anel fibroso, os folhetos valvulares, as cordas tendinosas e os músculos papilares. O anel

valvular é tecido rico em fibras de colagénio que circunda o orifício aurículo-ventricular e permite a inserção dos

folhetos valvulares. Cada folheto valvular, também designado valva, ou cúspide é uma reduplicação do endocárdio, projectando-se para o centro do orifício aurículo-ventricular, a dupla camada de endocárdio engloba um centro de tecido conjuntivo rico em fibras de colagénio que reforça a estrutura. O folheto valvular apresenta uma face voltada para a aurícula (face auricular), uma face voltada para o ventrículo (face ventricular) e uma margem livre. Os músculos

papilares são projecções cónicas do miocárdio em direcção ao interior do ventrículo, as bases contínuas com a parede

do ventrículo e o ápice prolongando-se através das cordas tendinosas. As cordas tendinosas são tiras constituídas por fibras de colagénio, presas por uma extremidade ao ápice do músculo papilar e, pela outra extremidade inserem-se na face ventricular e margens livres do folheto valvular.

O orifício aurículo-ventricular do lado esquerdo está guardado pelo complexo da válvula mitral caracterizado por apresentar dois folhetos ou valvas e está colocado por trás da metade esquerda do esterno, ao nível da 4ª cartilagem costal esquerda. A área de auscultação é ao nível do ápice cardíaco (5º espaço intercostal esquerdo, ligeiramente medial à linha vertical que passa a meio da clavícula.

O orifício aurículo-ventricular do lado direito está guardado pelo complexo da válvula tricúspide com três folhetos ou valvas e está colocado ao nível de uma linha com percurso descendente para a direita com início na linha mediana, ao nível da 4ª cartilagem direita. A área de auscultação é no centro da porção inferior do corpo do esterno, ao nível do 5º espaço intercostal

A válvula pulmonar guarda o orifício de saída do sangue do ventrículo direito. Consiste de três folhetos ou valvas, com forma semilunar, inseridas por margens convexas à parede do infundíbulo do ventrículo direito. Cada folheto ou valva é uma duplicação do endocárdio com uma lâmina fibrosa de fibras de colagénio intermédia. Está situada parcialmente ao nível do bordo superior da 3ª cartilagem costal esquerda. A área de auscultação é ao nível do 2º espaço intercostal esquerdo, próximo do esterno.

A válvula aórtica guarda o orifício de saída do sangue do ventrículo esquerdo. Tal como sucede na válvula pulmonar, a válvula aórtica é constituída por três folhetos ou valvas, com forma semilunar, cada uma formada por uma dupla camada de endocárdio e uma lâmina fibrosa intermédia. A área de auscultação é ao nível do 2º espaço intercostal direito, próximo do esterno.

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Bibliografia

1 - Williams PL, Warwick R. Gray’s Anatomy. 38th Edition. Edinburgh: Churchill Livingstone; 1995. p. 1452 – 1503. 2 - Berne RM, Levy MN. Physiology. 4th Edition. St Louis: Mosby;1998. p. 325 – 512.

3 - Guyton AC, Hall JE. Textbook of Medical Physiology. 10th Edition. Philadelphia: WB Saunders Company; 2000. p. 96-252. 4 - Junqueira LC, Carneiro J. Histologia Básica. 10ª Edição. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2004. p. 206-222.

5 – Kumar V, Cotran RS, Robbins SL. Robbins Basic Pathology. 7th Edition. Philadelphia: Saunders; 2003. p. 325-360. 6 – Natham L, Chaudhuri G. Estrogens and Atherosclerosis. Annu. Rev. Pharmacol. Toxicol. 1997. 37:477-515. 7 - Netter FH. Atlas de Anatomia Humana. Segunda Edición. East Hanover. Novartis.

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SISTEMA CARDIOVASCULAR II

SUMÁRIO

I – Sistema Arterial

1 – Tronco pulmonar: artérias pulmonares direita e esquerda

2 – Aorta – Porção ascendente: artérias coronárias direita e esquerda

3 – Aorta – Arco aórtico: tronco braquiocefálico, artéria carótida comum esquerda e artéria subclávia esquerda 3.1 - Sistema das artérias carótidas: carótida interna e carótida externa

3.2 - Sistema das artérias subclávias: artéria vertebral e artéria axilar 3.3 - Anel de Willis

3.4 - Artérias do membro superior: artérias braquial, radial e cubital

4 – Aorta – Porção descendente torácica: irrigação das paredes e conteúdo da cavidade torácica 5 – Aorta – Porção descendente abdominal

5.1 - Artérias para irrigar estruturas da cavidade abdominal 5.2 - Artéria ilíaca comum: artérias ilíacas externa e interna

5.3 - Artérias do membro inferior: artérias femural, poplítea, tibial anterior e tibial posterior

II – Sistema Venoso 1 – Veias pulmonares 2 – Veias cardíacas

3 – Veias da cabeça e pescoço

3.1 - Veia jugular interna e veia jugular externa 3.2 - Seios venosos da dura-máter

4 – Veias do membro superior e tórax

4.1 - Veias do membro superior superficiais: veia cefálica, veia basílica, veia mediana do antebraço, veia mediana do cotovelo

- Veias do membro superior profundas: veias radiais, veias cubitais, veias braquiais - Veia axilar, veia subclávia, veia braquiocefálica, veia cava superior

5 – Veias do membro inferior e abdómen

5.1 - Veias do membro inferior superficiais: veia safena maior e veia safena menor

5.2 - Veias do membro inferior profundas: veia tibiais posteriores, veias tibiais anteriores, veia poplítea, veia femural

5.3 - Veia ilíaca externa, veia ilíaca interna e veia cava inferior

Bibliografia:

1 - Williams PL, Warwick R. Gray’s Anatomy. 38th Edition. Edinburgh: Churchill Livingstone; 1995. p. 1453 – 1626. 2 - Netter FH. Atlas de Anatomia Humana. Segunda Edición. East Hanover. Novartis.

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SISTEMA CARDIOVASCULAR II

I - SISTEMA ARTERIAL

TRONCO PULMONAR

O tronco pulmonar transporta sangue pobre em oxigénio do ventrículo direito para os pulmões. Origina-se da base do ventrículo direito, dirige-se para cima e para trás, primeiro à frente da artéria aorta, depois à sua esquerda e próximo da concavidade do arco aórtico divide-se em artérias pulmonares direita e esquerda.

A artéria pulmonar direita tem um percurso horizontal para a direita, atrás da porção ascendente da artéria aorta e veia cava superior e à frente do esófago e brônquio direito, até à raiz do pulmão direito onde se divide em ramos superior para o lobo superior do pulmão direito e inferior para os lobos pulmonares inferior e médio do pulmão direito.

A artéria pulmonar esquerda tem um percurso horizontal para a esquerda, à frente da porção descendente da artéria aorta e brônquio esquerdo até à raiz do pulmão esquerdo onde se divide em ramos inferior e superior para os lobos inferior e superior do pulmão esquerdo, respectivamente.

ARTÉRIA AORTA

É o principal tronco do sistema arterial transportando o sangue rico em nutrientes e oxigénio a todas as partes do corpo. Tem início na base do ventrículo esquerdo, onde adquire um diâmetro de cerca de 3 centímetros. A partir daqui tem um percurso ascendente à direita do tronco pulmonar e após uma distância de 5 cm, descreve um arco para trás e para a esquerda, junto à raiz do pulmão esquerdo. A partir daqui tem percurso descendente ao longo do tórax, inicialmente à esquerda da coluna vertebral inclinando-se em direcção ao plano mediano. Entra na cavidade abdominal através do hiato aórtico do diafragma, continua com um percurso descendente para terminar ao nível do bordo inferior da 4a vértebra lombar, ligeiramente à esquerda da linha mediana, dividindo-se em artéria ilíaca comum direita e artéria ilíaca comum esquerda. À medida que descreve o percurso descendente, a artéria aorta diminui de diâmetro para cerca de 1,75 centímetros no local onde termina.

Por conveniência descritiva, a aorta é dividida em quatro porções: a porção ascendente, o arco aórtico, a porção descendente torácica e a porção descendente abdominal.

1 - Porção Ascendente da Artéria Aorta

Tem início na base do ventrículo esquerdo, situando-se à direita do tronco pulmonar e à esquerda da veia cava superior, adquirindo um percurso ascendente para a direita e para frente, com cerca de 5 centímetros de extensão. Os ramos da aorta ascendente são as artérias coronárias direita e esquerda que emergem do segmento inicial da artéria aorta e que se colocam no sulco auriculo-ventricular, também designado sulco coronário, circundando o coração.

A artéria coronária direita emerge do lado direito da aorta ascendente e dirige-se para a direita no sulco coronário até atingir a face diafragmática do coração, onde seus ramos terminais entram no sulco interventricular inferior. Ramos auriculares e ventriculares originam-se em ângulo recto da artéria coronária direita, ao longo do seu percurso no sulco coronário, para irrigarem a aurícula direita e ventrículo direito, respectivamente. Irriga predominantemente o lado direito do coração mas alcança porções do lado esquerdo, para além de haver várias anastomoses entre os ramos das artérias coronárias esquerda e direita.

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A artéria coronária esquerda é maior em calibre do que a artéria coronária direita pois irriga um maior volume de miocárdio. Emerge do lado esquerdo da aorta ascendente e alcança o sulco coronário, no qual se dirige para a esquerda. Contorna o coração até atingir a sua face diafragmática onde seus ramos terminais se subdividem. Logo no seu início emite ramos que ocupam o sulco interventricular anterior e ao longo do seu percurso (como artéria circunflexa) emite inúmeros ramos auriculares e ventriculares para a aurícula e ventrículo do lado esquerdo. Irriga predominantemente o lado esquerdo do coração.

2 - O Arco Aórtico

Tem início atrás do manúbrio do esterno e dirige-se primeiro para cima para trás e para a esquerda, à frente da traqueia, depois dirige-se para trás à esquerdo da traqueia e finalmente dirige-se para baixo, à esquerda da coluna vertebral, continuando como aorta descendente a partir do bordo inferior da 4ª vértebra torácica. Do arco aórtico partem três ramos arteriais: tronco arterial braquiocefálico, artéria carótida comum esquerda e artéria subclávia esquerda.

2.1 - Tronco Arterial Braquiocefálico

É o primeiro ramo do arco aórtico, dirige-se obliquamente para cima e para a direita colocando-se, primeiro à frente e depois à direita da traqueia, dividindo-se em dois ramos: artéria carótida comum direita e artéria subclávia direita.

2.2 - Sistema das Artérias Carótidas

É constituído pelas artérias carótidas comuns direita e esquerda. A artéria carótida comum direita forma-se pela bifurcação do tronco braquiocefálico e a artéria carótida comum esquerda é o 2º ramo do arco aórtico. As artérias carótidas comuns direita e esquerda têm percurso similar, com percurso oblíquo para cima e lateralmente, ao longo do pescoço. Na porção inferior do pescoço a traqueia está entre elas, mais para cima a glândula tiróide e laringe projectam-se para a frente entre as duas artérias.

No seu percurso ascendente, cada artéria carótida comum divide-se ao nível do bordo superior da cartilagem tiróide da laringe em artéria carótida interna e artéria carótida externa. Na zona de bifurcação há uma dilatação designada seio

carotídeo, as pulsações das artérias carótidas podem ser sentidas ao longo do pescoço, logo à frente do bordo anterior do

músculo esternocleidomastoideu

.

2.2.1– Artéria carótida externa

A artéria carótida externa dirige-se para cima ao longo do pescoço até atingir a superfície da glândula parótida onde termina, dividindo-se em dois ramos arteriais: a artéria temporal superficial e a artéria maxilar. Ao longo do seu percurso emite vários ramos um dos quais é a artéria facial que alcança a face passando pelo bordo inferior do corpo da mandíbula onde suas pulsações podem ser sentidas, imediatamente à frente do bordo anterior do músculo masseter. Os inúmeros ramos da artéria carótida externa são responsáveis pela irrigação das seguintes estruturas: glândula tiróide, musculatura superficial e profunda do pescoço, laringe, faringe, ouvido externo, ouvido médio, ouvido interno e pavilhão da orelha, língua, palato e mucosa oral, glândulas salivares parótida, submandibular e sublingual, arcadas alveolares superior e inferior e respectivos dentes, estruturas faciais ( músculos e pele ), excepto as adjacentes ao olho

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e cavidade orbitaria estruturas nasais e seios paranasais, musculatura e pele da cabeça e pericrânio e dura-máter através de ramos meníngeos.

2.2.2 – Artéria carótida interna

Tem início na bifurcação da artéria carótida comum e tem percurso ascendente ao longo do pescoço até à base do crânio. Entra na cavidade craniana através do canal carotídeo da porção petrosa do osso temporal. Dentro da fossa craniana média dirige-se para diante, no sulco carotídeo, de cada lado do corpo do osso esfenóide e termina no cérebro dividindo-se em artérias cerebrais anterior e média.

Ao longo do seu percurso, a artéria carótida interna, emite vários ramos para irrigar estruturas oculares, músculos associados à cavidade orbitária e pele e musculatura da fronte, através do ramo oftálmico que entra na cavidade orbitária pelo canal óptico, a hipófise, a maior parte dos hemisférios cerebrais através de seus dois ramos terminais: artéria cerebral anterior e artéria cerebral média

2.3 – Sistema das Artérias Subclávias

A artéria subclávia direita origina-se do tronco braquiocefálico e a artéria subclávia esquerda é o 3º ramo do arco aórtico. A partir da divisão do troco braquiocefálico, as artérias subclávias direita e esquerda têm percurso similar, cada uma no respectivo lado da cavidade torácica. Cada artéria subclávia tem percurso ascendente e descreve um arco por cima da 1a costela, abandonando a cavidade torácica. A partir daqui a artéria subcávia de cada lado passa a designar-se artéria axilar que alcança o membro superior ipsilateral.

2.3.1 – Artéria Vertebral – Artéria Basilar

Tem origem no segmento proximal da artéria subclávia, com percurso ascendente no canal formado pelos orifícios das apófises transversas das vértebras cervicais até atingir a base do crânio e entra na cavidade craniana pelo buraco occipital. Ao longo do seu percurso, a artéria vertebral, emite ramos que entram no canal vertebral para nutrirem a medula espinal, outros ramos nutrem as vértebras cervicais e músculos desta região. Dentro da cavidade craniana, a artéria vertebral de cada lado coloca-se anteriormente ao bolbo raquidiano e, ao nível do bordo inferior da ponte, as duas artérias vertebrais anastomosam-se para formarem a artéria basilar, responsável por irrigar a ponte, cerebelo e restante dos hemisférios cerebrais que não é nutrido pelas artérias carótidas internas.

2.3.2 - Anel ou Círculo Arterial de Willis

A maior parte dos hemisférios cerebrais é nutrida pelas duas artérias carótidas internas, enquanto o restante é nutrido pela artéria basilar. Uma importante anastomose existe entre as duas artérias carótidas internas e a artéria basilar, formando um círculo arterial designado anel de Willis, situado logo à frente da ponte. Este importante círculo arterial é formado da seguinte maneira: à frente as duas artérias cerebrais anteriores estão ligadas uma com a outra pela artéria comunicante anterioratrás a artéria basilar divide-se em duas artérias cerebrais posteriores, cada uma delas unidas à artéria carótida interna do seu lado, pela artéria comunicante posterior

2.3.3 – Artéria axilar

É a continuação da artéria subclávia a partir da 1a costela até atingir o membro superior, onde nominalmente termina ao nível do bordo inferior do músculo redondo maior, após percorrer a região da axila.. A partir daqui, continua agora como artéria braquial. Ao longo do seu percurso, a artéria axilar emite ramos que irrigam a superfície externa das

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paredes da cavidade torácica, incluindo a musculatura adjacente, bem com as estruturas musculo-esqueléticas adjacentes à cintura escapular e articulação do ombro.

2.3.4 – Artéria braquial

É a continuação da artéria axilar ao longo do membro superior, situando-se no sector anterior do braço, coberta apenas pela pele e fáscias superficial e profunda, colocada medialmente ao músculo bicípete braquial. Tem percurso para distal até à articulação do cotovelo, colocando-se anteriormente a esta articulação, na designada fossa cubital. A partir da extremidade proximal do rádio divide-se em dois ramos: artéria radial e artéria cubital. As artérias cubital e radial têm percurso para distal, no sector anterior do antebraço, até atingirem a face palmar do carpo. Ao nível do metacarpo as artérias cubital e radial formam duas importantes anastomoses que constituem: o arco palmar superficial e o arco palmar profundo. Na face anterior do pulso, lateralmente, podem ser sentidas as pulsações da artéria radial.

3 - Aorta Descendente Torácica

É a parte da aorta descendente que está no interior da cavidade torácica confinada ao mediastino posterior. Tem percurso descemndente ao longo da porção torácica da coluna vertebral, até à abertura aórtica do diafragma. No seu início está à esquerda da coluna vertebral e à medida que se dirige para baixo coloca-se no plano mediano, à frente da coluna vertebral e posteriormente ao esófago. A aorta torácica, ao longo do seu percurso dá origem a ramos que vão irrigar: pericárdio, pulmões, brônquios, esófago, superfície interna das paredes da cavidade torácica.

4 - Aorta Descendente Abdominal

Tem início no hiato aórtico do diafragma e tem percurso descendente, anteriormente e ligeiramente à esquerda dos corpos das vértebras lombares, terminando ao nível da 4a vértebra lombar ao dividir-se em artérias ilíacas comuns direita e esquerda. Ao longo do seu percurso emite importantes ramos que irrigam as vísceras das cavidades abdominal e pélvica. O tronco

celíaco dá origem à artéria hepática, artérias que irrigam o estômago, o duodeno, o pâncreas e o baço. A artéria mesentérica superior nutre todo o intestino delgado e parte do intestino grosso colocando-se com suas ramificações entre as lâminas do

mesentério. A artéria mesentérica inferior nutre a porção distal do intestino grosso, desde a parte final do cólon transverso colocando-se entre as duas lâminas do mesocólon sigmóide. As artérias renais esquerda e direita nutrem o parênquima renal. Além disso, a aorta abdominal emite as artérias testiculares no homem, as artérias ováricas na mulher e vários ramos arteriais que vão nutrir as paredes abdominais.

4.1 – Artérias Ilíacas Comuns Esquerda e Direita

Têm um percurso descendente e lateral, cada uma no respectivo lado da coluna vertebral, desde a 4a vértebra lombar. Ao nível da base do sacro, cada artéria ilíaca comum divide-se em artéria ilíaca externa e artéria ilíaca interna.

4.1.1 - Artéria Ilíaca Interna

Tem um percurso relativamente curto à frente da articulação entre o osso ilíaco e sacro,desde o local de bifurcção da artéria ilíaca comum ipsilateral. Divide-se em dois troncos arteriais responsáveis por nutrir a bexiga, útero e vagina, genitais externos, musculatura pélvica e musculatura da nádega.

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4.1.2 - Artéria Ilíaca Externa

Cada artéria ilíaca externa tem percurso descendente e lateral, desde a bifurcação da artéria ilíaca comum ipsilateral, alcançando o ligamento inguinal. Passa por trás do ligamento inguinal para alcançar a face anterior da coxa, a partir daqui passa a designar-se artéria femural.

A artéria femural inicialmente está situada no sector anterior da coxa em posição medial, depois passa pelo orifício do músculo adutor magno, após percorrer o canal adutor alcançando a fossa poplítea e passa a designar-se artéria poplítea.

A artéria poplítea atravessa a fossa poplítea com percurso descendente. Um pouco abaixo da articulação do joelho divide-se em artéria tibial anterior e artéria tibial posterior. A artéria poplítea emite três ramos designados geniculares superior, médio e inferior que irrigam a articulação do joelho formando à sua volta importantes anastomoses. Na extremidade proximal da membrana interóssea a artéria poplítea divide-se em artérias tibiais anterior e posterior. A artéria tibial anterior está colocada lateralmente e dirige-se para diante, passando por cima da membrana interóssea alcança o sector anterior da perna. Tem percurso para distal alcançando o dorso do pé onde passa a designar-se artéria dorsal do pé.

A artéria tibial posterior dirige-se para baixo e medialmente ao longo do sector posterior da perna até alcançar a face medial do calcâneo. Entra na face plantar do pé onde se divide em artérias plantares lateral e medial. A artéria plantar lateral anstomosa-se com a artéria dorsal do pé para formarem o arco plantar do pé.

II - SISTEMA VENOSO

O sistema venoso compreende dois conjuntos de veias: as veias sistémicas e as veias pulmonares. As veias sistémicas desembocam na aurícula direita através das veias cavas superior e inferior. As veias pulmonares são quatro e desembocam na aurícula esquerda.

VEIAS PULMONARES

Reconduzem o sangue oxigenado dos pulmões para a aurícula esquerda do coração. São quatro, duas provenientes de cada pulmão. Começam no leito capilar dos alvéolos pulmonares, unem-se umas às outras para formarem um tronco único em cada lobo pulmonar. A veia do lobo médio do pulmão direito funde-se com a veia do lobo superior de modo que duas veias, uma superior e outra inferior, deixam cada pulmão e desembocam separadamente na porção superior e posterior da aurícula esquerda.

VEIAS SISTÉMICAS

As veias sistémicas podem ser divididas em seis grupos. Um grupo compreende as veias cardíacas que drenam o sangue que irrigou o coração e drenam directamente nos compartimentos cardíacos. Os três grupos que constituem as veias da cabeça e pescoço, do tórax e dos membros superiores drenam para a veia cava superior e os dois grupos que compreendem as veias do abdómen e pelve e veias dos membros inferiores drenam para a veia cava inferior.

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1 - Veias Cardíacas

A maior parte das veias do coração, drena para um amplo canal venoso designado seio coronário, situado na porção mais posterior do sulco coronário e que termina na aurícula direita, entre o orifício da veia cava inferior e o orifício auriculo-ventricular direito. O seio coronário recebe veias tributárias, provenientes de todas as partes do coração, estando as de maior calibre, colocadas nos sulcos interventriculares anterior e inferior e sulco coronário.

2 - Veias da Cabeça e Pescoço

As veias superficiais têm início em vários pontos da superfície externa da cabeça e face e drenam para veias que vão desembocar principalmente na veia jugular interna, mas também na veia jugular externa. O sangue proveniente do interior do crânio, encéfalo e olho, é drenado por um complexo sistema de seios venosos da dura-máter que drenam o sangue para a veia jugular interna.

2.1 - Veia Jugular Externa

Recebe o sangue do couro cabeludo e face, incluindo suas partes mais profundas. Começa ao nível do ângulo da mandíbula, na superfície da glândula parótida, pela confluência de veias provenientes da face e superfície externa do crânio. Tem percurso descendente cruzando obliquamente a superfície externa do músculo esternocleidomastoideu, em direcção ao meio da clavícula, a este nível termina desembocando na veia subclávia.

2.2 - Veia Vertebral

O sangue proveniente de segmentos vertebrais cervicais é drenado num plexo venoso formado à volta de cada artéria vertebral dentro do canal formado pelos orifícios das apófises transversas das vértebras cervicais. O sangue deste plexo é colectado num vaso que emerge da extremidade inferior deste canal, canal transverso, como veia vertebral. As veias vertebrais, uma de cada lado, unem-se à veia braquiocefálica do lado correspondente.

2.3 - Veia jugular interna

Começa na base do crânio ao nível do buraco jugular, como continuação do seio sigmóide. No seu início possui uma dilatação, o bulbo da veia jugular. Tem percurso descendente ao longo do pescoço, medialmente ao músculo esternocleidomastoideu e ao nível da extremidade medial da clavícula, une-se à veia subclávia ipsilateral para formar a veia braquiocefálica. A veia jugular interna drena o sangue do encéfalo, crânio, face e pescoço, tem por isso inúmeros vasos tributários. A drenagem do sangue do encéfalo faz-se através de uma série de seios venosos envolvidos pela duplicação da dura-máter. As veias cerebrais drenam o sangue das regiões superficiais e profundas dos hemisférios cerebrais, designando-se, respectivamente, veias cerebrais externas e veias cerebrais internas. As veias cerebelares drenam o sangue proveniente do cerebelo. As veias cerebrais internas direita e esquerda unem-se para formar a grande veia cerebral. As veias cerebrais externas e as veias cerebelares podem terminar na grande veia cerebral, ou directamente nos seios venosos. As veias do tronco cerebral ou tronco encefálico terminam principalmente nos seios venosos da dura-máter. No diploe dos ossos do crânio há inúmeras veias designadas veias diplóicas, com paredes muito finas formadas só por endotélio, mas de grande diâmetro, apresentando dilatações ao longo do seu percurso e comunicando-se com os seios venosos da dura-máter.

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2.4 - Seios venosos da dura-máter

São canais venosos, revestidos de endotélio, que se formam pela divisão da dura-máter em duas lâminas e drenam o sangue do encéfalo e ossos do crânio.

O seio sagital superior ocupa a porção aderente da foice do cérebro. Tem início na crista galli, com percurso para trás sulcando a superfície interna do osso frontal, margens adjacentes dos dois ossos parietais e osso occipital onde termina ao nível da protuberância occipital interna, dividindo-se em dois seios transversos.

O seio recto está na confluência da foice do cérebro e tenda do cerebelo, recebe o sangue da grande veia cerebral e dirige-se para trás no plano mediano para atingir um dos seios transversos.

Os seios transversos, um de cada lado, começam ao nível da protuberância occipital interna sendo um deles a continuação do seio sagital superior. Dirigem-se para a frente e lateralmente, até um ponto em que se voltam para baixo para se continuarem como seios sigmóides

O seio sigmóide é a continuação para baixo do seio transverso do respectivo lado. Tem percurso descendente e medial até ao orifício jugular onde se continua como veia jugular interna.

Os seios cavernosos estão colocados de cada lado do corpo do esfenóide, recebendo vasos das estruturas oculares e adjacentes. Podem drenar o sangue directamente para a veia jugular interna ou indirectamente através de outros seios.

3 - Veias do Membro Superior

As veias do membro superior podem ser agrupadas em dois grupos: as veias superficiais e as veias profundas, apresentando anastomoses entre elas.

3.1 - Veias superficiais do membro superior

As veias digitais dorsais drenam para veias metacárpicas dorsais, que por sua vez formam uma rede venosa dorsal. A rede venosa dorsal da mão prolonga-se proximalmente em duas veias: a veia cefálica e a veia basílica.

A veia cefálica colocada lateralmente, tem percurso ascendente na superfície posterior do antebraço e curva-se em torno de seu bordo radial, para alcançar a sua superfície anterior. Um pouco abaixo da prega do cotovelo dá origem a um ramo que vai constituir a veia mediana do cotovelo que termina na veia basílica. Continua em direcção proximal, ao longo do braço até ao nível da clavícula, onde termina na veia axilar.

A veia basílica colocada medialmente, tem percurso ascendente, na superfície posterior do antebraço e curva-se para diante no seu bordo cubital, para atingir a sua superfície anterior, continuando para cima, no lado cubital do antebraço, recebe a veia mediana do cotovelo e a veia mediana do antebraço. Alcança o braço dirigindo-se proximalmente para atingir a veia axilar.

A veia mediana do antebraço drena o plexo venoso palmar e tem percurso ascendente na superfície anterior do antebraço para atingir a veia basílica.

3.2 - Veias profundas do membro superior

Os arcos palmares arteriais superficial e profundo estão acompanhados por arcos venosos palmares superficial e profundo. A drenagem ascendente dos arcos venosos palmares faz-se por veias que acompanham as artérias radial e cubital. Normalmente há duas veias acompanhantes para cada artéria. Estas veias unem-se à frente do cotovelo para formarem duas veias braquiais, acompanhantes da artéria braquial e que se dirigem para cima para terminarem na veia axilar.

3.3 - Veia axilar

É a continuação proximal da veia basílica, com início ao nível do bordo inferior do músculo redondo maior até à 1a costela, a partir da qual se passa a designar veia subclávia.

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3.4 - Veia subclávia

É a continuação da veia axilar, passa sobre a 1a costela em direcção à cavidade torácica, atingindo a veia jugular interna à qual se une para formar a veia braquiocefálica.

4 - As Veias do Tórax

As veias braquiocefálicas direita e esquerda são dois grandes troncos situados na raiz do pescoço e na porção mais superior do tórax. Cada veia braquiocefálica é formada pela união das veias jugular interna e subclávia do respectivo lado. As duas veias braquiocefálicas unem-se para formar a veia cava superior, de tal forma que a veia braquiocefálica esquerda tem um trajecto mais longo. A veia cava superior drena o sangue da metade superior do corpo. Começa na junção das duas veias braquiocefálicas ao nível da 1a cartilagem costal do lado direito e dirige-se para baixo para alcançar a porção póstero-superior da aurícula direita.

5 - As Veias do Membro Inferior

As veias do membro inferior podem ser divididas em dois grupos: as veias superficiais e as veias profundas. As superficiais estão imediatamente sob a fáscia superficial. As veias profundas acompanham as respectivas artérias, normalmente há duas veias a acompnhar cada artéria com o mesmo nome.

5.1 - Veias Superficiais do Membro Inferior

O sangue proveniente das veias superficiais do dorso e da planta do pé drenam para duas importantes veias superficiais: a veia safena maior e a veia safena menor.

A veia safena maior tem percurso ascendente na superfície ântero-medial da perna até atingir a articulação do joelho. A este nível passa póstero-medialmente aos côndilos mediais da tíbia e fémur e continua em direcção proximal, ao longo da superfície medial da coxa, atravessa o hiato safeno para se unir à veia femural.

A veia safena menor tem percurso ascendente, primeiro na superfície póstero-lateral da perna, depois no centro da superfície posterior da perna, perfura a fáscia profunda ao nível da fossa poplítea para desembocar na veia poplítea.

5.2 - Veias Profundas do Membro Inferior

As duas veias tibiais posteriores têm percurso ascendente acompanhando a artéria tibial posterior ao longo da face posterior da tíbia. As duas veias tibiais anteriores acompanham a artéria tibial anterior em direcção proximal, na face anterior da perna e um pouco abaixo da articulação do joelho passam para o sector posterior da perna, atravessando o bordo superior da membrana interóssea. As veias tibiais anteriores unem-se às veias tibiais posteriores para formarem a

veia poplítea. A veia poplítea tem percurso ascendente na fossa poplítea acompanhando a artéria do mesmo nome e ao

atingir o anel do músculo adutor magno passa a designar-se veia femural. Ao nível da fossa poplítea a veia poplítea recebe a veia safena menor. A veia femural dirige-se para cima no sector ântero-medial da coxa, sendo a continuação da veia poplítea a partir do local em que esta atravessa o canal do músculo adutor magno, para a+tingir a face anterior da coxa. Continua em direcção proximal até ao ligamento inguinal, a partir do qual passa a designar-se veia ilíaca externa.

6 - As Veias do Abdómen e Pelve

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comuns, uma de cada lado, unem-se ao nível da 5a vértebra lombar para formarem a veia cava inferior. Esta conduz todo o sangue proveniente das regiões do corpo abaixo do diafragma, em direcção à aurícula direita do coração. A veia cava inferior dirige-se para cima, à frente da coluna vertebral e à direita da artéria aorta, perfura o centro tendíneo do diafragma para entrar na cavidade torácica e desemboca na porção póstero-inferior da aurícula direita.

Bibliografia:

1 - Williams PL, Warwick R. Gray’s Anatomy. 38th Edition. Edinburgh: Churchill Livingstone; 1995. p. 1453 – 1626. 2 - Netter FH. Atlas de Anatomia Humana. Segunda Edición. East Hanover. Novartis.

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SISTEMA CARDIOVASCULAR III

SUMÁRIO

1 – Características citológicas e funcionais do tecido muscular cardíaco

• Estriação transversal: bandas A, I, H e linha Z

• Discos intercalares: desmossomas e junções comunicantes em hiato

• Automaticidade e ritmicidade do miócito cardíaco

2 – Sístole e diástole. Importância funcional do ião cálcio 3 – Sistema de condução do coração

• Nós sino-auricular e auriculo-ventricular

• Feixe de His

• Miócitos de Purkinje

• Função de “pacemaker”

• Atraso na condução auriculo-ventricular

4 – O ciclo cardíaco 4.1 – Sístole ventricular • Contracção isovolumétrica • Fase de ejecção 4.2 – Diástole ventricular • Relaxamento isovolumétrico

• Fase de enchimento rápido

• Fase de enchimento lento ou diástase

• Entrada adicional de sangue promovida pela sístole auricular 5 – Traçado electrocardiográfico e sons cardíacos

Bibliografia

:

1 - Junqueira LC, Carneiro J. Histologia Básica. 10ª Edição. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2004. p. 184-222. 2 - Williams PL, Warwick R. Gray’s Anatomy. 38th Edition. Edinburgh: Churchill Livingstone; 1995. p. 738 – 771. 3 - Berne RM, Levy MN. Physiology. 4th Edition. St Louis: Mosby;1998. p. 269 – 281.

4 - Berne RM, Levy MN. Physiology. 4th Edition. St Louis: Mosby;1998. p. 329 – 378.

5 - Guyton AC, Hall JE. Textbook of Medical Physiology. 10th Edition. Philadelphia: WB Saunders Company; 2000. p. 96-142. 6 - Berne RM, Levy MN. Physiology. 4th Edition. St Louis: Mosby;1998. p. 21 – 29.

7 – Roden DM, George AL. The Cardiac Ion Channels. Relevance to Management of Arrhytmias. Ann. Rev. Med. 1996; 47: 135-148. 8 – Niggli E. Localized Intracellular Calcium Signaling in Muscle: Calcium Sparks and Calcium Quarks. Ann. Rev. Physiol. 1999; 61: 311-335. 9 – Kiriazis H, Kranias EG. Genetically Emgineered Models with Alterations in Cardiac Membrane Calcium Handling Proteins. Ann. Rev. Phisiol. 2000; 62: 321-351.

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SISTEMA CARDIOVASCULAR III

I - CARACTERÍSTICAS CITOLÓGICAS DO TECIDO MUSCULAR CARDÍACO

O coração é um órgão oco com paredes essencialmente musculares, com capacidade de contracção rítmica o que permite bombear o sangue para o sistema arterial. As paredes do coração delimitam os seus compartimentos, sendo constituídas por três túnicas: a interna constitui o endocárdio, a externa constitui o epicárdio e a intermédia e mais espessa constitui o miocárdio. O endocárdio é uma delicada camada de tecido epitelial e conjuntivo similar à túnica íntima dos vasos sanguíneos, constituída pelo endotélio que fica voltado para o interior dos compartimentos cardíacos, suportado por uma fina camada de tecido conjuntivo sub-endotelial. O epicárdio é o folheto interno ou visceral do pericárdio seroso, é constituído por um epitélio simples pavimentoso, o mesotélio, voltado para a cavidade pericárdica e uma camada de tecido conjuntivo frouxo, entre o mesotélio e o miocárdio. O miocárdio é uma camada muscular constituída por fibras musculares estriadas cardíacas1.

As fibras musculares estriadas cardíacas ou miócitos cardíacos são células alongadas com cerca de 100 micrómetros de comprimento e cerca de 10 a 15 micrómetros de diâmetro. Cada uma destas células tem um ou dois núcleos ocupando o centro da célula apresentando ramificações nas suas extremidades, fortemente unidas às ramificações de células adjacentes2. Uma característica exclusiva do músculo cardíaco é a presença de complexos juncionais, unindo fortemente as células entre si. Estes complexos unitivos constituem os discos intercalares que integram três formas de união intercelular: zónulas de adesão, desmossomas e junções comunicantes em hiato.

Entre os miócitos cardíacos há uma fina camada de tecido conjuntivo similar ao endomísio do tecido muscular estriado esquelético, rico em capilares sanguíneos, no entanto, menos organizado2.

Os miócitos cardíacos apresentam estriação transversal idêntica à encontrada no tecido muscular esquelético, com o mesmo modelo de organização dos filamentos de actina e miosina, aparecendo em microscopia electrónica as

bandas A, I, H e linhas Z. Encontram-se numerosas mitocôndrias e túbulos invaginados do sarcolema para o interior

da célula, constituindo sistemas T do sarcolema idênticos aos da fibra muscular estriada esquelética. No entanto, o retículo sarcoplasmático não é tão desenvolvido como na fibra muscular estriada esquelética, embora esteja em íntimo contacto com o sistema T do sarcolema1.

II – FISIOLOGIA DO MIÓCITO CARDÍACO

Tal como na fibra muscular estriada esquelética, a contracção (encurtamento) dos miócitos cardíacos deve-se à interacção entre actina e miosina, iniciada pelo aumento da concentração de ião cálcio (Ca++) no sarcoplasma. No entanto, a proveniência do Ca++ responsável pelo desencadeamento da contracção é diferente entre os dois tipos de fibras musculares. Na fibra muscular estriada esquelética, todo o Ca++ necessário para despoletar a contracção está armazenado no interior das cisternas de retículo sarcoplasmático. Na fibra muscular estriada cardíaca há um contingente de Ca++ proveniente do fluído extracelular, que entra na célula através de canais proteicos situados no sarcolema. Os iões Ca++ provenientes do fluído intersticial, inundam o sarcoplasma estimulando a libertação de mais Ca++ armazenado no retículo sarcoplasmático. Os iões Ca++ são responsáveis por despoletar o mecanismo de encurtamento do sarcómero, de forma similar ao que sucede na fibra muscular estriada esquelética, por conseguinte fluxos iónicos envolvendo Ca++ são fulcrais para desencadear a contracção da fibra muscular estriada cardíaca 2, 3.

Referências

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