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Academic year: 2021

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TÍTULO: AVALIAÇÃO DE MATERIAL EDUCATIVO, DIRIGIDO A PROFESSORES E FUNCIONÁRIOS DE ESCOLAS, SOBRE A AVULSÃO DENTÁRIA

TÍTULO:

CATEGORIA: CONCLUÍDO CATEGORIA:

ÁREA: CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E SAÚDE ÁREA:

SUBÁREA: ODONTOLOGIA SUBÁREA:

INSTITUIÇÃO: UNIVERSIDADE DE RIBEIRÃO PRETO INSTITUIÇÃO:

AUTOR(ES): CAROLINE NOGUEIRA DE MORAES AUTOR(ES):

ORIENTADOR(ES): SILVIO ROCHA CORRÊA DA SILVA ORIENTADOR(ES):

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1. RESUMO

O prognóstico do elemento dentário avulsionado está diretamente relacionado à qualidade do atendimento imediato. Este estudo foi realizado com o objetivo de avaliar o conhecimento de professores diante de uma situação emergencial de avulsão dental. A amostra foi constituída por 34 professores e funcionários de duas escolas públicas de Ircemápolis, SP, no ano de 2015, aos quais foi aplicado um questionário composto por 13 perguntas fechadas, pré-testado em população similar à de estudo. O instrumento de pesquisa pode ser dividido em três partes: caracterização dos professores, conduta frente a avulsão e conhecimento específico dos procedimentos executados em caso de trauma. Os resultados mostraram que 88% dos participantes não conheciam os procedimentos a serem tomados em caso de avulsão dental. Sobre o reimplante dentário, 70,6% responderam não ter conhecimento ou prática para realizá-lo e 14,7% não sabiam que isso poderia ser feito. Sobre o tempo ideal para a realização do reimplante e atendimento odontológico, 50% não souberam responder e apenas 5,9% consideraram que o procedimento deveria ser feito em minutos Após o desenvolvimento e distribuição do material educativo observou-se melhora significativa nos níveis de conhecimento dos participantes. 83% responderam que o atendimento deve ser feito até 30 minutos após o trauma, 97% afirmaram saber o que é um reimplante dental e 55,9 % o realizariam. Desta forma podemos concluir que o conhecimento sobre o tema é insuficiente o que pode prejudicar o prognóstico de avulsão dentária e que a educação é de extrema importância para favorecer o conhecimento da prevenção e do manuseio de um dente avulsionado e consequentemente melhora o prognóstico.

2. INTRODUÇÃO

O traumatismo dentário pode ser definido como uma agressão térmica, química ou mecânica sofrida pelo dente e estruturas adjacentes cuja magnitude supera a resistência encontrada nos tecidos ósseos e dentários1.

Entre os diversos tipos de trauma dentário a avulsão, em dentes permanentes, é caracterizada pelo completo deslocamento do dente para fora

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do alvéolo2. Tem prevalência de 1% a 16% das lesões traumáticas na dentição permanente e compromete principalmente os dentes incisivos superiores das crianças3.

Estudos epidemiológicos sobre trauma dentário mostraram que a maioria dos acidentes com o envolvimento dentário, em crianças, ocorre em casa, seguido pela escola4,5. Assim, professores, técnicos esportivos e cuidadores são frequentemente requisitados para prestar os primeiros socorros e as primeiras ações são cruciais para o prognóstico do dente avulsionado e sucesso no tratamento6.

A literatura relata que o tratamento realizado nos primeiros 30 minutos oferece os melhores resultados7. Porém, o tempo decorrido entre a ocorrência do trauma dentário e a procura por cuidados profissionais está diretamente ligado ao nível educacional e as informações a respeito dos serviços disponíveis. O tratamento indicado, nos casos de avulsão dentária, é o reimplante do dente, que deve ser realizado o mais cedo possível e com os cuidados apropriados, o problema é que geralmente os primeiros cuidados são fornecidos por pessoas que não são da área da saúde8.

O prognóstico depende também do meio de armazenamento do dente avulsionado antes do reimplante8. Também são importantes os cuidados com o manuseio e a lavagem do dente, que se realizados corretamente aumentam as chances de sucesso no tratamento9.

O conhecimento de professores no que diz respeito ao manejo de crianças com dentes avulsionados foi analisado em vários estudos.

Estudo realizado por Campos e cols10 com pais, professores e estudantes sobre a conduta de urgência frente ao trauma dentário mostrou que apenas 6,8% dos entrevistados teriam capacidade de promover um socorro adequado com maior possibilidade de salvar o dente, enquanto 75% das pessoas colocariam o dente numa situação de alto risco em relação à permanência no alvéolo por muito tempo.

Estudo realizado por Curylofo e cols11 com 52 professores do ensino fundamental de Ribeirão Preto mostrou que 73,1% não conheciam os procedimentos em caso de avulsão dentária, 40,4% já haviam testemunhado uma avulsão no ambiente escolar e apenas 23,5% tentariam fazer o reimplante. Recolheriam o dente avulsionado e levariam a criança e o dente ao

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dentista para o diagnóstico correto, 34,6% dos participantes, contudo, apenas 9,6% deixariam o dente menos de 1 hora fora da cavidade bucal. Material seco (gaze, jarra de vidro, algodão) foi a escolha de 42,6% dos entrevistados para transportar o dente ao dentista, enquanto a água e o leite obtiveram menor percentual de resposta (13,1%). Os autores concluíram que o conhecimento dos professores não era adequado a respeito da conduta que deve tomada frente à avulsão dentária e a maior capacitação desses profissionais poderia levar ao correto tratamento e ao melhor prognóstico.

De modo geral, estes estudos mostram que pessoas, que não são da área da saúde, não apresentam conhecimento técnico e não se sentem aptas a prestar cuidados emergenciais nos casos de avulsão dentária12,13. Çaglar e cols14 afirmam que escolas são lugares excelentes para iniciar programas de educação em trauma dentário e para educar as pessoas que lidam com crianças.

Diante do quadro apresentado de baixo conhecimento e de condutas inadequadas nos casos de trauma dentário com avulsão, observa-se a importância da realização de campanhas educativas, principalmente às dirigidas aos profissionais que trabalham diretamente com crianças. É por meio de uma maior capacitação que, nos casos de ocorrências de traumatismo dentário com avulsão do dente, não só o reimplante dentário seja possível, mas também se obtenha um bom prognóstico em relação ao dente avulsionado.

3. OBJETIVOS

O estudo foi realizado com o objetivo de avaliar o conhecimento de professores sobre avulsão dentária e reimplante para desenvolver e avaliar material didático dirigido a estes profissionais.

4. METODOLOGIA

O presente estudo foi realizado por meio de avaliação de professores e funcionários de instituições de ensino fundamental da rede pública e posterior desenvolvimento de material didático sobre avulsão dentária e sua implantação.

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públicas estaduais de ensino fundamental da cidade de Iracemápolis, SP. A cidade conta com 3 estabelecimentos de ensino públicos. Trata-se de uma amostra de conveniência, pela facilidade de acesso aos sujeitos do estudo.

5. DESENVOLVIMENTO

Primeiramente foi aplicado um questionário com 14 questões desenvolvidas para este estudo. O instrumento podia ser dividido em duas partes: a primeira contendo perguntas de identificação para a caracterização do professor e funcionário, como sexo, idade, tempo de trabalho como professor ou funcionário em ambiente escolar. A segunda parte abordava o tema do estudo que se refere à avulsão dentária, possíveis experiências e condutas neste contexto, conhecimento desse tipo de trauma dentário, recebimento de informações, reimplante dentário, armazenamento e cuidados com o dente. As respostas dos participantes sobre as condutas nos casos de avulsão dentária foram avaliadas, e consideradas adequadas ou inadequadas, de acordo com as orientações clínicas preconizadas por Stokes e cols7, Andreasen e cols8 e Blomlöf e cols9.

Com base na avaliação das respostas a este questionário foi desenvolvido material didático visando atender as principais necessidades de informação observadas. Feito na forma de folheto, com ilustrações e informações sobre o protocolo clínico de atendimento nos primeiros cuidados nos casos de avulsão dentária, continha informações sobre a avulsão dentária, a preservação do dente lesionado por meio do manuseio correto, a limpeza mais adequada, o armazenamento do dente até o atendimento odontológico, o reimplante e o prognóstico.

Sete dias após a entrega do material didático foi aplicado um segundo questionário aos participantes da pesquisa com 12 questões referentes a avulsão dentária e as informações fornecidas pelo material didático, com intuito de avaliar o material didático distribuído e sua eficácia.

O estudo foi submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade de Ribeirão Preto e teve seu início após a aprovação pelo referido comitê. Antes de responder ao questionário o participante assinou o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido para a participação no estudo.

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resultados foram expressos em tabelas com a distribuição de frequência em números absolutos e porcentuais.

6. RESULTADOS

O estudo teve participação de 34 profissionais de duas escolas estaduais de ensino fundamental, entre eles, professores, agentes escolares, membros da direção, como diretor e coordenador, cuidadores e outros.

A maioria dos participantes era do gênero feminino (73,5%), com idade entre 41 a 50 anos (35,3%) e a média da idade dos participantes da pesquisa foi de 41,6 anos. A maioria dos participantes eram professores (70,6%) com experiência profissional de 1 a 10 anos (44,1%).

Presenciaram algum tipo de trauma dentário, 20,6% dos participantes e 11,8% haviam presenciado casos de avulsão dental, 75% por queda e 25% por acidente na prática de esportes (Tabela 1).

Tabela 1 - Distribuição da frequência de acordo com a experiência dos participantes sobre trauma dentário e avulsão dentária.

Frequência Porcentagem Já presenciou trauma?

Sim 7 20,6

Não 27 79,4

Se a resposta anterior foi sim, qual a causa?

Queda 7 100,0

Já presenciou avulsão?

Sim 4 11,8

Não 30 88,2

Se a resposta anterior foi sim, qual a causa?

Queda 3 75,0

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O número de participantes que não conheciam os procedimentos a serem tomados em caso de avulsão dental foi considerado alto com 88,2%. Perguntados sobre o que fariam, houve várias respostas diferentes entre elas encaminhar ao dentista (32,3%) ou chamar os responsáveis pela criança (14,7%)

Perguntados sobre o reimplante dentário 70,6% responderam não ter conhecimento ou prática para realizá-lo e 14,7% não sabiam que o procedimento poderia ser feito.

Sobre a limpeza do dente avulsionado que sujou ao cair, 79,5% fariam a limpeza no dente e desses, 81,5% o fariam com água. Sobre a importância de não esfregar o dente sujo, 44,1 % acham importante esfregar o dente e 23,5% não souberam responder.

Sobre o tempo ideal para a realização do reimplante e atendimento odontológico, 50% não souberam responder e apenas 5,9% consideraram que o procedimento deveria ser feito em minutos, lembrando que o ideal para melhor prognóstico nesses casos é o atendimento e reimplante dentro dos primeiros 30 minutos após o trauma.

No transporte do dente avulsionado, 11,8% o envolveriam em papel toalha, 11,7% fariam o transporte em recipiente com água e apenas 2,9% fariam o transporte em um copo com leite.

A partir da avaliação dessas respostas foi desenvolvido folheto visando sanar as principais deficiências encontradas, pois um maior conhecimento melhora o prognóstico, previne sequelas mais graves decorrentes de traumas dentários e aumenta as expectativas de um tratamento bem-sucedido, visando sempre a qualidade de vida e bem-estar.

Após o material ser entregue foi realizado um novo questionário testando sua eficácia e o conhecimento sobre o socorro em caso de avulsão dental. Os resultados mostraram como a informação ajuda na melhora desse conhecimento e é um importante instrumento na prevenção da saúde e prognóstico favorável.

Perguntados novamente sobre como transportar o dente avulsionado 35,3% o colocariam em uma das opções no leite, no soro fisiológico ou na própria saliva da criança e 29,4% responderam que colocariam o dente no leite.

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Sobre como manusear o dente, 94,1% o pegariam e manuseariam pela coroa e quanto ao atendimento, 97,1% acham que o atendimento deve ser realizado pelo profissional dentista.

Sobre o tempo ideal para atendimento no segundo questionário, 85,3% respondeu que deveria ser realizado em 30 minutos. 97,1% dos participantes afirmaram saber o que é um reimplante dental e 55,9 % o realizariam, dos 44,1% que não realizariam o reimplante, 46,6% não o fariam por inexperiência.

Foi mostrado um caso clínico de avulsão onde o dente cai no chão e fica sujo e apenas 2,9% usariam uma escovinha e esfregariam o dente. Nenhum dos participantes envolveria o dente em papel toalha, gaze ou saco plástico para fazer o transporte.

Quanto ao material didático, 94,1% acham importante ter conhecimento sobre o assunto, todos acharam que o folheto informativo contribuiu para um maior conhecimento, além de ser de fácil entendimento e 50% acham que esse tipo de material ajuda na educação da população.

7. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A avulsão dentária é um trauma muito frequente que merece maior

atenção, principalmente no ambiente escolar de ensino fundamental, por ser o local onde ocorrem com maior frequência esses traumas, devido a idade das crianças e suas atividades, existem falhas de conhecimento dos profissionais que podem levar a um prognóstico prejudicial e possível insucesso no tratamento devido a um socorro inadequado.

Porém ficou perceptível com o desenvolvimento e distribuição do material (folheto informativo) que a educação influência de forma significativa na melhora do conhecimento sobre o socorro de avulsão dentária, sendo benéfico para todos.

É importante cogitar o desenvolvimento do material didático para o trauma dental e demais áreas e problemas da saúde e também na sua distribuição com maior abrangência como um método eficaz de prevenção e promoção da saúde.

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8. FONTES CONSULTADAS

1- Traebert JL. Traumatismo dentário. In: Antunes, J L F & Peres M A.

Epidemiologia da saúde bucal. Rio de Janeiro, Ed. Guanabara-Koogan,

p.128-44, 2006.

2- Neto, JJSM. Traumatismo dentário: protocolo de atendimento.-Fortaleza: Ed. Pouchain Ramos, 111 p., 2007.

3- Galea, H. An investigation of dental injuries treated in an acute care general hospital. J Am Dent Assoc., 109(3):434-438, 1994.

4- Garcia-Godoy F, Sanches JR. Traumatic dental injuries in a sample of dominican schoolchildren. Community Dent Oral Epidemiol, 9(4):193-197, 1981.

5- COSTA LED, QUEIROZ FS, NÓBREGA CBC, LEITE MS, NÓBREGA WFS, ALMEIDA ER. Trauma dentário na infância: avaliação da conduta dos educadores de creches públicas de Patos-PB. Rev Odontol UNESP, 43(6): 402-408, 2014.

6- Frujeri MLV. Avulsão dentária: Efeito da informação na mudança de

comportamento em diferentes grupos profissionais. Brasília, Universidade

Nacional de Brasília. Dissertação de Mestrado, p.177, 2006.

7- Stokes AN, Anderson HK, Cowan TM. Lay and professional knowledge of methods for emergency management avulsed teeth. Endod Dent Traumatol, 8(4):160-162, 1992.

8- Andreasen JO, Borum MK, Jacobsen HL, Andreasen FM. Replantation of 400 avulsed permanent incisors. Factors related to periodontal ligament healing. Endod Dent Traumatol. 11(2): 76-89, 1995.

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9- Blomlöf L, Otteskog P, Hammarström L. Effect of storage in media with different ion strengths and osmolalities on human periodontal ligament cells.

Scand J Dent Res. 89(2):180-187, 1991.

10- Campos MIC, Henriques KAM, Campos CN. Nível de informação sobre a conduta de urgência frente ao traumatismo dental com avulsão. Pesq Brasil

Odontop e Clínica Integrada, 6(2):155-159, 2006.

11- Curylofo PA, Lorencetti KT, Silva SRC. Avaliação do conhecimento de professores sobre avulsão dentária. Arq Odontol, 48(3):175-180, 2012.

12- Blakytny C, Surbuts C, Thomas A, Hunter ML. Avulsed permanent incisors: Knowledge and attitudes of primary school teachers with regard to emergency management. Int J Paediatr Dent, 11(5):327-332, 2001.

13- Mori GG, Turcio KHL, Borro VPB, Maríusso AM. Evaluation of the knowledge of tooth avulsion of school professionals from Adamantina, São Paulo, Brazil. Dent Traumatol, 23(1):2-5; 2007.

14- Çaglar E, Ferreira LP, Kargul B. Dental trauma management knowledge among a group of teachers in two south European cities. Dent Traumatol, 21(5):258-262, 2005.

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