Conceito e Perspectivas de Estudo
das Organizações
Referência :
Bastos, A. V. B.; Loiola, E.; Queiroz, N. e Silva, T. D. Organizações: questões
conceituais e perspectivas de estudo. Em J. C. Zanelli; J. E. Borges-Andrade e A. V. B. Bastos (Eds.). Psicologia, organizações e trabalho no Brasil. Porto Alegre: Artmed
Importância das Organizações para a
Sociedade
•
Centralidade das organizações sociais em nossa vida:
o
Contato constante;
oNecessitamos delas;
o
Queremos que funcionem bem;
•
Ex.: hospitais, fábricas, escolas, órgãos públicos,
BRAINSTORMING
Organizações: explorando definições no
campo científico
•
Chester Barnard (1938/1979):
o
Organizações são sistemas cooperativos, formados
por pessoas que se comunicam entre si e
desenvolvem ações tendo em vista alcançar um
propósito comum.
•
Limitação: desconsidera as fontes de conflito
organizacional.
Organizações: explorando definições no
campo científico
Etzioni (1964/1989)
•
Organizações caracterizam-se por:
o
Divisões de trabalho, poder e responsabilidades de
comunicação planejadas intencionalmente;
o
Presença de um ou mais centros de poder;
oSubstituição de pessoal.
Organizações: explorando definições no
campo científico
•
Stoner e Freeman (1995)
o
“Organizações existem quando duas ou mais
pessoas trabalham juntas e de modo estruturado
para alcançar um objetivo específico ou um conjunto
de objetivos”
Draft (2002)
Organizações correspondem a:
Entidades sociais;
Dirigidas por metas;
Desenhadas como sistemas de atividades
deliberadamente estruturados e
coordenados;
Relação com o ambiente externo.
Organizações: explorando definições no
campo científico
Organizações: explorando definições no
campo científico
Modelo Sistêmico de Katz e Kahn
Fonte: Nadler, D.A.; Gerstein, M.S., Shaw, R.B. (1994).
INSUMOS Ambiente Recursos História INSUMOS Ambiente Recursos História PRODUTO Nível do sistema Nível Unidade/ Grupo Nível individual PRODUTO Nível do sistema Nível Unidade/ Grupo Nível individual
Organizações: explorando definições no
campo científico
•
Morgan (1996)
o
Metáfora: designação de um objeto ou qualidade
mediante uma palavra que designa outro objeto ou
qualidade que tem com o primeiro uma relação de
semelhança.
o
Oito tipos de metáforas: Máquina, Organismo,
Cérebro, Cultura, Sistema Psíquico, Prisão
Psíquica, Fluxo e Transformação, e Instrumento de
Dominação.
o
Contribuição: reconhece a complexidade das
Organizações e suas múltiplas formas de
Morgan (1996)
• “As Organizações são instrumentos de dominação de alguns grupos sobre os outros.”
• Conseqüência: idéia de que as pessoas são exploradas para atingir os fins organizacionais.
Organizações: explorando definições no
campo científico
•
Mardsen e Townley (2001) a fim de explicar as
diferentes formas de entendimento sobre as
Organizações, sinalizam para
duas grandes
abordagens epistemológicas
:
o
Organizações como Processo.
Origem no campo da ciência contra-normal
o
Organizações como Entidade.
PERSPECTIVAS TEÓRICAS DE ANÁLISE CONCEITUAL DAS ORGANIZAÇÕES
Visão Cognitivista
• Simon (1979) e suas contribuições:
o Definição da Organização como processo de decisão; o Noção de que a Organização é influenciada pelos
limites humanos em processar as informações;
o Noção de que o processo decisório se realiza por meio
de simplificações da realidade na mente do indivíduo;
o Distinção entre decisões programadas e as não
programadas.
o Limitações de sua definição:
Por entender Organização como sistema
cooperativo ficam esquecidas as tensões entre os propósitos de indivíduos/grupos que modelam os processos organizacionais.
Visão Culturalista
• Clifford Geertz (1989) define como cultura: “Teias de significados tecidas pelos homens e suas análises”.
• Morgan (1996): “A cultura não é algo imposto sobre uma situação social. Ao contrário, ela se desenvolve durante o curso da interação social”.
Visão Culturalista
• Organizações são minissociedades que têm os seus próprios padrões distintos de cultura e subcultura.
o Podem competir entre si;
o Não podem ser criados pelos gerentes;
• Significado simbólico dos aspectos racionais da vida organizacional;
• Sistemas de significado comuns;
• Líder como o administrador de sentidos;
• Compreender o processo de mudança social (além de tecnologias, estruturas e habilidades, há os valores).
Visão Culturalista
• Organizações enquanto representações sociais
o Realidades socialmente construídas, que estão mais nas mentes de seus membros que em conjuntos
concretos de regras e elementos;
o Significados são criados historicamente
• Críticas:
o Leituras simplificadoras dos processos culturais e práticas de controle ideológico;
o Desconsidera as questões de poder que estão
Visão Institucionalista
• Instituições - árvores de decisões lógicas que regulam as atividades humanas, indicando o que é proibido, o que é permitido;
o Ex.: justiça, forças armadas, religião. • Instituições:
o traduzidas em leis, normas ou pautas;
o função reguladora e se materializam em organizações e estabelecimentos;
o podem “atravessar” organizações e estabelecimentos, limitando e produzindo tensão.
Visão Institucionalista –
Neo-institucionalismo francês
• Organização - uma coalizão resultante das interações
articuladas entre atores sociais envolvidos em relações de poder.
o Ator estratégico - agente político que toma decisões de acordo com definições de alternativas, conseqüências, preferências, interesses e opções estratégicas.
o Conflitos e jogos de poder - dimensões de dependência mútua entre atores estratégicos e elementos de
socialização.
Visão Institucionalista –
Neo-institucionalismo anglo-saxônico
• Baseada nos valores que cercam a Organização ;
• Organização não é homogênea;
• Isomorfismo organizacional: processo de adaptação das
organizações ao ambiente, resultante de pressões que levam essas organizações a reproduzir os padrões de outras
organizações que vivenciam as mesmas condições ambientais;
• Contrapõe a visão do ator organizacional;
Visão Institucionalista –
Nova Economia Institucionalista (NEI)
• Instituições reduzem incertezas estabelecendo limites
formais e informais para indivíduos estruturarem sua própria interação.
Síntese das Visões Cognitivista,
Culturalista e Institucionalista
• Não assumem a Organização como uma entidade que
exista independentemente das pessoas que a constituem;
• Organização vista como um processo e não como entidade; • Organização pode ser tratada como processo ou produto; • Organizações têm dimensões econômica, política e
simbólica;
• Atores no centro da análise organizacional, mas são ativos
somente em algumas visões;
• Organização = um empreendimento coletivo imerso em
uma complexa rede de significados e interesses são mais ou menos convergentes;
• Organização é um fenômeno que emerge no nível
Sistemas de
cooperação/competição...
Formados por pessoas, as quais são dotadas
de diferentes racionalidades – sempre de natureza limitada – e interesses. ...através de processos ou cursos de ação, guiados por regras e
convenções, que embora resistentes, podem mudar ao longo
do tempo...
Imersos num contexto que é, simultaneamente, interno e externo, técnico e institucional, cultural,
político interorganizacional e socioeconômico... E com uma dimensão temporal variável.
... que visam realizar objetivos muitas vezes
conflitantes entre si e que, por isso, são fruto
de negociações contínuas...
... mediante estruturas – centralizadas/descentralizad as – coordenadas e dirigidas, que podem mudar, tanto por
pressões internas quanto externas...
INDICAÇÃO DE FILME
The Corporation (A Corporação, em
português) é um documentário canadense de
2003, dirigido e produzido por Mark Achbar e Jennifer Abbott, baseado em roteiro adaptado por Joel Bakan de seu livro (The Corporation:
The Pathological Pursuit of Profit and Power,
com versão em português: A Corporação: a
busca patológica por lucro e poder).
O filme descreve o surgimento das grandes
corporações como pessoas jurídicas, e
discute, do ponto de vista psicológico que, em sendo pessoas, que tipo de pessoas elas seriam.