HOSPITAL DO SERVIDOR PÚBLICO MUNICIPAL
ESTUDO EPIDEMIOLÓGICO DAS FRATURAS
INTERTROCANTERIANAS NO HOSPITAL DO SERVIDOR
PUBLICO MUNICIPAL PERÍODO DE AGOSTO/2007 A
JULHO/2010
ALBERTO AGUIAR
SÃO PAULO
2011
ALBERTO AGUIAR SANTOS NETO
E
STUDO EPIDEMIOLÓGICO DAS FRATURAS
INTERTROCANTERIANAS NO
H
OSPITAL DO
S
ERVIDOR
P
UBLICO
M
UNICIPAL
PERÍODO DE AGOSTO
/2007
A JULHO
/2010
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Comissão de Residência Médica do HSPM-SP, para obter o título de Residência Médica, na área de Ortopedia e Traumatologia.
Hospital do Servidor Público Municipal São Paulo, 2011
Neto, Alberto Aguiar Santos
ESTUDO EPIDEMIOLOGICO DAS FRATURAS INTERTROCANTERIANAS NO HOSPITAL SERVIDOR PUBLICO MUNICIPAL período de agosto/2007 a
julho/2010/ Alberto Aguiar Santos São Paulo 2011.
14 p.
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Comissão de Residência Médica do HSPM-SP, para obter o título de Residência Médica, na área de Ortopedia e Traumatologia.
AUTORIZO A INCLUSÃO APENAS DO RESUMO DO TCC DE MINHA AUTORIA NA BIBLIOTECA VIRTUAL EM SAÚDE DO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO.
São Paulo, ____/____/______
____________________________________ Assinatura do Residente
RESUMO
A fratura transtrocanteriana do fêmur é cada vez mais comum pois com o aumento da expectativa de vida, a probabilidade de queda é maior. O tratamento de escolha salvo raras exceções é cirurgico,e no nosso serviço o implante de escolha é o DHS. Esse método além de eficaz, é financeiramente viável, aplicando corretamente, as complicações são mínimas O objetivo do presente estudo foi avaliar a incidência da fratura transtrocanteriana na população atendida no serviço de ortopedia, e analisar a qualidade de vida dos mesmos. Utilizamos o questionário SF-36 como instrumento de avaliação subjetiva da qualidade de vida. Os dados obtidos demonstram maior qualidade de vida no domínio “saúde mental” e menor no domínio “capacidade funcional”.
Palavras-chaves:fratura transtrocanteriana do fêmur, SF-36, qualidade de
ABSTRACT
Fracture of the proximal femur is growing the frequency with-the increase of life expectancy.The surgical treatment in the choice method, and DHS in the implant of our preference.This method is effective,and cheap it have a small number of complications. The objective of the present study was to evaluate the incidence of the fracture of the proximal femur in the population of the ortopedia service, beyond comparing the quality of life of the same ones. We used the SF-36 as subjective instrument evaluation of the quality of life. The gotten data demonstrates greater quality of life in the domain “greet” and less in the mental domain “functional capacity”.
SUMÁRIO 1 – INTRODUÇÃO ... 2 2 – MATERIAIS E MÉTODOS ... 4 3 – RESULTADOS... 5 4- DISCUSSÃO: ... 7 5 – CONCLUSÃO ... 10 6 – REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ... 11
ESTUDO EPIDEMIOLÓGICO DAS FRATURAS INTERTROCANTERIANAS NO HOSPITAL DO
SERVIDOR PUBLICO MUNICIPAL PERÍODO DE AGOSTO/2007 A JULHO/2010
1.INTRODUÇÃO:
Com o controle das doenças infecto-contagiosas e a melhora da qualidade de vida, a expectativa da média de vida da população aumentou e tende a crescer 19,20. A terceira idade apresenta uma acentuada velocidade de crescimento no país, o que corresponde à aproximadamente 260.000 idosos ao ano18. Como consequência, pode ser citado o aumento das doenças crônico degenerativas. Além disso, nessa fase da vida, a probabilidade de queda é maior e a incidência de fraturas de quadril tem alcançado índices alarmantes.20 Estima-se que, no ano de 2050 ocorrerão aproximadamente 6,5 milhões de fraturas de quadril no mundo 20
Essas fraturas ocorrem, em sua maior parte, em indivíduos com mais de 60 anos , mulheres e da raça caucasianos 17,18,21. A mortalidade intra-hospitalar é 5,52% e ao fim de um ano de 19,24%, representando assim um importante problema médico social 18. Esse alto índice aponta a necessidade de atenção dos profissionais de saúde, principalmente pela dificuldade dos pacientes em retornarem para suas atividades cotidianas. Apenas 25% dos pacientes conseguem retornar ás atividades habituais e 40 % não conseguem mais viver independentemente.3
Cordey et al.6 revisaram 21.145 fraturas do fêmur proximal, catalogadas no centro de documentação AO, no período de 1980 a 1989 e observou que há aumento gradual de fraturas do fêmur proximal com a idade, tanto no sexo masculino como feminino. Demonstraram ainda que há um aumento exponencial das fraturas do terço proximal do fêmur (transtrocanterianas e do colo femoral) ao longo da vida atingindo o pico máximo em torno de 75 a 80 anos. Este dado torna-se de grande importância uma vez que o envelhecimento populacional é um fato presente e marcante na atual sociedade brasileira.
Existe na literatura uma lista extensa de implantes desenvolvidos para o tratamento destas fraturas, hastes intramedulares proximais, Ender, DHS
(Dynamic Hip Screw), OPS (Orlando Pinto de Souza), entre outros, sendo o DHS alvo do presente estudo.
Diversos índices ou instrumentos têm sido utilizados para avaliar a qualidade de vida de pacientes com as mais variadas doenças. Estes instrumentos podem ser divididos em dois grupos: genéricos e específicos.
Não encontramos na literatura pesquisada publicações que se referem à qualidade de vida de pacientes com fratura transtrocantericas do fêmur submetidos à tratamento cirurgico.
Para a avaliação do nível de função e da qualidade de vida dos pacientes submetidos a tratamento por osteossintese de femur com DHS, existe o escore Short Form – 36 (SF-36), que é amplamente difundido e utilizado. Esse instrumento avalia o desfecho do tratamento, abordando diversos aspectos da qualidade de vida e função do paciente5.
O estudo visa estabelecer a prevalência das fraturas transtrocantéricas na população atendida no serviço de ortopedia, comparado com a literatura vigente para analise de dados. Alem de comparar a qualidade de vida segundo aplicação do questionário SF – 36 (anexo 1)
2. MATERIAL E MÉTODOS
Foram avaliados retrospectivamente 56 pacientes com fraturas transtrocantéricas submetidos a tratamento cirurgico na clínica de ortopedia e traumatologia do Hospital Servidor Publico Municipal, no período de julho de 2007 a agosto de 2010, para avaliação da qualidade de vida foi aplicado, através de entrevista pessoal o questionário SF-36.
Todos os pacientes leram e assinaram o termo de consentimento para serem incluídos nas avaliações do estudo.
Atraves da revisao de prontuários, foram obtidos: idade, sexo , lado acometido, mecanismo de trauma , o procedimento cirurgico realizado, tempo de internação, classificação e início da deambulação.
Para classificar a fratura transtrocanteriana do femur, foi utilizada a classificacao de Tronzo.
O SF-36 é um questionário multidimensional e formado por oito domínios ou dimensões de saúde que engloba 36 itens: 1) desempenho físico ; 2) aspectos físicos; 3) dor; 4) estado geral de saúde; 5) vitalidade (energia / fadiga); 6) aspectos sociais; 7) aspectos emocionais; e 8) saúde mental. Totalizando uma pontuação que varia de 0 a 100. Quanto maior o escore, melhor a qualidade de vida do paciente.
Para responder os objetivos do estudo, primeiramente foram descritas as características pessoais e clínicas nominais dos pacientes com uso de freqüências absolutas e relativas. As idades, tempo de internação e tempo de carga foram descritas com uso de medidas resumo (média, desvio padrão, mediana, mínimo e máximo)23.
Os escores de qualidade de vida em cada domínio do SF-36 foram descritos para todos os pacientes com uso de medidas resumo e foi construído um gráfico de barras com os valores medianos para ilustrar os resultados obtidos.
Os critérios de inclusão foram: pacientes adultos (maior de 18 anos),que foram admitidos com fratura de femur proximal no HSPM e tratados cirurgicamente.
3–RESULTADOS
A analise dos dados mostra que a maioria dos pacientes é do sexo feminino (55%), com fraturas do tipo III e IV ( Tronzo) (71%), lado esquerdo (54%) e o mecanismo de trauma mais comum foi queda da propria altura. (Tabela 1).
A idade media dos pacientes foi 77 anos (DP = 12.5 anos), o tempo médio de internacao foi de 6.5 dias (DP = 3,1 dias) o tempo médio de inicio de deambulação 9,3 semanas (DP= 3,2 semanas ).(Tabela 2).
Os resultados obtidos no SF-36 encontram-se expressos na tabela 3.
Tabela 1. Descrição das características pessoais e clínicas nominais dos pacientes.
Tabela 2. Descrição das idades e tempo de internação e carga nos pacientes.
Variável Média DP Mediana Mínimo Máximo N
Idade 76,77 12,45 78 34 94 56
Tempo de internação (dias) 6,52 3,12 6 3 20 56
Tempo de carga (semanas) 9,32 3,18 10 2 14 56
Variável N % Sexo Feminino 31 55,4 Masculino 25 44,6 Tronzo II 11 19,6 III 26 46,4 IV 14 25,0 V 5 8,9 Lado Direito 26 46,4 Esquerdo 30 53,6 Mecanismo
Queda própria altura 52 92,9 Queda de altura 4 7,1
Tabela 3. Descrição dos escores de qualidade de vida em cada domínio do SF-36.
Variável Média DP Mediana Mínimo Máximo N
Capacidade Funcional 36,25 30,11 25,0 0 95 56 Saúde física 41,96 36,96 37,5 0 100 56 Dor 51,54 24,13 42,0 12 100 56 EGS 48,96 25,46 42,0 5 100 56 Vitalidade 47,32 20,09 50,0 5 90 56 Asp. Sociais 57,37 27,67 56,3 0 100 56 Asp. Emocional 39,88 34,48 33,3 0 100 56 Saúde Mental 64,57 14,82 68,0 28 96 56
4 - DISCUSSÃO:
Atualmente, inúmeros estudos têm mostrado que o sistema de parafuso deslizante do quadril constitui o método de escolha para o tratamento dessas fraturas.8 Seu uso destaca-se principalmente pela simplicidade do material, facilidade técnica, baixo custo e baixo índice de complicações 1, 10.
Neste estudo, a osteossíntese das fraturas de quadril tipo transtrocanteriana foi realizada em pacientes baixa atividade física, com média de 76,7 anos de idade. De Lee 7, em estudo realizado no período de 1941 a 1971, encontrou que os pacientes com fraturas transtrocanterianas são em média 10 a 12 anos mais velhos do que pacientes com uma fratura do colo do fêmur, cuja idade variou entre 66 e 76 anos. Estando de acordo com nossos resultados.
55% dos nossos pacientes pertencem ao sexo feminino, ou seja, há um predomínio do sexo feminino em relação ao masculino, o que está de acordo com os resultados da literatura 7.
As fraturas instáveis foram mais comuns, o tipo III com 46 % e o tipo IV com 25%, assim ocorreu com os casos da literatura 4.
A deambulação foi permitida a partir de 9,3 semanas em média, de acordo com avaliação da estabilidade da redução e fixação, com um tempo que variou de 8 a 12 semanas.
Não encontramos no nossos casos complicações, como falha do material de sintese ou cut-out , que necessitassem de reintervenção cirúrgica.
Quanto ao tempo de permanência de internação, Huusko et al.12, observaram que idosos com fratura de fêmur proximal permaneceram em média 34 dias hospitalizados. Nossos pacientes permaneceram uma média de 6,52 dias. Este menor tempo de internação, associado a melhora das condições clinicas, orientação familiar adequada para seguimento doméstico, tem como objetivo permitir retorno fisico e social precoce e assim uma melhor qualidade de vida.
O SF-36, utilizado neste trabalho, é um questionário de qualidade de vida reconhecido internacionalmente. É um instrumento genérico de avaliação de qualidade de vida, tendo sido elaborado para ser um instrumento simples,
auto-administrável e de fácil compreensão, e que pontua os diferentes componentes num escore máximo de 100, sem, entretanto, indicar qual seria o índice ideal para cada componente analisado em relação aos pacientes. Não houve dificuldade, por parte dos pacientes, de compreensão do questionário SF-36 no nosso trabalho. Avalia tanto a presença como a extensão das limitações relacionadas à capacidade física. Nas escalas de avaliação relacionadas aos aspectos físicos e emocionais são abordadas, não somente as limitações no tipo e quantidade de trabalho, como também o quanto estas limitações dificultam a realização do trabalho e das atividades de vida diária do paciente. Nossos pacientes apresentaram baixa capacidade funcional, que foi na média de 36,25, porém, na nossa opinião, a capacidade funcional dos idosos costuma ser baixa, principalmente acima dos 80 anos. Nos aspectos físicos, os pacientes apresentaram, média de 41,96, e, assim como a capacidade funcional por nós mensurada foi baixa, os pacientes mostraram-se insatisfeitos com relação aos aspectos físicos. A sintomatologia dolorosa pós-operatório apresentou uma média de 51,54. E a presença de dor influi diretamente para uma má qualidade de vida pós-operatória. O escore do estado geral de saúde teve uma média de 48,96, o que demonstra que o procedimento de osteossintese de quadril com DHS, apesar de evoluir bem como material de síntese não proporciona uma boa qualidade de vida. No item aspectos sociais, nossos pacientes apresentaram, média de 57,37, o que reflete que a fratura praticamente não interferiu nos aspectos sociais. No aspecto de saúde mental apresentou, média de 64,57.
Este trabalho demonstra que, no que se refere à qualidade de vida, os pacientes submetidos osteossintese de quadril, avaliados pelo questionário SF-36 apresentaram maior qualidade de vida no dominio “saude mental” e menor no dominio “capacidade funcional”. No aspecto emocional os pacientes apresentaram-se bem apesar da baixa capacidade funcional, devido provavelmente à baixa atividade diária, pela idade avançada.
Outro aspecto observado é que o resultado do SF 36 não se alterou nem com o aumento da idade, nem com a diferença de sexo.
Gráfico 1. Valores medianos dos escores de qualidade de vida em cada domínio para os pacientes com fraturas transtrocanterianas.
0 10 20 30 40 50 60 70 80 Capacidade Funcional
Saúde física Dor EGS Vitalidade Asp. Sociais Asp.
Emocional Saúde Mental E s c o re m e d ia n o
5–CONCLUSÃO
Os pacientes com fraturas transtrocanterianas atendidos no serviço de ortopedia, tiveram um perfil epidemiologico semelhante ao comparado a literatura vigente.E apesar de ser um bom material de sintese para essas fraturas, o DHS nao contribuiu para melhora da qualidade de vida dos pacientes no pós- operatório. Os resultados obtidos através do SF-36, mostrou que há uma significativa queda na qualidade de vida após o evento da fratura, o que evidencia a importância na prevenção dessas fraturas.
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