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Oya Guelede- Oriki Dos Orixas

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Academic year: 2021

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Conceitos de vida e morte no ritual do

axexê

Tradição e tendências recentes dos ritos funerários no

candomblé

Reginaldo Prandi Prof. Titular de Sociologia da Universidade de São

Paulo

Nas mais diferentes culturas, a concepção religiosa da morte está contida

na própria concepção da vida e ambas não se separam. Os iorubás e

outros grupos africanos que formaram a base cultural das religiões

afro-brasileiras acreditam que a vida e a morte alternam-se em ciclos, de tal

modo que o morto volta ao mundo dos vivos, reencarnando-se num novo

membro da própria família. São muitos os nomes iorubás que exprimem

exatamente esse retorno, como Babatundê, que quer dizer

"O-pai-está-de-volta".Para os iorubás, existe um mundo em que vivem os homens

em contato com a natureza, o nosso mundo dos vivos, que eles chamam

de aiê, e um mundo sobrenatural, onde estão os orixás, outras

divindades e espíritos, e para onde vão os que morrem, mundo que eles

chamam de orum. Quando alguém morre no aiê, seu espírito, ou uma

parte dele, vai para o orum, de onde pode retornar ao aiê nascendo de

novo. Todos os homens, mulheres e crianças vão para um mesmo lugar,

não existindo a idéia de punição ou prêmio após a morte e, por

conseguinte, inexistindo as noções de céu, inferno e purgatório nos

moldes da tradição ocidental-cristã. Não há julgamento após a morte e

os espíritos retornam à vida no aiê tão logo possam, pois o ideal é o

mundo dos vivos, o bom é viver. Os espíritos dos mortos ilustres (reis,

heróis, grandes sacerdotes, fundadores de cidades e de linhagens) são

cultuados e se manifestam nos festivais de egungum no corpo de

sacerdotes mascarados, quando então transitam entre os humanos,

julgando suas faltas e resolvendo as contendas e pendências de

interesse da comunidade.O papel do ancestral egungum no controle da

moralidade do grupo e na manutenção do equilíbrio social através da

solução de pendências e disputas pessoais, infelizmente, não se

reproduziu no Brasil. Embora o culto ao egungum tenha sido

reconstituído na Bahia em uns poucos terreiros especializados, o

candomblé de egungum da Ilha de Itaparica (Braga, 1992), mais tarde

também presente na cidade de Salvador e em São Paulo, está muito

distante da prática diária dos candomblés de orixás e praticamente

divorciados da vida na sociedade profana, perdendo completamente as

funções sociais africanas originais, de tal modo que a religião africana no

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Brasil, disseminada pelos terreiros de orixás, acabou por se constituir

numa religião estritamente ritual, uma religião a-ética, uma vez que seus

componentes institucionais de orientação valorativa e controle do

comportamento em face de uma moralidade coletiva exercitada nos

festivais dos antepassados egunguns ausentaram-se completamente da

vida cotidiana dos seguidores da religião dos orixás.O ideal iorubá do

renascimento é as vezes tão extremamente exagerado, que alguns

espíritos nascem e em seguida morrem somente pelo prazer de

rapidamente poder nascer de novo. São os chamados abicus

(literalmente, nascido para morrer), que explicam na cultura iorubá

tradicional as elevadas taxas de mortalidade infantil. Em geral, um abicu

renasce seguidamente do útero da mesma mãe. Quando uma criança é

identificada como sendo um abicu, muitos são os ritos ministrados para

impedir sua morte prematura. Assim como a sociedade Egungum cultua

os antepassados masculinos do grupo (Babayemi, 1980), outra

sociedade de mascarados, a sociedade Gueledé, celebra a mães

ancestrais, às quais cabe também zelar pela saúde e vida das crianças,

inclusive os abicus (Lawal, 1996). Os festivais Gueledé não sobreviveram

no Brasil (segundo o Professor Agenor Miranda Rocha, em conseqüência

de disputas, no começo do século, entre lideranças do candomblé da

Casa Branca do Engenho Velho, que provocaram a cisão do grupo e

fundação do Axé Opô Afonjá por Mãe Aninha Obá Bií). Também não

sobreviveu integralmente a idéia de abicu e o termo passou a designar,

em muitos candomblés, as pessoas que são consideradas como tendo

nascido já iniciadas para o orixá a que pertencem, não devendo, assim,

ser raspadas, como devem ser os demais que se iniciam na religião. A

maneira fragmentária como a religião africana foi se reconstituindo no

Brasil implicou, claramente, em acentuadas mudanças nos conceitos de

vida e morte, mudanças que vão afetar o sentido de certas práticas

rituais, especialmente quando sofrem a concorrência de ritos católicos e

de concepções ensinada pela Igreja.A tradição cristã ensina que o ser

humano é composto de corpo material e espírito indivisível, a alma. Na

concepção iorubá, existe também a idéia do corpo material, que eles

chamam de ara, o qual com a morte decompõe-se e é reintegrado à

natureza, mas, em contrapartida, a parte espiritual é formada de várias

unidades reunidas, cada uma com existência própria. As unidades

principais da parte espiritual são 1) o sopro vital ou emi, 2) a

personalidade-destino ou ori, 3) identidade sobrenatural ou identidade

de origem que liga a pessoa à natureza, ou seja, o orixá pessoal e 4) o

espírito propriamente dito ou egum. Cada parte destas precisa ser

integrada no todo que forma a pessoa durante a vida, tendo cada uma

delas um destino diferente após a morte. O emi, sopro vital que vem de

Olorum e que está representado pela respiração, abandona na hora da

morte o corpo material, fabricado por Oxalá, sendo reincorporado à

massa coletiva que contém o princípio genérico e inesgotável da vida,

força vital cósmica do deus-primordial Olodumare-Olorum. O emi nunca

se perde e é constantemente reutilizado. O ori, que nós chamamos de

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cabeça e que contém a individualidade e o destino, desaparece com a

morte, pois é único e pessoal, de modo que ninguém herda o destino de

outro. Cada vida será diferente, mesmo com a reencarnação. O orixá

individual, que define a origem mítica de cada pessoa, suas

potencialidades e tabus, origem que não é a mesma para todos, como

ocorre na tradição judaico-cristã (segundo a qual todos vêm de um único

e mesmo deus-pai), retorna com a morte ao orixá geral, do qual é uma

parte infinitésima. Finalmente, o egum, que é a própria memória do vivo

em sua passagem pelo aiê, que representa a plena identidade e a ligação

social, biográfica e concreta com a comunidade, vai para o orum,

podendo daí retornar, renascendo no seio da própria família biológica.

Quando se trata de alguém ilustre, os vivos podem cultuar sua memória,

que pode ser invocada através de um altar ou assentamento preparado

para o egum, o espírito do morto, como se faz com os orixás e outras

entidades espirituais. Sacrifícios votivos são oferecidos ao egum que

integra a linhagem dos ancestrais da família ou da comunidade mais

ampla. Representam as raízes daquele grupo e são a base da identidade

coletiva.Na África tradicional, dias depois do nascimento da criança

iorubá, realiza-se a cerimônia de dar o nome, denominada ekomojadê,

quando o babalaô consulta o oráculo para desvendar a origem da

criança. É quando se sabe, por exemplo, se se trata de um ente querido

renascido. Os nomes iorubás sempre designam a origem mítica da

pessoa, que pode referir-se ao seu orixá pessoal, geralmente o orixá da

família, determinado patrilinearmente, ou à condição em que se deu o

nascimento, tipo de gestação e parto, sua posição na seqüência dos

irmãos, quando se trata, por exemplo daquele que nasce depois de

gêmeos, a própria condição de abicu e assim por diante. A partir do

momento do nome, desencadeia-se uma sucessão de ritos de passagem

associados não só aos papéis sociais, como a entrada na idade adulta e o

casamento, mas também à própria construção da pessoa, que se dá

através da integração, em diferentes momentos da vida, dos múltiplos

componentes do espírito. Com a morte, estes ritos são refeitos, agora

com a intenção de liberar essas unidades espiritiais, de modo que cada

uma deles chegue ao destino certo, restituindo-se, assim, o equilíbrio

rompido com a morte.No Brasil, nas comunidades de candomblé e

demais denominações religiosas afro-brasileiras que seguem mais de

perto a tradição herdada da África, a morte de um iniciado implica a

realização de ritos funerários. O rito fúnebre é denominado axexê na

nação queto, tambor de choro nas nações mina-jeje e mina-nagô, sirrum

na nação jeje-mahim e no batuque, ntambi ou mukundu na nação

angola, tendo como principais fins os seguintes:desfazer o assentamento

do ori, que é fixado e cultuado na cerimônia do bori, cerimônia que

precede o culto do próprio orixá pessoal;desfazer os vínculos com o orixá

pessoal para o qual aquele homem ou mulher foi iniciado, o que significa

também desfazer os vínculos com toda a comunidade do terreiro,

incluindo os ascendentes (mãe e pai-de-santo), os descendentes

(filhos-de-santo) e parentes-de-santo colaterais; despachar o egum do morto,

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para que ele deixe o aiê e vá para o orum. Como cada iniciado passa por

ritos e etapas iniciáticas ao longo de toda a vida, os ritos funerários

serão tão mais complexos quanto mais tempo de iniciação o morto tiver,

ou seja, quanto mais vínculos com o aiê tiverem que ser cortado

(Santos, 1976).Mesmo o vínculo com o orixá, divindade que faz parte do

orum, representa uma ligação com o aiê, pois o assentamento do orixá é

material e existe no aiê, como representação de sua existência no orum,

ou mundo paralelo. Mesmo um abiã, o postulante que está começando

sua vida no terreiro e que já fez o seu bori, tem laços a cortar, pois seu

assento de ori precisa ser despachado, evidentemente numa cerimônia

mais simples. Em resumo, podemos dizer que a seqüência iniciática por

que passa um membro do candomblé, xangô, batuque ou tambor de

mina (bori, feitura de orixá, obrigações de um, três e cinco anos, decá no

sétimo ano, obrigações subseqüentes a cada sete anos) representa

aprofundamento e ampliação de laços religiosos, quando novas

responsabilidades e prerrogativas vão se acumulando: com a mãe ou

pai-de-santo, com a comunidade do terreiro, com filhos-de-santo, com o

conjunto mais amplo do povo-de-santo etc. Com a morte, tais vínculos

devem ser desfeitos, liberando o espírito, o egum, das obrigações para

com o mundo do aiê, inclusive a religião. O rito funerário é, pois, o

desfazer de laços e compromissos e a liberação das partes espirituais

que constituem a pessoa. Não é de se admirar que, simbolizando a

própria ruptura que tal cerimônia representa, os objetos sagrados do

morto são desfeitos, desagregados, quebrados, partidos e

despachados.O termo axexê, que designa os ritos funerários do

candomblé de nação queto e outras variantes de origem iorubá e

fom-iorubá, ou jeje-nagô, como são mais conhecidas, é provavelmente uma

corruptela da palavra iorubá àjèjé. Em terras iorubás, por ocasião da

morte de um caçador, era costume matar-se um antílope ou outra caça

de quatro pés como etapa do rito fúnebre. Uma parte do animal era

comida pelos parentes e amigos do morto, reunidos em festa em

homenagem ao defunto, enquanto a outra parte era levada ao mato e

oferecida ao espírito do falecido caçador. Juntamente com a carne do

animal, depositavam-se na mata os instrumentos de caça do morto. A

este ebó dava-se o nome de àjèjé (Abraham, 1962: 38). O axexê que se

realiza no candomblé brasileiro pode ser pensado como um grande ebó,

com a oferenda, entre outras coisas, de carne sacrificial ao espírito do

morto, e no qual se juntam seus objetos rituais.Sendo o candomblé uma

religião de transe, várias divindades participam ativamente do rito

funerário, especialmente os orixás associados à morte e aos mortos,

ocupando Oiá ou Iansã lugar de destaque. Iansã é considerada o orixá

encarregado de levar os mortos para o orum, atribuindo-se a ela o

patronato do axexê, conforme mito narrado por Mãe Stella Odé Kaiodé,

ialorixá do Axé Opô Afonjá, que resume bem a idéia do axexê como

cerimônia de homenagem ao morto.

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Vivia em terras de Queto um caçador chamado Odulecê. Era o líder de

todos os caçadores. Ele tomou por sua filha uma menina nascida em Irá,

que por seus modos espertos e ligeiros foi conhecida por Oiá. Oiá

tornou-se logo a predileta do velho caçador, conquistando um lugar de

destaque entre aquele povo. Mas um dia a morte levou Odulecê,

deixando Oiá muito triste. A jovem pensou numa forma de homenagear

o seu pai adotivo. Reuniu todos os instrumentos de caça de Odulecê e

enrolou-os num pano. Também preparou todas as iguarias que ele tanto

gostava de saborear. Dançou e cantou por sete dias, espalhando por

toda parte, com seu vento, o seu canto, fazendo com que se reunissem

no local todos os caçadores da terra. Na sétima noite, acompanhada dos

caçadores, Oiá embrenhou-se mata adentro e depositou ao pé de uma

árvore sagrada os pertences de Odulecê. Nesse instante, o pássaro

"agbé" partiu num vôo sagrado. Olorum, que tudo via, emocionou-se

com o gesto de Oiá-Iansã e deu-lhe o poder de ser a guia dos mortos em

sua viagem para o Orum. Transformou Odulecê em orixá e Oiá na mãe

dos espaços sagrados. A partir de então, todo aquele que morre tem seu

espírito levado ao Orum por Oiá. Antes porém deve ser homenageado

por seus entes queridos, numa festa com comidas, canto e dança.

Nascia, assim, o ritual do axexê. (Santos, 1993: 91).Também participam

do axexê os orixás Nanã, Euá, Omulu, Oxumarê, Ogum e eventualmente

Obá, não se incluindo, contudo, nesta lista Xangô, que dizem ter pavor

de egum, conforme narram outros mitos.A seqüência do axexê começa

imediatamente após a morte, quando o cadáver é manuseado pelos

sacerdotes para se retirar da cabeça a marca simbólica da presença do

orixá, implantada no alto do crânio raspado durante a feitura, através do

oxo, cone preparado com obi mascado e outros ingredientes e fixado no

coro cabeludo sobre incisões rituais. O cabelo nesta região da cabeça é

retirado e o crânio lavado com amassi (preparado de folhas) e água. Esta

lavagem da cabeça inverte simbolicamente o primeiro rito iniciático,

quando as contas e a cabeça do novo devoto são igualmente lavadas

pela mãe-de-santo. O líquido da lavagem é o primeiro elemento que fará

parte do grande despacho do morto.Depois do enterro, tem início a

organização do axexê propriamente dito. Ele varia de terreiro para

terreiro e de nação para nação. É mais elaborado quando se trata de

altos dignatários e depende das posses materiais da família do morto.

Genericamente conserva os procedimentos básicos de inversão da

iniciação, havendo sempre:música, canto e dança; transe, com a

presença pelo menos de Iansã incorporada; sacrifício e oferendas

variadas ao egum e orixás ligados ritualmente ao morto, sendo sempre e

preliminarmente propiciado Exu, que levará o carrego, evidentemente, e

os antepassados cultuados pelo grupo; destruição dos objetos rituais do

falecido (assentamentos, colares, roupas, adereços etc.), podendo parte

permanecer com algum membro do grupo como herança; despacho dos

objetos sagrados "desfeitos" juntamente com as oferendas e objetos

usados no decorrer da cerimônia, como os instrumentos musicais

próprios para a ocasião, esteiras etc. Quando, no final, o despacho é

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levado para longe do terreiro, tudo juntado num grande balaio, nenhum

objeto religioso de propriedade do morto resta no templo. Ele não faz

mais parte daquela casa e só futuramente poderá ser incorporado ao

patrimônio dos ancestrais ilustres, se for o caso, podendo então ser

assentado e cultuado. Por ora, o egum está livre para partir. Igualmente,

o orixá ou orixás pessoais do falecido já não dispõem de assentos

(ibá-orixá) no terreiro, tendo portanto seus vínculos desfeitos. O ori, que

pereceu junto com seu dono, também não mais existe fixado num ibá-ori

(assentamento). Se algum objeto ou assento foi dado a alguém, ele tem

novo dono, para quem é transferida a responsabilidade do zelo religioso.

Nada mais é do morto. Nada mais há que o prenda ao terreiro.Durante o

axexê, acredita-se que o morto pode expressar suas últimas vontades e

para isso o sacerdote que preside o ritual faz uso constante do jogo de

búzios. Assim, antes de cada um dos objetos religiosos que lhe

pertenceram em vida ser desfeito, rasgado ou quebrado, o oficiante

pergunta no jogo se tal peça deve ficar para alguém de seu círculo

íntimo. Não é de bom-tom, contudo, deixar de despachar pelo menos

grande parte dos objetos. Quando se trata de fundador de terreiro ou

outra pessoa de reconhecidos méritos sacerdotais, é costume deixar os

assentos de seus orixás principais para o terreiro, os quais passam a ser

zelados por toda a comunidade. Não raro, assentos de orixás de mãe e

pais de grande prestígio costumam ser disputados por filhos com grande

estardalhaço, havendo mesmo relatos de roubos e até de disputas a faca

e bala.O axexê é realizado no terreiro em dois espaços: num recinto

reservado, preferencialmente uma cabana especialmente construída com

galhos e folhas, e no barracão. Na cabana, em que poucos entram, são

colocados os objetos do morto, onde são desfeitos, aí se realizando os

sacrifícios para os orixás e para o egum. No barracão são celebradas as

danças, aí permanecendo os membros do terreiro, os parentes e amigos

do finado.O morto é representado no barracão por uma cabaça vazia,

que vai recebendo moedas depositadas pelos presentes, no momento em

que cada um dança para o egum. Todos devem dançar para o egum,

como homenagem pessoal. Apesar dos cânticos e danças, o clima da

celebração é propositalmente constrito e triste. Os atabaques são

substituídos por um pote de cerâmica, do qual se produz um som

abafado com uso de leques de palha batidos na boca, e por duas grandes

cabaças emborcadas em alquidares com água e tocadas com as varetas

aguidavis. Os presentes usam tiras da folha do dendezeiro, mariô, atadas

no pulso, como proteção contra eventual aproximação dos eguns. Todo

esse material, ao final, comporá o carrego do morto. No barracão

também é servido o repasto preparado com as carnes do sacrifício,

reservando-se aos ancestrais, orixás e egum as partes que contêm

axé.No quarto reservado, o morto é representado por recipientes de

barro ou cerâmica virgens, os quais futuramente podem ser usados para

assentar o espírito do falecido juntamente com os demais antepassados

ilustres daquela comunidade religiosa, ou despachados.Por influência do

catolicismo, que costuma repetir a missa fúnebre em intervalos

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regulares, em muitos terreiros o rito do axexê é repetido depois de um

mês, um ano e a cada sete anos, especialmente quando se trata do

falecimento do babalorixá ou ialorixá. Mas a maioria dos iniciados,

entretanto, acaba não recebendo sequer um dia de axexê. Isto ocorre

por falta de interesse da família carnal do morto, muito freqüentemente

não participante do candomblé, por dificuldades financeiras, já que é alto

o custo da celebração, ou por incapacidade do pessoal do terreiro para

oficiar a cerimônia. Na melhor das hipóteses, os otás, pedras sagradas

dos assentamentos, são despachadas com um pouco de canjica,

reaproveitando-se todos os demais objetos sagrados.Hoje, com a grande

e rápida expansão do candomblé, o axexê parece estar em franca

desvantagem com relação às demais cerimônias. Sobretudo em São

Paulo, onde o candomblé não completou sequer cinqüenta anos, poucos

terreiros dispõem de sacerdotes e sacerdotisas capazes de cantar e

conduzir o rito fúnebre, obrigando a comunidade, em caso de morte, a

se valer dos serviços religiosos de pessoa estranha ao terreiro, que

costuma cobrar e cobrar muito caro pelo serviço. Vários adeptos do

candomblé, que se profissionalizam como sacerdotes remunerados,

especializam-se em axexê. São então chamados para a cerimônia

quando um terreiro necessita de seus préstimos. Isto, evidentemente,

encarece muito a cerimônia, o que acaba por inviabilizá-la na maioria

dos casos. Mesmo quando morre um sacerdote dirigente de terreiro, há

grande dificuldade para a realização dos ritos funerários, sobretudo

naquelas situações em que a morte do chefe leva ao fechamento da

casa, provocada tanto por disputas sucessórias, como por apropriação da

herança material do terreiro pela família civil do falecido. Vale lembrar

que se pode contar nos dedos os terreiros que, por todo o Brasil,

sobreviveram a seus fundadores. Em geral, a família do finado não tem

qualquer interesse em realizar o axexê e nem está disposta a gastar

dinheiro com isso. Por outro lado, pouquíssimos pais e mães-de-santo,

sobretudo em São Paulo e no Rio de Janeiro, se dispõe a realizar

qualquer tipo de cerimônia sem o pagamento por parte do interessado,

mesmo quando o interessado é membro de seu próprio terreiro. Muitos

pais e mães-de-santo mantêm terreiros especialmente como meio de

vida, de modo que as regras do mercado suplantam em importância e

sentido as motivações da vida comunitária.Ao que parece, o empenho

das comunidades de culto na realização dos ritos funerários, na maioria

dos casos, é muito reduzido quando comparado com o interesse, esforço

e empenho despendidos nos atos de iniciação e feitura, como se, com a

morte, pouca coisa mais importasse. Cria-se assim uma situação em que

a preocupação em completar o ciclo iniciático vai perdendo importância,

alterando-se profundamente, em termos litúrgicos e filosóficos, a

concepção da morte e, por conseguinte, a própria concepção da vida. Os

conceitos originais africanos de vida e morte vão se apagando e o

candomblé vai cada vez mais adotando idéias mais próximas do

catolicismo, do kardecismo e da umbanda, criando-se, provavelmente,

uma nova religião, que hoje já se esparrama pela cidades brasileiras a

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partir de São Paulo e Rio de Janeiro, e que muitos chamam, até

pejorativamente, de umbandomblé, em que os eguns, que são na

concepção ioruba ancestrais particulares de uma específica comunidade,

vão perdendo suas características africanas para se transformar em

entidades genéricas, não ligadas a nenhuma comunidade de culto em

particular, que baixam nos terreiros para "trabalhar", assumindo a

justificativa da caridade, ideal e prática cristã-kardecistas que aos poucos

vão suplantando os modelos africanos de ancestralidade e seus ideais de

culto à origem e valorização das linhagens. Esta nova maneira de pensar

a morte e vida por grande parte dos adeptos do candomblé, sobretudo

os de adesão mais recente, constitui forte razão para a crescente perda

de interesse na realização do axexê para todos os iniciados. Com isso,

certamente, ganham terreno as concepções e ideais da umbanda e

perdem as do candomblé. Isto é o contrário do movimento de

africanização, e já há muito se constituiu num processo oposto, o da

umbandização do candomblé. Sem axexê, a feitura de orixá não faz

sentido, pelo menos nos termos das tradições africanas que deram

origem à religião dos orixás no Brasil. O ciclo simplesmente não se fecha

e repetição mítica, tão fundamental no conceito de vida segundo o

pensamento africano, não pode se realizar.

Jogo de búzios

JOGO DE BÚZIOS

"O jogo de búzios tem por finalidade identificar nosso Orixá

(Ori=Cabeça (física e astral) + Ixá=guardião); ou seja , problemas

de plano astral, espiritual, material e suas soluções". O jogo de búzios é

uma leitura divinatória e esotérica por excelência, utilizado como

consulta, quer seja; para identificar nosso orixá (ori= cabeça +

ixá=guardião), que é a mesma figura do anjo de guarda; a situação

material, astral e espiritual, principalmente com relação a problemas e

dificuldades.

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Portanto de uma forma definitiva - ninguém "fala" ao nosso ouvido,

nem Exú e tampouco Oxum, os quais tem forte influência sobre o jogo,

mas não desta forma, se assim fosse, não seria necessário jogá-los.

A leitura esotérica divinatória está diretamente ligada à Òrúnmìlà, cujos

babalorixás, são seus porta-vozes, outras lendas africanas, mostram a

ligação do jogo de búzios com Exú, Oxum e Oxalá. No capítulo destinado

à Ifá e Odù, consta essa estreita relação entre Exú e Ifá.

O jogo de búzios é exclusivo dos candomblecistas praticantes e

reconhecidamente iniciados, fora isso É FARSA, É MENTIRA, É ENGODO.

Os búzios são jogados em número de dezesseis, que correspondem

aos dezesseis odús principais, quer sejam: okaran (exú), ejioko (ogum,

ibeji), etaogunda (obaluayiê, ogun), iorosun (yemanjá, oya), oxê

(oxum), obara (Oxossi, logunedé e xangô), odí omolu oxosse e oxalá),

egionile (oxaguian), ossá (oyá, yewa e yemanjá), ofum (oxalufan),

owarim (oyá, oguy e exu), egilexebora (xangô, oba, iroko), egioligibam

(nanã), iká (ossain e oxumare), obeogundá (ogun, ewá e obá) e alafia

(orixalá, isto é, todos os outros Orixás funfun). Duas formas são as mais

utilizadas, sobre a urupema (peneira (totalmente aboolido em ketou)),

ou sobre erindilogun (fio de contas), que em alguns casos, nele constam

os dezesseis orixás cultuados atualmente no Brasil; igualmente

constam desta parafernália: uma otá, uma vela branca, um adjá (espécie

de sineta) usado para saudar os orixás, abrir o jogo e convocar o eledá

do consulente para que permita uma boa leitura; água; indispensável os

fios de Oxalá e Oxum; um côco de ifá; moedas; favas; obi; orobô; um

imã; uma fava (semente) especial que represente no jogo o eledá

consultado, aforante a isso um preparo do babalorixá, e os orôs (rezas)

necessários.

Para uma boa leitura de búzios, três situações são fundamentais:

1) Conhecimento e aprendizado.

2) Autorização, através de ritual próprio, o qual é ministrado

por sacerdote responsável, tendo o iniciado passado por completo,

com seriedade e merecimento, seu período de iniciação, que são no

mínimo 7 anos.

3) Seriedade do consultor e do consulente.

Esses são pré-requisitos básicos para uma leitura honesta e imparcial.

Muito importante, quem "responde" no jogo de búzios é o orixá

do consulente, ele é quem determina a formação dos búzios para serem

analisados, é uma espécie de permissão, do orixá, para que a situação

do seu filho seja exposta.

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A forma de jogo mais usual, é a da leitura por odú, feita pela

quantidade de búzios "abertos" ou "fechados", em que o babalorixá,

deverá efetuar várias jogadas para uma leitura mais completa, em

alguns jogos, cada queda corresponde a um único odú-orixá.

O porque e para que se consultam os búzios ? Pelo mesmo princípio que

se vai ao médico, só vai quem está doente ou para uma avaliação de

rotina, da mesma forma, que só toma remédio quem está doente, só se

deve fazer algo, se houver alguma necessidade.

O futuro - é grande questão dos consulentes, no jogo de búzios,

pode-se fazer "perguntas", cujas respostas não são detalhadas, mas de uma

maneira geral é sim ou não, provável e se não fosse assim não

haveria babalorixá pobre neste mundo, o futuro a Deus pertence, esta é

uma frase sábia que alguém com muita propriedade disse um dia. O

futuro depende muito dos nossos atos presentes, o exercício do nosso

livre arbítrio é constante, nada está definitivamente marcado ou

decidido, a partir do instante que exercemos nossa vontade, podemos

modificar a todo instante nosso futuro; exemplos simples: se alguém fica

doente e acha que é o destino, vai morrer, mas, se procurar um médico,

vai se curar; o futuro foi alterado; assim alguém que perca seu emprego,

se ficar em casa, vai passar fome, se sair e procurar um emprego, terá

grande chance de conseguir e novamente alterar seu futuro; e assim

com tudo na vida; uma grande questão é que muitas pessoas acham que

seu orixá, anjo da guarda ou Deus, tem que saber de tudo, das suas

necessidades, dos seus problemas e simplesmente resolvê-los, antes

assim fosse, porém, mais uma vez é necessário que o nosso livre arbítrio

e o nosso querer, tem que ser constante em nosso dia a dia. Não

podemos esperar que as pessoas "adivinhem" ou saibam o que

estamos querendo ou precisando, se não falarmos, se não nos

comunicarmos, é evidente que se tem uma forma de fazê-lo, sempre

podemos dizer o que pensamos e precisamos, mas de uma forma

correta, não agressiva, coerente. Sempre temos duas chances em cada

situação que nos apresenta, o de sim e o de não, se tentarmos,

porém se não tentarmos, só resta o não. O jogo de búzios, costumo

dizer que é uma ciência exata, sabe-se ou não, não cabe meio termo,

quem sabe, talvez, ou a leitura é a expressão de uma realidade

presente ou não, a forma de checar se um jogo está correto, começa

pela identificação do orixá, a cada orixá corresponde um estereotipo de

caráter e personalidade ao seu "filho", que ao lhe relatar não pode errar

ou fugir das suas principais características, que o babalorixá checa com

o consulente, se tudo corresponde, as demais situações do jogo

também estarão corretas. Porém se observe, que um leitor de jogo de

búzios necessariamente tem que conhecer sobre as características que

os orixás imprimem aos seus "filhos" características estas, que em

alguns casos para o mesmo orixá, tem variantes, pela sua qualidade

apresentada, ou ainda, difere determinadas características, se o "filho"

for do sexo masculino ou feminino, há que se reconhecer uma situação

(11)

um pouco complexa, e não poderia ser de outra forma, com todas essas

variantes é um jogo prostituído, isto é, usado de forma inescrupulosa,

leviana, por pessoas totalmente estranhas ao processo, pelos

ignorantes que se julgam conhecê-lo. Com relação ainda à esta situação,

é muito comum alguns iniciados ou até mesmo sacerdotes, que não se

preocuparam muito com o aperfeiçoamento, estudo mais detalhado,

prática exaustiva, incorrem num erro, de conhecer uma pessoa de

determinado orixá, e classificar suas características como definitivas para

aquele orixá, e sempre que ver alguém com aquelas características,

achar que aquela pessoa, também será daquele orixá, generalizando

para sempre todos estes casos e situações; o erro: esta pessoa que

conheceram, pode estar com o orixá errado, pois quem lhe atribuiu este

orixá, não era competente, este é um fato muitíssimo comum.

É uma forma de leitura divinatória, que não massifica, isto é,

uma situação vale para muitos, como no caso do horóscopo, mas usada

de forma individual, como exemplo, o caso de gêmeos, dois ou mais,

nascem no mesmo dia, e no entanto, caráter e personalidade em muitos

casos, totalmente diversos.

(12)

As Características dos 16 Odùs do Jogo de Búzios.

1 - OKANRAN

. Fecundação: Olorun fez o homem, que era a sua imagem, chamado

ISELE, que vivia só e pediu-lhe uma companheira. Olorun, então,

chamou Esu para ajudar, no que fosse possível, a ISELE. Esú, porém,

não aceitou as determinações e desobedeceu, insubordinadamente as

ordens de Olorun, este, então, ordenou a Esú que viesse para a terra.

Por sua vez Esú saiu provocando revoltas. Da desobediência e

insubordinação foi parido OKARAN.

Sexo: Feminino

Elemento: Ar/Fogo

Cor: Roxo. Vermelho, Preto, Branco, Azul Índigo

Metal: Ferro

Regência Corpórea: Língua, garganta, voz(ele é líder através da voz) e

respiração ofegante

Doenças: Equizemas, dermatoses, furúnculos, problemas odontológicos

(infecções)

Ewo: Bagre, couve, pegar em caixão com cadáver, sapatos furados e

abóboras

Símbolo gráfico: Perfil de 2 rostos

Síntese:"Com a desgraça dos infelizes se constrói o império dos

poderosos".

"Quem tudo quer tudo perde"

2 - EJI-OKO

Fecundação: oko foi fecundado através da união dos Odu Ose e

Eji-onile

Sexo: Feminino

Elemento: Ar/Terra

(13)

Metal: Ferro e Prata

Regência Corpórea: Pênis, testículos, duração de ereção,

estômago(ulcera)

Doenças: Gastrite, estomatite, impotência sexual, inchaço, doença

venérea. todas as doenças estomacais.

Ewo: Cor roxa, miúdos de porco e boi, pimenta de qualquer espécie, ficar

perto de pessoas doentes, carne de porco

Símbolo gráfico: Útero com feto ou um búzio

Síntese: "Em boca calada não entra mosca"

3 - ETA-OGUNDA

Fecundação: Através do peixe, pano branco e areia de praia,

Sexo: Masculino

Elemento: Fogo

Cor: Branco, Azul e Preto (todas as nuances)

Metal: Ferro

Regência Corpórea: Pênis, testículos, estômago e braços

Doenças: Gastrite, ulcera, azia, gastrite, pulmão (infecção), faringite,

amidalite, sinusite, inflamações ósseas,escoriações (por acidente),

fratura dos membros superiores e inferiores.

Ewo: galinha d'angola(comer) arma de fogo(próxima), porta de

botequim, aguidar(no colo), carregar coisas na cabeça, parque de

diversões (para alguns omo)

Símbolo gráfico: Mão direita, empunhando um punhal, do qual descem

gotas de sangue.

Síntese: "Todos os galos que hoje cantam, ainda ontem eram ovos"

4 - IOROSUN

Fecundação: Olorun chamou, mais uma ISELE e o mandou raspar

osun(pó) e colocar num brejo. Da fecundação de Irosun nasceu Nanã,

representada por 7 braços(Nanã Ibain).

(14)

Sexo: Feminino

Elemento: Fogo

Cor: Vermelho (em todas as nuances)

Metal: Cobre e Prata

Regência Corpórea: olhos, artérias(sistema circulatório), vesícula, parte

dos intestinos, costas.

Doenças: pele, equizemas, anemia, leucemia, fraturas superiores

(aproximadamente até os 36 anos).

Ewo: pé na lama ou poça d'água, água de lavagem de estabelecimento,

sentar, imediatamente após outra pessoa levantar do lugar, romã, usar

roupas que já foram usadas por outra pessoa.

Símbolo gráfico: forma espiralada

Síntese: "Aquele que fala irrefletidamente assemelha-se ao caçador que

dispara sem apontar"

5 - OSE

Fecundação: A fecundação de Ose foi através de cinco espelhos,

redondos, um pedaço de pano branco, um pedaço de pano amarelo, na

beira de um rio.

Sexo: Masculino

Elemento: Terra/Água

Cor: amarelo e branco são as principais. O preto, roxo e o cinza não se

usa para nada, em relação a este Odu, porém usa-se as demais cores.

Metal: Ouro e latão amarelo

Regência Corpórea: ossos, articulações e cartilagens

Doenças: glaucoma, catarata, astigmatismo, artrite, reumatismo,

osteoporose, acidente(deixando marcas na face), problemas dentários,

fluxo menstrual excessivo ou escasso, problemas no baixo ventre,

problemas no parto, pode gerar mongolóide, gula (trazendo intoxicação)

Ewo: quebrar osso, putrefação, charcos, lodaçais, pântano, objetos de

marfim, caveira de animais sacrificados, chifre de veado, galinha

(15)

d'angola(para algumas pessoas) troca-se por galo, sal grosso(para

algumas pessoas).

Símbolo gráfico: Uma lua crescente ou um osso com tutano

Síntese: "Nem tudo que reluz é ouro"

"Quem espera por sapatos de defuntos, a vida toda andará descalço"

6 - OBARA

Fecundação: Foi gerado de um bloco de ouro. Suas arestas representam

a riqueza. Obará fez a fecundação com Eji-Lasebora. De Obará veio Ajé e

de Lasebora veio Araiun, que não toma a cabeça de ninguém, porém

gerou 12 qualidades de Sango e todos os Orisas.

Sexo: Masculino

Elemento: Ar/Água

Cor: Salmon e Azul (em todas as tonalidades)

Metal: Ouro, Ouro branco e platina

Regência Corpórea: rins e aparelho urinário

Doenças: infecção urinária, parto, dores fortes, de cabeça, circulação

sanguínea. depressão, testículos.

Ewo: emprestar dinheiro, roupa usada por outrem, contato com miséria,

dar esmola, jogo de carteado, gente bêbada

Símbolo gráfico: Uma corda, vertical, de 6 metros de comprimento, com

6 nós

Síntese: " Quem come e guarda, tem mesa duas vezes"

"Da mentira nasce a verdade"

"a natureza deu-nos duas orelhas e uma só boca, para nos advertir que

se impões mais ouvir do que falar"

7 - ODI

Fecundação: Água, farofa, níquel e prata fecundaram Odi, este

enamorou-se por Eta-Ogunda e nasceu Iemonja e Osoguyan. Odi pariu

Osumare e Eta-Ogunda gerou Yemonja e Anibein e destes nasceram

Ogun Torininan e Agbalaju (Ogunja)

(16)

Sexo: Feminino

Elemento: Terra

Cor: Preto e todo quadriculado que tenha o fundo preto

Metal: Estanho

Regência Corpórea: nádegas, pele

Doenças: Todas de pele, Aids, nas nádegas, câncer de pele

Ewo: dar e vestir roupas usadas para e de outra pessoa, roupas

remendadas, travesseiro usado por outra pessoa,tecidos berrantes

Símbolo gráfico: Nádegas

Síntese: " Quanto maior o coqueiro, maior o tombo"

" A alma não tem segredos que a conduta não revele" (Esse é lindo)

8 - EJI-ONILE

Fecundação: Isele levou ao alto de uma montanha, um quadrúpede e o

ofereceu em holocausto, surgindo então Eji-Onile que gerou Kinaman.

Sexo: Masculino

Elemento: Água

Cor: Branco

Metal: Chumbo

Regência Corpórea: sistema respiratório, coluna vertebral, artéria (sem o

sangue)

Doenças: Cólicas (gerais)

Ewo: carne seca, maxixe, taioba, inhame

Símbolo gráfico: Um círculo vazio

Síntese: " O afobado come cru e passa mal"

" Quem quer tudo o que vê, não vê o que quer"

9 - OSA

(17)

Fecundação: Foi fecundado através da união da papoula vermelha com

pano vermelho. Este Odu gerou Oya.

Sexo: Feminino

Elemento: Terra

Cor: Vermelho, branco e azul

Metal: Prata e Cobre

Regência Corpórea: todos os órgãos, principalmente as vísceras, olhos,

as fossas nasais, os lábios, as coxas, as pernas e os pés, genitália

feminina

Doenças: paralisia, estrabismo, alguns tipos de câncer

Ewo: visitar ou estar com mulher grávida, velhos

Símbolo gráfico: Lua minguante com um rosto saindo dela

Síntese: "Quem espera sempre alcança"

10 - OFUN

Fecundação: Olorun ordenou a Isele que raspasse efun e misturasse com

o orvalho e a neblina, fecundando dessa forma Ofun. Ofun gerou Osala e

Oduduwa

Sexo: Feminino

Elemento: Fogo

Cor: Branco

Metal: Chumbo e estanho

Regência Corpórea: pernas, joelho, barriga, umbigo

Doenças: inchaço nas pernas, pulmonares, sangue grosso, sudorese,

esclerose, artrose, colesterol alto, diabetes mielites

Ewo: pano preto, vermelho, azeite de dendê, carvão. galo (qualquer cor)

Símbolo gráfico: Quadrúpede todo branco ou um casal de anciãos

(18)

11- OWONRIN

Fecundação: Foi fecundado através do pano preto, vermelho, branco,

água, mel e cachaça, numa encruzilhada de quatro pontas.

Sexo: Feminino

Elemento: Fogo

Cor: todas as cores sempre em número de seis

Metal: Ferro e cobre

Regência Corpórea: mãos, pés, articulações

Doenças: cólicas menstruais, leucemia, envenenamento (causando

morte)

Ewo: roupa em tecido xadrez, peixe "vermelho", escada de madeira

(subir), coco, peixe "corvina"

Símbolo gráfico: Três triângulos superpostos

Síntese: " Devagar se vai ao longe"

12 - EJI-LASEBORA

Fecundação: Sua fecundação deu-se através de raios e trovões

Sexo: Masculino

Elemento: Ar e fogo

Cor: Cobre, Grená, Dourado e Branco

Metal: Cobre

Regência Corpórea: rins

Doenças: renais, hipertensão, alcoolismo, dores de cabeça forte,

problemas mentais, provocados por pancada na cabeça

Ewo: cor vermelha (para alguns), louça quebrada, pepino, molho de

pimenta, batata inglesa (pegar), gema de ovo(para alguns), magnólia

(flor)

Símbolo gráfico: Uma fogueira, com 12 dormentes ou 12 quiabos,

formando uma coroa

(19)

Síntese: " Quem come o mel sozinho, faz doer seu estômago"

13 - EJI-OLOGBON

Fecundação: Sua fecundação se deu com a união de água de mangue,

terra e barro.

Sexo: Feminino

Elemento: Terra e Água

Cor: Preto

Metal: Ferro (em pó)

Regência Corpórea: ossos (juntas), cartilagens, unhas, cabelos.

Doenças: dores, generalizadas, pelo corpo, artrite, artrose, reumatismo,

dores na coluna.

Ewo: lixo, por muito tempo, em casa, lama de mangue, assobios,

cemitério

Símbolo gráfico: Um círculo negro

Síntese: " Chifres em cabeça de burro"

14 - IKA-ORI

Fecundação: Este Odu foi fecundado pela serpente encantada - OKÁ- ,

para destruir Isele

Sexo: Masculino

Elemento: Terra e Água

Cor: Todas as cores, preferência pelo preto, vermelho e azul

Metal: Cobre, ferro e latão misturados

Regência Corpórea: Vértebras(movimentos, olhos, atua também sobre

os seguintes casos: cirurgia geral, gravidez, provocando aborto

Doenças: buco-faciais, glaucoma, catarata, gengiva, coluna, nevralgias

Ewo: mata escura, gato dentro de casa, cachorro, cabra

(20)

Síntese: " Em terra de sapo, de cócoras com ele"

15- OGBE-OGUNDA

Fecundação: Sua fecundação deu-se através da união de akasa brancos

e amarelos, próximo a uma jazida de ferro.

Aí, então, foi gerado o primeiro Ogun.

Sexo: Feminino

Elemento: Terra (negra ou avermelhada)

Cor: Terracota, vermelho caboclo e marrom avermelhado

Metal: Prata e Ferro

Regência Corpórea: pernas, olhos, tórax, lábios e orelha

Doenças: Glaucoma, catarata, vitiligo, estrabismo, qualquer doença

torácica

Ewo: animal de pelo escuro (em casa), faca para sacrifício (usar),

pássaros engaiolados

Símbolo gráfico: Uma hiena

Síntese: " Devagar e sempre"

16 -ALÁFIA

Fecundação: Sua fecundação deu-se pela união do algodão, Efum,

níquel e estanho

Sexo: Feminino

Elemento: Terra e Ar

Cor: Branca, principalmente e também azul e vermelho

Metal: Marfim (embora não seja metal é o principal representante),

chumbo e estanho

Regência Corpórea: Todo corpo humano

Doenças: toda e qualquer doença

(21)

Símbolo gráfico: Um círculo, vazio, representando o mundo espiritual,

dentro deste um quadrado que representa o mundo material.

(22)

Oriki

ORÌSÁS

Iba Esù Odara

Esu Odara, inclino-me.

A Ba Ni Wa Oran Ba O Ri Da

Ele procura briga com alguém e encontra o que fazer.

O San Sokoto Penpe Ti Nse Onibode Olorun

Ele veste uma calça pequena para ser guardião na porta de Deus.

Oba Ni Ile Ketu

Rei da terra de Ketu.

Alakesi Emeren Aji E Aji E M(u) Ògùn

Aquele a quem se convida e que, tão logo acorda, toma um remédio.

(23)

Ele reforma Benin.

Laguna Jo Igbo Bi Orò

Laguna queima o mato como oro.

Esù Foli Fò O Fi Ókò Fo Oju Anan Re

Esu arrebenta facilmente os olhos de seus sogros com uma pedra.

L A Nyan Hamana

Ele caminha movendo-se com altivez.

Ika Kò Boro Boro

O malfeitor não morre depressa.

Kò Là Kò Rà O Ba Ona Oja Ile Su

Ele faz com que no mercado nada se compre e nada se venda.

Agbo L Ara A Yaba Má Pa ( Mo) Abemu

Agbo faz com que a mulher do rei não cubra a nudez de seu corpo.

O Se Firi Oko Ero Oja

Ele se torna rapidamente o senhor daqueles que passam pelo mercado.

Bara Fi Imu Fon Awon Sebi Okò L O Si

Quando Bara assoa o nariz, todo mundo acredita que o trem vai partir.

Ero Palemo Wara Wara

Os passageiros preparam-se rapidamente.

Osinmoleba

O próximo a Deus

(24)

Aquele que tem água em casa, mas prefere banho com sangue

Olaso Ni Le

Aquele que tem roupa em casa

Fi Imo Bora

Mas prefere se cobrir de mariwô

La Ka Ayê

Poderoso do mundo

Moju Re

Eu o saúdo

Ma Je Ki Nri Ija

Que eu não depare com sua ira

Iba Ògún Eu saúdo Ogun

Iba Re Olomi Ni Le Fi Eje

Eu o saúdo, aquele que tem água em casa,mas prefere banho de sangue

Feje We. Eje Ta Sile. Ki Ilero

Que o sangue caia no chão para que haja paz e tranqüilidade

Ase

Axé

Òsoosì. Oxosse !

(25)

Awo Òde Ìjà Pìtìpà. Ó orixá da luta,

Omo Ìyá Ògún Oníré. irmão de Ògún Onírè.

Òsoosì Gbà Mí O. Oxosse, me proteja !

Òrìsà A Dínà Má Yà.

Orixá que tendo bloqueado o caminho, não o desimpede.

Ode Tí Nje Orí Eran.

Caçador que come a cabeça dos animais.

Eléwà Òsòòsò.

Orixá que come ewa osooso.

Òrìsà Tí Ngbélé Imò,

Orixá que vive tanto em casa de barro

Gbe Ilé Ewé.

como em casa de folhas.

A Bi Àwò Lóló. Que possui a pele fresca.

Òsoosì Kì Nwo Igbó, Oxosse não entra na mata

Kí Igbo Má Aì Tìtì. sem que ela se agite.

Ofà Ni Mógàfí Ìbon,

Ofà é a arma poderosa que o pai usa em lugar de espingarda.

O Ta Ofà Sí Iná,

Ele atirou a sua flecha contra o fogo,

(26)

o fogo se apagou de imediato.

O Tá Ofà Sí Oòrùn, Atirou sua flecha contra o sol,

Oòrùn Rè Wèsè. O sol se pos.

Ogbàgbà Tí Ngba Omo Rè. Ó salvador, que salva seus filhos !

Oní Màríwò Pákó. Ó senhor do màrìwó pákó !

Ode Bàbá Ò. Meu pai caçador

O Dé Ojú Ogun, chegou na guerra,

O Fi Ofà Kan Soso Pa Igba Ènìyàn. matou duzentas pessoas com uma única flecha.

O Dé Nú Igbó, Chegou dentro da mata,

O Fi Ofà Kan Soso Pa Igba Eranko.

usou uma única flecha para matar duzentos animais selvagens.

A Wo Eran Pa Sí Ojúbo Ògún Lákayé,

Arrasta um animal vivo até que ele morra e o entrega no ojubo de Ogum.

Má Wo Mí Pa O.

Não me arraste até a morte.

Má Sì Fi Ofà Owo Re Dá Mi Lóró.

Não atire sofrimentos em minha vida, com seu Ofà.

Odè Ò, Odè Ò, Odè Ò, Ó Odè! Ó Odè! Ó Odè!

(27)

Òsoosì Ni Nbá Odè Inú Igbo Jà,

Dentro da mata, é Oxosse que luta ao lado do caçador

Wípé Kí Ó De Igbó Re.

para que ele possa caçar direito.

Òsoosì Oloró Tí Nbá Oba Ségun,

Oxosse, o poderoso, que vence a guerra para o rei.

O Bá Ajé Jà, Lutou com a feiticeira

O Ségun. e venceu.

Òsoosì O ! Ó Oxosse,

Má Bà Mi Jà O. não brigue comigo.

Ogùn Ni O Bá Mi Se O. Vence as guerras para mim

Bí O Bá Nbò Láti Oko. Quando voltar da mata,

Kí O Ká Ilá Fún Mi Wá. Colhe quiabos para mim.

Kí O Re Ìréré Ìdí Rè. e, ao colhê-los, tire seus talos.

Má Gbàgbé Mi O, Não se esqueça de mim.

Ode Ò, Bàbá Omo Kí Ngbàgbé Omo. Ó Odè, um pai não se esquece do filho.

(28)

Agbénigi, Òrómodìe Abidi Sonso

Aquele que vive na arvore e que tem um rabo pontudo como um pinto

Esinsin Abedo Kinnikinni

Aquele que tem o fígado transparente como o da mosca

Kòògo Egbòrò Irin

Aquele que é forte quanto uma barra de ferro

Aképè Nìgbá Ò Ràn Kó Sunwòn

Aquele que é invocado quando as coisas não estão bem

Tíoto Tin, Ó Gbà Aso Òkùnrùn Ta Gìègìè

O esbelto que, quando recebe a roupa da doença, se move como se fosse cair

Elésè Kan Jù Elésè Méjì Lo

O que tem só uma perna e mais poderoso do que tem duas

Aro Abi-oho LièlièO

Fraco que possui um pênis fraco

Ewé Gbogbo Kíki Oògùn

Todas as folhas tem viscosidade que se tornam remédio

Àgbénigi, Èsìsì Kosùn

Agbénigi, o Deus que usa palha

Agogo Nla Se Erpe Agbára

O grande sino de ferro que soa poderosamente

O Gbà Wón Lá Tán, Wón Dúpé Téniténi

A quem as pessoas agradecem sem reservas depois que ele humilha as doenças

(29)

Àròni que pula no poço com amuletos no peito

Elésè Kan Ti Ó Lé Elésè Méji Sáre.

O homem de uma perna que incita o de duas para correr.

Orìsà Jìngbìnì Orixá forte

Abàtà, Arú Bí Ewè Ajó

Abatá que floresce exuberante como as folhas da árvore ajó

Orisá Tí Nmú Omo Mú Ìyá

Orixá que pune a mãe juntamente com o filho

Bí Obaluayê Bá Mú Won Tún

Depois que Obaluaê acabar de castigá-los

O Tún Lè Sáré Lo Bábá Ainda poderá castigar o pai

Orìsà Bí Àjé

Orixá semelhante a uma feiticeira

Obaluayê mo Ilé Osó, Ó Mo Ilé Àjé

Obaluaê conhece tanto a casa do feiticeiro como a da bruxa

O Gbá Osó L’Ójú, Desafiou o feiticeiro

Osó Kún Fínrínfínrín E este correu desesperado

(30)

Matou todas as bruxas permitindo que apenas uma vivesse

Orìsà Jìngbìnì Orixá forte

Obaluayê A Mú Ni Toùn Toùn

Obaluaê, que faz as pessoas perderem a voz

Obaluayê SSí Odù Re Hàn Obaluaê, abra seu odu para mim

Kí Ndi Olówó

Para que eu seja uma pessoa próspera

Kí Ndi Olomo

Para que eu seja uma pessoa fértil.

Osumare A Gbe Orun Li Apa Ira

Osumare permanece no Céu que ele atravessa com o braço

Ile Libi Jin Ojo<o:p></o:p> Ele faz a chuva cair na terra.

O Pon Iyun Pon Nana

Ele busca os corais, ele busca as contas nana

O Fi Oro Kan Idawo Luku Wo Com uma palavra ele examina Luku

(31)

Ele faz isso perante seu rei

Oluwo Li Awa Rese Mesi Eko Ajaya Chefe a quem adoramos

Baba Nwa Li Ode Ki Awa Gba Ki

O pai vem ao pátio para que cresçamos e tenhamos vida

A Pupo Bi Orun Ele é vasto como o céu

Olobi Awa Je Kan Yo

Senhor do Obi, basta a gente comer um deles para ficar satisfeito

O De Igbo Kùn Bi Ojo

Ele chega à floresta e faz barulho como se fosse a chuva

Okó Ijoku Igbo Elu Ko Li Égùn

Esposo de Ijo, a mata de anil não tem espinhos

Okó Ijoku Dudu Oju E A Fi Wo Ran

Esposo de Ijoku, que observa as coisas com seus olhos negro.

Okiti Kata, Ekùn A Pa Eran Má Ni Yan

Okiti Katala leopardo que mata um animal e o come sem assá-lo.

Olu Gbongbo Ko Sun Ebi Eje

Dono de uma bengala, não dorme e tem sede de sangue.

Gosungosun On Wo Ewu

(32)

KO Pá Eni Ko Je Oka Odun

Ele só poderá comer massa no dia da festa, se tiver matado algúem.

A Ni Esin O Ni Kange

Ele tem o cavalo, ele tem o quizo.

Odo Bara Otolu Rio

Omi a Dake Je Pa Eni

Água adormecida que mata alguém sem preveni-lo

Omo Opara Ogan Ndanu Filho de Opara

Sese Iba O Orixá, respeito

Iba Iye Ni Mo Mo Je Ni Ko Je Ti Aruní Louvo a vida e não a cabeça

Emi Wa Foribale Fun Sese Venho prosternar-me diante do Orixá.

Oluidu Pe O papa

Presto homenagem aos ancestrais.

Ele Adie Ko Tuka

Aquele que tem frango, não depena vivo

Yeye Mi Ni Bariba Li Akoko

Minha mãe estava primeiramente em Bariba

Emi Ako Ni Ala Mo Le Gbe Agada Eu o primeiro a poder usar a espada.

Emi A Wa Kiyà Onile Ki Ile

(33)

Oyà A To Iwo Efòn Gbé.

Ela é grande o bastante para carrega o chifre do búfalo.

Oyà Olókò Àra.

Oyà, que possui um marido poderoso.

Obìnrin Ogun, Mulher guerreira.

Obìnrin Ode. Mulher caçadora.

Oya Òrírì Arójú Bá Oko Kú.

Oyà, a charmosa, que dispõe de coragem para morrer com seu marido.

Iru Èniyàn Wo Ni Oyà Yí N Se, Se? Que tipo de pessoa é Oyà?

Ibi Oya Wà, Ló Gbiná. O local onde Oyà está, pega fogo

Obìnrin Wóò Bi Eni Fó Igbá.

Mulher que se quebra ao meio como se fosse uma cabaça

Oyà tí awon òtá rí,

Oyà foi vista por seus inimigos

Tí Won Torí Rè Da Igbá Nù Sì Igbó.

E eles, assustados, fugiram atirando as bagagens no mato

Héèpà Héè, Oya ò! Eeepa He! Oh, Oyà!

(34)

Erù Re Nikan Ni Mo Nbà O. És a única pessoa que temo

Aféfé Ikú. Vendaval da Morte

Obìnrin Ogun, Ti Ná Ibon Rè Ní À Ki Kún A mulher guerreira que carrega sua arma de fogo

Oyà ò, Oyà Tótó Hun!

Oh, Oyà, à Oyà respeito e submissão!

Oyà, A P’Agbá, P’Àwo Mó Ni Kíákíá, Ela arruma suas coisas sem demora

Kíákíá, Wéré Wéré L’ Oyà Nse Ti È Rapidamente Oyà faz suas coisas

A Rìn Dengbere Bíi Fúlàní.

Ela vagueia com elegância, como se fosse uma nômade fulani

O Titi Tí Nfi Gbogbo Ará Rìn Bí Esin

Quando anda, sua vitalidade é como a do cavalo que trota

Héèpà, Oya Olómo Mesan, Ibá Re Ò! Eeepa Oya, que tem nove filhos, eu te saúdo!

Obà, Obà, Obà. Obá, Obá, Obá.

Ojòwú Òrìsà, Orixá ciumento,

(35)

Eketà Aya Sàngó. terceira esposa de Xangô.

O Torí Owú, Ela, que por ciumes,

O Kolà Sí Gbogbo Ara. fez incisões em todo corpo.

Olókìkí Oko.

Que fala muito de seu marido,

A Rìn Lógànjó Pèlú Àwon Ayé. que anda nas madrugadas com as ayé.

Obà Anísùru, Ají Jewure.

Obá paciente, que come cabrito logo pela manhã.

Obà Kò B'óko Dé Kòso, Obá não foi com o marido a Koso,

O Dúró, Ó Bá Òsun Rojó Obe.

ficou para discutir com Oxum sobre comida.

Obà Fiyì Fún Apá Oko Rè. Obá valoriza os braços do marido,

Oní Ó Wun Òun Ju Gbogbo Ará Yókù diz que é a parte de seu corpo que ela prefere.

Obà Tó Mo Ohùn Tó Dára. Obá sabe o que é bom.

(36)

Òsun Òpàrà Yèyé Òpàrà ! Yèyé Opàrà !

Obìnrin Bí Okùnrin Ní Òsun

Oxum é uma mulher com força masculina.

A Jí Sèrí Bí Ègà.

Sua voz é afinada como o canto do ega.

Yèyé Olomi Tútú.<o:p></o:p> Graciosa mãe, senhora das águas frescas.

Opàrà Òjò Bíri Kalee.

Opàrà, que ao dançar rodopia como o vento, sem que possamos vê-la.

Agbà Obìnrin Tí Gbogbo Ayé N'pe Sìn.

Senhora plena de sabedoria, que todos veneramos juntos.

Ó Bá Sònpònná Jé Pétékí. Que como pétékí com Xapanã.

O Bá Alágbára Ranyanga Dìde.

Que enfrenta pessoas poderosas e com sabedoria as acalma.

Òsun Iponda

Oliri Pa Koko Eni Pon

Poderosa, não empurre o povo de Iponda.

O Ri Onise Oba Ayi Kase

Ela recebe o mensageiro do rei sem respeitá-lo

O Je Dandan Oloran

Ela aceita as palavras do queixoso

O Fi Aja Wà Inu Eke Wò

Com sua sineta ela fura o ventre mentiroso.

(37)

Não se pode carregar debaixo do braço o filho da mata de Iponda.

Òsun Ijumu

Osun Ijumu Olodó Ide

Osun Ijumu, dona de um pilão de cobre.

OIya Ijumu Alaiye Ma Gun Odó Poro Osun Ijumum não monta com vivacidade no pilão

Efon Tere Mò Gun Àiyé

POsun pode surgir subitamente no mundo.

Eyín Fe Ki Efon Ki O Na Mi Vocês querem que Osun me castigues.

Eyín Fe O Fi Owo Ye Ko Mi Mò

Deixem a criança rodear meu corpo com sua mãos

Owo Omo Ye Ki Dun Eni A mão da criança é suave

Efon A Ke Ki Dun Enia Osun é suave.

Efon Li O Ni Igbo Obi

Osun é a dona da floresta de Obi.

Iwo Li O Ni Igbo Atare

A floresta de pimenta pertence a você

Baba Nwa Li Ode Ki Awa Gba Ki

(38)

Ganagana Bi Ninu Elomi Ninu

Um orgulhoso fica infeliz se um outro esteja contente

A Se Okùn Soro Èsinsin

É difícil fazer uma corda com as folhas espinhosas da urtiga

Tima Li Ehin Yeye Re

Montado de cavalinho sobre as costas de sua mãe

Okansoso Gudugu

Ele é sozinho, ele é muito bonito

Oda Di Ohùn

Até a voz dele é agradável

O Ko Ele Pé Li Aiya

Não se coloca as mãos sobre o seu peito

Ala Aiya Rere Fi Owó Kan

Ele tem um peito que atrai as mãos das pessoas

Ajoji De Órun Idi Agban

O estrangeiro vai dormir sobre o coqueiro

Ajongolo Okunrin Homem esbelto

Apari O Kilo Òkò Tímotímo

O careca presta atenção à pedra atirada certeiramente

O Ri Gbá Té Sùn Li Egan

Ele acha duzentas esteiras para dormir na floresta

(39)

Acordá-lo bem é o suficiente

A Ri Gbamu Ojiji

Nós somente o vemos e o abraçamos como se ele fosse uma sombra

Okansoso Orunmila A Wa Kan Mà Dahun

Somente em Orunmila nós tocamos, mas ele não responde

O Je Oruko Bi Soponna / Ele tem um nome como Soponna /

Soro pe on Soponna e nià hun É difícil alguém mau chamar-se Soponna

Odulugbese Gun Ogi Órun Devedor que faz pouco caso

Odolugbese Arin Here Here

Devedor que anda rebolando displicentemente

Olori Buruku O Fi Ori Já Igi Odiolodi Ele é um louco que quebra a cerca com a cabeça

O Fi Igbegbe Lù Igi Ijebu

Ele bate com seu papo numa árvore Ijebu

O Fi Igbegbe Lú Gbegbe Meje Ele quebrou sete papos com o seu papo

Orogun Olu Gbegbe O Fun Oya Li O

A segunda mulher diz ao papo para usar um pente (para desinchar o papo)

Odelesirin Ni Ki O Wá On Sila Kerepa

Um louco que diz que o procurem lá fora na encruzilhada

Agbopa Sùn Kakaka

Aquele que tem orquite ( inflamação dos testículos) e dorme profundamente

Oda Bi Odundun

(40)

Jojo Bi Agbo Altivo como o carneiro

Elewa Ejela

Pessoa amável anteontem

O Gbewo Li Ogun O Da Ara Nu Bi Ole

Ele carrega um talismã que ele espalha sobre o seu corpo como um preguiçoso

O Gbewo Li Ogun O Kan Omo Aje Niku

Ele carrega um talismã e briga com o filho do feiticeiro dando socos

A li Bilibi Ilebe Ele veste boas roupas

O Ti Igi Soro Soro O Fibu Oju Adiju

Com um pedaço de madeira muito pontudo ele fere o olho de um outro

Koro Bi Eni Ló O Gba Ehin Oko Mà Se Ole

Rápido como aquele que passa atrás de um campo sem agir como um ladrão

O Já Ile Onile bó ti re lehin

Ele destrói a casa de um outro e com o material cobre a sua

A Li Oju Tiri Tiri

Ele tem olhos muito aguçados

O Rí Saka Aje O Dì Lebe

Ele acha uma pena de coruja e a prende em sua roupa

O Je Owú Baludi

Ele é ciumento e anda "rebolando" displicentemente

O Kó Koriko Llehin Ele recolhe as ervas atrás

O Kó Araman Lehin Ele recolhe as ervas atrás

(41)

Ele anda "rebolando" desengonçado para ir ao pátio interior de um outro

Òjo Pá Gbodogi Ró Woro Woro

A chuva bate na folha de cobrir telhados e faz ruído

O Pà Oruru Si Ile Odikeji

Ele mata o malfeitor na casa de um outro

O Kó Ara Si Ile Ibi Ati Nyimusi

Ele recolhe o corpo na casa e empina o nariz

Ole Yo Li Ero

O preguiçoso está satisfeito entre os passantes

O Dara De Eyin Oju Ele é belo até nos olhos

Okunrin Sembeluju Homem muito belo

Ogbe Gururu Si Obè Olori

Ele coloca um grande pedaço de carne no molho do chefe

A Mò Ona Oko Ko Nló

Ele conhece o caminho do campo e não vai lá

A Mo Ona Runsun Rdenreden Ele conhece o caminho runsun redenreden

O Duro Ti Olobi Kò Rà Je

Ele está ao lado do dono dos obi e não os compra para comer

Rere Gbe Adie Ti On Ti Iye O gavião pega o frango com as penas

O Bá Enia Jà O Rerin Sún

Ele briga com qualquer um e ri estranhamente

O Se Adibo O Rin Ngoro Yo

(42)

Ogola Okun Kò Ka Olugege Li Òrùn

Sessenta contas não podem rodear o pescoço de um papudo

Olugege Jeun Si Okurú Ofun

O papudo come no inchaço de sua garganta

O Já Gebe Si Orún Eni Li Oni

Ele quebra o papo do pescoço daquele que o possui

O dahun agan li ohun kankan

Ele dá rapidamente crianças às mulheres estéreis

O Kun Nukuwa Ninu Rere

Ele guarda seus talismãs numa pequena cabaça

Ale Rese Owuro Rese /

A noite coisa sagrada, de manhã coisa sagrada /

Ere Meji Be Rese

Duas vezes assim coisa sagrada

Koro Bi Eni Lo

Rápido como alguém que parte

Arieri Ewo Ala

A proibição do pássaro branco é o pano branco

Ala Opa Fari

Ele mexe os braços fantasiosamente

Oko Ahotomi Marido de Ahotomi Oko Fegbejoloro Marido de Fegbejoloro Oko Onikunoro Marido de Onikunoro Oko Adapatila Marido de Adapatila

(43)

Soso Li Owuro O Ji Gini Mu Òrún

Bem desperto, ele acorda de manhã já com o arco e flecha no pescoço

Rederede Fe O Ja Kùnle Ki Agbo

Como um louco ele se debate para colocar os joelhos no chão, como o carneiro

Oko Ameri Èru Jeje Oko Ameri Marido de Ameri que dá mêdo

Ekùn O Bi Awo Fini Leopardo de pele bonita

Ogbon Iyanu Li Ara Eni Iya Ti Nje

Ele expulsa a infelicidade do corpo de alguém que tem infelicidade

O Wi Be Se Be

Orgulhoso que possui um corpo muito belo

Sakoto Abi Ara Finià Assim ele diz e assim ele faz

Sángiri-làgiri,

Que racha e lasca paredes

Olàgiri-kàkààkà-kí Igba Edun Bò

Ele deixou a parede bem rachada e pôs ali duzentas pedras de raio

O Jajú Mó Ni Kó Tó Pa Ni Je

Ele olha assustadoramente para as pessoas antes de castigá-las

Ó Ké Kàrà, Ké Kòró Ele fala com todo o corpo

(44)

S’ Olórò Dí Jínjìnnì

Ele faz com que a pessoa poderosa fique com medo

Eléyinjú Iná

Seus olhos são vermelhos como brasas

Abá Won Jà Mà Jèbi

Aquele que briga com as pessoas sem ser condenado porque nunca briga injustamente

Iwo Ní Mo Sá Di O

É em ti que busco meu refúgio.

Sango Ona Mogba Bi E Tu Bá Wó Ile

Se um antílope entrar na casa

Jejene Ni Mú Ewure A cabra sentirá medo.

Bi Sango Bá Wó Ile Se Sango entra na casa

Jejene Ni Mú Osa Gbogbo Todos os Orisa sentirão medo.

OFÒ FÚN ÒRÌSÁNLÁ

Referências

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