Conceitos de vida e morte no ritual do
axexê
Tradição e tendências recentes dos ritos funerários no
candomblé
Reginaldo Prandi Prof. Titular de Sociologia da Universidade de São
Paulo
Nas mais diferentes culturas, a concepção religiosa da morte está contida
na própria concepção da vida e ambas não se separam. Os iorubás e
outros grupos africanos que formaram a base cultural das religiões
afro-brasileiras acreditam que a vida e a morte alternam-se em ciclos, de tal
modo que o morto volta ao mundo dos vivos, reencarnando-se num novo
membro da própria família. São muitos os nomes iorubás que exprimem
exatamente esse retorno, como Babatundê, que quer dizer
"O-pai-está-de-volta".Para os iorubás, existe um mundo em que vivem os homens
em contato com a natureza, o nosso mundo dos vivos, que eles chamam
de aiê, e um mundo sobrenatural, onde estão os orixás, outras
divindades e espíritos, e para onde vão os que morrem, mundo que eles
chamam de orum. Quando alguém morre no aiê, seu espírito, ou uma
parte dele, vai para o orum, de onde pode retornar ao aiê nascendo de
novo. Todos os homens, mulheres e crianças vão para um mesmo lugar,
não existindo a idéia de punição ou prêmio após a morte e, por
conseguinte, inexistindo as noções de céu, inferno e purgatório nos
moldes da tradição ocidental-cristã. Não há julgamento após a morte e
os espíritos retornam à vida no aiê tão logo possam, pois o ideal é o
mundo dos vivos, o bom é viver. Os espíritos dos mortos ilustres (reis,
heróis, grandes sacerdotes, fundadores de cidades e de linhagens) são
cultuados e se manifestam nos festivais de egungum no corpo de
sacerdotes mascarados, quando então transitam entre os humanos,
julgando suas faltas e resolvendo as contendas e pendências de
interesse da comunidade.O papel do ancestral egungum no controle da
moralidade do grupo e na manutenção do equilíbrio social através da
solução de pendências e disputas pessoais, infelizmente, não se
reproduziu no Brasil. Embora o culto ao egungum tenha sido
reconstituído na Bahia em uns poucos terreiros especializados, o
candomblé de egungum da Ilha de Itaparica (Braga, 1992), mais tarde
também presente na cidade de Salvador e em São Paulo, está muito
distante da prática diária dos candomblés de orixás e praticamente
divorciados da vida na sociedade profana, perdendo completamente as
funções sociais africanas originais, de tal modo que a religião africana no
Brasil, disseminada pelos terreiros de orixás, acabou por se constituir
numa religião estritamente ritual, uma religião a-ética, uma vez que seus
componentes institucionais de orientação valorativa e controle do
comportamento em face de uma moralidade coletiva exercitada nos
festivais dos antepassados egunguns ausentaram-se completamente da
vida cotidiana dos seguidores da religião dos orixás.O ideal iorubá do
renascimento é as vezes tão extremamente exagerado, que alguns
espíritos nascem e em seguida morrem somente pelo prazer de
rapidamente poder nascer de novo. São os chamados abicus
(literalmente, nascido para morrer), que explicam na cultura iorubá
tradicional as elevadas taxas de mortalidade infantil. Em geral, um abicu
renasce seguidamente do útero da mesma mãe. Quando uma criança é
identificada como sendo um abicu, muitos são os ritos ministrados para
impedir sua morte prematura. Assim como a sociedade Egungum cultua
os antepassados masculinos do grupo (Babayemi, 1980), outra
sociedade de mascarados, a sociedade Gueledé, celebra a mães
ancestrais, às quais cabe também zelar pela saúde e vida das crianças,
inclusive os abicus (Lawal, 1996). Os festivais Gueledé não sobreviveram
no Brasil (segundo o Professor Agenor Miranda Rocha, em conseqüência
de disputas, no começo do século, entre lideranças do candomblé da
Casa Branca do Engenho Velho, que provocaram a cisão do grupo e
fundação do Axé Opô Afonjá por Mãe Aninha Obá Bií). Também não
sobreviveu integralmente a idéia de abicu e o termo passou a designar,
em muitos candomblés, as pessoas que são consideradas como tendo
nascido já iniciadas para o orixá a que pertencem, não devendo, assim,
ser raspadas, como devem ser os demais que se iniciam na religião. A
maneira fragmentária como a religião africana foi se reconstituindo no
Brasil implicou, claramente, em acentuadas mudanças nos conceitos de
vida e morte, mudanças que vão afetar o sentido de certas práticas
rituais, especialmente quando sofrem a concorrência de ritos católicos e
de concepções ensinada pela Igreja.A tradição cristã ensina que o ser
humano é composto de corpo material e espírito indivisível, a alma. Na
concepção iorubá, existe também a idéia do corpo material, que eles
chamam de ara, o qual com a morte decompõe-se e é reintegrado à
natureza, mas, em contrapartida, a parte espiritual é formada de várias
unidades reunidas, cada uma com existência própria. As unidades
principais da parte espiritual são 1) o sopro vital ou emi, 2) a
personalidade-destino ou ori, 3) identidade sobrenatural ou identidade
de origem que liga a pessoa à natureza, ou seja, o orixá pessoal e 4) o
espírito propriamente dito ou egum. Cada parte destas precisa ser
integrada no todo que forma a pessoa durante a vida, tendo cada uma
delas um destino diferente após a morte. O emi, sopro vital que vem de
Olorum e que está representado pela respiração, abandona na hora da
morte o corpo material, fabricado por Oxalá, sendo reincorporado à
massa coletiva que contém o princípio genérico e inesgotável da vida,
força vital cósmica do deus-primordial Olodumare-Olorum. O emi nunca
se perde e é constantemente reutilizado. O ori, que nós chamamos de
cabeça e que contém a individualidade e o destino, desaparece com a
morte, pois é único e pessoal, de modo que ninguém herda o destino de
outro. Cada vida será diferente, mesmo com a reencarnação. O orixá
individual, que define a origem mítica de cada pessoa, suas
potencialidades e tabus, origem que não é a mesma para todos, como
ocorre na tradição judaico-cristã (segundo a qual todos vêm de um único
e mesmo deus-pai), retorna com a morte ao orixá geral, do qual é uma
parte infinitésima. Finalmente, o egum, que é a própria memória do vivo
em sua passagem pelo aiê, que representa a plena identidade e a ligação
social, biográfica e concreta com a comunidade, vai para o orum,
podendo daí retornar, renascendo no seio da própria família biológica.
Quando se trata de alguém ilustre, os vivos podem cultuar sua memória,
que pode ser invocada através de um altar ou assentamento preparado
para o egum, o espírito do morto, como se faz com os orixás e outras
entidades espirituais. Sacrifícios votivos são oferecidos ao egum que
integra a linhagem dos ancestrais da família ou da comunidade mais
ampla. Representam as raízes daquele grupo e são a base da identidade
coletiva.Na África tradicional, dias depois do nascimento da criança
iorubá, realiza-se a cerimônia de dar o nome, denominada ekomojadê,
quando o babalaô consulta o oráculo para desvendar a origem da
criança. É quando se sabe, por exemplo, se se trata de um ente querido
renascido. Os nomes iorubás sempre designam a origem mítica da
pessoa, que pode referir-se ao seu orixá pessoal, geralmente o orixá da
família, determinado patrilinearmente, ou à condição em que se deu o
nascimento, tipo de gestação e parto, sua posição na seqüência dos
irmãos, quando se trata, por exemplo daquele que nasce depois de
gêmeos, a própria condição de abicu e assim por diante. A partir do
momento do nome, desencadeia-se uma sucessão de ritos de passagem
associados não só aos papéis sociais, como a entrada na idade adulta e o
casamento, mas também à própria construção da pessoa, que se dá
através da integração, em diferentes momentos da vida, dos múltiplos
componentes do espírito. Com a morte, estes ritos são refeitos, agora
com a intenção de liberar essas unidades espiritiais, de modo que cada
uma deles chegue ao destino certo, restituindo-se, assim, o equilíbrio
rompido com a morte.No Brasil, nas comunidades de candomblé e
demais denominações religiosas afro-brasileiras que seguem mais de
perto a tradição herdada da África, a morte de um iniciado implica a
realização de ritos funerários. O rito fúnebre é denominado axexê na
nação queto, tambor de choro nas nações mina-jeje e mina-nagô, sirrum
na nação jeje-mahim e no batuque, ntambi ou mukundu na nação
angola, tendo como principais fins os seguintes:desfazer o assentamento
do ori, que é fixado e cultuado na cerimônia do bori, cerimônia que
precede o culto do próprio orixá pessoal;desfazer os vínculos com o orixá
pessoal para o qual aquele homem ou mulher foi iniciado, o que significa
também desfazer os vínculos com toda a comunidade do terreiro,
incluindo os ascendentes (mãe e pai-de-santo), os descendentes
(filhos-de-santo) e parentes-de-santo colaterais; despachar o egum do morto,
para que ele deixe o aiê e vá para o orum. Como cada iniciado passa por
ritos e etapas iniciáticas ao longo de toda a vida, os ritos funerários
serão tão mais complexos quanto mais tempo de iniciação o morto tiver,
ou seja, quanto mais vínculos com o aiê tiverem que ser cortado
(Santos, 1976).Mesmo o vínculo com o orixá, divindade que faz parte do
orum, representa uma ligação com o aiê, pois o assentamento do orixá é
material e existe no aiê, como representação de sua existência no orum,
ou mundo paralelo. Mesmo um abiã, o postulante que está começando
sua vida no terreiro e que já fez o seu bori, tem laços a cortar, pois seu
assento de ori precisa ser despachado, evidentemente numa cerimônia
mais simples. Em resumo, podemos dizer que a seqüência iniciática por
que passa um membro do candomblé, xangô, batuque ou tambor de
mina (bori, feitura de orixá, obrigações de um, três e cinco anos, decá no
sétimo ano, obrigações subseqüentes a cada sete anos) representa
aprofundamento e ampliação de laços religiosos, quando novas
responsabilidades e prerrogativas vão se acumulando: com a mãe ou
pai-de-santo, com a comunidade do terreiro, com filhos-de-santo, com o
conjunto mais amplo do povo-de-santo etc. Com a morte, tais vínculos
devem ser desfeitos, liberando o espírito, o egum, das obrigações para
com o mundo do aiê, inclusive a religião. O rito funerário é, pois, o
desfazer de laços e compromissos e a liberação das partes espirituais
que constituem a pessoa. Não é de se admirar que, simbolizando a
própria ruptura que tal cerimônia representa, os objetos sagrados do
morto são desfeitos, desagregados, quebrados, partidos e
despachados.O termo axexê, que designa os ritos funerários do
candomblé de nação queto e outras variantes de origem iorubá e
fom-iorubá, ou jeje-nagô, como são mais conhecidas, é provavelmente uma
corruptela da palavra iorubá àjèjé. Em terras iorubás, por ocasião da
morte de um caçador, era costume matar-se um antílope ou outra caça
de quatro pés como etapa do rito fúnebre. Uma parte do animal era
comida pelos parentes e amigos do morto, reunidos em festa em
homenagem ao defunto, enquanto a outra parte era levada ao mato e
oferecida ao espírito do falecido caçador. Juntamente com a carne do
animal, depositavam-se na mata os instrumentos de caça do morto. A
este ebó dava-se o nome de àjèjé (Abraham, 1962: 38). O axexê que se
realiza no candomblé brasileiro pode ser pensado como um grande ebó,
com a oferenda, entre outras coisas, de carne sacrificial ao espírito do
morto, e no qual se juntam seus objetos rituais.Sendo o candomblé uma
religião de transe, várias divindades participam ativamente do rito
funerário, especialmente os orixás associados à morte e aos mortos,
ocupando Oiá ou Iansã lugar de destaque. Iansã é considerada o orixá
encarregado de levar os mortos para o orum, atribuindo-se a ela o
patronato do axexê, conforme mito narrado por Mãe Stella Odé Kaiodé,
ialorixá do Axé Opô Afonjá, que resume bem a idéia do axexê como
cerimônia de homenagem ao morto.
Vivia em terras de Queto um caçador chamado Odulecê. Era o líder de
todos os caçadores. Ele tomou por sua filha uma menina nascida em Irá,
que por seus modos espertos e ligeiros foi conhecida por Oiá. Oiá
tornou-se logo a predileta do velho caçador, conquistando um lugar de
destaque entre aquele povo. Mas um dia a morte levou Odulecê,
deixando Oiá muito triste. A jovem pensou numa forma de homenagear
o seu pai adotivo. Reuniu todos os instrumentos de caça de Odulecê e
enrolou-os num pano. Também preparou todas as iguarias que ele tanto
gostava de saborear. Dançou e cantou por sete dias, espalhando por
toda parte, com seu vento, o seu canto, fazendo com que se reunissem
no local todos os caçadores da terra. Na sétima noite, acompanhada dos
caçadores, Oiá embrenhou-se mata adentro e depositou ao pé de uma
árvore sagrada os pertences de Odulecê. Nesse instante, o pássaro
"agbé" partiu num vôo sagrado. Olorum, que tudo via, emocionou-se
com o gesto de Oiá-Iansã e deu-lhe o poder de ser a guia dos mortos em
sua viagem para o Orum. Transformou Odulecê em orixá e Oiá na mãe
dos espaços sagrados. A partir de então, todo aquele que morre tem seu
espírito levado ao Orum por Oiá. Antes porém deve ser homenageado
por seus entes queridos, numa festa com comidas, canto e dança.
Nascia, assim, o ritual do axexê. (Santos, 1993: 91).Também participam
do axexê os orixás Nanã, Euá, Omulu, Oxumarê, Ogum e eventualmente
Obá, não se incluindo, contudo, nesta lista Xangô, que dizem ter pavor
de egum, conforme narram outros mitos.A seqüência do axexê começa
imediatamente após a morte, quando o cadáver é manuseado pelos
sacerdotes para se retirar da cabeça a marca simbólica da presença do
orixá, implantada no alto do crânio raspado durante a feitura, através do
oxo, cone preparado com obi mascado e outros ingredientes e fixado no
coro cabeludo sobre incisões rituais. O cabelo nesta região da cabeça é
retirado e o crânio lavado com amassi (preparado de folhas) e água. Esta
lavagem da cabeça inverte simbolicamente o primeiro rito iniciático,
quando as contas e a cabeça do novo devoto são igualmente lavadas
pela mãe-de-santo. O líquido da lavagem é o primeiro elemento que fará
parte do grande despacho do morto.Depois do enterro, tem início a
organização do axexê propriamente dito. Ele varia de terreiro para
terreiro e de nação para nação. É mais elaborado quando se trata de
altos dignatários e depende das posses materiais da família do morto.
Genericamente conserva os procedimentos básicos de inversão da
iniciação, havendo sempre:música, canto e dança; transe, com a
presença pelo menos de Iansã incorporada; sacrifício e oferendas
variadas ao egum e orixás ligados ritualmente ao morto, sendo sempre e
preliminarmente propiciado Exu, que levará o carrego, evidentemente, e
os antepassados cultuados pelo grupo; destruição dos objetos rituais do
falecido (assentamentos, colares, roupas, adereços etc.), podendo parte
permanecer com algum membro do grupo como herança; despacho dos
objetos sagrados "desfeitos" juntamente com as oferendas e objetos
usados no decorrer da cerimônia, como os instrumentos musicais
próprios para a ocasião, esteiras etc. Quando, no final, o despacho é
levado para longe do terreiro, tudo juntado num grande balaio, nenhum
objeto religioso de propriedade do morto resta no templo. Ele não faz
mais parte daquela casa e só futuramente poderá ser incorporado ao
patrimônio dos ancestrais ilustres, se for o caso, podendo então ser
assentado e cultuado. Por ora, o egum está livre para partir. Igualmente,
o orixá ou orixás pessoais do falecido já não dispõem de assentos
(ibá-orixá) no terreiro, tendo portanto seus vínculos desfeitos. O ori, que
pereceu junto com seu dono, também não mais existe fixado num ibá-ori
(assentamento). Se algum objeto ou assento foi dado a alguém, ele tem
novo dono, para quem é transferida a responsabilidade do zelo religioso.
Nada mais é do morto. Nada mais há que o prenda ao terreiro.Durante o
axexê, acredita-se que o morto pode expressar suas últimas vontades e
para isso o sacerdote que preside o ritual faz uso constante do jogo de
búzios. Assim, antes de cada um dos objetos religiosos que lhe
pertenceram em vida ser desfeito, rasgado ou quebrado, o oficiante
pergunta no jogo se tal peça deve ficar para alguém de seu círculo
íntimo. Não é de bom-tom, contudo, deixar de despachar pelo menos
grande parte dos objetos. Quando se trata de fundador de terreiro ou
outra pessoa de reconhecidos méritos sacerdotais, é costume deixar os
assentos de seus orixás principais para o terreiro, os quais passam a ser
zelados por toda a comunidade. Não raro, assentos de orixás de mãe e
pais de grande prestígio costumam ser disputados por filhos com grande
estardalhaço, havendo mesmo relatos de roubos e até de disputas a faca
e bala.O axexê é realizado no terreiro em dois espaços: num recinto
reservado, preferencialmente uma cabana especialmente construída com
galhos e folhas, e no barracão. Na cabana, em que poucos entram, são
colocados os objetos do morto, onde são desfeitos, aí se realizando os
sacrifícios para os orixás e para o egum. No barracão são celebradas as
danças, aí permanecendo os membros do terreiro, os parentes e amigos
do finado.O morto é representado no barracão por uma cabaça vazia,
que vai recebendo moedas depositadas pelos presentes, no momento em
que cada um dança para o egum. Todos devem dançar para o egum,
como homenagem pessoal. Apesar dos cânticos e danças, o clima da
celebração é propositalmente constrito e triste. Os atabaques são
substituídos por um pote de cerâmica, do qual se produz um som
abafado com uso de leques de palha batidos na boca, e por duas grandes
cabaças emborcadas em alquidares com água e tocadas com as varetas
aguidavis. Os presentes usam tiras da folha do dendezeiro, mariô, atadas
no pulso, como proteção contra eventual aproximação dos eguns. Todo
esse material, ao final, comporá o carrego do morto. No barracão
também é servido o repasto preparado com as carnes do sacrifício,
reservando-se aos ancestrais, orixás e egum as partes que contêm
axé.No quarto reservado, o morto é representado por recipientes de
barro ou cerâmica virgens, os quais futuramente podem ser usados para
assentar o espírito do falecido juntamente com os demais antepassados
ilustres daquela comunidade religiosa, ou despachados.Por influência do
catolicismo, que costuma repetir a missa fúnebre em intervalos
regulares, em muitos terreiros o rito do axexê é repetido depois de um
mês, um ano e a cada sete anos, especialmente quando se trata do
falecimento do babalorixá ou ialorixá. Mas a maioria dos iniciados,
entretanto, acaba não recebendo sequer um dia de axexê. Isto ocorre
por falta de interesse da família carnal do morto, muito freqüentemente
não participante do candomblé, por dificuldades financeiras, já que é alto
o custo da celebração, ou por incapacidade do pessoal do terreiro para
oficiar a cerimônia. Na melhor das hipóteses, os otás, pedras sagradas
dos assentamentos, são despachadas com um pouco de canjica,
reaproveitando-se todos os demais objetos sagrados.Hoje, com a grande
e rápida expansão do candomblé, o axexê parece estar em franca
desvantagem com relação às demais cerimônias. Sobretudo em São
Paulo, onde o candomblé não completou sequer cinqüenta anos, poucos
terreiros dispõem de sacerdotes e sacerdotisas capazes de cantar e
conduzir o rito fúnebre, obrigando a comunidade, em caso de morte, a
se valer dos serviços religiosos de pessoa estranha ao terreiro, que
costuma cobrar e cobrar muito caro pelo serviço. Vários adeptos do
candomblé, que se profissionalizam como sacerdotes remunerados,
especializam-se em axexê. São então chamados para a cerimônia
quando um terreiro necessita de seus préstimos. Isto, evidentemente,
encarece muito a cerimônia, o que acaba por inviabilizá-la na maioria
dos casos. Mesmo quando morre um sacerdote dirigente de terreiro, há
grande dificuldade para a realização dos ritos funerários, sobretudo
naquelas situações em que a morte do chefe leva ao fechamento da
casa, provocada tanto por disputas sucessórias, como por apropriação da
herança material do terreiro pela família civil do falecido. Vale lembrar
que se pode contar nos dedos os terreiros que, por todo o Brasil,
sobreviveram a seus fundadores. Em geral, a família do finado não tem
qualquer interesse em realizar o axexê e nem está disposta a gastar
dinheiro com isso. Por outro lado, pouquíssimos pais e mães-de-santo,
sobretudo em São Paulo e no Rio de Janeiro, se dispõe a realizar
qualquer tipo de cerimônia sem o pagamento por parte do interessado,
mesmo quando o interessado é membro de seu próprio terreiro. Muitos
pais e mães-de-santo mantêm terreiros especialmente como meio de
vida, de modo que as regras do mercado suplantam em importância e
sentido as motivações da vida comunitária.Ao que parece, o empenho
das comunidades de culto na realização dos ritos funerários, na maioria
dos casos, é muito reduzido quando comparado com o interesse, esforço
e empenho despendidos nos atos de iniciação e feitura, como se, com a
morte, pouca coisa mais importasse. Cria-se assim uma situação em que
a preocupação em completar o ciclo iniciático vai perdendo importância,
alterando-se profundamente, em termos litúrgicos e filosóficos, a
concepção da morte e, por conseguinte, a própria concepção da vida. Os
conceitos originais africanos de vida e morte vão se apagando e o
candomblé vai cada vez mais adotando idéias mais próximas do
catolicismo, do kardecismo e da umbanda, criando-se, provavelmente,
uma nova religião, que hoje já se esparrama pela cidades brasileiras a
partir de São Paulo e Rio de Janeiro, e que muitos chamam, até
pejorativamente, de umbandomblé, em que os eguns, que são na
concepção ioruba ancestrais particulares de uma específica comunidade,
vão perdendo suas características africanas para se transformar em
entidades genéricas, não ligadas a nenhuma comunidade de culto em
particular, que baixam nos terreiros para "trabalhar", assumindo a
justificativa da caridade, ideal e prática cristã-kardecistas que aos poucos
vão suplantando os modelos africanos de ancestralidade e seus ideais de
culto à origem e valorização das linhagens. Esta nova maneira de pensar
a morte e vida por grande parte dos adeptos do candomblé, sobretudo
os de adesão mais recente, constitui forte razão para a crescente perda
de interesse na realização do axexê para todos os iniciados. Com isso,
certamente, ganham terreno as concepções e ideais da umbanda e
perdem as do candomblé. Isto é o contrário do movimento de
africanização, e já há muito se constituiu num processo oposto, o da
umbandização do candomblé. Sem axexê, a feitura de orixá não faz
sentido, pelo menos nos termos das tradições africanas que deram
origem à religião dos orixás no Brasil. O ciclo simplesmente não se fecha
e repetição mítica, tão fundamental no conceito de vida segundo o
pensamento africano, não pode se realizar.
Jogo de búzios
JOGO DE BÚZIOS
"O jogo de búzios tem por finalidade identificar nosso Orixá
(Ori=Cabeça (física e astral) + Ixá=guardião); ou seja , problemas
de plano astral, espiritual, material e suas soluções". O jogo de búzios é
uma leitura divinatória e esotérica por excelência, utilizado como
consulta, quer seja; para identificar nosso orixá (ori= cabeça +
ixá=guardião), que é a mesma figura do anjo de guarda; a situação
material, astral e espiritual, principalmente com relação a problemas e
dificuldades.
Portanto de uma forma definitiva - ninguém "fala" ao nosso ouvido,
nem Exú e tampouco Oxum, os quais tem forte influência sobre o jogo,
mas não desta forma, se assim fosse, não seria necessário jogá-los.
A leitura esotérica divinatória está diretamente ligada à Òrúnmìlà, cujos
babalorixás, são seus porta-vozes, outras lendas africanas, mostram a
ligação do jogo de búzios com Exú, Oxum e Oxalá. No capítulo destinado
à Ifá e Odù, consta essa estreita relação entre Exú e Ifá.
O jogo de búzios é exclusivo dos candomblecistas praticantes e
reconhecidamente iniciados, fora isso É FARSA, É MENTIRA, É ENGODO.
Os búzios são jogados em número de dezesseis, que correspondem
aos dezesseis odús principais, quer sejam: okaran (exú), ejioko (ogum,
ibeji), etaogunda (obaluayiê, ogun), iorosun (yemanjá, oya), oxê
(oxum), obara (Oxossi, logunedé e xangô), odí omolu oxosse e oxalá),
egionile (oxaguian), ossá (oyá, yewa e yemanjá), ofum (oxalufan),
owarim (oyá, oguy e exu), egilexebora (xangô, oba, iroko), egioligibam
(nanã), iká (ossain e oxumare), obeogundá (ogun, ewá e obá) e alafia
(orixalá, isto é, todos os outros Orixás funfun). Duas formas são as mais
utilizadas, sobre a urupema (peneira (totalmente aboolido em ketou)),
ou sobre erindilogun (fio de contas), que em alguns casos, nele constam
os dezesseis orixás cultuados atualmente no Brasil; igualmente
constam desta parafernália: uma otá, uma vela branca, um adjá (espécie
de sineta) usado para saudar os orixás, abrir o jogo e convocar o eledá
do consulente para que permita uma boa leitura; água; indispensável os
fios de Oxalá e Oxum; um côco de ifá; moedas; favas; obi; orobô; um
imã; uma fava (semente) especial que represente no jogo o eledá
consultado, aforante a isso um preparo do babalorixá, e os orôs (rezas)
necessários.
Para uma boa leitura de búzios, três situações são fundamentais:
1) Conhecimento e aprendizado.
2) Autorização, através de ritual próprio, o qual é ministrado
por sacerdote responsável, tendo o iniciado passado por completo,
com seriedade e merecimento, seu período de iniciação, que são no
mínimo 7 anos.
3) Seriedade do consultor e do consulente.
Esses são pré-requisitos básicos para uma leitura honesta e imparcial.
Muito importante, quem "responde" no jogo de búzios é o orixá
do consulente, ele é quem determina a formação dos búzios para serem
analisados, é uma espécie de permissão, do orixá, para que a situação
do seu filho seja exposta.
A forma de jogo mais usual, é a da leitura por odú, feita pela
quantidade de búzios "abertos" ou "fechados", em que o babalorixá,
deverá efetuar várias jogadas para uma leitura mais completa, em
alguns jogos, cada queda corresponde a um único odú-orixá.
O porque e para que se consultam os búzios ? Pelo mesmo princípio que
se vai ao médico, só vai quem está doente ou para uma avaliação de
rotina, da mesma forma, que só toma remédio quem está doente, só se
deve fazer algo, se houver alguma necessidade.
O futuro - é grande questão dos consulentes, no jogo de búzios,
pode-se fazer "perguntas", cujas respostas não são detalhadas, mas de uma
maneira geral é sim ou não, provável e se não fosse assim não
haveria babalorixá pobre neste mundo, o futuro a Deus pertence, esta é
uma frase sábia que alguém com muita propriedade disse um dia. O
futuro depende muito dos nossos atos presentes, o exercício do nosso
livre arbítrio é constante, nada está definitivamente marcado ou
decidido, a partir do instante que exercemos nossa vontade, podemos
modificar a todo instante nosso futuro; exemplos simples: se alguém fica
doente e acha que é o destino, vai morrer, mas, se procurar um médico,
vai se curar; o futuro foi alterado; assim alguém que perca seu emprego,
se ficar em casa, vai passar fome, se sair e procurar um emprego, terá
grande chance de conseguir e novamente alterar seu futuro; e assim
com tudo na vida; uma grande questão é que muitas pessoas acham que
seu orixá, anjo da guarda ou Deus, tem que saber de tudo, das suas
necessidades, dos seus problemas e simplesmente resolvê-los, antes
assim fosse, porém, mais uma vez é necessário que o nosso livre arbítrio
e o nosso querer, tem que ser constante em nosso dia a dia. Não
podemos esperar que as pessoas "adivinhem" ou saibam o que
estamos querendo ou precisando, se não falarmos, se não nos
comunicarmos, é evidente que se tem uma forma de fazê-lo, sempre
podemos dizer o que pensamos e precisamos, mas de uma forma
correta, não agressiva, coerente. Sempre temos duas chances em cada
situação que nos apresenta, o de sim e o de não, se tentarmos,
porém se não tentarmos, só resta o não. O jogo de búzios, costumo
dizer que é uma ciência exata, sabe-se ou não, não cabe meio termo,
quem sabe, talvez, ou a leitura é a expressão de uma realidade
presente ou não, a forma de checar se um jogo está correto, começa
pela identificação do orixá, a cada orixá corresponde um estereotipo de
caráter e personalidade ao seu "filho", que ao lhe relatar não pode errar
ou fugir das suas principais características, que o babalorixá checa com
o consulente, se tudo corresponde, as demais situações do jogo
também estarão corretas. Porém se observe, que um leitor de jogo de
búzios necessariamente tem que conhecer sobre as características que
os orixás imprimem aos seus "filhos" características estas, que em
alguns casos para o mesmo orixá, tem variantes, pela sua qualidade
apresentada, ou ainda, difere determinadas características, se o "filho"
for do sexo masculino ou feminino, há que se reconhecer uma situação
um pouco complexa, e não poderia ser de outra forma, com todas essas
variantes é um jogo prostituído, isto é, usado de forma inescrupulosa,
leviana, por pessoas totalmente estranhas ao processo, pelos
ignorantes que se julgam conhecê-lo. Com relação ainda à esta situação,
é muito comum alguns iniciados ou até mesmo sacerdotes, que não se
preocuparam muito com o aperfeiçoamento, estudo mais detalhado,
prática exaustiva, incorrem num erro, de conhecer uma pessoa de
determinado orixá, e classificar suas características como definitivas para
aquele orixá, e sempre que ver alguém com aquelas características,
achar que aquela pessoa, também será daquele orixá, generalizando
para sempre todos estes casos e situações; o erro: esta pessoa que
conheceram, pode estar com o orixá errado, pois quem lhe atribuiu este
orixá, não era competente, este é um fato muitíssimo comum.
É uma forma de leitura divinatória, que não massifica, isto é,
uma situação vale para muitos, como no caso do horóscopo, mas usada
de forma individual, como exemplo, o caso de gêmeos, dois ou mais,
nascem no mesmo dia, e no entanto, caráter e personalidade em muitos
casos, totalmente diversos.
As Características dos 16 Odùs do Jogo de Búzios.
1 - OKANRAN
. Fecundação: Olorun fez o homem, que era a sua imagem, chamado
ISELE, que vivia só e pediu-lhe uma companheira. Olorun, então,
chamou Esu para ajudar, no que fosse possível, a ISELE. Esú, porém,
não aceitou as determinações e desobedeceu, insubordinadamente as
ordens de Olorun, este, então, ordenou a Esú que viesse para a terra.
Por sua vez Esú saiu provocando revoltas. Da desobediência e
insubordinação foi parido OKARAN.
Sexo: Feminino
Elemento: Ar/Fogo
Cor: Roxo. Vermelho, Preto, Branco, Azul Índigo
Metal: Ferro
Regência Corpórea: Língua, garganta, voz(ele é líder através da voz) e
respiração ofegante
Doenças: Equizemas, dermatoses, furúnculos, problemas odontológicos
(infecções)
Ewo: Bagre, couve, pegar em caixão com cadáver, sapatos furados e
abóboras
Símbolo gráfico: Perfil de 2 rostos
Síntese:"Com a desgraça dos infelizes se constrói o império dos
poderosos".
"Quem tudo quer tudo perde"
2 - EJI-OKO
Fecundação: oko foi fecundado através da união dos Odu Ose e
Eji-onile
Sexo: Feminino
Elemento: Ar/Terra
Metal: Ferro e Prata
Regência Corpórea: Pênis, testículos, duração de ereção,
estômago(ulcera)
Doenças: Gastrite, estomatite, impotência sexual, inchaço, doença
venérea. todas as doenças estomacais.
Ewo: Cor roxa, miúdos de porco e boi, pimenta de qualquer espécie, ficar
perto de pessoas doentes, carne de porco
Símbolo gráfico: Útero com feto ou um búzio
Síntese: "Em boca calada não entra mosca"
3 - ETA-OGUNDA
Fecundação: Através do peixe, pano branco e areia de praia,
Sexo: Masculino
Elemento: Fogo
Cor: Branco, Azul e Preto (todas as nuances)
Metal: Ferro
Regência Corpórea: Pênis, testículos, estômago e braços
Doenças: Gastrite, ulcera, azia, gastrite, pulmão (infecção), faringite,
amidalite, sinusite, inflamações ósseas,escoriações (por acidente),
fratura dos membros superiores e inferiores.
Ewo: galinha d'angola(comer) arma de fogo(próxima), porta de
botequim, aguidar(no colo), carregar coisas na cabeça, parque de
diversões (para alguns omo)
Símbolo gráfico: Mão direita, empunhando um punhal, do qual descem
gotas de sangue.
Síntese: "Todos os galos que hoje cantam, ainda ontem eram ovos"
4 - IOROSUN
Fecundação: Olorun chamou, mais uma ISELE e o mandou raspar
osun(pó) e colocar num brejo. Da fecundação de Irosun nasceu Nanã,
representada por 7 braços(Nanã Ibain).
Sexo: Feminino
Elemento: Fogo
Cor: Vermelho (em todas as nuances)
Metal: Cobre e Prata
Regência Corpórea: olhos, artérias(sistema circulatório), vesícula, parte
dos intestinos, costas.
Doenças: pele, equizemas, anemia, leucemia, fraturas superiores
(aproximadamente até os 36 anos).
Ewo: pé na lama ou poça d'água, água de lavagem de estabelecimento,
sentar, imediatamente após outra pessoa levantar do lugar, romã, usar
roupas que já foram usadas por outra pessoa.
Símbolo gráfico: forma espiralada
Síntese: "Aquele que fala irrefletidamente assemelha-se ao caçador que
dispara sem apontar"
5 - OSE
Fecundação: A fecundação de Ose foi através de cinco espelhos,
redondos, um pedaço de pano branco, um pedaço de pano amarelo, na
beira de um rio.
Sexo: Masculino
Elemento: Terra/Água
Cor: amarelo e branco são as principais. O preto, roxo e o cinza não se
usa para nada, em relação a este Odu, porém usa-se as demais cores.
Metal: Ouro e latão amarelo
Regência Corpórea: ossos, articulações e cartilagens
Doenças: glaucoma, catarata, astigmatismo, artrite, reumatismo,
osteoporose, acidente(deixando marcas na face), problemas dentários,
fluxo menstrual excessivo ou escasso, problemas no baixo ventre,
problemas no parto, pode gerar mongolóide, gula (trazendo intoxicação)
Ewo: quebrar osso, putrefação, charcos, lodaçais, pântano, objetos de
marfim, caveira de animais sacrificados, chifre de veado, galinha
d'angola(para algumas pessoas) troca-se por galo, sal grosso(para
algumas pessoas).
Símbolo gráfico: Uma lua crescente ou um osso com tutano
Síntese: "Nem tudo que reluz é ouro"
"Quem espera por sapatos de defuntos, a vida toda andará descalço"
6 - OBARA
Fecundação: Foi gerado de um bloco de ouro. Suas arestas representam
a riqueza. Obará fez a fecundação com Eji-Lasebora. De Obará veio Ajé e
de Lasebora veio Araiun, que não toma a cabeça de ninguém, porém
gerou 12 qualidades de Sango e todos os Orisas.
Sexo: Masculino
Elemento: Ar/Água
Cor: Salmon e Azul (em todas as tonalidades)
Metal: Ouro, Ouro branco e platina
Regência Corpórea: rins e aparelho urinário
Doenças: infecção urinária, parto, dores fortes, de cabeça, circulação
sanguínea. depressão, testículos.
Ewo: emprestar dinheiro, roupa usada por outrem, contato com miséria,
dar esmola, jogo de carteado, gente bêbada
Símbolo gráfico: Uma corda, vertical, de 6 metros de comprimento, com
6 nós
Síntese: " Quem come e guarda, tem mesa duas vezes"
"Da mentira nasce a verdade"
"a natureza deu-nos duas orelhas e uma só boca, para nos advertir que
se impões mais ouvir do que falar"
7 - ODI
Fecundação: Água, farofa, níquel e prata fecundaram Odi, este
enamorou-se por Eta-Ogunda e nasceu Iemonja e Osoguyan. Odi pariu
Osumare e Eta-Ogunda gerou Yemonja e Anibein e destes nasceram
Ogun Torininan e Agbalaju (Ogunja)
Sexo: Feminino
Elemento: Terra
Cor: Preto e todo quadriculado que tenha o fundo preto
Metal: Estanho
Regência Corpórea: nádegas, pele
Doenças: Todas de pele, Aids, nas nádegas, câncer de pele
Ewo: dar e vestir roupas usadas para e de outra pessoa, roupas
remendadas, travesseiro usado por outra pessoa,tecidos berrantes
Símbolo gráfico: Nádegas
Síntese: " Quanto maior o coqueiro, maior o tombo"
" A alma não tem segredos que a conduta não revele" (Esse é lindo)
8 - EJI-ONILE
Fecundação: Isele levou ao alto de uma montanha, um quadrúpede e o
ofereceu em holocausto, surgindo então Eji-Onile que gerou Kinaman.
Sexo: Masculino
Elemento: Água
Cor: Branco
Metal: Chumbo
Regência Corpórea: sistema respiratório, coluna vertebral, artéria (sem o
sangue)
Doenças: Cólicas (gerais)
Ewo: carne seca, maxixe, taioba, inhame
Símbolo gráfico: Um círculo vazio
Síntese: " O afobado come cru e passa mal"
" Quem quer tudo o que vê, não vê o que quer"
9 - OSA
Fecundação: Foi fecundado através da união da papoula vermelha com
pano vermelho. Este Odu gerou Oya.
Sexo: Feminino
Elemento: Terra
Cor: Vermelho, branco e azul
Metal: Prata e Cobre
Regência Corpórea: todos os órgãos, principalmente as vísceras, olhos,
as fossas nasais, os lábios, as coxas, as pernas e os pés, genitália
feminina
Doenças: paralisia, estrabismo, alguns tipos de câncer
Ewo: visitar ou estar com mulher grávida, velhos
Símbolo gráfico: Lua minguante com um rosto saindo dela
Síntese: "Quem espera sempre alcança"
10 - OFUN
Fecundação: Olorun ordenou a Isele que raspasse efun e misturasse com
o orvalho e a neblina, fecundando dessa forma Ofun. Ofun gerou Osala e
Oduduwa
Sexo: Feminino
Elemento: Fogo
Cor: Branco
Metal: Chumbo e estanho
Regência Corpórea: pernas, joelho, barriga, umbigo
Doenças: inchaço nas pernas, pulmonares, sangue grosso, sudorese,
esclerose, artrose, colesterol alto, diabetes mielites
Ewo: pano preto, vermelho, azeite de dendê, carvão. galo (qualquer cor)
Símbolo gráfico: Quadrúpede todo branco ou um casal de anciãos
11- OWONRIN
Fecundação: Foi fecundado através do pano preto, vermelho, branco,
água, mel e cachaça, numa encruzilhada de quatro pontas.
Sexo: Feminino
Elemento: Fogo
Cor: todas as cores sempre em número de seis
Metal: Ferro e cobre
Regência Corpórea: mãos, pés, articulações
Doenças: cólicas menstruais, leucemia, envenenamento (causando
morte)
Ewo: roupa em tecido xadrez, peixe "vermelho", escada de madeira
(subir), coco, peixe "corvina"
Símbolo gráfico: Três triângulos superpostos
Síntese: " Devagar se vai ao longe"
12 - EJI-LASEBORA
Fecundação: Sua fecundação deu-se através de raios e trovões
Sexo: Masculino
Elemento: Ar e fogo
Cor: Cobre, Grená, Dourado e Branco
Metal: Cobre
Regência Corpórea: rins
Doenças: renais, hipertensão, alcoolismo, dores de cabeça forte,
problemas mentais, provocados por pancada na cabeça
Ewo: cor vermelha (para alguns), louça quebrada, pepino, molho de
pimenta, batata inglesa (pegar), gema de ovo(para alguns), magnólia
(flor)
Símbolo gráfico: Uma fogueira, com 12 dormentes ou 12 quiabos,
formando uma coroa
Síntese: " Quem come o mel sozinho, faz doer seu estômago"
13 - EJI-OLOGBON
Fecundação: Sua fecundação se deu com a união de água de mangue,
terra e barro.
Sexo: Feminino
Elemento: Terra e Água
Cor: Preto
Metal: Ferro (em pó)
Regência Corpórea: ossos (juntas), cartilagens, unhas, cabelos.
Doenças: dores, generalizadas, pelo corpo, artrite, artrose, reumatismo,
dores na coluna.
Ewo: lixo, por muito tempo, em casa, lama de mangue, assobios,
cemitério
Símbolo gráfico: Um círculo negro
Síntese: " Chifres em cabeça de burro"
14 - IKA-ORI
Fecundação: Este Odu foi fecundado pela serpente encantada - OKÁ- ,
para destruir Isele
Sexo: Masculino
Elemento: Terra e Água
Cor: Todas as cores, preferência pelo preto, vermelho e azul
Metal: Cobre, ferro e latão misturados
Regência Corpórea: Vértebras(movimentos, olhos, atua também sobre
os seguintes casos: cirurgia geral, gravidez, provocando aborto
Doenças: buco-faciais, glaucoma, catarata, gengiva, coluna, nevralgias
Ewo: mata escura, gato dentro de casa, cachorro, cabra
Síntese: " Em terra de sapo, de cócoras com ele"
15- OGBE-OGUNDA
Fecundação: Sua fecundação deu-se através da união de akasa brancos
e amarelos, próximo a uma jazida de ferro.
Aí, então, foi gerado o primeiro Ogun.
Sexo: Feminino
Elemento: Terra (negra ou avermelhada)
Cor: Terracota, vermelho caboclo e marrom avermelhado
Metal: Prata e Ferro
Regência Corpórea: pernas, olhos, tórax, lábios e orelha
Doenças: Glaucoma, catarata, vitiligo, estrabismo, qualquer doença
torácica
Ewo: animal de pelo escuro (em casa), faca para sacrifício (usar),
pássaros engaiolados
Símbolo gráfico: Uma hiena
Síntese: " Devagar e sempre"
16 -ALÁFIA
Fecundação: Sua fecundação deu-se pela união do algodão, Efum,
níquel e estanho
Sexo: Feminino
Elemento: Terra e Ar
Cor: Branca, principalmente e também azul e vermelho
Metal: Marfim (embora não seja metal é o principal representante),
chumbo e estanho
Regência Corpórea: Todo corpo humano
Doenças: toda e qualquer doença
Símbolo gráfico: Um círculo, vazio, representando o mundo espiritual,
dentro deste um quadrado que representa o mundo material.
Oriki
ORÌSÁS
Iba Esù Odara
Esu Odara, inclino-me.
A Ba Ni Wa Oran Ba O Ri Da
Ele procura briga com alguém e encontra o que fazer.
O San Sokoto Penpe Ti Nse Onibode Olorun
Ele veste uma calça pequena para ser guardião na porta de Deus.
Oba Ni Ile Ketu
Rei da terra de Ketu.
Alakesi Emeren Aji E Aji E M(u) Ògùn
Aquele a quem se convida e que, tão logo acorda, toma um remédio.
Ele reforma Benin.
Laguna Jo Igbo Bi Orò
Laguna queima o mato como oro.
Esù Foli Fò O Fi Ókò Fo Oju Anan Re
Esu arrebenta facilmente os olhos de seus sogros com uma pedra.
L A Nyan Hamana
Ele caminha movendo-se com altivez.
Ika Kò Boro Boro
O malfeitor não morre depressa.
Kò Là Kò Rà O Ba Ona Oja Ile Su
Ele faz com que no mercado nada se compre e nada se venda.
Agbo L Ara A Yaba Má Pa ( Mo) Abemu
Agbo faz com que a mulher do rei não cubra a nudez de seu corpo.
O Se Firi Oko Ero Oja
Ele se torna rapidamente o senhor daqueles que passam pelo mercado.
Bara Fi Imu Fon Awon Sebi Okò L O Si
Quando Bara assoa o nariz, todo mundo acredita que o trem vai partir.
Ero Palemo Wara Wara
Os passageiros preparam-se rapidamente.
Osinmoleba
O próximo a Deus
Aquele que tem água em casa, mas prefere banho com sangue
Olaso Ni Le
Aquele que tem roupa em casa
Fi Imo Bora
Mas prefere se cobrir de mariwô
La Ka Ayê
Poderoso do mundo
Moju Re
Eu o saúdo
Ma Je Ki Nri Ija
Que eu não depare com sua ira
Iba Ògún Eu saúdo Ogun
Iba Re Olomi Ni Le Fi Eje
Eu o saúdo, aquele que tem água em casa,mas prefere banho de sangue
Feje We. Eje Ta Sile. Ki Ilero
Que o sangue caia no chão para que haja paz e tranqüilidade
Ase
Axé
Òsoosì. Oxosse !
Awo Òde Ìjà Pìtìpà. Ó orixá da luta,
Omo Ìyá Ògún Oníré. irmão de Ògún Onírè.
Òsoosì Gbà Mí O. Oxosse, me proteja !
Òrìsà A Dínà Má Yà.
Orixá que tendo bloqueado o caminho, não o desimpede.
Ode Tí Nje Orí Eran.
Caçador que come a cabeça dos animais.
Eléwà Òsòòsò.
Orixá que come ewa osooso.
Òrìsà Tí Ngbélé Imò,
Orixá que vive tanto em casa de barro
Gbe Ilé Ewé.
como em casa de folhas.
A Bi Àwò Lóló. Que possui a pele fresca.
Òsoosì Kì Nwo Igbó, Oxosse não entra na mata
Kí Igbo Má Aì Tìtì. sem que ela se agite.
Ofà Ni Mógàfí Ìbon,
Ofà é a arma poderosa que o pai usa em lugar de espingarda.
O Ta Ofà Sí Iná,
Ele atirou a sua flecha contra o fogo,
o fogo se apagou de imediato.
O Tá Ofà Sí Oòrùn, Atirou sua flecha contra o sol,
Oòrùn Rè Wèsè. O sol se pos.
Ogbàgbà Tí Ngba Omo Rè. Ó salvador, que salva seus filhos !
Oní Màríwò Pákó. Ó senhor do màrìwó pákó !
Ode Bàbá Ò. Meu pai caçador
O Dé Ojú Ogun, chegou na guerra,
O Fi Ofà Kan Soso Pa Igba Ènìyàn. matou duzentas pessoas com uma única flecha.
O Dé Nú Igbó, Chegou dentro da mata,
O Fi Ofà Kan Soso Pa Igba Eranko.
usou uma única flecha para matar duzentos animais selvagens.
A Wo Eran Pa Sí Ojúbo Ògún Lákayé,
Arrasta um animal vivo até que ele morra e o entrega no ojubo de Ogum.
Má Wo Mí Pa O.
Não me arraste até a morte.
Má Sì Fi Ofà Owo Re Dá Mi Lóró.
Não atire sofrimentos em minha vida, com seu Ofà.
Odè Ò, Odè Ò, Odè Ò, Ó Odè! Ó Odè! Ó Odè!
Òsoosì Ni Nbá Odè Inú Igbo Jà,
Dentro da mata, é Oxosse que luta ao lado do caçador
Wípé Kí Ó De Igbó Re.
para que ele possa caçar direito.
Òsoosì Oloró Tí Nbá Oba Ségun,
Oxosse, o poderoso, que vence a guerra para o rei.
O Bá Ajé Jà, Lutou com a feiticeira
O Ségun. e venceu.
Òsoosì O ! Ó Oxosse,
Má Bà Mi Jà O. não brigue comigo.
Ogùn Ni O Bá Mi Se O. Vence as guerras para mim
Bí O Bá Nbò Láti Oko. Quando voltar da mata,
Kí O Ká Ilá Fún Mi Wá. Colhe quiabos para mim.
Kí O Re Ìréré Ìdí Rè. e, ao colhê-los, tire seus talos.
Má Gbàgbé Mi O, Não se esqueça de mim.
Ode Ò, Bàbá Omo Kí Ngbàgbé Omo. Ó Odè, um pai não se esquece do filho.
Agbénigi, Òrómodìe Abidi Sonso
Aquele que vive na arvore e que tem um rabo pontudo como um pinto
Esinsin Abedo Kinnikinni
Aquele que tem o fígado transparente como o da mosca
Kòògo Egbòrò Irin
Aquele que é forte quanto uma barra de ferro
Aképè Nìgbá Ò Ràn Kó Sunwòn
Aquele que é invocado quando as coisas não estão bem
Tíoto Tin, Ó Gbà Aso Òkùnrùn Ta Gìègìè
O esbelto que, quando recebe a roupa da doença, se move como se fosse cair
Elésè Kan Jù Elésè Méjì Lo
O que tem só uma perna e mais poderoso do que tem duas
Aro Abi-oho LièlièO
Fraco que possui um pênis fraco
Ewé Gbogbo Kíki Oògùn
Todas as folhas tem viscosidade que se tornam remédio
Àgbénigi, Èsìsì Kosùn
Agbénigi, o Deus que usa palha
Agogo Nla Se Erpe Agbára
O grande sino de ferro que soa poderosamente
O Gbà Wón Lá Tán, Wón Dúpé Téniténi
A quem as pessoas agradecem sem reservas depois que ele humilha as doenças
Àròni que pula no poço com amuletos no peito
Elésè Kan Ti Ó Lé Elésè Méji Sáre.
O homem de uma perna que incita o de duas para correr.
Orìsà Jìngbìnì Orixá forte
Abàtà, Arú Bí Ewè Ajó
Abatá que floresce exuberante como as folhas da árvore ajó
Orisá Tí Nmú Omo Mú Ìyá
Orixá que pune a mãe juntamente com o filho
Bí Obaluayê Bá Mú Won Tún
Depois que Obaluaê acabar de castigá-los
O Tún Lè Sáré Lo Bábá Ainda poderá castigar o pai
Orìsà Bí Àjé
Orixá semelhante a uma feiticeira
Obaluayê mo Ilé Osó, Ó Mo Ilé Àjé
Obaluaê conhece tanto a casa do feiticeiro como a da bruxa
O Gbá Osó L’Ójú, Desafiou o feiticeiro
Osó Kún Fínrínfínrín E este correu desesperado
Matou todas as bruxas permitindo que apenas uma vivesse
Orìsà Jìngbìnì Orixá forte
Obaluayê A Mú Ni Toùn Toùn
Obaluaê, que faz as pessoas perderem a voz
Obaluayê SSí Odù Re Hàn Obaluaê, abra seu odu para mim
Kí Ndi Olówó
Para que eu seja uma pessoa próspera
Kí Ndi Olomo
Para que eu seja uma pessoa fértil.
Osumare A Gbe Orun Li Apa Ira
Osumare permanece no Céu que ele atravessa com o braço
Ile Libi Jin Ojo<o:p></o:p> Ele faz a chuva cair na terra.
O Pon Iyun Pon Nana
Ele busca os corais, ele busca as contas nana
O Fi Oro Kan Idawo Luku Wo Com uma palavra ele examina Luku
Ele faz isso perante seu rei
Oluwo Li Awa Rese Mesi Eko Ajaya Chefe a quem adoramos
Baba Nwa Li Ode Ki Awa Gba Ki
O pai vem ao pátio para que cresçamos e tenhamos vida
A Pupo Bi Orun Ele é vasto como o céu
Olobi Awa Je Kan Yo
Senhor do Obi, basta a gente comer um deles para ficar satisfeito
O De Igbo Kùn Bi Ojo
Ele chega à floresta e faz barulho como se fosse a chuva
Okó Ijoku Igbo Elu Ko Li Égùn
Esposo de Ijo, a mata de anil não tem espinhos
Okó Ijoku Dudu Oju E A Fi Wo Ran
Esposo de Ijoku, que observa as coisas com seus olhos negro.
Okiti Kata, Ekùn A Pa Eran Má Ni Yan
Okiti Katala leopardo que mata um animal e o come sem assá-lo.
Olu Gbongbo Ko Sun Ebi Eje
Dono de uma bengala, não dorme e tem sede de sangue.
Gosungosun On Wo Ewu
KO Pá Eni Ko Je Oka Odun
Ele só poderá comer massa no dia da festa, se tiver matado algúem.
A Ni Esin O Ni Kange
Ele tem o cavalo, ele tem o quizo.
Odo Bara Otolu Rio
Omi a Dake Je Pa Eni
Água adormecida que mata alguém sem preveni-lo
Omo Opara Ogan Ndanu Filho de Opara
Sese Iba O Orixá, respeito
Iba Iye Ni Mo Mo Je Ni Ko Je Ti Aruní Louvo a vida e não a cabeça
Emi Wa Foribale Fun Sese Venho prosternar-me diante do Orixá.
Oluidu Pe O papa
Presto homenagem aos ancestrais.
Ele Adie Ko Tuka
Aquele que tem frango, não depena vivo
Yeye Mi Ni Bariba Li Akoko
Minha mãe estava primeiramente em Bariba
Emi Ako Ni Ala Mo Le Gbe Agada Eu o primeiro a poder usar a espada.
Emi A Wa Kiyà Onile Ki Ile
Oyà A To Iwo Efòn Gbé.
Ela é grande o bastante para carrega o chifre do búfalo.
Oyà Olókò Àra.
Oyà, que possui um marido poderoso.
Obìnrin Ogun, Mulher guerreira.
Obìnrin Ode. Mulher caçadora.
Oya Òrírì Arójú Bá Oko Kú.
Oyà, a charmosa, que dispõe de coragem para morrer com seu marido.
Iru Èniyàn Wo Ni Oyà Yí N Se, Se? Que tipo de pessoa é Oyà?
Ibi Oya Wà, Ló Gbiná. O local onde Oyà está, pega fogo
Obìnrin Wóò Bi Eni Fó Igbá.
Mulher que se quebra ao meio como se fosse uma cabaça
Oyà tí awon òtá rí,
Oyà foi vista por seus inimigos
Tí Won Torí Rè Da Igbá Nù Sì Igbó.
E eles, assustados, fugiram atirando as bagagens no mato
Héèpà Héè, Oya ò! Eeepa He! Oh, Oyà!
Erù Re Nikan Ni Mo Nbà O. És a única pessoa que temo
Aféfé Ikú. Vendaval da Morte
Obìnrin Ogun, Ti Ná Ibon Rè Ní À Ki Kún A mulher guerreira que carrega sua arma de fogo
Oyà ò, Oyà Tótó Hun!
Oh, Oyà, à Oyà respeito e submissão!
Oyà, A P’Agbá, P’Àwo Mó Ni Kíákíá, Ela arruma suas coisas sem demora
Kíákíá, Wéré Wéré L’ Oyà Nse Ti È Rapidamente Oyà faz suas coisas
A Rìn Dengbere Bíi Fúlàní.
Ela vagueia com elegância, como se fosse uma nômade fulani
O Titi Tí Nfi Gbogbo Ará Rìn Bí Esin
Quando anda, sua vitalidade é como a do cavalo que trota
Héèpà, Oya Olómo Mesan, Ibá Re Ò! Eeepa Oya, que tem nove filhos, eu te saúdo!
Obà, Obà, Obà. Obá, Obá, Obá.
Ojòwú Òrìsà, Orixá ciumento,
Eketà Aya Sàngó. terceira esposa de Xangô.
O Torí Owú, Ela, que por ciumes,
O Kolà Sí Gbogbo Ara. fez incisões em todo corpo.
Olókìkí Oko.
Que fala muito de seu marido,
A Rìn Lógànjó Pèlú Àwon Ayé. que anda nas madrugadas com as ayé.
Obà Anísùru, Ají Jewure.
Obá paciente, que come cabrito logo pela manhã.
Obà Kò B'óko Dé Kòso, Obá não foi com o marido a Koso,
O Dúró, Ó Bá Òsun Rojó Obe.
ficou para discutir com Oxum sobre comida.
Obà Fiyì Fún Apá Oko Rè. Obá valoriza os braços do marido,
Oní Ó Wun Òun Ju Gbogbo Ará Yókù diz que é a parte de seu corpo que ela prefere.
Obà Tó Mo Ohùn Tó Dára. Obá sabe o que é bom.
Òsun Òpàrà Yèyé Òpàrà ! Yèyé Opàrà !
Obìnrin Bí Okùnrin Ní Òsun
Oxum é uma mulher com força masculina.
A Jí Sèrí Bí Ègà.
Sua voz é afinada como o canto do ega.
Yèyé Olomi Tútú.<o:p></o:p> Graciosa mãe, senhora das águas frescas.
Opàrà Òjò Bíri Kalee.
Opàrà, que ao dançar rodopia como o vento, sem que possamos vê-la.
Agbà Obìnrin Tí Gbogbo Ayé N'pe Sìn.
Senhora plena de sabedoria, que todos veneramos juntos.
Ó Bá Sònpònná Jé Pétékí. Que como pétékí com Xapanã.
O Bá Alágbára Ranyanga Dìde.
Que enfrenta pessoas poderosas e com sabedoria as acalma.
Òsun Iponda
Oliri Pa Koko Eni Pon
Poderosa, não empurre o povo de Iponda.
O Ri Onise Oba Ayi Kase
Ela recebe o mensageiro do rei sem respeitá-lo
O Je Dandan Oloran
Ela aceita as palavras do queixoso
O Fi Aja Wà Inu Eke Wò
Com sua sineta ela fura o ventre mentiroso.
Não se pode carregar debaixo do braço o filho da mata de Iponda.
Òsun Ijumu
Osun Ijumu Olodó Ide
Osun Ijumu, dona de um pilão de cobre.
OIya Ijumu Alaiye Ma Gun Odó Poro Osun Ijumum não monta com vivacidade no pilão
Efon Tere Mò Gun Àiyé
POsun pode surgir subitamente no mundo.
Eyín Fe Ki Efon Ki O Na Mi Vocês querem que Osun me castigues.
Eyín Fe O Fi Owo Ye Ko Mi Mò
Deixem a criança rodear meu corpo com sua mãos
Owo Omo Ye Ki Dun Eni A mão da criança é suave
Efon A Ke Ki Dun Enia Osun é suave.
Efon Li O Ni Igbo Obi
Osun é a dona da floresta de Obi.
Iwo Li O Ni Igbo Atare
A floresta de pimenta pertence a você
Baba Nwa Li Ode Ki Awa Gba Ki
Ganagana Bi Ninu Elomi Ninu
Um orgulhoso fica infeliz se um outro esteja contente
A Se Okùn Soro Èsinsin
É difícil fazer uma corda com as folhas espinhosas da urtiga
Tima Li Ehin Yeye Re
Montado de cavalinho sobre as costas de sua mãe
Okansoso Gudugu
Ele é sozinho, ele é muito bonito
Oda Di Ohùn
Até a voz dele é agradável
O Ko Ele Pé Li Aiya
Não se coloca as mãos sobre o seu peito
Ala Aiya Rere Fi Owó Kan
Ele tem um peito que atrai as mãos das pessoas
Ajoji De Órun Idi Agban
O estrangeiro vai dormir sobre o coqueiro
Ajongolo Okunrin Homem esbelto
Apari O Kilo Òkò Tímotímo
O careca presta atenção à pedra atirada certeiramente
O Ri Gbá Té Sùn Li Egan
Ele acha duzentas esteiras para dormir na floresta
Acordá-lo bem é o suficiente
A Ri Gbamu Ojiji
Nós somente o vemos e o abraçamos como se ele fosse uma sombra
Okansoso Orunmila A Wa Kan Mà Dahun
Somente em Orunmila nós tocamos, mas ele não responde
O Je Oruko Bi Soponna / Ele tem um nome como Soponna /
Soro pe on Soponna e nià hun É difícil alguém mau chamar-se Soponna
Odulugbese Gun Ogi Órun Devedor que faz pouco caso
Odolugbese Arin Here Here
Devedor que anda rebolando displicentemente
Olori Buruku O Fi Ori Já Igi Odiolodi Ele é um louco que quebra a cerca com a cabeça
O Fi Igbegbe Lù Igi Ijebu
Ele bate com seu papo numa árvore Ijebu
O Fi Igbegbe Lú Gbegbe Meje Ele quebrou sete papos com o seu papo
Orogun Olu Gbegbe O Fun Oya Li O
A segunda mulher diz ao papo para usar um pente (para desinchar o papo)
Odelesirin Ni Ki O Wá On Sila Kerepa
Um louco que diz que o procurem lá fora na encruzilhada
Agbopa Sùn Kakaka
Aquele que tem orquite ( inflamação dos testículos) e dorme profundamente
Oda Bi Odundun
Jojo Bi Agbo Altivo como o carneiro
Elewa Ejela
Pessoa amável anteontem
O Gbewo Li Ogun O Da Ara Nu Bi Ole
Ele carrega um talismã que ele espalha sobre o seu corpo como um preguiçoso
O Gbewo Li Ogun O Kan Omo Aje Niku
Ele carrega um talismã e briga com o filho do feiticeiro dando socos
A li Bilibi Ilebe Ele veste boas roupas
O Ti Igi Soro Soro O Fibu Oju Adiju
Com um pedaço de madeira muito pontudo ele fere o olho de um outro
Koro Bi Eni Ló O Gba Ehin Oko Mà Se Ole
Rápido como aquele que passa atrás de um campo sem agir como um ladrão
O Já Ile Onile bó ti re lehin
Ele destrói a casa de um outro e com o material cobre a sua
A Li Oju Tiri Tiri
Ele tem olhos muito aguçados
O Rí Saka Aje O Dì Lebe
Ele acha uma pena de coruja e a prende em sua roupa
O Je Owú Baludi
Ele é ciumento e anda "rebolando" displicentemente
O Kó Koriko Llehin Ele recolhe as ervas atrás
O Kó Araman Lehin Ele recolhe as ervas atrás
Ele anda "rebolando" desengonçado para ir ao pátio interior de um outro
Òjo Pá Gbodogi Ró Woro Woro
A chuva bate na folha de cobrir telhados e faz ruído
O Pà Oruru Si Ile Odikeji
Ele mata o malfeitor na casa de um outro
O Kó Ara Si Ile Ibi Ati Nyimusi
Ele recolhe o corpo na casa e empina o nariz
Ole Yo Li Ero
O preguiçoso está satisfeito entre os passantes
O Dara De Eyin Oju Ele é belo até nos olhos
Okunrin Sembeluju Homem muito belo
Ogbe Gururu Si Obè Olori
Ele coloca um grande pedaço de carne no molho do chefe
A Mò Ona Oko Ko Nló
Ele conhece o caminho do campo e não vai lá
A Mo Ona Runsun Rdenreden Ele conhece o caminho runsun redenreden
O Duro Ti Olobi Kò Rà Je
Ele está ao lado do dono dos obi e não os compra para comer
Rere Gbe Adie Ti On Ti Iye O gavião pega o frango com as penas
O Bá Enia Jà O Rerin Sún
Ele briga com qualquer um e ri estranhamente
O Se Adibo O Rin Ngoro Yo
Ogola Okun Kò Ka Olugege Li Òrùn
Sessenta contas não podem rodear o pescoço de um papudo
Olugege Jeun Si Okurú Ofun
O papudo come no inchaço de sua garganta
O Já Gebe Si Orún Eni Li Oni
Ele quebra o papo do pescoço daquele que o possui
O dahun agan li ohun kankan
Ele dá rapidamente crianças às mulheres estéreis
O Kun Nukuwa Ninu Rere
Ele guarda seus talismãs numa pequena cabaça
Ale Rese Owuro Rese /
A noite coisa sagrada, de manhã coisa sagrada /
Ere Meji Be Rese
Duas vezes assim coisa sagrada
Koro Bi Eni Lo
Rápido como alguém que parte
Arieri Ewo Ala
A proibição do pássaro branco é o pano branco
Ala Opa Fari
Ele mexe os braços fantasiosamente
Oko Ahotomi Marido de Ahotomi Oko Fegbejoloro Marido de Fegbejoloro Oko Onikunoro Marido de Onikunoro Oko Adapatila Marido de Adapatila
Soso Li Owuro O Ji Gini Mu Òrún
Bem desperto, ele acorda de manhã já com o arco e flecha no pescoço
Rederede Fe O Ja Kùnle Ki Agbo
Como um louco ele se debate para colocar os joelhos no chão, como o carneiro
Oko Ameri Èru Jeje Oko Ameri Marido de Ameri que dá mêdo
Ekùn O Bi Awo Fini Leopardo de pele bonita
Ogbon Iyanu Li Ara Eni Iya Ti Nje
Ele expulsa a infelicidade do corpo de alguém que tem infelicidade
O Wi Be Se Be
Orgulhoso que possui um corpo muito belo
Sakoto Abi Ara Finià Assim ele diz e assim ele faz
Sángiri-làgiri,
Que racha e lasca paredes
Olàgiri-kàkààkà-kí Igba Edun Bò
Ele deixou a parede bem rachada e pôs ali duzentas pedras de raio
O Jajú Mó Ni Kó Tó Pa Ni Je
Ele olha assustadoramente para as pessoas antes de castigá-las
Ó Ké Kàrà, Ké Kòró Ele fala com todo o corpo
S’ Olórò Dí Jínjìnnì
Ele faz com que a pessoa poderosa fique com medo
Eléyinjú Iná
Seus olhos são vermelhos como brasas
Abá Won Jà Mà Jèbi
Aquele que briga com as pessoas sem ser condenado porque nunca briga injustamente
Iwo Ní Mo Sá Di O
É em ti que busco meu refúgio.
Sango Ona Mogba Bi E Tu Bá Wó Ile
Se um antílope entrar na casa
Jejene Ni Mú Ewure A cabra sentirá medo.
Bi Sango Bá Wó Ile Se Sango entra na casa
Jejene Ni Mú Osa Gbogbo Todos os Orisa sentirão medo.
OFÒ FÚN ÒRÌSÁNLÁ