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Dívida Pública de Minas

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Academic year: 2021

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Dívida Pública

de Minas

O que você precisa saber

Como tudo começou

1) Em 18/02/1998, na adminis-tração Eduardo Azeredo, o Governo de Minas Gerais firmou com o Governo Federal, presidido por Fernando Hen-rique Cardoso, um acordo relativo ao refinanciamento de sua Dívida Pública.

2) O total da dívida refinanciada com a União, no contrato, foi, na ver-dade, de R$ 13.556,4 milhões, incluin-do R$ 4.344,3 milhões relativos ao fi-nanciamento para o saneamento dos bancos. Outras dívidas, não assumidas pela União, mas incluídas no limite de 13% da Receita Líquida Real para cal-cular o pagamento dos encargos (Lei 8727/93, Lei 7976/89, Dívida externa até 30/01/1991, Eurobônus e

CEF/Cre-direal), totalizaram R$ 2.612,5 milhões. O total da dívida renegociada atingiu, portanto, R$ 16.168,9 milhões.

3) O contrato de refinanciamen-to da dívida estabelecido foi pelo prazo de 30 anos.

4) O esquema de amortização adotado foi a tabela Price – um sistema que utiliza juros compostos e parcelas fixas com previsão de limite de com-prometimento da Receita Pública da ordem de 13% e de encargos de 7,5% de juros ao ano, mais a inflação medi-da pelo índice IGP-DI – Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna, cal-culado pela Fundação Getúlio Vargas.

Advertências sobre os riscos não faltaram

5) Abundante sinalização foi emi-tida na ocasião, por Parlamentares, es-pecialistas em finanças públicas, enti-dades representativas dos servidores públicos na área financeira, a respei-to das gravíssimas consequências do acordo em questão, apontado como extremamente lesivo aos interesses mineiros.

6) O Governador Itamar Franco, sucessor do Governador Eduardo Aze-redo, valendo-se dos mesmíssimos ar-gumentos expostos pelos setores acima mencionados, denunciou a nocividade do acordo pactuado em 1998 pelas lide-ranças estadual e federal do PSDB, sen-do alvo de represálias administrativas e de críticas pelas posições assumidas.

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As condições leoninas do Acordo

Dívida não para de crescer

9) Em 2010, nada obstante os juros

e as amortizações, a dívida com a União já havia chegado a R$ 54.8 bilhões.

10) Em 2011, pagos só em juros 3,9 bilhões, o saldo devedor atingiu 59,4 bilhões.

7) O contrato, efetivado - como já se viu - em condições leoninas, desfavoráveis a Minas, pelos Governos Eduardo Azeredo e Fernando Henrique Cardoso, foi submeti-do, além do mais, por efeitos da chamada Lei Kandir, promulgada na mesma ocasião, a outros impactantes gravames. Com a de-soneração das exportações e abertura das possibilidades de aproveitamento do cré-dito de ICMS em bens do ativo e de uso e consumo, decorrentes da lei, Minas perdeu receitas, por um lado, assumindo, por outro lado, obrigações pesadíssimas em função das escorchantes cláusulas vigorantes no acordo.

8) Argumentou-se, enganosamente, naquele momento, que o refinanciamento nos termos acordados representava a

úni-ca saída para o problema. Cabe recordar o diferencial de tratamento adotado, então, pelo Governo Federal, a setores da iniciati-va priiniciati-vada. Naquele período foi que se criou o PROER para resolver o problema das dí-vidas do segmento bancário. O período foi marcado pela concessão de anistias tribu-tárias em volume expressivo, com a anula-ção de créditos fiscais constituídos. Ocorre-ram, também, reduções nas tributações das grandes empresas e bancos, refinanciamen-to de dívidas tributárias, com extensão do recebimento dos créditos, assegurando-se expressivas vantagens para o devedor, além de renúncias fiscais pela União de receitas significativas, que poderiam vir a ser empre-gadas no fomento da economia, dentre ou-tras muitas questionáveis concessões.

Dívida com a CEMIG, outra situação preocupante

12) Além da dívida com a União, o Estado de Minas possui uma dívida de montante bem elevado com a CEMIG, empresa da qual o Governo é o acionista majoritário. A dívida no caso, envolven-do correções altíssimas, só faz crescer o tempo todo, tendo atingido, em dezem-bro de 2011, o valor de R$5.58 bilhões (ou R$5.580 milhões).

13) Neste ano de 2012, existe uma previsão de pagamento de R$ 203 mi-lhões do saldo devedor concernente à CEMIG. Esse valor equivale a 3.6% do total da dívida em dezembro de 2011. O contrato entre o Governo e a CEMIG es-tabelece juros de 8.18% ao ano.

11) Boa parte da dívida de Minas está vinculada ao saneamento de bancos estadu-ais, com históricos aberrantes de negligência administrativa, que acabaram repassados à iniciativa privada em condições que carecem até hoje de explicações convincentes.

14) A análise dos números, no que diz respeito à CEMIG, revela que o Gover-no não vem conseguindo pagar sequer a metade dos juros da dívida. Mais: que o valor global da dívida supera o valor da participação do Estado na composição acionária.

15) Seja recordado também que o Governo Itamar Franco, sucessor do Go-verno Eduardo Azeredo, debaixo de uma saraivada de críticas do PSDB, denun-ciou a relação estranha do Estado com a CEMIG, antepondo-se à manifesta dispo-sição das lideranças políticas do partido citado em entregar o comando da institui-ção a empreendedores privados.

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O mito do “déficit zero”

O posicionamento do Deputado Adelmo Leão

Ameaça de bancarrota

18) A primeira conclusão extraída dos fatos é de que a dívida, nas condi-ções em que foi pactuada pelos Gover-16) Os números da dívida (sempre crescente) do Estado para com a União, objeto como já dito de repactuação feita em termos claramente prejudiciais aos in-teresses de Minas, pelos Governos Edu-ardo Azeredo e Fernando Henrique Car-doso, bem como da dívida também do Estado com a CEMIG fizeram cair por

ter-17) Inteirado dessas informações, de dados e números inquietantes, inexpli-cavelmente não trazidos ao conhecimento público pelo Governo de Minas – Governo este inebriado com a ilusória sensação do “déficit zero” incessantemente alardeado -, o Deputado Estadual Adelmo Carneiro Leão, da bancada do PT na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, promoveu uma investigação aprofundada da ques-tão. Compulsou exaustivos relatórios, ouviu especialistas, recolheu material pre-cioso, extremamente elucidativo, produ-zido pelos infatigáveis dirigentes do con-ceituado Movimento “Auditoria Cidadã”, chegando a conclusões perturbadoras.

19) Outra constatação irreplicá-vel é de que as circunstâncias em que foram concebidas as dívidas, tanto com a União, quanto com a CEMIG, clamam por transparência absoluta, com a libe-ração de informações e esclarecimentos indispensáveis, o que conduz à necessi-dade imperiosa de uma auditoria

com-ra, a cantilena em torno do famoso “déficit zero” que teria sido alcançado no ques-tionado “choque de gestão”, propagado anos a fio, como verdade inconteste, em intensa e extensa campanha marqueteira de dimensão nacional, no Governo Aécio Neves. O tal “déficit zero”, como restou definitivamente provado, jamais existiu.

pleta das contas, de modo que a socie-dade seja colocada a par de tudo quanto ocorreu.

20) A relevância de negociações imediatas com os credores, amparadas nas premissas da Transparência e da Auditagem, foi também ressaltada nesse trabalho empreendido pelo Parlamentar. nos Eduardo Azeredo e Fernando Henri-que Cardoso, é impagável. Levará Minas Gerais a bancarrota.

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Frente Parlamentar e Comissão Parlamentar

Contatos importantes e sensibilização comunitária

O quadro submetido à avaliação da Opinião Pública

21) Em razão disso, o Parlamentar propôs, com o apoio da grande maioria de seus pares, a constituição da Frente Parla-mentar de Renegociação da Dívida

Públi-23) As diligências do Deputado Adelmo Carneiro Leão conduziram a con-tatos importantes com autoridades fede-rais, no sentido de sensibilizá-las para a renegociação pretendida. Concorreram

24) A situação exposta projeta o se-guinte quadro:

· A repactuação da dívida de Minas, feita em 1998, nos Governos Eduardo Aze-redo e Fernando Henrique Cardoso, foi um mau negócio. Um negócio lesivo aos inte-resses de Minas.

· A dívida, nos termos desse nocivo ajuste, é impagável. O Estado caminha cé-lere para a insolvência, com parte substan-cial de sua receita estando inapelavelmente comprometida, em detrimento de obras es-senciais para a Comunidade.

· A renegociação da dívida é uma imposição do bom senso, implicando em ações que sejam capazes de sensibilizar os atuais dirigentes do Governo Federal, que nenhuma influência tiveram, a qualquer momento, no desastrado pacto firmado em 1998.

· A transparência de informações, a começar com a liberação,

estranhavelmen-22) A Presidência da Assembleia Legislativa de Minas colocou a questão na pauta prioritária da Casa. A movimen-tação parlamentar em Minas concernente ao assunto ganhou ressonância nacional,

considerado o fato de outros Estados se defrontarem também com dívidas acu-muladas onerosas, resultantes de pactos firmados igualmente à época do Governo Fernando Henrique Cardoso.

ca de Minas e, na sequência, a formação da Comissão Especial da Renegociação da Dívida, no âmbito de atuação da As-sembleia Legislativa de Minas Gerais.

também para a conscientização das lide-ranças comunitárias quanto ao sério pro-blema do endividamento. Os resultados dessas ações têm sido bastante anima-dores.

te procrastinada há meses pelo Governo do Estado, dos dados pedidos pela Comissão Parlamentar de Renegociação da Dívida da ALMG, bem como a auditoria do teor das dívidas, tanto as da União, quanto as da CEMIG, são outras exigências ditadas pelos superiores interesses comunitários. Afiguram-se imprescindíveis em todo o pro-cesso.

· A propaganda em torno do “déficit zero” não passou de ruidosa falácia.

· A Opinião Pública, como bem tra-duzido em questionamentos levantados pelo Movimento “Auditoria Cidadã da Dívi-da”, reclama respostas para algumas perti-nentes e fundamentais indagações: Como e por que chegamos a essas dívidas? Onde têm sido efetivamente aplicados os recur-sos captados nos empréstimos efetivados? Quanto tomamos emprestado para paga-mento das dívidas? Quanto já foi pago e quanto ainda devemos?

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25) Este, nas linhas gerais, o quadro sob avaliação envolvendo a questão da dí-vida oficial de Minas. Como fruto de pode-rosa conjugação de vontades das lideran-ças mineiras, utilizando as eficientes armas da negociação democrática, com o

acau-telamento de todos os respeitáveis interes-ses em jogo, agindo com rigorosa transpa-rência, assegurando visibilidade completa a todas as ações levadas a efeito, antes e agora, sairemos certeiramente vitoriosos na empreitada da renegociação.

Confiança no êxito da empreitada

É o que se almeja, com esperança e fé.

Referências

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