Pensamento social

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Atualidade do pensamento social brasileiro.

Atualidade do pensamento social brasileiro.

Respondendo à pergunta formulada por Lilia Moritz Schwarcz e André Botelho sobre como via o futuro da área do pensamento social brasileiro, apontei a contemporaneidade da temática que constantemente o animou (SCHWARCZ & BOTELHO, 2011). Lembrei que várias questões atualmente co- locadas no âmbito das ciências humanas para o entendimento da sociedade foram, de vários modos, objeto da reflexão dos autores brasileiros ao longo dos anos. Ou seja, a problemática da emancipação, do direito à diferença, dos limites à liberdade, da definição da dignidade como projeto social, do reconhecimento, da exclusão/excludência, foi objeto recorrente dos estudos sobre a formação nacional. A condição não democrática do país – colônia, escravidão, sucessão de ditaduras, extrema desigualdade na distribuição de bens – constituiu-se no cenário em que a solução dos impasses político- sociais se impunha à reflexão e exigia um olhar mais atento à realidade. É certo que o interesse e as possibilidades da discussão nos vários períodos foram desiguais. Nos últimos anos o retorno dos estudos sobre o pensamen- to social brasileiro e sua história permitiu que fossem retomados os debates, avaliados o seu alcance e limites, além de constatar seus efeitos.
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Simpósio: cinco questões sobre o pensamento social brasileiro.

Simpósio: cinco questões sobre o pensamento social brasileiro.

Luiz Werneck Vianna (Iesp/Uerj): A área de pesquisa uni- versitária em pensamento social brasileiro está em expan- são, consolidada nos principais cursos de pós-graduação e objeto de um número crescente de dissertações de mes- trado e de teses de doutoramento. Pode-se sustentar que, embora os estudos dedicados à área tratem de uma grande diversidade de temas, persiste entre eles uma difundida e sempre renovada orientação no sentido de se investigar as condições particulares que presidiram a revolução burgue- sa no Brasil. Sob essa grande angulação, que põe em evidên- cia o fato capital de que transitamos para o moderno sem romper com as forças da tradição, a maior preocupação da literatura tem sido a de identificar, por diferentes objetos e estratégias de pesquisa, a gênese do que seria o autoritaris- mo político constitutivo à formação do país.
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D. António Ferreira Gomes e o pensamento social cristão

D. António Ferreira Gomes e o pensamento social cristão

Nesse sentido, o pensamento social cristão do bispo portuense nem inventa um ontem tenebroso, nem legitima um hoje paradisíaco, nem vislumbra um futuro necessariamente radioso. Recusaria certamente as as duas interpretações históricas que hoje se digladia: a de Francis Fukuyama que anunciou o «fim da história» em visão muito próxima das teorias da convergência das sociedades industriais, e a de Samuel Huntington que enfatiza o «choque das civilizações» como decorren- te dessa mesma globalização. Ambas as visões pareceriam deslocadas a D. António Ferreira Gomes. O seu pensamento exige-nos aprofun- dar o sentido universal dos direitos do homem, tornando as respectivas exigências mais ecuménicas e consentâneas com as novas exigências e ameaças; exige-nos equilibrar a economia de mercado globalizado com as exigências concretas da economia real e com o provimento de bens públicos traduzido em respostas que têm que ser locais; exige-nos cum- prir a democracia, tendo a coragem de tomar medidas que, no quadro mais fundo de uma educação para a cidadania 56 , articulem o poder legi-
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Ao sul da teoria: a atualidade teórica do pensamento social brasileiro.

Ao sul da teoria: a atualidade teórica do pensamento social brasileiro.

pensamento social na segunda metade do século XX. Exceção pode ser encontrada no trabalho de Johan Heilbron, Nicolas Guilhot e Laurent Je- anpierre (HEILBRON, GUILHOT, JEANPIERRE, 2008), no qual os autores propõem uma história transnacional da disciplina, criticando abordagens excessivamente limitadas ao Estado-Nação. Ao enfatizarem os três prin- cipais mecanismos que explicariam a constituição global das ciências so- ciais – papel de instituições e agências internacionais; circulação forçada ou voluntária de intelectuais; trocas entre instituições não-acadêmicas –, os autores logram estabelecer as bases para a explicação de dinâmicas intelectuais extranacionais. Entretanto, ainda estão por demais presos aos circuitos que emanam do centro para as periferias. É certo que essa foi a direção tomada pela circulação hegemônica de ideias e redes intelectu- ais, explicando boa parte da constituição da própria sociologia no Brasil, mas há significativas trocas a serem investigadas e estudadas entre países do Sul. Dois exemplos estão nos trabalhos de Raewyn Connell (CONNELL, 2007) e Fernanda Beigel (BEIGEL, 2010).
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Ação política e pensamento social em Josué de Castro.

Ação política e pensamento social em Josué de Castro.

Em “As condições de vida das classes operárias no Recife” (Castro, 1935a), publicação que traz os resultados de inquérito que realizou junto a 500 famílias de trabalhadores, em 1932, estão presentes, em grau diverso, distintas ideias-força que mais tarde seriam tomadas para tipificar o pensamento do autor. Nesse livro, Castro realiza um esforço interpretativo do Brasil para além das fronteiras do tema da alimentação, estendendo-se a análises sociológicas não adstritas à questão alimentar, as quais procuram consubstanciar um diagnóstico da sociedade e do Estado (p. 10), inclusive estabelecendo alguns pontos de diálogo com a tradição do pensamento social e político brasileiro. O médico pernambucano expressa o entendimento de que bases biológicas podem servir como racionalidade de cálculo acerca das potencialidades nacionais – particularmente, caracteres biológicos gerais e índices antropométricos e biométricos –, os quais resultariam do estado de nutrição do organismo. A partir desses dados, poder-se-iam estimar fatores como as possibilidades econômicas e de evolução social do país (p. 9). Nesse escopo, entende que a alimentação insuficiente do brasileiro é determinada por causas sociais e econômicas (p. 21), e que a fome no país é uma permanência histórica ligada a fatores que exibem uma continuidade temporal (p. 8). Com uma visão apocalíptica do problema, considera que a persistência da má alimentação do brasileiro pode se precipitar na aniquilação do povo ou do país (p. 9). Para ele, a fome é um fenômeno coletivo, o que redundaria nas seguintes implicações: as causas da fome não são de ordem pontual, mas geral e de raízes estruturais, sendo a pobreza a principal; por ser a fome coletiva, as consequências que acarreta também o são – por exemplo, a baixa produtividade do faminto ocasiona baixa produtividade do país; a esfera de enfrentamento da questão não deve situar-se no nível individual, mas em
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O papel da violência nos clássicos do Pensamento Social Brasileiro

O papel da violência nos clássicos do Pensamento Social Brasileiro

Este ensaio teve o objetivo de problematizar acerca do papel da violência na vida social no Brasil e discutir sua relevância em três clássicos do Pensamento Social Brasileiro. Por meio da análise sobre como o assunto aparece em Casa-Grande & Senzala, Raízes do Brasil e Formação do Brasil Contemporâneo, procuramos defender o seguinte argumento: embora o surgimento da violência aparente ser, para um certo senso comum, um fenômeno novo, seu uso amplo tem sido um elemento integrador para as relações sociais no Brasil, porém, utilizada principalmente contra os contingentes mais vulneráveis da sociedade. Além disso, aproveitamo-nos dos aparatos conceituais dos autores para introduzir uma discussão não apenas sobre o papel da violência no Brasil colonial, mas também sobre a continuidade desta e de suas manifestações sociais e históricas na contemporaneidade. Concluímos que tais obras seminais dão suporte ao nosso argumento, pois a violência aparece em todas elas como um elemento que garante a coesão da sociedade, a medida que assegura a submissão dos dominados aos dominantes.
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Modelos nacionais e regionais de família no pensamento social brasileiro.

Modelos nacionais e regionais de família no pensamento social brasileiro.

Esperamos ter conseguido chamar a atenção para os modelos plurais de família presentes no pensamento social brasileiro e que muitas vezes são encobertos pela restrição aos clássicos nas análises críticas sobre este campo de estudos no Brasil. O pensamento social se revela uma miríade de teses convergentes e divergentes sobre a formação social e a estrutura da família nas diversas regiões brasileiras. Às vezes encontram-se teses opostas para uma mesma região, derivadas de estudos de fontes semelhantes. É esta perspectiva da diversidade que fica abandonada por uma tradição de referências e de interpretações que se sobrepõem e se reforçam mutuamente, constituindo uma versão monótona do modelo de família patriarcal brasileira. Os autores inseridos no pensamento social brasileiro tratam a família de modo indissociável da formação racial, apresentando, contudo, combinações distintas das três raças formativas e das relações de gênero entre elas. Em razão disso, notamos que a ênfase na relação entre brancos e negras revela uma aceitação, pelos pesquisadores contemporâneos, dos protagonistas do modelo freyreano. Se fazem uma contestação das características e da extensão (social e regional) da família patriarcal de Casa-grande & senzala, têm uma fraca percepção de outras relações de gênero e raça que existem em outros autores.
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Alexandre Rodrigues Ferreira e a formação do pensamento social na Amazônia.

Alexandre Rodrigues Ferreira e a formação do pensamento social na Amazônia.

Dessa forma, a obra de Alexandre Rodrigues Ferreira, ao relatar a Ama- zônia do século XVIII e contribuir de modo significativo para a formação do pensamento social na região, continua atual em muitos aspectos, tais como o fato de a colonização da Região Amazônica mesmo quatro séculos depois ainda se perpetuar; a ideia de destruição da natureza e extinção de plantas e animais não fazia parte das preocupações de Ferreira e, até hoje, parece não fazer parte das preocupações das autoridades e da própria humanidade, além do discurso retórico da “alta-sustentabilidade”; além de experienciarmos, não só na época da viagem filosófica, mas também nos dias atuais, uma ciência muito atrelada aos interesses do Estado, o que se torna evidente na falta de políticas efetivas de fomento às pes- quisas científicas. Sem dúvida, a expedição de Ferreira vai ficar por muito tempo na vanguarda da antropologia amazônica, tornando-se leitura obrigatória para os que se propuserem a estudar essa parte da América.
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Estado e administração pública no pensamento social brasileiro

Estado e administração pública no pensamento social brasileiro

O presente trabalho tem como finalidade a identificação dos fundamentos de uma sociologia da Administração Pública brasileira. Para tanto, uma gama de formulações teóricas são estudadas a fim de obter um panorama sobre as interpretações a respeito da natureza da Administração Pública no país. A metodologia deste trabalho consiste, portanto, em estudar o pensamento social brasileiro relativo à formação histórica do Estado brasileiro e suas implicações para a sua administração pública. Para tanto, adotamos duas grandes categorias do pensamento social brasileiro: a primeira vertente traz, fundamentalmente, a discussão sobre o país patrimonialista, cujas referências críticas atribuem uma cultura particularista do Estado para com o trato da coisa pública; a segunda discute a ação tutelar do Estado sobre a sociedade, cuja finalidade seria concretizar uma nação organizada e cumprir sua missão civilizatória sobre a sociedade. Ao articular tais vertentes interpretativas, temos uma concepção comum a ambas: a administração pública brasileira é de natureza peculiar, derivada de uma densa rede de relações entre Estado, instituições e sociedade civil. Complementarmente, interessa-nos localizar determinados legados históricos, que persistem a despeito das sucessivas reformas pelas quais passou o aparelho do Estado brasileiro. Assim, delineado o contexto histórico reformista e dadas as exposições, contraposições e proximidades entre os autores, traçamos um panorama sobre a administração pública no contexto do pensamento social brasileiro. A intenção, portanto, é contribuir para uma tipificação, ainda que preliminar, dos trabalhos de viés sociológico sobre a administração pública no Brasil.
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Pensamento Social Brasileiro em perspectiva

Pensamento Social Brasileiro em perspectiva

A República conhecerá uma expansão do uso do termo “social” em vários campos, inclusive no pensamento socialista (GOMES 2005). Falava-se, então, em “romance social” ou numa “poesia de ação” que tratariam de questões relacionadas à pobreza das cidades, ao analfabetismo, à emergência do anarquismo e do socialismo, de modo que um poeta como Olavo Bilac aceitava ser visto como um “apóstolo-socialista” (BILAC apud RIO 2006, p. 18). A “questão social” tomava as páginas dos jornais com noticiários sobre greves, ações de anarquistas, conflitos entre trabalhadores e patrões, misérias no campo e nas cidades (NAXARA 1991; HARDMAN 2002). A palavra “social” parecia conter um teor “explosivo”, num contexto em que a expressão “luta de classes” circulava de maneira ampla na imprensa, ainda que para ser criticada pelo “pensamento social católico” ou para denunciar o seu maior teórico, conforme pregação do arcebispo do Rio de Janeiro, Sebastião Leme, no primeiro número da coluna “Ação Católica” no Brasil, publicada em jornal de circulação nacional:
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Materializações do pensamento social sobre a pobreza

Materializações do pensamento social sobre a pobreza

Nosso objetivo com este artigo é analisar, com apoio na Teoria das Representações Sociais, alguns impactos psicossociais que a condição de pobreza imprime naqueles que a experienciam ao longo de suas vidas. Para isto, foram realizadas 14 entrevistas abertas com mulheres, na sua maioria vinculadas à Centros de Referência de Assistência Social de Porto Alegre/RS, e um grupo epistemológico com outras 12 em situação similar. Primeiramente, as informações foram categorizadas a partir dos temas mais frequentes e, depois, analisadas à luz de uma abordagem psicossocial crítica. Em linhas gerais, podemos dizer que a representação social da pobreza se forma em torno de duas dimensões: uma que caracteriza a situação de pobreza pelo viés socioeconômico, articulando a falta enquanto elemento central; e a segunda pelo viés da moral e da cultura, tomando o excesso como contrapartida. No primeiro núcleo, portanto, temos a descrição de situações de penúria da pobreza, das dificuldades cotidianas e dos estigmas construídos ao redor desta situação; já, no segundo, temos os aspectos positivos daqueles que a vivem, caracterizando-os como pessoas de garra, de caráter, ricos na alegria de viver. Essa aparente dicotomia surge na medida em que a pobreza impõe acomodações ao processo de construção do pensamento social sobre ela. Assim, se por um lado, tal dinâmica pode favorecer resistências e mudanças, por outro, pode provocar seu enfraquecimento com a geração de espaços de acomodação que confirmam a existência em um lugar social privilegiado, apesar das péssimas condições materiais.
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O pensamento social e político Latino-Americano: etapas de seu desenvolvimento.

O pensamento social e político Latino-Americano: etapas de seu desenvolvimento.

Para Gonzalez Casanova (2007), a deinição do colonialismo interno está origi- nalmente ligada à conquista da América, em que as populações de naivos não são totalmente exterminadas, mas formam parte, primeiro do Estado coloni- zador e depois do Estado que adquire uma independência formal. Na época moderna, o colonialismo interno tem antecedentes na opressão e exploração de alguns povos por outros, desde que a ariculação de disintos feudos e domínios, caracterísica da formação dos reinos, somou-se no século XVII, à Revolução In- glesa e ao poder das burguesias. Segundo sua análise, os primeiros apontamen- tos do colonialismo interno encontram-se na própria obra de Lênin “Sobre o direito das nações à autodeterminação” (1914). Circunstâncias anteriores puse- ram freio intelectual e oicial à relexão sobre o colonialismo interno. Esse freio deu-se, especialmente, nos países metropolitanos e imperialistas, mas também nas “novas nações”. A lógica da construção do Estado e das alianças políicas fez com que a categoria do colonialismo interno fosse objeto sistemáico de re- chaço. Quando a noção de colonialismo interno foi formulada de maneira mais sistemáica na América Laina, sua vinculação à luta de classes e ao poder do Estado apareceu originalmente velada. O conceito começou a ser formulado, sobretudo no marxismo acadêmico, no pensamento críico e nas pesquisas em- píricas, tendo como um de seus pioneiros o próprio Rodolfo Stavenhagen. Dessa forma, os fenômenos de colonialismo interno ligados à luta pela libertação, pela democracia e pelo socialismo ocorrem, efeivamente, somente a parir dos anos 1960, ligados à “nova esquerda”. Posteriormente, os movimentos de resistên- cia e por autonomia das etnias e dos ‘povos oprimidos’ adquirem importância mundial, no inal dos anos 1990. A construção de um estado muliétnico, por exemplo, remete à construção de “um mundo feito de muitos mundos”, no qual os povos, os trabalhadores e os cidadãos seriam todos protagonistas.
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A escrita como arma: uma análise do pensamento social na literatura marginal

A escrita como arma: uma análise do pensamento social na literatura marginal

Evocamos Benjamin para pensar na proposta da Literatura Marginal que se autodefine como uma “literatura do contra” e lida, concomitantemente, com as contradições próprias ao seu tempo. Ao longo de nossa discussão, vimos que não prevalece um projeto coeso ou mesmo um consenso entre os escritores da coletânea LM. A escrita parece voltar- se contra distintos “alvos”: em alguns casos, a vida social é entendida como uma “guerra”, da qual não se vê qualquer vislumbre de saída possível. Neste caso, predomina como projeto a “violência como contrarresposta”, definida aqui sob a máxima de Talião: “olho por olho, dente por dente”. Ou, ainda, só a religiosidade pode trazer alguma unidade à esperança perdida. Em outros casos, o alvo volta-se à própria “maldade” humana, personificada nas figuras daqueles que são entendidos como seus principais opressores, a polícia e o “playboy”, este último interpretado como todo aquele que não mora na favela ou tem direito ao consumo. Por fim, emerge como anseio desta literatura a sua tentativa de servir como instrumento de “conscientização” étnica, cultural ou social. E, neste caso, a escrita é tomada como “arma” que visa, senão libertar, ao menos evitar a “aceitação” da condição de “condenado” à qual estaria destinada a vida do sujeito periférico. Este desejo comum seria o que reuniria as narrativas da coletânea num projeto coletivo (se é que em tempos de capitalismo periférico avançado, do qual ganha destaque a multiplicidade de versões, pode-se reconhecer um projeto comum) que, ainda que não consiga apreender as causas dos efeitos que identifica, escreve na tentativa de compreendê-las.
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O Pensamento Social e Político Latino-Americano: etapas de seu desenvolvimento

O Pensamento Social e Político Latino-Americano: etapas de seu desenvolvimento

Para Gonzalez Casanova (2007), a definição do colonialismo interno está origi- nalmente ligada à conquista da América, em que as populações de nativos não são totalmente exterminadas, mas formam parte, primeiro do Estado coloni- zador e depois do Estado que adquire uma independência formal. Na época moderna, o colonialismo interno tem antecedentes na opressão e exploração de alguns povos por outros, desde que a articulação de distintos feudos e domínios, característica da formação dos reinos, somou-se no século XVII, à Revolução In- glesa e ao poder das burguesias. Segundo sua análise, os primeiros apontamen- tos do colonialismo interno encontram-se na própria obra de Lênin “Sobre o direito das nações à autodeterminação” (1914). Circunstâncias anteriores puse- ram freio intelectual e oficial à reflexão sobre o colonialismo interno. Esse freio deu-se, especialmente, nos países metropolitanos e imperialistas, mas também nas “novas nações”. A lógica da construção do Estado e das alianças políticas fez com que a categoria do colonialismo interno fosse objeto sistemático de re- chaço. Quando a noção de colonialismo interno foi formulada de maneira mais sistemática na América Latina, sua vinculação à luta de classes e ao poder do Estado apareceu originalmente velada. O conceito começou a ser formulado, sobretudo no marxismo acadêmico, no pensamento crítico e nas pesquisas em- píricas, tendo como um de seus pioneiros o próprio Rodolfo Stavenhagen. Dessa forma, os fenômenos de colonialismo interno ligados à luta pela libertação, pela democracia e pelo socialismo ocorrem, efetivamente, somente a partir dos anos 1960, ligados à “nova esquerda”. Posteriormente, os movimentos de resistên- cia e por autonomia das etnias e dos ‘povos oprimidos’ adquirem importância mundial, no final dos anos 1990. A construção de um estado multiétnico, por exemplo, remete à construção de “um mundo feito de muitos mundos”, no qual os povos, os trabalhadores e os cidadãos seriam todos protagonistas.
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Roberto Simonsen na origem do moderno pensamento social brasileiro.

Roberto Simonsen na origem do moderno pensamento social brasileiro.

A primazia de todas as questões que se referem ao aumento da renda nacional, aos postulados de uma política econômica internacional apropriada a países de estruturação econômica como a nossa, ao aumento imediato do salário real e à esfera e limites do intervencionismo do Estado constitui, por certo, a palavra de ordem na delegação industrial paulista. No regime de inflação em que nos debatemos, a estabilização e melhoria do salário real devem dominar os nossos espíritos, a fim de que não se desorganize o trabalho nacional. Os empregadores têm de considerar os problemas da habitação, da alimentação e da assistência aos seus empregados, como parte integrante da política geral de suas próprias empresas. Colocados esses elementos básicos da vida do homem ao abrigo dos reflexos perniciosos da inflação, teremos melhorado o salário real dos nossos trabalhadores e concorrido, de forma decisiva, para a paz social (Simonsen, 1973, p. 445-446).
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A naturalização da pobreza: reflexões sobre a formação do pensamento social.

A naturalização da pobreza: reflexões sobre a formação do pensamento social.

É a partir da naturalização da pobreza e das desigualdades que esse modelo do BM devolve o conlito para o seio de uma sociedade fragmentada, na qual os atores individualizam-se, ao mesmo tempo em que sujeitos coletivos perdem as identidades: “Muda, portanto, a orientação da política social: nem consumos coletivos nem direitos sociais, senão que assistência focalizada para aqueles com ‘menor capacidade de pressão’ ou os mais ‘humildes’ ou, ainda, os mais ‘pobres’” (Soares, 2002, p. 73). Assim, o Estado neoliberal constrói uma faceta assistencialista como contrapartida de um mercado livre, e o BM pode se vangloriar de suas políticas com face humana, que ensinam a lutar contra a pobreza. Se por um lado criam-se necessidades com a política de ajustes, por outro se trabalha no sentido humanitário de reparo dos danos, com o estímulo às políticas focalizadas. Evidentemente, esse processo traz consequências sérias para o cotidiano das comunidades: por um lado, a aceitação do fenômeno da pobreza sem maiores questionamentos; por outro, o esvaziamento do conceito de cidadania social, ou seja, a garantia dos direitos sociais para muito além de meras políticas compensatórias (Ugá, 2004).
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Celso Furtado e o pensamento social brasileiro.

Celso Furtado e o pensamento social brasileiro.

Ironicamente, desde cedo, o autoditadismo permitirá a Furtado escapar à rigidez acadêmica, combinando, de forma rica, algumas das maiores influências do pensamento brasileiro: o positivismo, o marxismo e a antropologia norte- americana. Fez bom uso de cada uma dessas tradições intelectuais, selecionando alguns de seus aspectos mais relevantes: a crença no conhecimento científico, do positivismo; a consciência da historicidade dos fenômenos econômicos e sociais, do marxismo; a atenção, desde a leitura de Gilberto Freyre, à cultura, da antro- pologia. Esse ecletismo “bem temperado” abre caminho para uma das mais so- fisticadas formulações teóricas elaboradas a partir da América Latina.
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Cecília Donnangelo: pioneira na construção teórica de um pensamento social em saúde.

Cecília Donnangelo: pioneira na construção teórica de um pensamento social em saúde.

como segmento do sistema social global e urbano industrial que se configurava no Brasil a partir da segunda metade do século XX e, no caso específico de São Paulo, procurou identificar as relações esta- belecidas entre a profissão e a sociedade em questão. Assim, circunscreveu a pesquisa à região da Gran- de São Paulo, abrangendo 905 profissionais da área em atividade, utilizando-se dos cadastros do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e alargando seu campo de amostragem para 5.381 médicos diplomados até 1968. Desse total, foi selecionada uma amostra de 1.166 mé- dicos, correspondente a 20% da população. A pesquisa de campo foi realizada no ano de 1971, sendo que não foram entrevistados 261 casos, e dentre os motivos, citam-se: mudanças de domi- cílio para fora da área, falecimentos, aposentado- rias, abandono da profissão, domicílios não lo- calizados, recusas e viagem prolongada ao exteri- or. Assim, foram entrevistados 905 profissionais. Como Cecília assinala na apresentação do li- vro Medicina e sociedade, o estudo incide, sobre- tudo, em aspectos diretamente relevantes às moda- lidades do trabalho médico, entendidas aqui como as formas pelas quais o médico, enquanto traba- lhador especializado, participa do mercado e se re- laciona com o conjunto de meios de produção de serviços de saúde 4 . Daí decorre maior ênfase na
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Modernização periférica e desigualdade social: disputas no Pensamento Social Brasileiro

Modernização periférica e desigualdade social: disputas no Pensamento Social Brasileiro

estrutural, responsável por nos fazer o país do jeitinho e da dominação política como coisa de família. A partir desta rela- ção traçada por DaMatta (1978), a desigualdade no Brasil será resultante da maneira como as nossas elites políticas coman- dam o Estado. A partir disso, teríamos a produção de nossos sub e supercidadãos. Esta relação dual entre indivíduo e pessoa demonstraria supostamente toda a complexidade da estrutura sociopolítica brasileira e os dilemas da cidadania e da desi- gualdade. Mesmo partindo de uma perspectiva aparentemente diversa de Raymundo Faoro, Domingues e Martins, DaMatta se aproxima fortemente dos autores citados por creditar a de- sigualdade à forma privatista como o Estado é administrado pelas nossas elites políticas. Ou seja, mesmo partindo de uma outra perspectiva, DaMatta é presa da mesma interpretação que deixa encobertos os conflitos de classes e a ação do siste- ma capitalista global sobre o Brasil como fatores significativos para a compreensão de nossa desigualdade social.
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