Top PDF A fenomenologia de Husserl como filosofia prática

A fenomenologia de Husserl como filosofia prática

A fenomenologia de Husserl como filosofia prática

Para este, tal como para Hegel, a filosofia parece ter também chegado ao seu fim, porque as tarefas a realizar pela humanidade não são mais de ordem filosófica, ou seja, da ordem do s[r]

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Amo Muito Tudo Isso:  O relacionamento marca-consumidor sob o  enfoque da fenomenologia clarificadora de  Edmund Husserl

Amo Muito Tudo Isso: O relacionamento marca-consumidor sob o enfoque da fenomenologia clarificadora de Edmund Husserl

O relacionamento marca-consumidor é um fenômeno interpessoal construído de forma dialética-dialógica-discursiva entre parceiros. De fato, a relação é dialética por se constituir da síntese das interações dos discursos objetivados dialogicamente entre marca e consumidor. A intersubjetividade é presente no momento em que esse fenômeno ocorre num vivido partilhado pelos parceiros, os quais conjuntamente (ao se relacionarem) constroem um novo “ser”, ou seja, o “nós”. Esse “ser” não pode ser compreendido apenas como a soma de “eus” dos parceiros, posto que, o “nós” é composto pelas vozes da marca e do consumidor, assim como pelas demais vozes (i.e., “eles”) que partilham de tal “ser”. A qualidade interpessoal, para um fenômeno que é em essência parassocial, emerge da consciência dos “seres” da marca de que, no cotidiano de vida do “nós”, eles simulam ser a personificação da marca para o consumidor. A Fenomenologia Clarificadora de Edmund Husserl, apoiada pela base epistemológica dos saberes provenientes da sociologia do conhecimento, relacionamento interpessoal e parassocial, praticante reflexivo, relacionamento marca-consumidor, teorias do animismo e literatura acerca da sociedade de consumo, propicia a clarificação do significado desse fenômeno sob o prisma da persona. O significado do fenômeno relacional marca- consumidor foi captado por intermédio de entrevistas em profundidade com cinco gerentes da McDonalds. Após a redução fenomenológica, 404 temas foram integrados em seis entidades universais que revestem o significado do relacionamento clarificado: identidade, julgamento, confiança e comprometimento, desempenho, interação e afeto.
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O lugar da experiência na fenomenologia de E. Husserl: de prolegômenos a ideias I.

O lugar da experiência na fenomenologia de E. Husserl: de prolegômenos a ideias I.

ataque psicologista”, a saber: como prescindir das conexões causais – que são um fato psicológico e real – em troca de conexões ideiais se estas só têm existência enquanto produzidas numa atividade psicológica e real? Talvez os lógicos tenham permitido tal contra-ataque justamente por entenderem que pensar tal relação entre o real e o ideal implicaria pensá-la como uma relação na qual o real seria a “fonte” da qual derivaria o ideal, como um empirista poderia pensar. Entretanto, que seja necessário reiterar a distinção entre tais domínios, não segue daí que a relação entre os mesmos seja necessariamente uma relação na qual o ideal fosse extraído do real (de modo que um derivasse do outro). A possibilidade e, até mesmo, a exigência de redimensionar o estatuto dessa relação, exigiria, por sua vez, que se reservasse à experiência um lugar especíico, sem que, todavia, tal lugar reservado signiicasse a aceitação de um empirismo. Conforme se mostrou, em linguagem kantiana, Husserl assumiria, ao responder à referida exigência, uma posição especíica quanto à experiência, tomando-a não como “fonte de conhecimento”, mas como começo imprescindível para se pensar a referida relação entre os processos psicológicos e o conteúdo lógico do pensamento, sem que, com isso, incorresse em um empirismo nos moldes psicologistas. Como recorda Júlio Fragata, em A Fenomenologia como Fundamento da Filosoia (1959), “[...] as leis lógicas não são inferências da experiência psicológica, embora só por meio dela se possam conhecer” 35 .
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As origens do pensamento de Edmund Husserl: do psicologismo à fenomenologia

As origens do pensamento de Edmund Husserl: do psicologismo à fenomenologia

Vimos que em meio a uma crise das humanidades e da filosofia, Husserl empreende encontrar um fundamento para as ciências, procurando retomar na filosofia a distinção entre verdadeiro e falso. Husserl estava inserido em um contexto no qual a psicologia e as matemáticas estavam evidenciadas, além da lógica. Nesse contexto, lógica e psicologia foram contrapostas por muitos. Com Franz Brentano, Husserl tem contato com o psicologismo e inspirado por seu mestre decide dedicar-se a filosofia, haja vista que sua formação era na área da matemática. Ele identifica que as ciências humanas cometem um erro ao tomarem as ciências empíricas como modelo de aplicação no campo filosófico. Apesar de no Filosofia da Aritmética o psicologismo ter o peso de esclarecer a origem das representações, Husserl procura distanciar-se de Brentano e dos psicologismos. Ele identifica os pontos em que os psicologistas erram, como considerar que as leis do pensamento são leis causais da natureza. Por último, vimos que a partir de sua obra Idéias para uma fenomenologia pura e para uma filosofia fenomenológica Edmund Husserl apresenta a redução fenomenológica e a fenomenologia transcendental distanciando-se definitivamente da psicologia descritiva ao fazer uma severa autocrítica à primeira edição das Investigações Lógicas por ele próprio ter aproximado a fenomenologia da psicologia descritiva naquela obra.
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Fenomenologia e (in)consciência: Husserl, Freud e psicoterapia.

Fenomenologia e (in)consciência: Husserl, Freud e psicoterapia.

Em suas lições sobre Fenomenologia da Consciência do Tempo Imanente , publicadas originalmente em 1928, Husserl se refere à impossibilidade de conteúdos inconscientes: "É absurdo falar de um conteúdo 'inconsciente' que só posteriormente se faria consciente (...). Como a fase retencional contém a consciência da anterior, sem fazê-Ia objeto, assim também o dado originário está já consciente - e isto na forma peculiar do 'agora' - sem ser objetal. (...) essa consciência originária é aquilo que ultra- passa a modificação retencional (...) e se ela não existisse, tão pouco seria pensável qual- quer retenção; uma retenção de um conteúdo inconsciente é impossível"(Husserl, 1959: 181). A sistematização psicanalítica do apare- lho psíquico implica na noção de um passado imerso no determinismo causal, pois que se traduz por traços mnêmicos, cujos elementos representativos sofrem uma pressão ou censu- ra, da qual muitas vezes não conseguem se libertar, mas que apesar disso exercem grande influência sobre a vida consciente presente. Se admitirmos, entretanto, a consciência como sugere Husserl (1959), sob a forma de um presente que se expande em retenção e protenção, podemos explicar fenômenos como a fantasia, a memória, a recordação, etc. sem recorrer à noção de inconsciente. Não vamos nos alongar aqui sobre este assunto, mas este é um campo fértil para discussões posteriores. Por ora, basta que tenhamos a clara noção de que o fato (óbvio) de que não posso estar consciente o tempo todo de tudo aquilo que minha consciência conhece não implica que aquilo de que não estou consciente agora foi reprimido à força, que pertence a uma outra ordem e obedece a outras leis 3 .
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Fenomenologia transcendental e arte em Edmund Husserl.

Fenomenologia transcendental e arte em Edmund Husserl.

185 concreto de vivências. Embora a coisa mesma, “a coisa em si” não seja dada, ela se doaria somente na imanência intencional. Em contrapartida, a vivência da imagem ou signo “de algo” forneceria somente o conteúdo deste “algo” que poderia ser existente ou fictício na imanência intencional. É importante salientar que vivência é aparição da coisa, é conteúdo de consciência, sendo por tanto, imanência intencional. Uma vivência nunca vai ser idêntica à própria coisa. Isto nos leva a considerar também a diferença entre conteúdo intuído e conteúdo intuitivo. Pois, uma coisa é o objeto visado, outra coisa são os atos intencionais que apreendem o objeto. Assim, temos coisas que nos são dadas na intuição no mundo “como tal” e coisas que nos são dadas na imaginação, ou seja, diversos e possíveis mundos do “como se”. Husserl indicou que a coisa torna-se na representação o signo de si mesma, mas a imagem de uma coisa poderia somente se tornar signo de uma outra coisa. Pois, a imagem não pode ser considerada signo de si mesma, mas signo de uma irrealidade, irrealidade esta entendida aqui no sentido de que é signo de uma outra coisa que nela está “representada”. É evidente que a coisa e a imagem da coisa, possuem características diferentes quanto ao modo de aparição e apreensão, pois a imagem da coisa não é uma ilusão ou uma imagem errada da coisa física que ela possa estar a representar. Na perspectiva fenomenológica era inegável a ocorrência do enlace entre realidade e irrealidade na experiência de doação das coisas, não sendo este fator um obstáculo para extrair a essência do que “aparece enquanto tal”. A epoché torna-se o artifício metódico utilizado para a descoberta dos juízos de correlação essencial entre consciência e objeto. A redução contribuiu de maneira decisiva para a ampliação de investigação do ser, incluindo nela a perspectiva transcendental da subjetividade. Ao tematizar a esfera transcendental, a redução buscava a fundamentação última de uma nova região do ser – o “eu puro” ou transcendental – tomado como centro potencial de doação de sentido de todas as transcendências reais ou irreais. Neste sentido, as livres imaginações teriam para fenomenologia e para as ciências eidéticas uma posição privilegiada em relação à percepção, embora a percepção fosse o seu fundamento.
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Fenomenologia e fenomenismo em Husserl e Mach.

Fenomenologia e fenomenismo em Husserl e Mach.

Tentamos mostrar que o conjunto formado pelos juízos que Husserl produz sobre Mach, dos seus primeiríssimos escritos até em Lógica formal e lógica transcendental, não for- ma um todo coerente senão sob a condição de distinguir, por um lado, o descritivismo do positivismo de Mach, e, por outro, o programa filosófico que Husserl persegue com a fenomenologia e que repousa, nos Prolegômenos, sobre sua doutrina da ciência, da fenomenologia compreendida como psicologia descritiva no segundo volume das In- vestigações lógicas. Essa dupla vida da fenomenologia das Investigações lógicas se traduz nas obras mais tardias de Husserl e, particularmente, nas conferências de Amsterdam, pela distinção presente no seio da fenomenologia entre a psicologia intencional, que corresponde grosso modo à psicologia descritiva do período de Halle, e a filosofia transcendental, que preenche a função tradicional de filosofia primeira. Como men- cionamos em várias ocasiões neste artigo, no momento em que Husserl reúne sua fenomenologia ao descritivismo de Mach ou à fenomenologia de Hering, ele tem uni- camente em mente a psicologia intencional que, na maioria dos escritos de Husserl a partir do meio dos anos 1920, tem uma função metodológica importante naquilo que ela serve de propedêutica à filosofia transcendental. Como tal, ela é a via obrigatória da filosofia e das ciências da natureza e, principalmente, da psicologia fisiológica, e é nesse sentido que ela se aproxima do descritivismo de Mach e Hering, como também daquele de Brentano e de seus estudantes. Mas o programa filosófico que Husserl co- loca em vigor nos Prolegômenos e que motiva sua crítica ao psicologismo é inteiramente estranho ao programa positivista e ao naturalismo filosófico em geral. É o que parece se confirmar na seção 62 de Lógica formal e lógica transcendental, em que Husserl diri- ge novamente a Mach a objeção de psicologismo ao censurar-lhe por psicologizar a esfera platônica da idealidade (no sentido de Lotze) (Husserl, 1965, p. 226). Do posi- tivismo de Mach, Husserl retém o esforço de reconquistar o próprio sentido da posi- tividade, do qual estavam consideravelmente afastados os grandes sistemas especu- lativos. Mas Mach trai o próprio sentido da positividade ao colocar seu descritivismo ao serviço do empirismo e do fenomenismo. Como o explica Husserl em Ideias I, uma vez desembaraçada desses prejuízos saídos do empirismo, a fenomenologia pode, com toda razão, reivindicar o estatuto de positivismo:
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A definição da fenomenologia: Merleau-Ponty leitor de Husserl.

A definição da fenomenologia: Merleau-Ponty leitor de Husserl.

2 WUDEDOKR GH GHÀQLU R TXH p D IHQRPHQRORJLD GHVGH R SUHIiFLR GD Fenomenologia da Percepção³HPTXH0HUOHDX3RQW\UHDEUHHVVDTXHVWmR´FLQTXHQWD DQRVGHSRLVµFRPRHOHPHVPRGL]³pPDUFDGRSRUXPDH[SHULrQFLDGHPmR GXSODGHXPODGRDFRQYLFomRGHHVWDUGLDQWHGHXPDherança husserliana, de TXHDLQWHUORFXomRFRP+XVVHUOQmRGHL[DQHQKXPDG~YLGD GHVGH A Estrutura do Comportamento e a Fenomenologia da PercepçãoSDVVDQGRSHORVWH[WRVLQWHUPHGLiULRV como O Filósofo e sua SombraDWpRÀPGDYLGDFRPDVNotas de Curso sobre a Origem da Geometria de Husserl VLJQLÀFDQGRXPDLGHQWLÀFDomRWHPiWLFDTXHRDWUDYHVVDGH SRQWDDSRQWDHGHRXWURXPDGLIHUHQoDGHSURMHWRDRPHVPRWHPSRGHTXHR WUDEDOKRGHUHWRUQRjVGHÀQLo}HVGH+XVVHUOQDLQWURGXomRGDFenomenologiaQmRp VHQmRRSULPHLURLQGtFLR´2TXHpDIHQRPHQRORJLD"3RGHSDUHFHUHVWUDQKRTXH VHWHQKDTXHFRORFDUHVVDTXHVWmRPHLRVpFXORGHSRLVGRVSULPHLURVWUDEDOKRVGH +XVVHUO1RHQWDQWRHODHVWiORQJHGHVHUUHVROYLGDµ 0(5/($83217< S, 6HDFRPSDQKDUPRVHVVHWH[WRTXHpR3UHIiFLRGDFenomenologiaYHUHPRVTXH
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Reespecificação da fenomenologia de Husserl como investigações mundanamente situadas.

Reespecificação da fenomenologia de Husserl como investigações mundanamente situadas.

A fenomenologia de Husserl nos demanda olhar por trás de nossa absorção in- gênua no mundo para examinar a natureza e o papel exercido pelo pensamento que organizou, e mantém organizada, a inteligibilidade desse mundo. Husserl sugere, “o geômetra, por exemplo, não pensará em explorar, além das formas geométricas, o pen- samento geométrico” (1969b, p. 36), e ele insiste em tematizar esse pensamento ao escrutinar as operações da subjetividade ali constituidora de sentido em seus mais fi- nos detalhes. De acordo com a concepção husserliana da ciência, sem esse autoenten- dimento radical não pode haver ciência. E esse autoentendimento necessariamente exige um encontro claro, “purificado” (daquilo que contamina a imanência), com a “evidência original” (1969b, p. 154), ou, tal como afirma em As conferências de Paris, “é o espírito da ciência não contar nada como realmente científico que não pode ser com- pletamente justificado pela evidência. Em outras palavras, a ciência pede provas por referência às próprias coisas e fatos, tal como eles são dados na experiência e intuição atuais” (1970c, p. 6). Deve-se notar que a ênfase na objetividade é aqui tão grande quanto a ênfase na subjetividade; de fato, o interesse primário de Husserl é no objeto. Mas o objeto é sempre um objeto entendido subjetivamente, e qualquer ciência que nega, a priori, a subjetividade que ali de fato atua está só caricaturalmente sendo objetiva. Não há objetividades objetivas, apenas objetividades subjetivas, o que Husserl descreveu já nas Investigações lógicas como “a completa automanifestação do objeto” (1970c, p. 765). 2 A esfera a priori da razão pura não nos levará até a verdade, que requer a evidência [Evidenz] do mundo. “Toda cognição racional conceitual e predicativa remete à evidên- cia. Propriamente entendida, somente a evidência originária é a fonte de legitimação” (Husserl, 1982, p. 339).
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A idealidade e a fenomenologia nas investigações lógicas de Husserl

A idealidade e a fenomenologia nas investigações lógicas de Husserl

ou relativizam a legitimidade dos objetos ideais para o conhecimento em geral. Entretanto, nesse quadro, ressaltamos que a lógica – enquanto lógica pura – é, todavia, apenas uma das ciências ideais, isto é, uma das ciências que possuem puras idealidades como domínio objetivo de investigação. Podemos supor que um dos motivos pelos quais Husserl recorreu, para a primeira apresentação da fenomenologia, à ciência lógica e não a outra, por exemplo, à aritmética ou à geometria puras, à mereologia 81 , ou à gramática puramente lógica 82 , foi o estreito vínculo que aquela mantinha com a psicologia dos fins do século XIX. Pois, ao se ter em mente que Husserl visava, sobretudo, propor uma nova teoria do conhecimento que legitimasse sua estrutura ideal e um novo método de análise da consciência, distinto da psicologia, baseado no caráter da idealidade da essência dos atos intencionais, fica justificada a sua escolha de legitimação do ser ideal por meio das controvérsias acerca da lógica pura. Outro motivo claro é a própria conexão entre lógica e fenomenologia, à qual já fizemos referência anteriormente. A fenomenologia husserliana surge justamente como fenomenologia das vivências lógicas, como análise filosófica dos atos e conceitos estruturantes do conhecimento, somente ampliando seu círculo de investigação nas obras posteriores.
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A questão dos afetos na fenomenologia de Edmund Husserl: um estudo preliminar

A questão dos afetos na fenomenologia de Edmund Husserl: um estudo preliminar

Resumo: Em busca de rigor na fundamentação dos estudos sobre processos psicológicos, consideramos a possibilidade de contribuição da Fenomenologia e Psicologia Fenomenológica de Edmund Husserl (1859- 1938) para o estudo dos afetos. O presente estudo tem como objetivo geral apresentar a questão dos afetos, tal como abordada por Edmund Husserl. Quanto ao método, este estudo se caracteriza como investigação teórica e segue as técnicas propostas da pesquisa bibliográfica. Primeiramente, destacam-se os principais aspectos e problemas correspondentes: a Fenomenologia dos sentimentos realizada por Husserl nas “Investigações Lógicas” de 1900-1901, tais como a distinção entre os atos de sentimentos e os sentimentos sensíveis, bem como o papel desempenhado pelas (re)presentações na fundamentação destas vivências. No segundo momento, foram demarcadas as principais características da Fenomenologia dos estados de ânimo dos Manuscritos M dos anos 1900-1914, destacando seu modo intencional específico, bem como sua função iluminadora do entorno e de abrir horizontes de objetos. Concluímos que a contribuição principal da Fenomenologia e Psicologia Fenomenológica de Husserl, para o estudo dos processos psicológicos e dos afetos em particular está em sua multiplicidade de descrições rigorosas e reconstituições minuciosas a respeito das vivências.
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Crença e razão na fenomenologia de Husserl

Crença e razão na fenomenologia de Husserl

final é simultaneamente a figura inicial, a origem. Na filosofia atual, porém, Husserl identifica outra concepção da razão, que para ele é precisamente uma irracionalidade, segundo a qual a razão se limita a investigar os fatos e nada além dos fatos. Este ‘objetivismo’ leva a ceticismo, ceticismo em relação à possibilidade de uma metafísica, que é no seu âmago o desmoronamento da crença numa filosofia universal e assim a perda da crença na razão. O seu irracionalismo é na verdade, segundo Husserl, um desvirtuar-se da razão na sua profundidade e autenticidade, uma racionalidade mesquinha e má, uma razão preguiçosa que foge da luta por uma clarificação dos dados últimos e das metas que a partir destes dados últimos se delineiam e que seriam definitivamente e verdadeiramente, fundadamente, racionais (Hua VI: 14/12). Há um elemento ético aqui, porque há elemento ético ou moral na própria razão enquanto telos – porque a razão não permite em si divisão em teórica, prática e estética: o que orienta o devir, o ser verdadeiro, é para o ser efetivo um dever-ser. O que importa salientar aqui é a imbricação entre crença e razão. Razão que se limita ao que é dado factualmente, que não crê, e portanto não se põe a investigar o que está implícito no dado e o fundamenta, é uma razão má. Há aqui em todo lugar pressuposta ainda outra distinção fundamental na fenomenologia de Husserl, a distinção entre fato e essência. No homem fatual que somos, investigamos a essência do ser homem, para descobrir a vocação de ser homem, à qual devo ordenar-me como a um ideal que é o dever-ser. Os fatos estão na ordem do 3 contingente, do que é, mas poderia ser
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A teoria da intencionalidade nas obras de Husserl e de Gurwitsch: entre fenomenologia transcendental e psicologia da Gestalt

A teoria da intencionalidade nas obras de Husserl e de Gurwitsch: entre fenomenologia transcendental e psicologia da Gestalt

Nosso objetivo é analisar a teoria da intencionalidade de Edmund Husserl, tal como se encontra em seu texto de 1913, “Ideias para uma fenomenologia pura e para uma filosofia fenomenológica”, e, paralelamente, a teoria da intencionalidade de Aron Gurwitsch, formulada em sua tese de doutoramento, de 1929, intitulada “Fenomenologia da temática e do eu puro”. Destacamos, por um lado, o método utilizado pelos dois autores para estabelecerem as suas teorias e, por outro lado, os conteúdos específicos de cada uma delas. A pesquisa busca contribuir para a elucidação do papel de Husserl e de Gurwitsch na história da psicologia e da filosofia, para a clarificação das relações possíveis entre fenomenologia transcendental e psicologia empírica e para uma compreensão mais adequada da psicologia fenomenológica que pode ser desenvolvida a partir da teoria da intencionalidade e da fenomenologia constitutiva. O trabalho tem início com uma contextualização histórica e lógica da problemática relacionada aos conceitos de intencionalidade e de descrição psicológica, tendo como ponto de partida a obra de Franz Brentano. Na sequência, o primeiro capítulo apresenta a teoria da redução fenomenológica de Husserl e a sua motivação cartesiana. O segundo capítulo consiste em uma série de análises e descrições sobre a consciência pura e transcendental. O terceiro capítulo consiste em uma apresentação da hipótese de constância, de sua derrogação pela Psicologia da Gestalt e da analogia, feita por Gurwitsch, entre esta e a redução fenomenológica. O quarto capítulo consiste em uma apresentação dos aspectos estruturais da teoria da intencionalidade de Gurwitsch. O quinto capítulo lida com a teoria de Gurwitsch sobre a atenção. O sexto capítulo, por fim, apresenta os principais problemas que Gurwitsch enxerga na “concepção
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Caminhos da fenomenologia: estudos sobre a fenomenologia de Husserl

Caminhos da fenomenologia: estudos sobre a fenomenologia de Husserl

A segunda coisa sobre a qual nos devemos entender é sobre o que se compreende por sujeito em psicanálise, pois nenhuma das suas possíveis de- finições fenomenológicas lhe parecem ser adequadas. Se definirmos generi- camente o sujeito fenomenológico pela possibilidade da evidência da expe- riência interna (por aquela espécie de self-awareness que torna a fenomeno- logia em herdeira da psicologia de Brentano), teremos de reconhecer que a psicanálise nos encaminha, a uma primeira leitura dos textos de Freud, para outras paragens. Aspectos tão essenciais da vida psíquica, para a psicanálise, como são, por exemplo, os casos do recalcamento ou da resistência parecem não ter lugar numa fenomenologia concebida de acordo com estes moldes. Atente-se, por exemplo, o que Husserl afirma no § 77 de Ideias I: é-nos proposta a análise de um acto realizado com uma determinada coloração afectiva (no caso em apreço, trata-se da alegria), após a realização da redução fenomenológica. Tal coloração torna-se agora em objecto de uma visada reflexiva, na qual ela se transforma em algo de imediatamente percebido: a alegria que foi efectivamente sentida deverá, no final da análise, aparecer como um caso exemplar de uma essência universal. A realização de uma tal análise, de acordo com o método fenomenológico, dependerá sempre da possibilidade de os dois pólos da relação intencional – a noese e o noema – se poderem oferecer a uma inspecção atenta. De certo modo, servindo-nos agora de uma expressão de Hermann Drüe, parece legítimo afirmar-se que tudo é Ichhaft para a fenomenologia 336 , de direito pelo menos, mesmo não o
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O Problema da Autoconstituição do Eu Transcendental na Fenomenologia de Husserl: de Ideias I a Meditações Cartesianas.

O Problema da Autoconstituição do Eu Transcendental na Fenomenologia de Husserl: de Ideias I a Meditações Cartesianas.

O presente artigo concentra-se em torno de um tema especíico da fenomenologia de Husserl: o problema da autoconstituição do eu transcendental. O artigo encontra-se dividido em duas partes, a primeira das quais tem como foco a consideração husserliana apresentada no § 57 de Ideias I (1913), segundo a qual o eu penso – enquanto polo idêntico que acompanha todos os vividos – seria, nos termos de Husserl, uma transcendência na imanência “não constituída”, uma vez que é a fonte originária constituidora da qual emanam os raios intencionais que visam e constituem os objetos na própria subjetividade transcendental. Tal consideração será, ainda na primeira parte do artigo, contrastada com outra passagem, porém, de Ideias II (1928), mais precisamente, do § 25, no qual notamos uma mudança de posição por parte de Husserl em relação ao texto do § 57 de Ideias I. Se, num primeiro momento, como fonte originária constituidora dos objetos, presença necessária e constante no luxo de vividos, o eu não é constituído, num segundo momento, essa fonte constituidora revela a sua “ambivalência”, pois, dada a sua inseparabilidade com respeito aos objetos visados, ao constituir tais objetos por meio de seus próprios atos intencionais, o eu se autoconstitui. No luxo de vividos, os raios
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Verdade na fenomenologia de Husserl.

Verdade na fenomenologia de Husserl.

Por outro lado, as ciências recorrem comumente à ideia de uma racionalidade que, concebida em sentido instrumental, tornaria sem sentido as tentativas de estabelecer um critério de verdade situado além da pura eficácia das teorias, visando o que para Husserl seria o objeti- vo principal da fenomenologia: a busca da “autofundamentação” abso- luta da razão e suas produções. A fenomenologia seria para Husserl a herdeira da pretensão antiga de realizar uma ciência rigorosa capaz de satisfazer às “supremas necessidades teóricas” (1966, p. 2) de justificar racionalmente todas as dimensões e questões da existência humana, éti- cas, religiosas, políticas e científicas (RENAULT, 1987, p. 45). Por isso Husserl compreende a atividade filosófica como “destinada a definir e a tornar conscientes as condições... da participação de todos numa verda- de comum” (MERLEAU-PONTY, 1945, p. 18), isto é, as condições de existência de uma humanidade efetiva em termos da ideia – de origem kantiana – de uma comunidade autenticamente ética fundamentada na e pela razão. Assim, o objetivo da filosofia não é imediatamente a elucida- ção do conhecimento científico, dos seus métodos e da estrutura da sua linguagem e das suas teorias, mas as condições essenciais que tornam possível todo conhecimento em sentido racional e que se enraízam na subjetividade humana considerada segundo a consciência transcenden- tal. Em último caso, trata-se de trazer à luz a atividade transcendental constituinte, enraizada na vida egológica da subjetividade humana, que torna possível toda racionalidade e verdade do conhecimento, incluin- do-se aí o conhecimento científico. A ciência olha para o mundo, e assim voltada para fora de si mesma, para o ser transcendente dos fenômenos, se deixa capturar pela materialidade e positividade do que vê, nada en- xergando da atividade subjetiva do pensamento que conhece e apreende conceitual e teoricamente a natureza.
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O ESTATUTO PESSOAL DOS ANIMAIS NA FENOMENOLOGIA DE EDMUND HUSSERL  Fellipe Guerra David Reis, Juraciara Vieira Cardoso

O ESTATUTO PESSOAL DOS ANIMAIS NA FENOMENOLOGIA DE EDMUND HUSSERL Fellipe Guerra David Reis, Juraciara Vieira Cardoso

Ultrapassada a necessária exposição sobre a fenomenologia de Husserl, temos material teórico suficiente para avançarmos nos objetivos da presente pesquisa. Atualmente está em voga a expressão "direito dos animais", que é empregada pela corrente utilitarista visando descrever que pelo fato dos animais terem interesses e serem passíveis de sentir dor e sofrimento, eles seriam também detentores de direitos, o que acarretaria obrigações aos seres humanos de protegê-los. Contudo, considerar que os animais seriam sujeitos de direitos pode ser problemático, eis que, segundo a tradição kantiana, a liberdade seria a única marca do sujeito moral, este sim, detentor de direitos reservados exclusivamente a eles (FERREY, 2003).
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Husserl e a psicologia.

Husserl e a psicologia.

Esclarecendo brevemente a terminologia empregada, de- nominaremos psicologia fenomenológica ou eidética àque- la que trabalha em conformidade ao aporte husserliano, se- gundo o programa filosófico fenomenológico e tendo como método a redução fenomenológica ou eidética. Psicologias de inspiração fenomenológica são aquelas que partem de uma concepção de mundo fundada na fenomenologia, mas empregam outras metodologias de trabalho ou seguem cami- nhos teóricos diferenciados. O termo psicologia faz referên- cia ao conjunto das teorias - de viés naturalista - advindas da pesquisa comportamental empregando metodologia experi- mental ou estatística, incluindo a psicofísica. Finalmente, psi- cologia como ciência universal refere-se à totalidade do corpus da disciplina, nas modalidades naturalista-experimen- tal e interpretativa.
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REPOSITORIO INSTITUCIONAL DA UFOP: A filosofia de Michel Henry : uma crítica fenomenológica da fenomenologia.

REPOSITORIO INSTITUCIONAL DA UFOP: A filosofia de Michel Henry : uma crítica fenomenológica da fenomenologia.

percebemos sensações mas coisas - nem como matéria transcendental dos seus atos. Mas, por que uma questão de princípios estabeleceria que um passo dado fora da esfera da intencionalidade nos conduziria fora do aparecer e do ser? De fato, é “a própria consciência”, e não uma decisão filosófica qualquer – mesmo metodológica - que recusa dar abrigo a alguma coisa como uma impressão puramente imanente, já que consciência quer dizer distanciamento e alienação de si, de modo que ela não poderia exibir em seu horizonte aber- to nada que se caracterizasse por uma interioridade radical. Inclusive porque este ser impressional imanente se propõe, na fenomenologia de Husserl, como a componente “real” da consciência e como seu último fundamento, como o resíduo irrecusável da última redução transcendental. Mas a consci- ência que recusa a imanência da doação originária dos dados impressionais é a consciência concebida a partir dos princípios do monismo fenomenológi- co, isto é, reduzida à pura transcendência da sua essência intencional. Não é então, propriamente falando, na consciência como tal, mas na consciência fenomenologicamente concebida, que se encontra o fundamento da recusa em conferir uma consistência ontológica autônoma aos dados materiais do fluxo subjetivo das vivências.
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Fenomenologia.

Fenomenologia.

A fenomenologia de Husserl ganhou impulso no final do século XIX, princípio do século XX, durante a crise do subjetivismo e do irracionalismo. A fenomenologia é uma meditação lógica, ultrapassando as próprias incertezas da lógica, por meio de uma linguagem (logos) em que se exclua a incerteza. Foi contra uma etapa do pensamento ocidental, contra o psicologismo, o pragmatismo que a fenomenologia refletiu. Segundo o mesmo autor, tal corrente filosófica “...começou por ser e continua sendo uma meditação acerca do conhecimento, um conhecimento do conhecimento; e o célebre pôr entre parênteses consiste, em primeiro lugar, em dispensar uma cultura, uma história, em fazer todo o saber, elevando-se a um saber radical” (2) .
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