Top PDF A noção de objeto na psicanálise freudiana.

A noção de objeto na psicanálise freudiana.

A noção de objeto na psicanálise freudiana.

Em sua prim eira teoria das pulsões, Freud propõe que as pulsões sexuais se apoiam originalm ente sobre as pulsões de autoconservação. Assim , as escolhas anaclíticas de objeto estariam se estabelecendo a partir do m odelo de relação pre- sente nos prim eiros m om entos de vida, em que a satisfação sexual se apoiaria sobre objetos responsáveis pela conservação da vida, ou seja, principalm ente so- bre o seio m aterno. Daí outro uso do objeto na form ulação teórica de Freud, aque- le que estabelece que o seio m aterno é o prim eiro objeto sexual: “Em um tem po em que o início da satisfação sexual ainda está vinculado ao recebim ento de ali- m entos, a pulsão sexual encontra o objeto sexual fora do corpo da criança, na form a do seio m aterno”( FREUD, 1905/ 1972, p.125) . De fato, para Freud, o pri- m eiro objeto será o m odelo para as futuras relações objetais: “Existem , portanto, boas razões para que o ato de um a criança sugar o seio da m ãe se torne o protótipo para toda relação de am or. Encontrar um objeto ( die Objektfindung) é na realidade reencontrá-lo” ( FREUD, 1905/ 1972, p.125-126) . Essa é um a frase m uito citada e talvez a m ais reconhecida entre as passagens da obra freudiana em que há um a referência à noção de objeto.
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PESQUISA EM PSICANÁLISE SOBRE FENÔMENOS SOCIOCULTURAIS: :

PESQUISA EM PSICANÁLISE SOBRE FENÔMENOS SOCIOCULTURAIS: :

RESUMO: Originalmente concebida no espaço clínico, a psicanálise não tardou a ser usada também para investigar a sociedade e a cultura, o que trouxe novos desafios e impasses metodológicos. É nesse contexto que o presente trabalho visa compreender, de maneira introdutória, alguns dos aspectos metodológicos concernentes a uma pesquisa psicanalítica de fenômenos socioculturais, privilegiando o referencial teórico da psicanálise freudiana e seu entendimento sobre psicologia das massas. Mediante uma articulação de discussões sobre pesquisa teórica em psicanálise, pesquisa psicanalítica de fenômenos socioculturais e psicologia das massas freudiana, o presente estudo advoga uma indissociabilidade entre epistemologia e metodologia psicanalíticas, o que permite entender a dupla função de conceitos como os de transferência, elaboração e identificação para o ofício do pesquisador em psicanálise. Em termos conclusivos, o estudo argumenta que a psicologia das massas freudiana é um importante referencial teórico e metodológico para pesquisas correntes e vindouras, por apontar uma relação de continuidade e tensão entre o individual e o social, construindo um espectro onde o pesquisador não pode se eximir da relação direta e implicada com seu objeto de pesquisa, dando voz e vez a ele.
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Psicol. USP  vol.23 número3

Psicol. USP vol.23 número3

Resumo: O artigo discute as relações entre a psicanálise e a ciência, espe- cialmente no que tange aos seus métodos de investigação e trabalho. Para isso, tomamos como objeto a noção de neutralidade, tal como podemos apreendê-la na clínica da psicanálise, para confrontá-la com o que chamamos de isenção no campo da ciência, que não quer dizer outra coisa que a neutralidade proposta lá. Veremos que, apesar da clara filiação da noção psicanalíti- ca para com a noção vinda da ciência, a neutralidade clínica da psicanálise toma outro rumo, que se pode mesmo opor ao sentido do termo na ciência. Enquanto em ciência o termo quer significar um processo de purificação e de seleção, em psicanálise ele surge como a exigência de nada selecionar.
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CONSIDERAÇÕES TEÓRICAS SOBRE A PSICANÁLISE FREUDIANA: DA METAPSICOLOGIA AOS TEXTOS SOCIAIS

CONSIDERAÇÕES TEÓRICAS SOBRE A PSICANÁLISE FREUDIANA: DA METAPSICOLOGIA AOS TEXTOS SOCIAIS

Mas, uma consideração pertinente, a nosso ver, seria o fato de Freud recorrer ao conceito de sublimação para justificar o investimento libidinal em um objeto socialmente aceito, mas sem, contudo, explicar como se estruturam os seus mecanismos internos. O conceito de sublimação foi introduzido e pouco modificou no decorrer da obra freudiana, mesmo na grande teorização de 1914/1915. Alguns autores afirmam que um dos supostos textos metapsicológicos extraviados seria sobre a sublimação (GARCIA- ROZA, 2000a), opinião partilhada com o próprio editor inglês da coleção standard das obras psicológicas completas de Freud (1980); mas, segundo Kaufmann, (1996), o termo continua um conceito que carece de maior esclarecimento, como forma de evitar dúvidas e uso indevido, o que não diminui sua importância no corpo teórico da obra psicanalítica.
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O estatuto do objeto na psicanálise lacaniana: uma comparação com o objeto da ciência.

O estatuto do objeto na psicanálise lacaniana: uma comparação com o objeto da ciência.

fi nalidade de dar um sentido a essa noção, recorreremos às elaborações da epistemologia acerca do estatuto do objeto na atividade científi ca, para só então procurarmos fornecer uma interpretação do sentido de sua utilização pela psicanálise. É importante advertir que, por uma razão de método, circuns- crevi essas refl exões epistemológicas ao estatuto do objeto nas ciências físicas e químicas. O objeto científi co não é uma realidade existindo em si e por si, sendo antes resultado de uma construção pela ciência. O objeto não é algo cuja existência possa ser postulada previamente ao processo de conhecimento, mas sim o resultado de uma longa elaboração. Ele não constitui um dado que se impõe independentemente da atividade cientí- fi ca, como se fosse seu ponto de partida; mas antes o ponto ao qual a ciência chega ao fi nal de um trabalhoso percurso.
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Eros na psicanálise freudiana : um destino culturante da pulsão

Eros na psicanálise freudiana : um destino culturante da pulsão

22 buscar o alimento para aplacar a fome, busca, por meio do seu grito e choro, o prazer possibilitado pela primeira experiência de satisfação. Nesse sentido, a procura é pela repetição da satisfação, que fez surgir a experiência tão prazerosa e a que é tão difícil renunciar. Zygouris (1999) sugere que o bebê, tributário de uma avidez de amor, de seio e de leite, ―mama o amor e aspira para um além leite, objeto de sua necessidade, assim como aspira incorporar um seio invisível, uma inútil teta de amor. O amor é o suplemento de alma cuja carência mata seguramente tanto quanto a carência de alimento.‖ (p. 9). Interessa registrar que a autora aponta para o amor (ou sexualidade) parcial – teta de amor – e não para o outro, objeto reconhecido na cultura. Parece que o amor a que Zygouris se refere não é propriamente ainda o amor de Eros, ainda que caminhe para isso. É como se fosse preciso um percurso da pulsão sexual até o objeto para que a função e o papel da cultura e do outro no aculturamento da sexualidade se tornem efetivos, como se nota nos complexos de Édipo e de castração. De qualquer forma, alerta-se para a implicabilidade do agente externo no funcionamento e sobrevivência psíquicos, num momento em que os movimentos de supressão das necessidades vitais já estão definitivamente emaranhados às experiências de satisfação, de prazer e desprazer, e escapam, portanto, de uma mera realização no plano da necessidade.
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Os limites históricos da teoria freudiana do complexo de Édipo apontados por Mark Poster, na Teoria Crítica da FamíliaNeuci Leme de Camargo

Os limites históricos da teoria freudiana do complexo de Édipo apontados por Mark Poster, na Teoria Crítica da FamíliaNeuci Leme de Camargo

Contudo, para tratar dos diferentes níveis - a saber, o psicológico, da relação família e sociedade e cotidiano -, que envolvem essa mediação, Poster (1979) considera insuficientes os pressupostos biologicistas da psicanálise freudiana e, em especial, a assunção destes pela tradição freudo-marxista das teorias psicossociais e pela tradição crítica, desenvolvida pelos frankfurtianos, na medida em que assumem a noção freudiana do complexo de Édipo para explicar a constituição psíquica do indivíduo, na contemporaneidade. Assim sendo, o autor procura desenvolver uma interpretação crítica e original acerca do complexo de Édipo, retomando a psicanálise freudiana, particularmente algumas categorias, para compreender o nível psicológico da estrutura familiar e compreendê-lo, por intermédio da perspectiva dialética das relações entre família e sociedade e sociedade e indivíduo. Com isso, a Teoria Crítica da Família procura compreender a estrutura da família em sua historicidade e em conformidade com os determinantes sociais, aos quais essa instituição está submetida, fornecendo elementos teóricos para as pesquisas sobre o tema, em seus diferentes níveis, no campo das Ciências Sociais e da historiografia social. Esse é o propósito da Teoria Crítica da Família, à luz da revisão crítica e da perspectiva teórica assumida pelo seu autor.
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FOUCAULT E A TRANSGRESSÃO DO PRAZER NA ÉTICA DA PSICANÁLISE LACANIANA

FOUCAULT E A TRANSGRESSÃO DO PRAZER NA ÉTICA DA PSICANÁLISE LACANIANA

Eis porque insistimos que, na exposição lacaniana, há uma ambigüidade explícita (e em alguns momentos proposital) na determinação de alguns conceitos essenciais às questões éticas da psicanálise. Já dissemos que um dos pontos altos desta ambigüidade se encontra na inscrição da lei, à notação da qual Lacan (na pena de seu editor) parece não se decidir entre o uso, ou não, da maiúscula. Nós mostramos que há uma diferença entre a lei da interdição e a Lei do significante, embora ambas estejam escritas na mesma pauta musical 172 . Lembrando que os tempos edipianos nada têm de diacrônicos, vimos que a primeira lei está relacionada ao “segundo tempo” do complexo de Édipo, ao Pai imaginário, patriarca da horda e senhor do gozo, no luto do qual herdamos dispositivos de normatização e socialização. Por sua vez, a Lei do significante se atualiza num “terceiro tempo”, está relacionada ao fracasso do pai real em nos determinar o objeto adequado do gozo, donde nos confrontamos com o rochedo da castração. A noção freudiana de supereu é classicamente pensada nas exigências de renúncia ao gozo que, provindas daquele Pai imaginário interiorizado, se presentificam, por exemplo, na dialética da privação e da acumulação, nas exigências da ética protestante, enfim, naquele gozo puritano de que falamos. De fato, tais exigências de renúncia e sacrifício podem ser transgredidas (ao menos imaginariamente transgredidas), o que não deixa de ter suas conseqüências funestas (e ansiadas pelo neurótico) de sofrimento e culpa, como nos mostrou Freud em O mal-estar na civilização. Contudo, se esta transgressão pressupõe (e se confronta com) a lei, a interdição de um objeto (o bem, a mãe), é preciso perguntar: será este objeto e esta lei o que está em questão quando agora Lacan anuncia o gozo transgressor no Seminário 7?
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A noção de representação em psicanálise: da metapsicologia à psicossomática.

A noção de representação em psicanálise: da metapsicologia à psicossomática.

Já em “O inconsciente”, Freud (1915/1982a) retoma os conceitos de “re- presentação de palavra” e de “representação de objeto”, formulados em Sobre a concepção das afasias, para explicar a distinção entre os sistemas inconsciente e pré-consciente. Porém, nesse momento, a chamada “representação de objeto” do texto de 1891 passa a ser chamada de “representação de coisa” e Freud passa a designar “representação de objeto” o par constituído pela associação entre a representação de palavra e a representação de coisa. Enquanto no sistema incons- ciente apenas esse último tipo de representação estaria presente, o sistema pré- -consciente emergiria a partir da associação entre as representações de palavra e as representações de coisa inconscientes. Como parte dessas últimas nunca chegaria a ser associada às palavras, algumas representações permaneceriam no sistema in- consciente, ou seja, não chegariam a fazer parte do pré-consciente. Outras repre- sentações de coisa, embora tivessem sido alguma vez integradas ao sistema incons- ciente, poderiam perder os seus vínculos com as palavras, de forma a voltarem a fazer parte apenas desse último sistema. O primeiro seria o caso da “repressão primordial” e o segundo da “repressão propriamente dita”. Nas palavras de Freud:
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Instinto e civilização: a sociologia processual de Norbert Elias e seu encontro com a psicanálise freudiana

Instinto e civilização: a sociologia processual de Norbert Elias e seu encontro com a psicanálise freudiana

Este trabalho faz uma análise reflexiva sobre a obra do sociólogo Norbert Elias, especialmente na sua interpretação sobre o processo civilizatório, ocorrido na Europa a partir da formação dos estados absolutistas europeus, presente em O processo civilizador (1939). Na constituição de sua Sociologia, Elias traz uma proposta interdisciplinar de analisar sociologicamente um objeto histórico. Para tal análise, o autor faz uso da psicanálise freudiana. Nesse trabalho busquei fazer, primeiramente uma análise sociobiográfica de Freud e Elias, tratando de sua formação intelectual, procurando um ‘ponto de encontro’ desses dois autores. Concretamente, esse local foi a Escola de Frankfurt, onde havia uma relação muito forte entre a teoria social e a psicanálise, que influenciou autores como Hebert Marcuse e Theodor Adorno. Em sua vida, Elias entra em contato com a obra freudiana no período que ficou na cidade (1929-1933), quando era assistente de Karl Mannheim. O período inicial de Elias em Frankfurt coincide com o lançamento de O mal-estar na civilização, a grande obra em que Freud, mesmo que partindo de um pressuposto clínico faz uma grande análise do social. Elias se enquadra em uma tradição de autores que usaram a teoria psicanalítica como apoio para a construção de teorias tanto da área da Sociologia como da Antropologia. Portanto, fizemos uma genealogia dessa interação e percebemos que ela ocorre quase que simultaneamente com o surgimento da Sociologia, da Antropologia e da Psicanálise, sendo o próprio Freud um dos autores a fazer essa interação em obras como Totem e Tabu e O Mal- estar na civilização, dentre outras. Baseado nessas obras e por conceitos formulados por Freud com as ideias de ‘supereu’, ‘repressão instintual’, Elias constrói sua teoria do ‘processo civilizador’. Esse processo, Elias nos diz que está baseado majoritariamente num processo de repressão dos afetos e das emoções, que na linguagem freudiana é a ‘repressão dos instintos’ que leva a formação do supereu, nosso censor moral. Para Elias essa ‘repressão’ ocorre em dois momentos: primeiro por meio de uma coerção externa, com o surgimento de sentimentos como a vergonha esse caminho leva à internalização dessas proibições levando os indivíduos ao autocontrole de suas emoções, num processo de racionalização dessas. Quando formulou sua ideia de ‘processo civilizador’, Elias postulou também que esse processo não é unilinear e que não está totalmente a salvo surgindo assim a ideia de ‘processo descivilizador’ que ocorrem em situações como guerras e genocídios e que Elias analisou na sua obra Os alemães.
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As transformações da psicanálise freudiana : limites e possibilidades

As transformações da psicanálise freudiana : limites e possibilidades

As menos chocantes dentre as chamadas perversões sexuais são amplamente difundidas por toda a população, como sabe todo o mundo, exceto os médicos que escrevem sobre o assunto. [...] Portanto, não surpreende que nossa histérica de quase dezenove anos soubesse da existência desse tipo de relação sexual (sucção do órgão masculino), criasse uma fantasia inconsciente dessa natureza e a expressasse através da sensação de cócega na garganta e na tosse. Ela lembrava muito bem ter sido na infância uma “chupadora de dedo”. [...] A intensa atividade dessa zona erógena [a boca] em idade precoce constitui, portanto, a condição para a complacência somática posterior do trato da membrana mucosa que começa nos lábios. Se depois, numa época em que já se conhece o objeto sexual propriamente dito, o membro masculino, surgem circunstâncias que tornam a aumentar a excitação da zona da boca, que preservou seu caráter erógeno, não é preciso um grande dispêndio de força criadora para substituir, na situação de satisfação, o mamilo originário e o dedo que fazia as vezes dele pelo objeto sexual atual, o pênis. Assim, essa fantasia perversa e sumamente escandalosa de chupar o pênis tem a mais inocente das origens; é a nova versão do que se pode chamar de impressão pré-histórica de sugar o seio da mãe ou da ama – uma impressão comumente revivida no contato com crianças que estejam sendo amamentadas
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A constituição dos conceitos de ego e objeto na metapsicologia freudiana

A constituição dos conceitos de ego e objeto na metapsicologia freudiana

em si mesmo. O denominador comum de todas as práticas denominadas sexuais teria o prazer como meta, e o objeto seria qualquer coisa por meio da qual se obteria o prazer. Deste modo, a sexualidade não mais teria como definição um objeto em especial. Esta afirmação faz com que o objeto seja essencial para a consecução da meta, mas não é demandado um em especial, fazendo, por outro lado, com que o prazer sexual deixe de especificar um aparato orgânico biológico. Até este ponto, pode-se concluir que, num certo sentido, a função dos Três Ensaios foi responder as questões que ficaram em aberto após o abandono da teoria da sedução 14 , refletir sobre a noção de sexualidade, chegando à conclusão de que este termo era exíguo e merecia ser desconstruído, já que a norma de meta e objeto restritos enrijeceriam o conceito. Assim, Freud não tem a intenção de fazer uma nosografia dos desvios sexuais, como também uma leitura pouco embasada pode sugerir. Assim, à medida que as questões envolvendo os desvios sexuais foram analisadas no primeiro ensaio, nota-se como o termo objeto foi anteriormente introduzido e aparentemente vai perdendo seu estatuto nas discussões metapsicológicas do trabalho. Aqui, o conceito de pulsão adquire uma importância cabal, uma vez que possui a flexibilidade necessária a partir da qual esse autor pode apresentar suas idéias sobre a relação entre sexualidade e etiologia das neuroses, sexualidade e fantasia e as relações entre a sexualidade adulta e infantil. Como aponta WOLLHEIM (1971, p. 197) em relação aos delírios de auto-observação na afecção paranóica, mas que cabe muito bem nessa presente exposição, “os delírios da vida adulta são as fantasias da infância normal revividas”. Como o conceito de objeto poderia dar conta da teoria de sexualidade proposta por Freud de achar na arqueologia da sexualidade infantil a patologia da vida adulta, apresentada pelo discurso de seus pacientes e nos desdobramentos econômicos e dinâmicos da formação de seus sintomas?
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O papel da ilusão na psicanálise Freudiana.

O papel da ilusão na psicanálise Freudiana.

Um exemplo desta Darstellung do Inconsciente poderia ser encontrada no texto Construções em análise, escrito também em 1937 no apagar das luzes da trajetória freudiana. O analista lança mão de indícios para reconstruir o que foi esquecido pelo analisante e, nesse trabalho, ele se assemelha ao arqueólogo. Este, porém, só consegue fazer a reconstrução que deseja a partir de um objeto real. Nas cons- truções analíticas, porém, esse objeto é o próprio analisante, pois só ele pode validar as ficções do analista. Mas no trabalho da análise, o sujeito é o sujeito do inconsciente e, por isso, a validação das construções do analista só pode ser feita no decorrer de todo o processo da análise, na medida que, no discurso do analisante, acontece uma Darstellung do Inconsciente (PALOMBINI, 1966). 6
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O projeto de uma memória freudiana: uma análise acerca da constituição dessa noção nos primórdios da psicanálise.

O projeto de uma memória freudiana: uma análise acerca da constituição dessa noção nos primórdios da psicanálise.

RESUMO: O presente trabalho versa sobre a constituição da noção de memória na teoria freudiana. Para tanto, utilizamos, de modo primordial, as elaborações desenvolvidas no Projeto para uma psicologia cientíica. Objetivamos ressaltar que Freud subverte a problemática acerca do conceito de memória, concedendo a essa ideia um caráter criativo que se diferencia da simples representação de um objeto contido na realidade material. Em Freud, a memória excede o que se compreende comumente como evocação, ou seja, a lembrança não se restringe à retomada de uma percepção. Se a memória é considerada como sendo o próprio psiquismo, é a sua relação com a pulsão e, posteriormente, com a noção de a posteriori (Nachträglich) que possibilita a efetivação de uma memória própria à Psicanálise. Desse modo, explicitamos que a memória em Freud é tanto um imperativo da pulsão quanto o desdobramento dos efeitos de uma temporalidade psíquica. Mesmo que parta de uma construção teórica estritamente associada às ciências naturais, um exame mais detido a respeito das formulações desse período nos ajuda a compreender a maneira como ele arquiteta uma teoria que, pelo menos a princípio, tinha como objetivo último esclarecer a problemática concernente à noção de memória.
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PROJETO OFICINEMA:CONSTRUINDO UM CAMINHO

PROJETO OFICINEMA:CONSTRUINDO UM CAMINHO

A partir desse conceito de objeto, podemos nos voltar para o proces- so de identificação e suas variantes na psicanálise freudiana. Freud estabele- ceu basicamente dois tipos de identificação: 1) identificação do eu com o objeto total, denominada de identificação primária; e 2) identificação parcial do eu com um aspecto do objeto, identificação secundária. O que nos inte- ressa discutir é a segunda forma de identificação, pois esta é a que têm maior permanência e constância ao longo da vida do sujeito e vai constituir basica- mente todo seu processo de formação psíquica, ou seja, de sua personalidade. Como identificação parcial, como colocado acima, ela vai se dar não com o objeto total, mas com algum aspecto do mesmo, o que pode ser: a) com um traço distintivo do objeto, o que Freud vai indicar como uma identi- ficação regressiva, b) com a imagem do objeto, e aqui pode ser com a imagem total ou parcial, ou c) com o objeto enquanto emoção (NASIO, 1995). Esse processo, ainda que apresentado de forma esquemática, se processa no sujei- to de forma bastante complexa. Do ponto de vista da conceituação teórica, nos apropriamos, no caso das identificações parciais, daquelas em que se estuda a identificação com uma imagem total do objeto. Essa escolha não é aleatória, mas porque essa teorização estabelece uma relação importante em torno dos conceitos que estamos utilizando, a qual vai afirmar que essa forma de identificação acontece porque entre sujeito e objeto se estabelece uma identificação narcísica. Neste caso, “(...) a representação inconsciente do obje- to amado, desejado e perdido é uma imagem” (NASIO, 1995, p. 107). Dentro de um quadro patológico, o sujeito pode chegar mesmo a adotar uma conduta bizarra ao assumir comportamentos idênticos aos do objeto perdido e amado reproduzindo fielmente seus contornos, trazendo para si sua imagem total. A razão para tal comportamento é dada em função de que “[...] a imagem do objeto amado, desejado e perdido, que o eu entristecido agora torna sua, é na verdade sua própria imagem, que ele havia investido como sendo a imagem do outro” (NASIO, 1995, p. 108). Ainda que não se trate de um comportamen- to exacerbado, o que está colocado e que nos interessa é a presença de uma relação narcísica com o objeto, e uma relação que se estabelece a partir de uma imagem.
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O paradoxo da finitude:: sobre o sentido onto-antropológico da psicanálise Freudiana.

O paradoxo da finitude:: sobre o sentido onto-antropológico da psicanálise Freudiana.

concedendo primazia ao contexto de produção e ou difusão da obra; a “subjetivista” valorizando a leitura da obra pelo intérprete e a “textualista”, afirmando a autonomia do texto em seu aspecto de conteúdo ou em seu aspecto formal. Esta última abordagem, em seu aspecto formal, poderia adotar um viés de superfície, seguindo a articulação lógica do texto em sua literalidade, como seria o caso de uma exegese unilateralmente analítica ou adotar um viés de profundidade, como seria o caso da exegese estrutural, que investiga a articulação subjacente ao texto e o sentido que estaria nele presente, mas que não se ofereceria na imediatidade da leitura de superfície. Ora, todas estas diferentes posturas metódicas, demonstra o autor em seu artigo, trazem tentações e riscos que devem ser explicitados para poderem ser exorcizados. Adverte ele, sobretudo, justamente tê-lo tomado como tema privilegiado de sua análise, para o risco de absolutização do texto contido na abordagem estrutural. À luz dessas considerações é evidente que, se por um lado todas as abordagens podem levar a alguma tipo de distorção e infligir alguma violência à obra, por outro lado, é rigorosamente impossível não adotar um método capaz de prover uma certa mediação das duas posições extremas: a da mera repetição do texto-objeto, com a recíproca anulação do intérprete- sujeito ou a da substituição do texto-objeto, com a sua recíproca redução ao texto do intérprete e desconsideração de sua autonomia e de sua significação imanente. Em ambos os casos a tarefa da interpretação seria supérflua, ou seja, tanto sendo repetido, quanto sendo substituído, o texto desapareceria como interpretandum, como objeto de interpretação que contém um excesso de sentido que transborda de sua literalidade e que subverte a intenção do intérprete. Essas considerações visam apenas indicar que me esforcei em adotar um certo equilíbrio entre essas duas posições extremas, por isso, mesmo quando não está sendo citado ou mesmo que não seja submetido à uma análise minuciosa, o texto freudiano está sempre presente, uma presença que se dá não apenas em sua letra mas, e acima de tudo, em seu espírito, por meio das interrogações que a obra mesma instaurou, ao se projetar numa história hermenêutica.
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Contribuições da psicanálise winnicottiana ao campo da atenção pública em saúde mental: manejo e uso ampliado do setting na clínica das psicoses em instituições MESTRADO EM PSICOLOGIA CLÍNICA

Contribuições da psicanálise winnicottiana ao campo da atenção pública em saúde mental: manejo e uso ampliado do setting na clínica das psicoses em instituições MESTRADO EM PSICOLOGIA CLÍNICA

O estabelecimento precário da coesão psicossomática reflete também em dificuldades relativas à temporalização e espacialização, e ao estabelecimento de relações de objeto. O corpo é o primeiro lugar em que o si-mesmo pode habitar e, sem isto, nunca se chega a ter clareza de seu funcionamento e de uma primeira demarcação do tempo que ele pode propiciar, bem como a noção de ocupação do espaço torna-se frágil, pela impossibilidade de reconhecer de um modo pessoal a consistência, o peso e, portanto, a realidade do corpo. Tampouco se chega a estabelecer minimamente uma membrana limitante, capaz de diferenciar o que vem de dentro e o que vem de fora, e de fornecer as bases para relações objetais. Sem este primeiro sentido de residência, tudo se torna sem sentido ou assustador. No caso de C., além da estranheza em relação ao próprio corpo podemos pensar que, exatamente por isto, havia a princípio dificuldades relativas a qualquer contato com o ambiente. Desta forma, qualquer aproximação era sentida como invasão, às quais ela reagia com agressividade. Interessante ainda notar que as invasões eram experimentadas no próprio corpo, como fica claro, por exemplo, na ocasião em que havia pessoas descarregando garrafões de água no CAPS, que, vale ressaltar, não chegaram a tocá-la, mas tal situação foi sentida por ela como um chute na cabeça que a deixou amassada de um lado.
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Da cura à estrutura : um ensaio sobre a questão do mal-estar na psicanálise freudiana

Da cura à estrutura : um ensaio sobre a questão do mal-estar na psicanálise freudiana

Freud, como se pôde acompanhar até o momento, trilhou seu caminho através da medicina, mais precisamente, pelos labirintos que a histeria lhe ofereceu. Partindo da psicopatologia se conduziu ao campo dos sonhos, o que já possui importantes implicações: Freud, em definitivo, rompe com o fazer e o olhar médico característico de sua época e, com isso, entra no lugar de continua oposição. Suas especulações saíram do campo estrito da medicina e, de certa maneira, do âmbito da ciência característica de sua época, apesar de continuar compartilhando com a mesma alguns pontos de vista, como a perspectiva determinista, por exemplo. Desde a ocasião de seu retorno de Paris, quando seus relatos impressionados sobre a atuação de Charcot foram recebidos com frieza e ceticismo por seus colegas, Freud, como ele mesmo comenta, se viu obrigado a ―ingressar na Oposição‖ (Freud, 1925[1924], p. 23) para sustentar suas convicções. Nesse momento, vale lembrar, o objeto de disputa era representado pela histeria.
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A Construção do Novo Método e do Novo Objeto da Psicanálise

A Construção do Novo Método e do Novo Objeto da Psicanálise

Quanto à noção de empatia (Einfuhlung), ela foi introduzida por Lipps, em 1903, para designar uma projeção de si no objeto (“quando assisto no circo a um acrobata a deslocar- se no arame, sinto-me dentro dele”). Tornou-se, na moda atual, um conceito usado na con- tratransferência, para enfatizar a psicologia das emoções. É comum os psicoterapeutas, ao procurarem identificar-se com os seus pacientes, interrogarem-se, nas supervisões, quando falam das suas sessões com os pacientes: “O que eu estou a sentir, a sensação que tenho é que o paciente me está a dizer que...!”. Mas a empatia, como experiência relacional, estende-se a toda a intersubjetividade e não pode implicar apenas a experiência de como sentimos o outro, mas devia-se abrir a tudo o que permite a inteligibilidade mútua. Husserl, em 1931 (citado em Dastur, 2004), descreveu o papel da intersubjetividade na constituição do nosso sistema de cognição, ao destacar que pela empatia compreendemos os outros como semelhantes a nós, ou seja, que o outro é experimentado num processo de emparelhamento. Operando numa outra lógica, a partir do novo conceito da intencionalidade, Merleau-Ponty (1962/1945) ante- cipou que “há comunicação quando há reciprocidade entre a minha intenção e os gestos dos outros, entre os meus gestos e as intenções dos outros. É como se a intenção do outro morasse no meu corpo e o minasse!”. Quer dizer, o que funda a autoidentidade do outro no meu corpo é também o que funda a alteridade do outro. É esta intencionalidade que finalmente funda o carácter objetivo da realidade humana, no sentido em que descobrimos que o outro é uma pessoa, semelhante a nós e não um organismo com uma mente, ou um objeto com o qual se estabeleceriam relações de objeto.
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A psicanálise freudiana e a dualidade entre ciências naturais e ciências humanas.

A psicanálise freudiana e a dualidade entre ciências naturais e ciências humanas.

Mais adiante, ainda no texto do Projeto, Freud introduz uma série de noções para descrever como, a partir da experiência primordial de satisfação, um funcionamento psíquico primário, voltado para a descarga imediata das excitações, é substituído, por razões adaptativas, por um processo secundário, em que a descarga é adiada, de modo que se torna possível a inspeção e a exploração da realidade, o reconhecimento e o jul- gamento dos objetos percebidos e rememorados, que, em conjunto, constituem os pro- cessos do pensar. A formação do eu como estrutura intrapsíquica é apresentada como resultado das etapas iniciais desse processo – condicionadas por tendências inatas, evolutivamente fixadas, às quais Freud se refere como “leis biológicas” – e, a seguir, como condição para seu desenvolvimento posterior. O próprio pensamento vai ser de- finido como um rodeio que se intercala entre a percepção da necessidade e o desenca- deamento da ação: embora Freud procure mostrar como ele vai pouco a pouco se dis- tanciando de sua finalidade prática inicial (com o surgimento do “interesse teórico” no reconhecimento dos objetos), ele conservará sempre uma relação genética com ela. Aí, a construção progressiva e concomitante do Outro, como objeto externo, e do eu como instância psíquica, mediada pelas representações sensoriais do corpo próprio e do corpo alheio, ilustra bem como o papel constitutivo da alteridade é pensado por Freud, nesse contexto teórico em que dinâmica neuronal e intersubjetividade pare- cem compor-se sem conflitos em uma concepção sobre a gênese da estrutura da mente e do sujeito psíquico. Citemos mais longamente esse último trecho, a fim de deixar bem documentada essa atitude:
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