Top PDF A questão da técnica em Oswald Splenger

A questão da técnica em Oswald Splenger

A questão da técnica em Oswald Splenger

intitulado Der Menschund die Technik, datado de 1931, com o propósito de apontar que Spengler foi capaz de ler, por um lado, nos eventos que se desenrolaram na primeira metade do século XX, sobretudo no contexto da primeira guerra mundial, o papel que a técnica ocuparia no desenvolvimento e numa possível derrocada do ocidente. Por outro lado, essa exposição é um convite para, primeiro, conhecer a filosofia presente em um autor pouco estudado na academia atualmente; segundo, para examinar se suas teses trazem algo significativo sobre a técnica e a ciência nos dias atuais; terceiro, independentemente do seu pessimismo e abstrações quase imaginárias, situá-lo como um pensador que enxergou na técnica um modo definidor do ser do homem.
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A questão fenomenológica da técnica. Facto, época e paradigma cultural

A questão fenomenológica da técnica. Facto, época e paradigma cultural

1) Na discussão do relatório da aula anterior, foram feitas algumas aclarações. Em primeiro lugar, a análise heideggeriana da técnica permite compreender a estrutura formal da sociedade e cultura modernas à maneira de um sistema fechado, o que não está longe de perspectivas como a Teoria dos Sistemas de Luhmann ou a consideração da técnica como ingrediente ideológico estruturante do social em Habermas. Heidegger realiza uma abordagem da essência da técnica, em vez de analisar ou comparar diferentes técnicas. Nesse sentido, confronta a essência de técnica dos antigos gregos (τέχνη), que é poiética, com a da tecnologia actual, que impõe a tudo quanto há uma função, susceptível de ser controlada e garantida na sua funcionalidade. “Tudo funciona, e isso leva tudo a continuar a funcionar”, segundo diz na Entrevista a Der Spiegel. Heidegger chama a atenção para o carácter «inquietante» dessa tecnificação de todos os estratos da vida socio-cultural, que desafia e provoca (Herausfordern) o próprio homem e tudo quanto há a comportar-se como se fosse uma mera peça de uma grande engrenagem funcional. Outra questão aclarada foi a proximidade etimológica do termo alemão Wahrheit (verdade) com os verbos Wahren (guardar) e Währen (durar), revelando o sentido temporal da verdade como aquilo que dura, aquilo que guarda na palavra o rastro fenomenológico do sentido.
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PRESSUPOSTOS PARA SE PENSAR A QUESTÃO DA TÉCNICA EM "SER E TEMPO"

PRESSUPOSTOS PARA SE PENSAR A QUESTÃO DA TÉCNICA EM "SER E TEMPO"

Não mais inscrito em uma ordem de ideias nas quais as concepções mais correntes sobre a técnica se delineiam por uma dicotomia entre nociva e benéfica para a humanidade, Heidegger procura encontrar um novo ponto de partida para realizar uma discussão sobre essa questão. Não obstante, o que permite tecer com maior fidelidade a questão da técnica no pensamento de Heidegger é adentrarmos no seu objeto central de estudo. Assim, poderemos compreender como esse objeto é analisado em momentos distintos do seu pensamento, tanto na fase de Ser e Tempo, quanto ao que se refere a escritos posteriores e, por conseguinte, seu entrelaçamento com a questão da técnica.
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A QUESTÃO DA TÉCNICA MODERNA EM HEIDEGGER, A PARTIR DO HABITAR E SER NA AMAZÔNIA

A QUESTÃO DA TÉCNICA MODERNA EM HEIDEGGER, A PARTIR DO HABITAR E SER NA AMAZÔNIA

Aqui Heidegger vincula a ciência moderna à estrutura ontológica que se encontraria na essência da modernidade, a vontade de poder. A ciência moderna estaria na esteira da metafísica, seria metafísica como uma de suas principais manifestações hodiernas. Ora, como já acentuamos, a metafísica ao buscar o ser, só encontra o ente e o seu questionamento: idéia, substância, mundo, Deus, representação, cogito, coisa em si, sujeito, absoluto, vontade de poder. Dessa forma, recuperar a questão do ser é “passar a limpo” a história como história metafísica, humanismo, domínio sobre a natureza e esquecimento do ser. Portanto, cabe ponderar que, a questão do ser para Heidegger não pode ser considerada uma mera elucubração, ou uma vaga retórica, tampouco uma fuga às crises e paradoxos da modernidade. Ao contrário através do ser e seu questionamento, o pensador elabora o seu diagnóstico, sua crítica e o seu pensamento da modernidade. Em Heidegger, “A questão fundamental do ser não constituía um álibi ou refúgio para um pensador desinteressado pelas crises do mundo moderno ”. Mas a questão principal para compreendermos “o destino da humanidade ocidental”, bem como a situação epocal que a mesma se encontra (DUARTE, 2010, p. 16). Neste âmbito, a crítica de Heidegger à técnica moderna configura a sua crítica a própria modernidade. Desse modo, a leitura da tecnociência tal qual elaborada em Heidegger, coloca o pensamento do pensador sobre a essência da técnica “na tradição das grandes reflexões sobre a causa movens da sociedade moderna, em especial da teoria da mais- valia em Karl Marx e a teoria do racionalismo ocidental de Max Webber ” (BRÜSEKE, 1997, p. 1).
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A questão da linguagem em Martin Heidegger : entre a técnica e a serenidade

A questão da linguagem em Martin Heidegger : entre a técnica e a serenidade

Por isso a importância de se pensar a linguagem no interior de ST antes de ascendermos a sua noção como casa do ser, sua noção poética. Pois, por mais que seja considerada tardia a “vizinhança” entre linguagem e poesia proposta por Heidegger, sendo geralmente apontada como característica do “segundo” Heidegger, ela já era indicada, como observa Benedito Nunes (2000, p. 111), desde sua ontologia fundamental, sendo, entretanto, plenamente desenvolvida apenas a partir do contato de Heidegger com os filósofos primeiros da Grécia e com poetas como Rainer Maria Rilke, Friedrich Hölderlin ou Georg Trakl. Ela já é indicada em ST quando Heidegger afirma que a meta da comunicação e do engendramento das possibilidades existenciais da disposição, ou seja, do abrir-se do homem ao seu estar-lançado no mundo, sua Existência, pode vir a ser o discurso poético. E por mais que nossa lida técnica com a linguagem seja tratada com maior abrangência por Heidegger em textos posteriores a ST, como abordaremos nesse capítulo, em ST já podemos ver também uma consideração da mesma a partir do impessoal e do falatório, que introduz a sua forma de se considerar a linguagem de forma técnica. Para percorrermos nosso caminho, esse que tenta modificar e superar nossa relação irrefletida e maquinal com a linguagem e, assim, com o nosso existir, é necessário que compreendamos toda a carga cotidiana (ST) e técnica (A questão
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Maquinismo e filosofia: o nascimento da questão da técnica

Maquinismo e filosofia: o nascimento da questão da técnica

Mas em que consiste propriamente o problema que deu nascimento à questão da técnica? Esse problema, evidenciado com a expansão das máquinas no século XIX, poderia muito sensatamente ser intitulado o problema da ambiguidade da técnica. Por um lado, o largo emprego das máquinas preencheu a expectativa, que alguns visionários do passado haviam depositado nelas, de que facilitariam as tarefas materiais da vida. Elas levaram a um incremento sem precedentes da produção de bens úteis e à diminuição de seu preço, tornando possível o abastecimento de um grande contingente populacional. Um dado levantado pelo economista político Werner Sombart revela o efeito quase prodigioso da introdução massiva das máquinas na vida europeia no século XIX. Desde o início da história europeia no século VI até o ano 1800 – portanto em doze séculos – a Europa jamais havia ultrapassado a cifra de 180 milhões de habitantes. De 1800 a 1914, no período aproximado de um único século, a população europeia salta de 180 a 460 milhões (SOMBART apud ORTEGA Y GASSET, 1930/2016, p.120).
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O domínio da técnica sobre o sentir no filme Equilibrium (Equilibrium, de Kurt Wimmer, 2002): um estudo a partir da conferência ‘A questão da técnica’ de Heidegger

O domínio da técnica sobre o sentir no filme Equilibrium (Equilibrium, de Kurt Wimmer, 2002): um estudo a partir da conferência ‘A questão da técnica’ de Heidegger

Em uma realidade onde não existam sentimentos, onde o sentir é caracterizado como fonte de desgraça, a única coisa que pode vir a lucrar com isso é a técnica. Heidegger, um dos mais importantes pensadores do século XX tratou do estudo da técnica de forma a chamar a atenção para o desvio de significação que esta tem sofrido desde a Grécia antiga até os dias atuais e mais atentamente para as conseqüências de uma “tecnificação” do ser. Todo o trabalho de investigação que Heidegger faz a respeito da técnica nada mais é que uma retomada ao que a metafísica perdeu há muito tempo, o estudo da essência do ser. Heidegger irá fazer uma investigação completa sobre o ser em seu livro “Ser e Tempo”. Mas o que nos interessa será uma investigação ontológica acerca da técnica. Investigação esta que se encontra explicitada e muito bem trabalhada em uma conferência cujo texto é conhecido por “A questão da técnica”.
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Vista do Lukács e a questão da técnica em Heidegger

Vista do Lukács e a questão da técnica em Heidegger

ser social em Heidegger não faz só que ele perca a dinâmica entre o sujeito e o objeto, ou que perca o processo de ontogênese do ser social; a questão apareceria na medida em que o pensador não se aperceberia da relação dialética entre mediato e imediato de maneira que o homem, como “lançado”, seria visto necessariamente em meio à imediatez da sociedade civil-burguesa, a qual seria descrita em termos “antropológicos”, como disse Lukács. Essa imediatez mesma, em verdade, já teria como suposto complexas mediações sociais e históricas as quais dizem respeito às próprias contradições da sociedade capitalista, as quais Heidegger não trata diretamente nunca. Ou seja, o próprio desespero e a própria angústia de que parte Heidegger têm relação com sua posição quanto ao trabalho e à sociabilidade do capital. Ao renegar o trabalho em sua determinação mais geral (o trabalho concreto, o trabalho que é atividade teleológica) e ao vê-lo como indissociável da “técnica da máquina”, o mundo de que trata Heidegger é o mundo alienado do capital o qual se impõem e oprime o sujeito. Melhor dizendo, o autor não trata das mediações sociais necessárias entre o trabalho concreto e aquele mediado pela técnica do capitalismo; Heidegger, assim, justapõe de maneira abrupta o trabalho concreto e o trabalho abstrato, vendo toda a atividade teleológica realizada em sociedade como uma atividade estranha, alheia ao sujeito.
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A ciência e a técnica frente à questão da crise ambiental: apontamentos teóricos para o debate

A ciência e a técnica frente à questão da crise ambiental: apontamentos teóricos para o debate

Na edição de setembro 2009 da revista Nature, cientistas empreenderam a tarefa de listar os princi- pais problemas ambientais em termos de riscos para a nossa espécie e as demais. Foram identificados nove processos: mudanças climáticas, acidificação dos oceanos, depleção do ozônio estratosférico, uso de água doce, perda de biodiversidade, interferência nos ciclos globais de nitrogênio e fósforo, mudança no uso do solo, poluição química e taxa de aerossóis atmosféricos (Danowiski & Castro, 2014). Tais processos, somados a outros, configuram o que se convencionou chamar de crise ambiental. Quando se fala sobre a crise ambiental vigente, a ciência e a técnica estão sempre no centro dos debates, seja por serem criticadas como causadoras do proble- ma, seja por serem adotadas como instrumento legítimo de diagnóstico dos riscos ambientais ou por serem percebidas como recursos para a solução ou mitigação da crise. É importante ter em mente que diferentes discursos ambientais trabalham a questão da técnica de formas distintas, não havendo qualquer tipo de unanimidade.
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Revisitando a questão da técnica em Martin Heidegger e Hannah Arendt

Revisitando a questão da técnica em Martin Heidegger e Hannah Arendt

O que está em jogo no moderno mundo tecnicizado é a preocupação com a produção de meios de exploração de energia, sendo relegada ao segundo plano a questão dos fins a que deve servir tal processo, o seu verdadeiro sentido. Isso faz com que a natureza seja incessantemente provocada, num modo artificial e agressivo, para atender ao cumprimento de uma exigência que já não pode mais ser controlada. Segundo Heidegger, "esta exigência é mais poderosa do que toda determinação dos fins pelo homem", logo "o que a técnica moderna tem de essencial não é uma fabricação puramente humana. O homem atual é ele próprio provocado pela exigência de provocar a natureza para a mobilização". (HEIDEGGER, 1995, p.28-29)
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A questão fenomenológica da técnica. Facto, época e paradigma cultural

A questão fenomenológica da técnica. Facto, época e paradigma cultural

entrevista a Der Spiegel é um fio condutor para a questão da técnica, que ocupa um lugar central e decisivo no pensamento de Heidegger. Por um lado, em Ser e Tempo, ela não aparece, visto que se dedica aos temas como existência, compreensão, afectos e, em especial, a angústia. Por outro lado, em A Carta sobre o Humanismo, escrito contemporâneo à conferência A Pergunta sobre a Técnica, utiliza-se expressões poéticas e enigmáticas, como “a linguagem é a casa do ser”, com o intuito de expressar de modo profundo seu pensamento a respeito da linguagem e da técnica. Desde já, justificou-se o substantivo alemão Frage ser traduzido como pergunta e não como questão, visto que o humano é o ser que fundamentalmente pergunta, enquanto o pôr em questão evidencia outro nível de interrogação. A pergunta é a maneira mais simples de interrogar. A nossa sociedade, no âmbito da manifestação do ser, dar-se na pólis. Para Heidegger, hoje a forma como a pólis funciona é técnica e, sobretudo, tecnológica. Tecnológica é uma forma de exercício da técnica. A técnica já não é propriamente arte, mas ciência, programação e controle. Heidegger realiza uma futurologia de acordo com as possibilidades da ciência atual. A época atual, enquanto uma ἐποχή, coloca entre parênteses tudo o que foi a realidade histórica humana, isolando-a apenas na forma técnica. A frase de Napoleão, “a política é o destino” estabeleceu o tom epocal da cultura no séc. XIX e no séc. XX. Hoje, contudo, a política é determinada tecnicamente. Segundo Hans Jonas, “a técnica é o destino” e, devido ao controle técnico, a política tornou-se uma tecnocracia. Nesse sentido, a história é a história de um aparecer do fenômeno. Portanto, a fenomenologia é o fazer surgir, enquanto linguagem, de aquilo que se compreende, de aquilo que aparece.
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A Questão da Técnica. Um Contributo em Torno da sua Crítica Social e da Clarificação da sua Natureza

A Questão da Técnica. Um Contributo em Torno da sua Crítica Social e da Clarificação da sua Natureza

Por fim, Nietzsche. Segundo Heidegger, Nietzsche conclui a história da metafísica ocidental e, como tal, do esquecimento do ser. Deste esquecimento do ser, desta má compreensão do ser, refere Philipe van den Bosch em A Filosofia e a Felicidade (p. 259), decorre todo o pensamento técnico e científico da nossa civilização, que se encerra nesta má relação com o ser onde conhecimento e ação visam somente a posse, a manipulação e, finalmente, a destruição do ser. Ora, a técnica constitui uma das formas inautênticas mais peculiares da modernidade, o “ter à mão” os objetos para os pôr ao serviço do que Nietzsche chamava a “vontade de poder”. Para Heidegger, a técnica constitui o maior perigo de que o homem se esqueça e vá contra a sua relação autêntica com o ser, afirma Fernando Savater em História da Filosofia Sem Medo nem Pavor (p. 177). “Só a autenticidade do ser-para-a-morte, afirma Paulo Tunhas em As Questões que se Repetem, Uma Breve História da Filosofia, (p. 333), vivida na consciência, nos permite compreender a verdadeira dimensão do tempo. A experiência da temporalidade autêntica, que é a experiência da nossa finitude, é a única via de acesso à questão ontológica essencial”, por oposição a uma existência alienada, para usar uma linguagem hegeliano-marxista.
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A A IMPORTÂNCIA DA ANÁLISE PARA O PROFISSIONAL DE PSICOLOGIA: UMA QUESTÃO ÉTICA E TÉCNICA

A A IMPORTÂNCIA DA ANÁLISE PARA O PROFISSIONAL DE PSICOLOGIA: UMA QUESTÃO ÉTICA E TÉCNICA

Segundo Oliveira (2007), deve-se diferenciar a ética do direito, enquanto a ética é algo que nos leva a refletir sobre nossa visão de mundo e como isso reflete em nossas ações tanto na questão individual quanto coletiva, o direito tem um caráter normativo e punitivo, o qual não se consta nenhuma regra ou obrigação em que o analista tenha que fazer análise pessoal para desempenhar a sua função. Diante disso, pode-se afirmar que o código de ética, apesar do nome, está no campo do direito com caráter normativo e punitivo. O autor destaca que:
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Razão Prática e a questão da Técnica/Practical Reason and the Technical Question

Razão Prática e a questão da Técnica/Practical Reason and the Technical Question

Mesmo com a tentativa, por parte do domínio técnico-científico, de organizar funcionalmente a sociedade com a finalidade de uma situação social mais racional, na qual o domínio técnico dos processos – como é o caso do especialista – deveria substituir a experiência prática e social, ainda permanecem traços essenciais da práxis humana e, portanto, resistentes ao reducionismo técnico-científico, que Gadamer entende como a “base antropológica imutável” formada pelo pensamento em relação à morte, ao trabalho e à linguagem. Esses âmbitos são fenômenos de resistência diante da ameaçadora perda de identidade social do homem que é, na opinião de Gadamer, o principal efeito da penetração da técnica na sociedade pela tecnificação não só do trabalho como também da opinião pública. Conforme diz Gadamer:
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As metamorfoses da imagem: uma questão técnica ou de princípios?

As metamorfoses da imagem: uma questão técnica ou de princípios?

Foram os conhecimentos do inventor Louis Daguerre que oficializaram a Fotografia, mais sensivelmente o “daguerreótipo”. A “reprodução espontânea de imagens naturais recebidas na câmara obscura, não com cores, mas com uma excelente gradação de tons” (Batchen, 1999). Concentrado no refinado engenho e em diferentes combinações químicas, Daguerre encontrou a solução para a técnica e em 1839 anunciou a conclusão do seu trabalho quando uma imagem ficou gravada numa placa de cobre, previamente banhada numa solução salina. Com o processo anunciado, o governo francês comprou as patentes e fez do “Daguerreótipo” domínio público, podendo qualquer pessoa utilizá-lo. Através de manuais traduzidos em várias línguas e partilhados pelo mundo fora, a oportunidade para algo nunca antes experimentado tornou-se enormemente popular (Marien, 2006). Tal invenção foi um ponto de mudança para a História na medida em que passou a haver um poderoso instrumento de registo permanente e com maior poder de exactidão com a realidade.
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As Tecnologias na Educação: uma questão somente técnica?.

As Tecnologias na Educação: uma questão somente técnica?.

Em uma sociedade obcecada com as noções de autonomia e mo- bilidade, o computador interconectado é, talvez, a melhor expressão tecnológica desses valores cardinais, representando um dos meios mais convenientes de manter-se atualizado. Não deveria surpreender, por- tanto, que a trajetória evolutiva da técnica e da ciência seja marcada por desvios equivocados e reviravoltas. Tudo indica que o trabalho científi- co e técnico, como um caminho metódico seguro, torna-se invisível em decorrência de seu próprio êxito. Quando uma máquina funciona bem, quando um fato é estabelecido, basta-nos enfatizar sua alimentação e produção, deixando de lado sua complexidade interna. Assim, parado- xalmente, quanto mais a ciência e a tecnologia obtêm sucesso, mais as pessoas se tornam reféns desses meios, tornando opacas e obscuras as relações entre as tecnologias e o pensar. Um exemplo disso é a máquina de calcular, que muitas vezes conduz o ser humano ao extremo de não saber resolver cálculos banais sem o uso da máquina. Essa compreen- são radicalizada na contingência de uma modernidade que se tornou transitória justifica a ambivalência das tecnologias que acompanham o ser humano, entre o seu poder de libertação e seu aprisionamento. Em certo sentido, ao mesmo tempo em que o sujeito tem o livre-arbítrio ao utilizar os meios técnicos para a satisfação de suas necessidades, e a técnica não é dotada de sabedoria (phrónesis), ela é autônoma. Na me- dida em que a técnica promove o progresso, desejado e aplaudido por todos, ela se torna a base legitimadora do sistema capitalista. Assim, na medida em que “[...] se institucionaliza a introdução de novas tec- nologias e de novas estratégias”, ou seja, “[...] institucionaliza-se a ino- vação enquanto tal” cumpre a ciência e a técnica o papel de legitimar a dominação (Habermas, 1987b, p. 62). Nessa perspectiva, cria-se um fórum técnico de discussão de todas as questões postas no mundo vivi- do. Como as regras do discurso técnico não são dominadas por todos, aqueles que não são capazes de utilizar tal linguagem informatizada são excluídos do processo de comunicação.
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Distintos cosmopolitismos: Mário de Andrade e Oswald de Andrade

Distintos cosmopolitismos: Mário de Andrade e Oswald de Andrade

e trazer iJ tona a discussiio sobre diferen,a cultu- ral, modernidade e identidade nacional a partir dos paralelos entre as duas obras: enquanto Ma- rio de Andrade pa[r]

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O nacional e o estrangeiro em Marco Zero, de Oswald de Andrade

O nacional e o estrangeiro em Marco Zero, de Oswald de Andrade

A forma mural atende ao anseio de Oswald por representar o painel social que pretendia, incluindo em Marco Zero as várias classes que compunham o quadro social da década de 30, e as figurando na posição ocupada naquela sociedade. Para uma leitura crítica da história do Brasil, a partir do estado de São Paulo, o autor coloca juntos: explorados e exploradores; negros, índios e nordestinos; a aristocracia decadente e a burguesia nascente. Essa coexistência das classes no espaço do romance mural, em luta, revela ao leitor como as desigualdades sociais são produzidas, historicizando-as e apontando, mais ou menos diretamente, para a perspectiva de uma mudança social necessária. Essa totalidade é composta por diversos fragmentos e flashes que vão trazendo, como
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Daisy, Oswald e o Processo Erosivo do Modernismo Brasileiro.

Daisy, Oswald e o Processo Erosivo do Modernismo Brasileiro.

Não será possível, neste ensaio, fazer uma análise detalhada do diário. Quero, entretanto, chamar a atenção para dois elementos nele recorrentes: um comportamento que evoca o boêmio no que tem de provocativo, informal, blagueur e de falta de respeito diante das convenções sociais e de linguagem; e o gosto pelos jogos verbais, especialmente pelo trocadilho. O que chamo aqui de comportamento boêmio se concretiza em alguns dos momentos mais expressivos do diário, por exemplo, neste trecho de Oswald-Miramar: “Trago rapadura de cidra e uma alma pre-homerica, cheia de pinga com limão Positivamente amanhece na vida” (p. 14), em que a ideia de uma felicidade ingênua adquire uma expressão original, que posteriormente será racionalizada e transformada em plataforma da poesia pau-brasil. Ou neste, de Edmundo Amaral-Viruta: “Reflexão de um dia de aguaceiro: As casas são guarda-chuvas evoluídos, dificilmente portáteis” (p. 185), em que o humor e o jogo verbal se compõem de associações insólitas. O mesmo procedimento está em “O Ferrignac deante da Cyclone é a philarmonica de Rio Claro, em dia de festa” (p. 12), de Miramar. Por fim, estes trechos de Daisy-Cyclone: “Só agora compreendo que o Miramar ama á prestações... com sorteios bi-semanaes” (p. 117). Tais liberdades diante das convenções e da linguagem teciam, involuntariamente, um diálogo com um procedimento contemporâneo da vanguarda francesa, a transformação das posturas boêmias em fórmulas estéticas de provocação e em princípio artístico, presentes, por exemplo, na obra de um Max Jacob 16 . Grande parte dessas posturas e
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Festa e conflito: visões do Brasil em Oswald de Andrade

Festa e conflito: visões do Brasil em Oswald de Andrade

This research intends to develop an interpretation of the images that Oswald de Andrade produced about Brazil and Brazilians in his works Pau Brazil (1925) and Marco Zero I (1943). The study began with a theoretical reflection on the relationship between modernity, nation and identity. Susbsequently, this was followed by a critique of the elements of the tradition of Brazilian thought that influenced the author and his career; in order to establish links between this thought, de Andrade‟s personal background and the content of his texts. The choice of the works was guided by the history of the country and biographical details, as each work was written during different times of national significance and the author‟s personal life. The first book was written during the República Velha , the zenith both artistically and financially of the author. The second was written in the Vargas era, by a Andrade now militant in the Communist Party, isolated from the elite circles with whom he used to frequent. Each piece presented its own universe of issues relating to these specific socio-historical contexts and ideological preferences of the author. It was observed that both works shared themes between the relationship with foreign countries and immigrants, the nationalist matrix and the attempts to register the idiosyncrasies of the Brazilian language. However, each evoked different versions of Brazil. A Brazil for export - of revelry, exoticisms and creative mixtures; and another Brazil - fragmented, permeated by conflicts of the most diverse origins from civil tensions demonstrated by the clash of interests of state elites, to ethnic and socio-economic struggles. Feast and conflict, celebration and war are the two axes from which the author built the Brazilian nation in his pages, and this work is an invitation for dialogue with his ideas.
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