Top PDF Engajamento da Educação Matemática nas Dimensões das Políticas de Ações Afirmativas no Ensino Superior

Engajamento da Educação Matemática nas Dimensões das Políticas de Ações Afirmativas no Ensino Superior

Engajamento da Educação Matemática nas Dimensões das Políticas de Ações Afirmativas no Ensino Superior

“Sonho ser psicólogo – diz jovem que tenta vaga de cotista na UFRGS”. Este foi o título de uma reportagem exibida em um grande site brasileiro de notícias (PIRES, 2015). Nos momentos que antecediam o início das provas de português e matemática do processo seletivo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), um repórter conversou com Jean Soares, um candidato negro de 19 anos de idade, morador de uma pequena cidade do interior do Estado, que pleiteava uma das vagas do curso de psicologia. Para o processo seletivo de 2015, a UFRGS reservou 20% de suas vagas para candidatos autodeclarados negros. O jovem, que estudou a vida toda em escola pública, afirmou que estava confiante na sua aprovação. Disse que estava seguindo o exemplo de um casal de tios, de 52 e 58 anos de idade. Eles haviam concluído recentemente um curso superior nesta mesma universidade, beneficiados pela reserva de vagas da UFRGS. “A cota, com toda a carga histórica, ajuda a inserção de quem não tem as mesmas chances. É mais uma maneira de dar um empurrão para inserir e que tem dado certo na nossa sociedade”, afirmou o jovem (ASSENCIO, 2015, p. 1). Poucos metros à frente, o repórter conversou com outro candidato, Lucas Heim, branco, de 17 anos de idade. O jovem considerou injusta a utilização das cotas raciais pela UFRGS: “apesar de as cotas raciais corrigirem questões sociais, eu acho que essa separação por cor pode aumentar o racismo. Defendo cotas sociais, mas apenas no ensino básico ou ensino médio, para que, aí sim, possam estar aptos a entrar em uma universidade” (ASSENCIO, 2015, p. 1).
Mostrar mais

28 Ler mais

Equidade no acesso e permanência no ensino superior: o papel da Educação Matemática frente às políticas de ações afirmativas para grupos sub-representados

Equidade no acesso e permanência no ensino superior: o papel da Educação Matemática frente às políticas de ações afirmativas para grupos sub-representados

Na realização desta pesquisa, estive inserido em um ambiente em que questões de poder se mostraram presentes. Por exemplo, em vários momentos estudantes, docentes e gestores relataram situações de microagressões raciais e de gênero 28 . Estas apresentam um lado psicológico, tanto para as vítimas quanto para os agressores, e, muitas das vezes, expressam relações de poder existentes no contexto universitário, visto que um grupo dominante as utiliza com o intuito de inferiorizar indivíduos de outros grupos, buscando impor seu status de superioridade. Além disso, minha postura enquanto pesquisador não foi a de apenas descrever as experiências de docentes e estudantes beneficiados por ações afirmativas em relação à educação matemática. Mais do que isso, além da busca de um profundo entendimento de como elas ocorreram, tenho a consciência de que as implicações práticas deste trabalho podem contribuir para modificar (ou desafiar) certas estruturas subjacentes do contexto universitário brasileiro. Por exemplo, as discussões e reflexões a respeito das microagressões raciais e de gênero presentes neste estudo podem contribuir para seu enfretamento. Da mesma forma, as experiências relatadas pelos estudantes que potencializaram sua integração social e acadêmica podem influenciar em decisões institucionais no que tange a novas práticas e ações pedagógicas nos cursos. Neste sentido, a compreensão das possíveis formas de engajamento da educação matemática relacionadas com as ações afirmativas pode propiciar estratégias de atuação significativas, contribuindo para o fortalecimento destas políticas e também para o empoderamento de grupos tradicionalmente marginalizados da universidade. Estes elementos são significativos na busca por equidade na educação em todos os seus níveis de ensino e aprendizagem. Não obstante, buscou-se neste trabalho compreender aspectos do ambiente acadêmico relacionados com as políticas de ações afirmativas mais em termos de falar com do que falar para grupos sub-representados na universidade. Por conta de tudo isso, todo o processo da pesquisa teve como pano de fundo a
Mostrar mais

359 Ler mais

As políticas de ações afirmativas no ensino superior sob a ótica dos gestores: o caso da Universidade Federal do Rio Grande do Sul

As políticas de ações afirmativas no ensino superior sob a ótica dos gestores: o caso da Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Evidenciamos como é necessário recorrer ao conceito de racismo institucional para explicar não só as desigualdades ra- ciais, como também as desigualdades sociais no caso brasileiro. Enquanto o Estado, através de suas instituições, não levar em conta a variável racial na elaboração de políticas públicas, pres- tar-se-á a reproduzir desigualdades que só podem ser atacadas, na composição da sociedade atual, com políticas antirracistas transversais na esfera pública. Interessamo-nos em questionar sobre o racismo para além das dimensões pessoalizadas por concordar com Silvério (2002, p. 223) quando ele defende que “as discriminações e os racismos são componentes essenciais na conformação da sociedade brasileira e operam menos no plano individual e mais no plano institucional”.
Mostrar mais

10 Ler mais

AÇÕES AFIRMATIVAS PARA INGRESSO AO ENSINO SUPERIOR NO BRASI

AÇÕES AFIRMATIVAS PARA INGRESSO AO ENSINO SUPERIOR NO BRASI

Transformam classificações estatísticas gerais (como as do IBGE) em identidades e direitos individuais contra o preceito da igualdade de todos perante a lei. A adoção de identidades raciais não deve ser imposta e regulada pelo Estado. Políticas dirigidas a grupos "raciais" estanques em nome da justiça social não eliminam o racismo e podem até mesmo produzir o efeito contrário, dando respaldo legal ao conceito de raça, e possibilitando o acirramento do conflito e da intolerância. A verdade amplamente reconhecida é que o principal caminho para o combate à exclusão social é a construção de serviços públicos universais de qualidade nos setores de educação, saúde e previdência, em especial a criação de empregos. Essas metas só poderão ser alcançadas pelo esforço comum de cidadãos de todos os tons de pele contra privilégios odiosos que limitam o alcance do princípio republicano da igualdade política e jurídica. (MANIFESTO, 2006).
Mostrar mais

17 Ler mais

POLÍTICAS DE ACESSO AO ENSINO SUPERIOR: OS DESDOBRAMENTOS NA CONFIGURAÇÃO DOS PROGRAMAS DE AÇÕES AFIRMATIVAS NO BRASIL

POLÍTICAS DE ACESSO AO ENSINO SUPERIOR: OS DESDOBRAMENTOS NA CONFIGURAÇÃO DOS PROGRAMAS DE AÇÕES AFIRMATIVAS NO BRASIL

A primeira modalidade de ação afirmativa para ingresso no ensino superior, informada na Tabela 4, pelo sistema de reserva de vagas, corresponde a qualquer percentual do total das vagas existentes destinado a candidatos beneficiários das ações afirmativas, popularmente conhecido como sistema de cotas. Nesse formato, as vagas que eventualmente não venham a ser preenchidas pelos candidatos aos quais foram reservadas, poderão ser ocupadas pelos demais candidatos da ampla concorrência no processo seletivo. Nessa modalidade, podem ser reservados número ou percentuais de vagas diferentes para beneficiários dos distintos grupos sociais que serão alvo das ações afirmativas. O sistema de acréscimo de pontos beneficia o candidato alvo da política de ação afirmativa concedendo-lhe pontos ou bônus que serão acrescidos em sua nota final, obtida no exame de seleção de ingresso, em geral, de acordo com critérios que pontuam diferentemente o fato de o candidato ser oriundo da rede pública de ensino, de localidades rurais, pertencer a determinados grupos etnicorraciais, entre outros. Em geral, há a explicitação, nos Editais dos vestibulares, da fórmula matemática utilizada para calcular a pontuação a ser acrescida.
Mostrar mais

18 Ler mais

Políticas públicas de ações afirmativas na educação superior  para indígenas : estudo de caso da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul

Políticas públicas de ações afirmativas na educação superior para indígenas : estudo de caso da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul

Os estudos sobre o processo de implementação de Políticas Públicas são parcos e na grande maioria se centram nos resultados, ou seja, nas consequências. Os resultados destes estudos têm demonstrado hiatos entre o que é formulado e o que é implementado, sendo que, os efeitos alcançados são totalmente distintos dos objetivos e metas previamente almejados. Nesta assertiva, o estudo da implementação a partir do “olhar” dos implementadores 3 acrescenta uma nova dimensão na análise de Políticas Públicas, oferece-nos um “ponto de vista”. Colaborando dessa forma, com o debate e o intercâmbio por meio da análise de dados e informações da experiência da Instituição de Ensino Superior (IES) pesquisada, que se destaca pelo fato de ser uma das primeiras IES com a iniciativa da implantação de cotas e da Política de Ação Afirmativa.
Mostrar mais

375 Ler mais

AS POLÍTICAS DE AÇÕES AFIRMATIVAS NA EDUCAÇÃO SUPERIOR NO BRASIL E O ESTADO DO BEM ESTAR SOCIAL

AS POLÍTICAS DE AÇÕES AFIRMATIVAS NA EDUCAÇÃO SUPERIOR NO BRASIL E O ESTADO DO BEM ESTAR SOCIAL

Jocélio Santos, em artigo publicado em 2012 apresenta um levantamento e análise da produção intelectual existente sobre o tema, enfatizando os artigos publicados entre os anos de 2001 e 2011 e conclui que cresceu a produção bibliográfica sobre a adoção de ações afirmativas no ensino superior, traduzida, principalmente em teses de doutorado e dissertação de mestrado, defendidas em programas de pós-graduação e artigos de revistas especializadas. Durante esse período, 232 trabalhos foram encontrados, sendo 142 artigos, 71 dissertações e 19 teses, e a fase mais intensa desta produção foi entre os anos de 2005 a 2010. O autor analisa também dados da Universidade Federal da Bahia (UFBA) com relação ao rendimento dos alunos, dividindo em cotistas e não cotistas, com base no primeiro contingente de estudantes que ingressou por meio do sistema de cotas em 2005. O autor compara rendimentos no segundo semestre de 2005 e primeiro semestre de 2009 e verifica a situação destes dois grupos com relação à reprovação por falta. Os dados apontam que a maioria dos estudantes cotistas já cursou a maior parte dos componentes curriculares. Além disso, “a observação dos coeficientes de rendimento nos dois momentos analisados – o segundo e o nono semestres – evidencia um aumento significativo no contingente de estudantes cotistas com faixa de rendimento mais elevada – entre 7,0 e 10,0 pontos – ao longo do curso” (SANTOS, 2012, p. 411). Com relação à reprovação por falta, os dados indicam que em 63,6% dos cursos os estudantes cotistas estiveram menos sujeitos a este tipo de reprovação.
Mostrar mais

15 Ler mais

AÇÕES AFIRMATIVAS NO ENSINO SUPERIOR BRASILEIRO.  Raul Abreu Cruz Carvalho

AÇÕES AFIRMATIVAS NO ENSINO SUPERIOR BRASILEIRO. Raul Abreu Cruz Carvalho

Atualmente, as ações afirmativas podem ser definidas como um conjunto de políticas públicas e provadas de caráter compulsório, facultativo ou voluntário, concebidas com a vista ao combate à discriminação racial, de gênero, de origem nacional, bem como para corrigir os efeitos presentes de discriminação praticada no passado, tendo por objetivo a concretização do ideal da efetiva igualdade de acesso a bens fundamentais como educação e emprego (2001, p. 40).

23 Ler mais

Educação e racismo: um panorama das políticas de ações afirmativas

Educação e racismo: um panorama das políticas de ações afirmativas

Em 2001, após uma Conferência na África do Sul, é constru- ído um Plano de Ação do Estado Brasileiro para operacionalizar as resoluções de Durban, em especial aquelas voltadas para a Edu- cação, entre as quais destacamos: acesso igual para todos e todas na lei e na prática; adoção e implementação de leis que proíbem a discriminação baseada na raça, cor, descendência, origem nacional ou étnica em todos os níveis de educação formal ou informal e o es- tabelecimento de programas de assistência financeira, objetivando capacitar todos os estudantes, independente de raça, cor, descen- dência ou origem étnica ou nacional a frequentarem instituições de ensino superior (SECAD, 2006) (REIS, 2009).
Mostrar mais

13 Ler mais

POLÍTICAS PÚBLICAS DE ENSINO E AÇÕES AFIRMATIVAS: análise do Cadastro

POLÍTICAS PÚBLICAS DE ENSINO E AÇÕES AFIRMATIVAS: análise do Cadastro

Com a criação da Lei nº 12.711/12, observou-se a possibilidade da reserva de vaga para o ingresso de estudantes nas universidades federais e nas instituições federais de ensino técnico de nível médio. A partir desta, surge o Decreto 7.824/12 que regulamenta a Lei e dispõe sobre a forma de ingresso nas instituições públicas. Em seu artigo 2º, tem-se que as instituições federais vinculadas ao Ministério da Educação que ofertam vagas de educação superior necessitam que haja reserva de vagas nos cursos de graduação, para estudantes que tenham cursado integralmente o ensino médio em escolas públicas, educação profissional técnica, a partir de condições especificadas, sendo que 50% das vagas destinadas a esse público serão reservadas a estudantes com renda familiar bruta igual ou inferior a 1,5 salário mínimo per capita e a proporção de vagas no mínimo igual à autodeclarados pretos, pardos e indígenas na população da unidade da Federação do local de oferta de vagas da instituição, segundo o último Censo Demográfico divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Mostrar mais

10 Ler mais

Políticas públicas de ações afirmativas na UFSM

Políticas públicas de ações afirmativas na UFSM

Como consequência desse processo, houve uma ampliação do acesso à escola nos últimos tempos. Segundo Fonseca (2009), essa maior acessibilidade à escola fundamental estimula a procura por níveis subsequentes de ensino e produz novos desafios para o sistema. Além disso, destaca-se a expansão de vagas em todos os níveis de ensino, fato que acarreta também um maior acesso à educação, surgindo, assim, possibilidades de o país superar seu atraso nessa área, evidenciado tanto pelo alto índice de analfabetos - mais de um milhão, conforme Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) 2010- como pela carência de formação científico-tecnológica no nível superior, o que torna o Brasil um país dependente e consumidor, mas não produtor de conhecimentos. Essa expansão de vagas surge ainda como uma oportunidade de avanço em outros níveis de ensino de modo a vencer os baixos índices de qualidade tão evidenciados nos baixos IDEBs 1 da Escola Básica. Essa realidade traz, portanto, novas exigências para a qualidade da educação no país.
Mostrar mais

48 Ler mais

Acesso nas políticas da educação superior: dimensões e indicadores em questão.

Acesso nas políticas da educação superior: dimensões e indicadores em questão.

Avançando na pesquisa documental, retrata-se o Projeto de Lei 8.035/2010, em trâmite no Congresso Nacional, com vistas ao Plano Nacional de Educação (PNE 2011/2020). Em síntese, estão presentes no documento os seguintes aspectos relacionados ao acesso à educação superior: uso do Exame Nacional do Ensino Médio como critério de acesso à educação superior (3.3); elevação da taxa bruta de matrícula na educação superior para 50% e a taxa líquida para 33% da população de 18 a 24 anos (12); ampliação e interiorização do acesso, otimizando a capacidade instalada da estrutura física e de recursos humanos das instituições públicas de educação superior (12.1); ampliação de vagas da rede federal via Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica e Sistema Universidade Aberta (12.2); ampliação de programas de inclusão e assistência estudantil nas instituições públicas visando ao acesso e sucesso acadêmico do egresso de escola pública (12.5); expansão do Financiamento ao Estudante (12.6); ampliação das políticas afirmativas (12.9); e consolidação de processos seletivos nacionais e regionais para acesso à educação superior como forma de superar exames vestibulares individuais.
Mostrar mais

21 Ler mais

Ações Afirmativas: O PROUNI na Educação Superior Brasileira

Ações Afirmativas: O PROUNI na Educação Superior Brasileira

Diante do texto apresentado, observa-se que as políticas educacionais ao longo dos anos sofreram várias mudanças, logo mudanças no contexto educacional brasileiro. Entre elas, o texto evidencia a questão da inclusão, na Educação Superior, de estudantes oriundos de classes sociais mais empobrecidas, que no passado pouco acesso tinham a esse nível de ensino. Essa inclusão se dá, em grande parte, às políticas de ações afirmativas que envolvem programas específicos para a inclusão de grupos minoritários na Educação Superior. Entre essas políticas tem-se a distribuição de cotas nas instituições públicas de nível superior e o PROUNI, o qual foi objeto de atenção neste artigo.
Mostrar mais

8 Ler mais

DESIGUALDADE RACIAL E EDUCAÇÃO: UMA ANÁLISE ESTATÍSTICA DAS POLÍTICAS AFIRMATIVAS NO ENSINO SUPERIOR

DESIGUALDADE RACIAL E EDUCAÇÃO: UMA ANÁLISE ESTATÍSTICA DAS POLÍTICAS AFIRMATIVAS NO ENSINO SUPERIOR

discordância em relação às formas que essas políticas deveriam adotar. Daflon, Feres Júnior e Campos (2013) apontam para uma predominância da percepção de que as desigualdades de classe são mais relevantes do que as desigualdades raciais entre os articuladores das ações afirmativas para o ensino superior no nível local. De acordo com Bernardino (2002), a concepção brasileira de encarar o problema racial define como racista aquele que separa, evitando-se reconhecer o tratamento diferenciado de brasileiros em decorrência da raça, mesmo se este reconhecimento pudesse significar uma oportunidade para a correção de desigualdades. Aqui a mestiçagem foi utilizada como escudo para evitar o reconhecimento da importância da população negra na história e na vida cultural brasileira, bem como para exaltar o talvez maior mito da sociedade brasileira, o de que constituímos uma democracia racial. Assim, enquanto a reserva de vagas com critérios sociais foi vista como combate à desigualdade, muitas vezes nem percebida pelo debate público, o estabelecimento de políticas afirmativas com critérios raciais levou o tema ao centro do debate público.
Mostrar mais

26 Ler mais

Instituição de ensino superior: análise das capacidades resilientes diante das políticas de ações afirmativas

Instituição de ensino superior: análise das capacidades resilientes diante das políticas de ações afirmativas

Em 2011 foi criado um Programa de Ação Afirmativa destinado a estudantes egressos de escola pública e estudantes negros pela Resolução CONSEPE nº 97, de 2011. A criação deste programa foi justificada pela constituição da República Federativa do Brasil que estabelece promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, idade, entre outras formas de discriminação; a Lei nº 12.288/2010, que instituiu o Estatuto da Igualdade Racial; a Lei nº 9394, de 1996, que estabelece as diretrizes e base da educação nacional; a Conferência Nacional de Educação [CONAE-2010]; ainda que para o CONAE, as instituições educativas e os sistemas de ensino devem colaborar na democratização do acesse ao ensino superior; a Resolução CONSEPE nº 82, de 2007, que criou o Programa de Inclusão Indígena e o documento síntese do I Fórum da Diversidade na UFMT, e o documento resultante da pesquisa dos estudantes feito pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior [ANDIFES]. Segundo as diretrizes, o Programa de Ação Afirmativa deveria ser implantado em um período de dez anos a partir de 2012.
Mostrar mais

26 Ler mais

Ações afirmativas e educação superior no Brasil: um balanço crítico da produção

Ações afirmativas e educação superior no Brasil: um balanço crítico da produção

Dois outros artigos publicados na Rbep tratam das políticas adotadas em universidades federais. Doebber e Grisa (2011) analisam a imple- mentação e o desenvolvimento do Programa de Ações Afirmativas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) – trata-se da defesa de políticas racializadas no ensino superior. E a UFRGS adotou 30% para estudantes oriundos das escolas públicas, sendo 50% autodeclarados ne- gros. As tensões no Conselho Universitário envolviam a adoção ou não do critério racial, um fato semelhante às inúmeras universidades que adotaram cotas. E é pertinente a observação: “quando se quer transformar a raça em balizador de uma política institucional, aparecem argumentos e atitudes de várias ordens que mostram como é demagógica essa aceitabilidade da existência de desigualdades raciais” (Doebber; Grisa, 2011, p. 585). O não preenchimento das vagas reservadas aos negros aparece na UFRGS, dado que já se apresentava em outras instituições, como a Universidade Federal do Paraná e a Universidade Federal de Santa Catarina. Por isso, penso que é necessário utilizar a comparação dos variados sistemas existentes, para verificar se isso é resultado dos critérios adotados no uso do ponto de corte.
Mostrar mais

22 Ler mais

As ações afirmativas para o ensino superior e o princípio constitucional da igualdade

As ações afirmativas para o ensino superior e o princípio constitucional da igualdade

Sustenta-se, também, que as políticas afirmativas não encontram respaldo na autonomia universitária. A jurisprudência deste Tribunal tem se orientado no sentido de que é possível, como decorrência da autonomia universitária, prevista no art. 207, V, da Constituição, o estabelecimento de sistema de cotas. Ainda que autonomia não se confunda com soberania, é fato que a previsão se encontra consentânea com a legislação infraconstitucional e constitucional. Não é demais lembrar que a LDB - Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº. 9.394/96) estabelece, em seu art. 53, que a autonomia tem como parâmetros" as normas gerais da União" e do "respectivo sistema de ensino" (inciso I) ou mesmo "fixar o número de vagas de acordo com a capacidade institucional e as exigências do seu meio" (inciso IV), sendo certo que cabe aos colegiados de ensino decidir sobre "ampliação e diminuição de vagas" (art. 53, §único, II). Relembre-se que, recentemente, a PUC/RS reduziu o número de vagas para residência médica, o que incorreu em protestos da AMRIGS, sem que isto tenha gerado, até o presente momento, qualquer contestação judicial, conforme se verifica do site da associação (www.amrigs.com.br). Ora, podendo reduzir ou mesmo ampliar as vagas, "dentro dos recursos orçamentários disponíveis" não há impedimento legal para o exercício da autonomia no tocante à fixação de cotas. Ademais, cabe à União, constitucionalmente, o financiamento das instituições públicas e o exercício, "em matéria educacional, de função redistributiva e supletiva" (art. 211, §1º, CF). Não é demais observar, também, que inexiste um sistema único de ações afirmativas implantado nas universidades, destoando os critérios nas 20 universidades federais e 19 estaduais que adotaram tal política. A título de exemplo, a UFBA fixou, desde 2002, 43% para egressos do ensino médio da rede pública, sendo destas 85% para pardos e negros. A UNEB, por sua vez, 40% para afrodescendentes. A UNICAMP fixou pontuação extra para egressos de ensino público (30 pontos), além de pontos para negros (10 pontos). Isto tudo a indicar, pois, a plena autonomia universitária, e a impossibilidade de estabelecimento de um modelo único, em desacordo com as situações histórico-culturais de cada universidade ou região do país. Todas elas fixadas como políticas temporárias e sujeitas a reavaliação periódica dos seus efeitos.
Mostrar mais

262 Ler mais

Políticas de acesso e ações afirmativas na educação superior: a experiência da Universidade Federal da Fronteira Sul

Políticas de acesso e ações afirmativas na educação superior: a experiência da Universidade Federal da Fronteira Sul

% havia cursado todo ou a maior parte do ensino médio na escola pública. O perfil socioeconômico é formado majoritariamente por estudantes oriundos da região em que a UFFS está inserida, 63,5% do seu alunado é composto por mulheres, 85,5% são autodeclarados brancos e 71,5% na faixa etária de 18 a 24 anos. Residem, em sua maioria, na área urbana e se caracterizam por estudantes trabalhadores e com uma renda média familiar de até 3 salários mínimos. Além disso, seus pais possuem baixa escolaridade, o que confirma que os estudantes da UFFS, em sua maioria, são a primeira geração da família a frequentar educação superior. Os dados sobre a situação de matrícula apresentam desafios, pois demonstraram que, num período de dois anos após o seu ingresso, 33,9% dos estudantes não permanecem na Instituição. A pesquisa demonstra que as políticas de acesso cumprem um papel primordial, mas elas se fragilizam após o ingresso, na medida em que os universitários passam a deixar de frequentar o curso superior. Nesse sentido, as políticas de acesso precisam ser concebidas e apoiadas por políticas de permanência.
Mostrar mais

181 Ler mais

Estudantes cotistas negros e ações afirmativas no ensino superior

Estudantes cotistas negros e ações afirmativas no ensino superior

É por estes motivos que se travaram lutas para a implementação de políticas de ações afirmativas para a educação básica e superior no Brasil. Essas políticas constituem ações compensatórias e distributivas. A primeira tem caráter “reparatório”, com vista a retificar injustiças e discriminações cometidas contra os negros, mulheres e indígenas, onde lhes foram negados direitos no passado, e que ainda hoje insistem em permanecer, sendo uma forma de “resgatar dívidas históricas”. A segunda tem uma função mais atual e, está relacionada “[...] com a necessidade de se promover a redistribuição equânime dos direitos, benefícios, ônus, vantagens, riquezas, bens e obrigações pelos integrantes de uma sociedade. É uma busca de justiça no presente, ante a discriminação vivenciada no dia a dia” (ESTÁCIO, 2013, p. 4). Assim sendo:
Mostrar mais

25 Ler mais

Desigualdade racial e educação: uma análise das políticas afirmativas no ensino superior

Desigualdade racial e educação: uma análise das políticas afirmativas no ensino superior

139 lidade, não somos" (ESCÓSSIA, 2001c). Em Editorial, ainda em agosto, o periódico diz cla- ramente que "se opõe à criação de cotas", porque a medida equivaleria a "tentar reparar uma injustiça criando outra" (COTAS..., 2001). O Editorial defende que o combate às diferenças socioeconômicas entre brancos e negros não poderia levar à suspensão, ainda que temporária, do sistema de ingresso na universidade baseado no mérito do candidato, e que seria muito difícil definir um negro no Brasil. Por outro lado, o artigo afirma que o critério da autodefini- ção é o único democrático. Já em Editorial posterior, também em agosto, o jornal reafirma que se opõe ao sistema de cotas, mas diz que nem todo tipo de ação afirmativa deve ser des- cartado (DISCRIMINAÇÃO..., 2001). Nesse artigo, o periódico defende a instituição de cur- sos pré-vestibulares dirigidos a negros porque, apesar de não ter o impacto da reserva de de- terminado número de vagas nas universidades públicas, evitaria distorções posteriores. Para o Jornal, apesar de o Brasil precisar "envidar esforços para promover a integração racial" e as ações afirmativas deverem ser consideradas e implementadas, o limite deveria "ser o da justi- ça". A partir de então, o jornal começa a mudar a sua posição extremamente contrária às polí- ticas afirmativas no ensino superior. Apesar de permanecer contrário à reserva de vagas, passa a admitir políticas afirmativas universalistas. Mas, em Editorial de outubro de 2001, o jornal repete os mesmos argumentos contrários às ações afirmativas ao criticar a aprovação de Lei do Estado do Rio de Janeiro, que reservava 40% das vagas em universidades públicas estadu- ais para "negros" e "pardos" (QUOTAS..., 2001).
Mostrar mais

362 Ler mais

Show all 10000 documents...

temas relacionados