Top PDF Império e governo representativo: uma releitura.

Império e governo representativo: uma releitura.

Império e governo representativo: uma releitura.

O debate parlamentar evidencia também a existência da preocupação da elite política com a qualidade da representação nacional, no sentido de torná-la eficaz e no sentido de definir seu con- teúdo quanto ao grau de representatividade. Essa preocupação manifestou-se de forma mais expres- sa na discussão sobre a legislação eleitoral. Foram basicamente três os temas que mobilizaram os par- lamentares quanto a esse item: a fraude eleitoral, a representação das minorias e o que chamavam de in compatibilidades. Os três temas respon diam a preocu pações de fu n do, referen tes à efetividade do governo representativo: o tipo de representa- ção que deveria prevalecer e a independência en- tre os poderes. Os três temas freqü en taram os de- bates parlamentares desde pelo menos 1828 e, entre outras leis, as opções adotadas materializaram-se em qu atro mais importan tes: a lei de 1846, qu e afirmava os princípios de cidadania consagrados na constituição de 1824, a lei de 1855, que adota- va o voto distrital e definia a inelegibilidade de deten tores de determin ados cargos pú blicos (in - compatibilidade), a lei de 1875, qu e in trodu ziu o títu lo de eleitor, e a lei de 1881, qu e modificou os prin cípios de cidadania. Embora cada u ma delas tenha se centrado em pontos específicos, as ques- tões mencionadas acima permearam todo o deba- te. Por exemplo, n a discu ssão da lei promu lgada em 1846, cujo foco essencial foi regrar a qualifica- ção dos votan tes, o voto distrital foi u m tema im- portante, embora ele só fosse introdu zido n a lei promulgada em 1855. O que indica como as refor- mas eleitorais do império giraram em torn o sem- pre dos mesmos pon tos cen trais, sen do qu e os depu tados faziam opções diferen tes, em diferen - tes momentos, variando conforme os percalços da prática eleitoral. No caso do voto distrital, a sua não adoção foi justificada pelo deputado Andrada Machado, ao apresentar o projeto de reforma eleito-
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As urnas sagradas do Império do Brasil: governo representativo e práticas eleitorais em Minas Gerais (1846-1881)

As urnas sagradas do Império do Brasil: governo representativo e práticas eleitorais em Minas Gerais (1846-1881)

Outra preocupação que levamos adiante é o uso de uma terminologia adequada ao contexto do nosso objeto. Assim, procuramos evitar confusões e equívocos propagados por textos que, por exemplo, chamam decretos do Poder Executivo de leis. Cumpre lembrar que decretos do Executivo são normas específicas provenientes de determinações do Governo, enquanto leis são normas gerais deliberadas e aprovadas pelo Poder Legislativo. Essa é uma distinção fundamental e não merece omissão. A nosso ver, a terminologia utilizada para descrever os procedimentos eleitorais tem sido empregada de forma demasiado livre. Há autores que usam indistintamente os termos Junta – que pode ser de qualificação ou municipal – e mesa – que pode ser paroquial ou eleitoral –, o que é incorreto. Esses eram organismos distintos no seio das normas eleitorais imperiais. A mobilização inadequada desses e outros termos impede a correta compreensão do tema. Há um grande número de imprecisões que preferimos não discutir haja vista que não objetivamos apontar erros de outros autores, mas apenas chamar a atenção para a necessidade de se fazer uso de uma terminologia adequada. Abordar um tema tão amplo como as eleições incorre em enormes desafios. A delimitação pertinente dos marcos temporais e espaciais que balizam a investigação está entre as maiores dificuldades. O acesso a um grande número de acervos é impossibilitado pelos estreitos imites de tempo inerentes à natureza da pesquisa e, sobretudo, às dimensões territoriais do país. Portanto, defronte à impraticabilidade de se examinar as práticas eleitorais em uma perspectiva que corresponda ao quadro geral do Império, optamos por restringir a pesquisa a apenas uma província. A escolha residiu sobre a província de Minas Gerais, sobretudo pela facilidade de acesso às fontes. Entretanto, além da conveniência da escolha, justificamo-la especialmente em função da representatividade de Minas Gerais no cenário eleitoral do Brasil dos oitocentos. Por abrigar a maior população do Império, a província de Minas possuía o maior contingente eleitoral e, consequentemente, o maior número de assentos na Câmara dos Deputados da Assembleia Geral. Entendemos, assim, que o estudo das práticas
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Elections and democracy in Brazil: Victor Nunes Leal and the 1945 transition.

Elections and democracy in Brazil: Victor Nunes Leal and the 1945 transition.

O texto está organizado da seguinte forma: a seção dois reconstitui o argumento central de Nunes Leal para tratar da deturpação do meca- nismo representativo no Brasil durante o Império e a Primeira Repúbli- ca. Nela, ressalto a ênfase dada pelo autor à estrutura agrária herdada do período colonial. Neste argumento, eleitores independentes são vistos como a precondição para o funcionamento adequado do gover- no representativo. Concluo essa seção mostrando a insuficiência de tal argumento, como ele é incapaz de dar conta da ruptura de 1945. A ter- ceira seção toma o “governismo”, uma das muitas facetas do “falsea- mento do governo representativo”, como o principal e mais relevante fenômeno a ser explicado. O que há por explicar é o fato de o governo não perder eleições locais, estaduais e nacionais. Como procuro mos- trar, na explicação oferecida pelo próprio Nunes Leal, a estrutura agrá- ria e o voto de cabresto não têm papel de relevo. O amesquinhamento do município, sua falta de autonomia legal e financeira, é a variável crucial para explicar o governismo dos coronéis. A quarta seção apoia-se nesta constatação para discutir as bases da democratização de 1945. Busco em Nunes Leal a explicação para a ruptura que aquela con- juntura representou na história eleitoral do país. O texto é fechado com as conclusões, nas quais ressalto a originalidade e a importância da obra de Nunes Leal para o entendimento das eleições, sustentando que esta contribuição não se limita ao entendimento do caso brasileiro.
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De estrangeiro a cidadão

De estrangeiro a cidadão

A discussão sobre a regulamentação da naturalização foi iniciada em 1826 no Senado. As divergências entre a Câmara e o Senado motivaram o adiamento da questão. Os deputados tenderam a ser mais rigorosos no estabelecimento de critérios para naturalização. Estipularam, por exemplo, que poderiam obter carta de naturalização apenas os estrangeiros: maiores de idade que não houvessem se oposto à Independência do Império ou ao seu governo monárquico constitucional representativo; que tivessem declarado na Câmara Municipal sua vontade de fixar domicílio; que estivessem residindo no Brasil por 10 anos ou 7 quando casados com brasileira e que tivessem bom procedimento. Tais exigências foram consideradas excessivas entre os senadores (VIEIRA, 2006, p. 87-99; RIBEIRO, 2002, p. 27-143).
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Características do Governo do Império

Características do Governo do Império

Se assim se configura a amplitude do 4.° Poder, com o caracterizar os órgãos estatais que deverão exercê-lo à luz da Constituição Imperial? Em primeiro lugar, o Poder M oderador reedita, sob base constitucional, o antigo preceito de sabedoria e moderação que deve caracterizar a ação do monarca, no antigo regime europeu. Traduz a ação direta do rei sôbre todos os negócios do Estado. Adotando, entretanto, os princípios, para a época avan­ çada, do regime representativo, a Constituição de 1824 erige o Imperador em representante máximo da Nação; adotando o Poder Moderador, transmite o exercício dêste ao Im perador.
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CENTRO DE EDUCAÇÃO E CIÊNCIAS HUMANAS PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS SOCIAIS A MIGRAÇÃO NORDESTINA PARA SÃO PAULO NO SEGUNDO GOVERNO VARGAS (1951-1954) – SECA E DESIGUALDADES REGIONAIS

CENTRO DE EDUCAÇÃO E CIÊNCIAS HUMANAS PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS SOCIAIS A MIGRAÇÃO NORDESTINA PARA SÃO PAULO NO SEGUNDO GOVERNO VARGAS (1951-1954) – SECA E DESIGUALDADES REGIONAIS

“Em virtude da seca, milhares dos seus homens se acham desempregados, sem trabalho na agricultura e na criação. Até mesmo aqueles serviços que o Governo mandou realizar, para atender a essa situação, estão sendo executados, porém os operários que neles trabalham não recebem o seu salário em dinheiro. O que ocorre, então? O operário, em vez de salário, recebe uma vale, ou seja, um papel com a declaração de que trabalhou tantos dias e tem tanto a receber. O salário em média é de 14 a 18 cruzeiros. Recebido o salário em vale, inicialmente trocavam-no no comércio local das proximidades da obra pública, com ágio de 20 a 30%... Entretanto, demora tanto o Governo a pagar que o próprio comércio local imobilizou seus pequenos capitais e já não pode atender às solicitações, aos apelos dos operários. Começou, então a trocar esses vales por gêneros de primeira necessidade... Tive até a oportunidade de verificar o seguinte: um operário que recebia numa semana um vale de Cr$ 180,00 ia a um barracão e lá, em troca desse vale, obtinha um saco de milho no valor de Cr$ 180,00. Daquela quantia, ainda descontava a parte relativa ao lucro do barracão, na medida de 20 a 30%. Enquanto isso, na mesma hora, o milho de melhor qualidade estava sendo vendido, no comércio local, a Cr$ 120,00. E o operário, que não podia comer o milho, tinha de levar aquele saco até a cidade próxima e trocá-lo por outros gêneros; mas só conseguia, no comércio local, por aquele saco de milho, CR$ 90,00 ou Cr$ 100,00, pois o comerciante estava vendendo produto de melhor qualidade a Cr$ 120,00 e tinha que fazer o seu lucro nessa base, isto é, receber o saco de milho do operário a Cr$ 90,00 ou Cr$ 100,00. Em conseqüência, o salário que era de Cr$ 16,00 diários, ficava reduzido, logo aí, a Cr$ 8,00, porque a metade, precisamente a metade, era perdida pelo operário na permuta do milho recebido do barracão com outros gêneros adquiridos no comércio.” (p. 65-66-67)
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Soberania do Parlamento ou soberania dos Tribunais  Constitucionais: aspectos subjetivos e objetivos dos  Direitos fundamentais.

Soberania do Parlamento ou soberania dos Tribunais Constitucionais: aspectos subjetivos e objetivos dos Direitos fundamentais.

Locke (2002, p. 468), na sua obra “Dois tratados sobre o governo”, assim explica, em síntese, a liberdade natural: se todos são livres, iguais e independentes por natureza, se todos forem forçados a escolher um estado e se sujeitar ao poder político de outro sem seu consentimento, não existe liberdade por natureza. Ele, então, explana que “se [um homem] é senhor absoluto de sua própria pessoa e suas próprias posses, igual ao mais eminente dos homens e a ninguém submetido, por que haveria ele de se desfazer dessa liberdade?”. Continua Locke, em seu raciocínio, que, para existir liberdade natural, o ser humano deve fazer parte de uma sociedade, entregando direitos ao Estado, submetendo-se à força da sociedade civil organizada, só com esta força submissa ele passaria a ter liberdade, obtendo “uma vida confortável, segura e pacífica uns com os outros, desfrutando com segurança de suas propriedades ...”
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Cultura e tecnologia: a constituição do serviço telegráfico no Brasil

Cultura e tecnologia: a constituição do serviço telegráfico no Brasil

A presença de todos esses temas repetidos ano a ano nos relatórios da RGT indica os passos seguidos no processo de implementação dos ser- viços telegráficos e na sua constituição como um ramo da administração pública. Tratava-se, nos primeiros anos, de convencer e provar à opinião pública, e também a parcelas do próprio governo, a importância e a via- bilidade do telégrafo entre nós, a necessidade de destinar recursos orça- mentários para a construção de linhas e o papel que o Estado deveria de- sempenhar na implantação e exploração da comunicação célere. Ao mesmo tempo, a RGT buscava disciplinar o uso do telégrafo, a expedi- ção de telegramas e o necessário sigilo do seu conteúdo, definindo tarifas inclusive para as linhas exploradas pelas empresas particulares, além de se ocupar com as concessões de autorizações para lançamento de cabos submarinos e construção de linhas terrestres, numa clara demonstração de proteção ao serviço telegráfico oferecido pelo Estado.
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O dispêndio com a instrução elementar no Império

O dispêndio com a instrução elementar no Império

Bahia e Pernambuco, economias tradicionais na Colônia e também po- sições destacadas em 1823, conti- nuam tendo receitas vultosas no fi- nal do período, porém superados por uma série de províncias. A produção de café transforma a província de São Paulo na mais rica, no final do Império. A borracha faz a riqueza do Pará e Ama- zonas. Algumas províncias apresentam uma economia notadamente estagnada, outras, onde a imigração é acentuada, como Espírito Santo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul apresentam um crescimen- to notável. Minas Gerais, a província mais populosa, sobre cuja receita em 1823 não se dispunha de dados, termina o período entre as dez maiores receitas.
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Espinosa e a liberdade de ensinar.

Espinosa e a liberdade de ensinar.

Ocupado em tratar do império aristocrático, Espinosa afirma, no parágrafo 47 do oitavo capítulo, que estão apresentados os fundamentos principais da aristocracia, restando abordar apenas algumas questões importantes que fo- ram, a partir de então, acrescentadas pelo autor. A primeira delas refere-se à distinção de vestimenta entre os patrícios e os plebeus e ao modo como deve ser tratado, eventualmente, o caso de um patrício perder seus bens. No pará- grafo 48, Espinosa aborda a distinção entre o perjúrio em nome de Deus e o perjúrio em nome da pátria; no parágrafo 49, enfim, consta a consideração espinosana sobre as academias fundadas às custas da República e, como já se sabe, esse é o parágrafo que, em particular, interessa a este estudo.
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1 Modelo Intertemporal Real de Investimento 2 Consumidor Representativo 3 A firma representativa 4 O Governo 5 Equilíbrio Competitivo 6 Oferta Agregada 7 Demanda Agregada

1 Modelo Intertemporal Real de Investimento 2 Consumidor Representativo 3 A firma representativa 4 O Governo 5 Equilíbrio Competitivo 6 Oferta Agregada 7 Demanda Agregada

Modelo Intertemporal Real de Investimento Consumidor Representativo A firma representativa O Governo Equilíbrio Competitivo Oferta Agregada Demanda Agregada O Multiplicador Modelo Intert[r]

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Lobbying do terceiro setor na democracia: tratamento constitucional

Lobbying do terceiro setor na democracia: tratamento constitucional

Elizabeth J. Reid, em sua análise sobre a atuação das nonprofits nos Estados Unidos da América, reconhece a importância e a força dessas organizações na promoção e discussão de quase todas as questões políticas. Elas são hoje responsáveis, além da prestação de serviços sociais, pela promoção de interesses, de valores e de uma diversidade cultural que inclui tanto maiorias quanto minorias. Assim, as nonprofits têm se configurado como lobbies bem organizados; e, ao lado dos eleitos oficiais e de instituições formais do governo, apresentam- se, em especial, no contexto democrático norte-americano, como parte do sistema de representação democrática. Elas monitoram políticas, firmam posições, acordam ou desacordam com os governos, dando suporte ou mesmo impondo desafios às próprias autoridades públicas. No âmbito das relações governamentais, sua atuação perpassa desde os parlamentos até a estrutura dos poderes Executivo e Judiciário. E, em contato com a sociedade, mobilizam voluntários e recursos para atender a preocupações sociais. Na busca por sensibilizarem os governos para reformas, mobilizam e educam eleitores, além de tratarem de questões relativas à responsabilidade corporativa, com vistas à melhoria nos mecanismos de accountability de instituições financeiras internacionais e organizações multilaterais. 331
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Uma releitura da subordinação

Uma releitura da subordinação

32 Op.. mas também a dita proteção do patrão contra os “ódios ferozes e vinganças”. Ainda que não seja exatamente o papel da legislação trabalhista, é inegável que as normas de tutela [r]

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Considerações sobre o indivíduo representativo.

Considerações sobre o indivíduo representativo.

Por um lado, este postulado levou-nos a imbricações para reconstrução do concreto através da abstração , à concepção do indivíduo humano representativo; por outro lado, ao enfatizar-se[r]

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Realismo afetivo: evocar realismo além da representação.

Realismo afetivo: evocar realismo além da representação.

Na década de 1990, uma terceira concepção do Realismo se confi rmou a partir do estudo do historiador de arte Hal Foster, no livro The return of the real de 1996. Numa distância maior do realismo histórico e por via de uma releitura da história da vanguarda das artes plásticas, Foster sugere uma mudança do Realismo com uma defi nição contundente. Descreve a transformação do Realismo entendido como “efeito de representação ao realismo como um evento de trauma”, ou seja, o efeito da representação se agrava para um evento traumático. O que era percebido em termos de contemplação e experiência de uma obra se converte nesta perspectiva em força de interrupção sobre o espectador. Esse Realismo traumático foi caracterizado através de exemplos da arte das últimas décadas do século XX que expressam os elementos mais cruéis, violentos e abomináveis da realidade ligados inevitavelmente a temas radicais de sexo e morte. Em vez de representar a realidade reconhecível e verossímil, surge, segundo Foster, de Andy Warhol a Andrés Serrano, um realismo “extremo” que procura expressar os eventos com a menor intervenção e mediação sim- bólica e provoca fortes efeitos estéticos de repulsa, desgosto e horror. Ou seja, a obra se torna referencial ou “real” nesta perspectiva na medida em que consiga provocar efeitos sensuais e afetivos parecidos ou idênticos aos encontros extremos e chocantes com os limites da realidade, em que o próprio sujeito é colocado em questão. A antiga utopia romântica de uma obra que se torna vida e uma vida que se converte em obra reaparece aqui em seu aspecto sinistro tocando no limite entre vida e morte.
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JUNTA CENTRAL DE HIGIENE PÚBLICA: VIGILÂNCIA E POLÍCIA SANITÁRIA (ANTECEDENTES E PRINCIPAIS DEBATES)

JUNTA CENTRAL DE HIGIENE PÚBLICA: VIGILÂNCIA E POLÍCIA SANITÁRIA (ANTECEDENTES E PRINCIPAIS DEBATES)

É importante salientar que a Academia não exercia o papel de consultora somente do governo, mas também de particulares, que solicitavam exame sobre diversos objetos, cujos pareceres eram publicados com detalhes nas páginas do seu periódico, o que confirma o papel assumido, de legitimadora das práticas médicas, pela Academia. Como um desses exemplos, o farmacêutico Ezequiel Corrêa dos Santos, membro da Academia, submeteu a sua água antifebril, composta por substâncias medicinais indígenas, à análise, no que ficou constatada sua eficácia para diversas moléstias, sendo ela aprovada (AIM, 1841). Nesse mesmo número, o qual trazia um relatório das atividades realizadas pela Academia Imperial de Medicina referente ao ano de 1840, foram publicados mais dois pareceres de particulares, um relativo à Água de Labarraque, e outro a respeito de uma máquina para a fabricação do ácido pirolenhoso. Aquele obteve parecer favorável, enquanto que este foi considerado por Ezequiel Corrêa dos Santos, que ficara incumbido de analisá-la, “um perfeito plagiato” (AIM, 1841: 131).
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ENEM: UMA ANÁLISE RETROSPECTIVA E PROSPECTIVA DOS RISCOS ASSOCIADOS EM SER MAIS QUE UMA AVALIAÇÃO DIAGNÓSTICA

ENEM: UMA ANÁLISE RETROSPECTIVA E PROSPECTIVA DOS RISCOS ASSOCIADOS EM SER MAIS QUE UMA AVALIAÇÃO DIAGNÓSTICA

O resultado foi que o Consórcio Connasel não conseguiu levar o Enem até sua conclusão, gerando uma crise no mencionado ano. Por outro lado, houve uma reação rápida do Inep, que organizou uma força tarefa institucional com parcerias em todos os segmentos do governo federal e das unidades federadas. Como medida emergencial, recorreu à contratação direta de instituições com experiência na realização de exames, tais como a Fub/UnB/CESP, a Fundação Cesgranrio, o FNDE 22 com a logística do programa nacional de livros didáticos, a gráfica de segurança, o Ministério da Defesa (Exército, Marinha e Aeronáutica), a Secretaria de Segurança Pública e a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos – ECT, também chamado de Correios. Enfim, em 60 dias, todo o material foi reprocessado e o exame foi realizado.
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Releitura da Biblioteca Nacional.

Releitura da Biblioteca Nacional.

A atuação da FBN pode ser sintetizada em duas linhas de frente: a primeira diz respeito à memória cultural da organização, como se sabe, depositária de um verdadeiro tesouro, reconhecido mundialmente; a segunda concerne à vida cul- tural do país, destacando-se o aperfeiçoamento de quadros específicos da área, frequentemente a reedição de obras referenciais esquecidas na poeira do tempo, o sistema de coedições com a rede editorial do país, as bolsas de pesquisa, de tradução de obras de autores brasileiros para o exterior, de apoio aos escritores iniciantes, os prêmios de reconhecimento e revelação de autores, o Prêmio Ca- mões em parceria com o governo de Portugal, a implantação e modernização de bibliotecas públicas, comunitárias e pontos de leitura, bem como os eventos, com elaboração de seminários e de exposições nacionais e internacionais, cursos, debates, para difundir e tornar presentes a diversidade das ofertas e a extensão da leitura. Desse modo, o primeiro aspecto diz respeito ao livro tombado, guarda- do, tecnicamente preservado; o segundo relaciona-se com a vida do livro, esses editados pela Instituição e em regime de parceria, objeto de difusão e discussão sobre o seu valor e a sua necessidade no processo global de desenvolvimento, que consiga ser harmoniosamente conduzido nas diferentes faixas econômica e cultural.
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UMA RELEITURA DO ROMANCE MACUNAÍMA

UMA RELEITURA DO ROMANCE MACUNAÍMA

O que nos interessará mais, por sem dúvida, é saberdes que os guerreiros de cá não buscam mavórticas damas para o enlace epitalámico; mas antes as preferem dóceis e facilmente trocáveis por pequeninas e voláteis folhas de papel a que o vulgo chamará – o “curriculum vital” da civilização, a que hoje fazemos ponto de honra em pertencermos ... Sabereis mais que as donas de cá não se derribam a pauladas, nem brincam por brincar, gratuitamente, senão que as chuvas do vil metal, ... Estes e outros multimilionários é que ergueram em torno da urbs as doze mil fábricas de seda ... E o palácio do governo é todo de oiro ... Ora sabereis que a sua riqueza de expressão intelectual é tão prodigiosa, que falam numa língua e escrevem noutra (ANDRADE, 1986, p. 63).
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Lukács e a ontologia: uma introdução — Outubro Revista

Lukács e a ontologia: uma introdução — Outubro Revista

Não se trata mais de justificar a dominação da classe representada pelo pensador ao transformar a sociedade de sua épo- ca no “fim da história” (Aristóteles e o escravismo, a escolástica[r]

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