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Capítulo 2 – ENQUADRAMENTO TEÓRICO: Aprendizagem Organizacional,

2.5 Responsabilidade Social Empresarial

2.5.3 Ética e RSE

Há algumas décadas teria sido ridículo tentar aproximar conceitos relativos às Ciências Econômicas com os referidos ao campo da ética (Van Gich, 1987), em razão da forma de conceber a empresa como uma entidade independente das circunstâncias características do ambiente em que ela existe. Dos anos 1970, em diante, desenvolveram-se conceitos que abordam situações densenvolvidas na empresa, como responsabilidade social, bem comum, projeção social, compromisso com o ambiente. Isso póe em termos a ética e os valores.

Na perspectiva de Vidal (1990) pode-se apreciar a forma como os termos moral e ética são usados com abundantes significados para designar realidades diferentes, mas relacionadas entre elas, ou aspectos de uma mesma realidade. O termo ética refere-se, as vezes, ao racional em termos da capacidade dos seres humanos para diferenciar o conveniente do que não é; em outras circunstâncias, é usado como referência ao estudo do problema, no mesmo sentido da capacidade humana. A dição moral também tem dois usos basicamente: um refere-se ao religioso, para designar a parte da estrutura da religião que regula a atividade dos seus seguidores; o outro designa os códigos de comportamento dos adeptos de alguma religião para padronizar os momentos e aspectos da vida. Ambos os vocábulos são também usados como substantivos, para designar o conjunto de conhecimento sobre o que é bom, e como adjetivos referindo-se à qualidade da realidade, enquanto esta depende das atividades das pessoas e elas são responsáveis

pela bondade posta na intenção das ações que realizam. Pode-se também referir o uso que é feito de ambas as palavras para designar níveis na moral e na ética. O primeiro nível é a vivência dos valores e é chamado de ética ou moral vivenciada. O segundo nível é o dos princípios e normas e é conhecido como ética ou moral formulada. Olhando-se além da diferenciação terminológica, descobre-se que em duas concepções diferentes da vida, a grega e a romana, existem termos para designar a personalidade ética ou moral dos membros da comunidade e para expressar o caráter ou modo de ser (natural ou adquirido) que motiva as formas de comportamento. Isto leva a propor o que já se encontra na maioria dos autores a respeito do uso das duas unidades de idéias e a utilização indiferenciada destas, para se referir à mesma situação relativamente ao comportamento humano. Para deixar um elemento conceitual que será válido nas reflexões deste documento, entender-se-a a ética como reflexão feita sobre os atos humanos, enquanto eles comportam, individual ou coletivamente, uma orientação para a prática do bem ou encaminhada a exclusão dele, o que se entende como a prática do mal. O certo e o errado serão entendidos com referencia à dignificação dos seres humanos e ao cumprimento de normas mínimas universais que permitem fazer juízos de valor sobre as consequências das ações pessoais e corporativas.

A concepção da empresa teve mudanças significativas nas últimas décadas em áreas como a valorização da sua dimensão cultural, a dimensão humana da organização, a apropriação do conceito de cooperação na dinâmica interna e externa, e fez tomar consciência da intervenção direta em seus processos de três tipos de capitais: físico, humano e social (Cortina, 2003). Segundo Tua e Gonzalo (1989), esta ideia implica compreender que o conceito de empresa envolve fatores de produção que lhes são confiados pela comunidade e que na organização confluem em uma coalizão de interesses variados aos quais ela deve dar satisfação. Nestes conceitos, privilegiam-se os fatores humanos e o contexto social como elementos que identificam a razão de ser das empresas, enquanto elas surgem da iniciativa das pessoas para atender as necessidades da sociedade (Sierra, 2002). A excelência das empresas olha-se com indicadores como a orientação à ação, a pesquisa sobre as necessidades dos consumidores, o fomento das habilidades entre os administrativos, a produtividade, cultura corporativa, a concentração no que sabem fazer melhor e a estrutura organizacional. Além disso, a sensibilidade ao seu ambiente e como estas estão

impactando a realidade circundante são critérios para fixação de outros indicadores que permitirão avaliar o desempenho da empresa (Koontz & Weihrich, 1994).

Cada organização tem capacidade para determinar o conjunto de valores que orientam suas ações. O mesmo se aplica em relação aos momentos históricos pelos quais elas passam, o que pode resultar em mudanças que deverão se realizar para uma constante reorientação dos seus objetivos. O significado destas concepções é enorme para a compreensão do desenvolvimento do perfil estimativo da pessoa, já que a sociabilidade é um componente-chave na vida ética; portanto, sua participação em vários grupos (família, empresa, instituição de ensino, congregação religiosa, clubes) tem uma influência sobre a sua forma de assumir os valores pelo perfil estimativo que se desenvolve em cada uma delas, com a tendência a fragmentar a posição pessoal, de acordo com a situação em que está vivendo em cada grupo. Outra implicação pode ser vista na forma como o sistema social está estruturado desde as das percepções que ocorrem em todos os subsistemas que o compõem, com as várias posições das organizações que há em cada um deles. A terceira questão que deve ser mencionada é a das diferenças geracionais. São diferentes os estilos de vida que implicam a eleição e evolução de valores. As transformações tecnológicas, sociais, econômicas, políticas, científicas, dentre outras, implicam mudanças na axiología dos grupos sociais e das pessoas. Neste conjunto de ideias, as empresas devem rever a sua orientação desde a perspectiva da comunidade e das pessoas que compõem a organização: a sua orientação estará errada quando descontextualizada do seu ambiente e se encaminhe a interesses isolados que ignorem os objetivos comuns da sociedade e do desenvolvimento de projetos daquelas pessoas que as conformam (Amariles & Bermudez, 2009).

A ética nas empresas é identificada como uma rede de relações em que a empresa inclui todas as pessoas e todos os setores que fazem dela parte com o conceito de corresponsabilidade. É importante a sensibilização, sobretudo, os processos desenvolvidos na empresa, de forma que desapareçam as fronteiras rígidas que uma vez foram tão importantes (Amariles & Bermudez, 2009).

Nesta nova concepção de empresas, todos os núcleos que a compõem interagem permanentemente, respeitando os procedimentos de cada setor, mas sem marginalizá- los, porque, ao contrário, o fluxo de informação em todas as possíveis vías possibilita

qualificar a produção de cada um dos setores na implementação de atividades que lhe ssão próprias. Isso resulta, segundo Kanter (1989), em aumento da eficiência da empresa, já que as pessoas é que têm mais ferramentas, informações e apoio para tornar a ação mais confiável e atuar mais rápido. Assim, podem conseguir muito mais; aquilo que se estabelece na geração de redes de comunicação de dupla via.

Os níveis diretivos conseguem maior integração com os outros níveis da empresa, permitindo uma proximidade com as pessoas e processos, o que torna possível manter a informação atualizada, que se obtém de maneira direta; isto transforma as relações de poder, no sentido de permitir aos outros centros acessar à informação, que é normalmente restrita aos diretores da empresa. Assumir esta nova realidade com visão de liderança implica compreender que se alcançou um novo estilo da gestão no qual a hirarquia administrativa dirige esquemas de participação com base no pressuposto de que, quando um líder dá poder aos outros, não reduz o seu poder, ao contrário, aumentá- lo, especialmente se a organização como um todo funciona melhor (Amaríles & Bermudez, 2009) e entrou no processo de tomar consciência da responsabilidade que têm todos os núcleos nos processos da empresa.

Em relação ao ambiente externo da empresa, existem vários elementos que, a parti daí, dificultam influências sobre o desenvolvimento de todos os processos; entre eles estão os fornecedores e clientes, mas também devem ser considerados a "concorrência" e o Estado. Tudo isso na sociedade particular em que está contextualizada a empresa e que têm um número de subsistemas que determinam as condições nas quais opera, para disponibilizar ao público o bem ou serviço que produz. Variáveis culturais, econômicas, políticas, ambientais, legais, educacionais, religiosas, científicas e de qualquer outra índole têm influência e são, por sua vez, influenciadas pelos processos decorrentes das atividades que cada empresa desenvolve.