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Capítulo 2 – ENQUADRAMENTO TEÓRICO: Aprendizagem Organizacional,

2.5 Responsabilidade Social Empresarial

2.5.2 Dimensões da RSE

Conforme definido anteriormente, a RSE pode e deve ser entendida como parte substancial da estratégia da empresa, uma estratégia corporativa que envolve um compromisso consciente e consistente de agir, aplicando recursos disponíveis para respeitar e promover os direitos humanos, o crescimento da sociedade e a proteção do meio ambiente. Isso significa contar com todos e cada um dos stakeholders para o desempenho e a sustentabilidade do projeto. Ao incluir na estratégia corporativa as expectativas de todos os agentes envolvidos, significa assumir o dever de efetivá-los na dimensão interna e externa da empresa, considerando aspectos econômicos, humanos, sociais e ambientais, demonstrando respeito pelos valores éticos, pelas pessoas e pela comunidade (Santos et al., 2006).

Dentro do nível externo da RSE, destaca-se o compromisso da empresa com os clientes, fornecedores e sociedade em geral, bem como com o meio ambiente. Uma empresa é mais do que uma entidade que oferece emprego e riqueza; é um agente de desenvolvimento da comunidade onde está localizada. A consciência de RSE supõe, logo, que a empresa não é apenas uma instituição que vende bens ou serviços para obter

lucro, mas depende e se alimenta do ambiente, influenciando-o necessariamente. Para este fim, a empresa é vista como um objeto de natureza social, com uma missão de serviço à comunidade. Isto faz com que se deva ocupar não só com seu crescimento econômico, mas também com o bem-estar social.

Na prática, a RSE é uma forma de assumir a direção estratégica da empresa, é uma abordagem abrangente à gestão organizacional. Ela procura maior compromisso dos trabalhadores com os objetivos e missão da empresa; busca ter uma comunidade estável, com bons níveis de saúde e educação, baixas taxas de criminalidade e as boas relações com as instituições, para garantir o normal desempenho de suas operações. Procura, também, um ambiente limpo, implementando processos para otimizar o uso de recursos e redução de resíduos, tudo com o objetivo de melhorar os lucros da empresa e garantir a sua sustentabilidade a longo prazo. Em suma, a dimensão externa da RSE proporciona benefícios para a sociedade em termos de sua contribuição para a democracia (comportamento do cidadão), para melhorar a coesão social, reduzir a pobreza e contribuir para o desenvolvimento sustentável; incentiva a integridade administrativa, fortalecendo o respeito aos Direitos Humanos, a concorrência, a transferência de tecnologia e a proteção ambiental, dentre outros.

É na dimensão interna, porém, que se concentra este estudo. No plano das empresas, os principais benefícios da RSE poderiam ser enquadrados em alguns campos.

A consciência da responsabilidade social enseja inovação, pois envolve uma mudança no padrão de relacionamento da empresa: o objetivo primordial deixa de ser maximizar o valor e os benefícios para os acionistas, tornando-se geração de valor e beneficios para todos os stakeholders. Por outro lado, as empresas que se comprometem na sua Responsabilidade Social enfatizam a transparência (Pompeu & Marques, 2013), aplicando modelos de propagação voluntária da informação com tripla dimensão - econômica, social e ambiental - concebida e dirigida a todos os interessados. Aplicando

eficiência e rentabilidade, a RSE ajuda a reduzir custos. O interesse pelos empregados

reduz o absenteísmo e aumenta a retenção de talentos (reduzindo, assim, os custos de demissão e de controle). Além disso, a flexibilidade nas condições do trabalho, como horário, permitem poupar o espaço para comportar mais trabalhadores. Também os programas de saúde e bem-estar pessoal diminuem os custos associados às visitas

médicas, estadas em clínicas, medicamentos, dentre outros. Espera-se, ainda, aumento das vendas, ao conquistar a lealdade do cliente e melhoria nos resultados econômicos. Iniciativas de negócios que visam a cuidar dos filhos dos trabalhadores ajudam a aumentar a produtividade destes, diminuindo o estresse e a depressão, reduzindo absenteísmo e interrupções no trabalho. Outro impacto positivo ocorre sobre a produtividade dos programas relacionados aos horários flexíveis, saúde, bem-estar e respeito à diversidade no local de trabalho. A melhoria da imagem e a reputação das empresas dependem da forma como estas são vistas pela sociedade e impactam nos seus resultados. Nos últimos anos, várias empresas foram envolvidas em escândalos relacionados ao trabalho infantil, à corrupção, à concorrência desleal, à manipulação e/ou utilização indevida de informações, situações em que não se respeitam os direitos fundamentais dos trabalhadores, dentre outros. Tais escândalos tiveram um impacto significativo sobre os resultados do negócio. Atualmente destaca-se a preferência dos consumidores por empresas sociais ou ambientalmente responsáveis, bem como a confiança que relata aos seus stakeholders saber que a empresa se preocupa com as necesidades deles. Ocorre um aumento da satisfação do cliente nas empresas que melhoram o seu funcionamento social interno, garantindo serviço coerente com as suas demandas. Infere-se que as empresas com horários flexíveis podem melhorar o serviço aos seus clientes, oferecendo-lhes maior número de horas de funcionamento. As empresas com legalidade, que consideram políticas sobre diversidade e resolução de conflitos, como indicado pelo Institut Business For Social Responsability, reduzem o risco de serem perseguidas e multadas em matéria penal, ambiental, laboral ou monopolista.

A RSE é um conceito transversal (Justino, 2013), que afeta áreas diversas da gestão de uma empresa, sendo os recursos humanos de especial interesse para os efeitos internos. Nesse sentido, concede-se especial atenção à análise de funcionários da organização. Supõe-se que a RSE tem várias implicações para os trabalhadores: a aprendizagem continua a todo nível; a delegação e o trabalho em equipe que estimula a motivação e a autorrealização; a transparência na comunicação interna; a diversidade da força de trabalho; salários justos e uma remuneração coerente e transparente; igualdade de oportunidades e processo de recrutamento ‘limpos’; compromisso com a gestão e o

progresso da empresa; a empregabilidade e perdurabilidade no posto de trabalho – procurando o desenvolvimento da carreira profissional; segurança e higiene no local de trabalho; e um bom equilíbrio entre trabalho, família e lazer, entre outros aspectos (Santos et al., 2006).

Neste sentido, o desempenho dos papéis que as pessoas têm em áreas diversas de sua vida – pessoal, laboral e familiar – afeta–lhes em variegadas dimensões. Embora apareçam cada vez mais estudos que falam do enriquecimento trabalho-família (Kirchmeyer, 1992; Rothbard, 2001; Ruderman, Ohlott, Panzer, & King, 2002), a perspectiva de conflito continua a reinar na literatura (Barnett, 1998; Greenhaus & Parasuraman, 1999; Haas, 1999). Respondendo a esses conflitos, algumas empresas optam por introduzir programas e políticas para conciliar os papéis adotados pelos seus trabalhadores; no entanto, visto que os resultados da aplicação de tais medidas estarão influenciados pela cultura organizacional que, portanto, é a que tem de ser trabalhada para um resultado real de responsabilidade social interna.

Pesquisas realizadas sobre a importância das políticas das organizações para promover o equilíbrio entre o trabalho e a família, por exemplo, mostram que, em empresas onde há conciliação entre ambos, estes expressam melhor desempenho (Hill, Hawkins, Ferris, & Weitzman, 2001; Anderson, Coffey, & Byerly, 2002; Clark, 2002). Se existem organizações onde as políticas de Responsabilidade Social Interna continuam se entendendo como um custo, é porque ainda existe o conceito de que é o tempo de trabalho, e não o desempenho, o que compra o salário. O erro está em não se concentrar nas pessoas. Segundo Ponce (2007), quando as pessoas não são centrais neste pensamento, além de sua insatisfação, cria-se cultura que dificulta a comunicação e o estabelecimento da confiança necessária para a concretização de objetivos comuns. Uma empresa, no entanto, que mais do que uma organização econômica é uma comunidade de pessoas, desenvolverá uma cultura que vai facilitar a direção dos trabalhadores com objetivos concretos e definidos, encaminhados a alcançar a mesma consecução. Neste sentido, Jimenez, Acevedo, Salgado e Moyano (2009) assinalam que, quando na cultura corporativa não se percebem esforços para que os funcionários acreditem no fim ultimo desta, provavelmente não irão utilizar os programas destinados a tais fins, dada a coerção cultural que sentirão quando da sua utilização. Se assim for,

entre os principais obstáculos para a eficácia das medidas de responsabilidade interna aplicadas pela empresa estaria o relacionado às conseqüências percebidas na hora de fazer uso desses programas. Em contraste, uma cultura de apoio para a sua utilização, conseguiria um impacto maior (Allen, 2001).

Em seguida, trabalhar-se-a sobre a importância da cultura organizacional e sua relação com a RSE, desde a perspectiva dos seus programas, e ver-se-á a eficácia destes para incentivar o intraempreendedorismo. Dallimore e Micket (2006) dizem que há provas suficientes para afirmar que a existência e a implementação de certos programas de RSE produzem benefícios tanto para o trabalhador - menos estresse, mais controle no trabalho, mais tempo familia - como para a empresa.