O Conselho Constitucional é composto por nove membros, eles são
nomeados para um mandato de nove anos, sendo três nomeados pelo Presidente
da República, três pelo Presidente da Assembleia Nacional e três pelo Presidente do
Senado. (FAVOREU, 2004, p. 93-94) O artigo 56
14da Constituição Francesa dispõe
que as nomeações feitas por estas duas últimas autoridades serão submetidas à
consulta da comissão permanente da assembleia envolvida. Não é exigida qualquer
qualificação profissional ou faixa etária para se tornar um membro. Favoreu leciona
também que um terço dos membros é renovada a cada três anos. (2004, p. 94) A
não exigência dos membros serem advogados formados ou estudiosos do direito
justifica-se, em razão do Conselho ter sido projetado para funcionar como um
mediador dos conflitos entre autoridades constitucionais concorrentes. (TROPER,
2011, p. 47-48)
Assim, o Presidente da República e o presidente de cada uma das
assembleias nomeiam, cada um, um membro a cada três anos. Para ser possível
esta renovação, a Portaria nº 58-1067
15- lei orgânica do Conselho Constitucional-
determinou que o primeiro Conselho Constitucional fosse composto por três
membros nomeados por três anos; outros três, por seis anos; e o restante, por nove
anos. Ademais, que cada autoridade ficaria responsável pela nomeação de um
membro de cada série. Favoreu afirma que essa renovação parcial assegura “certa
continuidade e também uma diversidade de origens” (2004, p. 94) Ele mesmo
ressalta que como nas demais jurisdições constitucionais, também no Conselho, os
membros possuem concepções políticas semelhantes as das autoridades
nomeantes. (Ibid., p. 94) Tavares Filho também levanta essa questão, ele afirma que
como os critérios de nomeação são políticos, há “uma vinculação político-ideológica
entre os membros do Conselho e as autoridades nomeantes”. (2009, p. 8)
Troper defende que apesar da forma de designação dos membros, as
decisões do Conselho não têm um viés políticos, pois os membros, pela sua
14 Article 56
Le Conseil constitutionnel comprend neuf membres, dont le mandat dure neuf ans et n’est pas renouvelable. Le Conseil constitutionnel se renouvelle par tiers tous les trois ans. Trois des membres sont nommés par le Président de la République, trois par le Président de l’Assemblée nationale, trois par le Président du Sénat. La procédure prévue au dernier alinéa de l’article 13 est applicable à ces nominations. Les nominations effectuées par le président de chaque assemblée sont soumises au seul avis de la commission permanente compétente de l’assemblée concernée.
En sus des neuf membres prévus ci-dessus, font de droit partie à vie du Conseil constitutionnel les anciens Présidents de la République.
Le président est nommé par le Président de la République. Il a voix prépondérante en cas de partage.(FRANÇA, 1958)
15 Article 2
Le premier Conseil constitutionnel comprend trois membres désignés pour trois ans, trois membres désignés pour six ans et trois membres désignés pour neuf ans. Le Président de la République, le président de l'Assemblée nationale et le président du Sénat désignent chacun un membre de chaque série. (FRANÇA, 1958a)
formação, decidem sobre bases puramente legais. Por mais que não haja uma
exigência constitucional acerca da formação dos escolhidos para membros, a
maioria é de ex-políticos que também são advogados competentes ou de alto
servidores civis ou acadêmicos. O autor, contudo, concorda com Tavares Filho, ao
afirmar que “ao fazer essas nomeações, as autoridades nomeantes não são cegas
às preferências políticas dos candidatos”. (2011, p. 48)
Contudo duas variantes devem ser consideradas, primeiro Favoreu informa
que a maioria dos membros é jurista de formação ou de profissão, sendo que 80%
dos nomeados após 1959 preenchiam os requisitos para serem juízes judiciários ou
administrativos. (2004, p. 94) Então, são analisados também critérios pessoais dos
nomeados, não cabendo afirmar que são exclusivamente políticos. Outro fato, é que
depois de nomeados, os membros gozam de total independência, pois não podem
ser destituídos, somente pelo próprio Conselho e em casos excepcionais, e o
mandato não é renovável. Ou seja, livra-os das tentações, vez que o mandato
durará apenas os nove anos, não podendo ser novamente nomeado. (FAVOREU,
2004, p. 94)
Pode-se acrescentar aos membros do Conselho, os membros de direito que
correspondem aos antigos Presidentes da República. Favoreu afirma que apenas
houve a participação de membros de direito nas sessões do Conselho de 1959 a
1962, depois o conselho passou a contar apenas com os nove membros nomeados.
(2004, p. 93) A previsão dos membros de Direito comporem o Conselho é muito
criticada. Ela tinha uma razão de ser quando da criação do Conselho, mas depois
das modificações sofridas nos anos setenta, torna-se incoerente e prejudicial à
credibilidade do órgão. Laurent Fabius, atual Presidente do Conselho Constitucional
nomeado pelo Presidente da República François Hollande, com mandato iniciado
em março de 2016, já declarou publicamente o seu desejo em suprimir o direito dos
ex-presidentes serem membros do Conselho- membros de direito. Ele fez uma
ressalva quanto ao direito de Valéry Giscard d'Estaing, o único membro de direito
presente no Conselho Constitucional atualmente. (NADAU, 2016; CONSELHO
CONSTITUCIONAL, 2016)
Ele é o único membro de direito, pois Jacques Chirac não integra por
motivos de saúde e Nicolas Sarkozy, em razão das suas contas de campanha terem
sido rejeitadas pelo Conselho. Ademais, François Hollande já anunciou que não irá
ser membro do Conselho quando deixar a presidência da República. Ele prometeu
em 2012 a supressão do referido parágrafo através de uma reforma constitucional,
mas por receio do projeto não alcançar a maioria dos 3/5 dos parlamentares
reunidos no Congresso, recuou em 2013. (NADAU, 2016)
O projeto de reforma do disposto no parágrafo segundo do artigo 56 da
Constituição não saiu do papel, mas o Presidente do Conselho pretende retomá-lo,
alegando que seria lógico pela notável ênfase atual do caráter jurisdicional do
Conselho. Assim, os membros do Conselho ficariam restritos aos nove nomeados.
Ele ainda explica que originalmente o Conselho foi projetado para defender o
Executivo do potencial risco de invasão das suas competências pelo legislativo, mas
que as mudanças sofridas pelo mesmo tornaram-no um verdadeiro Tribunal
Constitucional. (NADAU, 2016) Tavares Filho aponta que no caso dos membros de
direito ou natos, como ele prefere denominá-los, não há mandato, pois são membros
com vitaliciedade. (2009, p. 8)
Com relação ao mandato dos membros nomeados, deve-se fazer uma
ressalva constante na Portaria nº 58-1067
16, o membro designado em substituição,
ao término do cumprimento do restante do mandato do substituído e se tiver
ocupado a função em substituição por menos de três anos, pode ser nomeado como
membro do Conselho Constitucional. Ora, como leciona Tavares Filho, o mandato
de um membro também pode se dar pela sua morte, suspensão dos direitos
políticos e civis, incapacidade física permanente, demissão de ofício pelo próprio
Conselho Constitucional ou mesmo renúncia. (2009, p. 9) Neste último caso, a
Portaria nº 58-1067
17determina que o membro pode renunciar por carta dirigida ao
Conselho, sendo que a nomeação de um substituto deve ocorrer no prazo máximo
de um mês da renúncia.
O Presidente da República que nomeia o presidente do Conselho entre os
membros nomeados e os de direito. Favoreu afirma que na prática “o Presidente da
República confia sempre a presidência do Conselho a um dos membros que ele
nomeia no início do seu mandato”. (2004, p. 94) Cervantes afirma que “esta facultad
16 Article 12
Les membres du Conseil constitutionnel désignés en remplacement de ceux dont les fonctions ont pris fin avant leur terme normal achèvent le mandat de ceux qu'ils remplacent. A l'expiration de ce mandat, ils peuvent être nommés comme membre du Conseil constitutionnel s'ils ont occupé ces fonctions de remplacement pendant moins de trois ans.(FRANÇA, 1958a)
17 Article 9
Un membre du Conseil constitutionnel peut démissionner par une lettre adressée au Conseil. La nomination du remplaçant intervient au plus tard dans le mois de la démission. Celle-ci prend effet de la nomination du remplaçant. (FRANÇA, 1958a)
cobra importancia al establecer la Constitución que el Presidente del Consejo tiene
preponderância en caso de división de opiniones.” (CERVANTES, 1999, p. 388) A
lógica desta disposição está no fato de que o objetivo inicial da criação do Conselho
era a proteção das competências do Executivo, por isso determinou-se que caberia
ao Presidente da República esta importante nomeação, vez que o artigo 56, citado
acima, dispõe que o Presidente do Conselho tem voto de qualidade no caso de
empate. “Não há a previsão de mandato do presidente, sendo a tradição que este
tem a duração de nove anos” (TAVARES FILHO, 2009, p. 8)
A Portaria nº 58-1067
18dispõe ainda que os membros nomeados, antes de
tomarem posse, prestam juramento perante o Presidente da República, jurando
desempenhar bem e fielmente suas funções, sendo imparciais em respeito à
Constituição e mantendo o sigilo das deliberações e dos votos e não tomando
qualquer posição pública, ou fazendo qualquer consulta sobre as questões de
competência do Conselho. Ou seja, de questões que são ou podem ser objeto de
suas decisões. Para garantir a independência e a dignidade de suas funções, um
Decreto do Conselho de Ministros define as que lhes são obrigações.
Em respeito a esta determinação foi publicado o Decreto nº 59-1292
19que
trata das obrigações do Conselho Constitucional, estabelecendo como obrigação
18 Article 3
Avant d'entrer en fonction, les membres nommés du Conseil constitutionnel prêtent serment devant le Président de la République.
Ils jurent de bien et fidèlement remplir leurs fonctions, de les exercer en toute impartialité dans le respect de la Constitution et de garder le secret des délibérations et des votes et de ne prendre aucune position publique, de ne donner aucune consultation sur les questions relevant de la compétence du Conseil.
Acte est dressé de la prestation de serment. Article 7
Un décret pris en conseil des ministres sur proposition du Conseil constitutionnel, définit les obligations imposées aux membres du Conseil, afin de garantir l'indépendance et la dignité de leurs fonctions. Ces obligations doivent notamment comprendre l'interdiction pour les membres du Conseil constitutionnel, pendant la durée de leurs fonctions, de prendre aucune position publique sur les questions ayant fait, ou susceptibles de faire l'objet de décisions de la part du Conseil, ou de consulter sur les mêmes questions. (FRANÇA, 1958a)
19 Article 1
Les membres du Conseil constitutionnel ont pour obligation générale de s'abstenir de tout ce qui pourrait compromettre l'indépendance et la dignité de leurs fonctions.
Article 2
Les membres du Conseil constitutionnel s'interdisent en particulier pendant la durée de leurs fonctions:
De prendre aucune position publique ou de consulter sur des questions ayant fait ou étant susceptibles de faire l'objet de décisions de la part du Conseil ;
D'occuper au sein d'un parti ou groupement politique tout poste de responsabilité ou de direction et, de façon plus générale, d'y exercer une activité inconciliable avec les dispositions de l'article 1er ci- dessus ;
geral a abstenção de atos que possam comprometer a independência e dignidade
da sua função de membro do Conselho Constitucional. Ele traz algumas abstenções
cabíveis aos membros do Conselho enquanto durarem suas funções. Pela própria
redação desse decreto verifica-se que o rol não é exaustivo: utilização de conceitos
vagos ou indeterminados. É vedada a tomada de qualquer posição pública ou
consulta sobre matérias que tenham sido ou que sejam susceptíveis a ser objeto de
decisões do Conselho; a menção à sua qualidade de membro do Conselho em
documento susceptível de ser publicado e relativo a uma atividade pública ou
privada; ocupar posto de direção ou de responsabilidade em um partido ou grupo
político.
A Constituição francesa
20e a Lei Orgânica
21do Conselho Constitucional
também listam algumas incompatibilidades com a função de membro do Conselho.
Entre essas está a vedação de exercer a função de Ministro, de Defensor de
Direitos, de membro do Parlamento (e de qualquer mandato eleitoral), do Governo
ou do Conselho Econômico, Social e Ambiental. Na realidade, é vedado ao membro
exercer qualquer função pública e atividade profissional ou assalariada, bem como
com o exercício da profissão de advogado. Ele não pode também ser nomeado para
De laisser mentionner leur qualité de membre du Conseil constitutionnel dans tout document
susceptible d'être publié et relatif à toute activité publique ou privée. (FRANCE, 1959)
20 Article 57
Les fonctions de membre du Conseil constitutionnel sont incompatibles avec celles de ministre ou de membre du Parlement. Les autres incompatibilités sont fixées par une loi organique. (FRANÇA, 1958)
21 Article 4
Les fonctions de membre du Conseil constitutionnel sont incompatibles avec celles de membre du Gouvernement ou du Conseil économique, social et environnemental, ainsi qu'avec celles de Défenseur des droits. Elles sont également incompatibles avec l'exercice de tout mandat électoral.
Les membres du Gouvernement ou du Conseil économique, social et environnemental, le Défenseur des droits ou les titulaires d'un mandat électoral nommés au Conseil constitutionnel sont réputés avoir opté pour ces dernières fonctions s'ils n'ont pas exprimé une volonté contraire dans les huit jours suivant la publication de leur nomination.
Les membres du Conseil constitutionnel nommés à des fonctions gouvernementales ou aux fonctions de Défenseur des droits, désignés comme membres du Conseil économique, social et environnemental ou qui acquièrent un mandat électoral sont remplacés dans leurs fonctions.
L'exercice des fonctions de membre du Conseil constitutionnel est incompatible avec l'exercice de toute fonction publique et de toute autre activité professionnelle ou salariée. Les membres du Conseil constitutionnel peuvent toutefois se livrer à des travaux scientifiques, littéraires ou artistiques.
Les fonctions de membre du Conseil constitutionnel sont incompatibles avec l'exercice de la profession d'avocat.
Article 5
Pendant la durée de leurs fonctions, les membres du Conseil constitutionnel ne peuvent être nommés à aucun emploi public ni, s'ils sont fonctionnaires publics, recevoir une promotion au choix. (FRANÇA, 1958a) (Grifos nossos)
qualquer cargo público, e caso seja funcionário público, não poderá receber
promoção por mérito, ou como diria Tavares Filho, discricionárias (2009, p. 9). É
permitido aos membros executar trabalhos científicos, literários ou artísticos. As
vedações e obrigações são impostas a todos os membros do Conselho, inclusive os
de direito.
Tavares Filho leciona que os as incompatibilidades referentes aos
parlamentares sujeitam-se também os membros do Conselho. (2009, p. 9) O
membro que pretenda disputar um mandato eletivo deve solicitar uma licença pelo
período da campanha eleitoral. Os membros têm a obrigação de informar ao
presidente as alterações que possam ocorrer em suas atividades externas ao
Conselho. Caso o membro descumpra suas obrigações gerais, cabe ao Conselho
pronunciar-se, assim faz-se um escrutínio secreto, incluindo os membros de direito,
e a decisão será tomada de acordo com a maioria simples dos membros presentes.
Caso se constate que um membro exerce uma atividade ou aceitou uma
função, ou um mandato eletivo incompatíveis com sua qualidade de membro, o
Conselho Constitucional, se necessário, demitirá de ofício o mesmo. A mesma regra
aplica-se ao membro do Conselho Constitucional com uma deficiência física
permanente que o impeça definitivamente de desempenhar as suas funções, nos
termos da Portaria nº 58-1067
22. O Decreto nº 59-1292
23determina que nesses
casos o Conselho deve notificar imediatamente a sua decisão de demitir de ofício
um de seus membros ao Presidente da República, bem como à autoridade que o
nomeou para fornecer um substituto para a função.
Atualmente, o Conselho Constitucional tem como presidente Laurent Fabius,
desde março de 2016, ele é formado pela tradicional Escola Normal Superior de
Paris e pela Escola Nacional de Administração, Pós-graduado pelo Instituto de
22 Article 10
Le Conseil constitutionnel constate, le cas échéant, la démission d'office de celui de ses membres qui aurait exercé une activité ou accepté une fonction ou un mandat électif incompatible avec sa qualité de membre du Conseil ou qui n'aurait pas la jouissance des droits civils et politiques.
Il est alors pourvu au remplacement dans la huitaine. Article 11
Les règles posées à l'article 10 ci-dessus sont applicables aux membres du Conseil constitutionnel qu'une incapacité physique permanente empêche définitivement d'exercer leurs fonctions. (FRANÇA, 1958a)
23 Article 8
Lorsqu'en application des articles 10 et 11 de l'ordonnance du 7 novembre 1958, le Conseil constitutionnel a constaté la démission d'office de l'un de ses membres, il notifie immédiatement sa décision au Président de la République ainsi qu'à l'autorité à qui il appartient de pourvoir au remplacement de l'intéressé.(FRANÇA, 1959)