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Capitulo III O Código do Trabalho

4. Código do Trabalho

4.1 A Contratação Colectiva

Apenas a titulo de referência podemos dizer que a caducidade do contrato de trabalho existe desde à muito tempo na lei no “contrato individual de trabalho”, mas na Contratação colectiva passou a ser uma nova realidade, realidade essa, que veio de alguma forma apanhar as associações sindicais de, “calças na mão”, é verdade o nosso mundo sindical apesar de saber que isso algum dia podia acontecer, nunca se preparou para esta nova realidade legislativa.

As Convenções Colectivas de Trabalho são a demonstração fundamental da autonomia colectiva, e desenvolvem-se num processo de regulamentação de interesses colectivos resultado da expressão das partes após negociação. Esta legitimidade e capacidade no contexto internacional em que estamos integrados, está amplamente consagrada.

Portugal Estado soberano, é membro à algumas décadas da Organização Internacional do Trabalho - OIT, como tal a Constituição Portuguesa tem o compromisso de promover, respeitar e tornar realidade os princípios relativos ao direito fundamental da liberdade sindical, a Convenção n.º 158 da OIT, encontra-se tipificado na CRP, para garantir a liberdade sindical, tendo como consequência, a capacidade e legitimidade dos sindicatos à Contratação Colectiva.

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liberdade sindical e que os governos não devem estabelecer restrições nem intervir para que elas obedeçam à sua politica económica. Igualmente a Carta Comunitária dos Direitos Sociais Fundamentais prevê o direito de negociação e o de concluir convenções colectivas (art. 12º.) e também a Carta Social Europeia (art. 6º.) vai no mesmo sentido.86

A União Europeia conforme o atrás referido entende, mantém, e integra acertadamente no seu Tratado mais recente o Tratado de Lisboa, ratificado pelos Estados membros da União Europeia e que vigora desde 2009, disposições no que concerne à Contratação Colectiva, no entanto todos o órgãos da União Europeia, nomeadamente o Parlamento Europeu tem continuamente afirmado entre outras coisas, que a Contratação Colectiva faz parte integrante da vida e é componente importante e integrante dos Direitos Fundamentais da União Europeia, os termos transcritos na resolução do Parlamento Europeu de 28 de Outubro de 2008:

“ …Considerando que o direito de participar em acções colectivas e de celebrar convenções colectivas é um direito fundamental que constitui parte integrante dos princípios gerais do direito comunitário; considerando, a esse propósito, que o TJCE não deve basear-se numa declaração do Conselho e da Comissão com data de 24 de Setembro de 1996, que não foi aprovada pelo Parlamento

Europeu (enquanto co-legislador), e que restringiria a interpretação dos conceitos de “disposições de ordem pública” e “disposições nacionais cruciais para a ordem publica” apenas as regras obrigatórias estabelecidas em legislação”.87

Mais o Parlamento Europeu afirma:

“ ...Congratula-se com o Tratado de Lisboa e com o facto de a Carta de Direitos Fundamentais da União Europeia se tornar juridicamente vinculativa; regista que tal incluirá o direito de os sindicatos negociarem e celebrarem

86 XAVIER, Bernardo da Gama Lobo Xavier, MARTINS, P. Furtado, CARVALHO, A. Nunes de; -

Iniciação ao Direito do Trabalho. Verbo editora, ISBN 9789722216430, p. 79

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tomarem acções colectivas (como a greve) para defenderem os seus interesses;”.88

Nesse sentido o legislador português tomou devida nota, e transcreveu para a legislação portuguesa, mais precisamente para o Código do Trabalho, todas as directivas e demais documentos definidores de normativos que o atrás referido deveria de ter em conta, nomeadamente no que diz respeito ao DCT, à CC e ao exercício dos Sindicatos à negociação de Convenções Colectivas de Trabalho.

O Código do Trabalho em vigor, define todos os procedimentos de negociação das CCT, denuncia/apresentação de propostas, resposta, negociação, acordo, vigência, efeitos e consequência da aplicação das convenções negociadas às partes outorgantes e aos seus representados, na falta de acordo na negociação ou frustração de acordo na revisão da convenção, e que se conhece como “crise da negociação directa”, (Monteiro Fernandes).

Face ao não acordo total ou parcial, o Código do Trabalho, define a forma de dirimir os conflitos colectivos daí resultantes, por meios pacíficos, através da conciliação, mediação, arbitragem voluntária e necessária, e na falta de solução arbitral, findo o prazo de Sobrevigência que não pode ultrapassar 18 meses. Por despacho do ministro da tutela da área do sector de actividade, é decidida a Caducidade da Convenção Colectiva, sendo comunicado às partes, a definição por acordo de um regulamento de condições mínimas nos termos do artigo 517.º e 518.º do CT, na falta desse acordo é aplicado aos destinatários abrangidos as condições previstas no artigo 501.º do CT.

O Resultado final da “crise de negociação directa”89 é a Caducidade das Convenções colectivas, sejam poucas ou muitas, muitos serão com certeza os trabalhadores afectados pelas suas consequências e os seus efeitos na perda de direitos adquiridos, apesar de aceitar o conceito de fonte temporal de direito, é uma fonte de direito, tem valor de lei para as partes outorgantes, e quanto a temporalidade, o que

88 Jornal oficial da União Europeia, de 21.01.2010, p.C15 E/55. 89

MONTEIRO FERNANDES, A. L.; - Direito Trabalho. Coimbra: Almedina, 14ª edição 2006.ISBN 9789724038353.

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sociedade não é eterno é temporal com prazo ou sem prazo mas tudo tem um fim. Claro que o legislador conseguiu o seu primeiro objectivo que foi dinamizar a negociação colectiva, de uma maneira errada mas legal.

No que diz respeito à contratação colectiva das condições de trabalho dos trabalhadores em regime de contrato de trabalho em funções públicas e tem vindo a caminhar no sentido em termos de processo de negociação de convenções colectivas com o regime geral previsto no Código do Trabalho, apesar de especificamente a lei 59/2008 de 11 de Setembro de 2008, regular o regime do contrato de trabalho em funções públicas, no entanto não põe em causas os IRCT(s) negociados , e a sua aplicação bem como outros procedimentos que decorre dos artigos n.º 346º e seguintes, da lei atrás referida. No entanto na nossa opinião pode-se questionar da colisão da norma de representatividade das organizações sindicais prevista no artigo n.º 347º do RCTFP, com o as condições definidas para associações sindicais do regime geral revisto no artigo n.º 447º do CT, que pode estar a pôr em causa os princípios consagrados na CRP previstos nos artigos n.º 55º “Liberdade sindical” e 56º ” , que prevê a competência das associações sindicais o exercício o direito à contratação colectiva, o qual é garantido nos termos da Lei, logo pode-se considerar que o principio da liberdade sindical bem como o principio da equidade, e da garantia de igualdade, previsto n.º artigo 13º da CRP – “Todos os cidadãos tem a mesma dignidade social e são iguais perante a Lei”.

No entanto na nossa opinião estas descriminações negativas que o diploma atrás referido apresenta em relação ao tratamento objectivo exigido às associações sindicais.

No que diz respeito ao objecto de trabalho a legislação em causa nada prevê objectivamente, prevendo sim a aplicabilidade das Convenções colectivas aos trabalhadores que exercem “funções públicas”, deste modo é nos permitido concluir que o Regime jurídico da Caducidade de uma Convenção Colectiva será tratado na conformidade e previsão quanto a esta matéria nos artigos n.º 501º e 502 do Código do Trabalho.