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A década de 1970 e a Tragédia do Mercado que abalou a cidade

ANTÔNIO FRANCO

2.3 A década de 1970 e a Tragédia do Mercado que abalou a cidade

Se na década de 1960 a situação era difícil, na década de 1970 os problemas se intensificaram. Com o caos que predominava, o centro da cidade de Aracaju passou a perder sua atratividade para o lazer, para moradia e para o comércio de luxo, que estavam migrando para outras áreas da cidade. Com o passar do tempo, a situação veio a se agravar muito mais. O mercado continuou em franca expansão, mesmo com a decadência econômica gerada pela desativação do porto e da ferrovia. Este crescimento extrapolou os prédios e se estabeleceu nos pátios internos, largos e ruas. A situação do Mercado era precária e as denúncias sempre ocorriam:

Em estado deplorável funciona os sanitários públicos do Mercado Municipal. Vasos quebrados, sistema de água e esgoto entupido ou danificado, germes que proliferam, uma fedentina insuportável, e assim por diante. Bem em frente a este miserável WC, as vendedoras de batatas fazem o ponto diariamente, expondo a venda os seus produtos. O Povo ficaria realmente satisfeito se a municipalidade resolve mais este problema dos mercados municipais. Não é pedir muito, é? (JORNAL DA CIDADE, 12/03/1972, nº 17, p. 1).

Mesmo com toda precariedade, as atividades comerciais neste espaço não diminuíam, havia uma intensificação dos fluxos de pessoas, da poluição sonora, visual e ambiental decorrentes do intenso comércio. O entorno dos Mercados Antônio Franco e Thales Ferraz estavam cada vez mais ocupados por barracas de todos os tipos.

O Jornal da Cidade de 01 e 02 de maio de 1972, na página 16, nos trouxe uma matéria intitulada “Assim é o Mercado”. Na primeira parte, comentou-se sobre o mercado do ponto de vista econômico, criticando a falta de um projeto para a construção de um Centro de Abastecimento de Aracaju. E, enquanto isso não acontecia, a população sofria por falta de higiene, barracas de madeira apodrecida, bancas de camelôs e de peixe juntos, faltava iluminação e água, problemas nos sanitários, nos portões, nos esgotos e na cobertura. Além da lama que invadia tudo, pois as palhas e frutas apodrecidas se espalhavam. As frutas chegavam em Aracaju já deterioradas e as que sobravam eram vendidas com preço elevado.

A matéria continua a relatar que “ [...] o jeito é pechinchar, todos reclamam, mas compram, não tem outra saída”. Era tanta mosca no Mercado que os pontos de venda de comida

eram chamados de frege-moscas, “[...] onde as moscas pulam e se afogam. A própria mesa onde é servido o almoço, terá uma camada de sujeira. ” A reportagem finaliza dizendo que o Mercado Municipal já teve seus dias áureos de limpeza, que tudo ficava no seu devido lugar, fácil de achar, comprar e vender. Tinha comida limpa, boa, sadia e barata.

Quando são citados os dias áureos de limpeza no final da matéria, podemos compreender que estão falando das décadas de 1920, 1930 e 1940. Pois, desde a década de 1950 o que estamos constatando é que as dependências dos Mercados era uma “cena de horror”, com uma precariedade ascendente e sem previsão de retrocesso que seria benéfico para toda população.

Além de todos problemas estruturais existentes, o mercado ainda era alvo de roubos. O

Jornal da Cidade, de 14 de dezembro de 1972, nos trouxe a matéria “Mercado Antônio Franco

é invadido por ladrões”.

Comerciantes do mercado Antonio Franco estão pedido providências para os constantes roubos que ali se verificam. Nos últimos dias nada menos de três armazéns foram atingidos e seus proprietários tiveram que levar queixa ao sargento da PM do destacamento do Mercado Antônio Franco, mas até o momento não foi encontrada uma pista, acreditando-se que se trate de pivetes que estão encontrando facilidades e penetrando durante a noite pelos velhos portões nas bancas de carne e a estrada do lado leste. (JORNAL DA CIDADE, 14/12/1972, nº 239, p. 09).

O comerciante José Fagundes relata ao Jornal da cidade, nesta mesma matéria, que “[...] foi visitado por um amigo alheio que levou algum dinheiro e certa quantidade de mercadorias, não sendo possível precisar a quantidade e o que foi retirado. ” Ele explica que o ladrão serviu- se da tranquilidade da noite e levou o que quis, sem encontrar nenhum guarda ou policial. Outros comerciantes destacam que o mercado não tem condições de segurança, sendo possível a qualquer marginal entrar durante a noite, dormir tranquilamente e sair com as mercadorias durante madrugada sem ser questionado.

O Mercado Municipal tornou-se um local muito distante do projeto modernizador da época de sua construção.

[...] imundo!!! [...] Uma velha torre, que se suspende do meio de um quadrado de concreto velho, sustentando um relógio [...] uma denúncia muda vista de muitos lugares da cidade [...] Ele deve muito ao tempo e ao esquecimento das administrações públicas [...] um fantasma perdido no tempo e no centro da cidade [...] O mercado de Aracaju [...] um mundo de concreto decadente em que se perde a sua utilidade, a sua própria cultura [...] (JORNAL DA CIDADE, 07 e 08/01/1973, nº 256, p. 03)

Como seria possível mudar esse quadro deplorável, se não havia interesses por parte do governo municipal e estadual? Distante do Mercado, estava sendo construído a Central Estadual de Abastecimento – CEASA, uma construção que fazia parte do programa do governo federal que, devido ao crescimento acelerado dos centros urbanos no país, o processo de distribuição de produtos hortifrutigranjeiros tornou-se caro, complexo e ineficiente. O uso exclusivo das vendas diretas ou de atravessadores autônomos dos produtos agrícolas gerava dificuldades na formação dos preços, na concorrência entre os produtores, na homogeneização da produção e, principalmente, na distribuição dos produtos ao mercado varejista. Frente à problemática crescente desse sistema, o Governo Federal brasileiro decidiu intervir neste mercado através da criação das Centrais de Abastecimento (CEASAS) na década de 1960, implantando-as na década de 1970, nos principais centros urbanos do país. Em Aracaju estava localizado no antigo campo do Tobias, entre a Avenida Sete de Setembro e a Rua Divina Pastora. No dia 22 de março de 1973, ocorreu a solenidade de inauguração. Nesta data, o Jornal da Cidade publica, em primeira página, a matéria “Ceasa vai inaugurar... E o mercado vai acabar? ”

Com a inauguração do CEASA uma pergunta paira nos lábios do povo. O Mercado Municipal, vai acabar? Aquelas lojinhas de calçados, bijuterias, tecidos, os bares “frege-moscas” para onde irão? O povo não está devidamente esclarecido, quanto a finalidade do Centro de Abastecimento. [...] O velho Mercado agora, será reformado. Será? (JORNAL DA CIDADE, 22/03/1973, nº 315, p. 01)

Tudo estava muito confuso. Os gêneros alimentícios irão para a CEASA e o restante como ficaria? Com a inauguração da CEASA, o Prefeito Cleovansóstenes Pereira de Aguiar assinou um decreto proibindo que nos Mercados Municipais ocorresse a comercialização, por atacado, de produtos hortifrutigranjeiros, tendo em vista a necessidade de disciplinamento da venda dos referidos produtos, justificando que não havia área apropriada nos Mercados, problema este que dificultava a fiscalização municipal. (JORNAL DA CIDADE, 22/03/1973). O Jornal da Cidade continuou acompanhando a situação da CEASA, comparando-o com o Mercado Municipal. A CEASA estava com tudo arrumadinho e com os preços 10% mais baratos, mas pouca gente ia lá. Nos Mercados, a bagunça de sempre, como também a sujeira, mas continuava sendo o local preferido do povo para as compras. O que estava acontecendo? Uma das possibilidades apontadas era a distância.

Ir comprar na CEASA precisa tomar ônibus, pagar um taxi para voltar com as compras, é praticamente impossível voltar de ônibus com tantas coisas. Evidentemente, o motorista do taxi vai querer cobrar o excesso. É preferível mesmo comprar no Mercado, ainda que ele seja imundo.

Só mesmo as famílias que possuem carro próprio que talvez se interessarão na CEASA. (JORNAL DA CIDADE, 25 e 26/03/1973, nº318 318, p. 02).

Temos consciência de que o transporte não era o único problema como a citação acima tenta nos convencer. Na verdade, a população se identificava com o Mercado, fazia parte da cultura ir vender e comprar no referido espaço. Era o local tradicionalmente utilizado para os encontros entre as pessoas. O senhor Valter de Meneses Carvalho21 nos relata:

Tinha um senhor, ele faleceu, ele era aposentado da Receita federal. Ele já foi delegado da Receita Federal, todos os dias ele disse que vinha ao mercado tomar café com cuscuz. Era aquela tradição de gostar de sair cedo. E a esposa falava: mas, José, ao invés de tomar café em casa! Ele respondia: Eu vou bater papo com meus amigos lá no mercado e tomo um cafezinho lá e depois venho para casa. Era um pessoal conservador, gostava de conservar, manter a tradição.

Em 1974, o então Prefeito Cleovansóstenes Pereira de Aguiar pretendia demolir o Mercado de Verduras, localizado em frente ao mercado Thales Ferraz, para a construção do Anel Rodoviário com duas pistas. O prédio era muito antigo, construído em 1918, pertenceu a firma Cruz & Irmãos (FIGURA 17) e funcionava como hortifrutigranjeiro desde a administração do Prefeito Aloísio Campos (1968-1970), que tinha alugado o trapiche portuário para essa finalidade.

FIGURA 17: Trapiche da Firma Cruz & Irmãos. Prédio utilizado como Mercado das Verduras (esquerda da foto)

Fonte: BARRETO, Arnaldo. Cadastro industrial, comercial, agrícola e informativo de Sergipe – 1938.

Com a demolição do prédio, os feirantes seriam transferidos para a CEASA. Os feirantes não gostaram da ideia e se mobilizaram para permanecer no local. E assim permaneceram, sem estrutura alguma. A situação era generalizada o Mercado Antônio Franco chamado de Mercado Velho e o Thales Ferraz chamado de Mercado Novo, que de novo não tinha nada e a situação era semelhante aos demais.

Em 06 de abril de 1977, o Diário de Aracaju, trouxe em primeira página a manchete “Comerciantes denunciam: mercado vai desabar” e informou que a cada dia que passava o Mercado Novo piorava suas condições de funcionamento e atendimento ao público, que a fiscalização da Saúde Pública Estadual visitava as dependências do Mercado uma vez por mês e que não existia um fiscal permanente no local. “O edifício que compõem o Mercado Novo está a ponto de desabar. Comerciantes rezam e fazem promessas, para que o desmoronamento ocorra durante a noite sem vítimas. O prédio em péssimo estado exige demolição ou reforma bem-feita e urgente”. E a matéria continua tratando da limpeza e saneamento inexistente, água estagnada proliferam mal cheiro, poucos varredores só limpam uma pequena parte, o setor de peixes está às moscas, os caminhos dentro do mercado cheio de detritos, o lixo fica amontoado. “A população reclama, o consumidor protesta, os comerciantes pleiteiam melhores condições, porém nunca a administração do Mercado Novo se manifesta”. E os problemas continuavam sendo enumerados: policiamento não existia, apenas alguns bombeiros procuram controlar a situação, o banditismo se desenvolvendo, o suplente do delegado raramente aparecia. “Os comerciantes encontram-se indignados, não protestam como medo de perseguições e represálias”.

E a saga dos mercados continuava. No Diário de Aracaju, de 17 e 18 de abril de 1977, tratou-se do “Mercado em abandono” em plena Semana Santa que, devido aos abusivos preços cobrados nos peixes, o Mercado Thales Ferraz foi fechado às 10 horas da manhã.

O peixe de segunda e terceira qualidade vendidos a Cr$ 40,00 sem qualquer fiscalização e infringindo o Ato Interventivo nº 12 baixado pela Delegacia Regional da Superintendência Regional de Abastecimento que regulamentava a comercialização e estipulava a Cr$ 20,00 o preço do peixe de primeira qualidade, em detrimento da bolsa do consumidor. (DIÁRIO DE ARACAJU, 17 e 18/04/77, nº4.083, p. 1).

E a matéria continua apresentando o quadro desolador do mercado, era repulsivo para os que visitam e procuram adquirir gêneros alimentícios. Não era novidade a comercialização de produtos deteriorados. O local era deprimente, havia a possibilidade de desabamento ou

adquirir alguma doença devido à falta de saneamento e limpeza, assim como a proliferação de ratos e insetos. E a administração do mercado alheia a todo acontecimento ali ocorrido.

Para piorar a situação, “Marginais continuam à solta no mercado” é a notícia do Diário

de Aracaju, de 24 e 25 de abril de 1977. O movimento dos criminosos começa às sextas-feiras

nas proximidades do Mercado. Neste dia, chegavam caminhões de várias cidades do interior, com gêneros que seriam comercializados.

O caís dos pescadores continua sendo o ponto preferido para a reunião dos meliantes. O juizado de Menores até o momento nada fez em relação aos famigerados pivetes que pulam nas dependências e redondezas do Mercado. De sexta-feira até segunda-feira, o Mercado vive infestado de meliantes de todos os naipes, que mantêm contatos e a cambeiam o produto de sua atuação. Aproveitam-se do alto índice de menores que devido ao baixo nível de vida são levados a mendigar ou roubar afim de se sustentarem, são facilmente envolvidos por marginais mais experientes que os orienta quanto aos crimes que são praticados. (DIÁRIO DE ARACAJU, 24 e 25/04/1977, nº 4.088, p. 1).

Na sequência, o delegado declara à equipe do jornal a solução sobre os fatos. De acordo com o delegado Oswaldo Rodrigues, os comerciantes foram convocados para uma reunião, na qual seria tratado o assunto. Infelizmente só apareceram cinco e, desta forma, ficou evidenciado que estava tudo bem. Essa foi uma desculpa muito mal elaborada, sabemos que problemas não faltavam e se os comerciantes não compareceram foi devido à permanente situação de risco. O poder público precisava assumir suas responsabilidades e proporcionar a segurança tão necessária.

Os assaltos passaram a ocorrer constantemente. O Diário de Aracaju, de 14 de maio de 1977 trata do assunto, relatando que, nos dias 26 e 27 de abril e no dia primeiro de maio os marginais agiram no Mercado, “Os assaltos a comerciantes têm se sucedido de forma vertiginosa e alarmante todos os dias. As vítimas sabendo que queixas registradas demoram a ser resolvidas, já não procuram a Delegacia”. A equipe de reportagem fez um levantamento da situação entre os comerciantes e registrou algumas vítimas: Lindolfo Feitosa, comerciante de queijos, foi assaltado por duas vezes; Antenor, comerciantes de cereais foi assaltado por três vezes; Antônio foi assaltado na presença de populares e pelo bombeiro que vigia o Mercado; uma barbearia teve sua porta arrombada; Reginaldo Santos, proprietário de um Bar, foi visitado pelos marginais, beberam e roubaram a importância de Cr$ 300,00; Walmir, um dos comerciantes de peixes, foi assaltado por três meliantes. E esses foram apenas alguns casos, entre tantos ocorridos.

A segurança do mercado precisava ser melhorada que, de acordo a reportagem, estava sob a responsabilidade do Corpo de Bombeiros e que a Administração do Mercado já tinha feito uma solicitação à Policia Militar e até aquele momento não tinha obtido nenhuma resposta. E a equipe do jornal faz uma analogia dos marginais como se fosse um bloco carnavalesco e relaciona com as profissionais do sexo que atuavam na área:

A famigerada cafetina Boca de Bagre, relações públicas e assessora imediata da musa do canalhismo sergipano, a Nega Lia, vai à frente do trio elétrico formado pelos marginais, que continuam rondando e permanecendo nas imediações do Mercado, Bidu, Zé Boca de Sino, Pé de Quilho, Assanhaço, Francisquinho, Galego, Zé Careca, Bigode de Aranha e muitos outros que nas mediações do Mercado, se reúnem e arquitetam seus planos. O tráfico de maconha continua intenso no Trapiche e a troca de objetos roubados e programação de roubos é preparada por marginais conhecidos pela polícia de Aracaju, inclusive envolvendo menores. (DIÁRIO DE ARACAJU, 14/05/77, nº 4.102, p. 1).

Diante do contexto apresentado, não eram apenas os comerciantes do Mercado que pediam a solução para esses problemas, mas toda a comunidade aracajuana. De acordo com a matéria, o subdelegado do Primeiro Distrito Policial, o senhor José Andrade, continuava sozinho no órgão policial e não podia, de forma alguma, dar cobertura e manter a ordem, sem pessoal e equipamento, além de ter de resolver os problemas burocráticos do seu Distrito.

Toda a problemática vivida pelos Mercados muda de foco quando no dia 17 de junho de 1977, ocorre um vendaval e atinge drasticamente o Mercado das Verduras (FIGURA 18).

FIGURA 18: Mercado das Verduras após a tragédia

A notícia da tragédia foi publicada no jornal Diário de Aracaju, de 18 de junho de 1977, e nos relata que, por volta das 7 horas da manhã, do dia 17/06/1977, quando o movimento já era grande, o galpão do Antigo Trapiche, onde funcionava a feira de verduras, desabou sobre os feirantes e compradores, provocando a morte imediata de seis pessoas e deixando dezenas de outras feridas. Foram registrados a entrada de 48 pessoas no Pronto-Socorro, mas que o número era bem maior do que foi contabilizado. Conforme declarações de populares que estavam presentes no local, “o desabamento foi em consequência de fortes ventos vindo da direção marítima, que lançou o telhado de zinco a mais de 50 metros de distância, sobre a feira livre realizada em frente”.

A matéria do jornal explica que logo após o desabamento, os homens do Corpo de Bombeiros foram os primeiros a chegar, e começaram a fazer o resgate das vítimas e a retirada do entulho formado pelas vigas e telhas que desabaram sobre comerciantes e consumidores que se encontravam no Mercado. Em seguida aproximadamente 600 homens da Policia Militar foram designados para o Antigo Trapiche e populares colaboraram na remoção dos produtos para o pátio da antiga Estação. “Ambulâncias do INPS, da PM e do Corpo de Bombeiros, passaram cerca de 3h trabalhando na remoção dos corpos e pessoas atingidas pelo desabamento”. As autoridades se fizeram presentes no local: Governador José Rollemberg Leite, Bispo Auxiliar Dom Edvaldo Amaral, Secretário de Segurança Adroaldo Campos Filho, Superintendente da Polícia Civil Costa Cavalcante, Terceiro Delegado Metropolitano Ruy Pinheiro e representado o 28º BC o Comandante Tenente-Coronel Waldir Cavalcante de Souza Lima e o Capitão Prudente. Foi preciso uma tragédia para que autoridades lembrassem da existência dos mercados.

Dois carros que estavam próximos ao Mercado de Verduras foram destruídos com o desabamento e quatro vítimas se encontravam na UTI do Pronto-Socorro em estado crítico. A

Gazeta de Sergipe, de 18 de junho de 1977, também tratou sobre o tema, anunciando em

primeira página “7 mortos, 145 feridos: A tragédia do Mercado de Verduras”.

Passavam das sete horas da manhã quando nuvens cinzentas, carregadas começam se aproximar de Aracaju. Num diminuto espaço de tempo, a cidade estava às escuras: parecia que o dia tinha virado noite, como bem explicou o pescador José Carlos Silva. Seguindo as nuvens, uma forte ventania, tão forte como nunca antes o aracajuano vira. Antes que as chuvas caíssem, num forte temporal, estava consumada a tragédia: o teto do Mercado das Verduras, no Centro da Cidade, foi levado pelo vento. E o que caiu dentro do mercado deixou um saldo catastrófico: 6 mortos, quase 150 feridos, alguns gravemente. À noite, morreu a 7ª pessoa. (GAZETA DE SERGIPE, 18/06/1977, nº 5.749, p. 1)

A reportagem descreve o cenário: barracas em frente do Mercado das Verduras estavam parcialmente destruídas, o Mercado Thales Ferraz foi atingido por longas toras de madeira e por folhas de zinco, os gemidos vindos de dentro do Trapiche eram inúmeros e o socorro se tornava dramático porque chovia muito.

A cidade amanhecia assim sob os gritos lancinantes das sirenes dos carros dos Bombeiros. Imediatamente, foi chamada a Assistência do Hospital de Cirurgia. E quanto mais gente saia do Mercado das Verduras feridas mais gente se apresentava coberta de sangue, com braços quebrados, pernas quebradas, ferimentos em todas as partes do corpo. (GAZETA DE SERGIPE, 18/06/1977, nº 5.749, p. 5).

Na sequência da reportagem, outras informações são sinalizadas: um alto falante da Polícia Militar convocava o povo a se apresentar para doação de sangue e colocava à disposição dos doadores transporte para os hospitais. Estudantes deixavam as escolas e iam para o local da tragédia; o trânsito engarrafado; emissoras de rádio passaram a transmitir para o interior, gratuitamente, recados dos feirantes para seus parentes; os noticiários das televisões contavam sobre a tragédia.

Nesta mesma edição da Gazeta de Sergipe, o prefeito João Alves Filho publica uma nota de esclarecimento apresentando seu profundo consternamento com a lamentável ocorrência, demonstrando sua solidariedade à família aracajuana, particularmente as que tiveram seus entes queridos atingidos pelas consequências do fenômeno. Comenta que providências de assistência a vítimas e feirantes foram tomadas. Assim como determinou a localização provisória de verdureiras na área da CEASA.

A Gazeta de Sergipe, de 19 e 20 de junho de 1977, aborda novamente toda a tragédia ocorrida no mercado e registra que o prejuízo era incalculável, porque o desastre não ficou restrito ao Mercado das Verduras que funcionava no antigo Trapiche, afetou o Mercado Thales Ferraz, seu telhado foi atingido e barracas foram também totalmente destruídas. A prefeitura de Aracaju não sinalizou o que seria feito, surgiram comentários que o prefeito João Alves iria pôr em prática o antigo plano do prefeito Aloísio Campos: derrubar o que restou do Trapiche e construir as duas pistas do anel viário. Finaliza a reportagem comentando que toda a Imprensa brasileira deu amplo destaque à tragédia do Mercado das Verduras.

O Jornal da Cidade, desta mesma data, 19 e 20 de junho de 1977, comenta que devido