A EAFC-PA, como uma instituição da rede federal de ensino, teve a responsabilidade de construir seu currículo pleno de modo a atender as especificidades das mudanças ocasionadas pela LDB Nº 9394/96 e do decreto Nº 2208/97. Para implementar essas mudanças, a instituição organizou por meio do Departamento de Desenvolvimento Educacional (DDE), treinamentos, capacitações, encontros, seminários e várias reuniões para o quadro docente, com a finalidade de expor o novo modelo da educação profissional.
A instauração desse processo gerou na comunidade escolar movimentos e dualismo: resistência e adaptação em relação à nova proposta imposta pelo MEC. Esses movimentos causaram no interior da instituição mobilizações, distanciamentos, discursos, estratégias
Figura 15: Entrada principal da EAFC-PA em Castanhal- PA. Sem data de Registro.
individuais e de grupos que se refletiram no espaço escolar e delinearam contornos ao currículo. Esse conflito da mudança é ratificado em Ramos (2006, p.283):
[...] as instituições promovem uma recontextualização das normas em suas realidades específicas e, assim, as reconstroem no âmbito de outras disputas travadas em seu próprio interior. Devido a um movimento dinâmico e contraditório que ocorre entre Estado e Sociedade Civil, estruturas burocráticas e estruturas pedagógicas, dirigentes institucionais e comunidade escolar, nenhuma reforma se implanta tal como foi concebida, ainda que se desenvolva sob a hegemonia de um ideário político pedagógico.
Considerando que as instituições realizaram um movimento próprio de implementação da REP, para uma melhor compreensão de como foi a realidade específica da EAFC-PA faremos uma breve retrospectiva dos principais eventos ocorridos na instituição durante este período:
1. O primeiro evento realizado na EAFC-PA para implantação da REP aconteceu devido ao ofício enviado pelo Secretário de Educação Média e Tecnológica (Átila Lira), datado de 30 de janeiro de 1996, ao diretor da EAFC-PA, (na época prof. José Ferreira dos Santos). Neste ofício (Nº 5) estava anexada uma cópia do projeto de Lei Nº 1603, que regulamentaria o Ensino Técnico a ser enviada ao Congresso Nacional”, o secretário solicitava que a comunidade escolar se manifestasse o mais rápido possível a respeito do documento. Logo no dia 1º de fevereiro de 1996 foi realizado na EAFC-PA o primeiro seminário para estudar o projeto de lei sobre a educação profissional. Esse seminário teve a presença de professores e servidores técnico –administrativos. O resultado desse evento foi um relatório enviado ao secretário com sugestões e dúvidas a respeito do referido projeto.
2. Em 08 de Janeiro de 1997, após a LDB Nº 9394/96 ser sancionada, o secretário de Educação Média e Tecnológica do Ministério da Educação e do Desporto designou pela portaria Nº 01 uma comissão para “elaborar proposta de reformulação dos cursos de agropecuária; elaborar proposta de currículo de acordo com as políticas do Ministério da Educação e do Desporto e diretrizes da Secretaria de Educação Média e Tecnológica para os Cursos Regulares e Pós- Secundários das áreas de Agricultura, Pecuária e Agroindústria; prestar assistência técnica e pedagógica às Escolas Agrotécnicas para os Cursos Regulares e Pós- Secundários das áreas de Agricultura, Pecuária e Agroindústria.” O coordenador desta
comissão (Profº José de Oliveira Campos), esteve presente na “Semana Pedagógica” realizada na EAFC-PA em fevereiro de 1997 e prestou esclarecimentos de como deveriam ser os procedimentos para a operacionalização das mudanças curriculares.
3. Em 1998, a EAFC-PA realizou o “I Seminário para Redefinir a Oferta de Novos Cursos”. Foram convidados vários segmentos da sociedade, como: Banco da Amazônia, pais de alunos, Secretaria Executiva de Educação (SEDUC), Instituto Brasileiro do Meio-Ambiente(IBAMA-PA), alunos e ex-alunos da EAFC-PA, Técnicos e professores da EAFC-PA, Secretaria Municipal de Educação de Castanhal (SEMEDET), Secretaria de Justiça e Segurança Pública (SESUP), Secretaria Municipal de Inhangapi, Prefeitura de Curuçá , Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SEMAP), Prefeitura de Irituia, Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (IMAZON), Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (EMATER-PA), Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (CEPLAC), Secretaria Executiva de Agricultura (SAGRI), Empresa Brasileira de Agropecuária (EMBRAPA), segmentos do comércio e indústria de Castanhal, Secretaria Municipal de Agricultura e Pecuária do Município de Castanhal. Nesse seminário ficou decidido que a EAFC-PA faria uma “Pesquisa Diagnóstica de Tendências Regionais”, com objetivo de verificar quais cursos deveriam ser implantados mediante as mudanças estabelecidas pela REP. O resultado desta pesquisa encontra-se no quadro abaixo:
Quadro 20: Prioridade de Cursos para EAFC-PA
ORDEM CURSOS PONTOS
1º Agroindústria 47 2º Zootecnia 39 3º Informática 38 4º Agricultura 33 5º Floresta 33 6º Pesca 20 7º Paisagismo 9 8º Aquicultura 4
FONTE: Projeto do Curso Técnico na área de Informática: Habilitação Análise e Programação de Computadores. (EAFC-PA-2002)
Com esta demanda, a EAFC-PA deu início ao processo de implantação dos cursos na área de Informática e Manejo Florestal.
4. Em 2002 foi implantado o Curso de Informática com Habilitação em Análise e Programação de Computadores, mas em 2003 esse curso foi extinto por diversas razões, entre estas o sucateamento dos laboratórios pela falta de recursos; e também outra justificativa foi o fato desse curso não fazer parte da área prioritária de formação da escola, ou seja, da agropecuária.
5. Em março de 2002, a EAFC-PA deu início à primeira turma do Curso Pós-Técnico em Manejo Florestal.
6. No ano de 2000, foi instituída pelo diretor da EAFC-PA a “Comissão dos Planos de Curso”, com o objetivo de avaliar constantemente as adaptações necessárias na matriz curricular dos cursos, de acordo com o Parecer Nº 16/ 99 e a Resolução CEB Nº 04/ 99.