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A educação que se escolariza na modernidade: apontamentos históricos

1 POLÍTICA E EDUCAÇÃO: ESPECIFICIDADES, DIFERENÇAS E

2.1 A educação que se escolariza na modernidade: apontamentos históricos

Há muito tempo, em determinado momento do mundo antigo, não se pensava a educação, simplesmente se vivia ela. As crianças vinham ao mundo humano e precisavam adaptar-se à cultura, mas esse processo não era institucionalizado. Por meio da vivência com os demais, das experiências que passavam e com a ajuda das histórias e crenças dos mais velhos, cada criança e cada jovem iam tornando-se humano.

Além da experiência de humanidade, cada jovem precisava ir adquirindo uma profissão para a vida em sociedade. A família ainda era a instituição central que introduzia o jovem homem na profissão de seu pai e a jovem mulher nos trabalhos realizados pela mãe. Era uma educação que se baseava no seguimento dos passos dos mais velhos na família.

Quando nasce, a criança precisa aprender a conviver em sociedade e, quando pequena, observa tudo o que os mais velhos fazem a fim de constituir-se em modos de agir, de falar e de tratar o outro.

É a família o espaço primeiro de aprendizagem [...]. Nasce a criança necessitada de inserir-se na cultura humana para sua sobrevivência, mas, sobretudo, para as aprendizagens necessárias a que se constitua em suas dimensões indissociáveis de ser humano genérico, de indivíduo aculturado e de sujeito singular (MARQUES, 2006, p. 59).

Com o passar do tempo, consciente de suas ações e daquilo que precisa aprender para a vida em sociedade, a criança passa a aprender do outro, imitando as atitudes que percebe serem necessárias a sua vida. Dessa forma, a imitação torna-se consciente.

Ainda no mundo antigo começou a preocupação com uma educação mais elaborada, porém com a diferenciação do trabalho braçal para aquele que determinava a cultura. Alguns precisavam aprimorar-se mais para o mundo do trabalho, enquanto outros se ocupavam daquilo que era uma virtude para o seu povo. Enquanto os atenienses ensinavam luta e oratória para os jovens, enfatizando a formação intelectual, os romanos preservavam a educação intelectual como mais elevada que a manual, destinada somente a alguns, privilegiando uma educação instrumental para a maioria.

A educação que visava o dom da palavra na Grécia e na Roma antiga era destinada àqueles que seriam representantes na polis, que deveriam lidar com questões referentes à organização dela. Uma ampla formação era pensada visando desenvolver habilidades na área da retórica, música, matemática etc. a fim de que o cidadão grego tivesse condições de participar efetivamente das discussões e decisões da polis.

De acordo com Cambi, a Paidéia

[...] se afirma de modo orgânico e independente e assinala a passagem – explícita – da educação para a pedagogia, de uma dimensão pragmática da educação para uma dimensão teórica, que se delineia segundo as características universais e necessárias da filosofia. Nasce a pedagogia como saber autônomo, sistemático, rigoroso; nasce o pensamento da educação como episteme, e não mais como éthos e como práxis apenas (CAMBI, 1999, p. 87, grifos do original).

É na Paidéia8 — o ideal de formação dos gregos — que o conhecimento antes transmitido de pais para filhos através da prática diária passou a se sistematizar em conteúdos necessários à aprendizagem de todos. Ela significou um

8 Conceito desenvolvido no clássico de Werner Jaeger (1969): “Paideia: a formação do homem grego”.

modo de organização da educação com aspectos universais, isto é, conhecimentos a serem trabalhados com todos os jovens que eram formados.

Esses conhecimentos se diferenciavam dos saberes passados de pais para filhos pela sua organização numa estrutura lógica e, principalmente, por deixarem de tratar de assuntos práticos e vivenciais para refletirem o próprio conhecimento vivido. A educação da Paidéia passa a se organizar não mais apenas pelo aspecto prático, mas principalmente pela dimensão do conhecimento epistêmico.

A educação romana preocupava-se com os dois aspectos, porém, concebendo como superior o aspecto intelectual em detrimento da educação para o trabalho manual. A prática de educação do cidadão romano visava constituir um orador, alguém apto a governar. No entanto, a educação romana ocorria de forma mais informal, adentrando a cultura, enquanto a grega se estruturava como Paidéia.

Os romanos, assim como os gregos, não valorizavam o trabalho manual: separavam a direção do trabalho do exercício deste. Seus estudos são essencialmente humanistas, entendendo-se a humanitas (tradução de

paidéia) como aquela cultura geral que transcende os interesses locais e

nacionais (GADOTTI, 1995, p. 42, grifos do original).

Apesar de a humanitas ser uma cultura da Roma antiga, também não era para todos. Parte da população, os que se ocupavam dos assuntos da cidade, compreendiam-na em suas vidas. Os demais ainda aperfeiçoavam-se somente no trabalho manual e braçal.

Mesmo com uma vida organizada sob os ideais humanistas da Paidéia, ainda vigorava a rígida disciplina e a hierarquia na família e na sociedade. As famílias permaneciam patriarcais e baseadas no autoritarismo, que transcendia o âmbito familiar e atingia toda a sociedade.

Essa estrutura patriarcal e o forte dualismo entre trabalho intelectual e braçal não terminam com a passagem para a Idade Medieval. Pelo contrário, essa cultura marcou e estruturou a sociedade medieval até o início da Idade Moderna.

Um primeiro modelo de escola surge já no Início da Idade Média, num contexto em que alguns se apropriam de terras e, consequentemente, do poder, como é o caso das sociedades feudais e escravistas. Com o surgimento de uma classe de elite nessas sociedades, passam a existir pessoas, filhos dos senhores feudais, que não trabalham e possuem tempo livre. Com isso passam a existir locais

de aprendizagem de alguns conhecimentos geralmente introduzidos pela Igreja Católica para umas poucas pessoas. Nesse período

[...] se desenvolve um tipo de educação diferenciada destinada aos grupos dominantes cuja função é preencher o tempo livre de forma digna. [...] Essa educação diferenciada, centrada nos exercícios físicos, música, na arte da palavra e nas atividades intelectuais e desenvolvida de forma sistemática através de instituição específica era, portanto, reservada à minoria, à elite (SAVIANI, 2000, p. 2).

A escola, portanto, tem seu início como privilégio da pequena parcela da sociedade que formava a elite. Há aí uma visível separação entre trabalho e estudo, sendo que esse modelo de escola aprofunda a ideia de que trabalho braçal é para a população pobre, enquanto todo e qualquer trabalho intelectual é privilégio da elite.

A escola, nesse período, não era algo difundido, ou tampouco uma preocupação social. A escola era para alguns e parecia até desnecessária para o restante da população que se educava pela convivência com os outros, aprendendo a agir e fazer aquilo que as outras pessoas já haviam aprendido de seus pais.

Ainda assim, a concepção de educação que formava essa escola era religiosa. Concebia-se ela sob o aspecto de obediência a Deus e no seguimento das doutrinas cristãs. Tratava-se de uma educação integral, capaz de formar as pessoas como um todo, porém com um forte controle sobre o corpo e seus instintos.

A própria formação dos cavaleiros preconizava a gentileza, a formação moral e a dedicação como serviço à sociedade e à Igreja, enquanto representante de Deus. Até mesmo a cavalaria passa a ter caráter religioso através da educação moral da Igreja.

Para o medieval o ser humano se mede, ou se configura, antes de tudo pela sua relação religiosa, ou seja, é no confronto com Deus, é na capacidade de ouvi-lo e de responder-lhe, que se situa o núcleo primordial da dignidade humana (LARA, 2003, p. 151).

Daí que a educação como um todo perpasse a educação moral. As escolas e universidades não se distanciam dessa concepção, mas procuram através de um trabalho disciplinar e reflexivo ser moralmente de acordo com a Igreja e seus princípios que, dito de outra forma para a época, seriam os princípios de Deus.

Com a formação de escolas visando à formação integral de uma parcela da população, começaram a surgir as primeiras universidades, com caráter crítico

teológico, visando oferecer uma base racional às experiências da fé cristã. Esse movimento que adentrou as escolas e formou as universidades da época denominou-se escolástica.

É na escolástica que começa a germinar o pensamento racional da Idade Média, vinculando-se primeiramente à fé cristã num esforço de explicá-la. Já num segundo momento, através de um olhar mais crítico, encaminha-se para uma nova visão de sociedade.

A Reforma Protestante, que ocorreu em meados dos séculos XVI, reivindicava o acesso de todos aos saberes dos livros, o que foi fundamental para o processo de surgimento da educação como algo público. A Reforma defendeu ainda a abertura da escola elementar, o que foi o princípio da concepção de uma escola para todos.

A principal consequência da Reforma foi a transferência da escola para o controle do Estado, nos países protestantes. Mas não consistia ainda em uma escola pública, leiga, obrigatória, universal e gratuita, como a entendemos hoje. Era uma escola pública religiosa. A religião, o canto e a língua pátria eram sua base (GADOTTI, 1995, p. 64, grifos do original).

Essa mudança de controle sobre a escola significou um pequeno avanço diante da dominação que a Igreja exercia sobre o conhecimento. Ainda assim, o próprio Estado tinha suas diretrizes focadas na moral cristã, o que significou uma continuidade em relação ao modelo de escola, mas também um avanço, já que o Estado iria se tornando laico.

Com o avanço da ciência, das pesquisas e de um pensamento crítico sobre a sociedade e todo o universo, vai ocorrendo uma mudança paradigmática, em que Deus não é mais aceito como aquele que explica tudo, passando o homem a ter esse poder. A burguesia vai tomando o poder e acontece uma verdadeira revolução no modo de pensar o ser humano, já que cada indivíduo passa a ser visto como um ser de liberdade e não mais como um reflexo de Deus ou servo de senhores.

Mudam-se assim as crenças, os valores, as concepções e as atitudes em sociedade. Um novo cenário se configura e um novo indivíduo nasce. De acordo com Lara,

A modernidade se define assim como a produtora do “indivíduo” ou do “sujeito” enquanto categoria e valor primeiro, irrecusável. Trata-se de libertá- lo da opressão social e de propiciar a ele condições ótimas de realização.

Esse indivíduo é o indivíduo humano, dotado, pois, de racionalidade e de capacidade de opção: liberdade (2003, p. 165-166, grifos do original).

Enquanto antes existia um padrão moral a ser seguido, a modernidade vem como modo de libertação do indivíduo que se torna senhor de si mesmo. Além disso, a defesa por uma sociedade mais democrática em que todas as pessoas, como indivíduos, fossem co-participantes põe a necessidade de repensar a educação.

A escola surge, assim, como uma necessidade à revolução da modernidade. Esta traz em si a reinvenção da política como co-participação nas decisões, sendo a escola a encarregada de suprir as necessidades dessa forma de conceber a política. Se todos passam a fazer parte das decisões sociais, é necessário que se tenha um mínimo de instrução para entender como a sociedade humana funciona e vem se concebendo ao longo do tempo. Surge, assim, o espaço de instrução pública, que é a escola, uma instituição necessária a uma sociedade que se constitui republicana e democrática.

Nesse cenário, a escola e a família sofrem mudanças estruturais por passarem a representar as instituições que formam o indivíduo e o inserem na sociedade reproduzindo valores e hábitos. A educação para a profissão e a reprodução da ideologia da época e da própria cultura da sociedade passa a ser função da escola e da família.

A escola passa, assim, a ter um novo papel: o de educar um indivíduo novo, liberto de regulamentos exteriores e de cuja definição não participou, ciente de suas possibilidades e limitações e crente somente em si mesmo. Assim, pensa-se uma escola que atenda às necessidades dos novos seres humanos que a ela se apresentam, pensada e germinada nos primórdios da modernidade, mas que só terá sua concretude mais tarde.

Propunha-se a organização escolar por fases de conhecimento, seguindo uma ordem de graduação e uma estrutura diante da necessidade de ensinar. Porém, essa escola foi sendo construída ao longo do tempo com as necessidades que foram surgindo. Um dos fatores que potencializou essa construção foi a própria Revolução Industrial.

Com o processo de industrialização no século XVIII e o avanço do capitalismo a escola passa a ser uma necessidade do novo modo de produção e de organização da vida. É necessária instrução técnica para as pessoas que passam a trabalhar nas máquinas das indústrias, bem como para entender o processo de produção. Assim,

para pessoas que já estavam no mundo de trabalho da indústria, a escola tinha um caráter técnico.

Ainda nesse processo, muitas mulheres passaram a deixar os lares para trabalharem nas indústrias, contribuindo para a manutenção do lar, ou mesmo tornando-se sua única mantenedora. Assim, surge a necessidade de um local para que as crianças pequenas ficassem enquanto suas mães trabalhavam, criando-se, para isso, as primeiras escolas de educação infantil, que eram chamadas de “jardins de infância”9, já que, na concepção da época, as crianças também deveriam ser cuidadas e cultivadas como plantas em um jardim. Outros níveis de escolarização também foram se formando para atender as diferentes demandas desses novos tempos.

Tal qual no início da Idade Média, ainda existiam escolas para atender às demandas intelectuais de uma elite ociosa. No entanto, com a industrialização, a escola popularizou-se, atingindo a todos. Isso contribuía para que os trabalhadores das indústrias fossem especializados e que tivessem um mínimo de conhecimento científico para fazer parte da cidade.

Assim, a escola sofreu uma reestruturação quanto ao seu objetivo. Não era mais um local de ensinar e aprender apenas saberes clássicos, mas um local que, junto com esses saberes, dava subsídios técnicos aos trabalhadores. Passa a se constituir, aos poucos, uma escola pública, sob o controle do estado. Não é mais privilégio de uns ir à escola, mas começa a se tornar um direito de todas as pessoas e uma necessidade para aquelas que querem instruir-se ainda mais para o trabalho e a vida em sociedade.

É com a Revolução Francesa em 1789 que de fato surge o princípio da escola pública. Nessa revolução, a burguesia revoltou-se contra os privilégios da nobreza defendendo os princípios de liberdade, igualdade e fraternidade, já difundidos pelo iluminismo. O acesso ao conhecimento também é visto como condição de liberdade e, com isso, a burguesia francesa defendia a educação como um direito de todo cidadão, difundindo os princípios de universalidade, obrigatoriedade, gratuidade e laicidade.

9 Kindergarten foi o termo criado pelo alemão Friedrich Froebel para definir a escola de educação infantil.

O ideal dos novos educadores será o de formar a natureza humana comum a todas as raças e povos. Para isto, propõe-se a criação e a organização de uma instrução pública, comum para todos os cidadãos, gratuita em todos os lugares de ensino, indispensável para todos os homens. Nesse processo salienta-se a educação política do cidadão, porquanto, depois de dar ao povo o poder, é necessário ensinar-lhe a sabedoria (GILES, 1983, p. 80).

Os pensadores da Revolução compreendem a sociedade como democrática em que todo cidadão é livre e portador de direitos políticos e civis. Dessa forma, a educação deveria ser universal a fim de dar oportunidades iguais a todos os indivíduos, tendo em vista que todos são membros da sociedade e co-responsáveis pelo que dela se fizer.

Sob essa ótica, a educação escolar que atinja a todos os indivíduos passa a ser indispensável para que se alcancem ideais explícitos de uma sociedade inclusiva. Toda pessoa precisaria estar qualificada para estar com os outros em um regime democrático e contribuir nas decisões. Era necessária uma escola com saberes básicos à formação de todos os cidadãos.

Muitas eram as exigências da população para uma educação de qualidade. Entre os vários projetos voltados à educação que surgiram na Assembléia Constituinte de 1789, embora não tenha sido aprovado, “o mais importante é o projeto de CONDORCET (1743-1794) que propôs o ensino universal como meio para eliminar a desigualdade” (GADOTTI, 1995, p. 89).

Condorcet assume um projeto de educação nacional com o livro Cinco Memórias Sobre a Instrução Pública (2008). Em suas palavras,

O dever da sociedade, relativamente à obrigação de estender de fato, tanto quanto for possível, a igualdade de direitos, consiste, por conseguinte, em proporcionar a cada homem a instrução necessária a exercer as funções comuns do homem, do pai de família e do cidadão, para sentir e conhecer todos os seus deveres (CONDORCET, 2008, p. 21).

Condorcet já entendia que a educação era um problema político e, por isso, devia ser pensada para os futuros cidadãos exercerem seus papeis onde estivessem. Educavam-se gradualmente as crianças para que pudessem aprender tudo o quanto fosse necessário para seus trabalhos, relacionamentos e vida em sociedade.

Diante disso, o princípio de universalidade está relacionado à visão de que todos devem ter acesso à instrução pública. Homens, mulheres, crianças ou jovens,

todos são pessoas que fazem parte da sociedade e, por isso, precisam estar instruídos para poder agir na função a que se destinam e co-participar da vida social. O princípio de obrigatoriedade à educação foi muito discutido com vistas a não privar qualquer pessoa da liberdade difundida pela própria revolução. Porém, as pessoas não estavam habituadas a um ambiente de instrução e, para garantir o acesso de todos, era necessária que a escolarização se tornasse obrigatória.

Além disso, a educação ou instrução pública é destinada a quem ainda está em formação e precisa construir conhecimentos para ficar em igual condição aos demais. Nessa lógica, a pessoa que ainda não tem acesso a esses conhecimentos ainda não sabe de sua importância e não está em condição de decidir se quer ou não aprendê-los, como é o caso das crianças e adolescentes. Daí que a obrigatoriedade passa a ser um princípio necessário para que a instrução pública aconteça.

A gratuidade potencializa o princípio da universalidade, já que todas as pessoas, independente das condições financeiras, passam a ter acesso à escola. Além disso, ter escola gratuita garante que a instrução pública é um dever do Estado e, portanto, deve ser sempre provida para o acesso de todos.

O princípio da laicidade vem ao encontro da necessidade de desvincular a Igreja da instrução pública. Até então a Igreja era a principal responsável pela educação, era a detentora dos saberes. Com a Revolução Francesa, buscou-se uma educação independente da ideologia católica, mas fortemente influenciada pelas ideias da burguesia.

Com esses princípios para educação se delineia uma primeira organização da educação na nova sociedade que surge. A burguesia em ascensão representa, naquele momento, a oportunidade de todos à instrução pública, mas principalmente um novo olhar sobre a necessidade de se ter escolas.

No decorrer dos anos, esse modelo de escola formado na Assembléia Constituinte da Revolução Francesa permanece fixo e, ao mesmo tempo, prossegue a tentativa de implantá-lo. A própria universalidade é um desafio frente às novas infâncias e juventudes que a contemporaneidade constrói. As metodologias se renovam a cada momento frente à nova criança com que os profissionais da educação se deparam, mas os objetivos da escola permanecem os mesmos.

Na contemporaneidade sobrepõe-se a necessidade dos profissionais da escola entenderem como o aluno realmente aprende para poder ensinar. Afinal, “a

instrução afirmou-se como direito universal e como tarefa social” (CAMBI, 1999, p. 394). Todos têm direito de aprender e é dever do Estado, dos educadores e das famílias, garantir que a criança vá e permaneça na escola para ter esse direito efetivamente.

A escola que se constituiu une cultura geral e trabalho e forma a todos de igual forma. “A escola é assim submetida a uma dupla instância: por um lado, difundir a cultura desinteressada, que forma e nutre a inteligência e a pessoa; por outro, criar perfis profissionais” (CAMBI, 1999, p. 627).

Cabe aí a necessidade de enxergar a escola como um espaço de instrução pública que revise constantemente sua razão de ser na sociedade, seu viés de educação para a vida pública. É preciso que todos os profissionais da escola estejam cientes e sempre retomem os princípios gestados na Revolução Francesa: de universalidade, obrigatoriedade, gratuidade e laicidade, para garantir uma educação que forme integralmente pessoas para a vida em sociedade.