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3.2 Conceitos Específicos

3.2.5 A Efetividade das Normas Constitucionais

Efetividade é a qualidade do que é efetivo. Em sentido denotativo, efetivo é algo que tem efeito, ou seja, real, permanente117, que está em ação ou atividade118, verdadeiro, eficaz, aquilo que existe de fato119.

Eficaz, por sua vez, é que produz efeito, que produz muito, que dá bom resultado120, que produz o efeito desejado, ativo, poderoso121.

É de se concluir que efetivo e eficaz são conceitos empregados com o mesmo sentido vernacular, havendo uma sutil diferença, no constante ao critério de qualidade que se vê no conceito de eficaz: que produz muito, que dá bom resultado; enquanto que no conceito de efetivo se vê apenas aquilo que existe, que é real no mundo dos fatos, sem qualificar essa existência como boa ou satisfatória. A distinção, no entanto, cai por terra quando se diz que ser efetivo é ser eficaz.

Para nossa pesquisa, adotamos a expressão efetividade como aquilo que é real e que reproduz bem os resultados previstos, ou, no caso normativo, o dever-ser da norma constitucional.

Norma constitucional é espécie do tipo norma jurídica; norma jurídica que aqui vamos utilizar como sinônimo de lei, como consistente no ato jurídico emanado do Estado, com caráter de regra geral, abstrata e obrigatória, tendo como finalidade o ordenamento da vida coletiva122. Caracteriza-se por uma conduta imposta aos homens

      

117

BUENO, Francisco da Silveira. Dicionário Escolar da Língua Portuguesa. 9.a edição. Ministério da Educação e Cultura. Rio de Janeiro: FENAME – Fundação Nacional de Material Escolar, 1975, p. 458.

118

FONTINHA, Rodrigo. Novo Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa. Revisto pelo Dr. Joaquim Ferreira. Porto: Editorial Domingos Barreira, data desconhecida. p. 622.

119

MICHAELIS. DICMAXI. Moderno Dicionário da Língua Portuguesa. Versão 1.0. DTS Software Brasil Ltda. Fevereiro de 1998.

120

BUENO, Francisco da Silveira. Op. cit., 1975, p. 458.

121

FONTINHA, Rodrigo. op. cit., p. 622.

122

BARROSO, Luís Roberto. O Direito Constitucional e a Efetividade de suas Normas. Limites e

Possibilidades da Constituição Brasileira. 8.ª edição, atualizada. São Paulo: Editora Renovar, 2006, p.

por um poder soberano e cuja observância é por este garantida e tutelada, argumenta Ruggiero, citado por Luís Roberto Barroso123.

As normas constitucionais são imperativas com um plus, estão no topo da hierarquia das normas jurídicas, e seu descumprimento ensejaria ao Estado exigir, coativamente, o cumprimento (forçado), para garantir a imperatividade e o estabelecimento das conseqüências à insubmissão. Nem sempre, entretanto, a imperatividade das regras de Direito se manifestam com a mesma intensidade, destaca Luís Roberto Barroso124:

Com base neste fato, a doutrina classifica as normas jurídicas em duas grandes categorias: a das normas cogentes e a das normas

dispositivas. As normas cogentes são preceptivas, quando obrigam a

determinada conduta, ou proibitivas, quando a vedam. Sua essência reside em impor-se à vontade de seus destinatários, não lhes permitindo regular determinada situação por forma diversa. Não há, nesse caso, margem à vontade individual para convencionar distintamente. Ao revés, as normas dispositivas são aquelas que deixam aos destinatários a liberdade de disporem de maneira diversa acerca da situação tipificada na norma, que somente se aplica em caso de obscuridade ou omissão na manifestação de vontade dos interessados.

O estudo sobre a efetividade das normas exige, entretanto, outra distinção, entre existência e validade da norma jurídica. A existência de um ato jurídico cinge-se à manifestação no mundo dos fatos com a formação elementar que constitui tal ato: agente capaz, objeto lícito e possível e a forma. A ausência, deficiência ou insuficiência dos elementos que constituem pressupostos materiais de incidência da norma impede o ingresso do ato no mundo jurídico. Será, por via de conseqüência, um ato inexistente125. Constituindo-se o ato no plano da existência, passa-se à análise da validade, que reclama ao ato jurídico os requisitos da competência para quem os edita a forma adequada e licitude, ou seja, o devido processo legal e por último a possibilidade.

       123 Ibidem, p. 74. 124 Ibidem, p. 75. 125 Ibidem, p. 81.

A tríade existência, validade e eficácia consolidam o Direito no plano do dever- ser.

A eficácia é talvez, no plano da realidade, a formação mais difícil de ser descrita

e a mais comum de ser observada. É fácil de ver na sociedade uma comunidade que não tem respeitados direitos assegurados constitucionalmente, mas é difícil provar que o Estado está sendo omisso quanto àqueles direitos.

A eficácia dos atos jurídicos, anota Luís Roberto Barroso126, tratando-se de uma norma, designa a qualidade de produzir, em maior ou menor grau, os seus efeitos

típicos, ao regular as situações, relações e comportamentos. A eficácia diz respeito à

aplicabilidade, exigibilidade ou executoriedade da norma. Nesse sentido, chamamos eficácia social da norma jurídica.

Há ainda uma distinção importante entre eficácia jurídica e eficácia social, que merece registro: eficácia social se verifica na hipótese de ser a norma vigente127, isto é, com potencialidade para regular determinadas relações, ser efetivamente aplicada a casos concretos. Eficácia jurídica, por sua vez, significa que a norma está apta a produzir efeitos na ocorrência de relações concretas; mas já produz efeitos jurídicos na medida em que a sua simples edição resulta na revogação de todas as normas anteriores que com ela conflitam128.

Por último, não poderíamos deixar de citar a já clássica definição de José Afonso da Silva129 sobre a efetividade das normas constitucionais: eficácia plena, eficácia contida e eficácia limitada.

      

126

Ibidem. p. 81.

127

SILVA, José Afonso da. Aplicabilidade das Normas Constitucionais. 3.ª ed. 3.ª tiragem. São Paulo: Malheiros, 1999, p. 52: “Vigência não se confunde com eficácia, (...) mas para que a eficácia se verifique é necessário que a norma comece a vigorar. A vigência é condição de efetivação da eficácia, ainda que a plenitude desta, tratando-se de norma constitucional, não raro, dependa de outras normas integrativas.”

128

TEMER, Michel. Elementos de Direito Constitucional. 11.ª edição. Revista e atualizada. São Paulo: Malheiros Editores, 1995, p. 25.

129

a) As normas constitucionais de eficácia plena são aquelas de aplicabilidade imediata, direta e integral, não dependendo da edição de qualquer legislação posterior. Produzem efeitos imediatamente, dispensando a edição de normas regulamentadoras.

b) As normas constitucionais de eficácia contida são aquelas de aplicabilidade imediata, mas cujos efeitos podem ser limitados pela legislação infraconstitucional.

c) As normas constitucionais de eficácia limitada são aquelas que dependem de complementação do legislador infraconstitucional para que se tornem exeqüíveis.

3.3. Breve histórico do Movimento Ambientalista e sua Inserção no Direito