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4 ENTRE O TERRENO MOVEDIÇO DOS ESPAÇOS INFORMAIS E A

4.2 A EXPERIÊNCIA DO ACESSO

4.2.2 A efetividade do acesso

Em nossa exposição teórica, no primeiro capítulo desta pesquisa, colocamos como pressuposto, que sendo a exclusão o paradoxo, a priori do acesso, ela é, portanto, não resolvível. O fenômeno acontece por vários motivos os quais destacamos: as demandas tecnológicas, impulsionadas pelo mercado e sempre em processo de inovação (TRIVINHO, 2003) e as demandas da democracia participativa, sempre à frente das soluções da democracia representativa (BOBBIO, 2000), que não consegue resolver as necessidades estabelecidas pelos contratos sociais e ao mesmo tempo controlar as exigências do mercado globalizado (SANTOS, 1999).

Nesse processo, o acesso se realiza com os conflitos e as negociações inerentes ao movimento gerado pela comunicação humana, suas intervenções políticas que mantêm ou rompem com o estabelecido (DOWNING,2004) e as suas interações com os espaços locais/locais, locais/globais (CANCLINI, 2006), sejam virtuais (pela internet) ou presenciais.

A condição mínima para que o acesso se realize é a liberdade. Portanto, o acesso depende de uma situação política democrática, seja na esfera pública

161 territorial ou virtual161. Porque o acesso é oportunidade social, e como tal um direito humano e político. Na relação exclusão X inclusão digital, o acesso se realiza com a iniciativa dos sujeitos individuais e políticos, em condição de liberdade (SEN, 2000). Para os primeiros, porque se manifesta como necessidade de fazer parte do mundo, usufruindo do avanço da ciência e do conhecimento humano, e para o segundo, porque se apresenta como uma nova demanda para o desenvolvimento econômico e social.

Para nós, o acesso será sempre ativo, pois existe como uma perspectiva gerada pela oportunidade de entrar e usar os mecanismos de comunicação dispostos no ciberespaço para fins pessoais ou de grupos, que se realiza como objeto da política de inclusão digital. Contudo, paradoxalmente como vimos, ele também se manifesta como exclusão; primeiro, porque a liberdade necessária a sua satisfação é impossível, seja porque o ciberespaço, mesmo composto por uma prática libertária tem as suas armadilhas construídas pelas relações entre grupos, pessoas e governos, que o utilizam como forma de expressão ou de imposição de seus valores culturais e políticos, seja pelo pouco interesse das bases econômicas produtivas, que ainda foge do controle dos governos democráticos, de equilibrar a balança entre o desenvolvimento econômico e o desenvolvimento social.

No cenário investigado, o contexto de criação e de manutenção dos programas reforça a hipótese da incompletude da inclusão. Os Telecentros, por serem frutos de uma política de Estado estão sempre à deriva das gestões de governo; o CDI, que apesar de ser uma política elaborada pela e na sociedade civil está conformada em um ambiente estruturado localmente pelo governo, já que as organizações parceiras são completamente dependentes dos convênios municipais. Conclusão, Governos e ONGs estão presos às limitações políticas e econômicas advindas das demandas sociais locais e às exigências tecnológicas globais, cada vez mais sofisticadas; portanto, não podemos pensar o acesso sem considerar a sua condição a priori, a exclusão.

Partindo dessa premissa, já sabemos que o acesso não é resolvível, portanto, nunca será satisfatório. Contudo, no cenário político de exclusão na cidade de São Paulo, que afasta a população da periferia dos equipamentos culturais, políticos e das condições econômicas que dão dinamicidade aos grandes centros da

161 Por exemplo, a ação dos Zapatistas que utiliza o ambiente livre da internet para exigir

162 cidade, os programas de inclusão digital são vistos como uma forma de diminuir as distâncias sociais, pois torna possível o acesso daqueles que não usufruem de computadores e internet em suas casas, para a resolução de problemas individuais com o poder público, como cadastro de CPF ou como busca de melhoria de sua condição de trabalho, através da inscrição em empregos, cursos técnicos etc, como também torna possível o lazer a troca de mensagens, a publicação de fotos no Orkut, a expressão literária etc.

Ao colocarmos que a primeira condição do acesso é a oportunidade de entrar no ciberespaço, estamos afirmando que o acesso se realizou para essa fatia da população, e se o uso do ciberespaço se adéqua às necessidades dos usuários; então estamos afirmando que o acesso se realizou eficazmente. Portanto, a política de inclusão digital obteve um saldo positivo, se temos como referência essa parcela da população, considerando que a sua demanda foi resolvida.

Contudo, com relação aos números desse acesso e às novas exigências do

ciberespaço: publicação de conteúdos, uso da internet como canal de comunicação alternativo para intervir politicamente, estamos longe de atingir esse patamar. Mas, é preciso ver o acesso ao ciberespaço com toda a sua complexidade. Primeiro, é importante considerar que o surgimento dos espaços públicos de acesso à internet no Brasil, seja através de programas sociais ou pela iniciativa privada162, tem favorecido que uma parte da população excluída socialmente tenha acesso à internet. Isso é fato. A preferência de navegação dos usuários é outra questão que precisa ser analisada com muito cuidado.

Segundo Fragoso (2003), como vimos no capítulo I, existe uma tendência dos usuários da internet navegarem em sites vistos por eles como seguros. Na verdade, a segurança, segundo a autora, é representada pela publicidade de sites ligados à mídia oficial que direciona o gosto dos usuários. O que percebemos, no entanto, é que existe uma diversidade de grupos e possibilidades tão grandes, que as conclusões podem ser inúmeras. O que podemos afirmar é que há momentos de picos de acessos, por exemplo, quando alguma publicação diz respeito a um escândalo163.

162 No caso das

lan houses.

163 Como no caso de um vídeo publicado na internet com a modelo Cicarele transando com o seu

namorado em uma praia pública. O episódio foi tão procurado que a modelo resolveu entrar na justiça para que o CGI retirasse do ar o vídeo. O fato provocou uma discussão sobre a liberdade na internet,

163 Por outro lado, no Brasil, alguns estudos afirmam que o brasileiro tem o seu próprio jeito de navegar. Segundo dados do Ibope NetRantings, o brasileiro passa em média cinco horas por mês em redes sociais, contra duas horas da média mundial. Também segundo o Ibope, o brasileiro é líder na participação em sites de comunidades e relacionamento, com 78,4% de atuação na colocação mundial.

No Brasil, as pesquisas voltadas para investigação do uso dos espaços públicos de acesso à internet, não dão outra reposta, fora o uso do Orkut e do MSN, colocados pela juventude, que não seja fazer pesquisas escolares, fazer currículos, estudar etc. No entanto, as pesquisas não conseguem chegar de fato ao que os internautas fazem, porque eles se dão ao direito de não falar164. A única forma de checar as informações colhidas pelas pesquisas seria fazer um grande mapeamento dos conteúdos e perfis, associados a comunidades de interesses, em um portal como o Orkut, por exemplo. Este não é o nosso caso.

O que queremos defender com essa análise é que o acesso à internet é livre e contingencial, tanto quanto as relações construídas nos ambientes presenciais, e que o ciberespaço não pode ser visto de forma homogênea. Em outra perspectiva, o potencial de comunicação da internet é tão grande que mal pode ser controlado pelos poderes oficiais: governo, empresas, mídia etc. Por isso o ciberespaço é regido internamente por regras informais, que se realizam no confronto entre grupos que podem estimular a ampliação dos espaços de debates públicos ou limitá-los.

Um exemplo desse fenômeno é o movimento pelo software livre que gerou na sociedade, dentro e fora do ciberespaço, ações que ferem a propriedade autoral, como as cópias e distribuição de filmes, músicas etc. Como consequência, alguns grupos continuam arranjando formas de copiar e distribuir material livremente pela internet, sem se preocuparem com o pagamento de direitos aos autores, e outros defendem a ressignificação da lei dos direitos autorais. Esse movimento gerou conteúdo para alimentar o debate sobre o cibercrime, dentro dos novos moldes da

liderada por atores como o CGI e outros atores envolvidos no debate sobre o controle do ciberespaço.

164 O grande receio dos pais, atualmente, é justamente esse terreno movediço, diverso e cheio de

possibilidade da internet que encanta os jovens, promovendo contatos com o mundo, sem que eles tenham o controle sobre o acesso dos filhos.

164 propriedade privada, e por outro lado, vem ameaçando o direto de livre navegação e publicação dos usuários da rede165.

No ciberespaço, as mesmas possibilidades estão disponíveis a todos os usuários, tenham eles intenção criminosa ou não166, desde que possuam o acesso à internet, sem limites de operação167. Portanto, as escolhas, boas ou ruins, ainda são opções dos que acessam a rede de computadores, embora o cibercrime tenha começado a ganhar vulto na legislação dos países.

Dentro da perspectiva individual, o acesso se manifesta como a

oportunidade de entrada nesse mundo de grandes possibilidades. Portanto, é conquistado quando o usuário tem condições de entrar e navegar no ciberespaço, se tornando sujeito; por isso, dono de suas escolhas. O uso livre do ciberespaço, sem restrição alguma, é um direito da humanidade, já que é conquista de seu desenvolvimento tecnológico e de seus conhecimentos acumulados. Portanto, é objeto, por excelência, da inclusão digital.

Saindo então da oportunidade como conquista individual, tendo como referência um espaço coletivo, em nosso caso Telecentro e CDI, precisamos compreender o acesso como um programa político que se realiza, à medida que organizações se interessam em tornar a proposta de inclusão digital uma demanda para o seu dia-a-dia. Nesse contexto, não podemos pensar a efetividade do acesso, sem considerar: primeiro, o processo de seleção e escolha de quem quer executar os programas políticos, sendo essa seleção uma via de mão dupla, pois tanto as organizações que se oferecem para executar as propostas escolhem quem vai ser o parceiro, como quem desenha a proposta; segundo, os arranjos elaborados localmente para minimizar os problemas de sustentabilidade econômica, política e cultural das organizações envolvidas; e terceiro, a construção das identidades que ao se revelarem, potencializadas pelo debate político, se constituem como um dos fatores determinantes na forma como essa política chega à população e como ela recebe.

165 Tratamos desse tema no capítulo I de nossa pesquisa.

166 Outro exemplo interessante acontece no Orkut. No próprio site é possível encontrar comunidades

que denunciam os abusos sexuais em crianças e outros que estimulam os abusos.

167 Nos espaços públicos ligados ao governo e alguns projetos sociais não é permitido o uso de sites

165 O primeiro ponto a considerar, a seleção, pressupõe que por um lado, existe uma proposta para realizar a democratização do acesso digital, e por outro, um desejo mobilizado por um ou vários motivos, de querer um espaço de inclusão digital. A constituição da parceria para realizar o trabalho está condicionada às duas vontades, que culminam com a implantação de um espaço, que contratualmente, a princípio, deverá ser administrado pelos dois atores. A escolha parte das vontades, mas a implantação transcorre a partir de critérios e alianças acordados, formalmente. Mas só existe a vontade das partes, porque existe um projeto proposto, concretizado em formato de um programa, isto é, um plano de trabalho, defendido publicamente por um grupo ou organização política. Para a realização desse plano de trabalho, um grupo reúne-se e elabora as diretrizes conceituais e práticas, a partir do que compreende por inclusão digital. O plano traz, em seu corpo, as intenções sistematizadas daquele grupo constituído. Portanto, é a sua plataforma política. Ao se inscrever para seleção, as organizações estão optando por um modo de fazer inclusão digital.

Mas, concretamente, as organizações que se inscrevem nos editais não se dão conta, a princípio, das diretrizes políticas defendidas pelos programas. No decorrer do processo seletivo ou após algum tempo de prática, elas vão se familiarizando com as novas demandas daquela experiência, elaborando o seu próprio entendimento sobre inclusão digital, e se manifestando contra ou favor a determinada situação.

O problema é que as organizações, ao escolherem os programas, veem apenas a dimensão do novo que chega aos locais mais pobres como a grande alternativa para mudar a vida das pessoas, baseado na visão de que só se consegue trabalho quem é incluído digital, e de que ninguém pode ficar de fora da era digital168.

Com a implantação do espaço, a propaganda gerada pelo mercado, na ânsia de vender e produzir cada vez mais, possibilita à organização ampliar o seu alcance de realização, porque passa a oferecer um serviço diferenciado ao público local. Para os gestores, a parceria é vista como um recurso que chega para auxiliar

168 Segundo, Martin-Barbero (2008), há por trás da comunicação com as novas tecnologias um mito

que se constituiu como uma religião, pois está pautada na elaboração de quem não acessa está excluído do mundo, é, portanto, atrasado. Para o autor, essa corrida desenfreada é fruto da antiga esquizofrenia da América Latina, sempre preocupada em modernizar-se (op cit. p. 256).

166 a sustentabilidade política e econômica do seu projeto local. Com o passar do tempo, as cobranças pelo serviço de qualidade, pela novidade, e a frustração em perceber que o mercado de trabalho exige mais que um curso de informática começa a provocar evasão do público, restando ao espaço a oferta de acesso livre169.

Tanto para o CDI, que não oferece grande estrutura às parcerias locais170, como para o Telecentro, a oferta começa a ficar escassa, fazendo com que a gestão local e supervisores, no segundo caso, tentem encontrar novas formas de buscar público para os seus cursos e atividades.

Por outro lado, a exigência da novidade já é parte intrínseca ao mundo das tecnologias. O que Trivinho (2003) chama de “autocorrosão agônica do acesso” passa a ser também umas das grandes armadilhas da prática da inclusão digital. Chegamos ao segundo item apontado: os arranjos locais.

Para minimizar os efeitos, os gestores locais começam a pensar em mil possibilidades. O supervisor da região em que está localizado o Mutirão do Pobre, por exemplo, nos falou que sentia falta de uma campanha de publicidade em torno das atividades que aconteciam no Telecentro, porque o público era sempre o mesmo e algumas vezes eles tinham dificuldade em fechar os cursos. Para resolver o problema, estavam pensando, junto à organização parceira, novos cursos. O Telecentro D. Angélico mantém uma biblioteca no mesmo prédio e faz exposições com as artesãs locais para mostrar a outras pessoas o trabalho de inclusão digital. Os espaços do CDI tentam combinar o tradicional curso de informática e cidadania com alternativas como o vídeo, o áudio, os blogs etc.

Com os novos arranjos pedagógicos, contudo, novas demandas emergem. No CDI, por exemplo, as máquinas são recicladas e muitas das que chegam ao

169 No capítulo 2 desta pesquisa, discorremos sobre o que é inclusão digital para quem está

elaborando políticas na área. Para esses desenvolvedores, há níveis de inclusão digital. Portanto, se o espaço desenvolve o básico, poderá se planejar para trabalhar com outras possibilidades, como a publicação de conteúdo na internet (nível médio) ou com o desenvolvimento de programas (nível avançado). O problema é que trabalhar com novas possibilidades demanda uma abertura dos gestores dos programas para estimular o uso de outras tecnologias nos locais, o que implica melhorar a estrutura nos espaços e oferecer capacitações diversificadas para os monitores e educadores, o que significa mais recursos.

167 espaço não têm capacidade para trabalhar com edição de vídeo; também, não faz parte do acordo a entrega de outros equipamentos, que não seja computadores, impressora e scanner. Como fazer para obter câmeras de vídeo, gravadores etc? A saída apontada pela equipe é a de adquirir outras parcerias, sobretudo, locais, aproveitando o potencial de rede local. A sugestão é assegurada pela proposta político-pedagógica que tem em suas diretrizes o fortalecimento da rede local. Contudo, mesmo que o CDI São Paulo se esforçasse para doar outros equipamentos às organizações, esbarra na autoridade do CDI matriz que não quer se comprometer com outras demandas. Situação parecida ocorre com o IDORT que não estimula outras atividades nos Telecentros, além de cursos profissionalizantes limitados ao uso dos equipamentos que fazem parte do Kit Telecentro.

Diante da evasão local e das metas estabelecidas pelas parcerias, os gestores locais precisam se virar para que o sonho de ter um ambiente de inclusão digital dê certo. Todo o jogo é permitido, até colocar a filha como voluntária, se a organização não tem como pagar mais uma pessoa para assegurar a realização do trabalho. A informalidade, apesar de garantir que a parceria continue, resolvendo, momentaneamente, os problemas não atrai o público externo, que interessa aos Programas171.

Com a constituição da parceria, o problema não é levado em conta, mas com as cobranças dos programas para realização das metas, o tipo de público passa a ser um entrave. O fato alavanca o terceiro elemento apontado: o debate decorrente das elaborações das identidades.

Nesse mesmo capítulo, discorremos sobre as características das organizações que se candidatam como executoras dos programas de inclusão digital. Sabemos que as organizações escolhidas se constituem ou como fruto de um movimento popular ou como resultado de iniciativas individuais ou de grupos que têm como prática realizar um trabalho social, voltado em ações extra-escolares. Como vimos, para alguns pesquisadores, o objetivo emergiu quando as políticas públicas passaram a ser objeto também da sociedade civil (GONH,1997); para outros, a exemplo de Doimo (1995), o movimento popular já carregava em sua pedagogia o fazer localizado e informal que tinha como meta a “conscientização do povo oprimido” e precisou se adequar à racionalidade institucional do Estado

171 Com os Telecentros, a questão já está acordada com o convênio. O público atendido pela

168 democrático para sobreviver, desta vez como ONG, e órfã do apoio da Igreja Católica.

Entre a herança do voluntarismo filantrópico, a cidadania solidarista e o movimento popular, as organizações estudadas se institucionalizam estabelecendo novas ações políticas. Não deixaram de focar as suas ações para um único fim, local e setorizada; apenas criaram uma sede e se estabeleceram, promovendo, oficialmente, o que chamamos de educação social.

Segundo, Francisco de Oliveira, em conferência na ABONG172, para o Brasil, o conceito de sociedade civil é confuso, porque ONGs e Estado executam política públicas. Segundo ele, isso ficou ainda mais confuso quando o Partido dos Trabalhadores conquistou o pleito federal. Para nós, esse é um indicador de que não podemos visualizar a sociedade civil como um bloco homogêneo que se encontra sempre em oposição ao Estado. Se há uma crise da sociedade civil, ela está colocada na formação das identidades sociais que vêm redesenhando a democracia brasileira ao seu modo.

Levamos em conta, como defendemos no primeiro capítulo dessa pesquisa, que as identidades se definem à medida que as diferenças se acentuam (PRADO, 2006). O que antes era homogêneo, como sociedade civil, ONG, não pode ser mais visto através de uma lente única. Essa condição é observada aqui, ao estudarmos as relações formais e informais que se estabelecem com a realização das parcerias para realizarem o trabalho de inclusão digital.

Então, voltando às parcerias, uma das questões que provoca o debate entre as organizações executoras e os gestores dos programas de inclusão digital é o entrave do público atendido. A discussão também veio à tona em outros espaços de debate sobre inclusão digital. Um exemplo disso, como vimos no capítulo II da pesquisa, foi o mapeamento da existência dos espaços de inclusão digital no Brasil, realizado pelo ONID, que para obter dados fidedignos, precisou tomar alguns critérios como referência para contagem dos Telecentros; um deles é “abrir para a comunidade”. Mas o que significa abrir para a comunidade? “Nós não atendemos a comunidade?” Perguntavam as organizações. No CDI, essas perguntas foram a base de muitos debates internos com a equipe, com a matriz e com as organizações parceiras.

172 Mesa “A sociedade civil nas pautas nacionais”, in. Conferência “O papel da sociedade civil nas

169 Para a matriz do CDI, a preocupação era com a escala, para o CDI São Paulo, a questão era de ordem político-pedagógica: inclusão digital é diferente de escola de informática173; portanto, não era possível continuar com uma parceria que