2. O Alto Sertão da Bahia: um território em transformação
2.4 Localizações geográficas e fontes de desenvolvimento
2.4.1 A energia eólica e seu impacto no território
No processo de ocupação e transformação do território do Alto Sertão, diversas mudanças ocorreram no sentido de aglomeração urbana e de mudanças na produção no campo. Pode-se destacar, por exemplo, o processo de modernização do século XX que resultou em estudos que constaram a potencialidades deste território na produção de energias renováveis, devido às características climáticas ideais para a produção de energia eólica e solar.
A incidência do potencial eólico da região é demonstrada no mapa abaixo com dados do instituto Cimatec/ Senai, do ano de 2013, que apresenta um quadro evolutivo referente ao potencial eólico do território baiano. Conforme o Atlas do Potencial Eólico da Bahia (2013), a região do Alto Sertão da Bahia apresenta um crescimento exponencial na geração de energia elétrica por fonte eólica.
Figura 7: Mapa eólico do estado da Bahia nos anos de 2002 e 2013, respectivamente.
Esse crescimento7 na produção de energia com base nos ventos tem gerado, desde o ano de 2009, um desenvolvimento socioeconômico dos investimentos nos leilões eletrônicos da Empresa de Pesquisa Energética 8(EPE), gerando uma crescente competitividade na produção de energia limpa. Desse modo a inclusão de usinas que aproveitam a força dos ventos em leilões exclusivos de fontes renováveis, demostraram o interesse diversos investidores, inclusive estrangeiros, e o incentivo dos governos que reconhecem a oportunidade de investimento.
Figura 8: Aerogerador instalado na comunidade Pajeú do Josefino, no município de Guanambi, Bahia.
Fonte: Arquivo pessoal, 2015.
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A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) tem por finalidade prestar serviços ao Ministério de Minas e Energia (MME) na área de estudos e pesquisas destinadas a subsidiar o planejamento do setor energético, cobrindo energia elétrica, petróleo e gás natural e seus derivados e biocombustíveis. Trata-se de uma empresa pública federal, 100% dependente do Orçamento Geral da União. Criada por meio de medida provisória convertida em lei pelo Congresso Nacional - Lei 10.847, de 15 de Março de 2004. E a efetivação se deu em um decreto de agosto de 2004. Fonte: <http://www.epe.gov.br/pt/a-epe/quem- somos> Acesso: em 16 de janeiro de 2018.
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A Empresa de Pesquisa Energética é uma empresa pública vinculada ao Ministério de Minas e Energia. Tem por finalidade prestar serviços na área de estudos e pesquisas destinadas a subsidiar o planejamento do setor energético. Disponível em: <http://epe.gov.br/pt>. Acesso: em 16 de janeiro de 2018.
Segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL)9 desde o ano de 2009 houve um crescimento da capacidade de produção e de investimentos na produção de energia eólica, superando em competitividade os das fontes térmica e hídrica. Considerando o aumento do consumo de energia elétrica no Brasil, o Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa)10, passa a incentivar a geração de energia eólica no país, sobretudo em região de grande potencial eólico como a Bahia. De acordo com o Atlas de Potencial Eólico do Brasil (2013) a Bahia aparece em segundo lugar no quadro nacional de produção de energia eólica gerando cerca de 70 GW a 100 m de altura com ventos superiores a 7 m/s.
Figura 9: Parque eólico no município de Caetité, Bahia.
Fonte: Arquivo pessoal, 2015.
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A Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL, autarquia em regime especial vinculada ao Ministério de Minas e Energia, foi criada para regular o setor elétrico brasileiro, por meio da Lei nº 9.427/1996 e do Decreto nº 2.335/1997. Disponível em:<http://www.aneel.gov.br/a-aneel>. Acesso: em 16 de janeiro de 2018.
10
O Proinfa foi criado por meio da Lei Federal nº 10.438 de 2002, e revisado pela Lei Federal nº 10.762 de 2003.
A notícia de produção de energia eólica no território do Alto Sertão da Bahia foi, a princípio, bem recebida pela população local, pois comparada a outras fontes de energia, esta apresenta vantagens ambientais. O discurso de que a energia eólica é sinônimo de “energia limpa” está relacionado à existência de uma fonte de energia que pode ser convertida em outra fonte que não emite gases e resíduos. Comparada a outras formas de produção de energia que são rotuladas como “sujas” por serem derivadas da exploração de combustíveis fósseis, como gás natural, carvão mineral, derivados de petróleo e minérios radioativos, a produção de energias renováveis como solar e eólica são vistas como “menos sujas”.
Considerando peculiaridades relativas ao impacto da instalação dos aerogeradores, que medem cerca de 120 metros de altitude, que necessitam da abertura de uma extensa área de terra para circulação e montagem dos equipamentos, que são compostos por torre, gerador e hélice. A população passou a perceber os impactos gerados no território, principalmente nas áreas de implantação dos seus parques eólicos. Segundo Barbosa filho (2013) a instalação de parques eólicos acarreta impactos ambientais como a alteração de lençóis freáticos, o tráfego de veículos com maquinários de grande porte entre outros.
Os empreendimentos eólicos instalados na região remontam uma noção de crise ambiental, vinculada aos aspectos históricos e sociais do Alto Sertão da Bahia. As medidas legais relativas ao Licenciamento Ambiental de Parques Eólicos do Ministério do Meio Ambiente propõe a tomada de medidas para amenizar os impactos dos parques eólicos na paisagem, na alteração de uso do solo, e na mortalidade de pássaros que se chocam nas hélices, interferências eletromagnéticas e impactos sonoros. Como alternativa para amenizar esses impactos socioambientais dos empreendimentos eólicos, algumas empresas propõe alternativas de medidas sustentáveis de desenvolvimento sócio ambiental, como o que aconteceu com o Museu do Alto Sertão da Bahia.
O projeto Masb surge como uma da iniciativa do setor privado que teve o intuito gerar recursos sustentáveis para o território do Alto Sertão da Bahia a partir da valorização das pesquisas arqueológicas e da cultura local. A empresa Renova Energia, iniciou em 2012 estudos preliminares para a criação do Masb, a princípio existia a ideia de criar um Museu se Arqueologia como o material arqueológico que havia sido encontrado na região. Entretanto, a ideia desse museu toma forma de Museu de Território, devido a participação coletiva de Atores Locais que optaram por preservar a história e memória local do território como um todo, alcançando áreas que não foram
afetadas diretamente pelos impactos da instalação dos parques eólicos. Essa medida se aplica, por exemplo, na escolha da comunidade quilombola Pau Ferro do Joazeiro, que passa a integrar os núcleos museológicos do Masb, mesmo não estando na área de abrangência dos parques eólicos. Essa comunidade comtempla parte do território do Alto Sertão da Bahia e está situada na área de instalação de uma indústria de Urânio.