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Capítulo I: O processo de empregabilidade

1.6 A Geração Y

A história de uma geração fundamenta-se em um conjunto de experiências e vivências comuns, valores, visão de vida, cenário sociopolítico e a afinidade de idades. Estas características universais das diferentes gerações influenciam o modo de ser e de viver das pessoas nas sociedades e é esta totalidade de comportamentos e valores que distinguem uma geração da outra. Um dos desafios da sociedade é estar em permanente compreensão e adaptação a essas novas gerações e a todas as mudanças por elas geradas (Lombardia et al., 2008).

A Geração Y é formada, conforme Veloso et al. (2008), por pessoas que nasceram a partir de 1978 e que buscam pelo primeiro emprego. É uma geração mais bem informada,

que possui um nível de educação mais alto que suas antecessoras e tem uma permanente conexão com algum tipo de mídia; é habituada a mudanças e dá valor à diversidade; preocupa-se com questões sociais e acredita nos direitos individuais; é mais criadora do que receptora; é curiosa, alegre, flexível e colaborada; forma redes para alcançar objetivos; prioriza o lado pessoal em relação às questões profissionais; é inovadora e gosta da mobilidade; é imediatista, impaciente, auto orientada, decidida e voltada para resultados, apesar de não lidar bem com restrições, limitações e frustrações (Lombardia et al., 2008).

Esta geração possui outro conceito de trabalho, baseado em um contrato psicológico diferente do que foi estabelecido pelos seus predecessores, uma vez que, mais do que uma fonte econômica, o trabalho é fonte de satisfação e aprendizado. Essa modificação de conceitos altera o entendimento de carreira, a promoção, a estabilidade e o vínculo profissional- aspectos relativos à vida organizacional bastantes valorizados pelas gerações anteriores. A Geração Y encara o trabalho como desafio e diversão, prezando o ambiente informal com transparência e liberdade, buscando aprendizado constante, além de não temer a rotatividade de empregos (Veloso et al., 2008).

A diferença entre a Geração Y (atual) e a Geração X (anterior à atual) é que na primeira os jovens que almejam um emprego têm que ter, além da graduação, um diferencial- têm que fazer a diferença no mercado de trabalho. Na Geração X, a economia estava diferente e os jovens conseguiam entrar em um mercado de trabalho aquecido, onde as empresas estavam dispostas a pagar bons salários, a conceder benefícios a iniciantes e a promover a flexibilidade de horário. Uma pesquisa realizada pelo IBOPE6 (2013) revela, como mostra o Gráfico 2, quais são as gerações existentes atualmente no Brasil, sendo que a que possui mais indivíduos é a X, englobando pessoas com idades entre 30 a 45 anos.

Gráfico 2– Gerações existentes atualmente no Brasil Fonte: Pesquisa IBOPE (2013)

6 O Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (mais conhecido como IBOPE) é uma das maiores empresas de pesquisa de mercado da América Latina, fornecendo um amplo conjunto de informações e estudos sobre mídia, opinião pública, intenção de voto, consumo, marca, comportamento e mercado, no Brasil e em mais 14 países.

Os integrantes da Geração Y são considerados descendentes da tecnologia por representarem a primeira geração da história totalmente imersa na interatividade, na hiperestimulação e no ambiente digital (Tapscott, 2008); por esse motivo, esta geração não se intimida com as rápidas e constantes mudanças nos meios de comunicação. O computador, para esses indivíduos, é utilizado para aprendizado, comunicação, lazer, compras e trabalho; é considerado mais um aspecto da “vida digital”, ao invés de ser entendido como parte do conjunto de aparelhos domésticos.

De acordo com Soares (2002), através da crescente consolidação do processo de industrialização brasileiro e por meio da complexificação crescente da estrutura hierárquica das empresas, podemos verificar um incremento da categoria “trabalho”, enquanto espaço central de constituição da identidade humana. A Geração Y é a que hoje está se inserindo no mercado de trabalho e começando a influenciar, de maneira mais direta, os destinos da sociedade.

Nessa perspectiva, as organizações devem repensar as políticas e as práticas de gestão de pessoas, incluindo aquelas relacionadas à administração de carreiras, devido à maior complexidade no ambiente de negócios, e as mudanças no sentido e na natureza do trabalho. Sob essa ótica, Veloso et al. (2008, p.1) afirmam que “os estudos relacionados à carreira devem considerar não somente a estrutura oferecida pela organização para a ascensão profissional, mas também as diversas ambições, que são específicas da faixa etária do trabalhador”.

Os jovens da Geração Y têm que se preocupar com seu aperfeiçoamento contínuo, com a constante reciclagem dos conhecimentos, além de terem atitude, coragem e criatividade; devem ter também as competências específicas requeridas pelas empresas empregadoras- requisitos exigidos a esses jovens justamente porque foi essa a geração que teve contato mais próximo com a tecnologia. Duas características são necessárias aos jovens da Geração Y: a constância e o compromisso, pois, sem elas, dificilmente haverá êxito do empreendedor.

Para Oliveira (2010), os jovens da Geração Y tem como características serem multitarefas, ou seja, conseguem fazer várias coisas ao mesmo tempo; buscam pelo reconhecimento no trabalho e têm a necessidade de estarem constantemente recebendo

feedbacks para tudo que fazem; procuram estabelecer relações de informalidade com o

trabalho e ampliam seus relacionamentos- fato facilitado pela tecnologia.

Os jovens pertencentes a essa geração possuem um perfil marcante e forte nas organizações, pois são impacientes e almejam fidelidade das empresas em que trabalham, esperando delas rápidas promoções. Por ser a geração de entrada dos Recursos Humanos

nas organizações, requer maior atenção dos gestores de pessoas, pois a variedade de profissionais é diversificada: estagiários, trainees e o primeiro emprego formal. Após a Geração Y, que engloba indivíduos nascidos de 1983 a 1994, surgiu a geração Z (com os nascidos a partir de 1995), que ainda não estão em idade formal para abastecer e aquecer o mercado de trabalho.

Segundo Oliveira (2010), a Geração Y possui a vontade de inovar, de pertencer, de ter significado, de conciliar o trabalho com uma boa qualidade de vida, de poder ter um trabalho que faça sentido, em um ambiente alegre, onde haja respeito, afeto e um senso de importância e pertencimento. Diante das exigências do mercado, o trabalho também está relacionado ao conhecimento, ao crescimento, à capacitação, ao investimento e à busca por características necessárias ao desempenho no trabalho, como agilidade, dinamismo, organização, cooperação, eficiência e eficácia.

Uma pesquisa realizada pelo Diário Catarinense (2014) revelou o perfil dos indivíduos inseridos na Geração Y, conforme mostram os Gráficos 3, 4 e 5. Nesta pesquisa, pode-se verificar que esses indivíduos buscam um chefe que seja exigente e que tenha a postura de um mentor. Essa geração busca por oportunidades de aprendizado e desenvolvimento de suas habilidades, além de visar, nas empresas, possibilidades de crescimento e os benefícios oferecidos por elas.

Gráfico 3– Chefe ideal para a Geração Y Fonte: Diário Catarinense (2014)

Fonte: Diário Catarinense (2014)

Gráfico 5– Fatores que interferem na escolha das empresas pela Geração Y Fonte: Diário Catarinense (2014)