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Capítulo I: O processo de empregabilidade

1.3 Orientação Profissional

Tão importante quanto fazer um curso de graduação é buscar orientação e ter acompanhamento de um especialista quando se busca uma oportunidade no mercado de

trabalho. Após ingressar em um trabalho, o indivíduo deve ser capaz de se manter no emprego, atentando à manutenção dos seus conhecimentos.

A criação do Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo foi um dos primeiros registros acerca de orientação profissional. De acordo com Carvalho (1995), o primeiro serviço público estadual de Orientação profissional foi criado em 1931 por Lourenço Filho1, em São Paulo. Em 1942, a legislação brasileira instituiu a obrigatoriedade da Orientação Educacional como um serviço da escola, incluindo o Aconselhamento Vocacional (Pimenta, 1981). Mais tarde, essa orientação passou a ser desenvolvida pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), criado em 1942, e pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC), criado em 1946.

De acordo com Melo-Silva et al. (2004), a orientação profissional realizada no Brasil particularizou-se, inicialmente, pelo atendimento a jovens do ensino médio, desenvolvendo temas como escolha (graus de liberdade, influências), autoconhecimento, informação sobre as profissões e vestibular, entre outros emergentes.

A orientação profissional surgiu com o objetivo de responder à demanda da sociedade industrial e, atualmente, responde às necessidades da nova sociedade pós- industrial. Como o cenário atual é de mudanças, existe a necessidade de se obter informações fidedignas sobre os projetos de lei e a compreensão do significado das ações afirmativas, a fim de subsidiar o mais amplo debate na sociedade, com pessoas de diferentes faixas etárias e classes sociais (Melo-Silva et al., 2004).

A procura de atendimento em orientação profissional por parte de adultos tem se acentuado no Brasil na última década devido à situação de instabilidade no trabalho e ao desemprego. Quem procura por essa ajuda são pessoas em processo de planejamento de carreira, reorientação e redefinição do projeto de vida- algumas delas aposentadas ou em processo de aposentadoria. Conforme Melo-Silva et al. (2004, p. 38), a busca da orientação profissional é realizada por pessoas que:

[...] muitas vezes, apresentam questões psicológicas que acentuam as dificuldades de resolução da escolha da carreira, inserção e permanência no trabalho. Tais pessoas apresentam dificuldades no reconhecimento (consciente ou inconsciente) da necessidade de ajuda psicológica; entretanto, se permitem buscar auxílio de orientadores profissionais. Nesses casos, a intervenção em orientação profissional tem uma convergência importante com o paradigma clínico, uma vez que o aconselhamento não consiste em uma prática difundida entre os psicólogos brasileiros.

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Manuel Bergström Lourenço Filho (Porto Ferreira, 10 de março de 1897 — 3 de agosto de 1970) foi um educador e pedagogista brasileiro conhecido sobretudo por sua participação no movimento dos pioneiros da Escola Nova.

No Brasil, há a dificuldade em dissociar orientação profissional de Psicoterapia, mesmo sendo consenso entre os profissionais que em inúmeras situações atuam na interface entre uma intervenção focal, no caso, a tomada de decisão sobre estudos e/ou trabalho, e um atendimento psicológico que requer atenção a sentimentos, emoções e vínculos interpessoais. Dessa forma, infelizmente, no país, a orientação profissional não é totalmente eficaz, pois os profissionais que deveriam orientar os jovens fazem seu trabalho sem as devidas reflexões sobre as mudanças no mercado de trabalho e, por vezes, também não estão bem preparados (nem teórica, nem técnica, nem criticamente) para executar seu trabalho. Magalhães (1999, p. 174) questiona sobre a divisão entre orientação vocacional/ocupacional e psicoterapia:

[...] os melhores profissionais de aconselhamento são aqueles que transitam o foco de trabalho com o cliente, atendendo às necessidades deste; ou seja, o orientador é capaz de ajudá-lo a lidar com quaisquer combinações de problemas evolutivos presentes e de ajustamento que apresente.

A orientação profissional tem sido, segundo Carvalho (1995), a porta de entrada dos atendimentos psicológicos em Clínicas-Escola, com foco no trabalho, via inserção imediata ou por meio de estudos profissionalizantes em diferentes níveis. Dessa forma, ela deve intervir em diferentes etapas da trajetória ocupacional de pessoas e grupos, em contextos específicos.

Uma questão que merece atenção é a inexistência de serviços de orientação para atender à demanda de serviços em diversos municípios e regiões. A orientação profissional tem um importante papel na construção da sociedade pós-industrial e a postura por ela assumida poderá influenciar no desenvolvimento social futuro, uma vez que ela se torna agente de mudança social quando o profissional possui uma fundamentação teórica sólida, embasando seu trabalho prático e orientando os jovens para as incertezas e instabilidades advindas das mudanças atuais no mercado de trabalho.

A orientação profissional deve assumir o papel de agente de mudança social, promovendo uma reflexão crítica e ética sobre o compromisso social nas escolhas profissionais do indivíduo. O perfil do jovem que busca auxílio nesses serviços é conservador, individualista, não se preocupa com mudanças sociais, deseja realização pessoal, prazer no trabalho, estabilidade profissional e conforto material. Para Lassance (1997), este jovem busca a escolha de um curso superior que lhe garanta acesso ao mercado de trabalho através da conquista de um emprego estável e bem remunerado, no qual permaneça a vida toda. De acordo com Escola et al. (2013, p. 84):

[...] a formação superior não ocorre somente circunscrita aos limites disciplinares das salas de aula, nem é tampouco pautada nos métodos pragmáticos que induzem à repetição dos conceitos. [...] pensarmos esse processo no limiar tecnológico, instituindo uma dinâmica articulada entre saber e sociedade, capaz de despertar ou reconstruir inteligências, mediante a participação efetiva dos sujeitos leitores que utilizam a internet para diversos propósitos.

Apesar da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei 9394, 20/12/1996) e do decreto 2208 de 17/04/1997 regulamentarem os artigos que tratam da Educação Profissional - concebida como complementar à formação geral, estabelecendo a educação continuada como forma de atualizar, especializar e aperfeiçoar jovens e adultos em seus conhecimentos tecnológicos nos seus diversos níveis: tecnológico, técnico e básico -, os mesmos, de acordo com Saviani (1997, p. 216), não definem instâncias, competências e responsabilidades:

A cargo de quem estará essa educação profissional? Da União, dos Estados, dos Municípios, das empresas, da iniciativa privada indistintamente? Localiza-se aí o chamado sistema Confederação Nacional da Indústria (CNI), isto é, o SENAI, o SESI? E também o SENAC, SESC etc.? Para a União o órgão responsável será o Ministério da Educação ou o Ministério do Trabalho? Ou ambos? A lei é omissa em relação a questões desse tipo.

Há a necessidade de se criar uma proposta de Educação de Carreira para o contexto brasileiro na qual se desenvolva, ao longo de toda a formação do indivíduo, um conjunto de habilidades que o instrumentalizem, em qualquer nível de ensino ou formação, a gerenciar sua própria carreira. Em relação à colocação no trabalho, as intervenções em desenvolvimento de carreira geralmente são ofertadas em agências privadas de consultoria, assessoria e recursos humanos. Inúmeros sites e plataformas oferecem orientação de carreira e realizam cadastros de currículos, funcionando como balcões de emprego.

As diretrizes para o mundo do trabalho ocorrem por meio de várias vias, pelas escolas ou fora delas. Por meio das escolas, a aprendizagem se dá no sistema regular de ensino (básico, técnico, tecnológico e universitário), que gira em torno do Ministério da Educação, e no sistema de preparação de mão-de-obra, denominado Sistema S ou CNI: o Serviço Nacional da Indústria (SENAI), o do Comércio (SENAC), o Rural (SENAR) e o do Transporte (SENAT), vinculados ao Ministério do Trabalho e Emprego e controlados pelas Confederações da Indústria, Comércio, Agricultura e Transporte. Salvo as escolas regulares, os trabalhadores aprendem por meio de cursos de rápida duração, como aprendizes na atividade ou por meio de iniciativas de natureza assistencial, governamentais ou não

governamentais. Atualmente, de acordo com Melo-Silva et al. (2004, p. 46), muitos sindicatos e empresas brasileiras estão assumindo a função de oferecer cursos de capacitação a trabalhadores:

Existem diferentes iniciativas espalhadas pelo país, tanto de preparação como de orientação e educação para e pelo trabalho. Tais programas e serviços são destinados aos trabalhadores em geral, desempregados, pessoas portadoras de deficiência, idosos, jovens em busca do primeiro emprego, cujos graus de “liberdade de escolha” são menores.