Crédito para o Agronegócio
3.3. O sujeito político MST e a disputa de hegemonia
3.3.1. A natureza do MST e os referenciais teóricos
Um dos marcos temporais que identificou o MST como um movimento social de luta pela reforma agrária foi a realização do seu 1º Congresso Nacional, em 1985, em função da forte polarização com o movimento sindical que representaram as suas resoluções. Além disso, as ocupações de terra representaram uma nova tática de luta, radicalizada, recuperada das experiências das Ligas Camponesas, na década de 1960, e que se tornaria um marco na luta pela terra nos anos seguintes.
A segunda metade da década de 1980 foi marcada pelo avanço gradual das ações de ocupação do MST em todos os estados brasileiros13, dando visibilidade a esse novo sujeito.
Internamente, o MST procurou aprofundar sua concepção da luta pela terra como uma luta também contra o modelo vigente de desenvolvimento. Era necessário desenvolver novas experiências de uso da terra a partir dos assentamentos, com a criação de espaços de socialização política dentro dos mesmos, compostos pelos próprios trabalhadores rurais para a solução de seus problemas e o debate de questões políticas mais amplas. Esse fortalecimento de baixo para cima, estimulado pelo Movimento, também deu origem às instâncias de direção, compostas pelos próprios trabalhadores e pelos demais apoiadores, articuladores, fundadores e militantes, com o objetivo principal fortalecer a estrutura interna, tirar linhas políticas definidas e combater as tentativas de cooptação e repressão por parte do estado (Fernandes, 2000).
A leitura da realidade do campo brasileiro feita pelos sem terra ainda na década de 1980, em função do processo de modernização implementado pelo regime militar já sinalizava para o fato de que tal modelo seria aprofundado, a não ser que houvesse uma reforma agrária massiva e voltada para os interesses dos trabalhadores. Havia a compreensão de que
“os problemas enfrentados pelos trabalhadores eram resultados do modelo econômico que sempre os excluiu. Em alguns Estados a expansão da soja, da cana e da pecuária, em outros o café e o eucalipto. Foram analisadas as características comuns desse modelo: a expropriação, a expulsão da terra e a intensificação da concentração fundiária sempre geraram lutas de resistência; a migração contínua dos camponeses em busca de terras, resistindo ao trabalho assalariado” (Fernandes, 2000: 80).
O MST procurou combinar a tática de enfrentamento direto com proprietários e governos a partir das ocupações de terra e a de negociação com o estado pela desapropriação e regularização dos trabalhadores nas áreas. Com isso, o MST, além de gerar polêmica na sociedade civil e no próprio estado (que se viu pressionado de ambos os lados), também causou reações por parte dos proprietários, que tentavam reprimir as ações. A resistência do Movimento a essa oposição tem seu sucesso creditado em parte pelo próprio método
organizativo adotado, diferente da forma tradicional dos sindicatos, com presidentes, entidade jurídica etc. Ao definir o território como base organizativa de vinculação com as famílias sem uma estrutura burocrática, fortaleceu-se a luta, colocando os camponeses como sujeitos de sua emancipação, e preparando-os melhor para a reação dos inimigos.
A compreensão teórica dessa estrutura que não caia na vala comum de definir o MST como uma organização ou um partido político, para a partir daí destrinchar sua estrutura interna, deve levar em conta alguns aspectos. O primeiro deles é que são inúmeras as influências teóricas que permeiam as formulações internas e o método de ação do Movimento, tendo como eixo central das influências o método marxista de análise histórica. O segundo aspecto decorre do primeiro, ou seja, a compreensão de que a história vai sendo escrita não apenas pela teoria, mas pela práxis social de seus sujeitos, individuais e coletivos, sendo a teoria um instrumento de leitura do contexto que se vive e não um determinante das ações presentes e futuras. O MST, a despeito das críticas, parece seguir à risca esse entendimento, defendendo uma práxis social e cultural própria. Sendo assim, é desse segundo aspecto que partiremos para situar o MST como um movimento social legítimo e como um sujeito político de luta pela terra (com todos os elementos que essa luta inclui).
Primeiramente, entendemos que um conceito chave para compreender a origem e o desenvolvimento do MST é a busca constante por manter sua autonomia política frente a outros sujeitos políticos e sociais. Num período em que a imprensa frequentemente tem propagado a ‘perda da autonomia’ do Movimento em função de uma suposta ‘aliança’ com o governo Lula visando o recebimento de recursos públicos, é importante resgatar o sentido desse conceito para seus dirigentes e militantes.
Um primeiro elemento para a compreensão desse conceito é o conhecimento dos objetivos do MST, definidos na sua origem, e que acompanham sua trajetória política, o que torna mais fácil a compreensão de seus objetivos e os elementos posteriores. O MST se auto-define enquanto um movimento popular, sindical e político. Sendo popular, se assemelha bastante ao que foram as Ligas Camponesas, formadas não apenas por trabalhadores rurais camponeses, mas também por sujeitos urbanos, que compunham inclusive instâncias de direção. Inspirando-se em tal exemplo e permitindo a participação de sujeitos de todas as profissões, urbanas ou rurais, independente de religião, partido etc., o MST garantiu em parte a sua longevidade, pois a luta pela terra não se restringiria somente
ao interesse imediato do camponês, evitando que o caráter sindical se sobrepusesse aos demais, em especial ao político. Nas palavras de Stédile, “o MST só conseguiu sobreviver porque conseguiu casar os interesses particulares, corporativos, com os interesses de classe” (in Stédile, Fernandes, 2005: 35), o que significa dizer que a base social é composta essencialmente por camponeses, mas busca se inserir numa dimensão maior da luta de classes (assumindo o desafio de despertar o sentimento de pertença a uma classe na sua base social, como veremos adiante) e agrega apoiadores de diversos setores sociais.
Os objetivos do MST guardam correspondência com essas características: originalmente foram definidos como a luta pela terra (que é uma luta de todos), a reforma agrária (que é uma demanda da base social camponesa) e transformações gerais na sociedade (que se insere na perspectiva da luta de classes). Importante mencionar que em nossa pesquisa nos materiais de formação política, percebemos que com o passar do tempo tais objetivos foram mais bem detalhados (incluindo, por exemplo, a articulação com as lutas camponesas internacionais, a difusão de valores socialistas e o combate à discriminação de jovens e mulheres), o que a nosso ver é fruto da incorporação da própria dinâmica e evolução das lutas sociais, que ocorreu também entre partidos políticos de esquerda e diversas organizações da classe trabalhadora. Assim, é correto dizer que o MST não nasceu pronto, a partir de um modelo estabelecido com base na teoria, mas foi se forjando na prática política e social de seus militantes e dirigentes, experimentando métodos de ação e inspirando-se em experiências passadas para conceber o que deveria ser enquanto movimento social e qual seu projeto de rural, tendo como eixo a democratização efetiva do acesso à terra e da renda.
Nas palavras de Stédile, trata-se de um movimento camponês sui generis, que só pode ser compreendido a partir da observação de sua própria evolução e prática política e social, conformando-o dentro das características que lhe deram consistência e o inseriram numa perspectiva mais ampla de disputa de hegemonia política, nos termos definidos por Gramsci. Desse modo, nos referiremos ao MST também enquanto um movimento social camponês legítimo.
Em um artigo produzido para uma das disciplinas do mestrado, tivemos como objetivo a pesquisa das influências teóricas do MST, a partir de dois autores estudados naquela, Che Guevara e Mao Tse Tung. Ao final do trabalho, chegamos a duas conclusões principais, e que servem para esta dissertação. Primeiro, ambos os autores tinham como
‘guia’ o método marxista de análise da sociedade de classes e suas contradições, buscando aplicá-los em suas respectivas realidades históricas, o que também é incorporado pelo Movimento. Segundo, embora o MST se utilize desses dois pensadores, que também foram dirigentes políticos, procura essencialmente a origem de suas elaborações, encontrada no
pensamento marxista. O que pudemos perceber é que se existe algum paradigma teórico14
que pode caracterizar o MST é justamente a sua concepção sobre a sociedade de classes, que perpassa seus documentos, suas linhas de ação, sua relação com os demais sujeitos políticos, incluindo o estado - em que pese as dificuldades da base social em acompanhar esse pensamento. Mas esse tem sido um desafio que o Movimento se propôs desde sua gênese.
A filosofia da práxis e a luta de classes no meio rural são o pano de fundo, portanto, para a luta do MST. O que queremos dizer é que o surgimento do Movimento se deu a partir da compreensão do problema concreto em torno do uso e da posse da terra e a extrema concentração fundiária existente no País desde a colonização, e as conseqüências que esse modelo trouxe não só para os camponeses pobres, mas para toda a sociedade. Pudemos constatar isso como uma opção política consciente a partir da leitura de alguns textos utilizados em debates internos (gentilmente fornecidos pelos companheiros de militância para o trabalho em questão). Por exemplo: no texto “A organicidade e o planejamento”, elaborado pelo setor de formação do MST, o autor se utiliza do método marxista para realizar a leitura histórica da questão agrária no Brasil, expondo seus avanços e recuos em cada momento político. Busca, com isso, a construção das ferramentas metodológicas para orientar a organização no atual momento político (o texto nos foi passado sem indicação de data, mas pela leitura se conclui que se trata de um texto recente, pois finaliza a análise histórica quando da aprovação do II Plano Nacional de Reforma Agrária, em fins de 2003). O objetivo, portanto, é sistematizar os avanços obtidos pelo
14 Percebemos a presença desses elementos teóricos nas falas dos dirigentes entrevistados para a dissertação, e também a partir do discurso assimilado em encontros e cursos de formação dos quais tivemos a oportunidade participar. Cumpre ressaltar, no entanto, que apesar de toda experiência desenvolvida no terreno da formação política dentro do Movimento, não há uma preocupação por parte dos dirigentes do Movimento, e em especial os formadores, de posicionar o MST nessa ou naquela corrente teórica como forma de explicar sua práxis social e política ou, ainda, de adentrar nas polêmicas acadêmicas. O que percebemos é que muitas dessas obras por nós utilizadas são também estudadas nos cursos de formação promovidos pelo setor de formação, mas isso está sempre associado à necessidade de estabelecer uma ‘via de mão dupla’ entre o conhecimento teórico e o conhecimento popular. Entre o estudo político, e o contato com as massas. E consideramos que esse é um elemento essencial para compreender os temas aqui abordados e que muitas vezes passam longe das perspectivas mais tradicionais acerca de movimentos sociais e, mais especificamente, dos movimentos de luta pela terra e do lugar político e social do campesinato.
Movimento na sua estrutura organizativa até então e os desafios postos pela atual correlação de forças no meio rural brasileiro.
Em outro texto, de 2004, “A organicidade e a política de formação de quadros no MST”, há referência ao mesmo método de análise para a compreensão dos problemas enfrentados pelo movimento social e pela classe trabalhadora como um todo no enfrentamento ao capitalismo no Brasil.
“Do ponto de vista teórico, é necessário aprofundar no tema. Qual é a teoria que os dirigentes devem se apropriar? Sem sombra de dúvidas e sem dogmatismos, precisamos reafirmar a necessidade da apropriação da teoria marxista, para aplicá-la na prática. A teoria é um instrumento para entender e interpretar tudo o que se passa na sociedade, no Movimento e, ajuda a tomar as decisões políticas, a definir as táticas adequadas para cada momento para que possam ser aplicadas corretamente.
O marxismo é um guia para a ação, nunca um dogma, uma verdade absoluta. É algo dinâmico, histórico que vai sendo enriquecido com o próprio desenvolvimento da sociedade e dos novos desafios da realidade para os quais se precisa de respostas. Requer a criatividade, o rigor, o empenho teórico e prático, requer vida, luta” (Pizetta, 2004, grifos do autor).
Mais adiante, argumenta que
“Não existe um único jeito, um único método, mas, é preciso conscientemente adotar um método para alcançar os objetivos propostos. É preciso indagar se os métodos anteriores não seguem vigentes e operativos. O materialismo dialético histórico, a práxis revolucionária, entre outros, são pontos de referências que nos ajudam a pensar o novo desde o histórico consolidado e os objetivos estratégicos” (Pizetta, 2004).
Nesse sentido, vemos que a referência ao marxismo é muito forte nas elaborações teóricas do MST, reafirmando o caráter de classe do movimento e a inspiração em experiências históricas que se pautaram pela mesma premissa, a exemplo de Cuba e China, respeitando, claro, o desenvolvimento histórico local. A leitura dos problemas que afligem a população brasileira passa, portanto, pela compreensão de que estes somente serão solucionados através de transformações estruturais em nossa sociedade.
A partir daí, contando com o acúmulo prático e teórico anterior, “para não começar sempre do mesmo nível do ano anterior ou da luta anterior” (Pizetta, 2004), o MST reafirma seus princípios organizativos e estimula novos valores que possibilitem o esforço consciente de mudança, a despeito das dificuldades de fazer com que esse conhecimento chegue à base social e se traduza em novas práticas, superando o idealismo e compreendendo os fatos dentro do processo dialético.
Essa opção política e organizativa que o MST adotou desde os primeiros anos de existência nos leva a supor que seus objetivos se desdobrem, em última análise, na disputa de hegemonia dentro do bloco histórico, o que traz à tona a discussão sobre a possibilidade de um setor social (especificamente, o camponês) realizar com sucesso esta tarefa. O fato de essa tarefa ser entendida como uma tarefa de um partido político, somado ao fato de a estrutura organizativa interna do MST ser muitas vezes comparada a de um, aprofunda ainda mais o debate. Vamos procurar desenvolver o raciocínio que nos leve a essa resposta, ou a um esboço de resposta.
Não nos atrevemos a afirmar, ao menos nesse ponto, que o MST disputa hegemonia entre os movimentos sociais de luta pela terra, ou que disputa hegemonia entre as classes dominadas ou na sociedade com vistas à construção de um novo bloco histórico. Porém, entendemos que a existência de uma perspectiva política mais ampla entre os objetivos do MST contribuiu e contribui para a educação política de uma classe social que sobrevive da exploração da pequena propriedade, representando um avanço em relação às experiências anteriores. O que não deixa de ser um Movimento que, no mínimo, procura oferecer resistência ao modelo hegemônico, expressando claramente sua discordância em relação ao mesmo.
Seguindo adiante, apesar das origens do MST estarem associadas à atuação dos militantes em sindicatos rurais (além da já citada participação no trabalho de base realizado por setores progressistas da igreja católica), tentando imprimir-lhes um caráter mais combativo, vimos que a polarização foi inevitável, pois os entendimentos sobre as razões e o caráter da luta e da disputa política a ser travada, em seus termos mediatos e imediatos, afloraram rapidamente. E o enfraquecimento do movimento sindical como um todo durante a década de 1990 mostrou que a opção por fortalecer um movimento classista (com todas as limitações da compreensão desse termo pela base social, que discutiremos mais adiante) e autônomo foi correta.
Gramsci (2002) afirmava que o exercício da hegemonia dentro de uma classe deve ser feito levando em conta os interesses dos diversos grupos presentes naquele bloco social, considerando que seu avanço é maior quando não lutam só por seus interesses imediatos, mas também insistem na auto-organização para enfrentar inimigos maiores, transpondo o conflito econômico (material) para o plano das ideologias. Trazemos essa concepção como mais um elemento de análise sobre o caráter da luta do MST, que será retomado no fim do capítulo.
O que podemos dizer por ora é que o caráter classista dos objetivos do MST o colocou diante de um desafio que movimentos camponeses (e mesmo sindicais) anteriores a ele não conseguiram superar: despertar o sentimento de classe e fazer do campesinato também uma classe social que luta pelo poder. A longevidade do Movimento demonstra que o caminho adotado não está, pelo menos até o presente momento, equivocado, não obstante tenha de conviver com as contradições inerentes ao processo. Poderíamos citar como algumas delas o nível cultural e político do camponês em geral, sua dispersão territorial, a influência da estrutura produtiva hegemônica, a dependência econômica do estado e a tendência ao arrefecimento do sentimento de luta quando o camponês conquista seu pedaço de terra.
Ao definir objetivos, procurar influências teóricas e experiências anteriores como inspiração e visando compreender a natureza da sua luta, o MST foi buscando sua própria autonomia como sujeito social e político numa sociedade que sempre tratou questões sociais como ‘caso de polícia’ e os pobres como incapazes, quase que seres humanos de ‘segunda classe’. Tratou de dar voz e ‘cara’ para esses indivíduos, mas fornecendo-lhes uma identidade coletiva, que os fortaleceu. Assim, se suas características e objetivos lhe deram a razão de existir, a adoção de alguns princípios trouxeram ao MST sua forma e coesão política, garantindo sua longevidade, o crescimento da base social e a resistência às duras condições impostas pela evolução das forças produtivas no meio rural brasileiro. Stédile afirma que esse foi um ensinamento adquirido a partir do contato com as experiências de luta camponesa latino-americanas, que “sempre foram mais fortes, com uma tradição maior de luta do que os do Brasil” (in Stédile, Fernandes, 2005: 39).
“O que mais aprendemos com as organizações camponesas que nos antecederam, no Brasil e na América Latina, foi que no desenvolvimento do movimento, apesar de ser
camponês e possuir um caráter social, deveríamos nos preocupar em aplicar alguns princípios organizativos. Por quê? Porque esses princípios, se respeitados, iriam garantir a perenidade da organização. Não são normas, não são sugestões. São princípios” (idem). Esses princípios são: a direção coletiva, a divisão de tarefas, a disciplina consciente, o estudo e a formação de quadros e a vinculação com a base. A eles se associam ainda o planejamento e o processo de crítica e autocrítica. Stédile (idem) argumenta que a existência desses princípios e a rigidez com que são aplicados é o que tem permitido manter a unidade nacional e espalhar a luta por quase todos os estados brasileiros (atualmente o MST se organiza em 24 dos 27 estados), combinando a formação de quadros com a luta de massas.
Atendo-nos um pouco a essa complexidade organizativa e ao papel educativo sobre outros setores dominados da sociedade (expressão da legitimidade conquistada com o tempo), Gramsci traz a concepção que mais se aproxima da práxis dos sem-terra. Ele fala dos partidos políticos15 como organizações de quadros e de massas compostas de
características semelhantes às citadas, visando à disputa de hegemonia, e apresenta conceitos como a organicidade, o centralismo democrático, a disciplina consciente, formação política, entre outros que são amplamente utilizados pelo MST.
Assim, o MST se estrutura internamente visando à manutenção da coesão política, possibilitando a ação de massas casada com um comando definido que oriente sua ação e garanta sua autonomia e unidade políticas, mas pautado tanto por lutas econômicas como políticas, procurando fortalecer entre sua base social a idéia de um projeto político mais amplo de sociedade.
Ao estabelecer características, objetivos e um conjunto de princípios para orientar sua ação política e reivindicatória, o MST busca os próprios meios de obter conquistas; assim, o tema da autonomia adquire centralidade para compreender sua posição nas relações sociais de produção e na evolução da luta de classes no meio rural brasileiro. Como dissemos, a origem do MST foi um produto de diversas articulações em torno da luta pela
15 Utilizar o termo partido político pode causar algumas confusões, em especial para aqueles que afirmam o MST enquanto tal, ou que ele vem se preparando para essa ‘transição’. Considerando que o senso comum acerca do