Crédito para o Agronegócio
3.3. O sujeito político MST e a disputa de hegemonia
3.3.3. Desafios atuais
A caminhada do MST ao longo de quase 3 décadas de existência esteve pautada sobretudo pelo caráter de resistência do camponês no meio rural, que busca, primeiro, a satisfação de suas condições de produção e reprodução social. Para Caldart (2004), esse já constitui, em si, um ato de radicalidade e torna os camponeses portadores de uma nova proposta. A nosso ver, esse primeiro ato é, sim, um ato de resistência, mas este, em si, não se constitui num ato contra-hegemônico, ou simboliza a negação da negação. O que se deve considerar, porém, é a dimensão que adquire tal ato de rebeldia diante de um sistema hegemônico que prioriza o capital, a propriedade privada e a concentração de terras como condição de seu desenvolvimento, gerando miséria e exclusão, e se aquele pode ser considerado como um ato potencialmente revolucionário. O desenvolvimento histórico brasileiro não condenou o campesinato ao desaparecimento, como inicialmente se supunha, pois o modelo hegemônico não foi capaz de absorver a demanda e nem extinguir as relações
sociais e culturais estabelecidas com a atividade rural. Não há como negar a existência de uma identidade cultural com o campo.
O desenvolvimento do capitalismo, em certa medida, fez do camponês uma espécie de símbolo de resistência à apropriação privada da terra e dos recursos naturais, entrando em contradição com o próprio padrão de acumulação capitalista. Embora o sistema consiga incorporar, em certa medida, a propriedade camponesa, o faz dentro de uma relação de subordinação, integrando o camponês na cadeia produtiva em posição de desvantagem. Assim, ainda que alguns se adaptem ao processo e passem a realizar operações tipicamente capitalistas, conseguindo extrair daí seus meios de sobrevivência, a imensa maioria é excluída. Desses, parte migra para as cidades, outra parte resiste no meio rural. Dos que resistem, alguns sobrevivem com dificuldade, como pequenos proprietários, outros tomam parte num projeto de resistência politicamente organizada, através dos movimentos sociais de luta pela terra.
A partir da análise das lutas camponesas no Brasil nesses últimos 60 anos, pudemos perceber que a concretização dessa resistência política não é uma tarefa simples; o fato de um camponês sem terra integrar a luta mais ampla de um movimento como o MST não faz dele um sujeito portador de uma consciência socialista ou mesmo anticapitalista. Ele é movido, sobretudo, pelas suas necessidades de sobrevivência. Mas a decisão de enfrentar as precárias condições da luta e de resistência organizada deixa aberta a possibilidade de que esse ato de rebeldia construa uma identidade de classe. Neuri Rossetto fala a respeito disso na sua entrevista, quando afirma que há processo gradual de identificação com outras pessoas que estão na mesma situação, e por isso proporciona um aprendizado político importante20.
O MST viu na eleição de Lula uma ‘esperança’ de que a reforma agrária iria ser finalmente realizada no País, mas frustrou-se diante da dificuldade histórica do estado brasileiro em romper com os interesses dos grandes proprietários, dificuldade ainda maior diante do atual estágio de desenvolvimento das forças produtivas no meio rural,
20
A exemplo disso, o MST atribui grande importância ao período do acampamento como um momento em que podem ser desenvolvidos laços de solidariedade e de construção de valores sociais diferenciados, apontando para a relação de cooperação em todas as áreas. E entende que a transição para o assentamento é outra ‘prova de fogo’ para a manutenção da unidade do Movimento e da base social, pois é quando se conquista aquilo que
inicialmente os motivou. Muitos se afastam da luta, não participam das atividades do próprio assentamento e se preocupam apenas em cultivar seus lotes, mas muitos outros se mantêm junto à organização e continuam a construí-la.
caracterizado anteriormente. Nesse sentido, a atividade agrícola não mais se relaciona apenas ao trato com a terra, ao cultivo do alimento que sai da roça para a mesa, mas um fator produtivo inserido numa cadeia mais ampla, o chamado agronegócio, englobando atividades de pesquisa genética, produção de máquinas agrícolas, insumos, o beneficiamento, a distribuição, a comercialização e a exportação.
O desafio de ajustar os objetivos da produção camponesa e sua relação com o meio em que vive a essa ordem é, portanto, maior, para não dizer impossível de concretizar. E a dominação histórica somou-se ao domínio do capital financeiro internacional na economia, ao estágio de industrialização e à conjuntura política desfavorável, com o descenso das lutas de massa da classe trabalhadora como um todo. Nesse cenário, tomando por base apenas o aspecto econômico, a realização de uma reforma agrária foi inviabilizada, por ser um projeto que disputa as mesmas terras e os mesmos recursos financeiros que o projeto dominante e ainda possui contradições fundamentais quanto ao objetivo da produção e a sua forma de apropriação.
Desse modo, vemos que o MST convive com dois desafios diferentes: por um lado, garantir viabilidade econômica aos assentamentos já existentes e seguir na reivindicação pelo assentamento das famílias acampadas e, por outro, manter sua autonomia através da resistência organizada, com vistas à formulação de um projeto próprio de desenvolvimento do campo. Se, no início do Movimento, a estratégia de combate ao latifúndio, utilizando como tática o confronto e negociação com o estado foi suficiente para atender os objetivos da luta pela terra e garantir o crescimento e fortalecimento da organização como um todo, nos últimos 10 anos há uma nova leitura sendo formulada, na qual as transformações impostas ao meio rural pelo desenvolvimento da produção capitalista no meio rural impõem a adoção de uma nova estratégia, pautada pelas alianças com outros movimentos visando alterações macroeconômicas que culminem na derrota do agronegócio como modelo hegemônico e a construção de um novo modelo. Pode-se dizer que com isso o MST deixa de ser apenas um movimento social de massas que luta pela terra e pela reforma agrária, e emerge cada vez mais quanto ao seu sentido político - e classista - de transformação social.
Essa leitura toma por base alguns aspectos que passaremos a considerar. Primeiro, é perceptível a alteração no padrão produtivo do meio rural brasileiro, numa cadeia nomeada agronegócio, que envolve diversos setores da economia, não estritamente o rural,
determinando uma maior concentração da terra, da renda e do próprio processo produtivo. Mas ‘mudaram’ também os sujeitos que hegemonizam essas relações. Se antes os adversários principais eram os grandes latifundiários, que exerciam a opressão através do poder político e econômico que a simples propriedade da terra lhe conferia, hoje os adversários estão localizados em diversos setores da economia (rural, industrial, comercial, financeiro), fazendo da terra - e da produção - um bem econômico que deve ter seu aproveitamento maximizado para possibilitar a acumulação e a obtenção de lucros, além de um objeto de especulação financeira, através de contratos negociados em bolsas de valores em diversas partes do mundo, as chamadas commodities. Assim, atualmente, apenas o título de propriedade da terra não confere poder (embora ainda tenha bastante relevância nas relações de dominação), mas sim o fato de nela produzir e extrair riquezas que são revertidas para o País na forma de saldos positivos na balança comercial. Aí está o diferencial dos setores que hoje hegemonizam a produção capitalista no meio rural. A terra tem que ser produtiva e, sendo assim, o latifúndio também se torna um objeto de disputa entre produtores do agronegócio e movimentos de luta pela terra, como o MST.
Bem, isso nos leva a uma segunda questão. A mudança dos sujeitos que hegemonizam a produção no meio rural determinou também mudanças nos sujeitos que lutam para resistir no meio rural segundo parâmetros, digamos, não-hegemônicos? Até que ponto isso ocorreu? Essa reflexão é necessária porque, se estamos apelando para o sentido classista da luta, é necessário que a ‘classe’ em questão esteja consciente disso, em primeiro lugar. Do ponto de vista específico da luta do MST, equivale perguntar: até que ponto a base social do Movimento está consciente dessa leitura política que vem sendo construída e até que ponto está disposta a adotar uma estratégia mais radicalizada como ‘sua’, ultrapassando as lutas econômicas e transpondo-as para um outro patamar, de disputa hegemônica? São perguntas ainda para o próprio MST.
Um terceiro ponto a levar em consideração é o aprofundamento das relações de dependência externa determinadas pelo atual modelo e a posição que o agronegócio ocupa hoje na ação estratégica do estado brasileiro. Essa posição se expressa na política econômica, com a priorização das exportações, a posição na divisão internacional do trabalho e a participação cada vez maior de empresas estrangeiras em setores estratégicos da economia. É visível também quando se trata da utilização do poder de estado para a aprovação de medidas que facilitem a ação dessas empresas e a própria fruição da cadeia do agronegócio (a
exemplo da liberação dos transgênicos e a demora na votação da PEC do trabalha escravo, entre outras), e ainda no uso da força policial e militar para impedir ou reprimir manifestações sociais, garantir a execução de obras que beneficiem o agronegócio ou mesmo salvaguardar fisicamente determinadas instalações. Além disso, o aparato de dominação estatal conta ainda com as posições dos tribunais brasileiros com relação ao regime de propriedade e dos conflitos pela terra, ainda na sua maioria desfavoráveis às lutas dos trabalhadores, numa tendência crescente à ‘judicialização’ da questão agrária.
E em quarto e último lugar, há que se levar em conta a força dos meios de comunicação com legitimadores de tal modelo e deslegitimadores de quaisquer tentativas de contestação e como parceiros de primeira hora do agronegócio quando o tema é a criminalização das ações dos movimentos sociais.
Identificamos como conseqüência desses elementos apresentados que a luta para derrotar o agronegócio não é apenas a luta pela terra e reforma agrária, mas se insere na perspectiva da luta por soberania, seja ela econômica, alimentar ou territorial. Assim, o combate ao agronegócio seria, em última análise, parte do enfrentamento ao próprio modelo hegemônico. Ao eleger o agronegócio como o inimigo principal da luta pela reforma agrária, o MST é coerente com sua natureza e com os objetivos e princípios que lhe deram origem, mas coloca diante de si um desafio que deveria, em princípio, ser enfrentado por uma coalizão de forças políticas, pois um movimento, por mais forte que seja, é insuficiente para atingir o sistema hegemônico na sua totalidade.
Nesse ponto, nos arriscamos a apresentar algumas considerações preliminares sobre o objeto em estudo, ou seja, se as ações do MST constituem ou não numa forma de disputa de hegemonia. Mas, antes disso, achamos prudente analisar algumas questões de fundo que dão consistência à leitura que vem sendo feita pelo MST e que acabamos de apresentar e, após aprofundarmos um pouco o conceito de hegemonia, fechar nossa análise.
Através do estudo dos programas agrários apresentados pelo MST em 1984 e em 1995, anteriormente, pudemos ter a medida da evolução das suas concepções para o meio rural e do acúmulo prático e organizativo que os assentamentos representaram na luta pela terra e pela reforma agrária. Depois disso, um novo programa agrário voltou a ser debatido em 2005, tendo sido concluído em 2007, na época do 5º Congresso. O programa refletiu, a partir dos debates que foram realizados em todos os estados (ou pelo menos na maioria deles), os aspectos que consideramos acima, sobre a natureza do capitalismo no meio rural e
o caráter da reforma agrária nesse contexto, e de forma mais específica, sobre o próprio modo de produção. No 5º Congresso, foi distribuída uma cartilha a todos os militantes ali presentes que sintetizou da seguinte forma o ‘novo’ caráter da luta pela terra e reforma agrária:
“a reforma agrária, agora, é mais do que reestruturar a propriedade da terra, é necessário reestruturar toda produção e vida social no campo.
É a disputa entre dois modelos de sociedade. De um lado o modelo do agronegócio, que é a proposta dos capitalistas, dos fazendeiros. E de outro, a reforma agrária popular, que é a proposta dos camponeses e do povo.
Por isso, adotamos agora, a palavra de ordem, “Reforma agrária, por justiça social e soberania popular”. Porque ela expressa uma nova visão de reforma agrária.
Não é apenas dividir o latifúndio. É também uma questão de justiça social, ou seja, construir uma nova sociedade mais justa e fraterna. É uma forma de colocar os recursos naturais a serviço de todos. E soberania popular é a forma de organizarmos a produção de alimentos e outros produtos agrícolas, sem depender das empresas transnacionais, para atender em primeiro lugar as necessidades do povo” (Textos para estudo e debate, 5º Congresso Nacional do MST, 2007: 91).
Sendo essa uma cartilha voltada à militância em geral, que possui vários níveis de acúmulo teórico e político, a linguagem é relativamente simplificada e os termos são apresentados de maneira mais geral. O esperado é que esses e os demais entendimentos passem por um processo de sedimentação na base social - de maneira mais uniforme - no próximo período, como é afirmado nas entrevistas. De todo modo, é possível perceber que são incorporados os valores historicamente defendidos pelo MST, em relação à distribuição democrática da terra e de construção de uma nova sociedade, portadora de novos valores sociais, além da soberania em relação às empresas estrangeiras. Ao programa agrário, em específico, são acrescentados temas como a defesa dos recursos naturais e da biodiversidade, a soberania alimentar e territorial, a adoção de uma nova matriz tecnológica e produtiva, além de melhorias nas políticas já em curso (como educação, infra-estrutura, saúde etc.) e a reforma agrária defendida agora possui um caráter popular. Essa definição do caráter da
reforma agrária21, associado aos elementos apresentados, revela algo importante: parece
sugerir que está em curso, portanto, a formação de uma estratégia política mais ampla. Vejamos onde isso se expressa.
Nos programas anteriores, o papel do estado era reafirmado como central na execução da reforma e de políticas públicas para o meio rural, e a forma de se obter conquistas era a ocupação de terras ociosas e a pressão das mobilizações de massa. A disputa com o estado, ou com as forças que o hegemonizam se dava no nível da reivindicação por políticas através do enfrentamento e da negociação. Os documentos que pesquisamos sobre os congressos anteriores, que faziam uma leitura crítica dos governos de cada época22, como
parte do entendimento classista que o MST tem do estado também apontavam para essa perspectiva. É a partir do 3º Congresso, em 1995, (período em que também se aprofunda a implementação das políticas neoliberais no País) que se inicia uma leitura mais profunda sobre o modelo hegemônico e a necessidade de derrotá-lo. Bem, ainda assim, o MST não afirmava uma tática ou estratégia explícitas nessa direção, apostando na reforma agrária como ‘uma luta de todos’, conforme o próprio lema deste Congresso. No Congresso seguinte, em 2000, o MST reconheceu que a luta contra o neoliberalismo faz parte da luta pela reforma agrária e deve assim ser incorporada pela militância.
Desse modo, a estratégia de combate ao latifúndio e defesa da reforma agrária por meio da tática de enfrentamento/negociação com o estado, adotada na década de 1980 e ampliada na de 1990, se manteve, mas passou a ser considerada como parte do enfrentamento da própria estratégia macroeconômica, que sob o neoliberalismo não abria espaços para inversão de prioridades. A isso deveria ser associado o fortalecimento de novos fóruns de luta, de articulações regionais, nacionais e internacionais em torno da luta camponesa, como forma de estimular a organização popular e as lutas de massa, falando pela primeira vez em um projeto popular para o Brasil, o que se dá a partir de articulações realizadas anos antes, em 1997, em torno do movimento Consulta Popular.
Do 4º para o 5º Congresso, o Brasil elegeu um operário como presidente e os aliados ‘históricos’ da reforma agrária chegaram ao governo federal. Além disso, os 7 anos
21 Lembremos que no início do capítulo, quando analisamos as características do MST, a luta pela reforma agrária era entendida como uma luta de caráter camponês e que a sociedade como um todo se inseria dentro da perspectiva da luta mais geral pela desconcentração fundiária.
22 Os Congressos do MST ocorreram em 1985, 1990, 1995, 2000 e 2007, respectivamente nos governos Sarney, Collor, FHC e Lula.
que separam um evento do outro também representaram uma evolução significativa das forças produtivas no meio rural e foi quando o agronegócio se revelou como a ‘galinha dos ovos de ouro’ do governo federal, responsável por quase 25% do PIB (dados de 2006), ajudando a manter o Brasil como uma economia ‘estável’, propícia para investimentos estrangeiros e com certo ‘poder de negociação’ na comunidade internacional. Isso, na perspectiva do estado burguês, pode ser considerado um movimento político vitorioso; na dos trabalhadores, em que pese a diminuição dos índices de desemprego e o crescimento econômico, nem tanto, já que a distribuição de terra e de renda não se alterou no fundamental. Assim, nesse período, o MST se comporta em relação ao estado de pelo menos duas formas, sendo que, em uma delas, aparece a ‘novidade’ que agora estamos discutindo.
Uma, já falamos, foi a manutenção da luta pela reforma agrária e contra o latifúndio por meio das reivindicações em relação à questão agrária, demandando desde medidas administrativas (como a reestruturação do INCRA) até a realização de convênios e programas para o meio rural nas mais diversas áreas, passando pelo central, as desapropriações de terra, mantendo as ocupações e mobilizações de massa como tática principal de luta. Assim, consolida sua legitimidade como demandante, propositor e gestor junto ao estado dessas mesmas políticas. A outra foi aprofundando as críticas ao modelo macroeconômico, fazendo a leitura da ‘fragmentação’ das forças de esquerda sob o governo petista e passando a sinalizar para a necessidade de uma disputa por hegemonia na sociedade, como podemos depreender da leitura do texto anteriormente citado, que fala da disputa de ‘dois modelos’ de sociedade.
Essa disputa, se tomada como uma disputa pela construção de um novo bloco histórico, só será vitoriosa se conseguir, por um lado, romper com o equilíbrio estabelecido pelas forças hegemônicas atuantes, minando tanto sua capacidade de manutenção da evolução das forças produtivas, como de direção cultural. Isso precisa ocorrer, evidentemente, não apenas no meio rural, mas em toda sociedade, através da atuação política tanto na estrutura material como na superestrutura (Portelli, 2002). O objetivo, nesse caso, é a desagregação das idéias do bloco atual, viabilizando a aceitação e a concretização de novas idéias, e a construção de uma nova hegemonia. Nesse ponto, duas coisas se fazem necessária: uma é a correlação de forças favorável a tal desagregação, a outra
é a clareza, por parte da classe fundamental contra-hegemônica, das novas idéias e de como implementá-las e torná-las hegemônicas.
Nesse sentido, fica evidente a necessidade de disputa do poder do estado, pois é a partir dele que serão introduzidas as idéias e práticas da nova sociedade, com vistas à extinção da sociedade de classes. Gramsci afirma que
“uma iniciativa política apropriada é sempre necessária para libertar o impulso econômico dos entraves da política tradicional, ou seja, para modificar a direção política de determinadas forças que devem ser absorvidas a fim de realizar um bloco histórico econômico-político novo, homogêneo, sem contradições internas” (Gramsci, 2002: 70). Nesse sentido, ao fazer uma nova leitura política sobre o momento histórico o MST parece estar buscando os elementos para definir esta “iniciativa política apropriada”. Vejamos:
“Persiste, até os dias de hoje, o descenso do movimento social. Perdemos, a classe trabalhadora, a capacidade de fazer o trabalho de base (organização e formação política da classe trabalhadora) e a capacidade de mobilização popular. Pior, a ofensiva do neoliberalismo, desde o início do anos 90, promoveu uma fragmentação da classe trabalhadora e disseminou a cultura do individualismo, do oportunismo e do descrédito com a política junto á população de modo geral. (...)