8 FORÇA, ESPERANÇA E FÉ: A VIVENCIA DA ESPIRITUALIDADE O ENFRENTAMENTO DA
8.2 A necessidade do alicerce espiritual para o sucesso do tratamento
Ao longo da existência humana, o homem tenta construir um sentido para sua razão de ser e de estar no mundo. No decorrer da vida, ele vai se conscientizando de sua existência e peculiaridade em que se encontra e, cada vez mais, desenvolve meios para afirmar sua presença no mundo e dar sentido a sua vida. Perante uma doença, essa atitude não é diferente. O paciente atribui um sentido para vida como forma de sobrevivência e superação dos obstáculos que se tem a transpor. A presença de um alicerce espiritual na doença renal crônica, faz total diferença no tratamento.
O sofrimento leva ao refúgio em Deus, pois enquanto o ser humano está em segurança, nenhum abrigo é tão importante. Sendo assim, a fé e a religiosidade desempenham um papel fundamental na formação moral, ética e cultural do ser humano, proporcionando-lhe a compreensão da realidade da vida e de seus objetivos essenciais. A confiança que depositam em Deus e o conforto espiritual que este acolhimento lhes são dados, proporciona um sentido para situação que está sendo vivenciada. 113
(...) Bom, agora eu uso a religião como força né, é e tenho apoio dos meus familiares, e isso vai me fazendo, me apascentando né e eu vou aceitando melhor a situação, que é uma nova realidade, né que eu tenho que aceitar. P1
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(...) Eu espero hum, um não vou esperar melhora e nem a cura, pq a cura eu sei que só Jesus que faz... Mas eu queria mudar esse quadro, queria que esse quadro mudasse, que eles falassem pra mim, olha achamos aqui uma solução, entendendo... E é isso aí... E eu creio que eles vão achar uma nova solução pra eu viver melhor e sair desse tratamento. P18
As mudanças na filosofia de vida correspondem àquelas relacionadas ao novo significado atribuído à maneira de pensar sobre a vida, decorrente da experiência de conviver com a hemodiálise. Sendo assim, a experiência de estar doente, preso em uma máquina e sem possibilidades de cura faz com que a ressignificação de suas vidas esteja relacionada a modificações nos valores pessoais e consequentemente na sua visão de mundo.
A ressignificação da vida implica em um processo de subjetivação, no qual o ser humano que vivencia uma doença passa a apropriar-se dela e a operar um reordenamento na sua vida. A introdução da nova concepção no modo de viver, como resposta à doença, exige que a pessoa se situe no novo contexto existencial com mudanças de valores e atitudes.19
O bem-estar espiritual vem sendo considerado como mais uma dimensão da condição humana, de acordo com as grandezas corporais, psíquicas e sociais tendo como instrumento de mensuração, o componente vertical religioso (bem estar em relação a Deus) e o componente horizontal existencial (sentido de propósito e satisfação pela vida).84 As necessidades espirituais sustentam o bem estar espiritual. Suas variáveis motivam o ser humano à procura de significado e o propósito na vida. Estimulam, animam e revigoram na esperança de alcançar o sucesso do tratamento, que seria o transplante.
(...) “A força que eu preciso só vem de Deus mesmo. Só ele que me fortalece. Apesar deu não ser uma pessoa religiosa, de não ser evangélica, de não ser católica, de não ser espírita, mas a minha confiança em Deus sempre vai prevalecer independente de qualquer religião.”L5
(...) Eu espero um tanto que Deus entre com providência, ou ele possa vir abençoar que eu venha fazer o transplante, ele tem várias formas de trabalhar, através do transplante, através de até da cura... Deus sabe como trabalha na vida da gente, então eu espero, então eu espero o agir dele na minha vida. P16 (...) Ah!Eu espero um resultado bom, mais uma chance de vida. Criar meus filhos, trabalhar e ter uma vida normal. sou evangélica e acima de tudo e de todos, tenho
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Deus na minha vida né, eu creio que ele e o médico dos médicos e ele pode todas as coisas. P15
(...) Pra mim, Deus acima de tudo. Sempre acompanhando dentro da igreja, trabalhando. Sou católico, ha tempos eu não perdia uma missa, perdi semana passada por cansaço, mas convivo muito bem com a minha espiritualidade, acredito, creio, tenho muita fé. P9
A necessidade espiritual representada na fé em Deus cria uma ligação positiva entre o ser humano e a divindade. Nesse aspecto a presença da fé na força de Deus impulsiona o indivíduo para a superação de doenças e crises existenciais, pois quando ele não encontra respostas na ciência, ele busca nas crenças religiosas e na espiritualidade a compreensão do fenômeno vivenciado.23
Independente de religiões, a espiritualidade estabelece uma relação positiva para cada paciente, pois através da fé depositada e a prática de suas crenças funcionam como tentativa de superar e aceitar a situação vivenciada. As diversas crenças e fé apresentadas, e de como elas se desenvolvem, mesmo em religiões diferentes, são os resultados de como a espiritualidade atua na vida dessas pessoas.
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9 SENTIDO DA VIDA PARA OS PACIENTES EM HEMODIÁLISE
Ao longo da existência, o homem busca construir sentido para sua razão de ser e de estar no mundo. No decorrer da vida vai tomando consciência de sua singularidade e condição diferenciada em que se encontra e, cada vez mais, desenvolve meios para afirmar sua presença no mundo e dar sentido a sua vida. O ser Humano na sua mais íntima essência procura entender a vida e encontrar um sentido duradouro para a sua existência. A busca do sentido da vida é sua principal fonte motivadora para que viva com todas as suas forças.
Os entrevistados realizaram seus questionários no turno da manhã e/ou da tarde. Eles responderam de maneira livre sem qualquer intervenção do entrevistador. O questionário de perguntas foi aplicado em horário diferentes das entrevistas.
Compreendendo o sentido da minha vida
De acordo com a análise descritiva dos dados, observou-se que dez participantes (50%) responderam que achavam absolutamente verdadeiro, quatro deles (20%) - responderam geralmente verdadeiro, mais quatro (20%), responderam nem verdadeiro e nem falso e (10%) responderam parcialmente verdadeiro. Essa pequena amostragem já nos dá a dimensão de como a doença renal interfere nas percepções de vivência dos pacientes e como eles acreditam que ainda há um sentido de vida para eles. Justificando a primeira pergunta temos a fala abaixo:
(...) Fiquei triste chateado, achei que não tinha mais chance de vida, cheguei para o dr e disse: dr. Nao vou fazer não! Vou morrer, mas não faço! Aí depois comecei a entender porque eu estava todo cheio de problema de saúde, todo inchado, cansado e aí resolvi aceitar. P9
Eu estou em busca de algo que faça com que minha vida tenha sentido?
Analisando a segunda pergunta do questionário, chegaram-se as seguintes conclusões: seis participantes (30%) responderam que achavam absolutamente verdade, outros seis (30%), responderam geralmente verdadeiro, (15%) responderam nem verdadeiro e nem falso (15%) responderam parcialmente verdadeiro e (10%) responderam como totalmente falso.
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Continuando a análise descritiva observou-se que mesmo com as dificuldades que a doença demonstra, os pacientes ainda sentem a esperança de uma possível cura. O questionário aponta de maneira positiva para a análise das respostas.
“(...) é difícil de aceitar ir fazer. Mas como eu não tenho opção, tenho que ir...passei a pensar mais no meu filho, e a me cuidar melhor, porque penso que não sei quanto tempo vou estar aqui” P18
Buscar uma direção, um sentido, com investimento de sua capacidade, talento e desejos é algo no qual o faz acreditar que tenha um fim justificável para si, que não seja apenas algo que lhe proporcione um prazer temporário.
Como buscar o sentido da minha vida?
Na análise descritiva a seguir, a terceira pergunta do questionário, chegaram-se as seguintes conclusões: sete participantes (35%) responderam que achavam absolutamente verdade a pergunta, outros três (15%), responderam geralmente verdadeiro, (10%) responderam nem verdadeiro e nem falso (10%) responderam parcialmente verdadeiro, (10%) responderam como parcialmente falso, (10%) como geralmente falso e (10%) totalmente falso. Isso implica que de maneira neutra eles ficam indecisos em relação ao que buscam. Na perspectiva do paciente que se encontra em uma unidade de hemodiálise, no centro do seu existir e na sua singularidade, os mesmos se colocam frente a sua realidade como ser no mundo vivenciando situações que podem ser compreendidos ou não.
(...) Sempre penso e tenho esperança de que tudo vai dar certo, que eles vão me chamar logo pra fazer o transplante P18.
Minha vida tem um sentido claro, mas não concreto!
Analisando a quarta pergunta do questionário, chegaram-se as seguintes conclusões: sete participantes (35%) responderam que achavam absolutamente verdade a pergunta, outros três (15%), responderam geralmente verdadeiro, (25%) responderam nem verdadeiro
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e nem falso (10%) responderam parcialmente verdadeiro, (10%) responderam como parcialmente falso, e (10%) como geralmente falso.
É possível identificar através dos relatos que os participantes encontram sentido ou vão a busca dele frente à situação irreversível de ter uma doença estigmatizante como essa. Ao avaliarem a experiência da vivência com a doença, descobrem sentidos para sua vida que são guias para serem livres e responsáveis pela sua existência.
Eu acredito no que faz minha vida ter sentido
Analisando a quinta pergunta do questionário, chegaram-se as seguintes conclusões: sete participantes (35%) responderam que achavam absolutamente verdade a pergunta, outros três (15%), responderam geralmente verdadeiro, (10%) responderam nem verdadeiro e nem falso (25%) responderam parcialmente verdadeiro e (15%) responderam como parcialmente falso. Mesmo com tantas dificuldades vividas, o paciente ainda luta para conseguir um sentido para a sua vida. Busca na família, na espiritualidade a força para recomeçar.
(...) “A força que eu preciso só vem de Deus mesmo. Só ele que me fortalece. Apesar deu não ser uma pessoa religiosa, de não ser evangélica, de não ser católica, de não ser espírita, mas a minha confiança em Deus sempre vai prevalecer independente de qualquer religião.” L5
Eu descobri um sentido de vida satisfatório, minha família!
Analisando gráfico 6, chegaram-se as seguintes conclusões: Os entrevistados realizaram seus questionários no turno da manhã e/ou da tarde. Destarte, dez participantes (50%) responderam que achavam absolutamente verdadeiro a pergunta, quatro deles (20%), responderam geralmente verdadeiro, (20%) responderam nem verdadeiro e nem falso e (10%) responderam parcialmente verdadeiro. E todos os momentos os gráficos apontam de forma positiva, a perspectiva de melhora desses pacientes. Com toda a dificuldade da enfermidade, eles ainda encontram força para continuar.
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(...) minha família me ajuda, me dá muita força, participa de tudo comigo, minha esposa é fantástica, ela me ajuda muito, me dá muito apoio, ela adaptou tudo em casa, fez até um cardápio muito bom para mim...P12
(...) Eu tenho um marido maravilhoso, tenho um filho muito bom e tem a parte das pessoas que trabalham aqui que me ajudam muito. P5
Buscar por algo que faça com que minha vida seja significante
Em seguida, analisando o gráfico 7, percebemos que (10%) dos participantes responderam que achavam absolutamente verdadeiro a pergunta, (15%) deles responderam geralmente verdadeiro, (10%) responderam nem verdadeiro e nem falso e (10%) responderam parcialmente verdadeiro, (15%) parcialmente falso e (25%) como totalmente falso.
Qual será a missão para minha vida?
Dentre os participantes entrevistados, (45%) responderam que achavam absolutamente verdadeiro, (0%) responderam geralmente verdadeiro, (25%) responderam nem verdadeiro e nem falso, (10%) responderam parcialmente verdadeiro, (10%) como geralmente falso e (10%) como totalmente falso. O ser humano, quando não encontra sentido para viver e como uma forma de substituir essa perda do sentido atribui a vivencia como uma missão ou prova que se está premeditada a passar.
“Não sei o significado de eu estar vivenciando isso. Um sentido eu sei que tem, mas o porquê eu ainda não entendo. Pode ser que eu entenda lá na frente o porquê!”P18
Qual será o propósito claro para minha vida?
Analisando a penúltima pergunta do questionário, os participantes entrevistados, (45%) responderam que achavam absolutamente verdadeiro, (0%) responderam geralmente verdadeiro, (25%) responderam nem verdadeiro e nem falso, (10%) responderam parcialmente verdadeiro, (10%) como geralmente falso e (10%) como totalmente falso,
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como consta o Gráfico .Um paciente se depara com um vazio existencial, quando sofre alguma frustração ou descobre uma doença na qual muda todo o cenário da vida, forma a esquecer de toda sua singularidade. Esse vazio é caracterizado como uma frustração existencial significando o predomínio da sensação da perda do sentido da existência e do conteúdo de vida.
Eu vou encontrar um sentido em minha vida?
E por ultimo, os participantes entrevistados, (45%) responderam que achavam absolutamente verdadeiro, (0%) responderam geralmente verdadeiro, (25%) responderam nem verdadeiro e nem falso, (10%) responderam parcialmente verdadeiro, (10%) como geralmente falso e (10%) como totalmente falso, como consta o gráfico 10.
Durante a aplicação dos questionários nesse trabalho, os pacientes ficaram a vontade para relatar sobre o sentido da vida, a espiritualidade, porém o avaliador sempre conduziu as perguntas dentro dos seus limites, sendo unânimes, sem que houvesse indução das suas próprias opiniões. A maioria das pessoas tem opiniões sobre o tema. É fácil deslizar, por um lado, para um ceticismo intolerante e uma negação dogmática ou, por outro, para uma aceitação inocente das afirmações pouco fundamentadas a respeito do sentido da vida.
A partir dos dados coletados por meio do formulário, pode-se chegar a algumas conclusões sobre a amostra pesquisada. Dentre essas, que a maior parte dos pacientes acreditam que a vida tem algum sentido, mas que em contrapartida ele procuram entender qual é o sentido da vida deles.
Apesar de acreditarem em algo superior, na religiosidade e na espiritualidade, suas convicções entram em dúvidas, quando a maioria deles respondem que estão procurando um sentido e um significado em sua vida e que sua vida não tem um propósito claro.
Finalmente, o estudo permitiu-nos compreender a dinâmica que envolve a experiência perceptiva, a qual nos revela que a construção do conhecimento é uma experiência infindável, e que os fenômenos nunca se desvelam em si por inteiro, não sendo possível alcançar todas as suas perspectivas. Assim, caso continuássemos nos aprofundando na compreensão das descrições sob a ótica da fenomenologia, certamente emergiriam outras ambiguidades, conduzindo-nos a outras reflexões.
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10 GRUPO DE APOIO COMO CAMPO DE POSSIBILIDADE DE TECNOLOGIA RELACIONAL: O PRODUTO
Como grandes desafios aos enfermeiros, na tentativa de manter o equilíbrio entre a dimensão objetiva e subjetiva do cuidado de enfermagem mediado pela tecnologia, a dimensão objetiva abarca a aplicação de saberes estruturados e diz respeito à manipulação das máquinas e interpretação das informações oriundas dessas de tal forma a direcionar as ações, enquanto a subjetiva ganha força a partir de toda a expressividade do cuidar.94
Desta maneira, ao se pensar nestas tecnologias a partir do marco conceitual da enfermagem fundamental, lançam-se novas possibilidades de olhar esta questão. Então, sob esta ótica, levanta-se o pressuposto de que as tecnologias constituem um recurso que possibilita a prestação dos cuidados básicos de enfermagem, e que à luz dos conceitos que sustentam a Enfermagem Fundamental se aproximam, em si e por si, da ideia de humanização, no sentido de atender às necessidades do cliente, numa perspectiva integradora e de qualidade.93
A tecnologia relacional como subsidio para criação do grupo de apoio, acarretará num impacto profissional para a enfermagem, demonstrando o diferencial no tratamento desse paciente, fornecendo um cuidado humanizado através da tecnologia, que fará grande diferença no tratamento. Mesmo sendo algo novo, a possibilidade do novo desafio proporcionará mais autonomia e motivação para o profissional em promover qualidade de vida e atendimento para essa clientela.
O uso da tecnologia no cuidado facilita o trabalho do enfermeiro, na medida em que agiliza, traz maior precisão e rapidez nas ações, propicia um maior tempo para a equipe de enfermagem se dedicar ao cuidado, melhorando a qualidade da assistência. Uma vez que a tecnologia poupa tempo e possibilita maior aproximação do cliente.93
As tecnologias não são um fim e, sim, um meio para o enfermeiro prestar um cuidado humanizado, que garanta melhoria da qualidade de vida do sujeito. Para isto, esse profissional tem que estar comprometido com a sua prática, buscando aprimorar constantemente seus conhecimentos para atuar da promoção, proteção e manutenção da saúde até a reabilitação.94
As tecnologias relacionais (tecnologias leves) precisam ser absorvidas pelos estabelecimentos assistenciais de saúde para que possam contribuir para a mudança do
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modelo hegemônico médico neoliberal. Este modelo tem fragmentado o objeto de trabalho em saúde e, por conseguinte, fortalecido a divisão do trabalho, sem que haja o diálogo entre os diferentes profissionais envolvidos e, em especial, sem que o próprio usuário de saúde seja partícipe deste processo.95
As tecnologias duras e leve-duras fazem parte do cotidiano do trabalho em saúde; entretanto, elas não podem sobrepor-se às tecnologias leves (relacionais). Assim, percebemos uma urgência em qualificar os trabalhadores de saúde, na perspectiva de que estes compreendam e utilizem estas tecnologias, para que a humanização da atenção à saúde efetive-se, de fato, em todas as instituições de saúde brasileiras.95
Portanto, a tecnologia dá meios para que o enfermeiro consiga se dedicar também aos aspectos expressivos do cuidado, estabelecendo uma comunicação e interação efetiva com o cliente. Assim, apesar de diversas publicações salientarem que as enfermeiras estão voltadas para o atendimento das demandas do maquinário, existem em contrapartida outras sinalizando que as necessidades psicossociais e psicoespirituais também são atendidas por estas, principalmente quanto ao caráter relacional do cuidado e apoio à família do cliente.85
Na perspectiva do cuidado centrado à família, o grupo de apoio como modalidade de tecnologia relacional, será aplicado como estratégia de cuidado por profissionais. O intuito é dar oportunidade a esses pacientes de serem ouvidos e terem suas dúvidas e expectativas esclarecidas, além do compartilhamento de experiências. O produto proposto para o estudo será construído a partir da interpretação do fenômeno da pesquisa, portanto, por base nas percepções dos participantes da pesquisa acerca da insuficiência renal crônica.
Como proposta de produto uma ferramenta dinâmica, incentivadora e alimentadora da oferta e da troca informacional. A ideia central será a construção de um Grupo de apoio com a equipe interdisciplinar, pacientes e familiares, descrevendo todas as etapas do tratamento e suas fases, mensagens de acolhimento e autoestima, dinâmicas em grupo e cursos como tecnologia relacional.
Dessa maneira, o produto proposto oferecerá apoio psicológico e saber científico, tudo de maneira fácil e acolhedora. Mas, para colocá-lo em prática, se faz necessário inicialmente ter em mente a premissa da consulta de enfermagem para apresentação do produto.
De acordo com as finalidades e características a que se propõe um grupo, o mesmo pode ser catalogado em operativos e terapêuticos. Os grupos operativos têm como objetivo
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esclarecer temas, situações, tarefas e auxílio em sua realização, proporcionando assim algum aprendizado que favoreça o progresso daquelas pessoas, individualmente ou como equipe.64 Pacientes relatam durante a entrevista, suas tristezas por terem que parar de trabalhar, limitação das atividades diárias e o impacto financeiro que a doença trouxe. Pensando nisso, o grupo trará como proposta um espaço para cursos de artesanato, para que os pacientes possam desenvolver suas habilidades e aprendendo formas de ter outra possibilidade de renda.
O grupo terá também uma vez no mês um evento cultural temático, para que os pacientes possam mostrar suas habilidades, como danças, histórias e proporcionar um momento de descontração e alegria. Tendo o acolhimento como grande diferencial no tratamento e sendo o primordial como tecnologia relacional, o Grupo de Apoio Juntos Viveremos se propõem a receber os novos pacientes e seus acompanhantes, com escuta ativa, compartilhando conhecimentos e ações solidárias, sempre com o suporte psicológico.
O objetivo é preservar em nossos pacientes a autoestima, a qualidade, o amor e o respeito à vida. Para tanto, realizaremos oficinas de comunicação e relacionamento, após a seção de hemodiálise, visando otimizar o tempo do paciente na instituição. Nas proveitosas entrevistas nasceram ideias surpreendentes, tais como: oficinas de artesanatos, Oficina Fio a Fio, Oficina de Fuxico, Fotos em Retalho, confecção de produtos com jornal entre outros. Além disso, incentivaremos cada um de nossos pacientes a ser protagonista do seu próprio destino. Ao invés de se tornarem vítimas das circunstâncias, colocarão a mão na massa e criarão lindos objetos de artesanato para serem comercializados em um futuro Bazar da Gratidão. Realizaremos outros tipos de apoio como suporte psicológico, fisioterapia, orientações e oportunidades para os pacientes e familiares esporem suas ideias.
Os grupos de apoio são reuniões organizadas por pessoas que passam por situações parecidas em suas vidas. Um grande ganho em participar deste tipo de encontro é poder se espelhar em pessoas que já tiveram sucesso enfrentando as mesmas dificuldades, além de poder compartilhar suas experiências, medos e ansiedades. Os grupos de apoio podem ser mistos entre pacientes e familiares, ou focados em um ou outro atendimento. Embora falar dos nossos problemas não garanta que possamos resolvê-los, falar de nossa ansiedade e angústia muitas vezes nos torna mais leves, e principalmente mais conscientes sobre o que