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A política de EAD do Sistema Universidade Aberta do Brasil 32 

O Sistema UAB, institucionalizado pelo Decreto-Lei nº 5.800/06 (BRASIL, 2006c), vem protagonizando uma das principais políticas do governo brasileiro para a formação de professores da educação básica. Na tabela 2, temos a relação de oferta e demanda que a institucionalização do Plano Nacional de Formação de Professores da Rede Básica (PNFPRB) traz às IPES dos Estados do Nordeste, em especial à UFAL (BRASIL, 2009i; BRASIL, 2009l; BRASIL, 2009b; CAPES, 2009b; UFAL 2009c) com relação a criação de novas vagas. As IPES englobam as instituições federais e estaduais, contudo para efeito comparativo restringimos a comparação apenas entre as universidades federais.

Tabela 2 - Ofertas de cursos por Estado comparando as IPES do Nordeste: novas vagas entre o período de 2009 - 2011.

UF IES Nº Cursos Nº Turmas Modalidade Δ % Δ ∑ Δ ∑ Δt AL UFAL 12 53 A distância - 53 100% 10490 10490 BA UFBA 8 9 Presencial - 13 100% 1350 2550 UFRB 4 4 1200 CE UFC 7 80 A distância - 80 100% 3750 3750 MA UFMA 14 150 A distância - 69 46% 13282 28874 Presencial - 81 54% 15592 PB UFCG 11 11 Presencial - 11 100% 460 2911 UFPB 6 59 A distância - 59 100% 2451 PE UFPE 10 15 A distância - 7 46,70% 929 1990 Presencial - 8 53,30% 1061 UFRPE 9 83 A distância - 74 89,20% 8329 9338 Presencial - 9 10,80% 1009 UNIVASF 11 69 A distância - 64 92,80% 3870 4170 Presencial - 5 7,20% 300 PI UFPI 24 116 A distância - 47 40,50% 4400 10864 Presencial - 69 59,50% 6464 RN UFERSA 5 16 A distância - 8 50% 475 950 Presencial - 8 50% 475 UFRN 17 69 A distância - 48 69,60% 1205 1731 Presencial - 21 30,40% 526 SE UFSE 13 122 A distância - 122 100% 9280 9280 TOTAL 151 856 A distância - 631 73,7% 58461 86.898 Presencial - 255 26,3% 28437 Fonte: O Autor (2011). Adaptado de BRASIL (2009i). ∑ (Soma); Δ (Vagas); Δt (Vagas totais)

A tabela 2 mostra que a UFAL ficou com a demanda de criação de 10.490 novas vagas na modalidade a distância para o Estado de Alagoas, o que representa aproximadamente 48% do total geral de 21.940 novas vagas que devem ser criadas no período de 2009 a 2011 em todo o Estado de Alagoas. As 11.450 novas vagas restantes do total de 21.940 novas vagas correspondem aproximadamente a 51%, percentual divido entre as outras IPES do Estado de Alagoas nas seguintes proporções aproximadas: Universidade Estadual de Alagoas (Uneal), 7.200 novas vagas (33%); Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (Unicisal); 1150 novas vagas (5%) e Instituto Federal de Alagoas (IFAL), 3.100 novas vagas (14%).

Outra informação extraída da tabela 2 é que o debate em relação à formação de professores estimulada por Haddad F. (2006) está em plena implantação, pois a criação de novos cursos e, consequentemente, a ampliação de novas vagas foi uma realidade em 2010 e o PNFPRB pode ser considerado uma das várias políticas de EAD implementadas no Brasil decorrentes do plano de ação articulada (PAR), o qual apresentou a seguinte necessidade:

formar professores brasileiros que atuem no ensino fundamental e no médio. Uma das tarefas da UAB é oferecer a formação, com qualidade, em cidades e regiões que apresentem carência.

Pela previsão de Carlos Bielschowsky, em dois mil e nove, o Sistema UAB começará com cem mil alunos. E chegará a duzentos mil em dois mil e dez. Esse contingente seria composto por professores da educação básica em processo de formação continuada e por jovens egressos do ensino médio, entre outros. (BRASIL, 2009h, p.1)

Das universidades federais da região Nordeste, constata-se que as de Alagoas, Maranhão, Pernambuco e Sergipe são as que apresentam as maiores ofertas de formação na modalidade a distância para atender à demanda do PNFPRB. As universidades federais citadas na tabela 2 ainda devem atender à demanda anual de oferta de vagas e, particularmente, a UFAL conta com um quadro de professores e técnicos com formação específica para trabalharem na oferta de cursos para a modalidade a distância ainda pouco adequado à quantidade de vagas oficialmente acordadas entre o MEC e a IPES porque, embora o governo federal amplie a quantidade de vagas para o ensino superior na modalidade a distância, o mesmo não realiza contratação de funcionários na mesma proporção para atender a essa demanda, sobrecarregando os profissionais que atualmente estão no exercício de suas atividades.

A relação quantidade de vagas oferecidas para formação superior versus contratação de funcionários públicos para atender a demanda da vaga gerada necessita que seja mais equitativa, pois a educação, independentemente de sua modalidade, deve ser prioridade para um país que deseja alcançar o status de desenvolvido. A formação de profissionais da educação capacitados para suprir a demanda decorrente dessa expansão é condição intrínseca à formação de cidadãos capazes de atender às demandas da sociedade atual, e conhecer o perfil desse aluno é essencial à garantia da qualidade do seu processo formativo.

No total apresentado na tabela 2, apenas considerando a região Nordeste, 86.898 novas vagas serão ofertadas na modalidade a distância para atender à demanda do PAR. No caso de Alagoas, existe uma previsão de ofertar 10.490 novas vagas a partir de 2009 e essa oferta deve acontecer no prazo de sete anos, conforme cláusula quarta do capítulo que se refere ao prazo de vigência do Acordo de Cooperação para a formação superior de professores da rede básica de Alagoas (CAPES, 2009b, p. 3), pois, segundo dados do referido plano, foram criadas mais de 58.000 novas vagas no ensino superior só na EAD. Em específico na região Nordeste, considerando-se apenas as IFES, esse número apresentará um aumento significativo. Se realizarmos a contabilidade de todo o PNFPRB, verificaremos a aproximação

ou a superação dessa meta de 100 mil novas vagas, conforme a intenção do governo de nos próximos cinco anos formar aproximadamente 330 mil professores da rede básica (CAPES, 2009c). Isso implica identificar melhor quais as reais demandas e desafios que esse sujeito em formação, especialmente em Alagoas, necessita para realizar seus estudos na modalidade a distância, embora exista também a opção de demanda social6 disponível no Sistema UAB, não sendo suas vagas disponíveis apenas à formação de professores já em exercício.

Constatar as especificidades sociais, culturais, pedagógicas e tecnológicas que a educação considera é incluir no conjunto de agendas, políticas, programas, projetos, planos e ações de Estado/governamentais, as condições indispensáveis à promoção de uma formação superior com qualidade. Esta constatação contribuirá para a identificação dos desafios e das possibilidades às quais a educação, em especial a superior, necessita se adequar para atender às especificidades da sociedade atual.

A educação estabelece as bases de formação para tornar o Brasil mais competitivo no cenário internacional, pois um dos diferenciais competitivos que um país atualmente dispõe passa pela apropriação do conhecimento e de habilidades que o domínio tecnológico possibilita (BUCCI, 2006).

A institucionalização da modalidade a distância e a criação do Sistema UAB são resultados das ações governamentais que culminaram em 2005, após muitas iniciativas e confrontos de idéias, na publicação do Edital 1 (CAPES, 2005) disponibilizado pelo MEC por meio da Secretaria de Educação a Distância (SEED), como afirma Costa e Pimentel (2009). O Edital 1 foi dividido em duas etapas. A primeira solicitava às prefeituras municipais e aos governos estaduais a inscrição de projetos que apresentassem as condições mínimas para que pudessem implantar os pólos de apoio presencial. A segunda etapa convidava 76 IFES a apresentarem suas ofertas de propostas de cursos na modalidade a distância, tendo a UFAL também participado desse edital, que culminou com a oferta dos cursos de Pedagogia, Física, Matemática e Sistema de Informação a distância.

O Edital de lançamento da UAB (CAPES, 2005), que define a fonte de financiamento do sistema, é um dos elementos que contribuem para identificar se o Sistema UAB é uma política pública ou política social de Estado ou de governo. Como resultado da parceria, o MEC ficou

6 “Acesso de qualquer candidato que atenda aos pré-requisitos do curso e tenha sido aprovado em processo seletivo organizado pela instituição de ensino ofertante” (CAPES, 2007).

com a responsabilidade pelo financiamento integral dos cursos ofertados. Essa afirmação, analisada isoladamente do contexto da procedência dos recursos destinados à educação, se exclusivamente de tributos ou captação de investimento externo junto aos organismos internacionais, leva-nos a afirmar que se trata de uma política de Estado, mas devemos ser criteriosos com essa análise, conforme abordagem teórica apresentada por Fagnani (2007) e Haddad S. (2008), os quais comprovam a existência de financiamento externo à educação brasileira, oriundo de organismos internacionais, como o Banco Mundial e o Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento. Em contrapartida, os Estados e municípios se responsabilizam pela implementação e o custeio dos pólos de apoio presencial de acordo com sua institucionalização, se estadual ou municipal.

Respondendo a uma das questões iniciais deste capítulo sobre o tipo de política que seria o Sistema UAB, este é oficialmente um programa do governo federal, com financiamento definido no ato de sua institucionalização e que conta com a parceria de Estados e municípios. Segundo Souza (2007) e Bucci (2006) uma política social caracteriza-se por: a) atuar nas áreas da gestão de serviços sociais, dentre as quais a educação; b) apresenta como foco a resolução de problemas de uma determinada área; c) objetiva os resultados da implementação dessa política; d) apresenta garantias normativas e/ou legais que garantam sua continuidade quando da mudança de governo, como consequência de concepções políticas e ideológicas distintas daquelas do governo anterior; e e) pode receber financiamento externo.

O Sistema UAB está contido na área da educação, mas, de acordo com Fagnani (2007) e Haddad S. (2008) a educação no Brasil é financiada por organismos internacionais; portanto, a fonte de financiamento do Sistema UAB não é exclusivamente pública. O principal foco do Sistema UAB é resolver o problema da formação, acesso e democratização do ensino superior ofertado à população por meio dos cursos de bacharelado e licenciatura; dentre todos os objetivos que o Sistema UAB busca implementar, é prioridade a oferta de cursos de licenciatura e de formação inicial e continuada de professores da educação básica. Os resultados esperados pela implementação dessa política de EAD são formar professores para atuarem na educação básica, expandir a oferta de ingresso no ensino superior por parte da população localizada distante dos grandes centros urbanos e ampliar o acesso à educação superior pública. Não identificamos nenhum pressuposto normativo e/ou legal que permita afirmar que o Sistema UAB seja uma política pública; essa possibilidade, em si, demonstra a fragilidade de uma política social de governo, diferentemente do que ocorreria com uma

política pública de Estado, embora tenhamos consciência de que, devido ao tamanho e à rede de colaboração já construída entre as instituições e sujeitos envolvidos nesse programa, a sua descontinuidade é, na prática, apenas utópica.

Segundo Souza (2007, p. 67), os pressupostos analíticos das políticas públicas referem-se à “atuação ou omissão do governo em países democraticamente estáveis”. A análise dos pressupostos recai em estudos sistematizados das ações governamentais, os quais são realizados por “pesquisadores independentes”, que Souza (2007, p. 74) denomina como participantes invisíveis, responsáveis por formularem cientificamente as políticas, embora na maioria das vezes o que a academia entende ser a melhor opção de política pública ou social está muito distante dos objetivos que os policy makers ou decisores políticos têm como prioridade. Em geral, apesar de serem os representantes legais de determinado grupo social, tais decisores definem as políticas baseados nos seus princípios pessoais quando deveriam buscar a impessoalidade nas decisões políticas ao responderem às perguntas “como?” e “por que?” e/ou “fazer ou deixar de fazer?”. Essa realidade brasileira é o que nos leva a constatar como as políticas são formuladas.