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2 O PERFIL DO ALUNO DA EAD NO ENSINO SUPERIOR 53 

2.2 Quem é o aluno da EAD no ensino superior 54 

O aluno que faz sua opção de estudo superior por meio da EAD se diferencia teoricamente do aluno presencial em alguns aspectos, como a flexibilidade de tempo e espaço que o AVA

10 Ação educativa que responsabiliza o indivíduo pelo sucesso ou o fracasso no ensino/aprendizagem resultante do discurso descontextualizado da autonomia e flexibilidade que o entendimento equivocado da modalidade a distância proporciona.

proporciona, pois esse deve possuir as características favoráveis à sala de aula virtual, como uma boa capacidade de se comunicar pela escrita, bem como aceitar o pensamento crítico, além de tomar decisões durante o processo de aprendizagem.

Em entrevista à Folha Online (2004), o então presidente da Associação Brasileira de Educação a Distância (ABED), Frederic Michael Litto, afirmou que a modalidade a distância "não é para todos", pois, ao ingressar nessa modalidade de estudo11, o aluno deve ter em mente que ele deve possuir certa autonomia e que seja capaz de cumprir prazos, bem como esse aluno deve sentir-se confortável nas interações desenvolvidas por meio do AVA. Outros estudiosos nacionais, como Mantovani, Schiel e Barreiro (2002), Florêncio (2003), Palhares (2009) e Del Bianco (2009), e internacionais, como Palloff e Pratt (2004) e Aretio (2006 e 2007), também defendem que estudar na EAD é uma questão de opção ou escolha do aluno. Discordamos desse entendimento, pois no caso do Brasil a modalidade a distância não é uma questão de opção ou escolha, porque na maioria das vezes, principalmente no Sistema UAB, é a única condição que se apresenta como realidade àquele que deseja realizar sua formação no ensino superior e reside distante dos grandes centros urbanos do nosso país.

A afirmação de que a EAD “não é para todos” contradiz o art. 1º inciso IV do Decreto 5.800/06 que institui o Sistema UAB, o qual estabelece a ampliação do acesso à educação superior pública a partir da ampliação de vagas e cursos a distância. A afirmação “não é para todos” traz a idéia intrínseca de exclusão oriunda da visão tecnicista e empresarial da EAD, preconizada em grande parte pelo setor privado. Essa opção não é compartilhada em sua totalidade pelo setor público que defende a EAD e preconiza a inclusão social por meio da educação.

Teóricos como Palloff e Pratt (2004), Illinois (2000), Filatro (2004, 2008 e 2009), Belloni (2008) expressam em seus estudos um perfil esperado de aluno que estuda na modalidade a distância. Para Medeiros e Faria (2003, p. 263), "o conhecimento do perfil do usuário [sujeito pedagógico] é importante na tomada de decisões" no âmbito da EAD. Para Aretio (2006), a EAD é diversificada na sua modalidade (semipresencial, online), assim como o perfil do aluno que está nessa modalidade educacional também é diverso. Esclarecemos que não consideramos uma questão de opção ou escolha, então, qual é o perfil do aluno que ingressa no Sistema UAB/UFAL?

11 Ressalvamos que a EAD é uma modalidade educacional (BRASIL, 2005b), embora Frederic Michael Litto presidente da ABED, associação privada, a denomine como modalidade de estudo.

Para responder a esta questão, primeiramente apresentaremos os pressupostos teóricos que conceituam o que é reconhecido como perfil do aluno da EAD e em seguida apresentaremos as categorias de análise que nortearão nosso estudo na busca por esta resposta. Essa resposta contribuirá para uma melhor definição de políticas de EAD e a reformulação de estratégias pedagógicas, materiais didáticos, ferramentas de interação e abordagens de ensino mais apropriadas ao aluno que realiza sua formação superior nessa modalidade.

A compreensão das características que identificam o sujeito pedagógico da EAD são necessárias para adequar a proposta do curso que realiza às necessidades acadêmicas, intelectuais e didático-pedagógicas que lhes são apresentadas, possibilitando, a partir dessa identificação, um maior e melhor desenvolvimento de seu processo formativo propiciado pela IPES que implementa uma proposta de educacional seguindo pressupostos e definições estabelecidos pelo governo brasileiro.

Silva (2003, p. 478) afirma que "o foco do processo de ensino-aprendizagem deixa de se concentrar no professor e passa para o aluno". Nesse sentido, Moran (2008, p. 1), ao comentar sobre a modalidade a distância em seu modelo semipresencial ou online, afirma que a EAD “pressupõem modelos educacionais mais centrados nos alunos e na aprendizagem flexível pessoal e grupal”. Diante desse redirecionamento de paradigma do foco no professor para o aluno, Filatro (2004, p. 121) observa que a caracterização do perfil desse aluno deve avançar para além do “mero conhecer o público-alvo” e é esse avanço – ou não – que investigamos.

Para Palloff e Pratt (2004, p. 15), a “abordagem focada no aluno e autodirigida baseia-se na crença fundamental de que não podemos ensinar, mas apenas facilitar a aquisição do conhecimento”. Esta tendência traz desafios para o aluno da EAD, pois dele espera-se uma autonomia e amadurecimento para os quais nem sempre está preparado a assumir, devido ao processo de ensino-aprendizagem até então vivenciado por ele ser ainda predominantemente tradicional e focado no ditar-falar dos professores. Estudos como o de Palloff e Pratt (2004) apresentam uma constante preocupação com relação à mudança do paradigma da educação centrada no formador para aquela centrada no aluno, evidenciando a necessidade de se conhecer melhor quem é esse sujeito pedagógico.

Segundo Belloni (2008, p. 39), para melhor constatar quem é o aluno da EAD, é importante identificar e analisar algumas características que lhes são próprias.

As características fundamentais da sociedade contemporânea que mais têm impacto na educação são, pois, maior complexidade, mais tecnologia, compressão das relações de espaço e tempo. Trabalho mais responsabilizado, mais precário, com maior mobilidade, exigindo um trabalhador [aluno] multicompetente, multiqualificado, capaz de gerir situações de grupo, de se adaptar a situações novas, sempre pronto a aprender. Em suma, um trabalhador mais informado e autônomo.

Para ser aluno da EAD, o sujeito pedagógico deve ser multicompetente, multiqualificado e autônomo, conforme defende Belloni (2008). Contudo, a autora ressalta que é necessário ter cuidado para não excluir da oportunidade de cursar essa modalidade aqueles que não apresentarem tais características. A identificação do sujeito pedagógico distante dessa característica se faz necessária para que os professores possam atuar no acolhimento e preparação do aluno que não possui esse perfil, para que possamos incluí-lo no processo e nas necessidades que a sociedade contemporânea impõe.

Alertamos para que não se transforme o perfil desse aluno multicompetente, multiqualificado e autônomo como a única condição capaz de suprir as demandas de educação e trabalho da sociedade contemporânea, pois existem concepções diversas com relação às finalidade da educação. Um aluno que apresente essas características pessoais é ainda utópico no país e para a grande parte do mundo na primeira década do século XXI. Palloff e Pratt (2004) esclarecem que esse aluno ideal ainda está distante da maioria dos alunos que procuram a modalidade a distância para realizarem sua formação educacional. De qualquer forma, quando se pensa em características pessoais dos alunos, não se pode desconsiderar as condições efetivas que são dadas para que os mesmos possam desenvolvê-las. Assim, a “exigência” de um aluno multicompetente (assim como um trabalhador flexível e também multiqualificado) se dá num contexto de educação básica no qual as condições efetivas para a formação do sujeito capaz de refletir, analisar, estabelecer relações, se comunicar, entre outras, não se concretizam, possivelmente por falta de tempo, conforme constatado em pesquisa realizada pela UNB (BRASIL, 2009e), tendo como lócus o Sistema UAB/UNB. A pesquisa analisou os cursos pertencentes a esse sistema, contemplando a maioria dos pólos, tendo sido feita a aplicação de questionário antes do início das aulas, "durante os primeiros encontros presenciais realizados no mês de março de 2009" (BRASIL, 2009e).

A UNB aplicou 1450 questionários, dos quais foram respondidos 1070. Os dados apresentados mostram que mais de 60% dos alunos são do sexo feminino; 70% concentram-se nas faixas etárias entre 18 até 35 anos de idade; aproximadamente 18%, iniciaram

anteriormente uma graduação, mas não concluíram; 14,44% possuem o curso superior completo, 7,4% possui pós-graduação e, dentre esses, 0,65% possuem mestrado; com relação à formação no Ensino Médio, 82,91% responderam ter sido em escola pública, 13,6% em escolas particulares; aproximadamente 15% dos respondentes estavam sem estudar há mais de 11 anos; 42% trabalham período integral; 5% trabalham à noite; 55% trabalham 40 horas semanais ou mais; 51% atuam em instituição pública, com base nos dados publicados pela UNB não é possível determinar qual a função que esses respondentes exercem na instituição pública. Alertamos para a divergência nos seguintes dados apresentados pela UNB, pois não está claro como 62% dos respondentes da pesquisa da UNB não possuem renda e 72% informam desenvolver atividade remunerada. Para aqueles que desejam realizar futuras pesquisas, sugerimos a aplicação de algumas técnicas, como cruzamento de informações ou triangulações de respostas para minimizar esse tido de problema.

Ainda de acordo com os dados apresentados pela UNB, a renda mensal pessoal da maioria dos seus respondentes é de no máximo R$ 1.000,00, poucos entrevistados possuem renda maior que R$ 4.000,00; 70% informam possuir acesso à internet e computador e dentre os alunos que possuem acesso à internet e ao computador, 42% dispõem de internet banda larga. Os fatores motivacionais que levaram os alunos a realizarem sua formação na modalidade a distância tiveram a seguinte distribuição: 9,74% definiram a variável comodidade; 27,17% horário flexível de estudo; 15,07% falta de tempo para estudar regular e presencialmente; 18,19% falta de oportunidade de estudar presencialmente; 14,92% ausência de uma IES presencial na cidade em que reside; 13,09% concordância entre os planos pessoais e a proposta da UAB e 1,83% outros aspectos. Com relação ao tempo destinado para os estudos, a pesquisa mostrou que 6,54% estudam menos de 2h por semana; 37,91% entre 2h a 4h; 19,42% entre 4h a 8h; 14,85% entre 8 a 12h; 13,26% entre 12h a 20h; 6,26% acima de 20h e 1,77% não responderam a essa variável.

O estudo de Palloff e Pratt (2004) apresentou os seguintes resultados: a distribuição entre os sexos foi semelhante; 63% possuem mais de 30 anos e, com relação à satisfação em cursar a modalidade a distância em relação à presencial, 22,7% estão mais satisfeitos do que no ensino presencial; 47% informaram satisfação semelhante entre as modalidades; 30% sentem- se menos satisfeitos. Na publicação dos resultados do estudo realizado por Palloff e Pratt (2004) não encontramos evidências científicas que nos indicasse qual foi a metodologia

utilizada que os permitiu comparar a satisfação do aluno em cursar a modalidade a distância em relação à presencial.

Aretio (2006) desenvolveu uma pesquisa na década de 90 na Universidade Nacional de Educação a Distância (UNED), com uma abrangência internacional. Nessa pesquisa, o autor identificou que a maioria dos alunos da EAD é do sexo masculino; está entre 21 e 35 anos; é casada; trabalha em tempo integral e reside em regiões densamente povoadas; identificou que o nível de estudo em geral é superior à média da população, não deixando claro de qual nível está abordando, se o médio ou superior; os fatores motivacionais que levaram os alunos a realizarem sua formação na modalidade a distância tiveram a seguinte distribuição: a maioria elencou o horário flexível de estudo, a necessidade qualificação profissional e ter oportunidade de emprego como fatores importantes no momento da escolha da modalidade para realizar seus estudos. Com base nessas características, inferimos que os sujeitos pesquisados por Aretio (2006) buscavam muito mais uma qualificação profissional do que uma formação em nível de graduação.

Em 1999, Aretio (2007) identificou o perfil básico dos alunos da modalidade a distância da UNED, encontrando dados próximos à pesquisa anterior realizada por ele. A coleta dos dados aconteceu entre 1997 e 1998; o resultado obtido foi que 55% eram homens; 50% tinham entre 21 e 30 anos; 30% possuíam filhos e 68% trabalham mais de 20h semanais. Aretio (2006, p. 151), ao discutir sobre os alunos da EAD, afirma:

[...] el alumno a distancia es um individuo generalmente maduro com uma historia vivencial llena de experiencias, conocimientos, capacidades, hábitos, actitudes, conductas e interes en su proprio processo de formación, características éstas que condicionam, filtran y, previsiblemente, mejoran los futuros aprendizajes.12

Para Aretio (2006), trata-se de um aluno que tem uma experiência de vida maior e/ou diferenciada dos alunos presenciais, cuja contribuição para sua formação acadêmica é de grande valia. O reconhecimento do perfil do aluno da EAD, de suas características, foi muito além dos costumeiros perfis socioeconômicos muitas vezes encontrados em trabalhos de pesquisa de maneira geral e, particularmente, naqueles que estudam os alunos da EAD.

12 Tradução livre: “o aluno a distância é um indivíduo em geral maduro, com uma história de vida plena de experiências, conhecimentos, capacidades, hábitos, atitudes, condutas e interesses em seu próprio processo de formação, características essas que condicionam, filtram e, provavelmente, melhoram as futuras aprendizagens”.

Considerando que, em geral, os alunos da modalidade a distância são adultos, Aretio (2006) apresenta algumas generalizações, bastante amplas, com relação às características socioafetivas que os alunos nessa condição apresentam. As características socioafetivas traduzem aspectos objetivos (trabalho, tempo de dedicação aos estudos) relacionados a aspectos subjetivos (motivação, interesse) na construção da autoimagem desses sujeitos como alunos. As características são:

• os adultos fazem parte de um “grupo heterogêneo, considerando-os em relação aos alunos jovens;

• os interesses são diferentes dos demais alunos;

• têm mais motivação “espontânea, intensa, persistente” (ARETIO, 2006, p. 153) que os jovens para os estudos;

• os adultos se preocupam mais com os resultados escolares, pois não podem perder muito tempo e são mais responsáveis, pois em geral, o aluno trabalha;

• os adultos se sentem menos seguros e se afetam mais com as críticas e observações dos professores;

• enquanto um aluno jovem pode descansar, um aluno adulto tem que estudar, pois precisa conciliar trabalho e estudo13;

• as aprendizagens construídas por um jovem sofrem menos influências que as construídas por um adulto, em função de seus conhecimentos, experiências, os quais podem influenciar, de outro lado, resistências, tornando a aprendizagem mais complicada.

Essas características socioafetivas mostram aspectos favoráveis ao desenvolvimento dos estudos pelos alunos adultos, em particular na modalidade a distância, uma vez que a autonomia e a responsabilidade em relação aos estudos são características fundamentais na modalidade a distância.

Aretio (2006) afirma que os alunos da EAD muitas vezes buscam esses estudos para melhorarem seu status ou seu nível de conhecimento. No entanto, ao terminarem com êxito seus estudos, conseguem mudanças positivas, tanto do ponto de vista familiar e pessoal, quanto do ponto de vista profissional, social e econômico. Nesse sentido, quanto melhores forem as condições de desenvolvimento dos estudos, baseadas no perfil dos alunos,

13 Essa característica não se aplica tanto à nossa realidade, uma vez que no nosso país o aluno de situação socioeconômica menos favorecida, começa a trabalhar desde jovem ou mesmo ainda na adolescência.

possivelmente melhor êxito e maior repercussão na vida dos alunos os estudos na modalidade EAD significarão.

É preciso, no entanto, considerar características mais específicas no que se refere à participação no AVA. Nesse sentido, Palloff e Pratt (2004) apresentaram algumas características que o aluno da EAD precisa ter para que seja bem-sucedido nos seus estudos, conforme o quadro 5:

Quadro 5 - Características comuns do perfil do aluno da EAD apresentadas por Palloff e Pratt (2004)

Características

Os alunos de sucesso têm a mente aberta e compartilham detalhes sobre sua vida, trabalho e outras experiências educacionais14

O aluno precisa ter acesso a um computador e a um modem ou conexão de alta velocidade e saber usá-los O aluno deseja dedicar uma quantidade significativa de seu tempo semanal a seus estudos e não vê o curso como “a maneira mais leve e fácil” de obter créditos ou um diploma

Os alunos são, ou podem passar a ser, pessoas que pensam criticamente

A capacidade de refletir é outra qualidade fundamental para o aluno ser bem-sucedido nos estudos

O aluno acredita que a aprendizagem de alta qualidade pode acontecer em qualquer lugar e a qualquer momento Fonte: O Autor (2011). Adaptado de Palloff e Pratt (2004).

No quadro 5 identificamos algumas categorias que também utilizaremos neste estudo, como por exemplo: quantidade de horas dedicada para os estudos e para acessar o AVA; facilidade de acesso ao AVA; posse de um computador; e condição de acesso ao AVA, à Internet, à infraestrutura, a espaços administrativos e pedagógicos oferecidos pela IPES, dentre outras categorias de análise. A identificação de outras variáveis também é citada pela Universidade de Illinois (2000), como o fato de o aluno ser ou não “automotivado” e “autodisciplinado”; se tem disposição para se comunicar com os colegas e formadores em caso de dúvidas relacionadas ao seu processo de formação; se é ou não capaz de cumprir os requisitos mínimos para o programa de formação proposto e se o aluno se sente ou não capaz de se comunicar através da escrita.

Analisar as categorias apresentadas pelos teóricos citados possibilita inferir que quanto mais se conhece o perfil do aluno da EAD mais ajudará a aperfeiçoar e melhorar o desenvolvimento das etapas relacionadas à análise, ao desenvolvimento ou design, à implementação e à avaliação de um curso e materiais didáticos nesta modalidade, pois, segundo Filatro (2009, p.53),

14 Para Palloff e Pratt (2004) essa característica contribui para a construção das comunidades de aprendizagem online.

esse é o novo aluno, que tem consciência de todo o processo, é capaz de fazer suas escolhas e deixou de ser apenas um receptor passivo, pois ele sabe o que quer, o que precisa aprender e já tem uma experiência acumulada de aprendizagens anteriores.

As variáveis apresentadas servem não só como referências ao desenvolvimento de um design educacional mais adequado à realidade regional, como também no auxílio à formulação de políticas de EAD adequadas à realidade brasileira implementadas pelas IPES, por meio de seus instrumentos institucionais, que, por sua vez, devem considerar as demandas sociais.

No entanto, a perspectiva aqui apresentada é a da necessidade básica de se conhecer quem é o aluno da EAD, do Sistema UAB da UFAL, para que seja possível adequar e/ou criar condições infraestruturais, didático-pedagógicas, institucionais favoráveis a uma formação de qualidade. Aretio (2006), ao discutir questões como baixo rendimento, causas de evasão e fracasso dos alunos da modalidade a distância, apresenta três fatores multirreferenciais que serão considerados para a construção das categorias de análises utilizadas no nosso estudo, as quais contribuirão para identificar qual perfil de aluno tem sido considerado na formulação da política de educação implementada pelo Sistema UAB da UFAL:

• fatores institucionais - adequação do material didático ao AVA; adequação do nível de exigência; coerência entre objetivos, conteúdos, procedimentos didáticos, avaliação; acesso às ferramentas virtuais; tutoria deficiente;

• fatores sociofamiliares - tempo de trabalho e necessidade de dar atenção à família que não permitem, muitas vezes, adequada dedicação aos estudos; falta de apoio no trabalho e na família para o desenvolvimento dos estudos;

• fatores psicopedagógicos - desconhecimento da instituição e de sua metodologia e nível de exigência; falta de hábito e técnicas de estudo, inclusive de uso das TIC; falta de estímulo e motivação; desestímulo em função de notas baixas nas atividades de avaliação; medo das provas presenciais.

No nosso estudo, além de considerar os fatores sociofamiliares e psicopedagógicos, consideraremos outros fatores, aqui denominados de aspectos: [A1] aspectos gerais; [A2] aspectos sociais; [A3] experiências em EAD; [A4] aspectos profissionais; [A5] aspectos econômicos; [A6] aspectos culturais; [A7] aspectos infraestruturais; [A8] aspectos institucionais; [A9] aspectos tecnológicos; [A10] aspectos de interação; [A11] aspectos de

aprendizagem; e [A12] aspectos educacionais. Os aspectos utilizados compuseram os questionários que foram aplicados aos alunos (Apêndice C), formadores (Apêndice D) e gestores (Apêndice E). Para uma melhor compreensão dos aspectos que serão subsequentemente analisados no capítulo 5, apresentamos no quadro 8 (Apêndice B) os resultados compilados de outros estudos similares que serviram como referência.