2 O PERFIL DO ALUNO DA EAD NO ENSINO SUPERIOR 53
2.4 Perfil do Aluno: definindo as categorias de análise 64
Nas discussões sobre perfil do aluno da EAD, apresentaremos as bases teóricas que contribuíram para a identificação do perfil do aluno da EAD, o qual deve estar contemplado no processo personalização das políticas de EAD.
A análise bibliográfica relacionada aos teóricos apresentados neste capítulo e a análise documental que identificou quais instrumentos institucionais da UFAL são destinados à EAD, permitiu-nos definir as categorias que nortearam as análises deste estudo, apresentadas a seguir, já com as respectivas correspondências com os aspectos mencionados anteriormente, as categorias de análise são:
a) acesso – refere-se ao ingresso à educação superior, à informação em suas múltiplas possibilidades (MEDEIROS e FARIA, 2003), aos bens culturais, à tecnologia, às particularidades da modalidade a distância, aos limites tecnológicos, à democratização do acesso à informação e ao conhecimento, à aplicação das políticas de EAD às camadas mais desfavorecidas da sociedade, a espaços mais colaborativos de
aprendizagem, ao domínio das habilidades e das ferramentas de pesquisas acadêmicas (SILVA, 2003), entre outras, que influenciam positivamente para que haja condições efetivas para o aluno permanecer no seu curso no Sistema UAB/UFAL até a conclusão;
b) habilidades – desenvolvidas ou inerentes, como capacidade metacognitiva15 (MEDEIROS e FARIA, 2003); prática de leitura e escrita; produção acadêmica colaborativa e cooperativa; resolução de conflitos (SILVA, 2006), que consiste na busca por soluções pacíficas e ordenadas das diferenças resultantes do processo de negociação coletiva de ensino-aprendizagem; desenvolvimento de novas estratégias de aprendizagem (FILATRO, 2004); utilização das TIC, dentre outras;
c) abertura – capacidade de demonstrar sua afetividade (PALLOFF e PRATT, 2004), grau de relação interpessoal, emoção, recepção a críticas, reflexão (MEDEIROS e FARIAS, 2003). Alunos que apresentam tais características tendem a ser mais bem- sucedidos nos cursos na modalidade a distância (PALLOFF e PRATT, 2004);
d) comunicação - possibilidade de estabelecer a interação e o debate e pode ocorrer, tanto de modo síncrono (teleconferência, telefone chat), quanto assíncrono (fórum, e- mail, blog). A capacidade de se comunicar por meio do discurso textual, imagético, iconográfico, sonoro e lógico, não demonstrando a necessidade de estabelecer o contato físico com os sujeitos pedagógicos - professores, tutores, alunos - para registrar o seu processo de ensino-aprendizagem, ampliando as suas possibilidades de análise (MERCADO, 2004) e participação na produção intelectual co-participativa (GOMES, 2007) para o acesso ao conhecimento, à informação e à tecnologia, é essencial para o estudo na modalidade a distância;
e) comprometimento - alunos que demonstram comprometimento com o ensino- aprendizagem na modalidade a distância devem considerar disponibilidade de tempo, capacidade de gerenciamento de tarefas (SILVA, 2006), disposição para interagir e colaborar (MEDEIROS e FARIAS, 2003) com os sujeitos pedagógicos, habilidade com o uso das TIC, disponibilidade à Internet (condições de acesso e tempo de navegação), para contemplar as necessidades que a modalidade a distância demanda na sua efetivação;
15 O conceito de metacognição aqui considerado é a capacidade de o sujeito compreender, analisar e avaliar os seus processos cognitivos, identificando suas necessidades de construção de conhecimentos, saberes e competências necessários à compreensão de algum fenômeno. (SCALLON, 2000)
f) colaboração - vai além do envolvimento direto ou indireto em atividades específicas relacionadas ao processo de ensino-aprendizagem e é algo que deve persistir ao longo do curso. “A colaboração se sustenta quando o diálogo, a crítica sobre as tarefas realizadas e o trabalho em conjunto são estimulados” (PALLOFF e PRATT, 2004, pp. 46-47), pois nos AVA exige-se mais do que a interação, a comunicação em que a troca, o auxílio e a contribuição aconteçam de modo efetivo e objetivo, já que “a colaboração não é apenas um resultado de trabalho em comum casual. É um elemento fundamental da metodologia de aprendizagem.” (SILVA e SANTOS, 2006, p.275). Mercado (2008) afirma que no AVA o conhecimento é construído pelos laços de interação a partir dos quais os envolvidos decidem compartilhar. Com isso, avaliamos que a aprendizagem acontece tanto na e com a sociedade, como no AVA; para tanto, se faz necessário a criação de circunstâncias que possibilitem a cooperação.
g) reflexão – estabelece as articulações entre a prática e a teoria explorando o seu uso significativo (SILVA, 2003), principalmente quando são decorrentes de uma vivência, muito comum na modalidade a distância. Destaca-se o fato de que a maioria dos cursos ofertados tem por base o Decreto nº 5.800/06, que oferece prioritariamente cursos de licenciatura e de formação inicial e continuada de professores da educação básica, tendo como premissa a relação teoria e prática estabelecidas pelos sujeitos dessa formação. A reflexão pode ser compreendida também como o processo central da metacognição (MEDEIROS e FARIAS, 2003) no qual, além de pensar, o sujeito pode relatar e compartilhar seus pensamentos sobre o seu processo de ensino- aprendizagem e sobre como o conhecimento está a constituir-se;
h) flexibilidade – capacidade que os sujeitos pedagógicos possuem de aceitar os diferentes papeis (PALLOFF e PRATT, 2004) atribuídos nos cursos online e semipresenciais. A flexibilidade diz respeito a aspectos como tempo, local e horário de estudo, cabendo ao sujeito decidir como organizá-los de forma a melhor desenvolver seus estudos. Esta capacidade pode trazer benefícios e novos desafios aos alunos, tutores, professores e gestores, os quais terão de “esforçar-se para conciliar as atividades familiares, profissionais e sociais às necessidades de uma formação continuada” (ABBAD et al, 2006, p. 21).
i) autonomia – conjunto de responsabilidades, comprometimento e tomada de iniciativas e decisões que permitem ao sujeito pedagógico avançar e envolver-se no processo de ensino-aprendizagem com certa independência da presença física de um professor, tutor ou coordenador. Entretanto, as condições infraestruturais
administrativas, educacionais e tecnológicas devem ser consideradas para que haja a autonomia. Silva e Santos (2006, p. 283) esclarecem que a “autonomia não surge logo de início, emerge do decorrer do processo com a ajuda da mediação pedagógica e também da configuração do curso online”, bem como para os cursos presenciais e semipresenciais, pois a aprendizagem decorrente da sua autonomia permite que ele consiga identificar suas dificuldades e se predisponha a pensar em novas alternativas diferenciadas para a resolução dos problemas.
Neste capítulo, revisitamos os principais estudos e teóricos nacionais e internacionais que abordam o tema perfil do aluno da EAD em suas pesquisas. O referencial teórico analisado contribuiu na identificação do perfil idealizado do aluno da EAD, o qual referenciou a composição dos doze aspectos analisados, bem como as categorias de análise e suas variáveis utilizadas neste estudo. A organização e categorização dos conceitos relacionados ao estudo do perfil de um aluno da EAD balizaram a construção dos instrumentos de coleta de dados utilizados (Apêndice C, D e E). No próximo capítulo, analisaremos os seguintes instrumentos institucionais: o Decreto 5800/06 e os projetos de cursos do Sistema UAB/UFAL.
3 ANÁLISE DOS INSTRUMENTOS INSTITUCIONAIS
Este capítulo tece uma análise documental referente ao Sistema UAB e aos Projetos de curso do Sistema UAB/UFAL, com o objetivo de identificar se o perfil do aluno em formação é contemplado no conteúdo do Decreto 5800/06 e no conteúdo dos projetos de cursos do Sistema UAB/UFAL.