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2 O PERFIL DO ALUNO DA EAD NO ENSINO SUPERIOR 53 

5.3. Aspectos Gerais 102 

A dimensão “aspectos gerais” refere-se a dados concernentes ao pólo, ao curso e à opção de demanda que o aluno escolheu para realizar sua formação. Na literatura pesquisada, a escala da faixa etária varia de acordo com o autor. Apresentamos os valores correspondentes à maioria percentual encontrada por cada autor ao relatarem os dados sobre faixa etária dos alunos da EAD, de acordo com suas pesquisas. Em Palloff e Pratt (2004), 63% dos alunos apresentam idade superior a 30 anos; para Aretio (2007), 50% dos alunos estão entre 21 e 30 anos; em Camara (2010), 67,44% estão entre 20 e 40 anos; para o Brasil (2009e), 70% encontram-se na faixa etária entre 18 e 35 anos; em Capellini et al. (2010), 70% dos alunos têm entre 31 e 50 anos; e em Henrique (2010), 55% apresentam idade superior a 30 anos.

Constatamos que não existe uma uniformidade ao categorizar a faixa etária, entretanto, utilizamos o indicador estabelecido no PNE (BRASIL, 2001d, p.43) que tem como meta “prover, até o final da década [2010], a oferta de educação superior para, pelo menos, 30% da faixa etária de 18 a 24 anos.” Adotamos então as nossas categorias de acordo com o padrão estabelecido pelo PNE, conforme tabela 3:

Tabela 3 - Faixas etárias X Curso UAB/UFAL

Faixa etária Curso UAB/UFAL Total

PED MAT FÍS SI ADMP

>= 18 e =< 24 16% 41% 46% 43% 31% 31%

>= 25 e =< 30 23% 27% 24% 18% 24% 24%

>= 31 61% 32% 30% 39% 45% 45%

Total 100% 100% 100% 100% 100% 100%

De acordo com a literatura, geralmente, os alunos que estudam na modalidade EAD são, majoritariamente, adultos. Reafirmamos essa constatação, pois 45% dos alunos deste estudo, a maior concentração, possui idade superior a 31 anos, com destaque para Pedagogia e Administração Pública. Destacamos que no curso de PED 61% dos alunos possuem idade superior a 31 anos e também apresenta a menor taxa de alunos compreendidos na faixa etária de 18 a 24 anos; no caso, apenas 16%. Essa constatação justifica-se como consequência direta da implantação do Sistema UAB como uma política de formação inicial superior para professores já em atuação profissional. Ao analisarmos a categoria de 18 a 24 anos, constatamos que a meta estipulada pelo PNE de 30% de oferta de vagas no ensino superior à população foi atingida, pois encontramos 31% de alunos estudando no ensino superior na faixa etária de 18 a 24 anos, portanto são alunos jovens que apresentam idade compatível com o processo de formação superior.

Os cursos de FÍS, MAT e SI atraíram proporcionalmente um grupo maior de alunos mais jovens de idades entre 18 e 24 anos. Em relação aos cursos de licenciatura em FÍS e MAT estão sendo formandos mais jovens do que em PED. Constatamos que no geral, uma quantidade considerável de alunos, 43% (FÍS, MAT e SI) com idade entre 18 e 24 anos que tem como oportunidade ingressar em um curso presencial optou por uma formação por meio da modalidade a distância, decisão influenciada pela ausência de IES na região onde os cursos são ofertados. Identificamos que a coordenação do curso de FÍS defende uma abertura maior de vagas para a demanda social, porque, de acordo com o referido coordenador, o professor da rede básica de FÍS não está motivado a se inscrever na demanda prioritária do Sistema UAB, que é a formação de professores da rede pública.

Relacionado à variável sexo, encontramos na literatura os seguintes resultados: em Palloff e Pratt (2004), a distribuição entre os sexos é semelhante; em Aretio (2007), 55% dos alunos são do sexo masculino; em Camara (2010), 70,93% são do sexo feminino; para o Brasil (2009e), mais de 60% são do sexo feminino; em Capellini et al. (2010), 98% são do sexo feminino e em Henrique (2010), 96% são também do sexo feminino.

Este estudo não difere da maioria dos resultados obtidos por outros pesquisadores, pois constatamos o predomínio do sexo feminino (52,08%) em relação ao masculino (47,92%). Este estudo, em termos metodológicos, se aproxima mais das pesquisas de Palloff e Pratt (2004), Aretio (2007) e da (BRASIL, 2009e), pois constatamos similaridades na distribuição de aluno por sexo, conforme tabela 4:

Tabela 4 - Sexo X Curso UAB/UFAL

Sexo Curso UAB/UFAL Total

PED MAT FÍS SI ADMP

Masculino 16% 73% 70% 65% 48% 44%

Feminino 84% 27% 30% 35% 52% 56%

Total 100% 100% 100% 100% 100% 100%

Fonte: O Autor (2011).

Na tabela 4, dos cursos pesquisados, PED é o que apresenta o maior percentual de alunos do sexo feminino: 84%. Os cursos de SI, FÍS e MAT apresentam o predomínio de alunos do sexo masculino e o curso de ADMP apresenta uma pequena diferença entre a distribuição dos sexos, apresentando uma maior concentração do sexo feminino com 52% dentre seus alunos. Essas diferenças podem ser explicadas de acordo com as características dos referidos cursos e as dinâmicas de gênero que historicamente vêm definindo a escolha por curso superior28.

A opção “demanda social” é prevista no Sistema UAB e este deve priorizar a formação de professores para atuarem na rede básica de ensino público das diversas licenciaturas. A proporção de vagas previstas no edital da UAB/UFAL foi de apenas 30% para formação de professores, na tabela 5 apresentamos os resultados deste estudo.

Tabela 5 - Tipo de demanda X Curso UAB/UFAL

Tipo de demanda Curso UAB/UFAL Total

PED MAT FÍS SI ADMP

Não sabe informar (1) 3% 5% 5% 17% 25% 11%

Professores (2) 67% 27% 30% 0% 8% 33%

Público geral 30% 68% 65% 83% 67% 56%

Total 100% 100% 100% 100% 100% 100%

Fonte: O Autor (2011). (1) Distribuição dos alunos por curso que não souberam informar a opção de demanda no momento do ingresso no seu curso. (2) Professores da rede pública municipal, estadual e de escola privada.

Na tabela 5, constatamos o percentual de 30% está sendo atendido, pois 33% dos alunos pesquisados são professores que estão se qualificando. Entretanto, essa constatação é consequência da opção do tipo de formação escolhida, se licenciatura ou bacharelado. Dentre os cursos de licenciatura, destaca-se PED com mais da metade de seus alunos sendo professores da rede estadual, municipal ou privada que buscam uma formação superior nessa área do conhecimento. Foi necessário isolar as licenciaturas do bacharelado para que a interpretação dos dados não fosse equivocada, pois, como constatado dentre o total de 33% relacionado à demanda de formação de professores, os percentuais dos cursos de bacharelado é nulo para o curso de SI e mínimo no curso de ADMP, com apenas 8% do total de seus

28 Para conhecer estudos que pesquisam a questão de gênero e a educação superior, consultar Queiroz (2000) e Louro (1997).

alunos. Destacamos que, de acordo com o Decreto 5.800/06, a prioridade das vagas referentes à demanda de professores deve ser destinada à formação de professores da rede pública de ensino; todavia, neste grupo encontramos professores que fazem parte da rede privada. A formação de professores da rede pública é uma das condições básicas para a melhoria da educação. De acordo com o IDEB (ANEXO, TABELA 101, BRASIL, 2009n), a educação pública em Alagoas apresenta um dos piores indicadores nacionais de desempenho comparada a outras regiões do país.

Desse modo, se aplicássemos o conceito de personalização de políticas de EAD, a inclusão de professores da rede privada na demanda que deveria ser prioritariamente destinada à formação de professores da educação pública, na esfera municipal ou estadual, deveria ocorrer por meio da demanda social. Essa orientação por parte dos gestores públicos atenderia à personalização das políticas de EAD, uma vez que o Sistema UAB é uma política educacional de governo que tem como prioridade principal qualificar professores da rede pública da educação básica. O Estado de Alagoas carece de uma melhor formação de seus professores que atuam na rede pública, embora não se deveria impedir que professores da rede privada também participem dessa oportunidade de formação.

Dentre as licenciaturas (PED, FÍS e MAT), a área das Ciências da Natureza e Matemática reflete a realidade da educação atual, ou seja, a ausência de professores de Física e Matemática nas escolas da rede pública, pois, proporcionalmente, a maioria dos alunos é formada pelo público geral, ou seja, não são professores. Mesmo atendendo ao percentual definido no referido edital UAB/UFAL de 2007 e 2009, com exceção para o curso PED, consideramos muito baixa a procura de professores da rede básica do ensino público por cursos de licenciatura, descaracterizando parcialmente a idéia do Sistema UAB como política educacional de governo para formação docente. O desejável é que fosse uma política pública de Estado, garantindo as condições para que as demandas definidas fossem atendidas.

Embora essa diferença de público que procura os cursos da Área das Ciências da Natureza e Matemática pareça ser um dado preocupante, devemos analisar com cautela, pois esses dados apresentam uma informação indireta, qual seja: a formação de um novo contingente de professores, já que os cursos são de licenciatura. Assim, se a população em geral busca esse tipo de formação, é porque há a possibilidade, em algum momento, de ingressar na carreira do magistério, o que irá ajudar a diminuir o déficit de professores dessa área de conhecimento. Do total de alunos pesquisados, apenas 10,83% não soube informar qual demanda optou no

momento do vestibular. Na tabela 6, analisamos a distribuição de vagas por opção de curso, informada pelos alunos após o ingresso no vestibular dos respectivos anos de 2007 e 2009:

Tabela 6 - Distribuição de vaga por opção de curso conforme Edital UAB (2007 e 2009) X Turma UAB/UFAL

Graduação Turma UAB/UFAL Total

2007 2009

Licenciatura 71% 57% 63%

Bacharelado 29% 43% 37%

Total 100% 100% 100%

Fonte: O Autor (2011).

Os cursos de licenciatura são compostos pelos cursos de PED, FÍS e MAT e os de bacharelado pelos cursos de SI e ADMP. Observamos que o Curso de ADMP só foi ofertado a partir de 2009.

A tabela 7 apresenta a distribuição efetiva em 2010, segundo o tipo de curso escolhido após o ingresso no vestibular nos anos de 2007 e 2009:

Tabela 7 – Distribuição de vaga por opção de curso em 2010 X Turma UAB/UFAL

Graduação Turma UAB/UFAL Total

2007 2009

Bacharelado 22% 52% 41%

Licenciatura 78% 48% 59%

Total 100% 100% 100%

Fonte: O Autor (2011).

Comparando os resultados das tabelas 6 e 7, constatamos que existe uma diferença entre o número de vagas de licenciatura e de bacharelado ofertado e ocupado atualmente, correspondendo a 5% de aumento para a ocupação de cursos de licenciatura e consequente diminuição nos cursos de bacharelado. Em relação à turma de 2007 (tabela 7), 78% dos alunos pesquisados estão matriculados em cursos de licenciatura e 22% em cursos de bacharelado, diferentemente das vagas ocupadas no momento do vestibular (tabela 6): 71% para licenciatura e 29% para bacharelado. Em relação à turma de 2009 (tabela 7), 48% estão matriculados em cursos de licenciatura e 52% em cursos de bacharelado. Isso difere significativamente da configuração constante também no momento do vestibular (tabela 6): 57% das vagas destinadas aos cursos de licenciatura e 43% para os cursos de bacharelado. A diferença torna-se significativa ao considerarmos que há mais cursos de licenciatura e que a prioridade do Sistema UAB é a formação docente.

Na análise dos Aspectos Gerais acerca dos alunos do Sistema UAB/UFAL, constatamos que a maioria é adulta, pois possuí idade superior a 24 anos; dentre esses, a maioria possui mais de 31 anos. Ao triangularmos as categorias faixa etária com graduação e faixa etária com exerce atividade de trabalho, contatamos que 70% desse grupo não possuí uma graduação prévia, e, conforme esperado, 89% já exerce alguma atividade de trabalho. Existe uma normalidade estatística na distribuição entre os sexos. Dentre as opções de demanda (tabela 5), 56% são provenientes da demanda geral, ou seja, não são professores, porém, dentro desse grupo, 30% (a minoria) dos alunos de PED, 65% (a maioria) dos alunos de FÍS e 68% (a maioria) dos alunos de MAT são potenciais novos professores, pois optaram por uma formação em licenciatura. A decisão desses alunos por um curso de licenciatura poderá contribuir para a melhoria da educação em Alagoas, uma vez que, concluída sua formação, deverão apresentar as condições necessárias para o ingresso como professores na educação pública mediante aprovação em concurso. Na distribuição por tipo de graduação (tabela 7), se licenciatura ou bacharelado, constatamos que 59% dos alunos cursam a licenciatura e, nesse grupo, é a turma de 2007 que proporcionalmente influencia esse resultado total, pois representa 78% (a maioria) do total de seus alunos e a turma de 2009 representa 48% (a minoria) do total de seus alunos. Dentre os cursos de licenciatura, são os da área de Ciências da Natureza e Matemática que estão formando mais novos professores, reafirmando a necessidade do governo em formar professores para atender ao principal déficit na rede pública que é nessa área.