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3 TRABALHO DE CAMPO

3.5 REESTRUTURAÇÃO NO SETOR PESQUISADO: DE NDC À SDC

3.5.3 A progressão funcional no âmbito das IFES

Apesar de não ter ocorrido nenhuma mudança com relação à progressão funcional, quando da nova estruturação do órgão pesquisado, se faz necessário ressaltar aqui alguns pontos comuns

sobre essa matéria, a que está sujeito todo funcionário técnico-administrativo, que é regido pelo PCCTAE – Plano de Carreira dos Cargos Técnico-Administrativos em Educação.

A progressão funcional é o crescimento funcional do servidor estável no exercício do cargo de provimento efetivo nos níveis e referências do cargo, na classe da carreira, ou na carreira, conforme o plano de cargos ou carreira e vencimentos estabelecido para o órgão ou entidade, estruturado de forma vertical e horizontal, fundamentado na qualificação e no desempenho profissional. Diferenciando-se assim as maneiras de deslocamento do profissional servidor público dentro de sua carreira daquela conhecida nos meios empresariais privados que é a promoção.

Assim sendo, é dado ao servidor à possibilidade de mudança nos steps da tabela que corresponde ao seu plano de cargos. O step é cada uma das possibilidades salariais de cada cargo, é a diferença entre um salário e outro, sendo progressivos.

A IFES pesquisada é regida pelo PCCTAE – Plano de Carreira dos Cargos Técnico- Administrativos em Educação – e constam em suas normas de serviço internas dois tipos de progressão funcional: progressão por capacitação funcional e progressão por mérito profissional. Os dois tipos se encontram explicitados através do programa institucional de capacitação com os seguintes parâmetros:

PROGRESSÃO POR CAPACITAÇÃO PROFISSIONAL

[...] 1.1 – A Progressão por Capacitação Profissional, instituída pelo artigo 10 da Lei n° 11.091/2005, é a mudança de nível de capacitação, no mesmo cargo e nível de classificação, decorrente da obtenção, pelo servidor, nos termos previstos no Programa de Capacitação e Aperfeiçoamento, de Certificação em curso ou evento compatível com o cargo ocupado, o ambiente organizacional e a carga horária mínima exigida, para cada nível de capacitação, conforme estabelecido na Tabela do Anexo III da Lei n° 11.091/2005, com a nova redação dada pelo Anexo XI da Lei n° 11.233, de 22 de dezembro de 2005, respeitado o interstício de 18 (dezoito) meses.

1.2 – Nível de Capacitação refere-se à posição do servidor na Matriz Hierárquica dos Padrões de vencimento, ou seja, no nível I ou II ou III ou IV, dentro do mesmo cargo e do mesmo nível de classificação (A-B-C-D-E), no Plano de Carreira dos Cargos Técnico-Administrativos em Educação, em decorrência da sua capacitação profissional para o exercício das atividades do cargo que ocupa, realizada após o seu ingresso no cargo. (NORMA, 2006)

PROGRESSÃO POR MÉRITO PROFISSIONAL

[...] 4. A chefia imediata procederá à avaliação atribuindo uma nota ao desempenho individual do servidor avaliado, com base cada um dos indicadores, de acordo com a Tabela de Valoração descrita no formulário.

5. A pontuação mínima para que se proceda à concessão de Progressão por Mérito Profissional aos servidores técnico-administrativos avaliados será de 70 pontos, considerando a média aritmética entre a auto-avaliação e a avaliação da chefia.

6. Os fatores facilitadores e restritivos de desempenho descritos nos formulários deverão ser observados no processo de avaliação e comentados no espaço reservado às considerações. (ORIENTAÇÕES, 2008)

A progressão funcional é a forma mais comum de mobilidade na carreira do servidor público, possibilitando ao profissional uma diferenciação de seus colegas com relação à carreira e salário, devido ao seu tempo de serviço e aos cursos que realizou. Os cargos de chefia, diretoria, superintendência etc, não são oferecidos pelo mérito ou experiência do servidor, em geral são cargos políticos, ofertados pela Administração Superior aos seus apoiadores.

Segundo Bastos (2010):

[...] nomeações de lideranças, que nem sempre estão preparadas para assumir cargos de comando. Nas universidades públicas brasileiras, por exemplo, é comum encontrar em funções administrativas bibliotecários com formação técnica como chefes que tentam adequarem-se às rotinas de gestão sem capacitação adequada para gerir pessoas. (BASTOS, 2010, p. 188)

Figura 3 – Exemplo de Tabela do PCCTAE

Fonte: Cartilha PCCTAE – UFRGS, Disponível em: http://www.cdp.ufpr.br/ucap/anexos/pcctae.pdf Acesso em 16 maio de 2012. Percentual de diferença dos Steps Níveis da progressão por capacitação Níveis da progressão por mérito Nível de Classificação Step

Faz-se oportuno destacar também alguns programas de incentivo à capacitação, à qualificação e ao aperfeiçoamento do servidor técnico realizados pela Instituição pesquisada, seguindo as diretrizes previstas no plano de carreira – PCCTAE, são elas:

A - Progressão por Capacitação

Visa à progressão nos níveis de capacitação previstos no plano de carreira – PCCTAE - dos servidores técnico-administrativos em educação, de acordo com a Lei 11.091/2005, por meio de cursos de capacitação internos ou externos compatível com o cargo ocupado, o ambiente organizacional onde exerce suas atividades e a carga horária mínima exigida, em consonância com o Plano Anual de Capacitação das IFES.

B - Incentivo à Qualificação

Visa à concessão de percentual a incidir sobre o vencimento básico percebido pelo servidor, referente a título em curso de educação formal superior ao exigido para o ingresso no cargo ocupado e compatível com o ambiente organizacional de atuação do servidor.

C - Cursos Autofinanciáveis

Visam à participação do servidor em processo seletivo em cursos autofinanciáveis de pós- graduação da IFES, objetivando a isenção de pagamento, conforme Resolução/CEP n°.155/2008 e n°. 150/2010.

D - Licença para Capacitação

Licença prevista no da Lei 8112/1990, quando da elaboração de trabalho de conclusão de curso, monografia, dissertação ou tese, com prazo mínimo de 1 mês e máximo de 3 meses.

E - Auxílio à Qualificação

Bolsa de auxílio financeiro destinada a apoiar a realização de curso de pós-graduação stricto ou lato sensu, segundo normas estabelecidas por Edital, lançado anualmente.

F - Cursos de capacitação/aperfeiçoamento e cursos de educação formal

Visa promover, disponibilizar e indicar cursos de capacitação profissional ou de qualificação, presencial, semi-presencial ou a distância, para os servidores técnico-administrativos em

educação, necessários ao desenvolvimento pessoal e profissional, em consonância com o Plano de Desenvolvimento Institucional, o Plano de Desenvolvimento dos Integrantes do Plano de Carreira, o Plano Anual de Capacitação e o Programa de Capacitação e Aperfeiçoamento.

G- Eventos Externos

Apoio financeiro para participação de servidor técnico-administrativo em educação em ações externas de capacitação cujo conteúdo tenha correlação com sua área de atuação. Tal apoio é referente à inscrição, diárias e passagens.

Faz-se necessário também, para o devido esclarecimento das denominações encontradas nos programas, a citação de algumas definições encontradas no Decreto nº 5.825, de 29 de junho de 2006, que estabelece as diretrizes para elaboração do Plano de Desenvolvimento dos Integrantes do Plano de Carreira dos Cargos Técnico-Administrativos em Educação, instituído pela Lei no 11.091, de 12 de janeiro de 2005.

Art. 3o Para os efeitos deste Decreto, aplicam-se os seguintes conceitos:

I - desenvolvimento: processo continuado que visa ampliar os conhecimentos, as capacidades e habilidades dos servidores, a fim de aprimorar seu desempenho funcional no cumprimento dos objetivos institucionais;

II - capacitação: processo permanente e deliberado de aprendizagem, que utiliza ações de aperfeiçoamento e qualificação, com o propósito de contribuir para o desenvolvimento de competências institucionais, por meio do desenvolvimento de competências individuais;

III - educação formal: educação oferecida pelos sistemas formais de ensino, por meio de instituições públicas ou privadas, nos diferentes níveis da educação brasileira, entendidos como educação básica e educação superior;

IV - aperfeiçoamento: processo de aprendizagem, baseado em ações de ensino-aprendizagem, que atualiza, aprofunda conhecimentos e complementa a formação profissional do servidor, com o objetivo de torná-lo apto a desenvolver suas atividades, tendo em vista as inovações conceituais, metodológicas e tecnológicas;

V - qualificação: processo de aprendizagem baseado em ações de educação formal, por meio do qual o servidor adquire conhecimentos e habilidades, tendo em vista o planejamento institucional e o desenvolvimento do servidor na carreira;

[...]

XIII - ocupante da carreira: servidor efetivo pertencente ao quadro da IFE que ocupa cargo do Plano de Carreira dos Cargos Técnico-Administrativos em Educação; (NORMA, 2006)

4 RESULTADOS E ANÁLISE