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Características e aspectos da Gestão do Conhecimento

1.4 QUESTÕES DE ESTUDO

2.1.4 Sociedade da Informação

2.1.4.2 Características e aspectos da Gestão do Conhecimento

atuais – entendendo-se aí a Sociedade da Informação – Castells discorre que esta não pode mais ser dissociada do desenvolvimento econômico, político ou social.

Diante destas premissas, não é difícil conceber a Sociedade da Informação como uma sociedade essencialmente colaborativa, onde grupos de nações, empresas ou indivíduos colaboram e compartilham informações e conhecimentos para o cumprimento de seus objetivos. Em maior ou menor grau, ou de diferentes maneiras, informações e conhecimentos sempre são compartilhados e nisso consiste uma das maiores características da era atual. Desta forma, capturar e otimizar estas interconexões, ou possibilitar estas práticas torna-se o maior desafio do mundo corporativo moderno.

2.1.4.2 Características e aspectos da Gestão do Conhecimento

A Gestão do Conhecimento, num primeiro momento, refere-se à administração dos conhecimentos produzidos pela empresa, através da canalização de dados e informações pelo uso, principalmente, de Sistemas de Informações.

Muito tem-se discutido sobre a forma de capturar tais conhecimentos. Eles podem estar explícitos, já armazenados, ou tácitos, abstratos, residindo no intelecto dos funcionários e colaboradores. Porém, no ritmo empresarial contemporâneo, não se pode descartar o uso de ferramentas tecnológicas para tal propósito. Embora não sejam essenciais, no sentido global do assunto, Thomas Davenport (2002) sustenta que elas são acessórios, pois a Gestão do Conhecimento deve ser conduzida de forma ecológica, onde as informações possam ser recicladas de modo a criarem conhecimento e estes, por sua vez, beneficiarem a empresa. Esta é uma visão bem holística, tendo como referência os usuários reais da informação. Esse ecossistema da informação pode ser concebido como ele próprio destaca:

A abordagem comumente aceita para o gerenciamento de informações – investimento em novas tecnologias, e só – simplesmente não funciona. Os administradores precisam, na verdade, de uma perspectiva holística, que possa assimilar alterações repentinas no mundo dos negócios e adaptar-se às sempre mutantes realidades sociais. Essa nova abordagem, que chamo de ecologia da informação, enfatiza o

ambiente da informação em sua totalidade, levando em conta os valores e as crenças empresariais sobre informação (cultura); como as pessoas realmente usam a informação e o que fazem com ela (comportamento e processos de trabalho); as armadilhas que podem interferir no intercâmbio de informações (política); e quais sistemas de informação já estão instalados apropriadamente (tecnologia). (DAVENPORT, 2002, p. 12).

Analisar a Gestão do Conhecimento requer, também, considerar seus constituintes: Dados e Informações. Como se viu, a explosão bibliográfica no período entre-guerras, e após este, fez surgir uma avalanche desses itens que, além de elementos da Gestão do Conhecimento, são elementos presentes em toda e qualquer Tecnologia da Informação.

Uma das melhores definições de dados pode ser encontrada no trabalho de Davenport. Ele define dados como “observações sobre o estado do mundo” (Davenport, 2002, p.19). Para ele, dados são elementos simples, contábeis, facilmente quantificáveis e explícitos. São eventos que ocorrem em algum universo de atuação ou observação.

Sobre informações, Davenport (2002) sustenta que são “dados dotados de relevância e propósito”, utilizando-se da visão de Peter Drucker. Aí inicia-se toda uma rede de controvérsia, uma vez que informações são, antes de tudo, interpretações de dados e estas podem ser as mais diversas.

Um outro elemento da Gestão do Conhecimento é, naturalmente, e talvez o mais importante, o Conhecimento. Também aqui se poderá acatar a definição lúcida e racional de Davenport, definindo o Conhecimento como:

A informação mais valiosa e, consequentemente, mais difícil de gerenciar. É valiosa precisamente porque alguém deu à informação um contexto, um significado, uma interpretação: alguém refletiu sobre o conhecimento, acrescentou a ele sua própria sabedoria, considerou suas implicações mais amplas. (...) o termo também implica a síntese de múltiplas fontes de informação. O conhecimento (...) é muitas vezes tácito, existindo simbolicamente da mente humana, sendo difícil de explicitar. O conhecimento pode ser incorporado em máquinas, mas é de difícil categorização e localização. Quem quer que já tenha tentado transferir conhecimento entre pessoas ou grupos sabe como é árdua a tarefa. Os receptores devem não apenas usar a informação, mas também reconhecer que de fato constitui conhecimento (DAVENPORT, 2002, p.19-20).

Num esquema geral, Davenport (2002) considerou estes três elementos constituintes da Gestão do Conhecimento como parte de um mesmo processo, sendo muito difícil dissociá- los. Eles podem ser esquematizados, tal como ilustra o Quadro 4:

Quadro 4 – Esquema entre Dados, Informação e Conhecimento

Dados Informação Conhecimento

Simples observações sobre o estado do mundo

o Facilmente estruturado; o Facilmente obtido por

máquinas; o Frequentemente

quantificado;

o Facilmente transferível.

Dados dotados de relevância e propósito

o Requer unidade de análise; o Exige consenso em relação

ao significado;

o Exige necessariamente a mediação humana.

Informação valiosa na mente humana

o Inclui reflexão, síntese e contexto; o De difícil estruturação; o De difícil captura em máquinas; o Frequentemente tácito; o De difícil transferência. Fonte: DAVENPORT, 2002, p.18.

A literatura especializada aponta alguns problemas sobre o modo de se praticar a Gestão do Conhecimento. Um deles diz respeito exatamente à localização do conhecimento e outro, à sua captura. Além disso, mesmo que se consiga capturar, é necessário filtrá-lo, pois nem todo o conhecimento pode ser aplicável ou alinhado aos negócios. Conhecimentos tácitos – aqueles residentes no intelecto dos próprios funcionários da empresa – são frutos da experiência destes na interação com os problemas e são enriquecidos, proporcionalmente, com o nível de capacitação acadêmica e profissional dos colaboradores.

Martins e Figueiredo (2005) apontam ainda outro problema que se inicia com o primeiro: pelo fato do conhecimento coletivo não ser homogêneo, torna-se difícil capturá-los para disseminação – ou explicitação. Transformar conhecimento tácito em conhecimento explícito requer muita habilidade da alta administração, que deve considerar, preferencialmente, uma metodologia ecológica do ciclo de informações que irão circular na empresa. “Tecnologias de Informação são hoje indispensáveis para estes propósitos, mas somente serão eficazes se atenderam às estratégias ecológicas implantadas” (MARTINS; FIGUEIREDO, 2005, p. 54). Instalar sistemas de alta tecnologia sem referenciais deste tipo poderá gerar sérios prejuízos, caracterizando uma empreitada sem rumo e, muito possivelmente, fracassada.