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1.4 QUESTÕES DE ESTUDO

2.1.4 Sociedade da Informação

2.1.4.1 A Sociedade da Informação e do Conhecimento

As configurações tecnológicas e sociais surgidas após a Segunda Guerra Mundial mudaram radicalmente os processos de comunicação e informação. Seja no âmbito acadêmico-científico, seja no âmbito empresarial, tais mudanças iniciaram uma nova era: a Era da Informação.

A chamada Era da Informação considerou – e ainda considera – paradigmas distintos daqueles que referenciavam a era anterior. Tangibilidade, produção em massa, foco nos produtos e processos, administração centralizada e vertical, tudo isso passou a ser relativizado nesta nova era. A título de comparação, Rodriguez y Rodriguez (2001, p.47) justapõe esta mudança e relaciona as características e diferenças entre as duas eras no quadro a seguir.

Quadro 3 – Esquema comparativo entre Sociedade Industrial e Sociedade da Informação

Sociedade Industrial Sociedade da Informação

Prédios, móveis e equipamentos; Patentes;

Receitas, custos, contas a pagar; Sistemas computacionais; Rede de computadores;

Infra-estrutura física de distribuição; Produção.

Capacidade das pessoas;

Carteira de clientes (e conhecimentos destes); Liderança, valores e cultura;

Imagem, valor e força da marca do mercado; Rede de relacionamentos;

Logística;

Pesquisa e desenvolvimento.

Fonte: RODRIGUEZ Y RODRIGUEZ , 2002, p.47.

Estas comparações elencadas no Quadro 3, referem-se ao meio empresarial e são apenas superficiais, uma vez que as diferenças, na prática, são mesmo imensuráveis. A Era da Informação notabilizou-se, antes de tudo, pela explosão bibliográfica que inundou os meios midiáticos, jornalísticos, acadêmicos, científicos, sociais e empresariais. “Com a sofisticação das Tecnologias de Informação, [...] o volume bibliográfico multiplicou-se exponencialmente, e a informação, unidade-símbolo desta nova era, foi compactada e digitalizada em sistemas binários de representação” (MARTINS; FIGUEIREDO, 2005, p. 50). Quando do surgimento da internet, a informação transcendeu os muros institucionais de centros militares e universidades, disseminando-se visceralmente em todos os níveis acima mencionados, confundindo-se mesmo com o conceito de civilização: a nova civilização, ou a nova sociedade.

No aspecto empresarial ou corporativo, a Sociedade da Informação apresentou novos desafios e demandou estratégias mais eficazes de administração e conduta. Foi necessário, assim, repensar todos os referenciais e paradigmas que vigoravam até então, pois os valores corporativos de décadas passadas tornaram-se obsoletos e administrativamente insustentáveis.

Martins e Figueiredo (2005) ainda sinalizam que,

Neste novo mundo da Sociedade da Informação, alavancado pela comunicação de massa, a informação é veiculada de forma abundante e desordenada. Mesmo o conceito

de comunicação de massa difere da comunicação feita na Sociedade Industrial: se ali a informação se dava no aspecto um-todos, atualmente pode-se afirmar que a comunicação de massa circula no ambiente todos-todos (MARTINS; FIGUEIREDO, 2005, p. 51).

As Tecnologias da Informação evoluíram, sobretudo, para atender especificamente ao mundo corporativo, mola-mestra do desenvolvimento e pesquisa de novas tecnologias. Sendo assim, pode-se compreender o motivo pelo qual muitas empresas aplicam Sistemas de Informações – especialistas, sistemas de mineração de dados, entre outros – para capturar o conhecimento residente no seu corpo de funcionários. Estes, por sua vez, dividem o foco do negócio com os clientes/consumidores finais.

Este conhecimento tácito, intangível em sua característica, contrapõe-se ao conhecimento explícito anteriormente alardeado pelas companhias. Em termos atuais, muitas empresas perceberam que o conhecimento explícito em si não abarcava o potencial estratégico que caracteriza o conhecimento atual. Este foco tem servido de base para muitas discussões e pesquisas, uma vez que é extremamente difícil delimitar o campo de conhecimento estratégico e corporativo (MARTINS; FIGUEIREDO, 2005).

Numa abordagem mais elucidativa, pode-se caracterizar a Sociedade do Conhecimento como uma sociedade em rede, tal como exemplifica Castells (2005):

O próprio capitalismo passa por um processo de profunda reestruturação caracterizado por maior flexibilidade de gerenciamento; descentralização nas empresas e sua organização em redes tanto internamente (B2E) quanto em suas relações com outras empresas (B2B); considerável fortalecimento do papel do capital via-à-vis o trabalho, com o declínio concomitante da influência dos movimentos de trabalhadores; individualização e diversificação cada vez maior das relações de trabalho; (...) intervenção estatal para desregular os mercados de forma seletiva e desfazer o estado do bem-estar social com diferentes intensidades e orientações, dependendo da natureza das forças e instituições políticas de cada sociedade; aumento da concorrência econômica global[...] (CASTELLS, 2005, p.39-40).

A lista de características, segundo Castells, parece infindável e mesmo que se reconheça uma descrição formidável, ainda assim estaria longe de facetar a complexidade da dita Sociedade em Rede ou Sociedade da Informação. Na mesma linha, considerando as Tecnologias da Informação, tão presentes nos dias de hoje, Castells ainda constata que a tecnologia, enquanto ferramenta de transformação social, não determina a sociedade, mas confunde-se com ela própria e com sua história: segundo ele, a tecnologia é a sociedade. (Castells, 2005, p. 43). Isto posto, ao analisar não

somente a tecnologia enquanto oficina, mas a Tecnologia da Informação nos tempos atuais – entendendo-se aí a Sociedade da Informação – Castells discorre que esta não pode mais ser dissociada do desenvolvimento econômico, político ou social.

Diante destas premissas, não é difícil conceber a Sociedade da Informação como uma sociedade essencialmente colaborativa, onde grupos de nações, empresas ou indivíduos colaboram e compartilham informações e conhecimentos para o cumprimento de seus objetivos. Em maior ou menor grau, ou de diferentes maneiras, informações e conhecimentos sempre são compartilhados e nisso consiste uma das maiores características da era atual. Desta forma, capturar e otimizar estas interconexões, ou possibilitar estas práticas torna-se o maior desafio do mundo corporativo moderno.

2.1.4.2 Características e aspectos da Gestão do Conhecimento

A Gestão do Conhecimento, num primeiro momento, refere-se à administração dos conhecimentos produzidos pela empresa, através da canalização de dados e informações pelo uso, principalmente, de Sistemas de Informações.

Muito tem-se discutido sobre a forma de capturar tais conhecimentos. Eles podem estar explícitos, já armazenados, ou tácitos, abstratos, residindo no intelecto dos funcionários e colaboradores. Porém, no ritmo empresarial contemporâneo, não se pode descartar o uso de ferramentas tecnológicas para tal propósito. Embora não sejam essenciais, no sentido global do assunto, Thomas Davenport (2002) sustenta que elas são acessórios, pois a Gestão do Conhecimento deve ser conduzida de forma ecológica, onde as informações possam ser recicladas de modo a criarem conhecimento e estes, por sua vez, beneficiarem a empresa. Esta é uma visão bem holística, tendo como referência os usuários reais da informação. Esse ecossistema da informação pode ser concebido como ele próprio destaca:

A abordagem comumente aceita para o gerenciamento de informações – investimento em novas tecnologias, e só – simplesmente não funciona. Os administradores precisam, na verdade, de uma perspectiva holística, que possa assimilar alterações repentinas no mundo dos negócios e adaptar-se às sempre mutantes realidades sociais. Essa nova abordagem, que chamo de ecologia da informação, enfatiza o