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A promulgação da Emenda Constitucional n. 25: novos partidos entram em cena

CAPÍTULO 2 - O PMDB NO PODER: NOVAS CHEGADAS E NOVAS SAÍDAS (1985-1988)

2.3 A promulgação da Emenda Constitucional n. 25: novos partidos entram em cena

“A esquerda tem que formar o seu próprio partido e

deixar o PMDB como o partido do centrão.” Roberto

Cardoso Alves, então Secretário-Geral do PMDB174.

Como dito anteriormente, a Emenda 25 complexificou o sistema partidário brasileiro provocando uma pulverização de novas siglas175, o que gerou consequências

171

O texto original da Emenda encontra-se no site

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Emendas/Emc_anterior1988/emc25-85.htm

172

Folha de S. Paulo, 16/08/1985, p. 7.

173

Na visão de Ferreira, Batista e Stabile (2008), a proliferação da criação de novos partidos durante esse período e até o início dos anos noventa pode ser explicado, em grande parte, pelo hiperativismo das elites partidárias diante de um processo de rearranjo das forças políticas após a reforma de partidos.

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diretas para o PMDB. Poucos dias após a sua promulgação, pelo menos oito partidos já haviam publicado seus manifestos, programas e estatutos no Diário Oficial da União176, entre eles alguns novos partidos de esquerda. Como dito, essas organizações até então atuavam de maneira clandestina no interior do PMDB, e sua regularização impactou diretamente a composição interna do partido177, fazendo com que a sigla passasse a perder gradativamente parte de seus políticos que possuíam um perfil ideológico mais progressista, ou, genericamente dizendo, de esquerda.

Esse processo de perda de políticos para novas agremiações era previsto por alguns políticos do PMDB ainda antes da aprovação da EC 25, como Fernando Henrique Cardoso, então líder do governo no Congresso, que em princípios de 1985 argumentava que:

“Com o avanço do processo democrático, é de esperar

que os encarapitados partidos-fermento que vivem nas franjas do PMDB ganhem um lugar ao sol. Será pois o PMDB acossado, por um lado pela tentação de empreguismo, da fisiologia e do burocratismo, e por outro, pela carência de formuladores de proposta a nível partidário não só porque poderá perder quadros à esquerda, como porque boa parte de seus técnicos e

intelectuais irá para o aparelho de Estado.” (Folha de S.

Paulo 19/02/1985, p. 3)

É importante destacar que a participação dessas agremiações no interior do PMDB sempre foi objeto de muitas divergências e negociações (Skidmore, 2004: 504). O bloco de políticos considerados moderados quando o partido se encontrava na oposição ao Regime sempre teve ressalvas quanto à atuação desses políticos no interior da sigla. A partir do momento em que a Emenda 25 foi aprovada, o bloco Unidade, que em parte era formado pelos chamados de “moderados” durante o Regime, passou a pressionar para que esses políticos deixassem o PMDB e rumassem para as organizações recém-fundadas178, articulando-se com vistas a expandir seu controle sobre a legenda ainda em 1985179 e torná-lo um partido com feições “de centro”180. Como escreveu à época o deputado federal Roberto Cardoso Alves (SP), um dos porta-vozes desse bloco no interior do partido, na Revista Veja:

175

Para um resumo da multiplicação de siglas do multipartidarismo brasileiro a partir de 1982 , ver Melo (2010).

176Folha de S. Paulo – 12/05/1985, p. 9.

177

Importante destacar que, assim como em relação a muitos dos partidos que são fundados após a Reforma Partidária de 1979, foram encontradas poucas produções acadêmicas de caráter monográfico a respeito da maioria dos partidos fundados imediatamente após a aprovação da Emenda 25 em 1985, exceção feita a uma única obra publicada a respeito do PSB (Paim, 2000) e a três artigos sobre o PCdoB (Sales, 2007, 2008; Costa, 2017). Há ainda grandes lacunas a serem preenchidas na agenda de pesquisa sobre a história dos partidos políticos brasileiros.

178

Folha de S. Paulo - 19/06/1985, p.6.

179

Coluna do Castello, Jornal do Brasil, 02/08/1985.

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“O PMDB permitiu que sob sua legenda, cedida em

comodato, os comunistas pregassem a legalidade dos PCs. Eles agora são legais. Acabou-se a clandestinidade. Agora, cada político deverá lutar abertamente pela sociedade que propõe. O PMDB não admite a dupla militância. A esquerda organizada, portanto, deverá deixar-nos (...).”181

Como consequência das pressões exercidas por parte desse bloco de políticos182

e pelos próprios comunistas183 naquele novo contexto pluripartidário gerado pela

promulgação da Emenda, começa a desintegrar-se o bloco “progressista” que se

localizava no campo mais à esquerda no interior do PMDB. Como dito no capítulo anterior, esse grupo até então era formado por políticos ligados ao PCB, PCdoB, MR-8 e à chamada “esquerda independente”, composta por políticos autodenominados “autênticos” ou “autênticos históricos”, que não se filiavam a essas organizações, mas

se localizavam no mesmo campo no interior do partido184. Com a promulgação da

Emenda, enquanto os políticos ligados ao MR-8 avaliaram que seria melhor

manterem-se no interior do PMDB185, os dois partidos comunistas optam por sair da

clandestinidade à qual estiveram sujeitos desde 1947 (Fleischer, 2007: 314). Ademais, a organização de um novo partido socialista, o PSB, que contava com quadros de diferentes partidos em sua formação, também fez com que o PMDB passasse a perder políticos para esse novo partido, sendo o PSB um dos três desaguadouros dos políticos do campo da esquerda que saíram do interior do PMDB no período de 1985 a 1987.

De maneira cronológica, o primeiro dos três partidos de esquerda186 a ser

regularizado e que impactou na composição interna do PMDB é o Partido Comunista

181

Roberto Cardoso Alves, Secretário-Geral do PMDB, “Um PMDB sem comunistas”, Revista Veja, 31/07/1985, p. 122

182

Ainda em julho de 1985, um dos vice-presidentes do partido (Milton Reis) e um dos vice-líderes na Câmara (José Maria Magalhães) declaram que na próxima reunião do órgão iriam propor a proibição da dupla militância no PMDB (Folha de S. Paulo - 19/07/1985, p. 4).

183

José Paulo Neto, membro da Comissão Provisória Nacional do PCB declarou à época ao jornal Folha de S. Paulo: “Essa dupla militância – explicou - não nos agrada, porque nos foi imposta pelo regime autoritário. A partir de agora os comunistas devem ingressar no PCB, que é o seu lugar” (Folha de S. Paulo - 03/06/1985, p. 5).

184

Entre os políticos que se definiam como pertencentes à “esquerda independente”, podemos citar Francisco Pinto (BA), João Herrmann (SP), Manoel Costa Junior (MG), Airton Soares (SP), Alencar Furtado (PR), Cristina Tavares (PE), João Gilberto (RS), Egídio Ferreira Lima (PE) e Miguel Arraes (PE), um de seus principais líderes. Sobre os princípios que mantinham unidos os políticos da “Esquerda Independente”, ver o artigo “Esquerda Independente”, em Folha de S. Paulo – 08/07/ 1985, p. 3, assinado por Márcio Moreira Alves, também um de seus membros.

185

Como dito em nota do capítulo anterior, o MR-8 mantém-se no interior do partido até o ano de 2011, quando decide sair e fundar um novo partido, o Partido Pátria Livre (PPL). Importante destacar que não há qualquer estudo acadêmico sobre o MR-8 e o seu partido até o momento, mostrando mais uma das lacunas na agenda de estudos sobre os partidos políticos brasileiros.

186

PCB, PCdoB e PSB são comumente caracterizados pela literatura como partidos de esquerda (Tarouco e Madeira, 2013).

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Brasileiro (PCB)187. No dia 8 de maio de 1985, o PCB teve seu programa, estatuto e manifesto publicados no Diário Oficial da União, naquele que seria o primeiro passo a ser dado para a reconquista da legalidade perdida quase 40 anos antes188.

A perda de quadros do PMDB para o PCB se deu em todos os níveis de governo e de maneira disseminada por todo território nacional ainda no próprio ano de 1985. Na Bahia, saem do PMDB e ingressam no PCB o deputado federal Fernando de Santana e o vereador de Salvador Paulo Fábio, que se torna presidente do PCB naquele estado. Em Pernambuco, o deputado federal Roberto Freire, o deputado estadual Hugo Martins, além de Byron Sarinho, então presidente do PMDB pernambucano e que passou a dirigir o PCB naquele estado. Em Brasília, Alberto Muller Lima Torres, presidente do diretório regional do PMDB, deixou o partido. Em São Paulo, o deputado federal

Alberto Goldman189, o ex-deputado federal Marcelo Gatto (que naquele ano seria o

candidato do PCB à prefeitura de Cubatão), o deputado estadual Antônio Rezk, e o vereador por São Paulo e líder sindical Luiz Tenório de Lima. No Rio Grande do Sul, o vereador Lauro Hagemann, importante liderança local e que se torna membro do diretório nacional do PCB. Em Minas Gerais, o então vereador de Belo Horizonte e também Secretário Municipal de Turismo da cidade, Arutana Cobelio Terezia. E por fim, no Rio de Janeiro, com a saída de Modesto da Silveira, ex-deputado federal e então diretor do INCRA.

O PCdoB é o segundo partido de esquerda a sair da clandestinidade no ano de 1985 e se tornar um dos desaguadouros de quadros oriundos do PMDB190. No dia 23 de

maio o “novo” partido publica seus documentos fundacionais no Diário Oficial e passa a se organizar nacionalmente, naquilo que pode ser interpretado como um marco para consolidar sua estratégia de adesão aos processos formais de disputa pelo poder e da forma representativa de governo (Santos, 2011: 13). Diferentemente do que houve com o PCB, a saída de políticos do PMDB para ingresso no novo partido foi mais gradual. Desconfiados de que poderia haver um novo retrocesso na legislação partidária e também temendo as dificuldades para eleger parlamentares por meio de um partido

187

Não foi encontrado na literatura de ciência política qualquer estudo que tratasse especificamente do PCB a partir do ano de 1985. Para um histórico do PCB anterior ao golpe de 1964, ver Rodrigues (1983). Para um panorama das organizações políticas de esquerda até 1984 ver Cardoso (1984). Para a atuação do PCB (assim como do PCdoB) no processo constituinte ver Lima (2003). Para a história oficial contada sob a ótica do próprio PCB ver http://pcb.org.br/portal/docs/historia.pdf , acessado em 12/09/2016.

188

A título de conhecimento, entre os indicados para compor a primeira Comissão Diretora Nacional Provisória nesse novo período de legalidade do partido estão parte dos políticos que faziam parte dela em 1947, como Giocondo Dias e Hércules Correa dos Reis. Compõem ainda o órgão de direção do partido: Almir de Oliveira Neves, Givaldo Pereira de Siqueira, Ivan Martins Pinheiro, José Paulo Netto, Paulo Eliziário Nunes, Régis Savietto Frati, Salomão Malina, Sérgio Augusto de Moraes e Severino Theodoro Melo.

189 O deputado permaneceu no PCB até agosto de 1987, quando retornou ao PMDB para obter maior visibilidade política. O político amargou a perda de uma eleição para deputado federal em 1986, quando obteve boa votação mas não conseguiu eleger-se por falta de votos na legenda, retornando à sua legenda anterior e passando a orbitar em torno do grupo de Quércia até seu rompimento com ele em 1988 (Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro do Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil, CPDOC/FGV, verbete “Alberto Goldman”, e Melhem, 1988: 149).

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recém-criado191, a Conferência Nacional do partido deixa a critério de seus políticos o ingresso imediato ou posterior no PCdoB. Assim, de imediato, o PMDB perde para o PCdoB dois de seus deputados federais: Aurélio Peres (importante sindicalista, eleito por São Paulo) e Haroldo Lima (Bahia). Além disso, ainda no ano de 1985, perde outros políticos em nível local, como Benedito Cintra (deputado estadual em São Paulo) e a vereadora de Salvador Lídice da Mata (eleita deputada federal e constituinte em 1986). Ao longo dos anos seguintes, outros políticos seguem o mesmo caminho: os deputados federais Aldo Arantes (Goiás) e Eduardo Bonfim (AL) se elegem na legenda do PMDB

em 1986 mas migram para o PCdoB em fevereiro de 1987192, assim como Luiz

Caetano, que se elege prefeito de Camaçari/BA sob a legenda do PMDB em 1985 mas migra para o PCdoB em 1989.

Por fim, o PSB foi o terceiro partido a ser formado no ano de 1985193 que

contribui para uma perda de quadros à esquerda do PMDB, ainda que em menor escala em comparação ao PCB e PCdoB. Enquanto os dois partidos comunistas citados anteriormente se abrigavam dentro do PMDB de maneira estratégica, o PSB por sua vez

é formado em julho de 1985194 a partir de espólios de três partidos: PDT, PT e

PMDB195. Saem do PMDB e ingressam no partido o deputado federal José Luiz Guedes

(MG), o ex-deputado Marcelo Cerqueira (RJ, que pertenceu ao grupo dos “autênticos”

na Câmara) e o vereador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral. Ademais, ingressaram no PSB um bloco de políticos progressistas do PMDB do Amazonas, que criticavam o controle exercido por políticos vistos por eles como mais conservadores no diretório regional do partido naquele estado (sobretudo Gilberto Mestrinho, que ingressara no PMDB após a incorporação do PP), como os deputados federais Artur Virgílio Neto (que posteriormente viria a ingressar no PSDB) e a deputada federal Beth Azize. O mesmo ocorreu no estado de Pernambuco, onde os peemedebistas progressistas criticavam a indicação de um candidato com perfil mais conservador para concorrer à Prefeitura de Recife em 1985 (Sérgio Murilo Santa Cruz, também um ex-pepista)196, o que fez com que o deputado federal Jarbas Vasconcelos migrasse para o PSB para

191

Folha de S. Paulo – 09/06/1985, p. 5.

192

Além dos nomes aqui citados, o também Deputado Célio de Castro (MG) atuou durante a ANC dentro do PMDB, mas tendo assumido compromissos de defender as posições do PCdoB (Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro do Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil, CPDOC/FGV, verbete Célio de Castro). O parlamentar porém se manteve no PMDB até se tornar um dos fundadores do PSDB em 1988.

193 Sobre a fundação do PSB, ver Paim (2000).

194

Para um histórico da “refundação” do partido sob sua própria ótica, ver http://www.psb40.org.br/quem-somos/nossa-historia-2/ acessado em 03/9/2018.

195 Como exemplos de políticos que participaram da fundação do PSB, pode-se citar os pedetistas Jamil Haddad (RJ) e Rogê Ferreira (SP), e os petistas José Eudes (RJ), Paulo Frateschi (SP), entre outros.

196

Apesar de não estar dentre os objetivos desta tese analisar as eleições daquele ano, a indicação de candidaturas do PMDB para concorrer nas eleições para as capitais de alguns dos estados nos quais concorreria em 1985 parece ter seguido o mesmo caminho de Recife, com indicações de candidatos com perfil mais conservador do interior do PMDB. Foi o caso, por exemplo, de Rio de Janeiro, Goiânia, Florianópolis e Salvador (Folha de S. Paulo - 10/07/1985, p. 2).

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concorrer e vencer a eleição à Prefeitura por essa sigla197, ainda que depois tenha retornado ao PMDB durante o seu mandato198.

Como consequência desse processo de perda de políticos do campo da esquerda do PMDB, alterava-se a correlação de forças no interior do partido199, que viu uma diminuição do seu campo mais progressista200. Ao analisar esse processo, o senador Cássio Cunha Lima (PB) o compara a algo, segundo ele, ocorreria décadas depois com o PT:

“Então a gente perde, de fato, um segmento mais à

esquerda, como aconteceu com o próprio PT. Mais adiante, alguns anos à frente, o PT perdeu seu segmento mais à esquerda para o PSOL. (...) O PT terminou, em dado momento, sendo a grande frente de esquerda brasileira e depois se fragmentou. O mesmo aconteceu com o PMDB. Aí você tem um eixo mais de centro principalmente pela força de atração do governo.”201

Para além de uma mudança na sua correlação de forças, para o deputado Saraiva Felipe (MG) a saída desses políticos também teria resultado numa perda de sua consistência e de sua combatividade202, reflexo da saída de filiados identificados com o partido e que eram responsáveis por assumir responsabilidades nas campanhas eleitorais. O deputado Ubiratan Aguiar (CE) comenta sobre esse aspecto em entrevista de 1991, enquanto era membro da Executiva Nacional do partido:

“A Executiva [Nacional] avaliou que o PMDB ficou sem

militantes desde 1985, quando os partidos clandestinos que se abrigavam dentro do PMDB foram legalizados.

‘Sem o PCB e o PCdoB ficamos sem militância’” 203

Porém, na perspectiva de um dos secretários do partido, o deputado Roberto Cardoso Alves, representante de sua ala mais à direita, o partido se tornaria a partir de então “uma poderosa força de centro” no país. Um partido de centro olhando para a esquerda, dada a permanência em seu interior da chamada “esquerda independente”,

197

Jarbas Vasconcelos, em entrevista ao autor, alegou que foi uma das decisões mais difíceis que já tomou em sua trajetória política.

198 Outra importante perda do PMDB para o PSB foi Miguel Arraes, político histórico da ala autêntica do PMDB, que migrou para seu novo partido apenas em 1990.

199

Flaviano Melo, em entrevista concedida ao autor.

200 Sônia Carneiro e Saraiva Felipe, em entrevistas ao autor.

201

Entrevista ao autor.

202

Saraiva Felipe, em entrevista ao autor.

103

que teria as mesmas postulações do “centro”, mas que apenas teria mais pressa para

alcançar os mesmos objetivos204.

Ponto de vista distinto é apresentado pelo deputado Jarbas Vasconcelos (PE), remanescente da ala dos autênticos. Para ele, a aprovação da Emenda e seu impacto direto no PMDB com a legalização dos partidos clandestinos se inseriam numa estratégia anterior, do próprio Regime Militar, de pulverizar as forças de oposição em distintos partidos (tal como ocorrera com a Reforma Partidária de 1979). Segundo o político, com a flexibilização das regras para a formação de novos partidos “a intenção

podia ser clara, lógica, nobre, de criar um pluripartidarismo, mas a intenção real não era

essa. A intenção era dividir”205.

Para além desta segunda onda de evasão de quadros do PMDB, que quando comparada à primeira notamos que ela se deu mais à esquerda do que à direita do partido, há uma segunda medida implementada por meio da aprovação da Emenda 25 que também teria impacto na composição interna do PMDB. Tratou-se da queda da exigência de fidelidade partidária. A medida teve como consequência a entrada de políticos no PMDB que almejavam descolar sua imagem do moribundo Regime Militar e que se beneficiaram dessa brecha para entrar em um partido que se encontrava no governo federal e em ascensão eleitoral206. Esse grupo, formado por políticos que

chamaremos de “pragmáticos”, reforçou a ala mais à direita no interior do PMDB, que já tivera suas fileiras reforçadas a partir da incorporação do PP em 1982, aspecto este que será analisado no próximo tópico.

2.4. Os “pragmáticos” crescem e ganham terreno nos órgãos de decisão do partido