Incidências anticlericais na Colônia e o estabelecimento do Estado confessional no Brasil
5. A questão da relação entre a Igreja e o Estado nos Programas Partidários 1. Os Partidos
5.3 A questão religiosa nos programas partidários
Posto isso, passemos agora para a análise dos programas dos partidos sobre a relação entre Igreja e Estado. Américo Brasiliense de Almeida e Melo (1833-1896), na obra Os programas dos partidos e o Segundo Império (1878) – pioneiro levantamento dos “programas” dos partidos políticos brasileiros do século XIX223 – afirma que, até ao início da década de 1860, os liberais e conservadores possuíam apenas um conjunto vago de ideias políticas sem a devida organização teórica e programática. Por conseguinte, não é incomum existir um partido sem programa escrito, apesar de não existir partido que não tenha, pelo menos, um “programa informal”.
Durante toda a história do Império, o Partido Conservador não apresentou nenhum “programa política escrito” minimamente coeso. Por essa razão, a caracterização programática desse grêmio político só pode ser construída a partir quer das declarações políticas dos seus partidários no Parlamento, quer através dos artigos de imprensa e de algumas autobiografias escritas pelos seus principais protagonistas. Por conseguinte, Brasiliense, tendo como referências essas fontes, sintetizou o “programa” político desse
223 Em 1878, os programas políticos dos partidos Imperiais foram coligidos e publicados por Américo Brasiliense. Essa obra foi utilizada aqui como fonte principal na escrita do subtema em questão. Cf.: Américo Brasiliense. Os programas dos partidos e o Segundo Império. Brasília: Senado Federal, 1979 (1ª ed. 1878).
partido nos seguintes propósitos: “defesa da centralização política, toda força a autoridade e leis de compreensão contra as aspirações anarquizadoras para que se restituísse e restaurasse a paz e a ordem; o progresso pautado e refletido; e a unidade do império sob o regime representativo e monárquico, que exclusivamente conseguiria fazer a nação prosperar e engrandecer-se”224. Esta agenda política difusa nunca foi formalmente revisada durante todo o período imperial. No que tange à relação entre Estado e Igreja, os conservadores eram, na sua maioria, partidários do regalismo imperial. Defendiam as prerrogativas do Estado Imperial brasileiro frente ao ultramontanismo da Santa Sé.
Efetivamente, o primeiro partido a apresentar um programa político-partidário claro e coeso foi a Liga Progressista, de 1862225. Mesmo sendo uma novidade na arena política, o programa dessa agremiação mantinha-se dentro do campo reformista.
Propunha-se lutar pelo “adequado funcionamento do júri”, e combater a “impunidade generalizada, com a separação entre polícia e justiça, com a independência do judiciário” (tese de Nabuco de Araújo) e com a “responsabilidade dos ministros pelos atos do Poder Moderador” (tese de Zacarias de Góes). Sem muita ênfase, o programa prometia, igualmente, uma maior descentralização administrativa, ao mesmo tempo que reivindicava uma reforma eleitoral, tendo em vista reduzir a influência dos governos no resultado das eleições. A sua grande novidade, no entanto, residia na introdução do tema da emancipação dos escravos226. No que toca ao tema da religião do Estado, o programa manteve-se dentro do mesmo espírito regalista e reformista. No entanto, deve ser frisada esta novidade programática: a sua defesa da ampliação do acesso aos cargos públicos, até então vedado aos cidadãos que não professavam a religião católica.
Como vimos, durante a crise interna da Liga Progressista, formou-se um outro grupo político, composto por descontentes que deram vida ao Centro Liberal, agremiação de onde surgirá o novo Partido Liberal227. Com efeito, através de um longo manifesto,
224 Américo Brasiliense. Os programas dos partidos e o Segundo Império, pp. 12-13.
225 A comissão encarregada de redigir o documento era composta por Nabuco de Araújo, João Pedro Dias Vieira e Zacarias de Góes e Vasconcelos, sendo o principal redator o primeiro.
226 Américo Brasiliense. Os programas dos partidos e o Segundo Império, pp. 13-14.
227 O “programa” dos liberais foi o que mais sofreu alterações ao longo do Império. Em 1831, o velho
“Partido” Liberal adotara posicionamentos bastante radicais para a época, visto que defendia uma monarquia federativa, a extinção do Conselho de Estado e a defesa do Senado eletivo e temporário. Entretanto, “este primeiro partido liberal foi praticamente dizimado com a repressão às revoltas” regenciais. Dez anos depois, já no Segundo Reinado, haviam moderado o discurso, passando a defender certa autonomia provincial e não mais o federalismo. Lutavam pela justiça eletiva, pela separação da polícia e da justiça, pela redução das atribuições do poder moderador. Entretanto, no que dizia respeito às relações entre Igreja e Estado não fazia nenhuma referência a qualquer mudança no status quo da religião do Estado; apenas lutavam por maior liberdade de consciência. Cf.: Ângela Alonso. Ideias em movimento, p. 69; Américo Brasiliense. Os programas dos partidos, pp. 7-10.
publicado em 31 de março de 1869, e por meio de um breve programa político, divulgado em 4 de maio – todos com redação inicial de Nabuco de Araújo – esta organização explicitou ao que vinha, ao propor: a imediata reforma eleitoral; a reforma policial e judiciária; a abolição do recrutamento forçado; o fim da guarda nacional e a emancipação dos escravos228. Porém, no que tange à relação entre Estado e Igreja, não representou nenhuma modificação ao status quo, apesar de exigir um maior respeito pelo cumprimento constitucional do principio da liberdade de consciência.
Em 7 de abril de 1869, a ala do novo Partido Liberal mais à “esquerda” fundou o
Club da Reforma, tendo como veículo divulgador de suas ideias o jornal A Reforma, sob a direção do liberal histórico Francisco Otaviano229. O Club passou a agremiar as tendências mais radicais no interior dos liberais. Sérgio Buarque de Holanda, chamou a atenção para os limites deste radicalismo liberal, na medida em que, “depois de desenvolverem uma cerrada argumentação, que redundaria, em suma, na denúncia do regime monárquico, responsabilizados por todos os males que condenam, não chegam, entretanto a esse extremo. Só em 1870 é que boa parte dos componentes da agremiação se decide finalmente a cortar o nó górdio, e assim o movimento radical já não tem sentido. De fato, se alguma importância cabe atribuir a esse movimento, está em que já traz no bojo a ideia republicana”230.
Mesmo “não tendo sentido”, os liberais “radicais” existiram durante as duas décadas finais da monarquia. Por conseguinte, era essa a ala do partido liberal que defendia soluções mais progressistas, entre elas a proposta para o estabelecimento de um Estado laico, eco da evolução da “questão religiosa” após o Vaticano I.
Um bom exemplo que evidencia essas duas tendências dentro do grêmio liberal pode ser percebido no documento manuscrito que se encontra no Instituto Histórico e Geográfico do Brasil. Em 1877, diversos integrantes do Partido Liberal agitavam-se em relação ao tema da separação entre Igreja e Estado. Em função disso, relata Joaquim Nabuco, em 1º de julho desse ano, uma comissão do Club da Reforma, composta por José Liberato Barros, Joaquim Serra, Couto de Magalhães e Tito Franco, elaborou um programa reformista sobre essa matéria, sugerindo as seguintes medidas: o registro civil
228José Murilo de Carvalho analisa cada uma dessas reformas, cf.: Liberalismo, radicalismo e republicanismo, pp. 13-18.
229 Nelson Werneck Sodré. História da Imprensa no Brasil. 4ª Ed. (Atualizada). Rio de Janeiro: Mauad, 1999, p. 202
230 Sérgio Buarque de Holanda. História Geral da Civilização Brasileira. O Brasil Monárquico. Do Império à República. 4a ed., t. II, v. 5o. São Paulo: Difel, 1978, p. 118. Nota: a redação completa deste volume coube ao próprio organizador da coleção, isto é, Sérgio Buarque de Holanda.
dos nascimentos e óbitos; o contrato civil obrigatório de casamento; a secularização dos cemitérios públicos; a liberdade plena de religião com o seu culto externo e público; a supressão do 3º parágrafo do art. 95 da Constituição (que impossibilitava a eleição dos acatólicos)231. O senador Sinimbu, porta-voz do grupo, solicita ao Centro Liberal uma reunião com a finalidade de discutir o projeto. Nabuco de Araújo, “aborrecido, desgostoso de tanta agitação improfícua”, respondeu ao seu velho amigo por meio de uma carta enviada em 21 de julho de 1877. Apesar de longa, a sua transcrição é importante por revelar a posição pessoal de uma das principais lideranças do novo Partido Liberal sobre questões que particularmente nos interessam nesta tese.
Ilmo Exmo Sr. Conselheiro João Luís Vieira Cansanção de Sinimbu
Recebi a carta de V. Exa. de 21 de julho, requisitando a convocação do Centro Liberal para tratar do parecer da Comissão do Clube da Reforma, que foi publicado em o nº 126, da Reforma deste ano. Antes de tudo devo dizer a V. Exa. que, à vista dos Artigos Orgânicos do Centro Liberal, a convocação dele compete à Comissão Executiva. Não tenho, porém, hesitação alguma em fazer a convocação requisitada. Escuso-me, todavia de comparecer às sessões em que o dito parecer for tratado: 1º porque não posso, em razão de meus incômodos e trabalhos; 2º porque o nosso programa político [isto é, o programa da ala moderada dos liberais] tem a necessária elasticidade para admitir a solução da matéria que faz objeto do mesmo parecer, quando for oportuno. Para quê este programa, atualmente, quando não temos o poder para realizá-lo, e é certo que ele vai suscitar divergências e divisões que podem complicar ainda mais a situação do partido? Devo dizer com franqueza a V. Exa. que não quero a responsabilidade de ideias radicais, que implicam com as minhas convicções; que divirjo profundamente, intransigentemente, de algumas das soluções do parecer.
Então, passa a fazer considerações sobre as reivindicações do Club da Reforma:
Entendo que a 1ª e a 2ª devem ficar reservadas para o Código Civil. Sobre a 2ª destas, a minha convicção, tendo por base o princípio da liberdade, se traduz na seguinte disposição ou tese: primeiro, o casamento, em regra geral, será contratado e celebrado com as condições e formas prescritas pela religião dos contraentes;
231 Joaquim Nabuco. Um Estadista no Império. Nabuco de Araújo. Sua vida, suas opiniões, sua época. Tomo III. Rio de Janeiro: H. Garnier Livreiro-Editor, 1899, p. 403.
segundo, aqueles que, por uma causa qualquer, não puderem ou não quiserem celebrar assim o seu casamento, poderão contratá-lo e celebrá-lo pela forma puramente civil, segundo as regras estabelecidas pela lei, e o casamento terá todos os seus efeitos civis. E nem se fale em casamentos diferentes no mesmo país, porque a forma obrigatória os não evita, visto como a maioria há de procurar, depois da forma civil, a bênção religiosa. Quanto à 3ª solução, eu a aprovo, se ela se refere aos cemitérios municipais ou estabelecidos e mantidos pela autoridade pública. Entendo que esses cemitérios devem ser comuns para todos como é a cidade, e são os impostos. Todavia a secularização não impede a cerimônia religiosa em relação à sepultura de cada um, conforme a sua religião. O cemitério não será bento, mas será benta a sepultura do católico que nele for enterrado. A 4ª solução, sem condições de lugares e população, implica com a religião do Estado, cuja separação ou abolição
eu não posso atualmente admitir. Com efeito, autorizar a plena liberdade do culto
externo, quando a população do interior é quase toda, se não toda, católica, é provocar grandes desordens e conflitos. A 5ª solução tem minha adesão e aplauso. Em resumo: plena liberdade de consciência, mas a liberdade de culto externo, dependente do lugar ou de certa relação da população católica232 (grifo acrescentado).
Como sempre De V. Ex. Amigo velho e querido colega José Thomas Nabuco de Araújo.
Como se vê, Nabuco de Araújo separa-se do radicalismo do Club da Reforma. Em sua compreensão, o programa político liberal tinha a elasticidade suficiente para contemplar o que era necessário transformar. No entendimento do pai de Joaquim Nabuco, o radicalismo poderia “complicar ainda mais a posição do Partido”, visto que, desde 1871, a chefia do gabinete ministerial estava nas “mãos” dos conservadores. Numa atitude claramente protelatória, Nabuco de Araújo rejeita assumir o protagonismo na resolução de três das principais questões que estavam inquietando parte dos liberais, isto é, a questão do registro civil, do casamento civil e da separação entre Igreja e Estado. Apoiou parcialmente a secularização dos cemitérios e abraçou integralmente a defesa da liberdade de consciência, bandeira histórica dos liberais, o que não representava inovação alguma. Essa carta é representativa da posição do Partido Liberal no Império, sempre
232Carta de José Thomas Nabuco de Araújo ao Conselheiro João Luís Vieira Cansanção de Sinimbu. In: Arquivo do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (doravante IHGB), S/D. Documento manuscrito. Códice: DL – 370-9, S/l, 22.07.1877, 4 p.
vacilante e tático quando se tratava de reformas radicais, vacilação que por diversas vezes, contraditoriamente, os conservadores não apresentavam. Daí que, não raro tinham sido estes a assumirem e realizarem algumas das bandeiras políticas dos liberais.
Finalmente, o programa dos republicanos. Como mencionado acima, uma parte dos ligueiros uniu-se em torno do movimento republicano. O documento que marca a inserção definitiva dos republicanos na arena política do Segundo Reinado foi o longo
Manifesto Republicano de 1870. Além de incorporar no seu programa as reivindicações do Partido Progressista, as duas principais bandeiras dos republicanos, expressas ao longo de todo o Manifesto, foram: a supressão da monarquia – responsabilizada no documento por todos os males do Brasil – e a implantação do federalismo, entendido como principal instrumento político de equidade governamental233. Curiosamente, não aparece no documento nenhum passo atinente à defesa da separação entre Igreja e Estado, e nem outras propostas consideradas como radicais e caras aos republicanos. A única referência à Igreja está na acusação de que a adoção monárquica de uma “igreja privilegiada” representava a efetiva anulação da “liberdade de consciência”. Isto é, reproduziam-se as propostas dos programas liberais monarquistas, ou seja, a liberdade de consciência e de religião234. Essa constatação nos autoriza a sustentar que o advento do republicanismo ainda foi cauteloso no que concerne à reivindicação explícita de um Estado laico235.
Talvez devido aos efeitos das decisões do Concílio Vaticano I e aos ecos da Comuna de Paris, mais radical foi o documento preparado pelos republicanos paulistas. Nas Bases para a Constituição de São Paulo, formuladas pela Comissão Permanente do Congresso Republicano em 19 de outubro de 1873, o § 2o do art. 52, prometia que o novo
233 “O longo manifesto fazia uma retrospectiva das críticas formuladas na última década. Resumia a dois pontos principais suas próprias objeções, a falta de democracia e a centralização. (...) Não menos longo era o capítulo dedicado ao ataque à centralização política e administrativa. O federalismo, isto é, a autonomia das províncias transformadas em estados, era exigência da própria geografia nacional. O capítulo terminava com a conhecida alternativa: centralização – desmembramento. Descentralização – unidade”. Cf.: José Murilo de Carvalho. Liberalismo, radicalismo e republicanismo, p. 16.
234 Ver o Manifesto Republicano completo em: Américo Brasiliense. Os programas dos partidos, pp. 61-85.
235 Nem sempre a agenda anticlerical coincidia com a republicana. Era perfeitamente aceitável a defesa da monarquia ao lado da defesa da separação entre o Estado e a Igreja. Exemplos: Silveira Martins, o mais radical dos anticlericais e o mais aplaudido dos conferencistas radicais, depois da proclamação da República, foi um dos que se empenharam na tentativa de restaurar a Monarquia. Outro exemplo, Joaquim Nabuco, que escreveu um panfleto “porque continuo como monarquista”. O próprio Rui Barbosa não era um republicano convicto; só aderiu à república por entender que este regime implantaria o federalismo, uma de suas grandes bandeiras políticas. Barbosa, mesmo sendo amigo de Saldanha Marinho, não assinou o manifesto republicano de 1870.
regime iria estabelecer a plena “liberdade religiosa, sob a base da absoluta separação e independência entre os poderes temporal e espiritual”236.
Em suma: tendo como referência os programas políticos dos conservadores, progressistas, liberais (moderados e radicais) e dos republicanos, é perceptível a existência, até 1870 (por conseguinte, antes da questão dos bispos), de um grau bastante moderado de propostas programáticas no que respeita à religião do Estado, sinal de que essa matéria não era prioridade para a maior parte da elite política imperial. Todavia, esta atitude não impediu que alguns militantes dos referidos partidos tivessem defendido posições – individualizadas, ou de pequenos grupos – que iam mais longe, tendo como modelo, quer o exemplo dos EUA, quer o que ia ocorrendo em países católicos sob impacto do pontificado de Pio IX e das controvérsias que desembocarão nas decisões polêmicas do Concílio Vaticano I.
Portanto, a crise política de 1868 foi um grande divisor de águas entre a estabilidade do Segundo Reinado e a sua longa crise – décadas de 1870 e 1880 –, que culminará na abolição da escravatura e na queda da Monarquia, com a implantação da República. E esta onda também trará o fim do regalismo e padroado, a separação entre Igreja e Estado, a implantação do casamento civil e do registro civil, liberdade religiosa e secularização dos cemitérios, assim como a reafirmação, com mais ênfase, da liberdade religiosa. Em cinco anos – de 1868 a 1872 –, ficaram definidas as bases da oposição ao sistema monárquico no Brasil e a crítica ao seu sustentáculo ideológico – a religião do Estado.
À luz de tudo o que ficou exposto, julgamos ser pertinente defender que a especificidade do caso brasileiro na implantação da separação entre Igreja e Estado está associada a quatro vetores que, tendo pesos diferentes, contribuíram para enfraquecer o consenso que sustentava a ordem do Império. São eles: a dissidência política dos dois principais partidos imperiais; como consequência dessa cisão, a formação, por razões internas e por ecos externos, de uma ala política radical e republicana (1870); a frente comum da maçonaria contra a “invasão” ultramontana; e, por fim, a questão dos bispos, que adiante analisaremos. Tudo somado, não deve surpreender que – numa conjuntura em que a Igreja de Roma reforça os seus ataques contra o progresso do “modernismo”, contraofensiva bem visível na doutrinação de Pio IX e nas decisões do Concílio Vaticano I – o clericalismo tenha despertado, reatualizado e, depois, radicalizado a herança
antijesuítica, anticongreganista e anticlerical que vinha das décadas fundacionais da independência política. E o modo como o “poder moderador” irá responder, em concreto, aos novos tipos de conflitualidade, incluindo as respeitantes à “questão religiosa”, que passaram a atravessar as elites políticas que o tinham sustentado, foi, em nossa opinião, um fator não despiciendo no processo que foi debilitando a instituição monárquica no Brasil.