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A UNICULTURAL COMO UM PROCESSO EDUCATIVO CONTÍNUO

3 A RELAÇÃO ENTRE EDUCAÇÃO E CULTURA COM BASE NA

3.3 A UNICULTURAL COMO UM PROCESSO EDUCATIVO CONTÍNUO

Pode-se considerar a Unicultural como sendo um paradigma emancipador, pois esta atividade pensada e criada pela Unibalsas tem um viés “gnosiológico” (TORRES, 2013), por proporcionar, durante sua organização e realização, um debate acerca das leituras de mundo do público participante e de suas relações com a realidade na qual vivem e na qual a subjetividade é primordial. A Unicultural serve como uma fonte de informações para a reflexão em torno da origem das culturas, que se encontram na região do Matopiba, do pensar

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e do construir o mundo “tal como ele é”. Possibilita também a reflexão em torno da natureza das ações pensadas e executadas pelo coletivo ou individual para mudar ou repensar este “mundo”, o seu mundo.

A Unicultural possibilita uma reflexão crítica e pode ser compreendida também como Educação Popular, sendo a “herdeira de uma velha tradição: a de transformar o conjunto social, privilegiando a educação como ferramenta fundamental” (PÉREZ, 2000, in TORRES, 2013, p. 16). Tal compreensão se dá justamente pelo fato de a Unicultural utilizar exatamente do campo da educação como ferramenta e via de acesso para fazer o seu público refletir sobre seu mundo, seus atos como cidadão, seus atos como um “Ser” de cultura, de identidade e como um “Ser” que está em constante transformação, motivado pela relação cultural que muito fortemente ocorre na região do Matopiba.

“Podemos afirmar que a educação popular, como prática educativa e corrente pedagógica, está presente em diversos lugares sociais: coletivos e organizações de base, movimentos sociais, organizações civis, experiências escolares e culturais, etc” (TORRES, 2013, p. 19). A diversidade típica dos locais onde pode ocorrer e de fato ocorre a educação, possibilita o entendimento de que a cada edição da Unicultural as culturas e a educação estão estreitando seus laços em busca de algo em comum, sejam novos conhecimentos, novas amizades, novas maneiras de ver e de relacionar-se com o mundo, com a região ou com novas culturas.

A Unibalsas que começou a ser pensada em meados de 2005, foi estruturada por pessoas pertencentes a culturas, idades, desejos, identidades e leitura de mundo diferentes. Essa multiplicidade de valores fez surgir uma nova possiblidade para a região do Matopiba, que até então buscava apenas em produzir alimentos e gerar empregos. Com o passar dos anos, a preocupação com a produção de alimentos e empregos continuou, mas junto a esta preocupação também veio a consideração com a cultura do outro, sua identidade, os meios de convívio e crescimento em coletivo, juntando o que há de melhor em cada um, em cada cultura, em cada identidade. Isso foi possível através da Faculdade de Balsas, por meio de suas atividades educacionais.

Em 2008, como já foi anteriormente descrito, a Unibalsas promoveu a primeira edição da Unicultural – Arte e Cultura no Saguão, a qual tinha o intuito de demonstrar um sentimento de respeito à arte e à cultura de uma terra e de um povo que acolheu não só famílias vindas de outras regiões do país, mas também suas bagagens identitárias, culturais e de tradição. Isso se resumiu em uma demonstração de como era essa região com suas danças, culinária, meios de transporte, música típicas e vocabulário. Muitos dos estudantes da

Unibalsas, em 2008, eram filhos desta região. Porém, tantos outros estavam chegando e ficaram conhecendo e entendendo a cultura Maranhense, ou Balsense por meio desta atividade que foi realizada no saguão e nos corredores da faculdade, como ainda acontece.

Além disso, contaram com a participação da comunidade interna e externa, que sempre interagiu realizando trocas de conhecimentos históricos, científicos e populares. Freire (in TORRE, 2013, p. 27) afirma que “não é possível conhecer sem o desejo de conhecer, se não há envolvimento com o que se aprende. Conhecer não é uma atividade asséptica: é uma atividade intencional e ligada de maneira densa a um projeto”. A Unicultural, como projeto de atividade educacional, resiste ao passar dos anos e se renova a cada edição, por entender que o público se envolve com a possibilidade de aprender “coisas” novas. Ainda é possível perceber que o público interno e também a comunidade, tornam-se a própria atividade. O projeto Unicultural existe porque os sujeitos envolvem-se de muitas maneiras com o que estão aprendendo.

Nas edições da Unicultural de 2009 e 2010, Arte e Literatura e Arte e Cinema, respectivamente, os públicos interno e externo marcaram fortemente sua participação e interação com as atividades propostas pela Unicultural, através da arte literária balsense. Muitos autores locais e regionais participaram neste momento, trazendo suas produções textuais para conhecimento e contemplação de todos seus escritos. Além do público ficar conhecendo as obras literárias e seus autores, também pode apreciar lindas obras de arte que retratavam as paisagens e realidades da região Matopiba em telas. Músicos também se fizeram presentes com suas composições, que relatavam mais detalhes da história do povo que sempre viveu e viu crescer e transformar, o povo, a terra, a cultura as identidades nesta região.

Os relatos e retratos da região do Matopiba, possibilitaram a todos conhecer, refletir, entender e compreender um pouco do que estava acontecendo na época ou aquilo que já havia sido vivido até o momento. “Qualquer ação educativa popular deve partir de uma atitude intelectual e moral crítica frente ao contexto; tal atitude implica sensibilidade em relação ao contexto e capacidade para reconhecer o que Freire denominou “situações-limites”” (TORRES, 2013, p. 28). Assim, com sensibilidade em relação ao contexto, é que cada sujeito adquire a capacidade de colocar-se criticamente diante do mundo em que está vivendo coletivamente.

Se colocar diante do mundo e se relacionar com a realidade vivida foi primordial na Unicultural de 2012. Essa edição contou com a participação maciça do público ao disponibilizar um tributo à música com o auxílio da tecnologia, recriando uma boate no

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saguão da Faculdade. O evento disponibilizou terminais de música e vários instrumentos musicais para o público não só contemplar, mas tocar e utilizar a ponto de compartilharem e reproduzirem com o coletivo suas músicas preferidas. Para aqueles que quiseram soltar a voz, foi disponibilizado um karaokê a partir do qual se estabeleceu uma espécie de torneio, que premiou os três melhores cantores. Os terminais de música davam a possibilidade do público saber que gênero musical era mais tocado em diferentes épocas, em diferentes regiões.

Assim, muitos conseguiram compreender de onde originou-se o gosto por um determinado ritmo ou simplesmente passaram a conhecer a origem dos ritmos mais tocados na região. Essa atividade que pode parecer simplista faz parte do conhecer ou reconhecer “que carregamos uma herança cultural impregnada de racionalidades, formas de conhecer, de valorar e de sentir acríticas, ingênuas, fatalistas, dogmáticas, dicotômicas, excludentes, que bloqueiam o pensamento e a vontade de transformação” (TORRES, 2013, p. 28). É no intuito de não deixar bloquear os pensamentos que a Unicultural se renova a cada ano. É na pretensão de fortalecer e valorizar cada cultura e cada pensamento de transformação coletiva que a Unicultural traz novos assuntos, novos temas para a reflexão e para o debate coletivo, não se limitando ao âmbito da educação.

O que se deseja com a Unicultural é que seu público adquira pensamento crítico, que cada sujeito envolvido nesta atividade aprenda a ler e viver o mundo por conta própria, que cada um seja capaz de criar e recriar o seu mundo ou que o transforme coletivamente para viver e conviver cada vez melhor em sociedade. Pensando nisso, a Unicultural trouxe para os seus sujeitos a Cultura Indígena, que foi apresentada em 2013, por meio de muita dança, informação, teatro, música, comidas típicas e réplicas de suas aldeias, costumes e utensílios de caça.

Como criar novas possiblidades se não há conhecimento das origens dos povos, se não há compreensão sobre a cultura que cerca a todos? A criação de algo novo depende de conhecer o que já se passou. A criação ou o pensamento sobre as formas de convívio entre culturas e identidades ditas diferentes se faz a partir do momento em que é possível conhecer a cultura e a identidade do outro, quando se reconhece que na grande maioria todos possuem uma mesma base cultural. O que aconteceu foram pequenas e numerosas transformações no lugar, nos costumes, nas formas de viver e conviver do local.

Com o entendimento sobre a necessidade de se conhecer e reconhecer a cultura do outro é que, em 2014, a Unicultural apresenta a cultura Afro-brasileira. “O conhecimento não é algo dado e fechado, mas se reconstrói permanentemente de forma subjetiva. A interrogação, o assombro, o questionamento, o mistério, o diálogo são motores de indagação

intelectual social, artística, moral e política” (FERRER, 1998, in TORRES, 2013, p. 29). A possibilidade de reconstrução do conhecimento pode ser vista na provocação feita na Unicultural deste ano (2014), quando ao sair do saguão principal o público era convidado a passar por um túnel no qual foram colocadas imagens que retratavam o sofrimento dos escravos.

Também neste túnel, se encontravam objetos que caracterizavam os costumes, as vestes e os móveis daquela época. Ao final do túnel havia um tronco no qual os sujeitos participantes da Unicultural fixavam um pedaço de papel, nele estavam descritos os pensamentos e atitudes que escravizam a sociedade na época. Essa interrogação, esse assombro ao se questionar, ao dialogar com o outro, demonstra o quanto a sociedade precisa ser provocada a pensar sobre suas atitudes, sobre seus conhecimentos, sobre suas verdades. São em momentos como estes que os sujeitos realizam uma avaliação e se reconhecem, ou não, como inacabados, como sujeitos que ainda não são capazes de pensar criticamente por si mesmos.

O reconhecimento é necessário para que se possa lançar um novo olhar sobre o mundo, e entender, a partir disso, que é possível olhar e criticar o mundo por si mesmo. Porém, sempre se faz necessário o diálogo entre sujeitos de classe, cor, cultura e identidades diferentes para que possa haver um entendimento coletivo e uma construção de atitudes ou ideias conjuntas para transformar o lugar onde se vive. A partir desse reconhecimento e dessa base cultural, inicia-se uma nova fase na Unicultural. Primeiro trabalhou-se com as origens culturais, mostrando o surgimento da cidade de Balsas, valorizando a cultura local e regional. Sempre se trabalhou o local como ponto de partida em expansão em direção ao global. A partir de 2015 foram abordados assuntos mais genéricos e de preocupação coletiva, como as “Cores” e a “Água”. No entanto, uma característica permaneceu intocável: a valorização do local (ponto de partida) em expansão para o global.

As cores trabalhadas na Unicultural de 2015 trazem ao público aspectos divertidos da sua utilização. Traz ainda a arte, o artesanato, o brilho, a alegria, a medicina, a cura através das cores. Estes aspectos são o retrato do povo balsense, que se mistura cada vez mais no âmbito cultural. Os gaúchos trazem consigo as cores escuras (característico da busca pelo calor), os cariocas trazem o colorido (do samba) e os nordestinos trazem a junção destas cores na valorização da terra, da natureza.

O respeito é passado de geração para geração não só em meio a família, mas em ambiente escolar é possível ver os traços da cultura fortemente presentes e sendo preservados, através da valorização da cultura balsense. Este feito ficou fortemente retratado em 2016, na

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Unicultural Água. As escolas municipais participaram não somente como visitantes, mas também como expositores de suas maquetes feitas sobre o rio Balsas e a cidade de Balsas, pensando a relação dos sujeitos com o rio, com as questões da natureza, água, poluição, cuidado coletivo. O respeito da comunidade é tanto que, ao entrar no rio Balsas, que corta a cidade, os mais antigos pedem sua licença fazendo o sinal da cruz.

A Unicultural é uma atividade pedagógica popular, a partir do momento em que pensa e pratica a valorização da cultura e dos saberes local em expansão para o global. Parte-se do conhecimento teórico, prático e empírico dos sujeitos participantes da Unicultural para ensinar além do que se vê. Apesar de ter sido uma atividade pensada de forma despretensiosa no início, a mesma tornou-se um marco educativo de valorização e expansão cultural. Hoje é reconhecida como um ponto de encontro cultural, educacional, de conhecimento, de reconhecimento, reflexão e formação de pensamento crítico autônomo de muitos sujeitos.

O debate acerca da relação entre educação e cultura existe há muito tempo. A cada ano que passa a sociedade vai se modificando e junto a isto a relação entre educação e cultura também se modifica. Tais modificações são vivenciadas com uma maior frequência na região do Matopiba, mais especificamente em Balsas/MA. Como possibilidade para entender a dinâmica existente entre educação e cultura nessa região, esta dissertação buscou estudar a realidade da Unicultural.

Para este estudo foi realizado um levantamento histórico da cidade de Balsas/MA, que foi constituída às margens de um rio e teve como primeiro morador um migrante do sertão da Bahia. A cidade de Balsas/MA possui uma diversidade cultural muito propícia para o desenvolvimento de hábitos coletivos, sendo possível considerá-la o berço da diversidade cultural no Brasil. Muitos migrantes vieram para esta região à procura de melhores terras para o cultivo da agricultura e com o passar dos tempos a atividade foi se fortalecendo, desenvolvendo novas cidades e a sociedade. Isso possibilitou a criação de espaço para novas perspectivas e uma delas foi a melhoria da qualidade do ensino superior, principalmente. Com o avanço econômico, as faculdades Federais, Estaduais e particulares passaram a fazer parte dessa nova sociedade.

Os avanços ocorridos na região do Matopiba têm muito a ver com a globalização, que tem se feito cada vez mais presente no dia a dia dos sujeitos e desempenha um importante papel de influência nas migrações. Em decorrência disso, a educação também sofre as consequências da globalização, bem como as questões culturais e de identidade. Para Milton Santos (2015), a sociedade hoje vive em um “mundo confuso”, no qual já não se faz mais necessário sair da própria casa ou comunidade para conhecer outras realidades. As fronteiras já não existem mais entre as sociedades e a ideia de espaço-tempo sofreu modificações. Essa é a realidade já vivenciada e comprovada durante o convívio na região de multiculturas.

A inexistência das fronteiras fortalece a ideia da crise de identidades, elencada por Hall (2014). Essa possível crise está diretamente relacionada com a globalização e em consequência com os altos índices de migração. A ideia se justifica a partir do pensamento do sujeito de Balsas/MA como homem pós-moderno. Esta característica é baseada em pontos observados nos sujeitos que ali residem atualmente, muitos imigrantes, que modificaram sua cultura, realizaram trocas culturais, de costumes e de identidade, demonstrando que não há uma identidade que seja fixa, que seja essencial ou permanente. O não pertencimento a uma

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única cultura é “peça” fundamental para se entender as grandes mudanças culturais e indenitárias de um lugar, em especial a cidade e sociedade de Balsas/MA.

O entendimento desse “não pertencimento” que alimenta a hipótese desta dissertação, contribui com a construção de uma hibridação cultural visto que a região está se reconstruindo/remodelando, determinada pela hibridação cultural. E como já é de conhecimento, o contato entre diferentes culturas exige atenção. A ocorrência desta atenção pôde ser observada na Faculdade de Balsas durante a Unicultural, atividade que possibilita o encontro entre diferentes culturas, idades, identidades, gêneros e ideias. A Unibalsas vê e entende na Unicultural uma atividade educativa-cultural e como processo de ensino- aprendizagem inteiramente vinculado à sociedade interna e externa.

A partir da apresentação histórica sobre a cidade de Balsas/MA, da Faculdade de Balsas, das migrações que ocorreram para e na região do Matopiba, do conceito de globalização e sua relação com estas migrações, trabalhou-se nesta dissertação os conceitos de cultura, educação, educação popular, multiculturalismo, interculturalidade e hibridação, todos apresentados para que fosse possível ter um entendimento teórico sobre a relação entre educação e cultura e sua importância na compreensão sobre as mudanças que ocorrem nas sociedades, pensando principalmente na sociedade Matopiba. Durante a apresentação destes conceitos, foi questionada a ordem do ensinar e aprender e, mais uma vez, houve a certeza que esta ordem não possui exatamente uma sequência lógica ou dita correta. O ensinar e o aprender se dão durante a realização de uma atividade educativa-cultural, durante um diálogo entre sujeitos, durante a reflexão de uma situação, durante a tomada de ação após uma reflexão-ação, e é para além disto o que se pode observar na Unicultural.

A pesquisa foi realizada em dois momentos, os quais foram caracterizados pelo embasamento teórico (conceitos e parte histórica) e pela pesquisa participante, na qual a pesquisadora foi a campo observar e coletar materiais para a sua análise. Esses dois momentos se deram a fim de observar na teoria e na prática, a relação entre educação e cultura com base na Unicultural, buscando evidenciar as características e diferenças culturais presentes na região do Matopiba e compreendendo a importância da valorização e o uso da cultura como processo educativo. Analisando a Unicultural como processo educativo baseado nas matrizes culturais locais, foi possível perceber o ambiente acadêmico como espaço de excelência para o pluralismo cultural e essa diversidade como potencial formativo educativo privilegiado. A pesquisa também buscou evidenciar, através da Unicultural, sua manifestação educativo- cultural e o processo de hibridação cultural que se entende estar acontecendo na região do estudo.

A metodologia de pesquisa utilizada possibilitou chegar a um entendimento de que, primeiramente, a teoria e a prática são dois processos que não ocorrem de forma isolada um do outro. Não há prática sem teoria e não há teoria sem prática, uma compõe a outra, assim uma não existe sem a outra. Além disso, foi possível evidenciar e certificar que há diferenças culturais no Matopiba e que estas estão muito presentes entre os sujeitos e sociedade. É perceptível que há uma valorização entre os sujeitos sobre a existência de outras culturas neste meio e que atividades educativo-culturais como a Unicultural são importantes para que o respeito e a troca entre as diferentes culturas ocorram de forma natural e espontânea. Para, além disso, o estudo auxiliou no entendimento de que, não só a Unicultural ocorre na intenção de relacionar educação e cultura, muitas outras atividades são desenvolvidas por outros órgãos e já ocorrem baseados nesta relação. O que acontece é que essas atividades muitas vezes são pensadas alheias ao reconhecimento e ao intuito da relação entre educação e cultura.

Durante a observação da Unicultural e dos sujeitos participantes da atividade estudada, o que se pode perceber foi a ocorrência do processo educativo por meio da valorização da cultura local, ou melhor, da valorização da cultural dita como “matriz” (a partir da qual se originou a cidade de Balsas/MA). Esta valorização da cultura matriz como ponto de partida para a educação dos sujeitos, reafirma a Unicultural como parte da Educação Popular e como processo educativo-reflexivo, fortalecendo a relação entre educação e cultura como parte do processo de ensino-aprendizagem.

Fortalecer a relação entre educação e cultura leva a crer que o ambiente acadêmico pode sim ser um espaço de excelência para o pluralismo cultural. Essa multiplicidade pode servir como potencial formativo neste espaço educativo privilegiado, evidenciando, para além das manifestações educativos-culturais, os processos de hibridação cultural que podem estar acontecendo na região de estudo (que por hora não ficaram totalmente evidentes nesta pesquisa).

É possível reconhecer, no decorrer desta pesquisa, as proximidades e a legitimidade da Unicultural ser uma atividade educativa-cultural-reflexiva, na qual os sujeitos interagem entre si e com os temas expostos e trabalhados em outras edições do evento. O que se pôde evidenciar, foram as características e diferenças culturais que estão presentes na região de estudo. O que é possível de se entender também, através deste estudo, é a importância de valorizar e usar a cultura como parte do processo educativo, bem como se trabalha na educação popular a valorização do conhecimento que cada indivíduo possui. A educação, então, se dá a partir da realidade de cada sujeito buscando sempre superar essas margens. Também é uma das provocações da Unicultural para com seu público, fazer refletir e agir

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sobre suas propostas de reflexões sempre em busca de superar/melhorar o que se tem por realidade. Assim, o que mais pode ser pontuado nesta pesquisa é a multiculturalidade e a interculturalidade existente na região do Matopiba, com Balsas/MA ao centro, e principalmente na Unicultural.

Fica assim a ocorrência do processo de hibridação cultural ainda subentendido como fator de ocorrência constante neste local, justamente por se identificar o alto índice de multiculturalidade e a presença de atividades interculturais. É a partir destas identificações que se trabalha com a possibilidade de estar havendo um processo de hibridação cultural neste local. Outro ponto que possibilita maior ampliação de conhecimentos e de pesquisa são as