3 Resultados
3.4 A validação da narrativa no grupo hermenêutico
Alguns meses após o encontro onde ocorreu Grupo Focal, foi realizado o novo encontro combinado, o grupo hermenêutico. Neste dia, apesar de todos os participantes do Grupo Focal terem sido convidados e avisados da data e horário, três deles não compareceram. Uma justificou que naquele dia da semana estaria trabalhando em outro projeto, outro havia se desligado do Ponto Benedito há algum tempo (mesmo assim foi avisado), e outro confirmou que viria, porém no dia não compareceu e não justificou. Dessa forma, compareceram quatro integrantes.
O grupo foi interrompido logo no início do diálogo por uma situação, que envolveu outro trabalhador do empreendimento (que não era participante da pesquisa). Houve uma briga deste com uma pessoa no espaço externo, que ficava bem de frente à janela que estávamos. Tal discussão gerou uma desestabilização psíquica neste trabalhador, que adentrou a sala onde estávamos, bastante nervoso. Enquanto todos os presentes tentavam lhe acalmar e alguns colegas tentaram lhe conter, um ato de agressividade contra a contenção dos colegas fez com que atingisse com as mãos em um golpe na cabeça de outra colega (participante da pesquisa, que no momento estava sentada em nossa roda para o grupo).
Nitidamente não intencional, não chegou a machucar, mas a deixou dolorida. Também desconcentrou a todos até que se acalmasse e se retirasse do local, levado pela psicóloga mediadora para um espaço externo. Esse fator consumiu parte do tempo pretendido e mobilizou a todos por alguns instantes, o que talvez tenha atrapalhado o envolvimento no diálogo de início, porém não comprometeu que logo fosse se desenvolvendo uma conversa com concentração na narrativa apresentada. Fatores que são previstos (ou imprevistos) em um local composto por pessoas que podem apresentar tais oscilações de comportamento com maior frequência.
A importância desse momento de validação é de ser a construção de consensos, para rever posicionamentos e dissensos, além de gerar empoderamento aos que narram suas histórias. Ao validar a narrativa junto aos que deram voz à mesma, mantém-se um desenho participativo e evita-se transformar tais vozes em objetos e cometer uma violência da interpretação (89).
Na leitura feita pela pesquisadora, os participantes iam se reconhecendo em certos trechos, ou reconhecendo os colegas e sinalizando discretamente. O grupo concordou com todo o conteúdo apresentado, validou como discurso do grupo e pediu que fosse acrescentado apenas mais um trecho à narrativa:
Uma coisa que dificulta é que não temos direito ao transporte gratuito, que é somente pelo serviço de saúde. Aqui é uma forma de a pessoa desenvolver autonomia, porque aprende a vender, a lidar com dinheiro, manter o ponto conservado, ter oportunidade de falar para dar sugestão de melhorar o empreendimento. Melhorou muito desde o começo, tem uma sinergia. A maioria se sente dono daqui. Até a decoração cada um vai mudando, no seu dia a pessoa dispõe à sua maneira. O apoio dos psicólogos ajudou nisso, o incentivo na mediação. Cada um se sente um colaborador, sai daquela coisa de paciente. Sai do Eu doente para o Eu pessoa.
3.5 Identificação dos núcleos argumentais
Após a realização do grupo focal inicial, foi realizada a transcrição literal do material áudio-gravado, e deu-se início ao esforço de identificação dos núcleos argumentais. O reconhecimento desses núcleos permite o encadeamento de uma história que dará sentido à narrativa.
Alguns núcleos se repetem em mais de um eixo, por entendermos que abarcam em seu teor, mais de uma temática.
EIXO TEMÁTICO NÚCLEOS ARGUMENTAIS
1. História de vida e percepções sobre si
...Era triste por dentro, sou até hoje às vezes por causa da minha mãe, uma morte precária, 18 anos eu tinha, e não tinha felicidade e eu era deprimido, meio solitário, andava solitário… muitos amigos que estavam por perto de mim percebiam que eu tinha solidão, alguma mágoa né… não tinha aquele prazer igual todo mundo tem…
Eu mesmo tenho preconceito de mim mesmo... igual você está na piscina né, de biquíni e tal, e aí você chega de terno e gravata e os caras se surpreendem né, eu sempre brinco com isso, mas é preconceito de mim mesmo, onde eu estou quando eu chego. Agora às vezes posso estar doidão ou careta, sempre falo isso, a pessoa me olhava e pá, às vezes eu podia agredir, mas nada, é o impacto né porque eu tive esse problema... vai passando o tempo e você vai vendo que é ... seu próprio preconceito. Mas não, a cor às vezes influi, o setor, a droga também, a bebida eu corrigi, o cigarro, então tudo isso faz você mesmo, as pessoas até percebem, você vai percebendo também que isso é uma queda só...
Como elas percebiam que eu era diferente? Eu era muito agressivo, muito arrogante, não tomava os remédios direito, jogava fora, aí houve aquela discriminação, saía para a rua, ficava 15 dias fora de casa, andava com más companhias, fumando maconha, bebendo...
...quando eu era criança por eu ser muito agitado, por eu ser um pouco agressivo. Eu fui criado num ambiente muito hostil... e isso foi me pegando desde pequeno, e eu tinha que aprender a lidar com isso ... dificuldade na educação na escola, repeti muitos anos, não conseguia me concentrar... sempre fui agitado e isso até hoje... Eu tenho dificuldade de relacionamento,
eu não paro em emprego, as pessoas percebem que eu sou agitado, que para me concentrar eu preciso de silêncio.
...eu sempre fui uma pessoa híper paciente, híper, aquilo que ninguém queria fazer, eu fazia sabe, paciência era comigo. E nessa época eu estava irritada, foi que eu mais bati na tecla para o pessoal do HC, foi isso, a minha irritabilidade.
EIXO TEMÁTICO NÚCLEOS ARGUMENTAIS
2. Percurso de cuidado em Saúde Mental
...cheguei no CAPS... no ano de 2015... eu já fazia parte de tratamento por perda de mãe, meu pai levou na primeira teoria que eu fiz essa parte de relacionamento, a médica me perguntou “você gosta de que?”, eu disse esporte, música, cultura e shows, “então se foca nisso”.
Foi em 79 minha história querida, onde eu estive na casa de custódia lá em Franco, Franco da Rocha... em 2006 eu fui preso, fui preso por me envolver num assalto... me pegaram novamente em 2014. Em 89 eu conheci o CAPS..., o primeiro CAPS que eu fui... inaugurei aquele CAPS... as pessoas tinham medo de mim... eu fui expulso dali... Já faz uns oito anos que eu não vou lá. Não vou mais em lugar nenhum... Não tomo remédio... Aí vim conhecer a saúde mental... sou militante dessa luta, participo das reuniões da frente que é da Frente Estadual, participo da rede também, Rede de Economia Solidária e participo também do Fórum de álcool e drogas. Importante estar, me envolvi muito, me envolvi em muitas coisas.
Eu conheci o CAPS em 2003... continuei e estou até hoje, faço parte de um projeto de geração de renda...
Na verdade, eu nunca participei de nenhum CAPS né, mas eu vivo a vida normal graças a Deus... [tratamento em saúde mental em UBS?] Não, graças a Deus tudo normal, e assim, trabalhando com alimentação, trabalho com Economia Solidária.
Quanto a tratamento mental... quando eu era criança por eu ser muito agitado... e isso até hoje e o CAPS me deu oportunidade de eu poder ter contato com outras pessoas, conhecer outros tipos de problemas, de repente ter alguém que passa pela mesma coisa que eu e a gente pode trocar figurinhas né... eu participei da marcenaria que me ajudou a manter a cabeça mais concentrada, ter mais foco, lá eu... aí começaram a cortar as atividades... “não, você vai ficar agora só até uma e meia”, “mas as duas horas tem o cafezinho que serve”, “não, mas você não vai tomar café”... era super gostoso e cortaram... o que falaram para mim que o CAPS não é um centro de convivência, é um lugar para fazer tratamento psicossocial, por isso CAPS, só que se não tratar o psico e não tratar o social, como é que vai ser? ... de vez em quando eu passo lá para fazer visita porque como eu fui bem acolhido lá, é mais perto para eu ir a pé...
Eu passei pelo CAPS... e aí me passaram no posto para psicólogos, né, em grupo... daí passei por psicóloga, e eu ia fazer uma viagem para fora... aí ela me atualizou a psicóloga, né, ela falou “está muito rápido e assim assado” e eu comecei a gaguejar... E aí bom, melhorei, viajei, tive um problemão com o idioma que eu sabia falar o castelhano, mas ninguém me entendia, nem o j, e os policiais “porque não fala português?”, falei, se souber falar, eu falo em português, e não entendiam e eu fui ficando pior, e aí eu senti uma paranóia, estou doida, em outro mundo e ninguém me entende, e fiquei meio assim..
EIXO TEMÁTICO NÚCLEOS ARGUMENTAIS
3. Experiências de trabalhos
anteriores
O primeiro trabalho que eu trabalhei foi com avicultura né, vendia ovos... por dois ou três anos... Depois trabalhei, fui motorista de caminhão, viajei para muitos lugares... como motorista de caminhão eu fiquei só seis anos... [registrados?] Sim, os dois.
Quando eu estava trabalhando na oficina dos anjos, achava que estava já preparada para o mercado de trabalho, mas não era bem assim, porque eu não estava estável, eu trabalhei três meses na Atento, nossa como era perturbador, eu tinha que alcançar metas de vendas... [registrado?] Sim. Me mandaram embora, porque lá tinha que ficar só quem atingia as metas e eu era tele operadora. Nossa, o pessoal... xingavam no telefone, nossa, era terrível, aí eu descobri como que é uma vida de uma tele operadora, não é fácil.
... já trabalhei tanto no ramo alimentício quando no ramo editorial e comércio, também já trabalhei com telemarketing, acho que foi onde eu comecei a ter o TOC, da repetição. [registrados?] Sim. Eu trabalhei com uma coisa bastante difícil que é trabalhar com banco onde você faz a retenção de cliente, o cliente quer cancelar uma conta, transferir e você tem que convencer, ter argumentos para que o cliente permaneça no banco, com a conta no banco, e a gente tinha meta, tinha que ficar em cima disso daí e era muita pressão e eu tenho dificuldade de trabalhar sob pressão.
Eu fui estagiária com 16 anos, fazia análises químicas, trabalhei na Drogasil, no laboratório... trabalhei em pronto socorro também de estagiária, depois entrei como recepcionista, primeiro emprego, o outro era registrado, mas como estagiária, aí foi o primeiro registro e fiquei, fui ficando dois, três anos, aí mandavam embora. Secretária, funcionária,
primeiro trabalho eu ganhava regularmente, daí eu saí e fui procurar outro emprego e já não foi tão fácil, fixo. Aí passou, parei de estudar, só trabalhava e depois foi que eu resolvi, terminei o segundo grau e resolvi fazer instrumentação no HC, aí comecei a trabalhar... Hospital das Clínicas... continuei autônoma com o doutor... e até hoje quando me chamam para prestação de serviço... fora fixo, sempre trabalhei com vendas, Natura, o que fosse, Tupperware, essas coisas...
Eu trabalhei muito pouco, trabalhei assim fixo né, eu trabalhava com período de experiência. Em período de experiência já trabalhei na Besni, que é loja de calçado só que aí eu fui porque era período de experiência e tal, aí beleza eu tive que sair porque acabou a experiência... só um mês... Catho, essas coisas assim... eu ia nesses lugares para procurar emprego assim né, aí me chamaram uma vez para ir para a Drogaria São Paulo também, período de experiência também, fiquei acho que dois meses só... E não ficava muito tempo, não sei, não conseguia ficar num emprego fixo assim, tinha dificuldade, sei lá, me relacionar com as pessoas eu acho, e aí na terceira vez eu trabalhei num mercado e no mercado de um conhecido, conhecido da minha avó, aí eu fui lá e comecei a trabalhar... eu queria trabalhar, queria ter independência financeira, e eu comecei a trabalhar lá, só que eu não trabalhei fixo lá também porque eu não me sentia bem trabalhando lá, me sentia mal, me sentia triste, não sei, aí depois de cinco meses eu quis sair eu falei quero sair e tal, não quero mais ficar. E acho que é só, trabalhei muito pouco, não trabalhei muito.
Em buffet eu trabalhei doze anos, foi lá na Bahia, e aqui quatro anos com alimentação, eu trabalhava... já tendo a Economia Solidária... e o restante do tempo com artesanato, até hoje... [buffet na Bahia era registrada ou era autônoma?] Autônoma, não era registrada... quando eu cheguei aqui na Economia Solidária eu não saí mais... foi quando eu conheci, em 2004 começou a Economia Solidária e eu entrei com a alimentação.
EIXO TEMÁTICO NÚCLEOS ARGUMENTAIS
4. Renda e trocas materiais no mercado formal
Eu ganhava um salário...eu ia para a farra.
Mais ou menos um salário mínimo mais benefícios, participação de lucro… Eu cheguei a guardar dinheiro para pagar cursos e às vezes comprava algumas coisas assim pra mim, uma vez eu fiquei supercontente, eu trabalhei dois anos numa papelaria de um shopping e comprei uma guitarra, paguei à vista.
...o salário mínimo só, trabalhava para o sustento mesmo porque não tinha ninguém; aí depois que me casei não trabalhei mais fora, provei pouco tempo de casada, só onze anos… e aí comecei a trabalhar de novo e era sempre para mim, para minha casa, comprar alguma coisa.
...antigamente o salário mínimo acho que era uns quatrocentos e oitenta… ganhei por três meses esse salário… comprei uma TV usada.
Com o salário que eu ganhava, comprei uma bicicleta uma vez né...
Têm os dois lados da moeda, quando eu trabalhava registrado eu tinha uma garantia, eu podia ter um convênio médico, podia comprar alguma coisa e pagar parcelado, aí quando eu decidi trabalhar dessa forma por conta própria, se eu não produzir eu não vendo, e não vou ter dinheiro, então eu tenho que trabalhar com meta, eu posso ganhar o salário que eu quiser, mas vai depender da minha produção, é mais difícil, quando você cumpre um horário, assina, tem seu horário lá, aí você tem seus benefícios, transporte, alimentação, e tal, aí é garantido né, como eu trabalhei com telemarketing que durou nove meses eu me senti rico, eu tinha cartão para
ônibus, tive vale refeição, o cartão de conta cliente do banco, e o cartão de assistência médica, quatro cartão. Fiquei me sentindo rico, aí comecei a comprar roupa legal para mim, mas não sou o tipo de gastador, de esbanjar, não, eu sou econômico, compro o que eu gosto, não faço excessos, a única coisa que eu dou muito valor é para lazer também né...
EIXO TEMÁTICO NÚCLEOS ARGUMENTAIS
5. Experiências na Economia Solidária e Geração de Renda
Quando entrei no CAPS e comecei a desenvolver a parte da marcenaria e eles me deram oportunidade de trabalhar com a feira da Economia Solidária, projeto de geração de renda.
...aqui, graças a Deus... todo mundo é igual, não fica falando, essas coisas assim e cada um trabalha do seu jeito, ninguém crítica, eu trabalho do meu jeito, ele trabalha do jeito dele, ela trabalha do jeito dela, e cada um segue. Graças a Deus me sinto muito bem aqui.
… Nunca me senti tão normal, que às vezes você se atrasa, sou muita atrasilda, que eu vejo as escalas, as pessoas que falam eu só vem quinta, ou só posso quarta, e chega na hora e não aparece, aí no sábado a pessoa falta, eu venho, podia vir na quarta e venho no sábado, umas coisas bem loucas que eu sempre fiz quis fazer. Não fiz, mas sempre quis fazer, então eu comentei com minha mãe, lá não tem estresse, tanto faz eu falar que não vou e aparecer, e que vou e não aparecer.
... Porque ela é assim mesma, ela está na escala, aí não vem e tem tapa buraco. Ela é meio atrapalhada sabe, não tem hora certa, não tem dia certo.
É feita semanalmente a escala de trabalho na loja.
… Acaba na psicóloga, quando fala quem pode quarta? Ninguém pode, daqui a pouco todo mundo quer vir na quarta que ninguém vinha. Aí ela fala, “mas não era na quarta que ninguém podia vir?” [Risos de todos] ... Bem louco mesmo o negócio... Então eu me sinto normal, todo mundo se sente bem.
… É todo mundo doido né.
EIXO TEMÁTICO NÚCLEOS ARGUMENTAIS
6. Renda e trocas materiais possibilitadas pelo Empreendimento Econômico Solidário
... é variado, não é tipo um valor fixo.
… depende de venda, é comissão né, é uma comissão e a gente recebe por hora, então chega no final do mês quanto deu, deu um valor lá, é dividido
pelo número de horas.
... Dois por hora a quatro por hora, reais… dá cento e pouco para cada um.
Eu trabalho uma vez por semana… porque durante a semana eu fico produzindo lá na Oficina... do CAPS e lá eu ganho mais que aqui.
...Eu também participei da Oficina… [do CAPS], eu tive uma oportunidade e me ajudou bastante. O dinheiro que eu recebi por três meses de trabalho que foi desenvolvendo enfeites de natal para o Conjunto Nacional com
material reciclado, eu pude me manter por seis meses nas minhas despesas com lanches, saúde, higiene, essas coisas.
Comprar material para produzir né, que eu faço bolsa, faço alguma coisa e coloco aqui para vender, e manter a minha despesa.
Eu gasto com alimentação, compro café, açúcar, uma bolacha, coisas básicas.
Eu gasto porque preciso me manter, e comprar material para produzir.
Eu compro qualquer alimento que seja diferente também né. Não seja sempre a mesma coisa e tal, gosto de guardar dinheiro também e compro materiais para fazer os origamis.
EIXO TEMÁTICO NÚCLEOS ARGUMENTAIS
7. Percepções de si a partir da
experiência atual de trabalho
As pessoas já não olham para mim estranhamente falando assim “você é uma doente mental”, eu me sinto igual, e elas se sentem igual a mim também da mesma forma, e há um respeito nisso né.
As pessoas não estranham de me ver aqui né, porque eu sempre fui comerciante e tudo, mas para mim foi bom porque eu pensei que a carreira estava encerrada, vamos dizer, dificuldade eu pensava, difícil porque o aluguel muito alto para alugar uma portinha que fosse, nem pensar, emprego fixo com esse problema que eu estava difícil, né, então para mim foi uma luz ainda no fim do túnel, quando você pensa que acabou e teve
continuidade. E o que acrescentou que eu conheci novas pessoas e uma coisa que eu pensei outro dia, nunca me senti tão normal, que às vezes você se atrasa, sou muita atrasada, que eu vejo as escalas, as pessoas que falam eu só vem quinta, ou só passo quarta, e chega na hora e não aparece, aí no sábado a pessoa falta, eu venho, podia vir na quarta e venho no sábado, umas coisas bem loucas que eu sempre fiz ou quis fazer, não fiz, mas sempre quis fazer, então eu comentei com minha mãe, lá não tem estresse, tanto faz eu falar que não vou e aparecer, e que vou e não aparecer.
Uma coisa que eu senti mais que fazia parte de mim, não ficar julgando o outro, mas sempre eu tinha um conselho para dar, entendeu? Você está bem assim, mas se puser uma roupa escura, fica melhor, sempre um conselho, uma observação, então isso eu acho que eu anulei. Tanto faz, ele está bem assim, ele tem que estar bem e não eu…. Cada um no seu quadrado.
Depois que entrou aqui? A mesma coisa, não digo que é a mesma coisa, mas eu não acho que aqui vai mudar o jeito como eu sou né, mas eu mudei por causa de outras coisas também, não é só por causa daqui, aqui é só um trabalho, não é para você ficar, tipo, ah eu vou ficar rico, vou sei lá..., mas eu não acho que aqui se desenvolve muita coisa não. Mas acho que dá uma autonomia também… porque às vezes você quer comprar alguma coisa, e aí você já tem seu próprio dinheiro também né.
…a gente tem que se organizar, você tem um compromisso um dia, sexta reunião, então tem que vir participar, só isso.
EIXO TEMÁTICO NÚCLEOS ARGUMENTAIS
8. Valor social do trabalho econômico solidário
As pessoas já não olham para mim estranhamente falando assim “você é uma doente mental” ...
Tem uns que sim, tem uns que não, a minha tia fica até impressionada às
vezes, porque às vezes eu vendo uns origamis aí e consigo ganhar dinheiro,