Há muitos analistas que, desde 2008, dizem: “A próxima crise está bem aqui, na esquina. Teremos hiperinflação. Compre ouro. Se prepare”.
Muitas pessoas acreditaram nisso e se decepcionaram. Elas dizem: “Espere um pouco. Não estamos vendo muita inflação. Na verdade, a deflação parece um perigo mais real no momento. Petróleo está em baixa, ouro está em baixa, commodities estão em baixa”. O alerta acaba per- dendo credibilidade.
Eu digo para os investidores confusos que inflação muito alta é um perigo, assim como deflação.
Novamente, meu conselho para investidores é que se pre- parem para ambos. Warren Buffet está fazendo isso.
Warren Buffet não está apenas comprando ativos tangíveis, ele tem cinquenta e cinco bilhões de dólares em dinheiro. Os ativos tangíveis são seu seguro contra a inflação. O dinheiro é seu seguro contra deflação.
É não apostar todas as fichas em um único número. Meu conselho é proteger-se contra a inflação com ativos tangíveis,
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Quando a hiperinflação chegou, Stinnes estava perfeita- mente posicionado. O carvão, o aço e o serviço de transporte mantiveram seu valor. Não importava o que acontecia com a moeda alemã, um ativo tangível é um ativo tangível e não se perde mesmo que o valor da moeda chegue a zero.
As holdings internacionais de Stinnes também o ajudaram, porque geraram lucros em moedas fortes, não em reichsmar- ks imprestáveis. Parte desse lucro foi mantido no exterior na forma de ouro, guardado em cofres suíços. Dessa forma, ele escapou tanto da hiperinflação quanto dos impostos alemães. Finalmente, pagou suas dívidas em reichsmarks imprestáveis, fazendo com que desaparecessem.
Além de não ter sido prejudicado pela hiperinflação de Weimar, o império de Stinnes prosperou e ele ganhou mais dinheiro que nunca. Ele expandiu suas holdings e comprou concorrentes falidos. Stinnes ganhou tanto dinheiro durante a hiperinflação de Weimar que seu apelido era Inflationskönig (Rei da Inflação). Quando a poeira baixou e a Alemanha vol- tou a ter reservas de ouro para proteger a moeda, Stinnes era um dos homens mais ricos do mundo. A classe média alemã estava destruída.
Curiosamente, vemos Warren Buffett usando as mesmas técnicas hoje em dia. Parece que Buffett estudou Stinnes com cuidado e está se preparando para a mesma calamidade que Stinnes enfrentou – a hiperinflação.
Buffett recentemente comprou grandes ativos em trans- portes – a ferrovia Burlington Northern Santa Fe. Essa ferrovia consiste em ativos tangíveis na forma de concessão de uso, concessão adjacente para minerar e de material circulante. A ferrovia gera dinheiro transportando ativos tangíveis, como minério e grãos.
Depois disso, Buffett comprou grandes ativos de petróleo e gás natural no Canadá – Suncor (SU:NYSE). Buffett agora pode transportar seu petróleo Suncor em sua ferrovia Burlington homem mais rico da Alemanha, numa época em que o país era
a terceira maior economia do mundo.
Ele era um proeminente industrialista e investidor com diver- sas holdings na Alemanha e no exterior. Chanceleres e ministros da recém-criada República de Weimar rotineiramente buscavam seus conselhos sobre problemas políticos e econômicos.
De muitas formas, Stinnes desempenhou na Alemanha um papel semelhante ao de Warren Buffett nos EUA de hoje. Ele era um investidor ultrarrico, cuja opinião sobre questões po- líticas era avidamente procurada, que exercia uma influência poderosa nos bastidores e parecia tomar todas as decisões cor- retas em relação ao mercado.
Se você for um estudante de história econômica, sabe que de 1922 a 1923 a Alemanha sofreu a pior hiperinflação já vivenciada por uma grande economia industrial nos tempos modernos. Como expliquei, a taxa de câmbio entre o reichs- mark e o dólar foi de 208 para 1, no início de 1921, para 4,2 trilhões para 1, no final de 1923. Nessa época, o reichsmark se tornou inútil e era varrido das ruas como lixo.
Mesmo assim, Stinnes não foi destruído durante a hiperin- flação. Por quê?
Stinnes nasceu em 1870 numa próspera família alemã com negócios em minério de carvão. Ele trabalhou nas minas para aprender sobre a indústria na prática e fez cursos em Berlim, na Academy of Mining. Quando herdou os negócios da família, expandiu-os comprando suas próprias minas.
Ele diversificou partindo para o ramo de transportes e comprando linhas de carga. Seus próprios meios de transporte eram usados para carregar carvão pela Alemanha, através do rio Reno, e para o exterior. Suas embarcações também transportavam madeira e grãos. Sua diversificação incluía a propriedade de um grande jornal, que ele usava para exercer influência política. Antes da hiperinflação de Weimar, Stinnes fez muitos empréstimos em reichsmarks.
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Northern da mesma maneira que Stinnes transportava seu car-
vão em suas próprias embarcações em 1923. Buffett também é um grande acionista da Exxon Mobil, a maior companhia de energia do mundo.
Por décadas, Buffett possuiu um dos mais poderosos jor- nais dos EUA: The Washington Post. Ele o vendeu recente- mente para Jeff Bezos, da Amazon, mas ainda possui outros meios de comunicação. Ele também comprou grandes ativos na China e em outros países, que geram lucros em moedas que não o dólar, lucros os quais podem ficar no exterior, livres de impostos.
Uma grande parte da carteira de Buffett compõe-se de ações financeiras – especialmente bancos e seguradoras – , que fazem empréstimos de alta alavancagem. Como Stinnes na década de 1920, Buffett poderá lucrar quando as dívidas desses gigantes financeiros forem varridas pela inflação, enquanto eles agilmente realocam seus bens para se protegerem.
Em resumo, Buffett está usando a cartilha de Stinnes. Ele está usando alavancagem para diversificar em ativos tangí- veis na área de energia, transporte e moeda estrangeira. Ele está usando seus meios de comunicação e seu prestígio para se manter informado sobre desenvolvimentos de bastidores no cenário político. Buffett se posicionou da mesma forma que Stinnes em 1922.
Se a hiperinflação chegasse aos EUA hoje, os resultados de Buffett seriam os mesmos de Stinnes. O valor de seus ativos tangíveis subiria muito, suas dívidas seriam eliminadas e ele poderia comprar competidores que foram à falência. É claro, a classe média americana seria destruída.
Meu conselho quando se trata de bilionários como Buffett é prestar atenção no que fazem, não no que dizem. Stinnes viu a hiperinflação alemã se aproximando e se posicionou de acordo. Buffett está seguindo a cartilha de Stinnes. Talvez
Buffett veja a mesma hiperinflação em nosso futuro. Não é tarde demais para você tomar as mesmas precauções.
■ Você Deveria Estar Fazendo Empréstimos?
Uma questão que recebo frequentemente de leitores é: “Eu deveria estar fazendo empréstimos, dada a ameaça da hipe- rinflação”?Minha resposta é: se tiver um motivo legítimo para fazer empréstimos, como o financiamento de uma casa, e puder pa- gá-lo sem ficar superalavancado, tudo bem.
Mas não recomendaria que você fizesse empréstimos de grandes quantidades agora só para ganhar dinheiro. Essa estra- tégia só funcionará se realmente tivermos inflação. O problema é que a inflação pode não chegar tão rapidamente. Talvez nós tenhamos que enfrentar a deflação. É por isso que recomendo um balanço de ativos tangíveis e dinheiro.
Quando digo dinheiro, não estou falando sobre fundos do mercado monetário ou CDBs, mas sobre instrumentos da mais alta qualidade. Se você for um investidor americano, a solução seria os títulos do Tesouro americano ou títulos de um ano.
Adquira ativos tangíveis para se proteger da inflação. O dinheiro o protege em caso de deflação e reduz a volatilidade. É difícil saber qual será o desfecho, por isso, você precisa se preparar para ambos.