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The Downfall of Money

No documento Livro a Grande Queda (páginas 132-134)

Apesar de a hiperinflação ser comumente relacionada à República de Weimar, poucos investidores conhecem a história visam monitorar grandes e pequenos governos do mundo

todo. Tais missões são a chave para forçar os governos a se conformarem com as regras do jogo estabelecidas pelas elites monetárias.

Ahmed teve dificuldades para conseguir a cooperação do FMI e o acesso às reuniões e missões que precisava para escre- ver. Na abertura do livro, ele escreve que descobriu de pronto que ter o acesso ao que está atrás das portas do FMI não seria fácil. O FMI é o repositório de muitos segredos guardados fe- rozmente. Seu trabalho é feito nos bastidores, longe do olhar público, e sua história mostra grande cautela com a imprensa. Ele se beneficia de certo misticismo que poderia ser perdido se houvesse muita abertura.

Por fim, Ahmed teve seu acesso concedido pela diretora- geral do FMI, Christine Lagarde. Seu relato revelador se assemelha a livros de História e Economia, bem como a histórias de James Bond. À medida que Ahmed viaja de Washington para Tóquio, Dublin e Maputo, em Moçambique, ele descreve as interações do FMI com outros membros da elite do poder mundial e com os países-membro do IMFC, tanto os desenvolvidos quanto os mais pobres.

Vale ressaltar que o livro é extremamente acessível. Ahmed evita os jargões que permeiam a maioria dos relatos acerca do FMI, bem como as publicações oficiais e relatórios dele. Qualquer um com o mais ínfimo interesse no sistema monetá- rio internacional terá um guia excelente sobre como o FMI lida com seus negócios no dia a dia e como tem o poder de fortale- cer e quebrar governos soberanos ao decidir conceder ou não empréstimos em caso de problemas financeiros.

Uma das maiores tiradas do livro é a demonstração de que o FMI é tão poderoso quanto as Forças Armadas dos Estados Unidos ou a CIA no que se refere a forçar mudanças em go- vernos que não seguem as ordens dos Estados Unidos. Mas é claro, o FMI faz isso sem disparar um tiro. Utilizam dinheiro

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Os políticos queriam que o banco central mascarasse seu problema com notas de dinheiro em vez de resolver o problema real. Nessa análise, Havenstein não é um agente autônomo que destruiu a moeda. Ele é o bode expiatório de uma classe política fraca e disfuncional que se recusou a tomar decisões difíceis.

Esse insight, bem documentado por Taylor e descrito com clareza, é de muita importância na avaliação dos riscos de hi- perinflação nos Estados Unidos hoje. Investidores costumam culpar Ben Bernanke e Janet Yellen por emitir (na verdade, criar digitalmente) trilhões de dólares.

Mas os problemas atuais da economia americana, muitas dívidas e pouco crescimento, são idênticos aos problemas enfrentados pela Alemanha em 1921. Naquela época, como agora, as soluções eram, em grande parte, estruturais. Naquela época, como agora, a classe política se recusou a fazer concessões para encontrar uma solução e procurou o banco central para encobrir os problemas com notas de dinheiro. Naquela época, como agora, o banco central acobertou os políticos.

O nome desse fenômeno é “dominância fiscal”, como des- crito pelo antigo presidente do Fed, Frederic Mishkin, em um artigo acadêmico em 2013. Mishkin diz que a independência do banco central é um mito que aparenta ser real em períodos de estabilidade econômica.

Mas, quando os poderes legislativo e executivo se tornam disfuncionais, como hoje, e quando dívidas e deficits fogem do controle, como aparentam estar fugindo, bancos centrais de- vem ceder às vontades dos políticos e monetizar a dívida pela impressão de moeda. Foi o que aconteceu na Alemanha de 1921 a 1923. Algo similar pode estar começando a acontecer nos Estados Unidos hoje.

Os Estados Unidos ainda não estão em um ponto sem vol- ta, como a Alemanha em 1921. Mas caminham nessa direção. O país tem uma classe política disfuncional e um banco central detalhada e as dinâmicas políticas que levaram ao desfecho

catastrófico. É necessário entender o fato de a Alemanha ter sido recentemente derrotada na Primeira Guerra Mundial e carregar uma grande dívida referente à reconstrução da França, do Reino Unido e de outras potências vitoriosas.

Você também deve saber que comunistas e protonazistas lutaram nas ruas, lideraram rebeliões regionais e cometeram assassinatos de importantes figuras políticas. Mas essa não é a história completa.

Para entender exatamente o que aconteceu, que também pode atingir os Estados Unidos, recomendo The Downfall of

Money: Germany’s Hyperinflation and the Destruction of the Middle Class (A queda do dinheiro: A hiperinflação e des-

truição da classe média na Alemanha, em tradução livre), de Frederick Taylor. Esse é o melhor e mais completo testemunho sobre a hiperinflação na República de Weimar e provavelmen- te o relato definitivo da história.

A maior parte dos relatos acerca da hiperinflação de Weimar foca-se em Rudolf Havenstein, o diretor do Reichbank, o banco central da Alemanha. Havenstein tinha o controle das prensas de impressão e era diretamente responsável pela pro- dução física de notas, que, em dado momento, foram denomi- nadas trilhões de marcos.

O Reichbank chegou a imprimir volumes tão grandes de moeda que ficava limitado por escassez de papel. Chegou até a imprimir apenas de um lado das notas para economizar tinta, que também era escassa. Havenstein é comumente retratado como o vilão da história – o homem responsável pela impres- são de dinheiro que arruinou a moeda e a economia alemãs.

Ainda assim, Taylor menciona Havenstein apenas algumas vezes em seu livro de 400 páginas. Em vez disso, Taylor culpa as lideranças políticas que se recusaram a fazer concessões nas re- formas estruturais necessárias para restaurar o crescimento da economia alemã para que ela pudesse arcar com suas dívidas.

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Unidos fizeram uma massiva reconstrução de sua economia para produzir materiais de guerra, primeiramente para os alia- dos, o Reino Unido, em particular, e, então, para suas próprias Forças Armadas, após a entrada na Segunda Guerra Mundial, em dezembro de 1941.

Como qualquer esquema datado, a escolha é arbitrária. A depressão nos Estados Unidos foi parte de uma depressão mun- dial maior, visível no Reino Unido em 1926 e na Alemanha em 1927, e que não foi totalmente resolvida até os acordos mo- netários feitos em Bretton Woods em 1944 e implementados nos anos pós-guerra. Mas o período principal, de 1929 a 1940, que durou por todo o mandato do presidente Hoover e os dois primeiros mandatos do presidente Franklin Roosevelt, é objeto de interesse de historiadores e acadêmicos até hoje.

O termo “depressão” não é muito bem entendido e não está em uso hoje. Economistas preferem “recessão”, que signi- fica dois ou mais quadrimestres consecutivos de queda do PIB, com alta na taxa de desemprego e “expansões”, que são perío- dos de crescimento do PIB entre recessões. Economistas gos- tam do fato de que uma recessão é matematicamente definida e mensurável, enquanto uma depressão é definida subjetiva- mente e está, muitas vezes, nos olhos de quem vê. Os formula- dores de políticas evitam utilizar palavras como depressão, por medo de que o público se contagie e pare de gastar – quando se deseja o oposto. Como resultado, a palavra “depressão” foi varrida para baixo do tapete do discurso econômico atual.

É uma pena, porque o termo “depressão” é útil para a aná- lise econômica. Uma depressão não insinua longos períodos de PIB em queda. É possível haver um PIB em crescimento com alta na taxa de emprego e nos preços de ações numa de- pressão. Na verdade, foi exatamente isso que aconteceu entre 1933 e 1936, bem no meio da Grande Depressão.

O que caracteriza uma depressão é que o crescimento não é convertido em potencial em longo prazo e a produção total, acomodado. O livro de Taylor é uma leitura obrigatória para

aqueles que desejam conhecer os sinais de alerta de uma hipe- rinflação antes que seus estágios mais virulentos acabem com seu dinheiro.

Mark Twain escreveu: “Nenhum acontecimento é único e solitário, é apenas uma repetição de alguma coisa que já aconteceu antes.” O relato lúcido e perspicaz de Taylor ofe- rece um guia histórico de algo que já aconteceu antes e que pode vir a se repetir nos Estados Unidos em condições nota- velmente similares.

No documento Livro a Grande Queda (páginas 132-134)